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sábado, 14 de março de 2026

Dicas de Escrita (O personagem de um conto) 5


Para criar um texto que aborde temas tão pesados (abandono, maus-tratos e indiferença) sem soar como um sermão, o segredo é usar o Cotidiano como Contraste. No conto, o horror desses temas é mais impactante quando aparece nos pequenos detalhes: uma geladeira vazia, um latido que ninguém atende, uma mensagem visualizada e não respondida.

Aqui está um esboço estruturado e exemplos de como materializar esses sentimentos:

1. A Estrutura: O "Efeito Dominó" da Indiferença

Em vez de tratar os temas isoladamente, conecte-os através de um único personagem ou de uma vizinhança. Isso mostra que a falta de amor é sistêmica.

O Cenário: Um prédio antigo ou uma rua sem saída (metáforas para o isolamento).

O Personagem "Lente": Alguém que observa tudo, mas também é vítima ou cúmplice do silêncio.

2. Exemplos de como "Mostrar" em vez de "Dizer"

a) Sobre o Abandono de Idosos (O Silêncio)

Não diga "ele estava abandonado". Mostre a passagem do tempo e a irrelevância social.

A Cena: O Sr. Antenor coloca a mesa para dois todos os domingos, embora o filho não apareça há três anos. Ele veste sua melhor camisa apenas para esperar o carteiro, que é a única pessoa que diz seu nome em voz alta.

O Objeto: O telefone fixo que só toca para oferecer promoções de telemarketing.

b) Sobre Maus-tratos com Animais (A Indiferença)

O maltrato no cotidiano muitas vezes é a omissão.

A Cena: No quintal vizinho, o cachorro late ritmicamente, como um metrônomo. O som já faz parte do ruído da rua, como o motor de uma geladeira. As pessoas reclamam do barulho, mas ninguém se pergunta por que o pote de água está seco e virado.

O Detalhe: O personagem principal aumenta o volume da TV para não ouvir o ganido quando a chuva começa.

c) Sobre a Falta de Amor com Próximos (O Egoísmo)

Isso se manifesta na pressa e na falta de presença real.

A Cena: Uma filha que visita a mãe idosa, mas passa o tempo todo no celular. Ela traz comida pronta e cara, achando que isso substitui o afeto. Quando a mãe tenta contar um sonho, a filha interrompe: "Tenho uma reunião em dez minutos, mãe. Come logo".

O Diálogo: Frases curtas e protocolares. "Está tudo bem?", "Precisa de dinheiro?", "Tchau".

3. Esboço Prático de um Conto Único

Título Sugerido: O Som das Coisas que Não Importam

Início: Conhecemos Dona Rosa, que conversa com um vira-lata manco que fica no portão dela. Ela é a única que o alimenta. Ela espera um telefonema do neto (o abandono e o cuidado com o animal se cruzam).

Meio: O neto chega de surpresa, mas apenas porque precisa que ela assine um documento de herança ou venda. Ele chuta o cachorro para fora do caminho ao entrar. Aqui, o maltrato animal e a falta de amor familiar colidem.

Clímax: Dona Rosa percebe que o cachorro, mesmo ferido, tem mais lealdade a ela do que o sangue do seu sangue. Ela se recusa a assinar e fecha a porta, ficando sozinha com o animal.

Fim (A Ironia): O neto sai reclamando do "cheiro de bicho" e da "teimosia da velha", enquanto o leitor sente o peso da solidão dela, que agora é sua única proteção.

terça-feira, 10 de março de 2026

Dicas de Escrita (O personagem de um conto) 4

Imagem: IA Microsoft Bing

Para construir uma narrativa que transite da solidão trágica para a vingança, você deve estruturar o texto como uma mola que é comprimida pelo luto até que, sob pressão, ela dispara. A solidão aqui não é apenas ausência de pessoas, mas uma "presença constante de sentimentos intensos" que isolam o personagem em seu próprio trauma.

Aqui está o passo a passo para essa construção:

1. Estabeleça a Solidão Trágica (A Opressão)

Nesta fase, o personagem deve estar imerso em um "silêncio dilatado". A tragédia já aconteceu, e o foco é como ela o desconectou do mundo.

Ação: Mostre a rotina mecânica. O personagem "deita-se com as lembranças" e acorda com elas, vivendo um ciclo repetitivo onde o passado impede novos horizontes.

Exemplo: Um homem que perdeu a família em um incêndio criminoso e agora vive em um apartamento vazio, contando as batidas de um relógio quebrado, sentindo-se uma "árvore solitária" que suporta ventos fortes mas permanece imóvel.

2. O Ponto de Ruptura (A Transição)

A vingança surge como uma resposta emocional intensa a essa injustiça ou trauma. Algo deve romper o casulo da solidão — uma descoberta, um encontro ou uma notícia.

