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sábado, 10 de outubro de 2026

José Feldman (Chafariz de Versos) * 2 *



13 – Falcão Peregrino

Pela vida caminhando
construindo o meu destino,
tantas sandálias calçando...
Sou um falcão peregrino!
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14 - Caminhada pela vida afora

Caminhando pela senda do destino,  
passos firmes, coração a pulsar,  
cada curva, um novo desatino,  
na trilha da vida vamos sonhar.

Os desafios são pedras no chão,  
nos ensinam a força do viver,  
com coragem seguimos a canção,  
e em cada passo há muito a aprender.

A brisa suave traz ecos de esperança,  
e a luz do sol ilumina com carinho,  
Na jornada, a vida é uma dança,  
cada minuto, um precioso caminho.

Assim seguimos, com fé e amor,  
pela vida afora, em busca sublime da flor.
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15 - Alma Inquieta

Alma inquieta, que busca e não cessa,  
vaga entre sonhos, na sombra e na luz,  
teus anseios como ventos que expressa,  
navegam em mares onde o coração seduz.

A mente aflita em busca do ser,  
questiona o mundo, desafia o céu,  
cada resposta é um novo renascer,  
na dança da vida, o eterno véu.

Em cada suspiro, um eco profundo,  
a inquietude é chama que arde e queima,  
desperta a coragem que move o mundo,  
e a busca incessante se torna uma teima.

Alma inquieta, que nunca se aquieta,  
no amor e na vida, sempre se completa.
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16 - Alma de Criança

Alma de criança, pura e sonhadora,  
teus olhos brilham com a luz da inocência,  
brincadeiras e risos, vida encantadora  
em cada instante, um mundo de essência.

A natureza é teu fiel abrigo,  
cores e sons dançam em tua mente,  
O encanto do amor é sempre amigo,  
E a vida é um sonho doce e latente.

Com coração aberto vais explorar  
os mistérios que a vida tem a oferecer,  
na simplicidade, o saber a brotar  
e na alegria, o amor a florescer.

Alma de criança, eterna e bela,  
teu riso é a luz que sempre se revela.
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17 - Beleza Interior

A beleza interior é luz que não se vê,  
reflete a bondade que há em teu ser,  
Teus gestos sutis como o amanhecer,  
transformam o mundo, ensinam a viver.

Não é a aparência que brilha em ti,  
mas a essência que toca o coração,  
A alma que ama, que sabe e que há em si,  
faz da vida um ato de compaixão.

Em cada sorriso há um eco profundo,  
a verdadeira beleza é a que não cansa,  
que enriquece a vida, que abraça o mundo,  
e traz paz e amor, eterna esperança.

Celebremos a luz que em ti se revela,  
beleza interior, eterna e singela.
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18 - A Luz da Poesia

No compasso do meu anseio,
a poesia dança com fervor,
em cada rima, um doce enleio
de aquecer o meu interior.
Com seu tom, eu me entrego,
encontro paz, me faz sonhar,
é um amor que eu não renego,
um laço forte, um despertar,
na poesia, circunavego,
e a vida volta a brilhar.
= = = = = = = = = = = = = =  
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José Feldman (1954)
Nascido em São Paulo, capital, JOSÉ FELDMAN é um escritor, poeta, trovador,  professor, enxadrista e gestor cultural radicado no Paraná desde 1999. Sua trajetória literária e profissional foi moldada por influências familiares precoces, orientação de nomes como André Carneiro, Izo Goldman, Eunice Arruda e Artur da Távola, além de uma sólida formação multidisciplinar e atuação de destaque no xadrez e na promoção cultural. Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona. Em Portugal e Angola, suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos, Florilégio de Trovas e Crestomatia de Trovas). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital. (Excerto Biográfico por Cailin Dragomir)

domingo, 19 de julho de 2026

José Feldman (O Canto do Rouxinol)


O rouxinol aprisionado num canto,  
nas grades da vida, seu eco é profundo.  
Os sonhos de voar são o seu pranto,  
e as notas perdidas sussurram ao mundo.  
 
Nas folhas verdes, onde o sol desponta,  
a liberdade clama, mas ele não vai.  
Em cada melodia, a vida se afronta,  
e a tristeza no peito que lhe subtrai.  
 
Mas dentro do peito, a canção esperançosa,  
a alma do rouxinol não se esquece de amar.  
Na busca de um ramo, uma vida gloriosa,  
o canto ainda ecoa, mesmo que a chorar.  
 
