Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 22 de dezembro de 2019

Luiz Hélio Friedrich (Jardim de Trovas)


1
A chamada às urnas traz
sentimento passageiro
quem na vida é satanás
vira santo milagreiro.
2
A chuva que cai do céu
e não cai em demasia
é como se fosse um véu
protegendo a terra fria.
3
A chuva tranquila e lenta
Descia de gota em gota,
como se fosse água benta,
a benzer a terra rota.
4
A derrota pouco importa
neste mundo de maldade,
desistir é que é uma porta
à derrota de verdade.
5
A guerra é ironia forte
que tudo arrasa e destrói,
da vida conduz à morte
para criar um herói.
6
A honra é o melhor adorno
que um homem pode ostentar
e é fácil ver seu contorno
na origem pura de um lar.
7
A jangada foi pro mar
carregada de esperança
para quando ela voltar
venha cheia de abastança.
8
A lua no céu, em festa,
quando inspira o trovador,
nos engana, pois empresta,
do sol, a luz e o calor.
9
Alegres eram meus sonhos
tendo vinte anos de idade,
aos setenta são tristonhos
pois é triste a realidade.
10
Aliança de casamento,
cadeado da ilusão,
para uns é um tormento,
para outros é uma união.
11
Almas puras se consomem,
na incerta busca do bem,
pois encontram sempre o homem
tentando explorar alguém.
12
Amar é fazer de conta
que defeito é uma virtude;
minar o que a vida apronta,
sem desvendar este truque.
13
Ao criar a natureza,
Deus tirou do seu baú,
um assombro de beleza:
-"Cataratas do Iguaçú"!
14
A paixão é uma cachaça,
que envenena o coração;
mas, depois, o efeito passa,
sobram: dor, desilusão!
15
A rima dá ao poeta,
o seu poder mais loquaz,
de conseguir sua meta:
rimando, pregar a paz.
16
A saudade é flor colhida,
nas beiras dos meus caminhos,
se perfuma a minha vida,
também fere com espinhos.
17
A saudade é uma tristeza
que me alegra e me traz vida.
Sem ver-te, tenho certeza,
de ser amado, querida.
18
As leis de almas femininas
fogem, um pouco, à razão;
parecem que tem esquinas,
sem placas de direção.
19
A ser chamado trovista
prefiro ser trovador;
pois um é rima de artista
e o outro é rima de amor.
20
A seriema quando pia
dá sinal que vai chover,
se eu não te vir por um dia,
é sinal... que irei morrer…
21
À trova tenho um apreço
qual fora livro de bolso;
pequenino e de bom preço,
vale sempre o desembolso.
22
A verdade às vezes fere,
sem haver necessidade;
e a mentira nos confere
bem fugaz felicidade.
23
A vitória se conquista
também no trabalho ou lazer,
e então de guerras desista,
só lute, em paz… por prazer.
24
Brincava feliz menina
com a boneca na mão,
hoje, cresceu... triste sina...
brinca com meu coração.
25
Cai a chuva de mansinho
irrigando a plantação;
parece que, com carinho,
mitiga a sede do chão.
26
Camboriú, belo balneário,
águas verdes, maré mansa;
Até Deus vem do calvário,
chega aqui, e então descansa.
27
Cansado de tanta guerra
que mostra a televisão,
eu tenho a certeza que erra
quem diz ter o homem..."razão!”
28
Com muita felicidade
casou, o noivo, e de cara,
notou que a cara-metade
é uma metade bem cara.
29
Com o amor a gente aprende,
que há magia no viver,
quanto mais amor se rende,
mais amor, nos há de haver.
30
Com sete notas somente
tanta música se faz,
canção de um amor ardente,
hinos de guerra ou de paz.
31
Com singeleza e ternura,
o poeta escreve à mão
e no papel afigura,
o que dita o coração.
32
Curítibano adotivo,
vim aqui para estudar.
Apaixonado, aqui vivo;
fiz da cidade meu lar,
33
Curtos e precisos versos
com seu poder e valor
traduzem sonhos diversos
de saudade, ódio ou amor.
34
De Luiz Otávio há quem diga:
– Príncipe dos trovadores!
Digo, sem medo de briga:
– Príncipe?! É pouco, Senhores.
35
De lembranças em lembranças,
revivendo o meu fadário,
busco bem-aventuranças,
que amenizem meu calvário.
36
Dos amores que eu tive
só um merece menção,
é este que sobrevive,
a tantos anos de união.
37
É difícil ver que a guerra,
que um declara e outro é quem faz,
o mais triste lema encerra:
matar em nome da paz.
38
E, meu sogro, um sabichão,
apesar do pouco estudo;
da filha, pedi-lhe a mão...
... entregou-me, logo, tudo…

Fonte:
Luiz Hélio Friedrich. Maurício Noberto Friedrich. Família Friedrich em Trovas. Curitiba/PR: Centro de Letras do Paraná, 2018.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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