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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Marcelo Spalding (Dicas de Escrita) A ambientação em textos históricos

Textos históricos, ficcionais ou não, são dos mais procurados pelos leitores, afinal a História com “H” maiúsculo nos oferece algumas das mais interessantes histórias de amor, poder, traição, ódio. Júlio Cesar, Cleópatra, Arthur, Napoleão, Joana D’Arc, reis, papas e lendas são personagens extremamente ricos e conhecidos do público leitor, convertendo-se em personagens muito produtivos para a literatura contemporânea.

Entretanto, quem se aventura a escrever um texto histórico deve ter alguns cuidados com o enredo e a ambientação, pelo bem da verossimilhança. O curioso é que em relação ao enredo alguns artistas fazem o que se chama metaficção historiográfica, combinando de modo irreal os fatos da história e por vezes inclusive modificando-os (Jô Soares, Tarantino). Se isso no começo espantou os leitores e espectadores, hoje é considerado característica da cultura pós-moderna.

Mesmo nesses casos, porém, é fundamental que a ambientação seja verossímil. Por mais que o artista esteja recriando os fatos da segunda guerra, por exemplo (como Tarantino em Bastardos Inglórios), não pode de uma hora para outra aparecer alguém com um telefone celular, ou alguém ouvindo Lady Gaga, ou alguém comentando sobre Barack Obama, ou alguém de minissaia.

Nesse sentido, para escrever um texto histórico procure se informar sobre a cultura da época que seu texto quer retratar: os costumes, a moda, o turismo, a gastronomia. Mas procure se informar com textos e documentos da época, não a partir de textos de outros escritores sobre a época, pois sempre que um autor contemporâneo resgata o passado, ele o faz com o olhar contemporâneo.

Claro que alguns se esforçam para tornar a ambientação mais realistas, outros não se preocupam nada com isso (como os blockbusters históricos de Hollywood, em que as mulheres têm cabelos bem cortados, sobrancelhas aparadas e axilas depiladas), mas a verdade é que é impossível dissociarmos totalmente o tempo que vivemos, seus valores, seu passado, seus aprendizados, do tempo representado.

Lembre-se, por fim, de que a língua também é parte da cultura e também se modifica com o tempo. O próprio vocabulário das personagens precisa ser adequado à época: tenha cuidado com gírias, regionalismos ou construções comuns hoje, mas não utilizadas na época de ambientação do texto.

Textos históricos contemporâneos e textos históricos clássicos A literatura tem uma tradição milenar, então podemos ler textos escritos em épocas históricas, como as revoluções francesas, a formação das nações, das repúblicas, etc. Esses textos são clássicos de Balzac, Stendhal, Walter Scott, Goethe, Machado, e são excelentes fontes de aprendizado para quem deseja reconstruir determinada cultura de época.

Mais comuns, porém, são textos escritos em uma época e que retomam épocas anteriores. Eça de Queirós, por exemplo, escreveu o ótimo Ilustre Casa de Ramires, sobre a formação de Portugal, voltando aos anos 1100. Embora seja um texto antigo (escrito nos anos 1800), ele não é autêntico na representação do passado.
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Este material é parte da Oficina de Criação Literária Online.  
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Marcelo Spalding (1982)
MARCELO SPALDING PEREZ é um escritor, jornalista, professor e editor brasileiro. Nascido em Porto Alegre/RS, em 1982, ele consolidou sua carreira residindo e atuando na capital gaúcha, onde se tornou uma das referências contemporâneas em Escrita Criativa e novas mídias. Spalding possui uma formação voltada às letras e à comunicação: Graduado em Jornalismo e em Letras. Mestre em Literatura Brasileira (UFRGS), Doutor em Literatura Comparada (UFRGS) e Pós-Doutor em Escrita Criativa (PUCRS). Atuou como professor universitário na UniRitter (na graduação e na pós-graduação). É o fundador e diretor da Metamorfose Cursos (criada em 2015), onde coordena o renomado Curso Livre de Formação de Escritores, uma das principais iniciativas privadas de formação literária do país. É diretor da Editora Metamorfose, selo pelo qual já editou mais de 150 livros de novos autores.
Sua trajetória na literatura começou de forma precoce, publicando seu primeiro livro ficcional aos 16 anos. Além de autor de ficção, Spalding destaca-se como pesquisador e ensaísta. Não integra academias de letras tradicionais, no entanto, possui forte atuação institucional no ecossistema literário regional, tendo sido vice-presidente da Associação Gaúcha de Escritores (AGES) entre os anos de 2004 e 2007. É membro do coletivo literário Grupo Casa Verde e atua ativamente como resenhista e editor do portal Artistas Gaúchos.
Com mais de uma dezena de livros individuais publicados (entre ficção, crônicas e obras didáticas), seus principais títulos incluem: As Cinco Pontas de uma Estrela (seu livro de estreia, em 1998); Crianças do Asfalto; Minicontos e Muito Menos; Liga da Literatura; Mitos Virtuais; Escrita Criativa para Iniciantes (didático); Formação de Escritores e outras crônicas sobre escrever e publicar; Viagens, Crônicas e Descobertas, etc.
Seu reconhecimento no cenário regional e nacional inclui importantes distinções : Prêmio AGES (Associação Gaúcha de Escritores): Vencedor de cinco prêmios na categoria Livro do Ano; Prêmio Açorianos de Literatura: Um dos prêmios culturais mais tradicionais do Rio Grande do Sul; Prêmio Jabuti: Foi finalista da maior premiação literária do Brasil.
A relevância de Marcelo Spalding para a literatura brasileira contemporânea fundamenta-se em três pilares principais:
   1. Pioneirismo na Literatura Digital: Spalding é o idealizador do Movimento Literatura Digital no Brasil. Ele escreveu uma das primeiras teses de doutorado do país dedicadas à literatura em plataformas móveis (como tablets) e publicou projetos experimentais marcantes na área.
   2. Estudo e Difusão do Miniconto: Ele foi o autor de uma das primeiras dissertações de mestrado focadas estritamente no gênero do miniconto no Brasil, ajudando a legitimar academicamente essa forma sintética de narrativa no cenário nacional.
   3. Formação de Novos Autores: Através da Metamorfose Cursos e de seus manuais teóricos, Spalding desmistificou o processo de escrita. Ele atua ativamente na formação prática, edição e inserção de centenas de novos escritores no mercado editorial brasileiro.

