terça-feira, 14 de julho de 2026

Chafariz de Trovas * 18 *


Tão pão-duro é o sujeitinho,
que até para dar risada
pede ao bondoso vizinho
a dentadura emprestada!…
A. A. DE ASSIS
= = = = = = = = = 

Eu não possuo riqueza,
fui pobre desde criança!
Mas dentro desta pobreza
sou rica... tenho Esperança!
ADALZIRA BITTENCOURT
= = = = = = = = =  

Divide aquilo que tens
com quem tem fome e padece.
A partilha dos teus bens
tem mais valor que uma prece!
ALBA HELENA CORRÊA
= = = = = = = = = 

O meu melhor agasalho
é o colo de minha amada,
pois quando nele me encalho
não temo o frio ou geada!
AMILTON MACIEL MONTEIRO
= = = = = = = = = 

"Quem espera sempre alcança!..."
- Esperar por quem ?... Por quê?...
Se a derradeira esperança,   
morreu também com você!...
ANIS MURAD
= = = = = = = = =  

Sonho um mundo sem arenas,
mais justo, mais solidário,
onde a paz não seja, apenas,
três letras no dicionário.
ANTONIO JURACI SIQUEIRA
= = = = = = = = = 

Se na memória eu não falho,
o poeta, qual todo artista,
é alguém que não dá trabalho
ao doutor cardiologista...
ANTÔNIO MÁRIO MANICARDI
= = = = = = = = = 

Não temas portas fechadas,
nem mesmo fracassos temas;
há sempre forças guardadas
para as conquistas supremas.
CAROLINA RAMOS
= = = = = = = = = 

Quanto mais a idade avança,
no longo tempo a correr,
eu tenho mais esperança
e mais prazer em viver...
CÔNEGO BENEDITO VIEIRA TELLES 
= = = = = = = = = 

Carimbar no coração
o dom - autenticidade -
é levar à multidão
um selo de qualidade!
CRISTINA CACOSSI
= = = = = = = = = 

Esse aroma ...tentação,
que deixaste...traiçoeiro,
abala meu coração,
dormindo em meu travesseiro!
CYNIRA ANTUNES DE MOURA
= = = = = = = = = 

Por mais que a vida se oponha,
traze os sonhos junto a ti,
porque, aos olhos de quem sonha,
o Infinito...é logo ali!
EDMAR JAPIASSÚ MAIA
= = = = = = = = = 

Eu vejo a noite indo embora
com seu véu de negros laços...
Deus acende a luz da aurora
e traz o sol em seus braços!
EDNA GALLO
= = = = = = = = = 

Abro a janela, e a neblina
lacrimeja na vidraça...
A saudade dobra a esquina,
entra em meu quarto e me abraça.
EDUARDO A. O. TOLEDO
= = = = = = = = = 

Sobreviver, nesta vida,
é travar uma batalha;
--chora-se a cada partida...
- vibra-se a cada medalha!
EULINDA BARRETO
= = = = = = = = = 

Entre os sonhos e a lembrança,
veja a vida, em seus compassos,
colher versos de esperança
na herança dos próprios passos!
EVA GARCIA
= = = = = = = = = 

Quando a seca nos acossa
e o rio mostra seu leito,
a tristeza que há na roça
roça com força em meu peito!
FRANCISCO JOSÉ PESSOA
= = = = = = = = = 

Aquele casebre pobre,
lodo em palha ornamentado,
oculta um coração nobre
que o tempo deixou marcado!
FRANCISCO MAIA
= = = = = = = = = 

Esperança - benfazeja
visão de um doce porvir
- algo bom que se deseja
que pode vir ou não vir.
GERALDO PIMENTA DE MORAES
= = = = = = = = =  

Alvorada dos meus dias
teus olhos - luzes pagãs
acendem com poesias
o céu de minhas manhãs...
GILVAN CARNEIRO DA SILVA
= = = = = = = = = 

No cais da vida, a distância,
eu vislumbrei, na verdade,
a acenar-me a doce infância,
com o lenço azul da saudade!
GISELDA MEDEIROS
= = = = = = = = = 

Se o coração de quem ama
fosse capaz de compor,
o eletrocardiograma
seria um hino de amor!
JAIME PINA DA SILVEIRA
= = = = = = = = = 

Escrava do teu olhar
quis fugir... mas que surpresa!
Tentando me libertar,
cada vez fico mais presa.
JANSKE NIEMANN SCHLENKER
= = = = = = = = = 

A minha Mãe natureza,
que nada deixa faltar,
me faz saber, com certeza
que vale a pena sonhar…
JAQUELINE MACHADO
= = = = = = = = = 

O murmúrio deste rio
plangente, triste a passar,
às vezes eu desconfio:
É pra meu sono embalar.
JOÃO ALFREDO P. DE LIMA NETO
= = = = = = = = = 

O verbo "amar” conjugado,
tem dois tempos, asseguro:
a saudade - que é o passado,
a esperança - que é o futuro...
JORGE MURAD
= = = = = = = = =  

Minha fonte de alegria,
meu amor, minha paixão...
Tu és, ó doce poesia,
da minha vida a razão!
JOTA DE JESUS
= = = = = = = = = 

