Ambos, nascidos da alma humana, representam a essência das reações físicas e emocionais. Levam-nos ora ao encantamento da sublimidade da beleza, ora ao espanto provocado pelo inesperado, muitas vezes causador de susto, medo ou insegurança.
O encanto se liga à admiração despertada pelos sentidos - tato, olfato, gosto, visão – e provoca, de imediato: fascínio, charme irresistível, ou mesmo uma espécie de feitiço delicado da beleza.
Já o espanto, esse nasce da surpresa e, também, se manifesta por reações sensoriais e corporais: assombro, sobressalto, abalo, choque, susto, comoção, perturbação, emoção, estranheza, espavento — ufa! O dicionário não economiza sinônimos...
Aqui estão alguns pontos sobre essa perspectiva:
O encanto está associado ao prazer sutil da admiração e à conexão íntima com algo ou alguém: é o êxtase espontâneo diante da algo inesperado que nos toca profundamente (romântico, não é?).
O espanto, por sua vez, surge da surpresa diante do novo, do estranho ou até da maldade. Em certos momentos sua força é tão grande que paralisa: por um instante nos põe suspensos (como se estivéssemos pendurados pelos suspensórios) entre a percepção e a reação.
O interessante desses sentimentos é a essencialidade de sua atuação indistinta em cada um de nós. Ambos atuam pela surpresa: a boa e a nem tanto.
Um nos põe de joelhos frente ao que nos parece belo, afável, confortável, envolvente. Penetra em nós e fica a embevecer. O outro, da mesma forma, nos põe de pernas bambas diante do que nos tira o prumo.
Enquanto o Encanto germina prazer, o Espanto produz o choque!
São emoções complexas e distintas, produzem reações físicas semelhantes às que o inesperado produz.
Para concluir esse pequeníssimo estudo realizado com a ajuda importantíssima da Wikipédia, a quem rendo agradecimentos, eu diria que:
Entre o encanto, que é uma forma de maravilhamento, e o espanto, que é uma forma de choque sensorial, bom ou mau, se traduzem em emoções distintas que compartilham reações físicas semelhantes: arrepios, alterações respiratórias e cardíacas, paralisia temporária, mudança de expressão facial e vocal, mas que nos põem acordados.
Em outras palavras, tanto o encanto como o espanto podem, num único instante, – e instante não se mede, - lançar-nos à estratosfera interior que somente o coração conhece.
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Renato Benvindo Frata nasceu em Bauru/SP, radicou-se em Paranavaí/PR. Formado em Ciências Contábeis e Direito. Professor da rede pública, aposentado do magistério. Atua ainda, na área de Direito. Fundador da Academia de Letras e Artes de Paranavaí, em 2007, tendo sido seu primeiro presidente. Acadêmico da Confraria Brasileira de Letras. Seus trabalhos literários são editados pelo Diário do Noroeste, de Paranavaí e pelos blogs: Taturana e Cafécomkibe, além de compartilhá-los pela rede social. Possui diversos livros publicados, a maioria direcionada ao público infantil.
Texto enviado pelo autor.
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing usando a foto do autor, e a Gralha Azul, símbolo do Paraná