Um dia, as correntes irão se desfazer,  
e o rouxinol livre poderá renascer. 

Poema de José Feldman (Floresta/PR)

O som do silêncio que se instala após o último acorde é o que mais machuca. Não é a ausência de som, mas o peso do que deveria estar ali e já não está.

Há anos observo aquela gaiola pendurada na varanda do apartamento vizinho, balançando discretamente ao sabor de um vento que traz o cheiro da chuva, mas que nunca traz a liberdade. Dentro dela, habita um rouxinol. Um pequeno fragmento de vida, com penas que perderam o brilho fosco das matas, mas que carrega nos olhos o tamanho exato de um horizonte que ele desaprendeu a tocar.

O soneto que alguém escreveu um dia sobre ele não mentia. Cada nota que escapa daquele bico pequenino, nas primeiras horas da manhã, não é um espetáculo para os nossos ouvidos humanos, é um pranto disfarçado de arte. 

O rouxinol canta nas grades da vida, e o eco de sua voz é de uma profundidade que chega a doer no peito de quem se detém para escutar. Nós, os transeuntes apressados de nossas próprias rotinas aprisionadas, costumamos chamar aquilo de "belo cantar". Que terrível cegueira a nossa. Confundir o grito de socorro de uma alma com entretenimento doméstico.

Olho para ele agora, enquanto o sol desponta timidamente entre as folhas verdes das árvores da rua. Aquelas árvores estão tão perto. Apenas alguns metros separam o pássaro do galho mais próximo de uma mangueira frondosa, onde outros de sua espécie pousam, gritam, brigam e voam sem rumo. A liberdade clama ali fora, escancarada, vestida de vento e folhas secas que dançam no asfalto. Mas ele não vai. Ele não pode ir. A fronteira invisível do arame galvanizado define o limite do seu universo.

Em cada melodia que ele ensaia quando o dia clareia, a vida parece se afrontar. É um embate silencioso e cruel entre o instinto de ser céu e a realidade de ser ferro. Há uma tristeza densa, quase palpável, que se instala no ambiente a cada trinado mais longo. É a melancolia pura de quem sabe exatamente o que perdeu, mesmo sem nunca ter vivido plenamente o que perdeu. O peito do pequeno cantor sobe e desce rapidamente, num ritmo frenético que parece subtrair-lhe as forças, um pouquinho a cada dia. Quantas canções faltam para que o coração dele desista de bater?

E, no entanto, o mistério mais profundo daquela criatura não é a sua dor, mas a sua insistência.

Mesmo no calabouço daquela varanda cinzenta de cimento encardido, há algo dentro daquele peito que se recusa a morrer. Uma canção esperançosa insiste em brotar de onde só deveria haver desespero. A alma do rouxinol não se esquece de amar. Ele ama o fiapo de sol que toca a gaiola às nove da manhã. Ele ama a água fresca que trocam de seu pequeno pote. Ele ama, acima de tudo, a própria memória do voo, uma herança genética de asas abertas que o tempo e o cativeiro não conseguiram apagar.

Ele canta na busca de um ramo, de uma vida que ele intui ser gloriosa e vasta. O canto ainda ecoa pela vizinhança, cortando o barulho dos motores e das buzinas, mesmo que a chorar. É um choro afinado, uma lágrima em forma de solfejo que atravessa as frestas da minha janela e me faz parar o café pela metade, com os olhos fixos no vazio. 

Quantos de nós também não cantamos nossas dores em nossas próprias gaiolas invisíveis, esperando que alguém entenda o código do nosso lamento?

Fico olhando o pequeno rouxinol e uma onda de melancolia me invade por completo. Penso na fragilidade da vida, no tempo que passa e nas correntes que nós mesmos criamos ou aceitamos carregar. Mas o soneto termina com uma promessa, e é nela que decido ancorar o resto do meu dia, para não sucumbir à tristeza de vê-lo ali.

Um dia, as correntes irão se desfazer. Seja pela mão compassiva de quem finalmente enxergar a crueldade daquele cativeiro, seja pelo ciclo inevitável da própria natureza que a tudo liberta no final. O rouxinol livre poderá renascer. Suas asas, hoje entorpecidas, encontrarão o ponto de apoio exato na densidade do ar. Ele subirá tão alto que o som do seu canto finalmente deixará de ser um lamento para se tornar, em absoluto, a pura tradução do espaço.

