Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 7 de maio de 2019

Isabel Furini (Livro do Escritor) 3 - Por Que Escrevemos?


Muitos estudos foram realizados sobre os instintos do homem. Instinto de sobrevivência, instinto sexual, instinto gregário. Ao aprofundarmos, poderemos perceber outros instintos, um deles é o de autoexpressào. O ser humano precisa extravasar o vulcão submerso na profundidade de sua mente. Pensamentos, ideias, ideais, sentimentos, emoções... Esse mundo escondido, uma correnteza frenética ou uma panela de pressão. Se o escritor não escreve, corre o risco de explodir!

Alguns escrevem por prazer, e outros porque desejam passar seus conhecimentos profissionais ou suas vivências. Alguns escrevem porque gostam de escrever, e outros porque desejam iniciar a carreira literária. Alguns escrevem para sentir que estão vivos, e outros para mostrar seus textos a amigos e familiares e receber aplausos. Alguns escrevem porque desejam expressar suas emoções e sentimentos, e outros porque precisam fugir da solidão. Alguns escrevem para aprimorar a escrita, e outros para publicar livros. Alguns escrevem para organizar os pensamentos, e outros porque desejam comunicar pensamentos e sentimentos. Alguns escrevem para crescer na vida profissional, e outros para conquistar auloestima e respeito. Alguns são chamados a escrever - seja por empresas, editoras, jornais, e outros lutam durante anos para publicar seus textos.

Escrever sempre foi considerada uma atividade do espírito. Escrevemos por instinto de autoexpressão. Escrevemos para não explodir, para não virar cacos. Para diminuir a tensão emocional Para entender nosso próprio mundo. Para estender uma ponte e comunicar nossas impressões, ideias, pensamentos, sentimentos. Escrevemos para comunicar nossos medos, nossas ousadias e nossas descobertas. Para entendermos a nós mesmos. Escrevemos para superar a sensação de solidão e desamparo. Para quebrar o isolamento.

Para sair da carapaça da solidão. Escrevemos para não enlouquecer, para não morrer. Escrever é um ato vital. Escrever ou morrer é a consigna. Escrevemos para continuarmos vivos. Escrever não é prazer, nem diversão. E sobrevivência!

O ato de escrever é um ato de revelação. Quase místico. O escritor surpreende a si mesmo redigindo um texto inusitado. Reconhece-se e recria-se na sua própria obra.

Fonte:
Isabel Furini. O Livro do escritor: técnicas e estratégias de como escrever um livro. Curitiba/PR: Instituto Memória.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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