Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 15 de abril de 2017

Chuva de Versos n. 472


Uma Trova de Maringá/PR
Cirema do Carmo Corrêa

Embora a saudade fira
fazendo a gente chorar,
não creio que alguém prefira
viver sem esse penar!

Um Poema de Goiânia/GO
Ada Ciocci Curado
(Jardinópolis/SP, 1916 - 1999)

MINHA CASA

Minha casa hoje,
tem janelas abertas para o nascente,
para o poente,
e,
também para a larga estrada,
aquela que conduz ao limite,
pela frente.
Minha casa solitária,
Branca e alta,
embora esteja plantada em estéril campo,
é toda circundada de verde, paz e silêncio.
Nova e antiga casa,
onde o Amor e a Esperança,
ainda são uma constante.

Uma Trova Hispânica dos Estados Unidos
Cristina Oliveira Chavez

Me gusta mirar las flores,
¡están llenas de alegría!
Son sonrisas de colores,
¡Para iluminar el día!

Um Poema de Araraquara/SP
Akasha De Lioncourt
(Alcione A. Xavier Sato)

A FLORESTA ENCANTADA

Uma floresta encantada, luz do sol,
Duendes e gnomos caminham por entre as flores
A Natureza segue seu curso, tranquila,
Ali, nenhum Homem ainda pode dilapidá-la.

O sol ilumina, aquece, trazendo vida,
Unicórnios brincam sob os raios do Astro-Rei.
E uma princesa, adormecida, é vigiada,
Por um belo cavaleiro, que por ela zela.
Conta a lenda, que a jovem fora enfeitiçada,
Condenada a dormir até o fim de seus dias.
Mas, insone, o cavaleiro acreditava,
Que, um dia, o feitiço se quebraria.

Ele a levou para a floresta encantada,
Para deixá-la a salvo de tanta maldade.
Sabia, que ali ela estaria a salvo,
Pois a Mãe Natureza a preservaria.

Um cavaleiro, filho da floresta encantada
Amigo das árvores, dos animais, da natureza
Sua força, toda ela, provém da terra
É dela que ressurge toda a sua beleza,

Crê, na força criadora do Cosmos,
Que é a fonte de toda a nossa existência.
Luta, e sabe que disso depende,
Até mesmo a sua sobrevivência.

Mágica, encantada, fonte de vida
A floresta segue, intacta, inexplorada.
Pois seu cavaleiro, anjo protetor
Não permite que ninguém a invada.

Sua princesa continua adormecida,
Mas, ela um dia será despertada.
Ele sabe, e já antevê essa notícia,
Pois a princesa é sua metade, e muito amada.
Gnomos, duendes, seres fantásticos,
Já o avisaram de que este dia está próximo
Enquanto espera, o cavaleiro se inebria,
Com a beleza da sua floresta inexplorada.

Ele não sabe, mas faz parte do cenário
Um anjo, que surgiu da Natureza
E dela extrai sua força para viver.
Um cavaleiro, um anjo da floresta...

Cujo poder ninguém jamais poderá limitar.

Uma Trova Humorística de Sorocaba/SP
Dorothy Jansson Moretti

"Me apavora o fim do mundo!",
diz ao amigo, o Garcês.
"Pois eu já não vou tão fundo...
meu fantasma é o fim do mês..."

Um Poema de Juiz de Fora/MG
Ana Merij

- DAS HORAS PÚRPURAS -

as vozes da casa silenciam em púrpuras horas
todas as minhas ausências sentam-se a mesa
que ainda respira o último fôlego de memórias

tímidas as palavras de seus recuos regressadas
ancoram-se inutilmente entre vãos das portas

os passos de meu pai atravessando os sonhos
dizem de vesperais melancólicos sobre o jardim

e as mãos de minha mãe ainda alisando lutos
retiram o pó e fuligem do tempo que me devora

em mudez plástica deus vai e vem como um tijolo:
- esmaga minha história!

Trovadores que deixaram Saudades
José Lucas De Barros

Viram cinzas os verdes braços
de árvores tão bem formadas
e a terra morre aos pedaços
por onde vão as queimadas.

Um Haicai de Maringá/PR
A. A. de Assis

Enxame de grilos.
Saudade dos sons da infância
no sítio do avô.