Fontes:
Texto enviado por Marcelo Spalding.
Biografia = Marcelo Spalding, Escavador, Wikipedia, Editora Metamorfose, Plataforma de Escritores, Amazon, Escrita Criativa, Literatura Digital, etc.

domingo, 23 de agosto de 2026

Teatro de Ontem e de Hoje (Como fazer uma peça de teatro) 2

Imagem: Adobe Firefly
Modelo Completo de Peça de Teatro — Com Todos os Elementos
 
TÍTULO: O DIA EM QUE O GATO FUGIU
 
Elementos básicos (Espaço + Tempo)
 
Espaço: Sala de estar de uma casa simples. Sofá, mesa de centro com vaso de flores, porta da cozinha à direita, porta de saída à esquerda.

Tempo: Tarde de sábado, sol forte lá fora.

Personagens:
CARLOS — cerca de 35 anos, calmo, um pouco desajeitado
MARIA — cerca de 32 anos, falante, prática e impaciente
 
ATO ÚNICO · CENA 1
 
(As luzes se acendem. CARLOS está de pé, de costas para o público, olhando para o canto da sala. MARIA entra pela porta da cozinha com uma vassoura na mão, para e olha para ele.)
 
INDICAÇÃO CÊNICA — diz o que vemos, onde estão e o que fazem
 
MARIA
— Carlos? Você ainda está aí? Não encontrou ele?
 
CARLOS (vira-se devagar, as sobrancelhas juntas, voz baixa e preocupada)
— Procurei embaixo do sofá, dentro do armário, atrás das cortinas… Nada. Nem sinal do Felpudo.
 
MARIA (deixa a vassoura encostar na parede, aproxima-se, tom de voz sobe)
— Mas como?! Ele nunca sai da sala! Você deixou a porta aberta de novo, não foi? Sempre você!
 
CARLOS (levantando as mãos em defesa)
— Eu não deixei! Juro que fechei! Ele deve ter… deve ter encontrado algum buraco, ou… ou pulou pela janela!
 
MARIA (parada, olha firme para ele, depois olha para a janela aberta lá no fundo)
— A janela está no terceiro andar, Carlos. Gatos não são pássaros. Qual é o seu plano agora? Ficar aí discutindo ou ir procurar?
 
CARLOS (pega o chapéu sobre a mesa, anda depressa em direção à porta)
— Vou! Já vou! E quando eu achá-lo, aposto que ele estava escondido no lugar mais óbvio do mundo… e nós dois passamos o dia inteiro sem ver!
 
(Carlos sai depressa batendo levemente a porta. Maria fica sozinha, respira fundo, olha para o sofá, aproxima-se devagar, abaixa-se… e puxa debaixo do móvel um gato cinzento e gordo que mia suavemente. Ela olha para a porta por onde Carlos saiu, balança a cabeça sorrindo.)
 
MARIA (falando só para o gato, baixinho)
— Você viu? Ele já foi. Agora podemos ter sossego, meu pequeno trapaceiro.
 
(As luzes se apagam lentamente.)
 
DESENLACE — fim da cena
 
 VAMOS MARCAR CADA COMPONENTE:
 
NOME DO PERSONAGEM (instrução de comportamento) — fala aqui.
Sempre assim: nome em destaque + indicação entre parênteses + o que diz.

Conflito/Ação 
O gato desapareceu → Carlos e Maria procuram e discutem → no final, ele estava escondido o tempo todo 

Personagens 
Carlos e Maria — cada um com sua personalidade e objetivo: achar o gato! 

Diálogo 
Tudo que está em negrito — é a história avançando pelas falas deles 

Indicações cênicas 
As linhas entre parênteses — descrevem gestos, movimentos, cenário, luz 

Espaço + Tempo 
Definidos logo no início: sala de estar, tarde de sábado 

Estrutura 
Início (gato sumiu) → Meio (discussão e busca) → Fim (estava escondido!) 

Divisão 
Ato Único · Cena 1 — formato oficial de texto teatral 

sábado, 22 de agosto de 2026

Teatro de Ontem e de Hoje (Como fazer uma peça de teatro) 1


COMPONENTES IMPRESCINDÍVEIS DE UMA PEÇA DE TEATRO
 
Uma peça de teatro é uma obra escrita para ser representada, então tem elementos próprios — sem eles, não existe texto teatral. Vamos separar em estrutura interna e elementos do texto:
 
a. Ação e Conflito —  O CORAÇÃO
 
É o mais fundamental de todos. Sem conflito não há teatro!
 
- Ação: o conjunto de fatos, comportamentos e mudanças que acontecem na história (o que se passa).

- Conflito: o choque entre forças opostas — desejo × obstáculo, personagem × sociedade, ele × ele mesmo… 
É o que faz a história avançar.
 
“O teatro não é só pessoas falando. É pessoas querendo algo e lutando para conseguir.”
 
b. Personagens — QUEM VIVE A HISTÓRIA
 
São os seres que realizam a ação. Precisam ter:
 
- Objetivo: o que cada um quer alcançar (motivação clara!)

- Relações: como se conectam entre si

Mesmo que seja um monólogo, precisa haver pelo menos um personagem — sem isso, não há peça.
 
c. Diálogo — A LINGUAGEM PRINCIPAL
 
É o veículo principal do teatro: o que os personagens dizem uns aos outros. Revela personalidade, avança a trama, mostra conflitos.
 
Inclui também monólogo (quando um só fala) e apartes (fala direta ao público, os outros não ouvem).
 
d. Estrutura Dramática — COMO SE ORGANIZA
 
Quase sempre segue essa sequência clássica:
 
1. Apresentação/Exposição: mostra quem são, onde estão, situação inicial

2. Nó/Conflito: o problema surge, a tensão sobe

3. Clímax: o momento de maior pressão — decisão ou acontecimento decisivo

4. Desenlace/Resolução: consequências e encerramento
 
e. Indicações Cênicas — O QUE O LEITOR/ATOR PRECISA SABER
 
São as instruções do autor, escritas fora das falas. Imprescindíveis no texto:
 
-Cenário e Lugar: onde acontece
-Comportamento dos personagens: entram, saem, sentam, gestos, tom de voz
-Tempo: época, hora do dia
-Elementos técnicos: luz, som, figurino — quando definidos pelo autor
 
f. Divisão em Partes — Formato Próprio
 
Todo texto teatral se divide em:
 
- Atos: grandes blocos da história (geralmente 1, 2 ou 3 atos)
- Cenas: muda quando entra ou sai um personagem — cada mudança = cena nova
- Em textos mais completos: pode ter Cena, Quadro e Episódio, mas Atos e Cenas são sempre presentes
 
g. Espaço e Tempo — ONDE E QUANDO ACONTECE
 
A história precisa se situar: não existe “em lugar nenhum, em tempo nenhum”. Pode ser um só local ou vários, um dia ou décadas — mas sempre definidos.
 
Resumo: Lista Curta — O QUE NÃO PODE FALTAR DE JEITO NENHUM
 1. Conflito / Ação dramática ⭐ — o mais essencial
2. Personagens
3. Diálogo / Fala
4. Estrutura (início → meio → fim)
5. Indicações cênicas
6. Espaço + Tempo
 
Diferença-chave: num romance o autor conta; numa peça o autor mostra por meio de falas e ações. Se faltar qualquer um dos 6 acima, vira texto narrativo — deixa de ser peça de teatro.
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continua…

(A. I. Dola)

sábado, 30 de maio de 2026

Dicas de Escrita (Por que um leitor abandona um livro)

 
Imagem = IA Microsoft Bing
A decisão de interromper a leitura de um livro, mesmo já tendo avançado em suas páginas, é um fenômeno muito comum e complexo, que não se resume a uma única causa. Trata-se do resultado de uma combinação de fatores relacionados à obra em si, às características do leitor, ao contexto em que a leitura acontece e até às expectativas que foram criadas antes do início da leitura. Abaixo, explico detalhadamente cada um desses aspectos, desmembrando as razões que levam alguém a deixar um livro de lado.

1. Problemas relacionados à estrutura e à qualidade da narrativa

É, sem dúvida, o conjunto de razões mais frequente. Quando a construção da história, das personagens ou da linguagem não cumpre o que se espera, o vínculo entre leitor e obra se rompe.

Desenvolvimento fraco ou confuso da trama

Uma das primeiras causas é a falta de clareza ou de propósito na história. Muitas vezes, o autor  começa a narrar sem definir claramente qual é o conflito principal, qual é o objetivo das personagens ou qual é o rumo que a história vai tomar. O leitor passa capítulos inteiros sem entender para onde a narrativa está indo, e essa sensação de "estar perdido" gera desinteresse. Além disso, se a trama se arrasta por muito tempo sem que nada de relevante aconteça — o que chamamos de "encheção de linguiça" —, a leitura se torna cansativa. 

O oposto também é um problema: se os acontecimentos são muito rápidos, mal explicados ou se há mudanças bruscas que não fazem sentido lógico, o leitor não consegue acompanhar e acaba desistindo. 

Buracos na trama, ou seja, fatos que não são explicados, contradições entre o que foi dito antes e o que acontece depois, ou soluções fáceis e inverossímeis para problemas complexos também quebram a credibilidade da história.

Personagens que não geram identificação ou interesse

As personagens são o coração de qualquer narrativa. Se elas forem mal construídas — rasas, sem personalidade, sem motivações claras ou sem evolução ao longo da história, o leitor não se importa com o que acontece com elas. Não há razão para continuar lendo se não sente simpatia, curiosidade ou até mesmo antipatia por quem está sendo narrado. 

Outro problema comum é quando as atitudes das personagens não condizem com o que foi apresentado sobre elas: por exemplo, uma personagem que é descrita como muito corajosa, mas que em momentos decisivos age de forma covarde sem explicação. Também afasta o leitor a criação de personagens excessivamente perfeitas, sem defeitos ou dificuldades, pois elas se tornam irreais e distantes da experiência humana.

Estilo de escrita inadequado ou cansativo

A forma como a história é contada influencia diretamente na experiência de leitura. Alguns autores usam uma LINGUAGEM EXCESSIVAMENTE REBUSCADA, COM PALAVRAS RARAS, frases muito longas e complexas, ou descrições minuciosas e intermináveis de ambientes, objetos ou sentimentos, que tornam a leitura lenta e difícil. Quando o leitor precisa parar a cada parágrafo para entender o que está escrito, a leitura deixa de ser prazerosa e se torna um esforço. 

Por outro lado, uma escrita muito simples, repetitiva ou com erros de coesão e coerência também afasta, pois demonstra falta de cuidado com a obra. O ritmo da escrita também importa: se todo o texto tem o mesmo tom, a mesma velocidade, sem momentos de tensão, de calma ou de emoção, a leitura fica monótona. O uso inadequado de pontos de vista — como mudar de quem está narrando sem avisar, ou usar um ponto de vista que não permite conhecer os pensamentos ou sentimentos das personagens — também cria distanciamento.

Diálogos artificiais ou irreais

Os diálogos são uma ferramenta essencial para contar histórias, mas quando são mal feitos, causam estranhamento. Se as personagens falam de forma muito formal, com frases que ninguém usaria na vida real, ou se os diálogos servem apenas para explicar coisas que o autor quer que o leitor saiba, ao invés de refletir a forma como as pessoas realmente se comunicam, a sensação é de falsidade. 

Além disso, diálogos que não avançam a trama, que são repetitivos ou que não revelam nada sobre quem está falando, são um motivo frequente para abandonar a leitura. 

Problemas na estrutura da obra

Alguns livros têm uma organização que dificulta o acompanhamento: por exemplo, saltos temporais muito frequentes e sem marcação clara, divisão de capítulos que não faz sentido, ou uma ordem dos acontecimentos que confunde a compreensão. Quando a estrutura não ajuda o leitor a navegar pela história, a sensação é de desorganização, e a leitura se torna desagradável.

2. Descompasso entre expectativa e realidade

Antes mesmo de começar a ler, o leitor cria uma ideia sobre o livro, baseada em sinopses, recomendações, resenhas, capa ou até mesmo no nome do autor. Quando o que ele encontra nas páginas é muito diferente do que esperava, a decepção é imediata e pode levar ao abandono.

Expectativas criadas pela apresentação da obra

A sinopse, na contracapa ou na apresentação, é um dos principais fatores de atração. Se ela promete uma história de mistério cheia de reviravoltas, mas o livro é, na verdade, uma narrativa lenta sobre relações familiares, o leitor se sente enganado. O mesmo acontece se a capa sugere um gênero (como fantasia ou romance), mas o conteúdo pertence a outro, ou se o livro é vendido como uma obra-prima, mas a qualidade percebida pelo leitor é muito inferior. 

Recomendações de amigos, críticos ou influenciadores também criam expectativas: se alguém que você confia diz que um livro é incrível, e você não encontra nada de especial nele, a frustração pode fazer com que você desista.

Gênero ou tema que não corresponde ao gosto do leitor

Muitas vezes, o livro é bem escrito, bem estruturado e tem boa crítica, mas simplesmente não agrada ao gosto pessoal de quem está lendo. Por exemplo, alguém que gosta de histórias dinâmicas, com muita ação, pode achar um livro de reflexão filosófica ou drama psicológico muito parado e chato. Da mesma forma, temas que não interessam, ou que são tratados de uma forma que não agrada, fazem com que o leitor não veja sentido em continuar. O gosto é algo subjetivo: o que é maravilhoso para uma pessoa pode ser insuportável para outra, e isso não significa que o livro seja ruim, apenas que não combina com quem está lendo.

Abordagem de temas sensíveis ou polêmicos

Alguns livros tratam de assuntos difíceis, como violência, traumas, discriminação ou sofrimento extremo. Se o autor aborda esses temas de forma excessivamente explícita, sem cuidado, ou se o leitor tem alguma ligação pessoal ou sensibilidade com o assunto, a leitura pode se tornar desconfortável, dolorosa ou até ofensiva. Nesse caso, o abandono é uma forma de proteção emocional, pois a pessoa não quer continuar exposta a sentimentos negativos ou situações que a afetam profundamente. Além disso, se a forma como um tema é tratado contraria os valores, crenças ou princípios morais do leitor, ele não se sente à vontade para seguir adiante.

3. Fatores relacionados ao leitor

O estado, a disposição e as características de quem lê também são determinantes para a continuidade ou interrupção da leitura.

Falta de disponibilidade de tempo ou de concentração

Vivemos em um mundo cheio de distrações e obrigações. Muitas vezes, o livro é bom, mas o leitor está sobrecarregado com trabalho, estudos, problemas pessoais ou atividades diárias, e não consegue encontrar tempo ou calma para ler com atenção. Quando as leituras são feitas em pedaços curtos, com interrupções constantes, é difícil se envolver com a história: ao retomar a leitura, já não se lembra o que aconteceu antes, quem são as personagens ou qual é o contexto, e isso faz com que a experiência seja fragmentada e pouco prazerosa. A falta de concentração também pode ser resultado de cansaço físico ou mental, que torna difícil absorver o conteúdo.

Estado emocional ou mental inadequado

O nosso humor e o que estamos vivendo na vida real influenciam muito o que lemos e como lemos.

Um livro que é engraçado, leve e divertido pode ser exatamente o que precisamos em um momento de alegria, mas se estamos tristes, ansiosos ou passando por um problema difícil, pode parecer superficial ou inadequado. Da mesma forma, uma história densa, profunda ou triste pode ser muito pesada para alguém que já está emocionalmente abalado. 

Em certos momentos, a pessoa só quer algo que a distraia, e não algo que exija reflexão ou que mexa com sentimentos intensos. Se o livro não se adapta ao que a pessoa precisa ou está disposta a receber naquele momento, ele é deixado de lado.

Falta de afinidade com o estilo ou a proposta do autor

Alguns autores têm uma forma muito própria de escrever, de estruturar histórias ou de ver o mundo. Mesmo que a obra seja reconhecida como excelente, o leitor pode simplesmente não se identificar com essa forma de ver e contar as coisas. Pode ser que ele não concorde com as ideias apresentadas, que não goste da forma como o autor pensa ou que ache a perspectiva adotada distante ou incompreensível. Essa falta de sintonia faz com que a leitura não gere conexão, e sem conexão, não há motivação para continuar.

Dificuldade de compreensão ou conhecimento prévio

Certos livros exigem um repertório cultural, conhecimento específico ou maturidade que o leitor ainda não tem. Obras clássicas, livros com referências históricas, filosóficas ou científicas, ou textos com linguagem de uma época diferente podem ser difíceis de entender para quem não tem a base necessária. Quando a pessoa sente que não consegue acompanhar, que não entende o que está sendo dito, ou que precisa estudar para ler, a leitura deixa de ser um prazer e se torna uma tarefa, levando ao abandono.

4. Fatores externos e de contexto

Além da obra e do leitor, o ambiente e a situação em que a leitura acontece também têm peso na decisão.

Concorrência com outras atividades ou interesses

Hoje, temos inúmeras formas de entretenimento e informação: séries, filmes, jogos, redes sociais, podcasts, entre outros. Muitas vezes, o leitor começa um livro, mas encontra outras atividades que acha mais interessantes, mais rápidas ou mais fáceis de consumir. A leitura exige dedicação e atenção, que muitas pessoas preferem direcionar a outras coisas que lhes dão prazer ou retorno mais rápido. Além disso, se surge um novo interesse, um novo assunto ou um novo livro que desperta mais curiosidade, o que estava sendo lido é deixado para trás.

Problemas com a edição ou a apresentação física do livro

Parece pequeno, mas detalhes físicos importam muito. Edições com letras muito pequenas, páginas muito finas, papel de má qualidade, diagramação confusa, muitos erros de impressão ou ortografia, ou ainda livros muito grandes, pesados ou desconfortáveis de segurar tornam a leitura cansativa e desconfortável. Se cada página lida é um esforço físico ou visual, a pessoa vai preferir parar.

Influência de outras pessoas ou do meio

Às vezes, o leitor está gostando do livro, mas ouve comentários negativos de pessoas que ele respeita, ou percebe que ninguém ao seu redor conhece ou gosta da obra. Essa influência pode fazer com que ele passe a ver o livro com olhos diferentes, comece a achar defeitos que não via antes e, por fim, decida abandoná-lo. Também acontece de a pessoa sentir vergonha do que está lendo, por achar que não é um livro "importante" ou "adequado" perante os outros, e parar de ler por causa disso.

5. O limite pessoal e a decisão de parar

Há também um ponto que se refere à postura do próprio leitor em relação à leitura. Muitas pessoas sentem que precisam terminar todos os livros que começam, como se fosse uma obrigação ou uma forma de cumprir uma meta. Mas, ao longo da experiência de leitura, a pessoa percebe que não está gostando, que não está ganhando nada com a obra, ou que simplesmente não tem mais vontade de continuar. Nesse momento, a decisão de abandonar o livro é também uma escolha de respeito a si mesmo: reconhecer que o tempo e a disposição são valiosos, e que não faz sentido gastá-los com algo que não traz satisfação, conhecimento ou prazer.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Abandonar um livro não é um sinal de que o leitor não sabe ler, ou de que o livro é necessariamente ruim. É, antes de tudo, um reflexo da complexidade da relação entre quem escreve, o que é escrito e quem lê. Cada leitor é único, cada livro tem suas características, e cada momento da vida traz necessidades e interesses diferentes. As razões para parar são sempre uma mistura de todos esses elementos, e compreendê-las ajuda a entender que a leitura é, acima de tudo, uma experiência pessoal e subjetiva. O importante não é terminar todos os livros, mas encontrar aqueles que fazem sentido, que tocam, que ensinam ou que divertem — e que fazem valer a pena cada página lida.

Fonte:
Jfeldman. Dissecando a magia dos textos. Floresta/PR: A.I. Dola, Biblioteca Sunshine.

domingo, 17 de maio de 2026

Dicas de Escrita (Crônica x Conto: O Instantâneo vs. O Universo Construído) 2


2. A Crônica Argumentativa: Como transformar um fato cotidiano em uma opinião política ou social.

A Crônica Argumentativa é o ponto onde a leveza do cotidiano encontra o peso da opinião. Diferente da crônica poética (que foca na emoção), ela usa um evento banal como "isca" para discutir um problema estrutural da sociedade.

Aqui está o passo a passo de como essa transformação acontece:

1. O Ponto de Partida: O Fato Banal
Tudo começa com uma cena comum que qualquer pessoa reconheceria.

Exemplo: Você observa uma pessoa idosa tentando usar um aplicativo de banco e falhando.

2. A Ponte: A Generalização
Neste estágio, o cronista para de descrever "aquela pessoa específica" e passa a ver o fato como um sintoma de algo maior.

Transformação: O problema do idoso com o celular não é apenas falta de jeito; é um exemplo de exclusão digital.

3. A Argumentação: A Opinião Política ou Social
Aqui entra a tese. O autor utiliza o fato para criticar uma estrutura ou comportamento social.

Argumento: A sociedade moderniza seus serviços visando apenas o lucro e a agilidade, descartando gerações inteiras que não acompanham o ritmo tecnológico. Isso é uma forma de invisibilidade social.

4. A Linguagem: Persuasão com Proximidade
Diferente de um editorial de jornal (que é rígido e formal), a crônica argumentativa mantém o tom de conversa. O autor usa a primeira pessoa ("Eu vi", "Eu penso") para gerar empatia no leitor antes de convencê-lo de sua tese política.

Exemplo Comparativo:

-  Fato: O preço do feijão subiu no mercado do bairro.

-  Crônica Comum: Uma narrativa engraçada sobre como o autor teve que trocar o feijão por lentilha e a reação da família no jantar.

-  Crônica Argumentativa: Uma crítica sobre a prioridade do agronegócio para exportação em detrimento da segurança alimentar das famílias brasileiras. O feijão caro é o símbolo de uma política econômica falha.

Dica:

Para transformar o cotidiano em opinião, pergunte-se: "O que este pequeno incidente diz sobre o país ou o mundo em que vivemos?"
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Referência: 

Fonte: JFeldman. Dissecando a magia dos textos. Floresta/PR: A.I. Dola. Biblioteca Sunshine
Imagem criada por JFeldman com IA Microsoft Bing  

sábado, 16 de maio de 2026

Dicas de Escrita (Crônica x Conto: O Instantâneo vs. O Universo Construído) 1


1. O que é a Crônica? (O Olhar do Observador)
A crônica é um gênero híbrido que caminha entre o jornalismo e a literatura. Ela nasce do cotidiano.

- Tempo: Curto, focado no agora, no "hoje".

- Espaço: Lugares comuns (o ônibus, a fila do banco, a mesa de jantar).

- Temática: Fatos banais, eventos do dia a dia comentados de forma reflexiva, irônica ou poética.


- Linguagem: Leve, coloquial e direta.

2. O que é o Conto? (A Estrutura do Artífice)
O conto é uma narrativa literária curta, mas com uma estrutura de ficção completa.

-  Tempo: Construído narrativamente; pode abranger anos ou focar em um momento, mas com uma progressão dramática clara.

-  Espaço: Delimitado, porém carregado de simbolismo para a trama.

-  Temática: Situações de conflito que levam a um clímax e um desfecho. É uma "fatia" da vida com início, meio e fim.

-  Linguagem: Mais densa, com maior preocupação estética e construção de personagens.

Tabela Comparativa

3. Exemplos Práticos

Exemplo de Crônica: 
“O Padeiro” de Fernando Sabino. O autor apenas observa o trabalho silencioso de um homem entregando pão e reflete sobre a importância daquele gesto simples para a engrenagem do mundo. É uma observação real e reflexiva.

Exemplo de Conto: 
“A Cartomante” de Machado de Assis. Há um triângulo amoroso, um suspense crescente, personagens com motivações psicológicas e um final impactante (clímax e desfecho). É uma história inventada com estrutura clássica.

Exercício de Escrita Criativa: A Fila do Café

O Cenário Base:
Imagine uma cafeteria movimentada. Há um cliente que esqueceu a carteira na hora de pagar e uma atendente que parece estar em um dia muito difícil.

Parte 1: O Olhar do Cronista (10 a 15 linhas)

-  Instrução: Escreva como se você fosse alguém sentado em uma mesa próxima observando a cena.

-  Foco: Não se preocupe com o passado dos personagens. Foque na reflexão.

Dica: 
Use a situação para falar sobre algo maior (a pressa das pessoas, a solidariedade humana, ou como o café é o combustível que mantém a cidade girando). O tom deve ser leve e pessoal.

Parte 2: O Olhar do Contista (15 a 20 linhas)

-  Instrução: Transforme essa cena em uma narrativa de ficção.

-  Foco: Crie um conflito. Por que ele esqueceu a carteira? Ele está em um encontro importante? A atendente o conhece de algum lugar?

Dica: 
Estabeleça uma tensão. A cena precisa de um "clímax" (algo acontece que muda o estado das coisas) e um desfecho (uma resolução para aquele momento).

1. Na Crônica: O autor deu uma opinião ou fez uma observação poética sobre a vida?

2. No Conto: Existe um problema sendo resolvido e uma mudança na situação dos personagens?

Dica de Ouro
Para elevar o nível, utilize a primeira pessoa na Crônica (o "eu" observador) e a terceira pessoa no Conto (o narrador onisciente), para sentir a diferença de distanciamento.
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Fonte: JFeldman. Dissecando a magia dos textos. Floresta/PR: A.I. Dola. Biblioteca Sunshine
Imagem criada por Jfeldman com IA Microsoft Bing

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Dicas de Escrita (Como Escrever um Poema com Rimas)

Coescrito por Alicia Cook*
Rimas podem dar ritmo aos seus poemas, uma qualidade memorável que pode ser muito divertida. Embora nem todos os poemas precisem rimar, os que rimam tendem a soar melhores por terem uma composição mais complexa. Para testar suas habilidades rimando poesia, aprenda o básico, inspire-se, e escreva!

Parte 1
Tendo ideias para o poema

ANOTE SUAS IDEIAS QUANDO ELAS SURGIREM.

É importante escrever com frequência para manter sua criatividade fluindo e garantir que não esqueça as ideias que tem para os poemas! Quando uma ideia surgir, anote para não esquecer.

Você não precisa escrever suas ideias em verso, pode escrever em prosa ou fazer listas de palavras e ideias para usar em um poema mais tarde.

É uma boa ideia começar escolhendo um conceito ou tópico para o seu poema — sobre o que você quer que ele seja? Depois, pode começar a moldar palavras com base nesse tópico.

Dica: tenha um bloquinho ou caderno com você o tempo todo para registrar suas ideias a qualquer momento.

PROCURE POR INSPIRAÇÃO AO SEU REDOR.
Caso não saiba sobre o quê escrever, escolha um objeto, animal, pessoa ou lugar como tema. Você não precisa escrever sobre algo extraordinário; escolha algo que seja interessante para você.

Por exemplo, você pode escrever um poema rimado sobre uma luminária na sua escrivaninha, a vista da janela do seu quarto, seu cachorro, sua mãe, ou seu restaurante favorito.

ESCREVA LIVREMENTE SOBRE O ASSUNTO ESCOLHIDO. 
Quando tiver uma ideia para um poema, comece a escrever! Passe todas as ideias para o papel sem se preocupar com a estrutura ou esquema rimático. Você pode dividi-las em linhas ou escrever em prosa no primeiro rascunho.

Por exemplo, se estiver escrevendo um poema sobre o seu cachorro, pode escrever um parágrafo sobre a aparência dele, o comportamento, e o quanto você gosta dele.

Dica: Caso encontre alguma oportunidade de rima no seu rascunho, inclua elas. Você também pode adicioná-las mais tarde, então não se preocupe se não conseguir pensar em nenhuma imediatamente.

FAÇA UMA LISTA DE PALAVRAS QUE RIMAM COM O SEU ASSUNTO. 
Outra ótima forma de ter ideias para um poema rimado é fazer uma lista de palavras relacionadas ao tema e que rimam com ele. A lista pode ser longa ou curta, dependendo do que você estiver escrevendo sobre. Escreva palavras que descrevem o assunto e procure por pares rimados para cada uma dessas palavras.

Por exemplo, se estiver escrevendo um poema sobre sua flor favorita, pode começar escrevendo palavras que rimam com flor, como amor, valor, incolor, calor, etc.

Então, poderia escolher um tipo de flor, como a margarida, e fazer outra lista de palavras que combinem com ela, como vida, querida, colorida, florida, etc.

Continue fazendo listas dessa forma até que não consiga pensar em mais palavras.

Use um dicionário de rimas se não conseguir pensar em rimas para uma palavra.

Parte 2
Escolhendo um esquema rimático

OPTE POR UM ESQUEMA RIMÁTICO ALTERNADO PARA CRIAR UM PADRÃO SIMPLES. 
Essa é provavelmente a forma mais comum de se organizar um poema. Para usá-la, coloque seus pares rimados no final de linhas alternadas.

Por exemplo, suas rimas podem seguir o padrão ABAB, CDCD, EFEF, etc.

EXPERIMENTE UMA ESTRUTURA DE BALADA PARA CRIAR ALGO MAIS COMPLEXO. 
Para incorporar um pouco mais de complexidade a um esquema rimático alternado, tente estruturar seu poema como uma balada musical. Isso consiste em dois conjuntos de quatro rimas alternadas divididas por um verso extra que rima com o segundo verso. Então, um terceiro conjunto de quatro rimas alternadas com as mesmas rimas do segundo conjunto vem a seguir.

Por exemplo, esse esquema rimático seria ABABBCBC e depois BCBC.

RIME TODAS AS PALAVRAS DO POEMA ENTRE SI PARA CRIAR UMA MONORRIMA. 
Essa técnica é quando você usa o mesmo som rimado em todo o poema. Fazer monorrima pode ser complicado se não tiver muitas palavras ou sílabas que rimem com a primeira palavra, então escolha bem.

Por exemplo, a última palavra em cada verso do poema rimaria com a primeira que usou, e o esquema rimático seria AAAAA.

ESCREVA RIMAS EMPARELHADAS OU PARALELAS PARA UMA FORMA SIMPLES DE ORGANIZAR AS RIMAS. 
Isso significa criar dois versos que terminam com a mesma rima. Você pode escrever todo o poema em rimas paralelas, ou incluir só algumas para variar o ritmo.

Um poema escrito em um esquema rimático de rimas emparelhadas ficaria AA BB CC DD etc.

Você também pode fazer uma variação com três rimas, como AAA BBB CCC etc.

Por exemplo, as rimas emparelhadas podem ser tão simples quanto: "A vaca pulou a cerca / Espero que ela não se perca."

COMECE E TERMINE CADA ESTROFE COM A MESMA RIMA PARA CRIAR RIMAS INTERPOLADAS.
Caso queira usar algo que ajudará a sinalizar o início e o fim de uma das estrofes, abra e feche uma com a mesma rima. Você pode incluir rimas emparelhadas ou outro esquema rimático no meio da estrofe, ou não incluir nenhuma outra rima exceto no início e fim do poema.

Por exemplo, você pode organizar o esquema rimático como ABBA CDDC EFFE, ou experimentar algo como ABCA DEFD GHIG.

APOSTE EM UMA ESTRUTURA DE LIMERIQUE PARA CRIAR UM POEMA ENGRAÇADO.

Aposte em uma estrutura de limerique para criar um poema engraçado. Limeriques são poemas de cinco versos que contam uma história curta e pateta, então é uma ótima opção se quiser escrever um poema rimado engraçado. A estrutura desse estilo inclui duas rimas emparelhadas seguidas por um verso que termina com a mesma rima que a primeira parte.

Por exemplo, você pode usar a estrutura AABBA.

INCLUA DUAS PALAVRAS RIMADAS OU MAIS NO MESMO VERSO.
Você pode colocar palavras que rimam no mesmo verso para uma sucessão mais rápida de rimas. Essa técnica é conhecida como esquema rimático interno. Escolha duas palavras que rimem ou que tenham uma sílaba que rima no final e coloque as duas no mesmo verso do poema.

Por exemplo, você pode usar uma rima como: "A bela bola do Raul / Bola amarela" (Cecília Meireles).

Parte 3
Revisando um poema rimado

LEIA TODO O POEMA ALGUMAS VEZES DEPOIS DE FAZER O RASCUNHO.
Da mesma forma que em muitos outros tipos de escrita, a revisão é a parte mais importante. Quando as ideias estiverem no papel, leia atentamente e corrija erros gramaticais, refine a linguagem, adicione ou remova palavras e frases, e reescreva algumas partes se for necessário.

Leia o poema em voz alta para ouvir como ele soa. Isso ajudará a encontrar erros pequenos, e também é como a poesia deve ser apreciada!

Caso tenha que enviar o poema para uma aula, tenha tempo suficiente para revisá-lo até ficar satisfeito. Lembre-se de que até mesmo poetas renomados revisam seu trabalho muitas vezes.

PEÇA A OPINIÃO DE ALGUÉM EM QUEM CONFIA.
Dê o seu poema a um amigo, colega ou professor para que ele leia e diga o que achou. Isso pode ajudá-lo a revisar o poema dando mais palavras rimadas, conteúdo para o poema, ou formas de melhorar a estrutura.

Se precisar enviar o poema para uma aula, peça a opinião das pessoas alguns dias antes do prazo.

Dica: Revisar não é só sobre corrigir erros de ortografia, digitação ou formatação; é também sobre moldar e aperfeiçoar o conteúdo do seu poema e torná-lo o melhor que conseguir.

VOLTE PARA O POEMA ALGUMAS HORAS OU DIAS DEPOIS SE ESTIVER SEM IDEIAS.
Embora possa revisar o poema imediatamente, muitas pessoas acham mais fácil revisar depois de deixar o poema de lado por algumas horas ou até dias. Isso permite que você volte para o poema com uma nova perspectiva e encontre problemas que pode não ter visto da última vez.

Parte 4
Experimentando tipos diferentes de rimas

FAÇA A ÚLTIMA PALAVRA DE UM VERSO RIMAR COM A ÚLTIMA PALAVRA DO PRÓXIMO VERSO.
O tipo mais comum de rima em um poema é quando a última palavra ou sílaba de um verso rima com a última palavra ou sílaba de outro verso. Isso também é conhecido como rima externa.

Por exemplo, se um verso terminar com “canto", o próximo pode terminar com "manto”.

Ou você pode rimar as últimas sílabas de duas palavras, como "coração" e "sensação".

USE DUAS PALAVRAS QUE QUASE RIMAM PARA CRIAR UMA RIMA TOANTE OU ASSONANTE.
Você pode usar no seu poema duas palavras com sons parecidos mas que não rimam perfeitamente. Elas podem ter um ritmo vocálico forte, mas ter uma letra que as impede de rimar perfeitamente.

Por exemplo, as palavras "pálida" e "lágrima" são rimas toantes por causa dos sons que as vogais fazem. "Boca" e "moça" também são consideradas rimas toantes pelo mesmo motivo.

Esse tipo de rima também pode ser chamado de imperfeito por ter apenas uma correspondência parcial de sons.

REPITA PALAVRAS HOMÔNIMAS PARA INCORPORAR UMA RIMA RICA.
Esse estilo é chamado assim pois as palavras rimadas têm o mesmo som, mas têm significados diferentes. Usar essa técnica é uma ótima forma de incorporar palavras rimadas e adicionar complexidade ao seu poema.

Por exemplo, você pode incluir as palavras "noz", o fruto, e "nós", o pronome.

Outro tipo de rima rica pode ser repetir a palavra "trabalho", mas com um significado diferente em cada verso. “Trabalho” pode se referir ao verbo trabalhar na primeira pessoa do singular, ou à ocupação de alguém.

INCLUA PALAVRAS QUE PARECEM QUE RIMAM MAS NA VERDADE NÃO RIMAM.
Algumas palavras são escritas de uma forma que você pode pensar que elas rimam, mas têm sons diferentes quando pronunciadas. Juntar duas palavras com grafias parecidas ou iguais e sons diferentes pode fazer seu poema soar mais complexo.

Por exemplo, as palavras "árvore" e "apavore" terminam da mesma forma, então parece que elas rimam, mas elas têm sílabas tônicas diferentes e são pronunciadas de formas diferentes!

USE A MESMA PALAVRA MAIS DE UMA VEZ PARA ENFATIZÁ-LA.
Repetir uma palavra é outra forma criativa de incluir palavras rimadas no seu poema. Você pode rimar uma palavra com ela mesma repetindo a palavra na mesma posição do próximo verso.

Por exemplo, você pode repetir "casa" e dois versos escrevendo: "Eu estou seguro nessa casa / Essas paredes grossas são a minha casa.”

DICAS: 

1– Não reutilize a mesma palavra muitas vezes no seu poema. Use a repetição uma ou duas vezes para dar ênfase sem soar repetitivo demais.

2– Caso tenha que escrever um poema rimado para a escola, faça com antecedência. Isso não é algo que você consegue escrever de última hora.

3– Use um dicionário de rimas como a parte de rimas do Dicionário Informal para encontrar outras rimas que você não teria pensado sozinho.

4– Você precisa ler poesia para aprender a escrever poemas. Pegue uma antologia de poesia e leia do início ao fim, ou visite um site de poemas para procurar por autores, assuntos ou estilos.

AVISO
Não fique bravo ou estressado se estiver com dificuldade. Tire um tempo para clarear a mente, beba água ou respire ar puro, e recomece.
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* ALICIA COOK é escritora profissional que reside em Newark, Nova Jersey. Com mais de 12 anos de experiência, Se especializou em poesia e utiliza sua plataforma para defender as famílias afetadas pelo vício e a lutar para quebrar o estigma em torno do vício e das doenças mentais. É formada em Inglês e Jornalismo pela Georgian Court University e possui um MBA pela Saint Peter's University. Autora de best-sellers pela Andrews McMeel Publishing, seus trabalhos já foram publicados em diversos veículos de comunicação, incluindo o NY Post, CNN, USA Today, HuffPost, LA Times, American Songwriter Magazine e Bustle. Foi nomeada pela Teen Vogue como uma das 10 poetisas das redes sociais que você precisa conhecer, e sua coletânea de poemas, "Things I've Been Feeling Lately", foi finalista do Goodreads Choice Awards de 2016. 

Fontes:
WikiHow. 
Imagem criada por Jfeldman com IA Microsoft Bing