Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

36ª Semana Literária Sesc Curitiba(Programação de 23 de setembro - Sábado)

9h30
Caminhada: Poesias e seus poetas na necrópole

Programação Patrimônio Movimentos de Memória
Com Clarissa Grassi
A “Caminhada: Poesias e seus poetas na necrópole”. Será um roteiro especial pelo cemitério municipal com enfoque em poetas paranaenses dos séculos XIX e XX, incluindo récitas de poemas em homenagem a alguns autores ali enterrados, como Emiliano Pernetta, Emílio de Menezes, Helena Kolody, entre outros. Os grupos serão de no máximo 35 pessoas. As inscrições, gratuitas, serão realizadas antecipadamente durante o evento na Praça Santos Andrade.
Saídas para as caminhadas: Cemitério Municipal São Francisco de Paula, Praça Padre João de Abreu Sotto Maior, sem número

10h00
A Última Quimera – Ana Miranda com Edna da Silva Polese

Em "A Última Quimera" Ana Miranda apresenta uma narrativa que se debruça sobre a vida e obra poética de Augusto dos Anjos (1884-1914), poeta incompreendido em sua época. O romance, classificado com ficção histórica, reconstrói o período do Rio de Janeiro na fase da elaboração da República e de outros acontecimentos marcantes da modernidade. A partir da teoria da ficção histórica elaborada por nomes com Hutcheon, Esteves e Weinhardt, faremos uma leitura sobre a construção ficcional da personagem histórica, o poeta Augusto dos Anjos, e sua época.

das 10h às 20h30
Museu de Arqueologia e Etnologia – UFPR
O Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR oferece, além de exposições em seus espaços, uma série de atividades e materiais lúdico-pedagógicos preparados para o público jovem, crianças do ensino fundamental, médio e professores. Entre esses materiais, o museu apresenta seu guia para visita no museu, livros de contos indígenas e africanos – também disponíveis em áudio, além de jogos, videojogos e um livro de RPG ambientado no Brasil pré-colonial, cuja perspectiva privilegiada é a dos grupos ameríndios quando dos primeiros momentos da ocupação europeia no território do sul do Brasil.

das 10h às 20h30
Vidas Refugiadas
Focada no cotidiano de oito mulheres refugiadas que vivem no Brasil, a mostra apresenta um grupo de imagens do fotógrafo Victor Moriyama. Seja pelas singulares expressões das fotos em estúdio ou mesmo dos registros das refugiadas em seus respectivos cotidianos, a exposição revela as dificuldades e os problemas enfrentados por elas ao mesmo tempo em que joga luz sobre suas conquistas, seus valores e seus esforços feitos para construir dias melhores no país que as acolheu como refugiadas. A curadoria do projeto é de Gabriela Ferraz em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ANHCR/ACNUR) e a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

das 10h às 20h30
Exposição CLOSER
A exposição CLOSER, de Tom Lisboa, é uma intervenção urbana que traz para bem perto dos transeuntes alguns monumentos públicos que estão distantes dos seus olhares. Confeccionados em grandes displays de papelão (como os que são feitos nos cinemas), eles revelam para os espectadores detalhes de obras que antes lhes eram inacessíveis.

das 10h às 16h
FaceLivro
A iniciativa da oficina FaceLivro consiste, através de uma técnica fotográfica chamada ilusão de perspectiva ou perspectiva forçada, em completar uma capa de livro ou disco utilizando esse segmento de imagem (a capa) em frente a uma pessoa e essa pessoa imitar a pose ou cena, imaginando como seria a foto em um enquadramento geral. A oficina será coordenada por Daniel Grizza.

10h40
Claro Enigma – Carlos Drummond de Andrade com Maria Luísa Carneiro Fumaneri
Falará sobre o livro de poemas Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, enfatizando sua importância para a poesia brasileira e a conjuntura histórica de sua elaboração, bem como seu significado na obra de Carlos Drummond de Andrade.

11h
Coletânea de Livros Infantis Sesc Paraná
O Sesc Paraná organizou a 2ª edição da coletânea de Contos Infantis, a fim de homenagear a cultura e a arte paranaense. É uma seleção de narrativas inéditas – produzidas por novos autores paranaenses, nativos ou residentes no estado. A antologia dedicada aos pequenos é composta por 10 histórias as quais foram ilustradas e representam um pouco das nossas tradições culturais.

11h20
Últimos Cantos – Gonçalves Dias com Ewerton Kaviski
Gonçalves Dias foi um poeta, teatrólogo, jornalista e um dos principais representantes da primeira geração romântica brasileira. É um nome importante para a poesia indianista, pois deu contorno nacional à literatura com seus poemas de sonoridade única e musicalidade dada pela estrofação e ritmo.
Foi o grande poeta do Romantismo brasileiro e influenciou inúmeros escritores com o seu estilo marcado pelo nacionalismo e pela exaltação das belezas naturais do Brasil e principalmente por retratar o índio como um guerreiro e de desvelar a sua cultura.

12h40
Clara dos Anjos – Lima Barreto com Geisa Mueller
O romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto, expõe o cotidiano da cidade e das personagens de modo vivaz. Nesse sentido, a prosa de Lima Barreto é muito próxima de nós, pois a linguagem do escritor é direta, familiar à matéria da crônica, íntima do jornalismo. Nesta breve fala, iremos explorar as características da linguagem que trama o enredo de Clara dos Anjos. Abriremos o romance para perceber como a ficção limabarretiana estabelece uma conversa franca por intermédio de um narrador capaz de apontar nossa incongruência social.

13h20
Lavoura Arcaica – Raduan Nassar com Maria Isabel Bordini
A obra Lavoura Arcaica é o primeiro romance do escritor Raduan Nassar e conta a história de André, um jovem do meio rural arcaico que, sufocado por sua família e principalmente por seu pai, resolve abandonar tudo e se mudar para outra cidade interiorana. André tem inúmeros conflitos externos e internos, inclusive alimenta uma paixão por sua irmã. O livro foi publicado em 1975 e recebeu o prêmio da Academia Brasileira de Letras e o prêmio Jabuti. Ao ler a obra, é importante observar as características psicológicas do personagem, o contexto de sua vida asfixiante na lavoura, os desejos incestuosos e o padrão rígido do pai.

14h
Várias Histórias – Machado de Assis com Letícia Magalhães
No contexto de “Literatura e(m) movimento” parece estranho um espaço dedicado a uma lista fechada de obras literárias, escolhidas para realizar um exame seletivo. No entanto, ao abordar os clássicos, como Várias histórias, de Machado de Assis, faz-se também um movimento: percorre-se um caminho inverso ao buscar compreender por que a obra machadiana tornou-se um cânone. Nesse sentido, a fala pretende explorar de que modo as reflexões contidas em Várias histórias se desdobram até os dias atuais. Portanto, mais do que apresentar os triângulos amorosos ou cenários do Rio de Janeiro, a proposta deste breve encontro é ler alguns trechos e mostrar o impacto e a criticidade a partir da obra em questão.

14h40
Eles não usam black-tie – Gianfrancesco Guarnieri com Walter Lima Torres Neto
Eles não usam black-tie é uma peça de teatro escrita por Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006). Em 30 minutos, vamos conhecer um pouco sobre este importante autor do teatro brasileiro e compartilhar algumas ideias sobre esta obra de grande destaque dentro da história do teatro e da vida pública nacional. Vamos conhecer ainda porque a peça, escrita em 1956, encenada em 1958 pelo Teatro de Arena de São Paulo, tornou-se um marco de nossa dramaturgia.

15h20
Da liberdade e necessidade: uma investigação sobre o entendimento humano – David Hume com Rodrigo Brandão

Fazemos nossas escolhas livremente? Temos ao menos algumas que podemos considerar livres? Ou poderíamos para cada escolha e decisão encontrar motivos que nos fizeram agir desta ou daquela maneira? Nossa vontade, portanto, não é livre? Mas não experimentamos frequentemente um sentimento de tanto faz perante escolhas quotidianas? Estas são algumas das questões que o filósofo escocês David Hume (1711-1776) enfrenta na seção VIII da Investigação sobre o entendimento humano (1748). Hume pretende fornecer um “projeto conciliatório sobre a questão da liberdade e da necessidade” por meio de definições precisas dos termos do problema, mostrando que em grande medida ele não passa de uma disputa verbal. Segundo o autor, considerando as definições que esclareceu, a liberdade e a necessidade são ambas aceitas por filósofos e pelo senso comum, fundamentam tanto a ciência quanto amparam nossas condutas, e apenas devido a uma confusão (à qual pretende pôr fim com suas explicações) são pensadas como mutuamente excludentes.

16h
Resposta à questão: o que é esclarecimento? Imannuel Kant com Ericson Falabretti
A proposta da fala é apresentar os conceitos kantianos de maioridade, menoridade e uso público e privado da razão e discutir as consequências éticas e antropológicas desse esquematismo kantiano.
Para responder à questão “o que é o esclarecimento (Aufklätrung)?”, Kant publicou na revista Berlinische Monatsschrift, em 1783, um dos textos mais marcantes e populares do final do século XVIII. O tema do esclarecimento – termo alemão para o iluminismo – retomava não apenas as bases éticas e políticas da tradição filosófica racionalista e iluminista da época, mas, principalmente, colocava em cena a nova concepção de homem, um ser racional e livre que encontrou condições de atingir a maioridade. Uma boa parcela de homens, estabelece Kant, principalmente aqueles que vivem em Estados no qual o uso público da razão é um direito reconhecido, dispõem das condições políticas para o exercício livre da razão, podendo, desse modo, conduzir as suas vidas com autonomia. Todavia, ainda encontramos pessoas que se recusam a viver na maioridade, preferindo, diz Kant com severidade, por preguiça ou covardia, viver na menoridade, seguir a orientação e o pensamento de tutores.

16h30
Show de lançamento do livro/DVD Percuteria
Denis Mariano Trio apresenta composições feitas especialmente para o recém-lançado livro/DVD "Percuteria", que aborda vários ritmos brasileiros e possibilidades de combinações de instrumentos de percussão. O show é um passeio pelo universo musical brasileiro com direito a bate-papo com o autor.
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A Semana Literária em Curitiba
De 18 a 22 de setembro de 2017 das 10h às 20h30.
Dia 23 de setembro de 2017 (sábado) das 10h às 18h.
Endereço: Praça Santos Andrade
Telefone: (41) 3304-2266
Realização Fecomércio PR; Sesc PR; UFPR; Editora UFPR; PROEC
Apoio: Prefeitura de Curitiba; RPC TV;

Patrocínio da XIV; Feira do Livro Editora UFPR; Caixa Econômica Federal

Fonte:
http://www.sescpr.com.br/semanaliteraria/programacao/curitiba/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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