Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 11 de abril de 2020

Carolina Ramos (Poemas Escolhidos) 4


ACENO DA ILUSÃO
 

Se a vida é uma ilusão, também a alvura
do amanhecer que aponta, com luz mansa,
rasgando as vestes de uma noite escura,
é uma ilusão vestida de esperança!

A aurora furta-cor no astral perdura
por tempo breve de ilusória dança,
a alternar róseos véus de seda pura,
enquanto o mago sol no céu avança!

Amo a Ilusão! O Amor! O Sonho! O Belo!
E se o mundo se empenha em que tristonho
se torne o meu viver, eu me rebelo!

Do aceno da quimera não me esquivo!
Sei que me iludo porque ainda sonho,
mas, porque sonho é que eu ainda vivo!
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ANSEIO

Por mais que em convulsões o mundo trema,
rumo ao caos que implacável nos atinge...
Por mais seja negado o suave lema,
Paz e Amor, que de sangue hoje se tinge...

Por mais que o desencanto seja a algema
da alma seca de quem não vive, finge,
creio, ainda, num Deus que é Luz suprema,
é sol que aclara o Bem e o Mal restringe!

E mesmo envolta em sombras de amargura,
em dias frios, pálidos, tristonhos,
carentes de beleza e de ternura,

fujo a incertezas que o momento traz,
e a palpitar no espaço dos meus sonhos,
guardo a esperança de encontrar a paz!
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HOJE É UM DIA DE SOL

Esquece a mágoa e a dor! Esquece a própria vida,
e esse afã de vivê-la alheio aos seus porquês!
Hoje é um dia de sol! O amor é quem convida
para a festa triunfal, que é tua... e tu não vês!

Hoje é um dia de sol! Deixa a angústia esquecida!
Abre as janelas da alma... agora é tua vez!
Tão doce é a sensação de encontrar refletida
no brilho de um olhar, a esperança em que crês!

Hoje é um dia de sol! Dia cheio de luz!
Tenta amar e sorrir... hás de ver como encanta
transformar em fulgor a sombra de uma cruz!

O céu faz-se aquarela! Às tintas do arrebol,
vão-se as nuvens embora... a natureza canta!
E canta!... Canta com ela! - Hoje é um dia de sol!
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LEAL AMIGO

Meu amigo fiel!... Leal amigo,
já provaste do sal que há no meu pranto...
e conheces os sonhos que comigo
convivem, se me deito ou me levanto!

Teu coração sincero é meu abrigo,
nas horas de amargura e desencanto.
Nos momentos de dúvida e perigo,
teu carinho responde ao meu espanto!

Num afeto que é sempre mais profundo,
enquanto a vida se destrói lá fora,
construímos, felizes, nosso mundo,

pulsando juntos, num só coração!
Com ternura compreendo que és agora,
muito mais do que amigo... um grande irmão!
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MÉDICO DO SÉCULO

Em memória do Dr. Carlos Ribeiro Gomes*

Uma vida exemplar de ética e de eficiência,
normas da Medicina e fanal dos seus passos!
Sua herança: - a Prudência, a Perícia, a Paciência
e os sete mil bebês nascidos nos seus braços!

Agora, Deus o chama. E o leva, com sapiência,
ante a missão cumprida! Em troca dos cansaços,
dá-lhe o descanso, embora a dor de sua ausência
ferisse corações, quebrasse tantos laços!

Sem ouvir-lhe a palavra e os conselhos, senti
que agora é mais vazio este mundo em que sigo,
sem ver-lhe a sombra terna e amada, por aqui.

E comigo, aonde eu vá, esta certeza vai;
- ao perdê-lo, perdi o meu Médico-amigo
- ao perdê-lo, perdi o meu segundo pai!

* Médico do Século – Título aprovado pela Câmara Municipal de Santos em novembro de 1999, proposição do vereador Sérgio Bonavides.
Justificativa: Dr. Carlos Ribeiro Gomes nasceu na primeira década do século XX e faleceu, em pleno exercício de sua nobre profissão, na última década desse século.

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NOVA FRIBURGO

Loira "Princesa da Serra"
das nuvens rasgando o véu!
Indago, serás da terra
ou doce visão do céu?!

Tens glórias de velho burgo,
cobrem-te rendas e galas,
mas, sempre nova, Friburgo,
vive a beijar-te o Bengalas!

Pelas nuvens resguardada,
meio aos penhascos da Serra,
Friburgo és concha encantada,
onde a Poesia se encerra!

Tua chave, hoje, me ofertas!
Isto me faz tua irmã..,
e vejo portas abertas,
nesta festiva manhã!

Em troca deste presente
que me dás, Friburgo bela,
minha alma te abro e, contente,
verás que estás dentro dela!

E quando meus olhos ponho
no céu azul, sobre ti...
Não sei, Friburgo, se é sonho...
só sei que o teu céu sorri!!!
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VERDE CRISTAL
 
A quem chegou, a tempo de me fazer feliz.

Minha paleta multicolorida
guarda manchas da infância cor-de-rosa,
que retratam fielmente a minha vida
onde o tom da saudade já se entrosa.

O destino, com arte desmedida,
moveu pincéis na tela primorosa
e a paleta, de sonho abastecida,
ofereceu-lhe as tintas, prestimosa.

Aura dourada lembra a mocidade
diluída entre mágoas e entre escolhos,
em mescla aos tons lilases da saudade!

Sem cores, a paleta hoje descansa...
mas... vejo no cristal desses teus olhos,
brilhar o verde novo da esperança!
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Fonte:
Carolina Ramos. Destino: poesias. São Paulo: EditorAção, 2011.
Livro enviado pela poetisa.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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