Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 15 de junho de 2019

Antonio Brás Constante (Escravizadas, ou pior... casadas)


Quando o assunto é algo tão profundo quanto o casamento, devemos sempre analisar os dois lados da questão. Resolvi escrever este novo texto sobre os casamentos, agora tentando apresentá-lo sob uma visão mais feminina. Pois, neste momento estou sendo motivado pela imagem de minha doce e adorável esposa, que se encontra ao meu lado enquanto escrevo. Seus lindos olhos atentos a cada linha digitada. Uma de suas carinhosas mãos segurando com firmeza um rolo de macarrão e a outra amassando uma das cópias do primeiro texto intitulado: “Aprisionados, ou melhor... casados”. (Engana-se quem pensa que a força da mulher está em seu coração. Muitas vezes esta força se concentra no braço.)

Brincadeiras à parte (não temos rolo de macarrão aqui em casa... Ainda). Mas, para grande parte das mulheres, casar é o mesmo que arrumar o pior emprego que alguém poderia imaginar. Primeiramente têm que demonstrar ao empregador que são “prendadas”, cultas, carinhosas, lindas e inteligentes. De todos esses quesitos, o tal empregador acaba só considerando o atributo: “lindas” (leia-se “gostosas” na mente dele). Isto antes de casar, porque depois de algum tempo casados, o que vale mesmo para eles são seus dotes de “mulher prendada”, que saiba lavar, passar, cozinhar, etc.

Muitos homens tratam suas esposas como verdadeiras escravas do lar. Querem roupas limpas, sexo, comida boa, sexo, casa arrumada e sexo. Mas não fazem absolutamente nada para auxiliar ou mesmo agradar suas parceiras. Preferem jogar futebol com os amigos a ter que levar sua esposa a um cinema. Gastam com cerveja e TV a cabo para assistirem ao futebol, mas esquecem de presenteá-las com um agradável perfume ou uma bela camisola, por exemplo, que poderiam deixá-las ainda mais atraentes para eles mesmos.

Se antes do casamento eles enchiam suas amadas com flores e mimos, depois de casar, o máximo que lembram de trazer para elas é um ramalhete de couve-flor ou um repolho, para que as mesmas preparem o jantar. Suas bocas deixam de elogiá-las e passam a emitir arrotos, entre outras flatulências desagradáveis. Com o passar dos anos, as mulheres descobrem que, se para transformar um sapo em príncipe elas teriam de beijá-lo; para transformar o tal príncipe em sapo bastou casarem-se com ele.

Na ótica machista e insensível, as mulheres casadas sofrem de algum tipo de distúrbio do sono, deixando-as sonolentas e com dor de cabeça quando porventura o marido está animado e com vontade de fazer algo que julga prazeroso na cama (nos próximos cinco minutos) e que não seja dormir, comer ou assistir televisão, para depois poder se virar de lado e começar a roncar. Para eles, esse distúrbio também faz com que elas fiquem completamente acordadas, mal-humoradas e dispostas, nas raras ocasiões em que por infelicidade eles passem da hora do “toque de recolher”, chegando um pouco mais tarde em casa, rezando para que elas já estejam dormindo.

Enfim, o casamento assim como qualquer outro tema pode ser retratado, escrito, vivido, pintado, etc. sob diversos ângulos diferentes, de forma séria ou bem-humorada. O que realmente importa na união entre duas pessoas é um ingrediente que alguns julgam ser mágico, denominado AMOR. Somente o amor tem o poder de transformar sapos em príncipes, prisões em castelos encantados, dragões ferozes em coelhinhos felpudos e dois mundos distintos em um único universo, também conhecido como FELICIDADE.

Fonte:
Antonio Brás Constante. Hoje é seu aniversário! “prepare-se!” e outras histórias. Porto Alegre/RS: AGE, 2009.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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