Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 20 de outubro de 2018

Pedro Maciel (Poemas Diversos) I


A MINHA SECRETÁRIA

Eu sou um tabelião de vida austera
E gosto de ver sempre à minha frente
A linda secretária permanente
Bem limpa, arrumadinha, à minha espera.

Minha mulher um dia me dissera,
Lá dentro do cartório, intransigente:
"Eu desejo limpar este ambiente
Onde o mau gosto estranhamente impera!"

Em seguida, faltando-me ao respeito,
Pegou a secretária de mau jeito
E, nervosa, quebrou-lhe uma perna.

Então, ao ver-me um tanto contrariado,
Risonha declarou já ter comprado
Outra nova, bonita e mais moderna.

AMOR MATERNO

Quantas vezes, meu Deus, fiquei sozinho
Ao lado de uma fonte, ouvindo atento
O triste murmurar de seu lamento
Ao ver partir, correndo, o ribeirinho.

Numa efusão de amor e de carinho
A minha pobre mãe, num desalento,
Tinha por mim igual devotamento:
Queria junto a si o seu Pedrinho.

Um dia ela partiu... Fora preciso,
A fim de repousar no Paraíso
A mãe idolatrada, de alma insonte.

Então, agora, aqui na soledade,
Procuro amenizar minha saudade
Ouvindo o murmurar daquela fonte.

MEU ORGULHO

Muito cedo morreu, infelizmente,
O grande Rui, o mestre consagrado,
A quem prestei auxílio eficiente
Na sua profissão de advogado.

No escritório, à Rua do Senado,
Nós dois a trabalhar conjuntamente
Íamos dando conta do recado,
A contento, aliás, de toda gente.

Obedecendo às normas do Direito,
O meu trabalho, rápido, perfeito,
Em pouco tempo lá ficou notório,

Tanto assim que, no meio de doutores,
Não poucas vezes mereci louvores
Por ter varrido bem o escritório.
____________________

PEDRO TORQUATO MACIEL, nasceu em Areias/SP em 25 de fevereiro de 1883 e faleceu em Queluz/SP em 04 de março de 1967, com 84 anos de idade. 

Em 1904 foi trabalhar e estudar Direito no Rio de Janeiro. Em setembro de 1909 já estava de volta à sua terra natal, onde, em dezembro daquele mesmo ano se casou com Maria Cândida de França Maciel, uma moça nascida em Jundiaí, que se formara professora em São Paulo, no Colégio Caetano de Campos, e fora lecionar na cidade onde se casou. Pedro, já casado, no início de 1911 foi viver na Capital paulista para ser conferente da EFCB. Não gostou muito da mudança, pois em novembro do mesmo ano já estava de volta em Areias onde, em 1913, comprou o Cartório que já pertencera a seu pai. Em 1924, porém, mudou-se para Campinas, indo trabalhar no Cartório do 2º Ofício, para em 1925 retornar para Areias. Em 1926 entra como sócio do armazém que denomina de Botequim da Carestia e, de 1927 a 1930, torna-se Prefeito de Areias. Em 1931 segue novamente com a família para a terra de Carlos Gomes, mas logo depois do término da Revolução Constitucionalista de 1932, volta para Areias, onde ficou advogando até junho de 1938, quando então, se muda para Queluz e se torna titular do Cartório do 2º Ofício. Em 1967 falece, sendo seu corpo transportado para ser sepultado em sua terra natal.

Fonte:
Poemas e biografia enviados pelo poeta, sobrinho de Pedro Maciel, Amilton Maciel Monteiro

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to