quinta-feira, 12 de março de 2026

José Feldman (O Tinteiro de Areia e o Visitante de Luz)


O casarão de Tomás cheirava a papel antigo e chá esquecido. Aos oitenta anos, o escritor era uma ilha cercada por um oceano de silêncio. Seus livros, outrora lidos, agora repousavam em estantes cobertas de pó, e a caneta tinteiro sobre a mesa parecia um monumento a uma era que já não lhe pertencia. Ele não esperava visitas, não desejava fama e, acima de tudo, não tinha mais aspirações.

Ele estava sentado em sua poltrona de couro puído, observando a poeira dançar em um raio de sol, quando notou alguém encostado na estante de clássicos. Não era um homem comum. A figura vestia uma túnica que parecia tecida com a névoa da manhã e seus olhos mudavam de cor conforme ele respirava.

— Você está atrasado para o chá, Tomás — disse o visitante, com uma voz que ressoava como o som de águas calmas.

Tomás não se assustou. A essa altura da vida, a fronteira entre o sonho e a vigília era uma linha tênue e borrada.

— Eu não fiz chá para dois — respondeu o velho escritor, sem se mexer. — E, se você é fruto da minha demência, espero que seja pelo menos um interlocutor interessante.

O estranho sorriu, e a sala pareceu aquecer dois graus.

— Alguns me chamam de anjo, outros de inspiração. Eu prefiro pensar que sou apenas alguém que veio lhe lembrar do que você esqueceu enquanto olhava para as suas derrotas.

— Vitórias e derrotas... — Tomás soltou um riso seco. — Palavras vazias para quem terminou a jornada sozinho. Eu escrevi milhões de palavras, e hoje elas não passam de alimento para traças. Minha vida foi uma sucessão de tentativas fracassadas de ser "grande".

O visitante caminhou até a mesa e tocou um dos manuscritos inacabados.

— Você persegue a "Grande Vitória", Tomás. Aquela que brilha como um farol, mas que é perigosa. Grandes triunfos são como acrobatas se equilibrando em um arame alto; um sopro de vaidade e tudo desmorona. O que você não vê são as pequenas vitórias.

— Pequenas vitórias não mudam o mundo — rebateu o velho, amargurado.

— É aí que você se engana — disse o anjo, aproximando-se. — Uma praia majestosa não é um bloco maciço de pedra. Ela é composta por bilhões de pequeninos grãos de areia. Cada frase que você escreveu, cada gesto de honestidade em seus textos, é um grão. Sozinho, parece insignificante. No conjunto, ele sustenta o peso do oceano.

— Ninguém lê o que eu escrevo — sussurrou o escritor. — Não tenho família, não tenho amigos. Sou um zero à esquerda na soma do universo.

O visitante colocou a mão sobre o ombro dele. O toque era leve, mas carregava uma autoridade milenar.

— Você acha que não significa nada? Neste exato momento, em uma cidade que você nunca visitou, um jovem está lendo um parágrafo que você escreveu há quarenta anos. Aquele parágrafo o impediu de desistir de si mesmo hoje. Você tem valor, Tomás. Um valor imenso para alguém que você nem sabe que existe. Você faz parte de um conjunto maior, uma tapeçaria onde cada fio, por mais escondido que esteja, segura a estrutura toda.

Tomás sentiu uma pontada no peito. Não era dor, era algo que ele não sentia há décadas: a percepção de pertencimento.

— Então... eu não estou sozinho?

— Nunca esteve. A sua reclusão é física, mas a sua alma está espalhada em cada mente que foi tocada pela sua verdade. Não despreze o pequeno. O eterno é feito de instantes miúdos.

O anjo começou a desvanecer, tornando-se novamente poeira dourada sob o raio de sol. Antes de sumir completamente, sua voz ecoou uma última vez:

— Escreva mais uma linha hoje, Tomás. Apenas uma. O grão de areia de hoje é o que manterá a praia de amanhã.

Tomás olhou para a caneta. Sua mão tremia, mas não de fraqueza. Ele a molhou no tinteiro e, no papel em branco, escreveu uma única frase sobre a luz. Ele não sabia se era realidade ou imaginação, mas pela primeira vez em anos, ele se sentiu em casa.

Moral: 
A verdadeira grandeza não reside em um único feito monumental, mas na soma das pequenas e silenciosas contribuições que, como grãos de areia, formam o solo onde outros caminharão.
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JOSÉ FELDMAN (71), poeta, escritor, professor e gestor cultural de Floresta no estado do Paraná. Pertence a diversas academias de letras do Brasil, Portugal, Suíça e Romênia. Dezenas de premiações em crônicas, contos, poesias e trovas no Brasil e exterior. 7 livros publicados. Editor dos blogs Singrando Horizontes, Pérgola de Textos, Chafariz de Versos e Voo da Gralha Azul (dedicado à trova).