O Gatilho: O personagem descobre que a tragédia não foi um acidente, ou vê o culpado vivendo impunemente.

A Mudança: A dor estática se transforma em raiva ativa. O "desejo de altura" (liberdade) do personagem agora foca em um alvo.

3. A Construção da Vingança (A Ação)

A vingança na literatura funciona como uma "forma de justiça nem sempre encontrada na vida real".

Motivação Clara: Examine as consequências físicas e emocionais de suas ações para evitar a mera glorificação da violência e focar na natureza da justiça.

Clímax: É o momento de maior tensão, onde o conflito atinge o auge e as ações definirão o desfecho.

Exemplo Prático de Esboço:

Situação Inicial (Solidão): Elias vive em uma cabana isolada após um erro médico tirar a vida de sua filha. Ele só fala com as plantas e evita o vilarejo.

Conflito (Tragédia Revisitada): Ele descobre que o médico, agora um político influente, está fechando o único posto de saúde local para economizar verbas.

Desenvolvimento (A Vingança): Elias usa seu antigo conhecimento de botânica não para curar, mas para cultivar algo que "fará o médico sentir o peso da própria negligência".

Clímax: Elias confronta o médico em um evento público, não com armas, mas com a verdade que destrói a reputação dele.

Desfecho: O médico cai, mas Elias percebe que a vingança não preenche o vazio da filha. Ele retorna à solidão, mas agora com a paz de quem "ajustou as contas".

Dica Final: 

Capriche na última frase do texto. Ela deve ecoar o tema central (solidão ou justiça) e ser o "selo" que deixa uma impressão duradoura no leitor
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continua…
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domingo, 8 de março de 2026

Dicas de Escrita (O personagem de um conto) 3


Para criar um personagem a partir de um sentimento, você inverte a lógica: em vez de dar uma profissão a ele, você personifica a emoção. O sentimento deixa de ser algo que o personagem sente e passa a ser a lente pela qual ele enxerga o mundo.

Aqui estão três exemplos de como transformar um sentimento em um esboço vivo:

1. Partindo da Solidão

Aqui, a solidão não é apenas estar sozinho, mas a incapacidade de ser ouvido.

O Personagem: Um técnico de reparo de relógios antigos.

A Manifestação do Sentimento: Ele fala com as peças dos relógios como se fossem pessoas, dando nomes e personalidades a cada engrenagem.

O Conflito no Conto: O relógio de uma cliente para de funcionar exatamente no dia em que ela decide se mudar da cidade. Ele quer consertar o objeto "mal", para que ela precise voltar à loja no dia seguinte.

O Contraste: Ele frequenta estações de metrô lotadas apenas para sentir o esbarrão físico de estranhos, o único "toque" que recebe.

2. Partindo da Vingança

A vingança no conto funciona melhor quando é uma obsessão fria, um cálculo que consome o presente.

O Personagem: Uma ex-professora de piano, agora aposentada e com artrite.

A Manifestação do Sentimento: Ela mantém um caderno onde anota a rotina minuciosa de um antigo desafeto (alguém que a humilhou décadas atrás). Ela não quer matar a pessoa; ela quer tirar dela algo que ela ama.

O Conflito no Conto: Ela descobre que o neto do seu inimigo vai participar de um concurso de música. Ela decide se tornar a mentora anônima do rival do menino.

O Contraste: Apesar do ódio, ela ainda chora ao ouvir a música que o inimigo costumava tocar, mostrando que a vingança é o único fio que ainda a liga ao amor que sentiu um dia.

3. Partindo da Euforia (Mania/Entusiasmo)

A euforia é perigosa no conto; ela é o sentimento de quem está no topo da montanha-russa, prestes a descer.

O Personagem: Um jovem inventor que acredita ter descoberto como prever números da loteria através do padrão de voo das moscas.

A Manifestação do Sentimento: Ele não dorme há três dias. Seus movimentos são rápidos, a fala é acelerada e ele vê conexões divinas em manchas de café.

O Conflito no Conto: Ele gasta o último dinheiro do aluguel da família em bilhetes de loteria, convencido de que o "universo lhe deu o sinal".

O Contraste: No auge da sua alegria e certeza, ele tem momentos súbitos de pavor absoluto ao olhar para o silêncio da esposa, que arruma as malas ao fundo.

Dica de Ouro: A "Materialização"

Para que o sentimento não fique abstrato (e chato), dê a ele um objeto:

A Solidão pode ser um rádio ligado em chiado.
A Vingança pode ser uma pedra guardada no bolso há anos.
A Euforia pode ser uma gravata amarela berrante em um funeral.
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continua...
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Imagem criada com IA Microsoft Bing

sexta-feira, 6 de março de 2026

Dicas de Escrita (O personagem de um conto) 2


Para criar um esboço matador, você precisa sair da superfície (cor dos olhos, altura) e focar na engrenagem que faz o personagem agir. No conto, o esboço é um mapa de intenções.

Aqui está um roteiro prático para você montar esse esboço, seguido de dois exemplos contrastantes:

O Roteiro de Esboço (4 Pontos Cardeais)

A Máscara (O Social): Como ele se apresenta ao mundo? É o cargo, o apelido ou a primeira impressão estética.

A Ferida (O Passado): Um evento ou trauma rápido que justifica o comportamento atual. No conto, não explicamos a ferida, apenas mostramos a cicatriz.

O Desejo (O Motor): O que ele quer alcançar nas próximas 5 páginas?

O Contraste (O Humano): Um detalhe que contradiz a máscara. (Ex: Um brutamontes que cuida de orquídeas).

Exemplos de Esboço

Exemplo 1: O Personagem de "Suspense Psicológico"

Nome: Arthur, 65 anos.

A Máscara: Alfaiate impecável, de pouquíssimas palavras e mãos firmes.

A Ferida: Perdeu o filho num acidente onde o cinto de segurança falhou; ele culpa a "má construção" das coisas.

O Desejo: Terminar o terno de um cliente que ele descobriu ser um político corrupto.

O Contraste: Ele tem um tremor incontrolável nas mãos, mas apenas quando está sozinho em casa.

Exemplo 2: O Personagem de "Realismo Cotidiano"

Nome: Cida, 40 anos.

A Máscara: Diarista "invisível" que sabe os segredos de todos, mas finge que não entende nada.

A Ferida: Nunca conseguiu terminar o ensino médio porque teve que cuidar dos irmãos.

O Desejo: Comprar um perfume caro que viu na penteadeira da patroa, apenas para sentir que "pertence" àquele ambiente.

O Contraste: Lê clássicos da literatura russa escondida no ônibus, usando capas de livros de autoajuda para não ser questionada.

Onde aplicar o esboço?

Agora que você tem o esboço, coloque o personagem em uma situação onde o seu desejo seja impedido por um obstáculo. É aí que o conto nasce.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Dicas de Escrita (O personagem de um conto) 1


O personagem é a força motriz de um conto. Enquanto no romance temos espaço para digressões, no conto o personagem é definido pela sua relação com o conflito e pela sua unidade de efeito.

Aqui está uma explanação de como ele se define e como é construído:

1. O que é o Personagem do Conto?

Diferente da vida real, o personagem literário não é uma pessoa completa, mas uma construção funcional. No conto, ele costuma ser capturado em um momento de crise ou transformação. Ele não precisa de uma biografia inteira exposta; ele precisa de uma vontade e de uma resistência. 

2. Os Pilares da Construção

Para construir um personagem sólido em narrativa curta, trabalhamos três dimensões:

Dimensão Psicológica (O Interior): Qual é o desejo imediato do personagem? O que o move nesta cena específica? No conto, focamos em uma obsessão ou uma carência latente.

Dimensão Física e Social (O Exterior): Como ele se move? Como se veste? No conto, um único detalhe físico (uma cicatriz, o modo de roer unhas) deve sugerir todo o resto. Menos é mais.

A "Fenda": Todo bom personagem de conto tem uma contradição. É alguém que quer algo, mas teme as consequências, ou alguém que age contra seus próprios princípios sob pressão.

3. Onde se Constrói o Personagem?

A construção não acontece em uma ficha técnica guardada na gaveta, mas sim em três instâncias do texto: 

Na Ação (Dramatização): O personagem se revela pelo que faz, não pelo que o narrador diz que ele é. Se ele é generoso, ele deve realizar um ato de generosidade, em vez de o texto apenas carimbá-lo como "bom".

Na Linguagem (Voz): O vocabulário, o ritmo da fala e os pensamentos constroem a identidade. Um advogado e um adolescente não "enxergam" o mesmo cenário da mesma forma.

No Contraste com o Ambiente: O personagem se constrói na sua reação ao entorno. Como ele se sente em um quarto vazio? Como ele reage ao barulho da cidade? O cenário é o espelho do estado interno do personagem. 

4. A Teoria do Iceberg (Hemingway)

No conto, a construção é baseada na omissão deliberada. O autor constrói 90% do personagem (passado, traumas, segredos), mas apenas 10% aparece no texto. Esses 10% visíveis devem ser tão densos que o leitor sinta o peso de tudo o que não foi dito.
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Dicas de Escrita (Como Escrever Sobre uma Cidade Fictícia) Parte 3, final

Coescrito por Stephanie Wong Ken, MFA

Parte 3 – Criando os elementos específicos da cidade

1 – Descubra o que torna a cidade única. 