Um Poema de Curitiba/PR
Avany Morais

APENAS POETA

Sei que não me esperaria
Com a mesma intensidade,
Com que um dia lhe esperei.

Então, poeta!...
Sinta-me nas asas do vento...
Nos cantos dos pássaros...
Nas entrelinhas do tempo...

Deixe que a alma levite!
Sem importar com o tempo...
Seja ele, passado, presente ou futuro.
Sem saudade desnecessária... Sem tormento.

Apenas e tão somente,
Com o coração de poeta...
Viajante das estrelas...
Sem a loucura do homem.

Poeta... Apenas poeta!
Sem a tristeza do adeus...
Sem os desassossegos da alma...
Sem... Sem desilusão!

Apenas poeta...
Simplesmente poeta.
Um ser imortal.

Sem choro de emoção...
Sem dor no coração...
Sem falsas palavras...
Sem pensamentos inacabados.

Apenas poeta...
Com toda glória,
Ou com toda loucura,
Que povoa a sua história.

Sendo poeta...
Apenas poeta...
E nada mais.

Uma Trova de São Paulo/SP
Domitilla Borges Beltrame

O marido agonizante
insistindo quer saber:
- Fui traído? E ela hesitante:
- E se você não morrer?!...

Um Poema de São Paulo/SP
Carmen Lúcia Marcos

BORBOLETAS

Quando borboletas pousam
em flores mimosas,
num abrir e fechar de asas,
eu paro a observar.

Quando silenciosamente
elas partem,
sinto-me só.

Vendo-as assim
coloridas a voar,
agora sei
que algo está errado,
pois meus sonhos coloridos,
de breve e efêmera existência,
dispersam-se no ar
nas asas das borboletas
que ali estão um longo tempo
diante de mim a voar.

Sim, agora eu sei.

Compreendo que viver feliz
é uma grande empreitada.

E neste lugar
onde voam as borboletas,
eu compreendo o que está errado.

Agora eu sei,
Sim eu sei...
Preciso enfim,
encontrar o meu lugar.

Recordando Velhas Canções
Modinha para Gabriela
(1975)

Dorival Caymmi

Quando eu vim para esse mundo
Eu não atinava em nada
Hoje eu sou Gabriela
Gabriela ê meus camaradas

Eu nasci assim
eu cresci assim
e sou mesmo assim
Vou ser sempre assim
Gabriela,   
sempre Gabriela

Quem me batizou
quem me nomeou
Pouco me importou
é assim que eu sou
Gabriela   
sempre Gabriela

Eu sou sempre igual
não desejo o mal
Amo o natural
etc e tal
Gabriela   
sempre Gabriela

Uma Trova de Caçapava/SP
Élbea Priscila S. e Silva

Da mulher, tanta feiúra
o espelho não aguentou,
escapuliu da moldura,
fez-se ao chão... se suicidou!

Um Poema de Goianésia/GO
Conceição de Lemos Silva

FASCINAÇÃO

Pela fresta da janela,
Eu a vejo no infinito.
O seu brilho a torna bela
E o meu mundo mais bonito.

É a lua, lá no céu...
Que me traz inspiração
Para escrever esses versos.
Que traduzem fascinação...

Uma nuvem atrevida
O seu brilho vem ofuscar.
Perde brilho a nossa vida
Se deixarmos de sonhar!

Depois que a nuvem se vai
A lua brilha novamente.
Na vida, o sonho que esvai...
Marca a alma da gente.

Ela some devagarinho...
No horizonte, atrás da serra.
Preciso seguir meu caminho
Traçado aqui nesta Terra.

Confesso. A lua me fascina
E mexe com meus pensamentos.
Sua beleza me ensina
A superar os meus lamentos...

Uma Trova do Rio de Janeiro/RJ
Maria Nascimento S. Carvalho

Ensina com tolerância
à criança pequenina
a ver o que é bom na infância,
que o restante a vida ensina.

Um Poema de Chapecó/RS
Dora Brisa

ACALANTO

Dorme, criança, dorme,
enquanto eu fecho as cortinas, para que
o sol clareie cedo tudo só lá fora...

Dorme, criança, dorme,
enquanto eu leio estórias, para que
os teus medos vão embora...

Dorme, criança, dorme,
enquanto eu sopro o teu canto
no ar da tua realidade...

Dorme, criança, dorme,
enquanto eu despejo teu pranto
no baú da saudade...

Dorme, criança, dorme,
enquanto eu embalo teu sono
na rede da ternura...

Dorme, criança, dorme,
enquanto eu protejo teu sonho
da tempestade escura...

Dorme, criança, dorme,
enquanto eu guardo tudo o que é teu
na caixinha de corações...

Dorme, criança, dorme,
enquanto eu escondo debaixo
da cama, as tuas ilusões...

Dorme, criança, dorme...
Já é tarde...
Ainda tão cedo...
Os pássaros ensaiam alarde...
Também durmo - não percebo...

Uma Trova de Nova Friburgo/RJ
José Moreira Monteiro

Teu ciúme muito louco
sem limite, sem medida,
vai minando pouco a pouco
os dias da minha vida.

Hinos de Cidades Brasileiras
Douradina/ PR

Junto às margens do Rio Ivaí
Tu nasceste querido rincão
És a terra mais linda que eu já vi
Douradina do meu coração

Nesta clareira altissonante em tom aberta
Na marcha rumo à civilização
Pelos pioneiros em cívica oferta
Surgiste radiosa em pleno sertão

No teu chão brotam riquezas mil
E o ouro verde é primeiro lugar
Este recanto feliz do Brasil
Para sempre eu hei de amar

Pois aqui sou tranquilo e feliz
Com as graças de Nosso Senhor
Que ampara protege e bendiz
Este povo de intenso labor

Douradina é celeiro divino
Que outro igual asseguro não há
Grandioso há de ser seu destino
Filha altiva do meu Paraná

Oh Senhora Aparecida milagrosa
Abençoe este amado torrão
Que esta terra seja sempre dadivosa
E um templo de paz e união

No teu chão brotam riquezas mil
E o ouro verde é primeiro lugar
Este recanto feliz do Brasil
Para sempre eu hei de amar

Pois aqui sou tranquilo e feliz
Com as graças de Nosso Senhor
Que ampara protege e bendiz
Este povo de intenso labor

Um Poema do Rio de Janeiro/RJ
Elisa Lucinda

UMA LEMBRANCINHA DO TEMPO

Desde pequena,
a poesia escolheu meu coração.
Através de sua inconfundível mão,
colheu-o e o fez
se certificando da oportunidade
e da profundeza da ocasião.
Como era um coração ainda raso,
de criança que se deixa fácil levar pela mão,
sabia ela que o que era fina superfície clara até então ,
seria um dia o fundo misterioso do porão.
Desde menina,
a poesia fala ao meu coração.
Escuto a prosa,
quase toda em verso,
escuto-a como se fosse ainda miúda e
depois, só depois, é que dou minha opinião.
Desconfio que minha mãe me entregou a ela.
A suspeita, a desconfiança podem ser fato,
se a mão materna que já aos onze
me levou à aula de declamação,
não for de minha memória uma delicada ilusão.
Desde pirralha e sapeca
a poesia, esperta, me chama ao quintal;
me seqüestra apontando ao meu olho o crepúsculo,
fazendo-me reparar dentro
da paisagem graúda,
o sutil detalhe do minúsculo.
Distingui pra mim a figura do seu fundo,
o retrato de sua moldura
e me deu muito cedo a
loucura de amar as tardes com devoção.
Talvez por isso eu me
entrelace desesperada nas saias dos acontecimentos,
me abrace, me embarace às suas pernas
almejando detê-los em mim,
querendo fixá-los, porque sei que passarão.
A poesia que desde sempre,
desde quando analfabeta das letras ainda eu era,
me freqüenta, faz com que eu escreva
pra trazer lembrança de cada instante.
Assim até hoje ela me tenta e se tornou
um jeito de eu fazer durar o durante,
de eu esticar o enquanto da vida
e fazer perdurar o seu momento.
Desse encontro eu trago um verso como
um chaveirinho trazido dum passeio a uma praia turista,
um postal vindo de um museu renascentista,
um artesanato de uma bucólica vila,
uma fotografia gótica de uma arquitetura de convento,
uma xicrinha,
um pratinho com data e nome do estado daquele sentimento.
É isso a poesia:
um souvenir moderno,
um souvenir eterno do tempo.

Uma Trova de Curitiba/PR
Emílio de Meneses

Morreu depois de uma sova,
e como não tinha campa,
de uma orelha fez a cova
e da outra fez a tampa...

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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