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O Folclore da Bélgica


A Bélgica guarda um folclore menos conhecido internacionalmente, mas igualmente rico — um emaranhado de contos e lendas que nasce das suas cidades medievais, das planícies costeiras, das colinas da Ardenha e das vielas onde se cruzam línguas e culturas. Essas histórias, passadas de geração em geração, revelam um imaginário onde o cotidiano encontra o fantástico, e onde o humor, o medo e a sabedoria popular convivem com naturalidade.

Muitos relatos belgas brotam de locais específicos: castelos, pontes, moinhos e bosques. As Ardenas, com suas florestas fechadas e penhascos, são cenário recorrente para narrativas de espíritos, cavaleiros errantes e aparições noturnas. Nesses contos, a natureza parece ter memória própria; trilhas e rochas carregam histórias de amores perdidos, pactos antigos e advertências para os imprudentes. Nas cidades, lendas sobre sinos, prisioneiros e mercadores dão forma a uma memória urbana que mistura fatos históricos e imaginação.

Uma figura que atravessa muitas tradições locais é a do fantasma — nem sempre aterrador, por vezes dramático ou até melancólico. Contam-se histórias de almas que voltam para resolver injustiças do passado, proteger tesouros esquecidos ou simplesmente repetir um gesto até encontrarem descanso. As histórias de assombrações belgas frequentemente têm um tom moral: servem como lembretes sobre honra, dívida e reparação.

A Bélgica também é terra de criaturas pequenas e brincalhonas do folclore, como fadas e seres domésticos que, segundo as crenças antigas, podem ajudar nas tarefas da casa ou pregar peças em quem é displicente. Esses seres refletem uma relação íntima com o cotidiano — explicam pequenos acontecimentos, ajudam a preservar tradições e alimentam o senso de maravilha entre crianças e adultos.

Carnavais e festas locais trazem outro tipo de lenda: personagens mascaradas, rituais que misturam sátira e rito, e símbolos de fertilidade e renovação. Exemplos como o Carnaval de Binche, com seus Gilles, mostram como a tradição pode transformar história, música e traje em narrativas vivas, que conectam comunidade e território. Esses eventos preservam mitos e comportamentos antigos, convertendo-os em espetáculo coletivo e património cultural.

Também há contos que se ligam à disseminação cultural do país — onde influências flamengas, valonas e francófonas se entrelaçam, e onde ecos de mitos germânicos, latinos e celtas aparecem mesclados. Assim, as lendas belgas podem variar bastante de região para região, mas carregam um fio comum: a tentativa de explicar o mundo, preservar a memória e criar laços sociais através da narrativa.

No fundo, os contos e lendas da Bélgica não são apenas curiosidades folclóricas; são espelhos da vida comunitária. Contá-los é reafirmar identidades locais, ensinar valores e celebrar o lugar onde se vive. Ao ouvir essas histórias — de castelos enevoados, de pequenas fadas domésticas ou de festas ruidosas — aproximamo-nos de uma Bélgica menos turística e mais íntima, feita de histórias que nos lembram que o passado continua a falar, em sussurros e ritos, pelas ruas e pelos bosques.

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Laé de Souza (Tira o Dez)


Nunca fui bom de bola. Nem nos tempos de colégio, quando era sempre o último escolhido e, como peso morto, entrava para jogar no gol. Os ruins no campo iam para o gol e mesmo como goleiro eu era péssimo, reconheço. Num país do futebol, é muito desagradável não saber lidar com a bola. Assim, numa época fazia aulas, treinava embaixadas em casa, queria aprender mesmo. Mas não deu resultados. Nunca consegui entender as jogadas ensaiadas, dar dribles. Acreditem, nunca passei com a bola por um adversário e poucas vezes consegui retirar a bola de um atacante. Sonhava dando bicicletas, “chapelando” o adversário, fazendo gols fenomenais, a plateia vibrando, os companheiros me abraçando, sendo disputado pelos times, na hora do jogo, e levantava disposto a mudar a história. Mas, na hora H, qual nada. Ficava entrevado que não tinha jeito.

O tempo foi passando, continuava batendo minha bolinha, sem muita responsabilidade, irritando um ou outro parceiro do time em que estava jogando, mas a meu ver, o que valia era o exercício e o divertimento. Mas mudei de ideia num jogo em que disputavam um troféu a Rua de Baixo e a Rua de Cima. A coisa era pra valer. E, naquele memorável domingo, com o campo esburacado, porém, demarcado e enfeitado com bandeirolas, com juiz, bandeirinhas e torcida, nós, da Rua de Baixo, entramos em campo sob aplausos. Eu com a responsabilidade da camisa dez, confiante, pensamento firme, mentalizava “É hoje meu dia” e fazia flexões e alongamentos num aquecimento para o jogo.

Estávamos perdendo, mas ainda tinha jeito de recuperar. Eu ainda estava esperançoso até o momento em que ouvi um molequinho de seus doze anos gritar “Tira o dez”. Se fosse uma vez só, tudo bem. Mas o sapeca insistia “Troca o dez! O dez tá acabando com o nosso time.” E cutucava o pai apontando-me toda vez que a bola vinha na minha direção. E quem diz que eu conseguia tocar na bola? Travava e suava frio e não conseguia tirar os olhos do guri. Sem reservas no time, só vendo o adversário fazer gols e mais gols, e eu pedia a Deus que o jogo terminasse logo. 

No intervalo, quis fugir, mas me fizeram voltar na marra. Trocamos de lado no campo, o que foi pior, pois eu ficava bem de frente para o moleque que balançava a cabeça a cada erro meu. Que visão de jogo a do garoto! Com certeza, hoje deve ser técnico de algum time grande. Se bem, como disse o Sapo (técnico do time), quando comentei do garoto “Para ver que o problema era tu, não precisava ser bom.” 

A partir dali, resolvi parar de jogar. Sempre que surgia um jogo, na empresa ou numa reunião de amigos, eu me esquivava. Outro dia, num churrasco de final de ano, resolveram formar times para um bate-bola. O Com-camisa, completo; o Sem-camisa, faltando um. Insistiram. Falei que não tinha calção, tênis, que não jogava direito, mas não teve jeito. Inventei que não podia ficar sem camisa, mas me trocaram com outro jogador do Com-camisa. Enfim, lá estava eu em campo e de novo com a camisa dez. As mulheres e filhos torcendo. Mas não tinha jeito, pra todo lado que olhava, eu via um molequinho apontando para mim. Não toquei na bola durante todo o jogo e, na bebedeira do churrasco, fui objeto de galhofa.

Hoje, em qualquer confraternização, vou de pé engessado e jurei nunca mais entrar em campo pra defender time de ninguém.
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LAÉ DE SOUZA é cronista, poeta, articulista, dramaturgo, palestrante, produtor cultural e autor de vários projetos de incentivo à leitura. Bacharel em Direito e Administração de Empresas, Laé de Souza, 55 anos, unifica sua vivência em direito, literatura e teatro (como ator, diretor e dramaturgo) para desenvolver seus textos utilizando uma narrativa envolvente, bem-humorada e crítica. Nos campos da poesia e crônica iniciou sua carreira em 1971, tendo escrito para "O Labor"(Jequié, BA), "A Cidade" (Olímpia, SP), "O Tatuapé" (São Paulo, SP), "Nossa Terra" (Itapetininga, SP); como colaborador no "Diário de Sorocaba", O "Avaré" (Avaré, SP) e o "Periscópio" (Itu, SP). Obras de sua autoria: Acontece, Acredite se Quiser!, Coisas de Homem & Coisas de Mulher, Espiando o Mundo pela Fechadura, Nos Bastidores do Cotidiano (impressão regular e em braille) e o infantil Quinho e o seu cãozinho - Um cãozinho especial. Projetos: "Encontro com o Escritor", "Ler É Bom, Experimente!", "Lendo na Escola", "Minha Escola Lê", "Viajando na Leitura", "Leitura no Parque", "Dose de Leitura", "Caravana da Leitura”, “Livro na Cesta”, "Minha Cidade Lê", "Dia do Livro" e "Leitura não tem idade". Ministrou palestras em mais de 300 escolas de todo o Brasil, cujo foco é o incentivo à leitura. "A importância da Leitura no Desenvolvimento do Ser Humano", dirigida a estudantes e "Como formar leitores", voltada para professores são alguns dos temas abordados nessas palestras. Com estilo cômico e mantendo a leveza em temas fortes, escreveu as peças "Noite de Variedades" (1972), "Casa dos Conflitos" (1974/75) e "Minha Linda Ró" (1976). Iniciou no teatro aos 17 anos, participou de festivais de teatro amador e filiou-se à Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Criou o jornal "O Casca" e grupos de teatro no Colégio Tuiuti e na Universidade Camilo Castelo Branco. 

Fontes:
Laé de Souza. Espiando o Mundo pela Fechadura: crônicas. SP: Ecoarte, 2018.
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quarta-feira, 11 de março de 2026

Asas da Poesia * 160*


Poema de
WASHINGTON DANIEL GOROSITO PÉREZ
Irapuato/ Guanajuato/ México

Alçando voo

Uma realidade construída,
entre sonhos e realidades,
desdobrando metáforas
letra por letra,
construindo palavras
meticulosamente,
buscando novas coordenadas para o caminho,
em uma conjunção de silêncios,
rompendo
o eco da perpetuidade,
refletido em uma lua
vermelha e negra
com sombras arredondadas.

Abrindo braços como pássaros,
alçando voo.

Destino:
alcançar o amanhecer
perseguindo a lua
contemplando o horizonte eterno,
dando à luz versos
entre a noite e o alvorecer. 
(tradução do espanhol por José Feldman)
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Poema de
JOAQUIM CARDOSO
Joaquim Maria Moreira Cardozo
Recife/PE, 1897-1978, OlindaPE

Chuva de caju

Como te chamas, pequena chuva inconstante e  breve?
Como te chamas, dize, chuva simples e leve?
Tereza? Maria?
Entra, invade a casa, molha o chão,
Molha a mesa e os livros.
Sei de onde vens, sei por onde andaste.
Vens dos subúrbios distantes, dos sítios aromáticos.
Onde as mangueiras florescem, onde há cajus e mangabas,
Onde os coqueiros se aprumam nos baldes dos viveiros
E em noites de lua cheia passam rondando os maruins:
Lama viva, espírito do ar noturno do mangue.
Invade a casa, molha o chão,
Muito me agrada a tua companhia,
Porque eu te quero muito bem, doce chuva,
Quer te chames Tereza ou Maria.
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Soneto de
CLÁUDIA DUTRA GALLO
Rio de Janeiro/RJ

Espectro de natal

O brilho das luzes já se faz presente.
Na praça o presépio, a grande aventura.
No ar um aroma de doce e candura.
Nos rostos os risos, os ares contentes.

Na chuva miúda promessas de paz.
Nas mãos as sacolas, muitos presentes.
As ruas bonitas tão cheias de gente
Rindo, apressadas, em busca de mais.

Jogado à sarjeta, num canto escuro,
Um ente sofrido encostado no muro
Estende ao mundo seu olho comprido.

Parece um fantasma assombrando a festa
Lembrando às pessoas ali manifestas:
-Não existe Natal para os esquecidos!
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Trova Premiada em Vila Velha/ES, 2018, de
LUZIA BRISOLLA FUIM 
São Paulo/SP

Ao romper os horizontes,
em seus muares cargueiros,
tropeiros teceram pontes
integrando os brasileiros!
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Poema de
IEDA ESTERGILDA DE ABREU
São Paulo/SP

P de palavra e pedra

Palavras às vezes pesam como pedras
ferem a boca como pedra que se mastiga.
Agudas, acertam rápidas como pedras
dirigidas
esfriam como pedras frias na boca
ressentida
pensam e "pedram" como pedras no caminho.
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TROVA POPULAR

Quem quiser ter vida longa
fuja sempre que puder
do médico, boticário,
melão, pepino e mulher.
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Soneto de
LAÉRCIO BORSATO
Poços de Caldas/MG

A orquídea

NA ENTRADA da casa, a orquídea abriu
Seu vasto sorriso, lilás e amarelo.
O verde das folhas também aderiu,
Esbanjando um quadro, nobre e mui belo!

Da sacada eu contemplo de perfil
Essa obra que Deus, de modo singelo,
Mormente nos recantos de meu Brasil,
Faz da graça e da beleza, um forte elo!

Quem passar por ali, sentirá a candura
Dessa flor, que com delicadeza pura,
Indelével toca o coração humano...

Nesse meditar a minha alma cogita.
Meu ser acende, se rende e acredita:
Isso só é possível, com toque soberano!
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Poema de
TARSO DE MELO
Santo André/SP

Seus cacos 

ao alcance do olho
estilhaços: um cão late
ao longe, talvez ao acaso

o que sobra da vida
entre um e outro passo

poça, o que fica da chuva

como uma flor — precisa
em seus disparos; a dor
como presença
nos detalhes; o corpo de
uma cor, seus claros

espaço que se abre
temporário
no agosto desse concreto
armado
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Trova de
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
São Paulo/SP

"No fogão eu passo o dia",
disse ele antes de casar.
Só não disse pra Maria
que o tal "fogão"... era um bar!
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Soneto de
JORGE CARDOZO
Nova Iguaçu/RJ

O Poeta e a Dor

Desabita de mim esta tristeza,
Que não cabe num corpo tanto mal.
Toda febre agora ficou fria.
Todo doce tornou-se agora sal.

Que se afaste de mim a taça escassa
Onde o vinho vinagre se tornou.
Uma dor verdadeira que não passa,
Mesmo o tempo passando; e passou.

Um poeta falou por toda a praça
(E virou do seu tempo professor)
A pergunta proposta pela esfinge:

Se ao poeta de fato nada atinge,
Ou se finge a dor completamente,
Como agir, se a dor deveras sente?
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Spina de
SOLANGE COLOMBARA
São Paulo/SP

O som do silêncio 

Ouvindo meu silêncio,
liberto este momento
disfarçado em dilema,

em um aroma de alfazema. 
A vida devolve em sorrisos
a esperança, abre a algema
do meu silêncio, que enreda
linhas de um singelo poema.
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Soneto de
LUCAS MUNHOZ
Indaiatuba/SP

O pássaro

Canto-te, saio da gaiola e vivo
Cantando a linda melodia e o canto,
Que voa, aninha e memoriza em pranto...
Com que precises do carinho ativo.

Quem ama o dono do balsão passivo,
É cuidadoso... É o coração do encanto!
Para abraçar e eternizar, portanto...
Se és amoroso, isso é bonito! Eu privo!

Solta a cadeia e ama o bichinho amado!
Um sentimento do maior cuidado!
Que o deixes livre, totalmente belo.

Mas ele volta, eis a alegria amável
E muito fofa, em reviver notável,
É bom sorrir alegremente a vê-lo.
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Poema de
VERA LÚCIA DE OLIVEIRA
Cândido Mota/SP

Andorinhas

Estou de bem com o mundo até
um tanque de guerra se cansa
da guerra até um pássaro para
para
repousar

e depois o céu hoje é de um
azul que faz mal aos olhos
agudo que a gente fica ali
barriga pro ar
admirando as andorinhas
    que volteiam
matutando no que pensam lá no alto
no que
sabem
se sabem que estou de bem com o mundo
que volteiam lá em cima também para mim
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Pantun de
PROFESSOR GARCIA
Caicó/RN

Pantun da vida circense

TEMA:
No picadeiro da vida
às vezes somos palhaços:
com atitude fingida
maquiamos os fracassos.
Hélio Pedro 
Natal/RN

PANTUN:
Às vezes somos palhaços:
E nesse circo sem pano,
maquiamos os fracassos
ante a incerteza e o engano.

E nesse circo sem pano,
com tanta banalidade,
ante a incerteza e o engano,
as marcas vis da maldade.

Com tanta banalidade,
vê-se em qualquer direção,
as marcas vis da maldade
moldando as marcas no chão.

Vê-se em qualquer direção,
a maldade desmedida,
moldando as marcas no chão
no picadeiro da vida.
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Hino de 
PEDRO LEOPOLDO/ MG

Pedro Leopoldo ditosa,
"progressista do sertão"
Cidade boa e formosa
de teus filhos és rincão!

Entre matas já frondosas
e colinas bem garbosas
margeando a ferrovia,
tu nasceste mui gentil,
tendo, a porta, a rodovia
mais bonita do Brasil!

Tua origem é singela,
A história nos revela,
grandes vultos de coragem
transformaram a ribeira
numa indústria: tecelagem
com a bela cachoeira!

Pedro Leopoldo ditosa,
"progressista do sertão"
Cidade boa e formosa
de teus filhos és rincão!

Veneramos com carinho
o artista "Aleijadinho"
escultor do belo altar
lá na Quinta, Sumidoro;
onde foram explorar
bandeirantes minas d'ouro!

Com as lindas cachoeiras
e a riqueza das pedreiras
tens progresso e muita vida
e belezas naturais,
cada vez mais conhecida
vais ficando nas "Gerais"! (bis) 
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Poema de
PAULO HENRIQUES BRITTO
Rio de Janeiro/RJ

II

As coisas que te cercam, até onde
alcança tua vista, tão passivas
em sua opacidade, que te impedem
de enxergar o (inexistente) horizonte,
que justamente por não serem vivas
se prestam para tudo, e nunca pedem

nem mesmo uma migalha de atenção,
essas coisas que você usa e esquece
assim que larga na primeira mesa —
pois bem: elas vão ficar. Você, não.
Tudo que pensa passa. Permanece
a alvenaria do mundo, o que pesa.

O mais é enchimento, e se consome.
As tais formas eternas, as ideias,
e a mente que as inventa, acabam em pó,
e delas ficam, quando muito, os nomes.
Muita louça ainda resta de Pompeia,
mas lábios que a tocaram, nem um só.

As testemunhas cegas da existência,
sempre a te olhar sem que você se importe,
vão assistir sem compaixão nem ânsia,
com a mais absoluta indiferença,
quando chegar a hora, a tua morte.
(Não que isso tenha a mínima importância.)
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Fábula em Versos de
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França

Os tavões* e as abelhas

Na produção se reconhece o artífice.
Alguns favos de mel não tinham dono:
Logo a si os chamaram os tavões;
As abelhas, opondo-se, levaram
O pleito a certa vespa. Era difícil
De tirar deste caso as conclusões.

Depondo, as testemunhas declararam
Que alados animais, um tanto longos,
Zumbindo, escuros, tais como as abelhas,
Rondando os favos por ali andaram.
Mas, ah! que nos tavões estes sinais
São os mesmos — tais quais.

Não sabendo que opor a estas razões,
A vespa quis mais luz e decidira
Tirar, segunda vez, inquirições.
Ouviu um formigueiro;
Mas o caso, ainda assim, que era intricado,
Ficara no tinteiro.

Uma abelha ladina exclama então:
«A que vem para aqui, fazem favor,
Todo este arrazoado?
Há seis meses que o pleito está pendente.
E nós como a princípio, exatamente.
Com a tardança o mal ganha bolor.

Decida-se o juiz;
Já nos levou a pele como bem quis.
Nós agora sem réplicas nem tréplicas,
Sem contraditas mais, nem mais farragem,
Mãos à obra, e munidas de coragem,
De par com os tavões a trabalhar,
Deste mimoso suco a ver quem sabe
Tão primorosas celas fabricar.»

Recusando os tavões, claro se via
Que o seu estreito engenho não podia
Tal arte exercitar.
Julgando a vespa, então, à parte contra
O mel foi dar.

Provera a Deus que todos os processos
Se julgassem assim. Ah! quem seguira
O método dos turcos neste ponto —
O bom senso de código servira!
Não se fora o melhor gasto nas custas:
Não fôramos sugados, arrasados,
Com delongas constantes:
Afinal o juiz faz-se com a ostra,
E atira com a casca aos litigantes!
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* Tavões = mutucas, moscões.
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Mensagem na Garrafa 156 = O Barbeiro


AUTOR ANÔNIMO

Um homem foi cortar o cabelo e a barba. Como sempre acontece, ele e o barbeiro ficaram conversando sobre várias coisas, até que por causa de uma notícia de jornal sobre meninos abandonados, o barbeiro afirmou:

- Como o senhor pode ver, esta tragédia mostra que Deus não existe.

- Como?

- O senhor não lê jornais? Temos tanta gente sofrendo, crianças abandonadas, crimes de todos os tipos. Se Deus existisse, não haveria tanto sofrimento.

O cliente ficou pensando, mas o corte estava quase no final, e resolveu não prolongar a conversa.

Voltaram a discutir temas mais amenos, o serviço foi terminado, o cliente pagou e saiu.

Entretanto, a primeira coisa que viu foi um mendigo com a barba de muitos dias e cabelos desgrenhados. Imediatamente, voltou para a barbearia e falou para a pessoa que o atendera :

- Sabe de uma coisa? OS BARBEIROS NÃO EXISTEM!

- Não existem? Eu estou aqui e sou barbeiro.

- Não existem! - insistiu o homem. Por que se existissem, não haveria pessoas com barba tão grande e cabelo tão desgrenhado como o que acabo de ver na esquina.

- Posso garantir que os barbeiros existem. Acontece que este homem nunca veio até aqui, se viesse, eu faria o serviço gratuitamente, por caridade.

- Exatamente! Então para responder-lhe, Deus também existe. O que passa é que as pessoas não vão até Ele. Se O buscassem, seriam mais solidários e não haveria tanta miséria no mundo.

Célio Simões (O nosso português de cada dia) “Além da queda, o coice!...”


Osvaldo Sargentelli, radialista, apresentador de televisão e empresário brasileiro, que se autodefinia como "mulatólogo" e foi um dos grandes ícones da história do samba no Brasil (tanto que na data de seu aniversário é comemorado o Dia da Mulata) e alegrou as noites cariocas enquanto viveu, nos magníficos shows que apresentava na década de 70 na boate "Oba-Oba", contava sempre que podia uma piada de gosto duvidoso (eu diria que péssimo gosto), mas que levava o público a não conseguir conter o riso. 

Dizia ele que um médico, desses cuja sutileza se compara a uma jamanta desgovernada, entrava no quarto de um paciente em grave situação de saúde e foi direto ao assunto:

- Amigo, tenho duas notícias para lhe dar. Uma ruim e a outra pior...

- O enfermo, em desespero, indagou o que de tão ruim estaria acontecendo com ele.

- É que infelizmente, o senhor só tem 24 horas de vida...

- Meu Deus doutor! Existe notícia pior do que essa?

- Sim amigo, é que me eu esqueci de lhe dizer isso ontem!...

Essa situação fictícia, bolada pelo famoso apresentador para divertir seu público, é uma típica situação em que cabe, em sua inteireza, a expressão popular objeto do tema de hoje, que denota o acúmulo sequencial de infortúnios. 

Ela significa que, após um fracasso, erro inicial, perda de prestígio, demissão do emprego, fracasso financeiro ou prejuízo (a queda), a pessoa ainda sofre uma consequência negativa adicional, desproporcional ou humilhante, espécie de golpe final que agrava sobremaneira uma situação por si já muito ruim (que é o coice). A metáfora demonstra que uma situação que poderia ser apenas passageiramente negativa, reveste-se de gravidade, às vezes até trágica, com o segundo revés sofrido logo em seguida pelo seu infeliz protagonista. 

É induvidoso que tal expressão surgiu no meio rural, nas fazendas mineiras e paulistas do fim do segundo império, onde começava a despontar a atividade pecuária com alternativa ao plantio do café e da cana de açúcar. 

Vaqueiros, jóqueis e quem já cavalgou ou cavalga com regularidade, tem pleno conhecimento de que ao eventualmente cair do cavalo, ainda corre o risco de, estando no chão, ser atingido pelo coice do animal, principalmente quando ele, embora manso, por algum motivo resta assustado ou indócil, tornando o acidente muito mais grave (para quem não sabe, o coice de um cavalo é poderoso, pois é capaz de gerar uma força superior a 2.000 libras por polegada quadrada,  equivalendo a mais de uma tonelada de força em impacto, capaz de quebrar ossos, amassar metal e produzir ferimentos fatais ou muito graves). 
 
Expressão tão corriqueiramente empregada por todo mundo, inclusive no contexto esportivo (como no futebol, por exemplo, "DEPOIS DA QUEDA, O COICE" se diz abertamente, como gozação, quando determinado time nada ganha no Brasileirão e ainda perde desastradamente o campeonato regional para o tradicional rival). 

Na música brasileira, os Paralamas do Sucesso, célebre banda de rock brasileira formada em 1982 no Rio de Janeiro, tendo como principais integrantes Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, não deixaram por menos e lançaram como mais um de seus muitos sucessos, a música com título similar - "Depois da Queda o Coice", cuja estrofe inicial 

"Hey na na na!"
Depois da queda, o coice
O selo do castigo
Pra uns só traz a foice
Pra outros traz alívio
Dançando toda a noite
Bem rente ao precipício
Depois de tanto açoite
A dor virou teu vício...

A referida expressão não chega ao status desmoralizando de uma outra, infinitamente mais cruel, que é "chutar cachorro morto", traduzida como aquela situação em que alguém tripudia sem consideração ou piedade em cima de quem já está no fundo do poço e não tem meios para esboçar qualquer reação - mas sim, tem como foco o fato de que o infortúnio veio logo após o primeiro desastre, seja ela qual for ou de que tamanho for.
 
Em resumo, pode-se afirmar que essa máxima descreve uma situação que vai de "mal a pior", onde o problema inicial, por si já bastante grave, vem em seguida acompanhado de um castigo extra, como uma espécie de “bis in idem” que vitima qualquer pessoa, que ainda por cima fica com a fama de “rei da urucubada”, má sorte, “zica” ou energia negativa que persegue e não livra a cara de ninguém. 
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(*) CÉLIO SIMÕES DE SOUZA é paraense, advogado, pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho, escritor, professor, palestrante, poeta e memorialista. É membro da Academia Paraense de Letras, membro e ex-presidente da Academia Paraense de Letras Jurídicas, fundador e ex-vice-presidente da Academia Paraense de Jornalismo, fundador e ex-presidente da Academia Artística e Literária de Óbidos, membro da Academia Paraense Literária Interiorana e da Confraria Brasileira de Letras em Floresta(PR). Foi juiz do TRE-PA, é sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, fundador e membro da União dos Juristas Católicos de Belém e membro titular do Instituto dos Advogados do Pará. Tem seis livros publicados e recebeu três prêmios literários.

Fontes:
Texto e imagem enviados pelo autor. 

terça-feira, 10 de março de 2026

Geraldo Pereira (Cão sem gravata)


Acontecem umas coisas aqui por casa, francamente, que o diabo duvida de costas. No entendimento de certos amigos meus, inclusive, tenho particular atração pelo inusitado, pelo diferente, nas chamadas ocorrências da vida. Dia desses, até, um sábado à noite, os ponteiros do relógio se preparavam para o derradeiro abraço ou para o primeiro dos amplexos de um domingo emergente, quando bateram à porta. Fui receber temeroso, pois que a hora já era aquela das entregas aos braços de Morpheu, o deus mitológico do sono e dos oníricos devaneios. 

Era um homem, então, com sinais mais do que evidentes de comprometimento etílico e a indagação foi das mais complicadas de meu tempo nesses convívios terrenos: “Meu senhor, por favor! Onde eu moro?” 

Ora, prezado amigo, respondi a rogo, “como posso saber disso, se o senhor, mesmo, ignora a rua e a casa!” 

O penitente das exigências de Baco explicou-se assim: “É que fizeram a mudança hoje e sei, apenas, das características do lugar. Nada mais!” 

E fez a descrição precisa, levando-me à identificação, com sucesso, de seu novo apartamento. Recomendei, todavia, a aquisição do guia que escreveu o Mestre de Apipucos, para as suas futuras incursões farristas. Foi pior, pois quase me leva ao debate da obra inteirinha do sociólogo pernambucano, a quem conhecia pelos escritos.

Muito pior tem sido lidar com o cão daqui de casa, Yuri de prenome, sem pedigree e sem sobrenome, dado à pesquisa sistemática nas latas de lixo e noutros depósitos parecidos. O bicho não pode sair à rua, porque ladra para toda a gente que passa, causando pânico, verdadeiramente, dentre os transeuntes, às vezes pacatos, mas noutras ocasiões, enfurecidos e com razão. Tem por costume desaparecer e vagar pela Boa Vista ou pelos bairros adjacentes, especialmente quando encontra parceira canina disposta aos amores nas praças do lugar. Nas primeiras experiências do animal, tomado agora por vagabundo, ouvia-se por cá o pranto desesperado das meninas, mas depois todos se acostumaram com as fugas não aprazadas. 

Num sábado à noite, também, bateu à porta um dos vigias da redondeza e expressou as suas questões em relação ao cachorro. É que estando em seu local de trabalho, mesmo que às voltas com repetidas doses do produto derivado da cana-de-açúcar, contando com os serviços auxiliares de uma cadela, viu-se invadido pelo danado do canídio. Assim, sequestrou o animal e para a sua liberação arbitrara resgate de R$1,00. Mostrei que estava inflacionando o mercado e contribuindo para a falência da estabilização da moeda, mas não houve jeito: “O resgate ou a vida!” Paguei, então, porque tempo é ouro e discutir com sequestrador nem por telefone!

De outra feita, estava bem sentado numa solenidade na Sociedade de Medicina, posto à mesa da presidência, por generosidade do professor Miguel Doherty, inglês de nascimento, mas pernambucanizado já, quando surge o endiabrado do cão à porta, fazendo força com o focinho para abrir e por certo quer entrar. Não sei se, na verdade, tomaria assento comigo, no lugar da pompa, ou se pelo auditório faria opção. Fiz como muita gente faz com o semelhante, quando tomada pelo poder ou por outros ganhos e benesses da existência: virei a cara, fazendo que não via a inusitada figura. 

O cachorro, notando o desprezo emergente, retirou-se e foi me aguardar na rua, pastorando o povo que do teatro vinha saindo. Soubesse desse desejo do animal, tinha dado um nó numa gravata velha e muito usada e com esse adereço pedido ao Doherty a entronização do canídeo. 

Ao tomar o carro para voltar, o flanelinha, integrante dessa nova maneira de ser e de ganhar a vida, indagou: “O cachorro é do senhor?” Sim, respondi. É que desde sua chegada que o espera, depois de ter entrado, mais de uma vez, na Sociedade. Ainda quis tomar o automóvel comigo e fazer o caminho de volta, mas companhias assim, dispenso! Bicho danado esse! Chegou a derrubar uma porta, na casa de veraneio, contanto que se juntasse à cadela, uma poodle das estimas da patroa. Ah porta vagabunda!

E o cão sem gravata vive assim, enlouquecido e enlouquecendo toda a gente.
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Geraldo José Marques Pereira nasceu em Recife/PE, em 1945 e faleceu na mesma cidade em 2015, formou-se em Medicina na UFPE em 1986. Fez o mestrado no Departamento de Medicina Tropical da instituição, do qual se tornou coordenador posteriormente. Foi diretor do Centro de Ciências da Saúde e fundou o Núcleo de Saúde Pública e Desenvolvimento Social (Nusp) da universidade. Vice-reitor da instituição de 1996 a 2004 e, quando o reitor precisou se afastar entre março e novembro de 2003, foi reitor em exercício. Fora da universidade, integrou a Comissão Estadual de Saúde, a Comissão Científica de Combate à Dengue do Governo do Estado e a Comissão de Cólera da UFPE e da Cidade do Recife, além de participar do Conselho Científico do Espaço Ciência da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco. Por conta dos inúmeros artigos científicos publicados, ainda foi membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e do Conselho Estadual de Cultura e presidente da Academia Pernambucana de Medicina. Escrevia crônicas e, em março de 2011, assumiu a cadeira de número 16 da Academia Pernambucana de Letras, que já havia sido ocupada pelo seu pai, o escritor Nilo Pereira.

Fontes:
Geraldo Pereira. A medida das saudades. Recife/PE. Disponível no Portal de Domínio Público
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing