Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 14 de abril de 2019

Professor Garcia (Trovas que sonhei cantar) 1

Nota: 
Estas trovas do Professor Garcia estão sendo reeditadas em virtude de que algumas tiveram erros na digitação em alguns de seus versos. Os olhos cansados e teimosos já estão me traindo. 
Grato pela compreensão.
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A fé, que a beata carrega,
é tão repleta de luz...
Que crer, que em tudo que pega,
existe um sinal da Cruz!

À tarde, eu vejo chorando,
sozinha, à beira do cais...
Uma saudade acenando
aos que não voltam jamais.

Crê na força de teus braços;
que o destino, por vingança...
Põe atropelos nos passos
de quem não tem confiança!

Eu guardo como se fosse
um dos sentimentos meus...
O amargor de um beijo doce
que roubei dos lábios teus!

Eu sou menestrel das rimas,
dos versos, velho aprendiz...
E o som, dos bordões, das primas,
é que me faz ser feliz!

Foram-se as lindas auroras
da estação mais colorida!...
E, agora o outono das horas
martela as horas da vida!

Mastro erguido, vela a prumo,
dois sentimentos iguais:
Segue a jangada sem rumo
e eu, no rumo de outro cais!

No entardecer sempre existe,
aos sopros do sol se por...
Uma cor rubra mais triste,
na ausência de um grande amor!

O outono, sem dar sinais,
aos poucos, contando os passos...
Achando pouco os meus ais,
põe mais cravos nos meus braços!

O tempo, assim, como a gente,
chega, passa, vai embora.
Saudade, eterna vertente
da eterna dor de quem chora!

O velho abade, sem sono,
reza na antiga abadia
a eterna prece de outono,
no altar da melancolia!

Reparte filho, este pão,
que te dei desde criança!...
Quem planta o amor, colhe o grão
dos bons trigais da esperança!

Se a planta mesmo ferida,
sorrindo oferta uma flor...
Nas cinzas negras da vida,
que lindo exemplo de amor!

Se essa dor te desconsola,
e a mágoa, ainda te afeta;
perdoa!... Que a dor se evola
do coração do poeta!

Se esse andarilho, entre os sábios,
é o vento que te levou...
Foi quem roubou de teus lábios
o mel de quem te beijou!

Se há flores mais preciosas
entre os jardins dos rosais...
Não há disputa entre as rosas;
sentem-se todas iguais!

Se o suor justo é tão nobre
no rosto de quem trabalha...
Não troco o suor do pobre
pelos milhões de um canalha!

Se o tempo, ingrato, me afronta,
culpo a ingrata insensatez
do espelho, que mostra a conta
das rugas que o tempo fez!

Sozinho à beira da estrada,
um rancho de palha!... Um rancho!...
E uma saudade sentada
pendurada em cada gancho!

Velho tempo, ah! Quem me dera,
sentir de novo a virtude
dos sonhos da primavera
no verdor da juventude!

Fonte:
Professor Garcia. Trovas que sonhei cantar vol.2. Caicó/RN: Edição do autor, 2018. 
[livro gentilmente enviado pelo autor]

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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