Se as águas banham meu rosto,
refletindo o meu cansaço,
entrego a Deus meu desgosto
e ganho D'Ele, um abraço.
KARLA CRISTIANE BITENCOURT
= = = = = = = = = 

Nesta rua, onde moro,
passa a vida em liberdade;
mas não passa quem adoro
nem, de mim, passa a saudade.
LAIRTON TROVÃO DE ANDRADE
= = = = = = = = = 

Em parte da minha essência
já nem sei mais quem sou eu…
quando choro pela ausência
de um sonho que já morreu!
LUCÉLIA SANTOS
= = = = = = = = = 

Na saudade intransigente,
o coração se revolta;
a estrada diz: – Segue em frente;
o coração pede: - Volta!
LUIZ POETA
= = = = = = = = = 

Eu tenho razão de sobra
ao chorar o amor perdido.
Minha face sempre mostra
um vazio refletido.
LUIZA NELMA FILLUS
= = = = = = = = = 

Ele cai... não retrocede!...
Continua... até sozinho...
que a fibra também se mede
pelas quedas no caminho…
LUIZ OTÁVIO
= = = = = = = = = 

Busquei tanto a liberdade,
e hoje, no Bar da Ilusão,
me embriago de saudade
na taça da solidão!…
MARIA DE LOURDES OUVERNEY
= = = = = = = = = 

Na caminhada da vida,
nos momentos mais festeiros,
nessa dureza da lida,
os livros são companheiros.
MARIA LUIZA WALENDOWSKY
= = = = = = = = = 

“Sem uma “prova de amor”
sumo de vez e te esqueço!”
-“Pois some logo: - É um favor,
porque esse truque ... eu conheço!!!“
MARIA MADALENA FERREIRA
= = = = = = = = = 

Bandolim, meu amigão,
sai de dentro do baú,
vem tocar uma canção
pra gente de Tambaú!
MÁRIO BELTRAME
= = = = = = = = = 

De esperas fiz meu passado…
E compondo a vida assim,
tornei-me um barco ancorado
no cais do porto de mim…
MARISA OLIVAES
= = = = = = = = = 

Eu peço ao Deus da bondade:
– Não me tire a fantasia,
pois viver só realidade
é impossível, noite e dial
NILSA ALVES DE MELO
= = = = = = = = = 

O meu palácio encantado
onde o ano todo é Natal,
é um quadradinho, alugado,
chamado caixa-postal.
NILTON MANOEL TEIXEIRA 
= = = = = = = = = 

Se quiser ser campeão,
nesta guerrilha de amor,
leve a paz no coração
e da luz, todo o esplendor!
OLGA MARIA DIAS FERREIRA
= = = = = = = = = 

Faço versos e no entanto
aquele amor, que é loucura,
só deixa meu peito em pranto,
ao sentir que me tortura!
SARAH RODRIGUES
= = = = = = = = = 

Todo bem, toda alegria,
que neste mundo se alcança,
são juros de economia
guardado pela Esperança.
SEVERINO UCHOA
= = = = = = = = =  

Amar; dar educação.
Amor com sabedoria
enriquece o coração
e enche a vida de alegria,
SÔNIA REGINA ROCHA RODRIGUES
= = = = = = = = = 

Era um sonho, tão bonito!
Nas estrelas se escondeu.
Quis voltar lá do infinito,
mas na volta, se perdeu.
SÔNIA SOBREIRA
= = = = = = = = = 

Teu retrato até rasguei
para fugir à verdade...
"Sem lembranças"... eu pensei,
mas ninguém rasga a saudade.
THEREZA COSTA VAL
= = = = = = = = = 

Garota que, muitas vezes,
com jantares se tapeia,
vai, durante nove meses,
“chorar... de barriga cheia!”
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
= = = = = = = = = 

No tédio de minha vida
de emoções vazia e nua,
só me torna comovida
a Esperança de ser tua...
VERA MILWARD DE CARVALHO
= = = = = = = = =  

Contadora de meus casos
dos bons tempos que vivi!…
Saudade não marca prazos
para me ver por aqui.
WAGNER MARQUES LOPES
= = = = = = = = =

Mistério que nos sustenta,
quando a vida fere e cansa…
- Quanto maior a tormenta,
maior também a esperança.
ZALKIND PIATIGORSKY 
= = = = = = = = =  

José Feldman (O Mistério das Lágrimas)


Dona Marli estava na sua cozinha, avental xadrez sujo de farinha, faca afiada na mão e uma montanha de legumes na pia. A salada de domingo ia ser grande: alface, tomate, pepino, pimentão, cebola, azeitonas… — porque “não tem salada que preste sem bastante ingredientes”, como ela mesma dizia.
 
Começou a picar. Tchac, tchac, tchac. E logo seus olhos começaram a arder, a escorrer, mas ela nem ligou: “é assim mesmo, coisa normal”, pensou, enxugando o rosto na manga do avental.
 
A primeira a chegar foi sua vizinha Dona Roseli, que entrou sem bater, como sempre:

— Bom dia, Marli! Vim contar que… — parou de repente, olhou para o nada, e de repente seus olhos se encheram d’água. A voz ficou toda embargada: — Ah, não sei… a vida é tão… tão bonita, né? E tão… tão triste também! — e começou a chorar alto, sem motivo aparente.
 
