A imagem é caseira, embora não seja aqui em casa. Acordo, levanto, vou à sacada e enxergo o portão de entrada, cadeiras, alguém sentado, o cãozinho companheiro. Vozes da cozinha. Diálogo dos vizinhos.
Lá dentro é só vida morta - a sala, a TV, quadros, tapetes. Não animam, pouco seduzem, nada de curiosidades. As paredes não falam, o teto é um ausente, os ventares passam ligeiro, ventando em busca da liberdade ventaneira.
Ergo o olhar. Uma tela. A porta dos fundos. Pequeno mundo? Bons caminhos? Não se sabe... Mas talvez... A vida tem tantos lugares que parecem ser o encontro da esperança - bom viver, densas horas, sortilégios benfazejos.
Além daquela porta regurgitam os verdes, as árvores, a horta, os frutos, o sol, cantam os pássaros. Céus, lonjuras, infinitos. Pensares livres, olhos altaneiros, a visão distante.
Vida plena. Além daquela porta.
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Silmar Bohrer nasceu em Canela/RS em 1950, com sete anos foi para em Porto União-SC, com vinte anos, fixou-se em Caçador/SC. Aposentado da Caixa Econômica Federal há quinze anos, segue a missão do seu escrever, incentivando a leitura e a escrita em escolas, como também palestras em locais com envolvimento cultural. Criou o MAC - Movimento de Ação Cultural no oeste catarinense, movimentando autores de várias cidades como palestrantes e outras atividades culturais. Fundou a ACLA-Academia Caçadorense de Letras e Artes. Membro da Confraria dos Escritores de Joinville e Confraria Brasileira de Letras. Editou os livros: Vitrais Interiores (1999); Gamela de Versos (2004); Lampejos (2004); Mais Lampejos (2011); Sonetos (2006) e Trovas (2007).
Texto enviado pelo autor.
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