Até lá, eu continuo aqui, na janela da minha própria solidão, servindo de testemunha e plateia para a mais triste e bela ópera da terra: o canto de quem sofre, mas não desiste de esperar o céu.
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     JOSÉ FELDMAN é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo (1954), ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura. Sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Residiu em cidades como Taboão da Serra, Curitiba, Ubiratã e Maringá (PR) onde se fixou desde o ano de 2011. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por anos no Hospital das Clínicas da FMUSP. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo “Euclides da Cunha”, na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título “Magnus Magister” da Confraria Luso-Brasileira de Letras, em Portugal; Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias de Artur da Távola. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.  É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores: 1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos; 2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor; 3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Em Portugal e Angola: Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos ou o Florilégio de Trovas). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.

Fonte:
José Feldman. Alquimia do Tempo. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Guirlanda de Versos * 88 *



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JOSÉ FELDMAN (71) é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo, ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura trovadoresca. Nasceu em São Paulo (SP), sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por anos no setor hospitalar. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Ocupa cadeira na Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura, Academia do Movimento Internacional, Confraria Brasileira de Letras e Academia de Letras Internacional Brasil-Suíça. Agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo "Euclides da Cunha", em Berna/Suiça; título de mérito das Letras, em Portugal; Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.  É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica. No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa. Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Em Portugal e Angola: Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Grinalda Indígena * 6 *

Sinaá (ou Sina’a), o grande herói mítico e ancestral do povo Juruna (Yudjá), conhecido por seus poderes xamânicos e por guardar o segredo do fim do mundo.


José Feldman (Floresta/PR)

Sinaá: Guardião do Destino

No centro do mundo, em tempos remotos,
Sinaá vivia com grande saber,
ouvia dos rios os sons mais devotos,
e o que estava oculto podia ler.

Xamã poderoso de força infinita,
ele era o mestre de toda a invenção,
sua voz nas aldeias ainda ressoa e habita,
trazendo a memória de cada ancião.

Diz a lenda antiga que o herói era imortal,
pois sempre trocava de pele e de cor,
vencia o tempo, vencia todo o mal,
mostrando ao seu povo o seu alto valor.

Mas ele guardava um segredo profundo,
no topo da serra, em um grande lugar,
um jarro que encerra o fim deste mundo,
se a tampa um dia alguém levantar.

Se o jarro se quebra, o céu desabará,
as águas do rio virão para o chão,
e nada na terra então restará,
será o silêncio da destruição.

Sinaá se cansou da maldade da gente,
dos homens que esquecem de toda a raiz,
partiu para longe, de modo imponente,
para um reino distante, por ser mais feliz.

Ele mora hoje no alto da serra,
sentado ao lado do jarro fatal,
olhando as batalhas que existem na terra,
e o rumo que toma o destino final.

Às vezes ele chora e o céu se escurece,
a chuva que cai é o seu lamento,
a tribo se cala, a aldeia padece,
sentindo a força do seu pensamento.

Ele ensinou como a roça se planta,
como fazer o polvilho e o beiju,
sua sabedoria até hoje encanta,
desde o Xingu até o alto Pacaás Novos e o Juru.

Se o homem a lei da floresta  respeitar,
e cuidar da vida com muito cuidado,
para o jarro na paz  perdurar,
e o fim por Sinaá continue guardado.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

José Feldman** (Crônicas em Versos Diversos) A Saudade que eterniza

Crônica em versos tendo por base a trova de A. A. de Assis* (Maringá/PR).
A saudade sintetiza,  
sonhos, glórias, sentimentos,  
como um filme que eterniza  
nossos melhores momentos.
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A Saudade que Eterniza

Na brisa suave da cidade,  
recordações vêm à tona,  
um sorriso, uma saudade,  
a vida que emociona.

Na infância, os risos claros,  
as brincadeiras no quintal,  
lembranças que já são raros  
tesouros de um tempo igual.

Os amigos, companheiros,  
nas aventuras afim,  
eram sonhos verdadeiros,  
um laço que era sem fim.

Mas o tempo é viajante,  
e leva o que se ama,  
transformando o amor constante  
em lembrança que se inflama.

Na juventude, a paixão,  
os olhares que se cruzavam,  
a dança em cada canção,  
os corações que pulsavam.

E na sombra da memória,  
os ecos vão ressoar,  
cada instante é uma história,  
um retrato a nos guiar.

Mas a vida é um filme,  
e as cenas vão mudando,  
a saudade é um sublime  
sentimento que vai brotando.

Às vezes, uma canção,  
um perfume no ar,  
trazem à tona a emoção,  
e nos fazem recordar.

E ao olhar para o passado,  
como um filme a rodar,  
percebo que o amor é legado,  
e sempre irá brilhar.

A saudade é um carinho,  
um abraço do que era,  
é um fio, um caminho,  
que nos une e que nos libera.

Porém, não é só tristeza,  
é também gratidão,  
por cada instante de beleza,  
e cada coração.

Assim, ao final do dia,  
quando a luz começa a se apagar,  
a saudade traz a alegria  
de saber que se vai amar.

Porque o amor é eterno,  
mesmo quando não satisfaz,  
na saudade, um terno  
reencontro que não se desfaz.

E ao fechar os olhos, em paz,  
veja cenas a rodar,  
a saudade é a voz que traz  
a vida a resgatar.

A memória é um presente,  
um tesouro a guardar,  
e na saudade latente,  
aprendemos a amar.

MORAL:
"A saudade sintetiza,  
sonhos, glórias, sentimentos,  
como um filme que eterniza  
nossos melhores momentos."
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* A. A. DE ASSIS (Antonio Augusto de Assis), poeta, trovador, haicaísta, cronista, premiadíssimo em centenas de concursos nasceu em São Fidélis/RJ, em 1933. Radicou-se em Maringá/PR desde 1955. Lecionou no Departamento de Letras da Universidade Estadual de Maringá, aposentado. Foi jornalista, diretor dos jornais Tribuna de Maringá, Folha do Norte do Paraná e das revistas Novo Paraná (NP) e Aqui. Algumas publicações: Robson (poemas); Itinerário (poemas); Coleção Cadernos de A. A. de Assis - 10 vol. (crônicas, ensaios e poemas); Poêmica (poemas); Caderno de trovas; Tábua de trovas; A. A. de Assis - vida, verso e prosa (autobiografia e textos diversos). Em e-books: Triversos travessos (poesia); Novos triversos (poesia); Microcrônicas (textos curtos); A província do Guaíra (história), etc.
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** JOSÉ FELDMAN, poeta, trovador, escritor, professor e gestor cultural. Formado em patologia clínica trabalhou por mais de uma década no Hospital das Clínicas de São Paulo. Foi enxadrista, professor, diretor, juiz e organizador de torneios de xadrez a nível nacional durante 24 anos; como diretor cultural organizou apresentações musicais e oficina de trovas. Morou 40 anos na capital de São Paulo, onde nasceu, ao casar-se com a professora e tradutora Alba Krishna mudou para o Paraná, radicando-se em Maringá/PR. Consultor educacional junto a alunos e professores do Paraná e São Paulo. Pertence a Confraria Luso-Brasileira de Trovadores (SP), Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura (SP), Academia Movimento União Cultural (SP), Academia Virtual Brasileira de Trovadores (RJ), Confraria Brasileira de Letras (PR), Ordo Equitum Calami et Calicis (Dux Magnus),, Academia de Letras de Teófilo Otoni (MG), Academia de Letras Brasil-Suiça (em Berna) etc. Certificados e Medalhas de Mérito Cultural de diversas Academias do Brasil, Portugal e Romênia. Possui os blogs Singrando Horizontes desde 2007, Voo da Gralha Azul (com trovas de trovadores vivos e falecidos). Assina seus escritos por Floresta/PR. Dezenas de premiações em crônicas, contos, poesias e trovas no Brasil e exterior.
Publicações: 
Publicados: “Labirintos da vida” (crônicas e contos); “Peripécias de um Jornalista de Fofocas & outros contos” (humor); “35 trovadores em Preto & Branco” (análises); “Caleidoscópio da Vida” (textos sobre trovas); "Almanaque Poético Brasileiro vol.1"; “Canteiro de trovas”; “Trovas de José Feldman e Izo Goldman” (Coleção Terra e Céu).
Em andamento: “Pérgola de textos”, "Chafariz de Versos", “Asas da poesia”, "Reescrevendo o mundo: Vozes femininas e a construção de novas narrativas", "Grinaldas Indígenas".

Fontes:
José Feldman. Chafariz de Versos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine.
Imagem criada por Jfeldman com IA Microsoft Bing

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Grinalda Indígena * 4 *

  

JOSÉ FELDMAN
(Floresta/PR)

LENDA DO PINHEIRO E A PALMEIRA

Nas terras do sul, o destino,
traçou um encontro de luz,
um amor puro e divino,
que ao horizonte conduz.

Havia um jovem guerreiro,
valente e de forte presença,
andava no mato certeiro,
com alma de fé e de crença.

A moça de graça infinita,
era a índia mais faceira,
a joia da mata, a mais dita,
bela na vida inteira.

Amavam-se contra o vento,
em tribos de guerra e rancor,
guardavam o seu sentimento,
num mundo sem paz e sem cor.

O ódio de velhos caciques,
barrava o sagrado querer,
erguendo cruéis tabiques,
proibindo o amor de crescer.

Fugiram na noite calada,
buscando o refúgio do chão,
a alma por Tupã abraçada,
num só e fiel coração.

Mas antes que o dia surgisse,
o destino os veio buscar,
para que o tempo os unisse,
tiveram que se transformar.

Ele virou um gigante,
o Pinheiro de copa pro céu,
com espinhos no corpo, constante,
combatendo o vento e o véu.

A moça virou a Palmeira fagueira,
crescendo ao lado de seu grande amor.
Vivem abraçados na mata inteira,
vencendo o tempo, o medo e a dor.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Guirlanda de Versos * 80 *



Cão de Rua

Homenagem ao Cão Orelha, brutalmente assassinado, e a todos os cães que vivem abandonados na rua

Nas ruas frias, sob o céu sombrio,
caminha o cão sem ter onde deitar,
tremendo a alma ante o sopro do rio,
sem uma mão que o venha acalentar.

Onde está o brilho da inteligência,
que o homem diz ser seu maior tesouro?
Se nega ao bicho a mínima clemência,
e ignora o mudo e triste choro.

Olhos que buscam um resto de carinho,
encontram apenas o peso do desdém,
feridos na carne, sozinhos no caminho,
por quem se julga um ser do além.

É este o topo da escala evolutiva?
Causar a dor em quem só sabe amar?
Manter a alma em jaula, reativa,
e o próprio sangue no asfalto derramar.

Tu, que constróis cidades e foguetes,
e te orgulhas de tanta consciência,
por que permites que o mal se complete,
nesta cruel e vil indiferença?

Senhor, acolhe o uivo na calçada,
do cão que apanha sem saber por quê,
pois na jornada dessa vida amarga,
ele é mais nobre do que quem não vê.

Que a luz alcance o peito do humano,
para que aprenda o que é lealdade,
pois não há erro ou pior engano,
que a falta de amor e de piedade.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Grinalda Indígena * 3 *


José Feldman (Floresta/PR)

GRALHA AZUL

Nas matas frias de verde pinheiro,
vivia a ave de penas comuns.
Sem o azulado do céu por inteiro,
buscava o brilho em tempos de jejuns.

Diz a lenda que o bicho dormia,
no galho seco que o vento balançou,
mas um machado, com fúria e agonia,
o pinheiral no chão derrubou.

A ave subiu ao reino do alto,
pedindo a Tupã um novo poder,
ganhou o manto do azul do planalto,
para as florestas de novo erguer.

Voltou à terra com foco e coragem,
colhendo o pinhão com o bico fiel.
Enterra a semente em cada pastagem,
sob a proteção do sagrado dossel.

É a Gralha Azul, que a mata semeia,
plantando a araucária no solo do sul,
enquanto o destino no bico se enleia,
pinta o destino em tom de azul.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Grinalda Indígena * 2 *



José Feldman (Floresta/PR)

HERÓIS DA TERRA

Em cada fibra que compõe o Brasil,
pulsa a batida do vosso tambor.
Longe do mito do povo servil,
ergue-se a força de um povo senhor.

Se a mata canta, é por vossa voz,
zelo que guarda o que o lucro consome.
Pois sem a terra, o que resta de nós?
Apenas o vazio e a sombra da fome.

Vossa presença é o norte fiel,
cura que nasce da raiz profunda.
Escrevem o mundo sem usar papel,
em uma sabedoria que o tempo inunda.

Sem o indígena, a pátria se esvai,
torna-se pó sob o asfalto sem vida.
Onde o espírito do ancião não cai,
a esperança se mantém erguida.

Corpo e alma de um solo sagrado,
pilar que sustenta o que ainda é real.
O Brasil verdadeiro está ao vosso lado,
sendo o princípio e o fim de seu ritual.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Grinalda Indígena * 1 *


José Feldman 
(Floresta/PR)

LOUVOR AOS POVOS INDÍGENAS

Piso este chão que o tempo consagrou,
nas matas vivas onde o sol se deita.
Pelo seu sangue a terra despertou,
nesta herança que a alma respeita.

Eu, que carrego a cor do invasor,
curvo meu peito à vossa resistência.
Pois contra o ódio e o braço opressor,
vós sois a vida e a pura consciência.

Guardais os rios, o sopro e o trovão,
antigos cantos que o vento propaga.
Mesmo no fogo da vil negação,
vossa verdade jamais se apaga.

Corpo de argila e alma de luz,
filhos da mata, de garra sem fim.
Vossa crença que a todos conduz,
é o que salva o que resta de mim.

Aos pés do tronco, o espírito é rei,
povo que luta, que planta e que sente.
Em cada passo que aqui caminharei,
honro o passado que faz o presente.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

José Feldman (Contos em Versos Diversos) O Custo da Vingança

Conto em versos tendo por base a trova de Arthur Thomaz (Campinas/SP):


Se a vingança é seu intento,  
pense antes de iniciar.  
Ela só traz sofrimento  
e o mal não vai reparar.
* * * * * * * *

Num vilarejo afastado,  
um jovem chamado Luan,  
sofreu por um amor sagrado,  
que foi roubado em um afã.

A bela Ana, seu encanto,  
partiu com um antigo rival,  
e o coração, em pranto,  
desejou um fim fatal.

"Se a vingança é meu caminho,  
irei fazer ele pagar!"  
Mas a voz da razão, com carinho,  
sussurrou: "Pense! Vai se machucar."

Ele ignorou o aviso,  
e armou um plano cruel,  
mas a raiva, em seu improviso,  
só trouxe um peso ao seu fel.

Cercou o rival numa noite,  
com sombras a lhe guiar,  
mas ao ver o homem em açoite,  
sentiu a dor a transbordar.

"Que ganho há em causar dor?  
Que paz se encontra no mal?"  
Pensou, enquanto ardia o amor,  
e a raiva tornava-se um sinal.

Naquele instante de fraqueza,  
viu a vida em sua essência.  
A vingança era só tristeza,  
um ciclo sem clemência.

Decidiu, então, recuar,  
deixou a espada de lado.  
E em vez de se vingar,  
optou por um novo fado.

Luan procurou Ana,  
com o peito a se abrir,  
"Perdoa minha alma leviana,  
eu só quero recomeçar a existir."

Ela olhou com surpresa,  
e as lágrimas brotaram.  
"Seu amor é a beleza  
que em meu peito sempre habitaram."

Assim, no lugar da vingança,  
brota um amor renovado,  
e a vida, em sua dança,  
mostra o quanto é sagrado.

Se a vingança é seu intento,  
pense antes de iniciar.  
Pois o amor é o verdadeiro alento  
e o mal não vai reparar.
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JOSÉ FELDMAN (71), poeta, trovador, escritor, professor e gestor cultural. Formado em patologia clínica trabalhou por mais de uma década no Hospital das Clínicas de São Paulo. Foi enxadrista, professor, diretor, juiz e organizador de torneios de xadrez a nível nacional durante 24 anos; como diretor cultural organizou apresentações musicais. Morou na capital de São Paulo, onde nasceu, em Taboão da Serra/SP, em Curitiba/PR, em Ubiratã/PR, em Maringá/PR. Consultor educacional junto a alunos e professores do Paraná e São Paulo. Pertence a diversas academias de letras, como Confraria Brasileira de Letras, Academia Rotary de Letras, Academia Internacional da União Cultural, Academia de Letras Brasil/Suiça, Confraria Luso-Brasileira de Trovadores, Academia de Letras de Teófilo Otoni, etc, possui o blog Singrando Horizontes desde 2007 e Pérgola de Textos, com textos de sua autoria. Assina seus escritos por Floresta/PR. Dezenas de premiações em crônicas, contos, poesias e trovas no Brasil e exterior.
Publicações de sua autoria “Labirintos da vida” (crônicas e contos); “Peripécias de um Jornalista de Fofocas & outros contos” (humor); “35 trovadores em Preto & Branco” (análises); “Canteiro de trovas”; “Pérgola de textos” (crônicas e contos), “Caleidoscópio da Vida” (textos e versos sobre trovas) e “Asas da poesia”.

Fontes:
José Feldman. Caleidoscópio da vida. Floresta/PR: Plat. Poe. Biblioteca Voo da Gralha Azul.
Imagem criada por Jfeldman com IA Microsoft Bing