Agora que já definiu os elementos fundamentais dela, comece a diferenciá-la! Pense em elementos únicos e interessantes que tornam a cidade um local sobre o qual vale a pena ler! Talvez a cidade seja assombrada e apresente histórias de fantasmas que são passadas de geração em geração. Deixe a criatividade fluir.

- Pense nas características que definem a cidade para o resto do mundo. Ela pode ser reconhecida como o centro de comércio da região ou ser conhecida por conta de um time esportivo renomado, por exemplo. 

– Pense nas coisas que os moradores da cidade amam nela para dar um toque mais real. Quais os pontos de encontro da cidade? O que na cidade dá orgulho aos moradores? Do que eles tem vergonha?

2 – Destaque os detalhes essenciais para a história. 

Por mais tentador que seja detalhar o mundo fictício inteiro, é preciso se concentrar no que é importante para a história que quer contar. A cidade deve trabalhar para a história e para os personagens, não o contrário. Desenvolva toda a cidade, mas foque-se nos locais onde os personagens passam mais tempo.

–  Por exemplo, digamos que os personagens passem muito tempo em uma escola particular no centro da cidade. Pense em detalhes da escola, desde a aparência (interna e externa) dela ao mascote. Concentre-se nos arredores da escola e na arquitetura interna dela, incluindo salas de aula e outros ambientes.

3 – Use os cinco sentidos. 

Para se criar um mundo crível, é preciso fazer com que o leitor sinta-se dentro do local, citando desde o cheiro do lixo aos barulhos nas ruas. Crie descrições que ativem a visão, o paladar, o olfato, o tato e audição do leitor para criar uma cidade com vida.

–  Por exemplo, digamos que a cidade tenha um rio poluído. Pense em como é o cheiro conforme passa pelo rio e faça os personagens comentarem sobre o cheiro, o visual e os sons do rio.

–  A história provavelmente apresentará diversos locais recorrentes. Use os cinco sentidos para descrevê-los e criar uma história ainda mais convincente.

4 – Adicione detalhes do mundo real à cidade. 

O leitor sabe que está lendo uma obra de ficção e aceitará elementos estranhos e imaginários, mas pode ser uma boa ideia incluir elementos reais na cidade para criar uma visão mais realista dela conforme a história avança.

–  Por exemplo, digamos que os personagens passem uma boa parte da trama em uma área urbana e densa da cidade. Ela pode ser povoada por criaturas estranhas, mas também apresentar elementos encontrados em áreas urbanas reais como prédios, ruas e becos. Misturar detalhes reais e imaginários ajuda a criar um mundo mais verdadeiro.

5 – Coloque os personagens dentro dos ambientes da cidade e movimente-os! 

Após detalhar bem a cidade fictícia, coloque os personagens para interagir com ela! O ambiente deve avançar a história e os personagens devem acessar elementos da cidade necessários para levar a trama adiante.

- Por exemplo, digamos que um personagem precise acessar um portal mágico no meio da cidade para viajar o tempo; descreva bem o portal dentro da cidade! Ele deve conter detalhes suficientes para ser visualizado pelo leitor e a interação com os personagens devem ser interessantes. Assim, a cidade ficcional avança as necessidades e os objetivos dos personagens!

6 – Descreva a cidade através das perspectivas dos personagens. 

Um grande desafio na hora de escrever sobre uma cidade fictícia é evitar os momentos de descrição óbvios, quando se coloca a descrição na boca do personagem para informar o leitor. Assim, parecerá que você está querendo "falar" através do personagem de modo forçado. Para contornar isto, use as vozes dos personagens para descrever a cidade.

–  Coloque os personagens em situações onde devem caminhar em determinados locais ou interagir com seções específicas da cidade. O personagem pode usar alguma instalação na cidade e descrever as sensações disto! Assim, você poderá descrever a cidade através da perspectiva do personagem, criando descrições mais convincentes.

- Uma boa ideia é fazer com que os personagens tratem os elementos mais fantásticos e estranhos da cidade de modo casual. Se ela fica debaixo d'água por exemplo, um personagem que mora nela há muito tempo pode não se surpreender com o fato de ter de entrar em um submarino para visitar os vizinhos. Descreva-o então entrando no submarino e programando o destino de modo casual e cotidiano. Assim, o leitor compreenderá que os submarinos são comuns na cidade e são utilizados como transporte sem precisar dizer isso explicitamente.
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Stephanie Wong Ken é uma escritora que mora no Canadá. Seus textos já foram publicados por Joyland, Catapult, Pithead Chapel, Cosmonaut's Avenue e outras publicações. Possui um Mestrado em Ficção e Escrita Criativa pela Portland State University.

Fontes:
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing  

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Dicas para escritores (Como escrever para seu público)

Você escreve para o seu público. Existem apenas escolhas que você faz com base no público-alvo. Evitar palavras incomuns em textos é fundamental para garantir a clareza, acessibilidade e eficácia da comunicação. O objetivo principal da escrita é ser compreendido, e o uso de vocabulário raro ou excessivamente rebuscado pode criar barreiras significativas para o leitor. 

Os principais motivos para evitar palavras incomuns são:

Comprometem a compreensão: Palavras difíceis exigem que o leitor pare, reflita ou procure o significado em um dicionário, o que interrompe o fluxo de leitura e a imersão no texto.

Redução da acessibilidade: Um texto claro e simples alcança um público mais amplo, independentemente do nível de escolaridade ou familiaridade do leitor com o assunto. Isso é especialmente importante em comunicações gerais, instruções ou documentos públicos.

Percepção de pretensão: O uso forçado de palavras complexas pode dar a impressão de que o escritor está tentando exibir seu vocabulário em vez de transmitir uma ideia de forma eficaz, o que pode minar a credibilidade e a confiança do leitor.

Risco de uso incorreto: Palavras raras muitas vezes possuem nuances de significado muito específicas. Usá-las de forma inadequada pode levar a ambiguidades ou, pior, a erros de sentido, prejudicando a coesão e coerência do texto.

Foco na mensagem: O objetivo do texto deve ser a ideia transmitida, não as palavras usadas. A linguagem simples e direta permite que a mensagem central brilhe sem distrações.

Eficiência e economia de tempo: Escrever de forma clara e direta ajuda o leitor a entender as informações na primeira leitura, economizando tempo tanto para quem escreve (evitando perguntas de esclarecimento) quanto para quem lê. 

Em suma, a escolha por uma linguagem comum e acessível demonstra consideração pelo leitor e prioriza a comunicação eficaz acima de um estilo supostamente "erudito". Escolha palavras que seu público entenderá. Mas também não fale com eles como se fossem estúpidos. Então, como sempre costumo sugerir ao escrever, basta escrever. Diga o que você precisa dizer, como se estivesse simplesmente conversando com alguém.

Fontes:
Imagem criada por JFeldman com Microsoft Bing

domingo, 2 de novembro de 2025

Dicas de Escrita (Qual é o preço de meu livro?)


Para precificar um livro, você deve calcular os custos de produção (impressão, revisão, ISBN) e somar uma margem de lucro desejada. Além disso, é fundamental pesquisar o mercado e a concorrência para entender o preço que os leitores estão dispostos a pagar. Outros fatores como a transformação que o livro oferece (especialmente em não-ficção) e o nível de autoridade do autor também devem ser considerados. 

O preço médio de um livro no Brasil ficou em torno de R$56,77 em março de 2025. Um livro de mais de R$100,00 é considerado de preço elevado no mercado nacional e, portanto, se enquadra em um nicho de consumidores mais específico, de poder aquisitivo melhor, mas a probabilidade de um grande volume de vendas é baixa em comparação com livros de preços médios, salvo sejam livros técnicos, pois se destina a um nicho de mercado específico e menos sensível ao preço, sendo livros de não ficção.

1. Calcule seus custos

Custos de produção: 
Inclua todos os gastos diretos, como impressão (que varia conforme a qualidade do papel, capa, etc.), design da capa, revisão, diagramação e registro (ISBN, ficha catalográfica). 

Custo unitário: 
Divida o custo total da publicação pelo número de livros produzidos para obter o custo por exemplar. 

Custos de venda: 
Lembre-se de incluir os custos de envio (frete e embalagem) e as taxas das plataformas de venda (como Amazon, que cobra comissões e taxas por item vendido). 

2. Pesquise o mercado e a concorrência

Análise de mercado: 
Verifique os preços de livros semelhantes no seu nicho para ter uma ideia do que os leitores consideram um preço justo.

Compare com autores: 
Observe livros de autores iniciantes e experientes para entender as diferentes faixas de preço dentro do seu gênero. 

3. Avalie o valor e a autoridade do autor

Valor do livro: 
Considere o valor que o livro entrega ao leitor. Livros de nicho ou que prometem habilidades práticas (não-ficção) geralmente podem ter um preço mais alto. 

Engajamento do público: 
Se você já tem um público engajado, é possível cobrar um preço mais alto. Autores iniciantes devem começar com preços mais baixos e ajustá-los conforme ganham mais leitores e avaliações. 

Desejabilidade: 
Crie desejo pelo seu livro. Quanto maior o desejo, maior a chance de os leitores se sentirem satisfeitos com o preço cobrado. 

4. Defina sua estratégia de precificação 

Margem de lucro: 
O preço final deve ser o custo total por unidade mais a sua margem de lucro. Você pode escolher precificar mais alto para obter maior lucro por livro, mesmo vendendo em menor quantidade, ou precificar mais baixo para incentivar um maior volume de vendas. 

Ajustes: 
Monitore suas vendas. Se o livro está vendendo muito bem, você pode considerar aumentar o preço. Se as vendas estiverem baixas, pode ser a hora de fazer promoções ou reavaliar seu preço. 

Plataformas: 
Adapte o preço para cada plataforma, se necessário. Algumas plataformas, como a Amazon, permitem que você defina preços sugeridos diferentes para cada marketplace. 

Fontes:
IA Google
Imagem criada por Jfeldman com IA Microsoft Bing 

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Marcelo Spalding (Dicas de escrita) Como criar bons finais para suas histórias

Nota: No nome dos contos clique sobre o nome para acessa-los.
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Criar um bom final é uma das partes mais difíceis na construção de qualquer narrativa - seja um conto, romance, filme ou série. Por isso, é fundamental entender os diferentes tipos de finais e como usá-los para que a história fique satisfatória para o leitor ou espectador.

Uma boa maneira de entender os finais é compará-los com dois tipos clássicos de conto: o conto de acontecimento e o conto de atmosfera.

No conto de acontecimento, o final é o mais importante e justifica toda a história. Um exemplo clássico é o conto Pai contra Mãe, de Machado de Assis, em que o desfecho revela o significado de toda a trama.

Já no conto de atmosfera, o final não é o ponto principal. O foco está na tensão e no clima construídos ao longo da narrativa, como no conto A Missa do Galo, também de Machado de Assis.

Estes contos de atmosfera têm o que podemos chamar de um final aberto. O final aberto é aquele que não oferece uma conclusão definitiva para a história. Ele deixa questões no ar, convidando o leitor ou espectador a refletir, interpretar e imaginar o que pode acontecer depois.

Um exemplo marcante no cinema é o filme Magnólia, que termina com uma chuva de sapos - uma imagem metafórica e intrigante, que não fecha a narrativa de maneira tradicional, mas provoca múltiplas interpretações e reflexões sobre a vida e seus conflitos. O final aberto não significa desistir de contar a história; pelo contrário, é uma forma de mostrar que a vida continua e que os conflitos apresentados seguirão existindo.

No entanto, é fundamental diferenciar o final aberto do final interrompido. O final interrompido acontece quando o autor não sabe como encerrar a história e simplesmente para no meio da tensão, deixando o público frustrado.

Por exemplo, imagine uma história de assalto a banco que termina com um tiro, mas não revela quem foi atingido nem o que aconteceu depois - isso deixa o público incomodado. Por outro lado, se a narrativa for centrada em outro foco narrativo, como a relação de um casal na fila do banco durante o assalto, o final aberto pode funcionar bem, pois o foco está nos personagens, não nos acontecimentos externos.

Outro tipo de final muito usado é o final surpreendente ou plot twist, como em O Sexto Sentido. O desafio é garantir que o final tenha bases na narrativa e não seja um artifício forçado, que deixe o leitor frustrado.

Além disso, existem os finais fechados, que encerram bem todas as pontas da história, como na série Breaking Bad, onde o arco do personagem principal se conclui de forma satisfatória. Já os finais trágicos mostram a queda do protagonista por um erro ou excesso, gerando um impacto emocional profundo (a famosa catarse aristotélica).

Vale lembrar que não existe um único tipo de final correto, mas sim o final que melhor serve ao propósito da narrativa e ao efeito desejado. Seja com um desfecho fechado que amarra todas as pontas, um final aberto que convida à reflexão ou um plot twist que surpreende e transforma a história, o importante é que o final seja intencional e coerente com o que foi construído.
(do livro “Formação de escritores”, de Marcelo Spalding)
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Marcelo Spalding é jornalista, professor, escritor e editor, com 10 livros individuais publicados e mais de 150 livros editados. Professor de oficinas de Escrita Criativa presenciais e online desde 2007, fundou e dirige a Metamorfose Cursos. É pós-doutor em Escrita Criativa pela PUCRS, doutor e mestre em Letras pela UFRGS e formado em Jornalismo e Letras. Ex-professor universitário, atuou como professor de Escrita Criativa e Jornalismo na graduação e no PPG Letras da UniRitter, além de coordenar o Pós-graduação em Produção e Revisão Textual e a Editora UniRitter. É idealizador do Movimento Literatura Digital, editor dos sites minicontos.com.br e escritacriativa.com.br e autor do livro Escrita Criativa para Iniciantes, além de ter criado o primeiro jogo de tabuleiro de Escrita Criativa do Brasil.

Fontes:
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Dicas de escrita para escritores, pelos famosos

Dicas de escritores renomados revelam que o caminho para uma boa escrita envolve disciplina, leitura constante e um olhar atento para a vida e a linguagem. Embora não haja uma fórmula exata, é possível extrair orientações valiosas de autores como Stephen King, Ernest Hemingway e George Orwell. 

O QUE SE DEVE DAR ÊNFASE

Leia muito e escreva muito: 
Stephen King, por exemplo, defende que não há tempo para escrever se não houver tempo para ler. A leitura constante expõe o escritor a diferentes estruturas, ritmos e vozes, enquanto a prática diária aprimora a técnica e a disciplina.

Mostre, não conte: 
Em vez de simplesmente dizer que um personagem estava triste, descreva as ações e gestos que demonstram essa tristeza. O autor Anton Tchekhov resumiu essa ideia: "Não me diga que a lua está brilhando; mostre-me o brilho da luz em cacos de vidro".

Foque na história e nos personagens: 
Stephen King enfatiza que o ponto de partida deve ser a história, e não uma preocupação temática. O parágrafo, não a frase, é a unidade básica da escrita, onde a coerência começa. É crucial desenvolver personagens completos e cativantes, com traços e hábitos distintos.

Conflito único para contos: 
Para contos, a dica é focar em um conflito singular. Não é necessário construir um mundo complexo. Às vezes, a ambiguidade torna a história mais envolvente, deixando algumas respostas para a imaginação do leitor. 

O QUE SE DEVE EVITAR

Evite o "floreio" linguístico: 
George Orwell aconselhava a preferência por palavras curtas em vez de longas e a eliminação de palavras desnecessárias. A clareza e a simplicidade tornam a escrita mais impactante.

Não abuse de advérbios e voz passiva: 
Stephen King sugere evitar o uso excessivo de advérbios e, sempre que possível, utilizar a voz ativa, que torna a escrita mais direta e concisa.

"Mate seus amados": 
Essa expressão, popularizada por William Faulkner, significa que é preciso ter coragem de cortar partes do texto — mesmo aquelas que você ama — se elas não servirem à história.

Não espere a inspiração: 
A inspiração nem sempre surge por conta própria. Jack London disse: "Você não pode esperar pela inspiração, você tem que ir atrás dela com um porrete". O ritual de escrita disciplinado faz a musa aparecer. 

COMO PREPARAR UM TEXTO

Faça um primeiro rascunho sem se preocupar: 
A escritora Anne Lamott encoraja os autores a aceitarem que o primeiro rascunho pode ser ruim, e isso é normal. A perfeição virá nas reescritas.

Reescreva e revise: 
John Steinbeck sugeria que, se uma cena não estiver fluindo, é melhor deixá-la de lado e continuar, pois talvez ela nem devesse estar ali. A reescrita é a etapa onde a história realmente ganha forma.

Leia em voz alta: 
A leitura em voz alta ajuda a identificar o ritmo e a melodia do texto. Como o escritor Gabriel García Márquez, muitos autores se preocupavam com a sonoridade da prosa.

Confie no seu leitor: 
Nem tudo precisa ser explicado. A escritora Esther Freud defende que, se você realmente domina o seu tema e dá vida a ele, o leitor sentirá isso. 

COMO SE INSPIRAR

Escreva sobre o que conhece e o que te move: 
Gabriel García Márquez acreditava que o tema certo é aquele que realmente interessa ao escritor. O trabalho se torna mais fácil e a paixão transparece.

Observe o mundo e as pessoas: 
Ernest Hemingway aconselhava a observar atentamente o que acontece ao redor, usando todos os sentidos. Também é útil tentar se colocar no lugar dos outros para construir personagens mais complexos.

Tenha um ritual de escrita: 
Muitos autores famosos tinham rotinas consistentes, como Ernest Hemingway, que escrevia todas as manhãs. A consistência é fundamental.

Use suas emoções: 
Maya Angelou incentivava os escritores a usarem suas emoções fortes, como a raiva, para enriquecer a narrativa.

MAIS DICAS

1.
“Se você estiver usando um diálogo, diga-o em voz alta enquanto o escreve. Só assim ele terá o som da fala.” - John Steinbeck
John Steinbeck, vencedor do Prêmio Pulitzer e Nobel, escreveu uma profusão de sabedoria. Mesmo que você não seja um leitor ávido, provavelmente conhece as obras mais significativas de Steinbeck. Seus romances, As Vinhas da Ira e Ratos e Homens, marcaram a Grande Depressão americana. 

Ler o texto em voz alta para si mesmo ajuda a garantir que ele flua como uma conversa.

2.
“Proteja o tempo e o espaço em que você escreve. Mantenha todos longe, mesmo as pessoas mais importantes para você.” - Zadie Smith
Como escritores, é crucial protegermos nosso espaço pessoal da infinidade de distrações que enfrentamos todos os dias. Colegas de quarto, amigos, família, trabalho e o cachorro do vizinho podem dificultar a produção do seu melhor trabalho. Se você estiver disponível para tudo e todos, se sentirá esgotado e fatigado. Quando se trata do seu trabalho, você não está errado em proteger seu espaço pessoal.

3. 
“Na fase de planejamento de um livro, não planeje o final. Ele precisa ser conquistado por todos os que virão antes dele.” - Rose Tremain
Muitos escritores discordarão desta citação. Se você começa com o fim em mente, e isso funciona para você, então talvez este conselho não seja para você. Rose Tremain, a romancista inglesa, sugere que você defina o final com base no que desenvolveu previamente.

4.
“Sempre carregue um caderno. E eu quero dizer sempre. A memória de curto prazo só retém informações por três minutos; a menos que elas sejam registradas no papel, você pode perder uma ideia para sempre.” - Will Self
Will Self é autor de dez romances, cinco contos, três novelas e cinco coletâneas de não ficção. O romancista inglês não é o único a carregar um caderno o tempo todo. Nunca se esqueça daquela ideia fugaz que pode ser o seu próximo grande romance. Sem anotá-la, esses pensamentos esquecidos só voltarão para distraí-lo e aprisionar sua mente.

5.
"A simplicidade é a sofisticação máxima." – Leonardo Da Vinci
Você pode encontrar centenas de escritores que optam por usar uma linguagem mais direta para transmitir sua mensagem. Às vezes, presumimos que um vocabulário mais amplo significa uma escrita melhor, mas isso simplesmente não é verdade.

“Escrever não é usar palavras para impressionar. É usar palavras simples de forma impressionante.” - Sierra Bailey

“Se você não consegue explicar algo a uma criança de seis anos, você mesmo não entende.” - Albert Einstein

6.
“Esqueça os livros que você quer escrever. Pense apenas no livro que você está escrevendo.” - Henry Miller
Quantos romances inacabados você tem no seu disco rígido, envelhecendo como bons vinhos?

Todos nós fazemos isso.

Tenha uma ideia brilhante, escreva algumas milhares de palavras sobre ela e seja levado pela próxima distração.

Todos nós gostamos de pensar que somos multitarefas capazes. No entanto, diversos estudos mostram que lidar com várias tarefas ao mesmo tempo não prejudica apenas o cérebro, mas também a carreira. Dedique toda a sua energia criativa a um projeto de cada vez.

7.
"Nunca use uma palavra longa quando uma curta serve." -  George Orwell
Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudônimo George Orwell, foi um escritor inglês famoso pelos romances 1984 e A Revolução dos Bichos . Na falta de habilidade, usar palavras longas faz você parecer pretensioso. Elas também são difíceis de ler e interrompem o fluxo do leitor.

8.
“Leia, leia, leia. Leia tudo – lixo, clássicos, bons e ruins, e veja como eles fazem. Assim como um carpinteiro que trabalha como aprendiz e estuda o mestre. Leia! Você vai absorver. Depois, escreva. Se for bom, você descobrirá. Se não for, jogue pela janela.” - William Faulkner
Se eu pudesse lhe dar apenas um conselho para se tornar um escritor melhor, sugeriria este: leia e escreva muito. À medida que você lê e escreve mais, desenvolve uma melhor compreensão do que é uma escrita boa e ruim. William Faulkner, escritor americano e ganhador do Prêmio Nobel, tinha uma vontade insaciável de continuar escrevendo e nunca estava completamente satisfeito com seu trabalho.

9.
“Quando você estiver travado e tiver certeza de que escreveu um lixo absoluto, force-se a terminar e DEPOIS decida consertar ou descartar - ou você nunca saberá se consegue.” - Jodi Picoult
Jodi Picoult, escritora americana, vendeu mais de 14 milhões de cópias de seus 24 romances. Até que você ultrapasse os próprios limites, nunca saberá até onde pode ir.

10.
“Você precisa escrever de verdade. Sonhar acordado com o livro que você vai escrever um dia não é escrever. É sonhar acordado. Abra seu processador de texto e comece a escrever.” -  Andy Weir
Les Brown, um palestrante motivacional mundialmente famoso, tem em minha mente uma das citações mais inspiradoras de todos os tempos.

“O cemitério é o lugar mais rico da Terra, porque é aqui que você encontrará todas as esperanças e sonhos que nunca foram realizados, os livros que nunca foram escritos, as músicas que nunca foram cantadas, as invenções que nunca foram compartilhadas, as curas que nunca foram descobertas, tudo porque alguém teve muito medo de dar o primeiro passo, de continuar com o problema ou de estar determinado a realizar seu sonho.” - Les Brown

Se você quer ser escritor, precisa escrever, escrever e escrever. Começa com um. Um personagem, uma palavra e depois uma página. O segredo é começar.

Fontes:
Imagem criada por Jfeldman com Meta do Whatsapp.