Dona Marli ficou surpresa:

— Mas Roseli, o que houve? Você brigou com o marido? Perdeu o cachorro?

— Não sei! — soluçou a vizinha. — De repente deu uma vontade de chorar que não passa!
 
No mesmo instante entrou o sobrinho dela, Eli, que veio pedir uma receita:

— Tia, você sabe fazer aquele bolo de cenoura… — ele também parou, respirou fundo, e os olhos dele viraram dois rios. — Nossa… sinto tanta saudade da minha infância… e da vovó… e até do meu professor de matemática que eu odiava! — e se juntou à vizinha, chorando de ombro caído.
 
Depois veio o padeiro do bairro, que entregava o pão:

— Bom dia, Dona Marli, aqui está o seu pedido… — e também caiu no pranto, apoiado na porta: — Desculpa, senhora… mas hoje eu acordei pensando que devia tratar melhor a minha sogra… e que a vida passa muito rápido!
 
Em pouco tempo a cozinha estava cheia: a costureira, o carteiro, até o padre que passava por ali e resolveu dar um oi — todos choravam, uns abraçados, outros com lenços, uns dizendo que iam mudar de vida, outros pedindo perdão por erros antigos. Ninguém entendia nada. Falavam em energia ruim, em saudade coletiva, até em maldição!
 
Dona Marli parou por um instante, limpou os olhos mais uma vez, olhou para a pilha de cascas de cebola que crescia no canto da pia, e soltou uma gargalhada tão forte que todos pararam de chorar de susto.
 
— Mas vocês são uns bobos mesmo! — disse ela, apontando para os legumes. — Não é maldição, não é saudade, não é nada disso! Eu é que estou descascando e picando quase vinte cebolas para a salada! O cheiro delas é que está fazendo todo mundo chorar!
 
Os olhares foram se voltando para a pia. A montanha de cascas parecia ainda maior agora. E um a um, eles foram passando da confusão para a vergonha, e da vergonha para a risada.
 
— Ah, então é por isso! — disse o padre, enxugando as lágrimas. — Já estava pensando em fazer missão de três dias para limpar a alma do bairro!

— E eu já ia ligar para o padre para benzer a cozinha! — completou Dona Roseli.
 
E assim, entre risadas e ainda com os olhos um pouco úmidos, todos ajudaram a terminar a salada. E na hora de servir, ninguém reclamou nem um pouco da cebola — afinal, ela já tinha dado emoção de sobra para aquele domingo.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
JOSÉ FELDMAN (71) é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo, ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura trovadoresca. Nasceu em São Paulo (SP), sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por anos no setor hospitalar. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Ocupa cadeira na Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura, Academia do Movimento Internacional, Confraria Brasileira de Letras e Academia de Letras Internacional Brasil-Suíça. Agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo "Euclides da Cunha", em Berna/Suiça; título de mérito das Letras, em Portugal; Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.  É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica. No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa. Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Em Portugal e Angola: Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente.

(Pérgola de textos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.)

Silmar Bohrer (Croniquinha) 164


Quando aparece aqui no rancho algum conhecido, amigo, escriba ou pensador, vou logo apresentando os meus caros companheiros de dias de data que, para os que chegam, parecem imaginários.  

Não, não são! Como nós também não somos. Aqueles não estão presentes de corpo e alma, mas têm uma presença enorme - seu legado. Junto a eles, seus livros, a gente sente a aura, ouve vozes e ausculta pensamentos que parecem emanar ali das prateleiras.  São as companhias invisíveis do dia a dia. 

Se em vida temos oportunidade de conviver com escritos, ideias, pensares e inspirações, a presença "tácita" traz reminiscências de frases especiais, histórias e estórias de que não se esquece, livros que são relíquias, levando a dias inesquecíveis. E os autógrafos, sempre desejados?!

Deles é que temos ensinamentos - a literatura como ferramenta de reflexão e transformação, como luz para iluminar as contradições do mundo, expondo as desigualdades sociais, a ganância, as mazelas, os dilemas morais da sociedade - liças, misérias, preconceitos.

Quando entramos numa biblioteca podemos bem lembrar do escritor argentino, o "bruxo" Borges, que assim disse: "Quando os escritores morrem, eles se transformam nos seus livros. O que, pensando bem, não deixa de ser uma forma interessante de reencarnação".
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
   O escritor e poeta SILMAR BOHRER destaca-se na cena cultural contemporânea por sua intensa produção literária voltada para a poesia, trovas e crônicas regionais, além de sua importante atuação na liderança de instituições literárias na Região Sul do país. Silmar Bohrer nasceu em Canela/RS em 1950, com sete anos foi para em Porto União-SC, com vinte anos, fixou-se em Caçador/SC. Suas primeiras produções e memórias de juventude, incluindo o serviço militar obrigatório, remetem a jornais regimentais e ao gosto pelas redações escolares. Reside atualmente no município litorâneo de Itapoá, no estado de Santa Catarina.
É bancário aposentado da Caixa Econômica Federal. Paralelamente à sua carreira profissional, sempre manteve o ofício da escrita como um sacerdócio diário. É um dos membros fundadores e exerceu o cargo de presidente da Academia Caçadorense de Letras e Artes (ACLA), instituição fundada em 2014 no município de Caçador/SC, com o objetivo de fomentar a cultura local. Também possui forte vínculo associativo com entidades como a Associação dos Economiários Aposentados da Caixa em Santa Catarina. Membro da Confraria dos Escritores de Joinville e Confraria Brasileira de Letras.
Silmar iniciou sua jornada na escrita ainda na adolescência. Possui uma produção monumental com mais de 10 mil textos publicados digitalmente em plataformas de catalogação literária, acumulando dezenas de milhares de leituras. Sua obra foca predominantemente em formas líricas curtas e descrições do cotidiano, sendo o estilo predominante trovas transcendentais, prosa poética, crônicas do dia a dia e versos livres. Suas coletâneas e antologias de distribuição independente — frequentemente distribuídas de "mão em mão" de maneira não comercial durante eventos e lançamentos — reúnem séries textuais de sucesso na internet, tais como “O Contágio do Verbo”, “Pousadinha de Trovas”, “Ninhal de Trovas” e “Poesia sem Distanciamento”. Ele também se dedica à escrita de artigos de resgate histórico e crônicas sobre outras figuras literárias sulistas. Editou os livros: Vitrais Interiores  (1999); Gamela de Versos (2004); Lampejos (2004); Mais Lampejos (2011); Sonetos (2006) e Trovas (2007).
Mais do que concorrer a premiações comerciais de grande escala, o autor foca sua trajetória no reconhecimento institucional e comunitário. Suas láureas vêm de concursos literários internos voltados a servidores e aposentados federais, além de homenagens prestadas por academias de letras municipais em Santa Catarina pelo seu papel ativo na difusão da escrita poética regional.
A relevância de Silmar Bohrer reside no seu papel de ativista e descentralizador cultural no interior de Santa Catarina. Ao liderar a fundação da Academia Caçadorense de Letras e Artes (ACLA), ele contribuiu diretamente para levar oficinas, eventos e o amor pelos livros a uma das regiões socioeconomicamente mais desafiadoras do estado. Bohrer defende uma literatura baseada no compartilhamento afetivo e na simbiose entre as vivências cotidianas e o lirismo tradicional, mantendo viva a tradição da trova e da crônica de costumes na era digital.

Fontes:
Texto enviado pelo autor. 
Biografia = Divulga Escritor; ACACEF; Recanto das Letras; Caçador.net, dados enviados pelo autor.

Interlúdio * 7 *



 ********************************
ANTÔNIO AUGUSTO DE ASSIS, carinhosamente conhecido em todo o país como A. A. de Assis, é o grande patriarca das letras em Maringá e uma das maiores referências do movimento trovadoresco no Brasil. Fluminense de nascimento (nascido em São Fidélis em 1933), ele chegou ao Norte do Paraná em janeiro de 1955. Tornou-se o cronista visual, espiritual e poético do crescimento da "Cidade Canção". Ao chegar na poeirenta Maringá dos anos 1950, trabalhou inicialmente gerenciando uma loja de autopeças de seu irmão. Foi um dos pilares da imprensa escrita local. Atuou como jornalista, redator e diretor em veículos históricos como O Jornal de Maringá (o pioneiro da cidade), Tribuna de Maringá, Folha do Norte do Paraná (criado por Dom Jaime Luiz Coelho), além das revistas Aqui e Novo Paraná. Formou-se em Letras e construiu uma sólida carreira docente. Foi professor do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM) por décadas, aposentando-se das salas de aula em 1997.
A. A. de Assis é considerado o "remanescente brilhante" da escola tradicional da trova brasileira. Sua inserção na literatura maringaense é mítica: Em 1959, ele publicou a coletânea de poemas intitulada Robson (sob o pseudônimo homônimo). Esta obra detém o marco histórico absoluto de ser o primeiro livro impresso e publicado na história de Maringá. Sua contribuição mais famosa para a cultura religiosa e literária nacional foi a criação da Missa em Trovas. Trata-se de uma composição litúrgica inteiramente estruturada sob a forma poética de trovas, muito cantada e celebrada em paróquias do Brasil. Algumas obras publicadas:  Robson (1959 - Poemas); Itinerário (Poemas); Caderno de Trovas e Tábua de Trovas; A. A. de Assis – Vida, Verso e Prosa (Sua obra autobiográfica).
A importância de sua obra de estreia, Robson, é tão imensa para a identidade local que o livro foi oficialmente tombado como Patrimônio Histórico Imaterial do Município de Maringá. Poucos escritores no Brasil receberam essa honraria em vida sobre uma publicação literária. Em tempos de versos livres, A. A. de Assis manteve acesa a chama da trova clássica, caracterizada pelo lirismo profundo encaixado perfeitamente na métrica rígida da redondilha maior (sete sílabas). Suas composições servem de modelo técnico para novos poetas de todo o país. Suas crônicas jornalísticas e literárias registram a transformação de Maringá de um vilarejo cercado por poeira vermelha e cafezais para a metrópole moderna atual. Ele deu estridência literária à memória dos pioneiros.

Renato Benvindo Frata (Sorriso de sol)


Quem se levantou mais cedo hoje e teve a curiosidade de olhar para o céu, por certo sorriu.

Eu sorri. De boca alargada, na completa expansão dos músculos a esticar até os olhos. Isso, claro, me deu sensação eufórica de prazer.

Porque a beleza do sol, ao pintar as últimas nuvens da madrugada no instante em que o vento as levava aos confins, fez do céu um magistral painel pintalgado.

Não, não se incomode com o termo.

Ele significa salpicado, sarapintado, mosqueado, e se dá quando o sol garimpa nuvens esgarçadas, colocando-as sobre uma grande peneira, como faz com cascalho o garimpeiro.

Nessa manhã, era esse o trabalho do sol: peneirar as nuvens esgarçadas e colori-las de vermelho escarlate.

Foi essa a impressão que me veio à mente.

O sorriso foi consequência. As mãos e as orelhas geladas, também, nesse inverno.

E, como nada é perfeito, obriguei-me logo a me recolher.

Não sem antes bem dizer bom-dia ao dia. E, com esses pensamentos positivos, dar seguimento às tarefas programadas desde ontem.

Relógio e folhinha são peças que nos comandam. A carteira no bolso de trás é o complemento. Ela sempre precisará de algumas folhas no recheio.

Dali para a rua, um pulo.

Do pulo aos afazeres, eis que a vida pede movimento.

Uns e outros vizinhos faziam o mesmo e, com acenos aqui e ali, o dia ganhou corpo.

Nesse transitar, notei que mais pessoas olhavam para o céu. Claro, cada qual com sua percepção. E sorri de novo. A mania de bem observar a natureza não é só minha.

Isso quer dizer que, embora o tempo se faça ligeiro em sua passagem, certas paradas nossas cá embaixo, para olhar o céu, garantem, a quem tiver olhos para ver e coração para sentir, um dia cheio de boas promessas.

Então, bom dia! Que o sorriso que o sol pintor me brindou nesta manhã continue a iluminar o seu dia.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
RENATO BENVINDO FRATA, nascido em Bauru/SP é um dos principais pilares contemporâneos da cultura de Paranavaí (onde se radicou) e de todo o Noroeste do Paraná. Paranaense por adoção, ele consolidou uma trajetória sólida que une o rigor do ambiente acadêmico e jurídico à sensibilidade das crônicas e contos do cotidiano. A atuação profissional de Renato Frata é marcada por múltiplas frentes técnicas e intelectuais: Atua firmemente como advogado na região; Também possui formação e exerceu atividades como contador; Dedicou grande parte de sua vida ao ensino superior como professor universitário, encontrando-se atualmente aposentado das salas de aula.
O interesse de Frata pela literatura surgiu "desde moleque" por influência direta do pai e do irmão, que eram grandes leitores. Começou arriscando versos ao se apaixonar na adolescência, migrando mais tarde para a prosa, gênero no qual se consagrou. Sua caminhada é pontuada por conquistas institucionais e premiações: Na década de 1990, seu conto A Pá de Polenta foi premiado no renomado FEMUP (Festival de Música e Poesia de Paranavaí), dando um impulso definitivo à sua carreira pública de escritor. Fundador e presidente de honra da ALAP (Academia de Letras e Artes de Paranavaí), instituição que já presidiu por diversas gestões e onde continua engajado na promoção cultural local. O autor escreve de forma disciplinada, utilizando crônicas e contos para registrar memórias da infância e observações do dia a dia. Suas crônicas circulam frequentemente em veículos de imprensa da região, como o Diário do Noroeste (https://diariodonoroeste.com.br/).
Principais obras publicadas: A Pá de Polenta (Conto expandido focado em memórias de infância); Reflexão dos Cinquenta (Contos); O Sapo Chorão e Rosso Saladete, o Intrépido Tomate (Obras voltadas ao público infantojuvenil); Fragmentos (Livro que reúne 102 crônicas e excertos lançado originalmente em 2022/2023); Crepúsculos Outonais (Coletânea de contos e crônicas lançada em 2025)
A relevância de Renato Benvindo Frata transcende as páginas de seus livros, gerando impactos profundos no ecossistema cultural do Paraná: Seu livro Reflexão dos Cinquenta carrega o marco histórico de ser a primeira obra literária solo publicada por um escritor radicado em Paranavaí, abrindo as portas do mercado editorial para outros talentos locais. Cronista do cotidiano do interior. Suas narrativas capturam a sensibilidade da vida no campo, as tradições familiares e a evolução urbana do Noroeste do estado. Ao fundar e capitanear a ALAP, ele ajudou a tirar Paranavaí do isolamento literário, integrando a cidade em encontros estaduais de academias e promovendo o intercâmbio de novos autores com o público universitário e escolar.

Texto enviado pelo autor. 

Eduardo Martinez (Coisas cariocas)


Amanda, carioca de Copacabana, todos os dias acordava bem cedinho, bebericava seu café e, sem mesmo se preocupar se estava ou não com os cabelos no lugar, corria para a praia. Já bem pertinho do mar, sentava-se, fechava os olhos e apenas sentia todo aquele aroma vindo das ondas, que quebravam mansinhas nessa quase aurora. Todos os dias, lá estava aquela mulher sentada na areia, como se todos já soubessem que ela já fosse parte da bela paisagem.

Não fazia muito tempo, porém, Amanda tinha pegado Covid-19. Na época não havia vacinas disponíveis para a população e, mesmo tendo sofrido horrores com o tal vírus, ela conseguiu sobreviver. Quase totalmente recuperada, a mulher retornou para seu apartamento, onde se manteve isolada durante um período. Queria refletir sobre a própria morte, já que quase havia partido desta para melhor. Não exatamente isso, pois quem mora em Copacabana dificilmente irá se deparar com algo mais divertido no outro lado.

Seja como for, os dias foram passando até que Amanda resolveu retomar a sua rotina. Acordou antes mesmo que os primeiros raios solares brindassem a sua janela. Quase queimou a boca com a quentura do café, mas nem ligou. Deixou a xícara já vazia sobre a pia da cozinha e correu para o mar. 

Já sentada diante das ondas, Amanda sentiu falta de alguma coisa. Algo a incomodava, mas todos ao redor pareciam não perceber, pois passavam e apenas a olhavam, como que felizes por ter aquela paisagem novamente brindada pela presença tão familiar da Amanda. No entanto, de repente, uma lágrima escorreu pelos seus lindos olhos de um castanho profundo. Ela havia percebido que não conseguia mais sentir aquele cheiro tão característico dos que vivem próximos à praia. Amanda refletiu: "Poucas coisas são mais cariocas do que a maresia!”
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
     O escritor EDUARDO MARTÍNEZ (nome artístico de Eduardo Cesario-Martínez) é um dos nomes de destaque da literatura contemporânea independente no Brasil, reconhecido por sua impressionante trajetória polímata. Atualmente radicado em Porto Alegre, ele consolidou uma escrita que une sensibilidade artística ao olhar analítico de suas múltiplas formações.
Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1967. Embora sua produção literária transite por vivências em Brasília e no Rio de Janeiro, ele reside e desenvolve suas principais atividades culturais em Porto Alegre desde o ano de 2021. Concilia três graduações distintas que enriquecem diretamente sua visão de mundo e sua escrita: Jornalismo: Sua primeira área de graduação, responsável por lapidar seu estilo direto de escrita, o domínio da técnica da crônica e sua atuação na imprensa; Medicina Veterinária: Graduou-se em 1999 pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ o que lhe deu uma compreensão profunda sobre a biologia e a fragilidade da vida; Engenharia Agronômica: Formou-se pela Universidade de Brasília, agregando conhecimentos em ciência aplicada e na relação humana com a terra.
A caminhada literária de Martínez começou oficialmente nos anos 2000 e ganhou forte projeção nacional por meio de premiações de relevância no meio independente. Em 2004, publicou seu primeiro romance, Despido de Ilusões, livremente inspirado na jornada de um egresso de Medicina Veterinária da UFRRJ. O livro obteve excelente recepção, figurando na época entre os títulos mais lidos no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ). É editor e colunista do portal Notibras (https://www.notibras.com/site/), onde comanda a editoria Café Literário e já ultrapassou a marca de 600 contos e crônicas publicados. Também escreve ativamente para o Blog do Menino Dudu e o Jornal Cultural ROL. Além de participar de mais de 40 antologias coletivas, é autor de quatro livros principais, destacando-se Despido de Ilusões (2004), Meu melhor amigo e eu, Raquel e a aclamada coletânea 57 Contos e Crônicas por um Autor Muito Velho (2024). Foi semifinalista do 3º Prêmio MicroConto de Ouro em 2023 e viveu o ápice de seu reconhecimento ao vencer o conceituado Prêmio Literário Clarice Lispector 2025 na categoria de Livro de Contos, em cerimônia realizada no Copacabana Palace.
A relevância da prosa curta de Eduardo Martínez para o cenário literário nacional atual apoia-se em aspectos técnicos e pedagógicos:
1. Estética do cotidiano e mistério acessível: Ler Martínez desperta um turbilhão de reflexões éticas e existenciais a partir de situações inusitadas. O autor consegue aproximar os questionamentos psicológicos densos (herdados de influências de Dostoiévski) de uma narrativa fluida, prazerosa e de fácil absorção para o leitor comum.
2. Função didática nas escolas: Seus textos alcançaram uma importância pedagógica prática significativa, sendo adotados e utilizados por diversas instituições de ensino no Rio de Janeiro e em Brasília para fomentar o poder transformador da leitura nas salas de aula.
3. Estímulo à literatura independente e contemporânea: Como comandante do Café Literário e autor premiado fora dos grandes conglomerados editoriais comerciais, Martínez tornou-se uma voz ativa na defesa e na visibilidade de novos talentos e pequenas editoras no país. Ele atua como uma importante "válvula de escape" para a resistência da produção de contos e crônicas em língua portuguesa.

Fonte:
Blog do Menino Dudu. 02.06.2022
https://blogdomeninodudu.blogspot.com/2022/06/coisas-cariocas.html

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Asas da Poesia * 201 *


Poema de
APARECIDO RIAMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ES

Nada além 

De súbito,
vi você 
num repente,
e, de repente,
meu coração se alegrou... 
foi um instante envolvente,
mas também inconsequente;
você partiu... me abandonou
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  

Trova Humorística de
WANDERLEY GUEDES DA SILVA
Sete Lagoas/MG

Um fantasma estarreceu,
espantou, gelou o sol.
Minha sogra apareceu
enrolada num lençol.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Poema de
DINAIR LEITE
Paranavaí/PR

Acordei

Hoje acordei...
Então vi há quanto tempo dormia
e não via a vida fluir...

Os momentos perdidos de viver
outro amor, outra vida, amores...

Eu me achava condensada
em paixão. Respirando você
que não olha e não vê esse amor
que envolve meu ser
me fazendo sofrer em anseios
de ter o meu corpo em seus braços
e sua boca, a minha, a beijar.

Acordei e deixei você ir.
Esvaziei o meu ser de você.
O meu ventre e o meu coração
nunca mais sofreram a carência
ilusão do sonhar...preencher
um vazio com ar.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Aldravia de
MARILZA DE CASTRO
Rio de Janeiro/RJ

Pierrô
arlequim
colombina
amor
em
trilogia
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Soneto de
ALMA WELT
Novo Hamburgo/RS, 1972 – 2007, Rosário do Sul/RS

A Travessia

 "O mundo é um moinho... " (Cartola) 

Todos nós temos corda onde agarrar,
A vida nos dá sempre uma saída
Que nos evite o risco de abismar
No medo natural da própria vida.

Por certo cada um pega o que pode:
Um amor, uma paixão ou mesmo um vício;
Um poema, um soneto ou uma ode,
Um portal com a cruz no frontispício,

Ou então, o que é pior, com um convite
Para entrar mas deixando a Esperança, 
Última paz que o mundo nos permite... 

Mas pra saíres vivo do moinho,
Não como Don Quixote e Sancho Pança,
Terás que atravessar a ti sozinho...
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Trova Premiada de
SELMA PATTI SPINELLI 
São Paulo/SP

Até no “terreiro” em prece,
é preguiçoso, o farsante: 
quando o “santo” dele desce,
só vem… de escada rolante!
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Poema de
ARY DOS SANTOS
Lisboa/Portugal, 1937 – 1984

Estigma 

Filhos dum deus selvagem e secreto
E cobertos de lama, caminhamos
Por cidades,
Por nuvens
E desertos.
Ao vento semeamos o que os homens não querem.
Ao vento arremessamos as verdades que doem
E as palavras que ferem.
Da noite que nos gera, e nós amamos,
Só os astros trazemos.
A treva ficou onde
Todos guardamos a certeza oculta
Do que nós não dizemos,
Mas que somos.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Quadra Popular

Esta noite dormi fora, 
na porta do meu amor;
deu vento na roseira
me cobriu todo de flor.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Soneto de
MANUEL DE ARRIAGA
(Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelongue)
Horta/Açores/Portugal, 1840 – 1917, Lisboa/Portugal

Alvorada

      Algures brilha o sol no azul do firmamento,
      E expõe com resplendor das coisas o espetáculo!
      Aqui, na escuridão, o mundo é tabernáculo
      Onde os frágeis mortais descansam um momento!...

      Além, o Sol incita o mundo ao movimento,
      Á luta pela Vida, o esteio e o sustentáculo
      Desde o ser da Razão ao mínimo animáculo,
      Aqui, o sono esparsa em todos novo alento!

      Ó Luz! tu és do mundo a Força, a Alma, a Vida,
      A essência do meu Ser, a minha própria Ideia,
      O próprio Deus, talvez!... Beleza, Amor, Verdade!

      Atrás de Ti caminha a Terra, mãe querida!
      Bendito caminhar! Por Ti minha alma anseia!...
      Bem vinda sejas, pois, oh doce claridade!
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Trova Humorística de
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
São Paulo/SP

O trovador tá empolgado
e até troféu quer ganhar!...
O tema é “Mar” e eis o “achado”:
- És meu mar... mas não faz mar!
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Poema de
FERNANDO PESSOA
(Fernando António Nogueira Pessoa)
Lisboa/Portugal, 1888 – 1935

Poema de amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala; parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Haicai de
WAGNER MARQUES LOPES
Pedro Leopoldo/MG

Vão crescendo as plantas: 
amor de um agricultor 
a doar mãos santas. 
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Sextilha de
MILTON SEBASTIÃO SOUZA
Porto Alegre/RS, 1945 – 2018, Cachoeirinha/RS

O sextilheiro padece
para se manter na trilha,
ou a internet demora
para trazer a sextilha,
ou, quando menos espera,
traz duas, três, uma pilha…
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Trova de
JOÃO COSTA
Saquarema/RJ

 Lá vou eu, de verso em verso
- seja suave ou dura a lida -,
compondo pelo Universo
o poema da minha vida!…
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Glosa de
GISLAINE CANALES
Herval/RS, 1938 – 2018, Porto Alegre/RS

MOTE:
Se essa aventura sonhada
se tornasse realidade,
com a carícia esperada
viria a felicidade!
Carmen Patiño Fernandes 
Coruña/Espanha

GLOSA:
Se essa aventura sonhada
um dia chegasse ao fim,
a minha alma, apaixonada,
sinto, explodiria em mim!

Se esse sonho que sonhei
se tornasse realidade,
tu serias o meu rei
e eu a tua deidade!

Fico até emocionada,
ardendo no meu desejo,
com a carícia esperada
com o calor do teu beijo!

Quero te amar com paixão
pois o amor não tem idade,
com ele, ao meu coração
viria a felicidade!
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Aldravia de
CECY BARBOSA CAMPOS
Juiz de Fora/MG

chuva
chorando
tristeza
invade
minha 
alma 
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Soneto de
DOMINGOS FREIRE CARDOSO
Ilhavo/Portugal

“As palavras perfumadas da confidência”
(Verso de Maria Goreti Andrade Carneiro Dias in “Textos de Amor", p. 40)

Palavras perfumadas de confidência
Dizias tu baixinho ao meu ouvido
E eu, delas tão sedento e atrevido
Ia perdendo, aos poucos, a inocência.

O amor ardia em nós com tal urgência
E como quase nada era proibido
Sem saber o caminho percorrido
Quase demos às portas da demência.

Dormem os nossos corpos saciados
Perdidos nos lençóis amarrotados
Envoltos numa paz que nos aquece.

Em redor tudo é calmo e é perfeito.
E eu sinto em mim que o mundo é o nosso leito
Como se nele nada mais houvesse.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Trova Premiada de
ALBANO BRACHT 
Toledo/ PR

Decisão é coisa séria.
Convencido agora estou.
Quem concorda com miséria,
decidiu, mas não pensou.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Poema de
RENATA PACCOLA
São Paulo/SP

A espera angustia

A espera angustia.
Você para,
a mente se esvazia.
Aí você acende um cigarro,
começa uma poesia,
e alguém,
que você nunca viu,
começa a encará-lo.
Aí você perde o embalo,
fica sem graça,
coça o braço,
e olha para o outro lado.

A saudade angustia.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Triverso de
ÁLVARO POSSELT
Curitiba/PR

Esta vida é um mistério.
Perto da maternidade
também tem um cemitério.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Setilhas para o Médico, de
NEMÉSIO PRATA
Fortaleza/CE

Todo Médico ao se formar 
jura "Hipocraticamente" 
de todo mundo tratar 
com cuidado, infelizmente 
médico também se esquece, 
e quando isto lhe acontece, 
quem paga o pato é o indigente! 

Tirante a graça dos versos, 
sou mui grato ao "Doutor", 
que luta em campos diversos 
para amenizar a dor, 
seja do rico ou do pobre, 
um gesto deveras nobre, 
que o faz ser nosso credor!
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Trova de
JANSKE NIEMANN SCHLENKER
Curitiba/PR

Acordei (tinhas partido)
e me deixaste na estrada:
um pobre arbusto perdido
sem luz, sem pranto, sem nada…
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Ramalhete de Trovas sobre Palhaço, de
OLIVALDO JÚNIOR
Mogi-Guaçu/SP

Quando o circo baixa a lona,
todo artista é feito o "clown":
cara em branco, bem pidona,
com tendência a ficar "down".
 
De carona num fusquinha,
com a mala colorida,
o palhaço é o "flanelinha"
no semáforo da vida.
 
Ao pintar o rosto pálido,
um Quixote em sofrimento
- o palhaço - torna válido
todo esforço contra o vento. 
 
O palhaço sempre insiste
numa alegre melodia,
sem saber que só existe
sua triste alegoria.
 
Palhacinho de mentira,
fui poeta de verdade,
que, no meio dessa lira,
foi embora da cidade.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Poetrix de
JUCINEIA GONÇALVES
Belo Horizonte/MG

esperança

Arranco pétala,
por pétala,
os mal-me-queres dessa vida
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Soneto de
DIOGO BERNARDES
Ponte da Barca/ Portugal, 1530 – 1594, ??

Da branca neve, e da vermelha rosa
O Céu de tal maneira derramou
No vosso rosto as cores, que deixou
A rosa da manhã mais vergonhosa.

Os cabelos (d’amor prisão formosa)
Não d’ouro, que ouro fino desprezou,
Mas dos raios do Sol vos os dourou,
Do que Cíntia também anda invejosa.

Um resplendor ardente, mas suave,
Está nos vossos olhos derramando
Que o claro deixa escuro, o escuro aclara;

A doce fala, o riso doce, e grave
Entre rubis, e perlas lampejando
Não tem comparação por coisa rara.
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Trova de
A. A. DE ASSIS
Maringá/PR

Ouça os sons da natureza:
as águas, pássaros, ventos...
- Que orquestra produz beleza
maior que esses instrumentos?
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = =  = 

Poema de
EDVANDRO PESSOATO
Belém/PA

Tiro direto

Somos da mesma espécie: manos
Por isso não me ameace: me abrace
Por isso não me confunda: me comova
Por isso não me apague: me navegue
Por isso jamais me ate: desate-me
Por isso não me torture: me ame
Por isso não me desacate: me acate

Somos da mesma árvore: mãe
Por isso não me entristeça: cresça
Por isso não me arranque: me plante
Por isso não me exploda: nem me explore
Por isso jamais me negue: se entregue
Por isso não me recolha: escolha
Por isso não me acabe: me encante
Por isso não fure os olhos: abra-os
Por isso não me afogue: me acenda
Por isso e por tudo mais
Sejamos da mesma espécie: manos
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = =