WASHINGTON DANIEL GOROSITO PÉREZ
Irapuato/ Guanajuato/ México
Letras aladas
Serei um pedaço de terra.
Serei um sulco onde plantarão
sementes de poesia,
e versos emergirão
nascidos com lágrimas.
Um carrossel de letras girando silenciosamente,
versos que romperão o tempo,
aguardados por pássaros ávidos,
famintos por novos poemas
que não comeram uma única semente,
mas as nutriram,
voando em círculos concêntricos
de muitas cores.
Aromas de letras quentes,
versos dourados
recém-assados.
Pão de letras,
nutrindo o espírito,
voará muito alto.
Poesia com asas.
(Tradução do espanhol por José Feldman)
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Soneto de
ANTONIO COSTTA
Pilar/PB
A falsidade deste mundo
Neste mundo é tamanha a falsidade
Que a verdade, de repente, ocultou-se;
A mentira transformou-se em verdade,
E a verdade, em mentira, transformou-se!
Porventura alguém sabe onde a verdade
Neste mundo hodierno extraviou-se?
Em que parte do planeta a bondade
Inda não, em maldade, adulterou-se?
Oh Senhor, nos livrai da falsidade!
Que opera neste mundo de maldade,
Da forma mais sutil e traiçoeira!...
Pois no mundo a falsidade não expira,
A verdade é transformada em mentira,
E a mentira - em verdade verdadeira!
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Poema de
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ES
A sede dos rios... minha vida...
O que seriam estas serpentes
em permanente carrear de viço,
em serviço de manter a vida?
E seriam estes serpenteares,
por lugares ermos e diferentes,
gestos lentos de despedidas?
Pelo avesso desse finito mundo
presos à incúria do granito,
no fundo da boca espumamos
o gosto de mercúrio e chumbo.
O que seriam estas sementes
em permanente mudar de rebuliço,
genes doentes, eternos movediços?
E seriam estes plantares,
esgares enfermos e impotentes,
infernos bentos em seus feitiços?
Pelo terço da bendita mantra
rimos, salivamos e latimos
como o grito que espanta,
como o abortar dos destinos.
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Trova Popular
Se eu fosse um retratista
tirava um retrato teu,
para mim pôr no meu quarto
para ser consolo meu.
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Dobradinha Poética de
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
São Paulo/SP
Lar... Doce lar…
Volto à casa, que "era minha",
risco a calçada e, feliz,
vou pular amarelinha
mas, o pranto apaga o giz!
Hoje, saudosa, eu volto ao lar antigo
e escancarando a porta semiaberta,
procuro em vão... vasculho o doce abrigo...
Nem pai... nem mãe... a casa está deserta!
E volto ao lar, que dividi contigo...
- Vaivém dos filhos, pela porta aberta...
- Visita alegre de um ou de outro amigo...
E, hoje, é a saudade que o meu peito aperta.
Mas, por deixar pegadas nos caminhos,
não fiquei só!... Cercada de carinhos,
eu sou feliz!... Se volta o sonho louco
do teu amor, acalmo o coração
pois, ao sentir que chega a solidão,
no amor dos filhos eu te encontro um pouco.
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Trova de
LUIZ POETA
Luiz Gilberto de Barros
Rio de Janeiro/RJ
De você, nunca desligo,
amigos têm esse dom
de construir seu abrigo
em cada amigo que é bom,
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Poema de
LALLA ROMANO
Demonte/Itália, 1906 - 2001, Milão/Itália
Jovem é o tempo
Estreito e claro era o rio
tornou-se enorme e foge
como um animal ferido
Até o ar está morto
o céu é como uma pedra
Os pássaros não sabem mais voar
atiram-se como cegos
dos beirais dos tetos
O amado odor do corpo
O sono das manhãs
me encadeia os joelhos
me cinge a fronte
com suas vendas de seda
Então sem que eu te chame
penetras nos meus sonhos
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Soneto de
EDIR PINA DE BARROS
Brasília/DF
Canto! E canto a dor
Canto! E no meu canto eu louvo a dor
que assim nos deixa humildes, mais humanos,
que nos lapida em meio a desenganos
bem mais do se pode ver, supor.
E as lágrimas que escorrem sem pudor
na proporção das perdas e dos danos,
a desvelar fraqueza em espartanos,
com bela rutilância furta-cor.
A dor é a força oculta da alegria,
que vence toda empáfia, galhardia,
e iguala-nos em nossas diferenças.
Oh! Dor! Eu sempre, sempre hei de louvar-te
aqui, ali, além, em toda parte
até que um dia a mim, também, me venças.
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Trova de
LUCÍLIA ALZIRA TRINDADE DE CARLI
Bandeirantes/PR
Dentre tudo que é vivido
na curva da trajetória,
encontra-se o amor perdido
bem guardado.,, na memória.
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Spina de
NINA MARIZA
Berilo/MG
Sou escritor
Escrevo na linha
do seu coração;
Escrevo o Amor.
Acalento a minha, sua dor!...
Escrevo nas páginas da vida.
Sou, de almas, um pescador.
Sinto a Poesia... a Natureza.
Sou amor, vida; Sou Escritor.
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Trova de
NILSA ALVES DE MELO
Maringá/PR
Por trás desta foto linda,
cheia de risos, de encanto,
esconde a saudade infinda
que, muitas vezes, espanto.
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Soneto de
RICARDO DE BENEDICTIS
Vitória da Conquista/BA
Desejos
Fico pensando na idade
e temo a senilidade...
Também cismo com a saúde
cada vez mais amiúde...
A ilusão de viver
sem cair e sem perder...
Na tomada de atitude
que, de repente, me mude...
Quem sabe, assim, suportasse
o desamor e chorasse,
pois que chorar nunca pude...
Quem sabe, neste momento
mitigasse o sofrimento
da esperança que me ilude...
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Soneto de
DIAMANTINO FERREIRA
Campos dos Goytacazes/RJ
Uma dádiva de amor
Passei a minha vida, entre percalços,
tão só pela desdita de haver-te amado.
Corri o mundo afora, transtornado,
buscando outros amores; porém, falsos!
Decênios já passaram; mas, em vão,
ninguém achei ou que lembrasse a imagem,
em que ao menos sentisse uma passagem,
da que nunca saiu do coração!
E se nós, um de nós, talvez errados,
a culpa dos molestos já passados
já não nos cabe, agora, pesquisar.
A minha dor, no entanto, apenas quero
e no seu fundo, amor! Eu te assevero:
eu vou morrer, te amando sem cessar!...
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Pantun de
MIFORI
(Maria Inês Fontes Rico)
São José dos Campos/SP
Esta atual geração
mostra certa negligência.
Apinhada em atuação
desafiando a ciência.
MIFORI
Mostra certa negligência
em toda a sua postura,
desafiando a ciência,
a juventude imatura.
Em toda a sua postura,
leva um emblema no peito;
a juventude imatura
se veste de qualquer jeito.
Leva um emblema no peito,
atira-se nua ao mar,
se veste de qualquer jeito,
põe-se logo a navegar.
Atira-se nua ao mar,
com muita satisfação.
Põe-se logo a navegar,
esta atual geração.
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Trova de
CAROLINA RAMOS
Santos/SP
Há vidas que se parecem
com as roseiras viçosas:
quando podadas, mais crescem
e mais se cobrem de rosas!
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Hino de
ALTÔNIA/ PR
Quadro vivo a clareira da mata
Inefável Altônia a sorrir
Na moldura bordada de prata
Pelos rios Paraná e Piquiri.
Miniatura do pátrio torrão
Tens as cores da augusta bandeira
No verdor dos cereais, do algodão,
No azul das lagoas faceiras
Cidade onde o trabalho
É um cântico de fé.
Surgiste dentre os ares
Festivos do café.
Fronteiras da amizade
Inscrevem no teu chão,
Toda a fraternidade
De um nobre coração.
Altônia a tua história
De luta varonil
Será um clarim de glória
Vibrando no Brasil.
Há uma linda e profunda mensagem
De fartura, de paz e união.
Astro bom que anuncia a vitória
O teu nome amanhã fulgirá,
Fascinante e triunfal trajetória
Deste grande e feliz Paraná
Cidade onde o trabalho
É um cântico de fé.
Surgiste dentre os ares
Festivos do café.
Fronteiras da amizade
Inscrevem no teu chão,
Toda a fraternidade
De um nobre coração.
Altônia a tua história
De luta varonil
Será um clarim de glória
Vibrando no Brasil.
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Poema de
A. A. DE ASSIS
(Antônio Augusto de Assis)
Maringá/PR
Poêmica III
Tinha o céu e tinha a terra,
tinha o sol e tinha a lua,
tinha as estrelas,
milhares.
Tinha os lagos e as lagoas,
tinha os rios e os riachos,
e os verdes bravios
mares.
Tinha as serras e as colinas,
tinha as selvas e as campinas,
tinha os jardins e os
pomares.
Bichos nas matas correndo,
peixes nas águas brincando,
cantando as aves
nos ares,
e tudo era muito bom.
Deu-se porém que
criados
o homem mais a mulher,
criaram logo o machado,
a foice, o fogo e o veneno,
e pôs-se tudo a perder.
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Fábula em Versos de
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França
O galo e a raposa
Empoleirado num sobreiro antigo,
Fazia um velho galo sentinela.
Uma raposa diz-lhe: «Irmão e amigo,
Venho trazer-te uma notícia bela.
Nas nossas dissensões lançou-se um traço
E acaba de assinar-se a paz geral;
Desce, que quero dar-te estreito abraço
E juntamente o beijo fraternal!
— Amiga — diz-lhe o galo — folgo imenso;
Não podia esperar maior delícia!...
Vejo dois galgos a correr, e penso
Que são correios da feliz notícia.
Foge a raposa sem dar mais cavaco;
E o galo sentiu íntimo consolo.
Pois é grande prazer ver a um velhaco
Entrar espertalhão e sair tolo!
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