quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Maurício Friedrich (Colheita de Trovas)

 

A alva bruma que enverdece
os campos das pradarias
me faz dizer velha prece,
no entardecer dos meus dias!

Almejem sempre a vitória,
em todos empreendimentos,
que ficarão na memória,
pelos seus merecimentos.

A lua no céu passeia
num chão coberto de estrela,
deixa o sol, que tanto anseia
louco de amor, para vê-la.

Amar-te, pra mim, foi vício,
doença que não tem cura;
e este foi grande suplício
que me levou à loucura.

Amor é doce tormento!
Amor é vício sem cura!
É o amor um linimento
entre a razão e a loucura!

Amor, palavra tão doce
que nos enche de prazer;
é, às vezes, como se fosse
dor, a nos fazer sofrer!

A nora desesperada,
ao ver a sogra na porta.
lendo a receita trocada,
pôs formicida na torta.

Ansioso, meu coração,
vive, sempre, nesta espera:
de uma nova floração
da dourada primavera.

Ao chegar o meu outono,
sensato, hoje sou bombeiro:
quando jovem, perdi sono
por querer fazer braseiro!

Ao idoso, honra e venera,
a sua sabedoria;
na velhice, que te espera,
terás tu, a primazia...

Ao Novo Tempo a vitória,
neste concurso de paz:
pois, já bem merece a glória
quem pela trova assim faz.

Ao ter fé em Nosso Senhor,
levo a vida em linha reta,
pois, com fé, esperança e amor,
minha vida se completa.

Ao ver a Lua Bailando,
com tanto brilho e esplendor,
eu já me ponho rezando:
- Obrigado, meu Senhor!

Aposentou-se o freguês…
e a pobre esposa reclama
que, banho, é só um por mês,
mas, sem tirar o pijama!

Árido, feito um deserto,
meu coração sofredor
anseia, disto estou certo,
ser fértil com teu amor!

As flores todas são belas,
mesmo as que nascem em abrolhos,
mas, as mais lindas, dentre elas,
são as que vêm nossos olhos.

As folhas mortas que, ao vento,
bailam e caem ao chão,
me evocam, por um momento,
os ventos de uma paixão!

As marcas do teu batom
deixadas no meu cristal,
têm sabor e têm o tom
de um grande amor, no final...

As marcas que a tua ausência,
deixou em meu coração,
são as marcas da pungência
da nossa separação.

As trovas de um trovador
são belas, ricas em rimas
pois são feitas com amor,
verdadeiras obras primas!

A trova que é dita ao vento
tal qual o vento é fugaz;
existe, por um momento...
...e o próprio vento a desfaz!

A vida, às vezes, malvada,
traiçoeira, inconsequente;
nos tira a pessoa amada
e não tem pena da gente.

Bailando sempre a procura
do néctar de belas flores,
o beija-flor, com ternura
não se importa com as cores.

Beber da fonte hipocrátlca
para o médico é um dever,
é a fórmula democrática
da medicina exercer!

Beijando, a brisa, meu rosto,
meiga, me faz relembrar,
com saudade e muito gosto,
o amor que pude lhe dar.

Bela musa, encantadora!
Igual eu nunca vi;
meiga e doce inspiradora;
foste tu que eu escolhi!

Carrego, dentro do peito,
a cicatriz de uma dor
que jamais me dá o direito,
de reaver teu amor!

Casamento - ação esperta!
Isto já está definido,
onde uma parte está certa
e a outra é sempre o marido!

Combater, do fumo o vício
para o médico é um mister:
exaltar seu malefício
como a ética requer!

Combater com veemência
o triste vício do fumo,
sem dó e sem clemência,
pra saúde andar no rumo!

Com grande amor e trabalho,
carinho e dedicação,
do meu amor eu me valho,
pra fisgar teu coração!

Como é bonito o Direito,
quando se julga uma ação
e, ao exercê-lo, perfeito,
sempre o que impera é a razão.

Como pode uma criança,
ser vítima de agressão,
se tem, cheio de esperança,
o inocente coração?

Como são belas as serras
do Estado do Paraná!
Que têm cobertas as terras
das cores do manacá!

Completa felicidade
é, por certo, uma utopia;
pois quem já sentiu saudade,
já sofreu melancolia.

Compondo versos eu sonho,
que trovador, inda, serei
e, nos versos, que componho
no teu nome já pensei!

Contigo sinto que a vida
tem sentido e fulgor,
pois teus carinhos, querida,
dão esteio ao meu amor!

Cuida, ao contar um segredo,
em quem tu vais confiar:
é a liberdade, bem cedo,
que, ao certo, vais entregar...

Dando fim às duras penas,
nossa princesa c'oa mão,
com dois artigos, apenas,
aboliu a escravidão...

Daquele beijo roubado,
em pausa de tua festa,
sinto o gosto adocicado,
o bom sabor que me resta.

Das felizes madrugadas,
sozinho, curto a saudade...
– Que alegria, nas noitadas,
dos tempos da mocidade!

Das folhas, vendo o cair,
pressinto o chegar do inverno
e o coração, a invadir,
saudade... do lar paterno,

De areia, fiz um castelo,
nas dunas, em vastidão,
e o vento, sem ter rasteio,
soprou...pôs tudo no chão.

Decidido e corajoso,
à tua porta eu bati,
foi o susto mais gostoso
que eu já pude dar em ti.

Dentre as coisas que cultivo,
para evitar vida obscura,
o saber é o incentivo
que aumenta minha cultura.

Dentre tantas namoradas,
que já tive em minha vida
e de todas as jornadas,
foste tu a escolhida!

Descrente, sou eu, de tudo...
muito mais sou de sereia
mas, é no verão, contudo,
que vejo tanta na areia!

Desde o dia em que partiste,
triste está meu coração:
este pobre não resiste
a dor da separação.

Desta vida, na escalada,
cada degrau tem a altura,
muito bem delimitada
no tamanho da cultura.

Distante de ti, amor,
noites insones, eu passo
fazendo a Deus um clamor:
pra ver-te, um dia, em meu braço!

Do amor, divino expressar,
a encantadora seresta
faz da janela um altar,
de apaixonados, em festa.

Do pai seguiu a carreira,
com amor, dedicação:
Tinha a semente certeira
plantada em seu coração!

Do sol em raios envolta
vi-te passar tão ditosa,
com puros gestos, tão solta,
tendo a beleza da rosa.

Dos corações, sempre em festa,
o amor, divino expressar...
faz com que cada seresta
torne a janela um altar!

Dos teus carinhos, distante,
na insônia de cada noite,
fico a pensar, num instante,
esta distância é um açoite.

É indizível a tristeza,
dum sabiá na gaiola;
cabisbaixo e sem beleza
nem à amada, cantarola!

É nobre de coração,
o médico pediatra:
dá amor, carinho e afeição,
à toda criança que trata!

É tão atroz a distância
a nos separar, amor,
que só a saudade, em constância
ameniza a minha dor.

É tão linda esta menina!
Linda? Parece boneca...
Mas, se namora na esquina,
logo vira uma sapeca.

É uma escultura, bem-feita,
de uma costela qualquer:
criada por Deus, perfeita,
que lhe deu nome...: mulher!

É verdadeira a amizade,
quando nunca se destrói,
com tempo vira irmandade
e faz do amigo um herói!

Hoje sou um moribundo
nas cinzas do teu amor
e não vejo, neste mundo,
remédio para esta dor!

Insone, em noites frias
e em permanente vigília
de mamãe com as ave-marias
recomendava a família.

Irradiantes de alegria!
façamos trovas de amor,
para louvar, no seu dia,
o poeta Trovador!

Já inventaram um remédio,
de um certo tom azulado,
que tira moço do tédio
e deixa velho… assanhado!

Já no ocaso desta vida,
com tanta conta a ajustar,
peço a Deus, seja abatida
a despesa.. por te amar!

Lembranças da mocidade
são um espelho em que a gente
só vê, com tanta saudade,
o passado... no presente!

Lembro de ti, com saudade,
nos tempos que longe vão;
tu eras felicidade,
dentro do meu coração!

Lindos traços, no teu rosto,
que harmonizam a beleza,
me fazem exclamar com gosto:
-Tu és, sim, minha princesa!

Meu amor da mocidade
foi efêmera ilusão:
dele só resta a saudade,
nas cinzas de uma paixão.

Meu coração é um deserto
por falta do teu amor,
se me ofertares, por certo,
virará, um jardim de flor!

Minha herança não tem ouro,
um conselho é o meu legado:
– Meu filho, mais que um tesouro,
vale um homem muito honrado!

Minha paixão foi loucura
por amar-te tanto assim;
hoje estou nesta tortura:
- Por que tu foges de mim?

Pobre é a nação sem cultura,
sem heróis e sem memória,
cujo povo não procura
resgatar a sua história!

Poesia, versos de amor
nascidos no coração;
versos em que o rimador
exprime a sua paixão.

Poeta! Sou trovador!
Que todos possam saber:
faço trovas por amor,
faço trovas por prazer.

Regressaste!.... Que alegria!
E a saudade se desfez!
Hoje minha alma irradia
felicidade outra vez!

Restou tão grande a distância,
que nos separa no amor,
que já não dou importância,
se minha vida se for.

Saibam todos que o trabalho,
ao bom homem enobrece,
mas, quem não pega no malho,
seu espírito empobrece!

Salve, ó verão de mil cores,
ao despertar o manacá
que cobre, todas, de flores
as serras do Paraná!

São Francisco, nas veredas,
feito um pobre vagabundo,
despido de suas sedas,
encheu, de amor, este mundo!

Saudade... dor da lembrança
de alguém que distante está;
é o sentir de uma esperança
de que esse alguém voltará!

Saudade é uma dor silente
que nos ataca e vem mansinha;
entra no coração da gente,
toma posse e ali se aninha!

Saudade, saudade e meia,
é o que sinto de você;
meu coração serpenteia,
- só você é que não vê!

Saudade! Triste amargor!
Dolorosa e tão pungente,
a nos causar tanta dor;
só a entende quem a sente!

Se encontro, ao voltar pra casa,
as tuas mãos carinhosas,
o meu amor já se abrasa,
com teu perfume de rosas.

Segue, meu filho, na estrada,
os trilhos da retidão:
sê firme em cada pisada
que as honras te seguirão!

Sigo, na vida, o caminho
penoso, porém, correto,
que aprendi, desde meu ninho,
com meu pai severo e reto.

Sim, nas cores do arrebol,
Deus, o mais perfeito esteta,
sob a luz do pôr do sol,
dá inspiração ao poeta..

Singrando mares incertos,
marujo, audaz, varonil
achou montes, recobertos
com flores: Eis o Brasil.

Sinta o perfume das flores
nas serras do Paraná,
tem árvores de mil cores:
– primaveras ou manacá.

Teu charme, encanto e beleza
dão aos poetas um tema,
ó encantada Fortaleza,
linda Terra de Iracema!

Teu conselho, pai querido,
de retidão e de amor,
faz-me, hoje, já envelhecido,
mais entender seu valor!

Teve um infarto, na cama,
a noiva, que é tão frajola,
ao ver que, em vez do pijama,
o noivo pôs camisola!

Tico-Tico seresteiro
que vives, sempre, a cantar,
põe teu ninho em meu terreiro;
vem comigo avizinhar!

Vai, meu filho! Não tropeces
nas pedras do teu caminho:
a Deus, faze tuas preces
e não seguirás sozinho!

Vejo uma gota de orvalho
pairando sobre uma rosa:
de Deus, é mais um trabalho
para tomá-la formosa.

Vendo-a sentada no ninho
ditosa mamãe beija-flor,
vejo que há muito carinho
neste seu gesto de amor.

Vi beleza… colhi flores
nesta vida, em seus caminhos,
mas às vezes senti dores
causados por seus espinhos!
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Maurício Friedrich (1945 – 2020)
MAURÍCIO NORBERTO FRIEDRICH foi um destacado médico, advogado e um dos nomes mais relevantes do movimento trovadoresco contemporâneo no Sul do Brasil. Assim como outros grandes trovadores radicados no Paraná, ele uniu a dedicação à ciência e à saúde com a sensibilidade da poesia da trova. Nasceu em Porto União/SC, em 1945, filho da trovadora e professora Araceli Rodrigues Friedrich. Faleceu em Curitiba/Prem 2020, aos 74 anos de idade. Embora tenha nascido em Santa Catarina e estudado no Rio de Janeiro, ele estabeleceu sua residência e sua vida familiar definitiva em Curitiba. Formou-se em 1972 pela Faculdade de Medicina de Campos (Rio de Janeiro). Especializou-se em Cardiologia e Medicina do Trabalho. Atuou na clínica privada, trabalhou na Secretaria Estadual de Saúde, na Fundação Copel e chefiou por cinco anos a Divisão Hospitalar do Instituto de Previdência do Estado (IPE). Paralelamente, também concluiu a graduação e formou-se em Direito. 
Sua paixão pela trova foi herdada de sua mãe. Ao longo dos anos, Friedrich tornou-se uma das lideranças institucionais mais respeitadas no meio literário da trova, atuando em nível nacional e estadual. Ocupou Cadeira da Academia Paranaense da Poesia, Presidente da UBT Estadual do Paraná e da Seção Curitiba. Participava ativamente de concursos de trovas em todo o país e teve composições premiadas e classificadas em diversos Jogos Florais. Suas publicações literárias focavam-se prioritariamente em coletâneas coletivas, antologias poéticas e revistas culturais de trovas, registrando sua herança lírica no Paraná.
A importância de Maurício Friedrich para a literatura reside em sua forte liderança e articulação institucional do movimento trovadoresco. Em uma época de transição e renovação das letras, Friedrich trabalhou ativamente na administração da UBT (tanto municipal, quanto estadual) para manter viva a tradição da trova. Ao organizar eventos, gerir as seções literárias do Paraná e produzir poesias que traduziam sentimentos universais com simplicidade, ele garantiu o fortalecimento e a união da comunidade de trovadores do Sul do Brasil. 

Fontes:
Luiz Hélio Friedrich. Maurício Norberto Friedrich. Família Friedrich em Trovas. Curitiba/PR: Centro de Letras do Paraná, 2018.
Sites Consultados = Singrando Horizontes (dados enviados pelo trovador), Conselho Regional de Medicina do PR, etc.

Nilto Maciel (Amapa)


Liana Bennato sorriu e fez mais uma pergunta. Se Amapa conhecia o Amapá. O grande astro também sorriu e tudo nele brilhou: os dentes, os olhos, os brincos, o cabelo.

O homem e a mulher não despregavam os olhos da televisão, enquanto as crianças brincavam, sentadas a um canto da sala.

— Não façam barulho.

Amapa não parava de sorrir e brilhar, e a bela repórter enrodilhava-se toda diante dele. O grande público certamente delirava à frente dos televisores. Como o homem e a mulher que ralhavam com as crianças em brincadeira.

— E a origem de seu nome?

— Eu já havia escolhido meu nome artístico, quando uns amigos criaram Amapa. Segundo eles, muito mais comercial.

Liana Bennato repetiu para os telespectadores o vasto nome de batismo do artista: André-Maria Ampére Parente.

— Alguma homenagem, Amapa?

— Acredito que à eletricidade. Meu pai era eletricista.

— Você se refere à palavra ampère, não é? E de onde vem André-Maria?

O homem e a mulher sacudiram-se no sofá e chamavam a atenção das crianças para a entrevista.

— André e Maria, vejam, vejam!!!

— Que coisa mais linda! — derretia-se a mulher.

A loira repórter também brilhava diante das luzes: qual teria sido então o nome artístico dado a si mesmo por Amapa?

— A. Parente.

— Não, não ia ficar bem — considerou o homem.

— Eu preferia Amperente — luziu a mulher.

Nem assim os dois pequenos desviaram a atenção de suas bugigangas.

— Amapa, fale-nos de seus planos para este ano.

O grande astro falou primeiro do disco a ser gravado nos Estados Unidos e, em seguida, passou à turnê pela Europa.

O homem e a mulher continuavam ligados à tevê, olhos arregalados, ouvidos abertos, respiração presa. Amapa cativava ambos os sexos, agradava a gregos e troianos, compunha, cantava, dançava. Um poeta inimitável.

— Compre o disco novo do Amapa — ordenava a mulher.

— Já comprei — adiantava-se o homem.

Ora, então ia deixar de ter à mão aquela voz maravilhosa? Há mais de dez anos acompanhavam o sucesso de Amapa. Desde o primeiro LP.

— Você se lembra, meu bem?

— Claro que me lembro.

Havia até um cantor muito parecido com ele.

— Quem era, hem?

— Não me lembro agora.

As crianças não ligavam para a televisão, nem para o homem e a mulher extasiados diante dela. Preferiam brincar. E tudo lhes servia de brinquedo. Tudo o que não interessava mais ao homem e à mulher.

— Me dá isso, pai.

E a velha lista telefônica virava aeroporto. Os aviões nem sempre tinham asas e só faltavam se espatifar na hora do pouso.

— Não façam barulho, filhinhos.

No televisor, Amapa cantava trechos de uma das músicas do novo disco. A repórter delirava. O homem e a mulher deram-se as mãos.

  — Amapa, sempre Amapa.

Os pequenos esfregaram um objeto no chão da sala. Uma velha capa de disco. Ora, aquilo irritava. Parassem já com a esfregação.

— Amapa, conte-nos aquela história da festa – pediu Liana.

O astro sorriu e tudo nele brilhou: os dentes, os olhos, os brincos, o cabelo. Acreditava no destino. Desde menino sonhava com o sucesso. Um dia, descobriu que se parecia naturalmente com certo cantor de nome L. Veríssimo, então no auge da fama. E resolveu aproveitar-se daquilo, apesar de ser muito mais novo do que o cantor.

— A festa não tinha nada a ver com a música. Era o casamento da filha de um político importante, que, aliás, já morreu. E eu simplesmente fui à recepção, como se fosse L. Veríssimo.

— E ninguém desconfiou de nada?

— Não sei. Só sei que olhavam muito para mim. O resto você sabe.

O homem e a mulher gargalhavam, batiam palmas, faziam o maior barulho, enquanto as crianças rasgavam livros e capas de discos antigos.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Nilto Maciel (1945 - 2014)
        O escritor e pesquisador NILTO MACIEL nasceu em Baturité (CE) em 1945 e faleceu em Fortaleza (CE) em 2014, aos 69 anos. Ele consolidou uma trajetória marcante na ficção e na edição cultural do Brasil. Na cidade natal passou a infância e fez os primeiros estudos. Mudou-se para Fortaleza (CE) na adolescência para estudar e iniciar sua vida pública e literária. Residiu em Brasília (DF) de 1977 a 2002 por razões de trabalho. Retornou à Fortaleza nos seus últimos anos de vida, residindo no bairro Monte Castelo até o seu falecimento. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atuou no serviço público federal ocupando cargos administrativos de destaque em Brasília Serviu na Câmara dos Deputados, no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF). Co-fundou em Fortaleza a revista vanguardista O Saco (1976), que agitou a cena literária cearense. Editou e dirigiu por 16 anos a prestigiada revista Literatura (1992 a 2008) em Brasília, divulgando novos autores nacionais. Traduziu e escreveu contos e poemas publicados internacionalmente em esperanto, espanhol, italiano e francês. Viu seu conto O Cabra que Virou Bode ser adaptado para o cinema em 1993 pelo cineasta Clébio Ribeiro. Membro associado da Associação Nacional de Escritores (ANE) em Brasília, Apesar de sua imensa relevância e trânsito na Academia Cearense de Letras (ACL), atuou nela como forte colaborador de suas revistas e ensaísta, sem ocupar cadeira efetiva de imortal.
Prêmio Brasília de Literatura (1990) pelo livro A Última Noite de Helena; Prêmio Cruz e Sousa (Santa Catarina) pelo romance A Rosa Gótica; Prêmio Graciliano Ramos (Alagoas) pela obra Os Luzeiros do Mundo; Prêmio da Fundação Cultural de Fortaleza. Nilto Maciel publicou dezenas de obras entre romances, novelas, crônicas e contos. Algumas de suas obras incluem: Itinerário (1974) – Contos; Tempos de Mula Preta (1981) – Contos; Estaca Zero (1987) – Romance; Os Guerreiros de Monte-Mor (2008) – Romance; Pescoço de Girafa na Poeira (2006) – Contos; Menos vivi do que fiei palavras (2012) – Seus cadernos de diários e críticas literárias.
É considerado um pilar da literatura de resistência e da difusão cultural da segunda metade do século XX. Sua importância reside em três vertentes fundamentais:
1. Voz de Liderança e Agregação: Ele atuou como um grande elo entre diferentes gerações de escritores brasileiros de 1970 até a década de 2010. Suas revistas serviram de vitrine descentralizada, quebrando o monopólio editorial do eixo Rio-São Paulo.
2. Estilo Prosaico Rigoroso: Possuía um domínio técnico incomum que transitava pelo trágico, cômico, fantástico e reflexivo com a mesma fluidez. Sua prosa capturava com crueza e lirismo a fragilidade psicológica do ser humano.
3. Internacionalização e Pesquisa: Ao escrever também em esperanto e divulgar ativamente a ficção nacional no exterior, abriu caminhos para que a literatura nordestina contemporânea dialogasse diretamente com o mercado europeu e hispânico.
“Nilto possui esta capacidade de fazer com que nossas almas percorram desde um estado de profunda tristeza ao de êxtase. Não é apenas um escritor, são muitos escritores dentro de um só. A cada conto terminado, aflora o anseio pelo próximo. Aonde Nilto nos conduzirá agora? Cada conto é um conto, que faz com que nossa imaginação nos leve às vezes a adentrar dentro dele e participar, deixando que nos levemos pelo seu encanto, pela sua linguagem simples e deliciosa.” (José Feldman, em Nilto Maciel o mago das almas, 18/12/2010)

Nilto Maciel. As insolentes patas do cão. SP: João Scortecci, 1991. Enviado pelo autor.
(Biografia produzida pelo Blog:  Garimpos pela internet) 

Estante de Livros (“Rosinha, minha canoa”, de José Mauro de Vasconcelos)

"Rosinha, minha canoa", publicado em 1962, é uma das obras mais poéticas e singulares de José Mauro de Vasconcelos (autor do célebre Meu Pé de Laranja Lima). O livro narra a jornada de Zé Orocó, um caboclo ribeirinho que vive no interior de Goiás, às margens do rio Araguaia. O cerne da narrativa é a amizade profunda, mística e comovente entre Zé Orocó e Rosinha, sua canoa de madeira, com quem ele conversa e compartilha segredos, dores e a sabedoria da natureza.

1. ESTRUTURA E ENREDO: A VIAGEM PELO ARAGUAIA

O enredo se constrói como uma narrativa de viagem (itinerante) física e espiritual ao longo das águas e das florestas da região do Araguaia.

A Relação Animista: 
Zé Orocó não vê Rosinha como um objeto, mas como um ser vivo dotado de alma, sentimentos e voz. Ela o aconselha, adverte sobre os perigos do rio e chora quando ele sofre. Essa capacidade de falar com a canoa (e com os animais) isola Zé Orocó da sociedade dos homens "brancos" e civilizados, que o consideram louco.

O Choque Cultural: 
A calmaria poética da vida de Zé Orocó e Rosinha é constantemente confrontada com o avanço do "progresso" e da incompreensão urbana. O ápice do conflito ocorre quando o protagonista é internado à força em um hospital psiquiátrico na capital, sendo arrancado de seu ecossistema e de sua companheira.

2. PRINCIPAIS PERSONAGENS E ENTIDADES

– Zé Orocó = Protagonista. Encarna o homem puro integrado à natureza. Sua sensibilidade é confundida com loucura pela sociedade ocidentalizada. 
– Rosinha = A Canoa. Simboliza a conexão com o sagrado, a liberdade e a extensão do próprio ser de Zé Orocó. É o porto seguro dele. 
– O Rio Araguaia = Espaço / Entidade. Funciona como o fluxo da própria vida; um Deus provedor, mas que também exige respeito e cobra suas dívidas. 
Os Médicos / A Cidade = Antagonistas. Representam a racionalidade fria, o preconceito e a tentativa de enquadrar o lirismo e o misticismo em diagnósticos clínicos. 

3. TEMÁTICAS CENTRAIS 

O Animismo e a Comunhão com a Natureza
José Mauro de Vasconcelos utiliza o animismo (atribuição de alma a elementos não humanos) para criticar o materialismo moderno. Para Zé Orocó, as árvores, as aves, as águas e Rosinha são sua verdadeira comunidade. O autor resgata uma visão de mundo muito próxima à cosmologia indígena, onde o homem não domina a natureza, mas faz parte dela em um pacto de respeito mútuo.

A Linha Tênue entre Loucura e Poesia
A "loucura" de Zé Orocó é, na verdade, um excesso de lirismo. O livro questiona os critérios da sociedade moderna para definir a sanidade: quem é verdadeiramente louco? O homem que conversa com sua canoa e respeita os ciclos da floresta, ou os homens "sadios" da cidade que destroem a natureza, buscam o lucro desenfreado e aprisionam a poesia? A internação de Zé Orocó é uma metáfora do sufocamento da beleza pela burocracia humana.

A Viagem como Metáfora Existencial
Navegar o rio Araguaia com Rosinha é a busca de Zé Orocó por sua própria identidade e paz de espírito. As águas calmas e as correntezas perigosas representam os altos e baixos da existência. A canoa é o instrumento que permite ao protagonista flutuar sobre as dificuldades do mundo.

4. ESTILO LITERÁRIO E LINGUAGEM

O estilo de José Mauro de Vasconcelos em "Rosinha, minha canoa" é marcado pelo realismo mágico e por uma prosa altamente sentimental e fluida, quase musical. O autor utiliza uma linguagem simples, pontuada por termos regionais e descrições sensoriais exuberantes da fauna e da flora do Brasil central. É uma literatura que apela diretamente à empatia e à emoção do leitor.

5. CONCLUSÃO: O LEGADO DE ROSINHA

"Rosinha, minha canoa" é um manifesto ecológico e humanista precoce. O desfecho, embora marcado pela melancolia da perda e da incompreensão humana, reitera a imortalidade dos laços afetivos que criamos com o mundo ao nosso redor. O livro permanece como um convite para que o leitor resgate a capacidade infantil e poética de "escutar" as vozes silenciosas da natureza.

6. RESUMO

"Rosinha, minha canoa" reconstrói de forma cronológica a trajetória de Zé Orocó, dividida entre o lirismo de sua vida no rio e o impacto doloroso de seu confronto com o mundo urbano.

O Cenário e o Pacto de Amizade (O Início)
A narrativa se passa na exuberante e isolada região do rio Araguaia, em Goiás. O protagonista é Zé Orocó, um homem simples, de alma pura e profunda sensibilidade, que vive em total harmonia com o ecossistema ribeirinho. Ele constrói uma canoa de madeira a quem dá o nome de Rosinha.

Diferente das outras pessoas, Zé Orocó possui o dom (ou a condição) de se comunicar com elementos da natureza. Ele e Rosinha desenvolvem uma relação animista: a canoa ganha voz, personifica sentimentos, aconselha o companheiro sobre os perigos das correntezas, avisa quando o tempo vai mudar e divide com ele piadas, cantorias e melancolias. Para Zé Orocó, Rosinha é sua confidente, sua esposa espiritual e a extensão de sua própria existência. Ele também conversa com os bichos da floresta e respeita rigorosamente as leis do rio.

A Jornada Fluvial e o Choque com a Civilização
O miolo do livro funciona como um diário de viagem. Zé Orocó e Rosinha navegam pelas águas do Araguaia, encontrando diferentes personagens: garimpeiros, pescadores, viajantes e populações indígenas. Nessas interações, fica evidente o contraste entre a visão de mundo poética do protagonista e o pragmatismo das pessoas que ele encontra.

Para a maioria dos homens da região, Zé Orocó é apenas um "lelé", um louco inofensivo que fala sozinho dentro de um pedaço de madeira. No entanto, sua loucura não faz mal a ninguém; pelo contrário, ele transborda bondade. O problema surge quando essa "excentricidade" chega aos ouvidos das autoridades da cidade e de pessoas que não conseguem tolerar o desvio dos padrões sociais de normalidade.

O Aprisionamento da Poesia: A Internação na Cidade
O ponto de virada trágico da obra ocorre quando Zé Orocó é forçado a deixar o seu habitat. Preocupados ou incomodados com seu estado mental, os homens da "civilização" decidem intervir. Zé Orocó é capturado e levado para um hospital psiquiátrico na capital.

Essa mudança é devastadora. Arrancado do Araguaia e separado de Rosinha, Zé Orocó murcha. Na clínica, cercado por paredes brancas, camisas de força e diagnósticos médicos frios, ele experimenta a verdadeira solidão. Os médicos tentam curar sua "loucura", mas o que estão fazendo, na verdade, é tentar extirpar a sua capacidade de poetizar a vida. No hospício, Rosinha silencia em sua mente, pois o ambiente urbano e racional quebra a conexão mística que ele mantinha com o absoluto da natureza.

A Volta para Casa e o Destino de Rosinha (O Desfecho)
Após um período de grande sofrimento e incompreensão, Zé Orocó consegue o direito de retornar ao seu amado rio Araguaia. Ele volta mudado, carregando as cicatrizes do trauma urbano, mas ansioso pelo reencontro com sua companheira de madeira.

Ao reencontrar Rosinha, a conexão se restabelece, mas o mundo já não é o mesmo. A canoa, que também sofreu com a ausência e com o abandono na margem do rio, reflete a melancolia de Zé Orocó. Em uma das cenas mais pungentes do desfecho, o destino de Rosinha é selado pela fatalidade do tempo ou pelo sacrifício da própria jornada. A separação física ou a destruição da canoa marca o fim de uma era de pureza total. Zé Orocó compreende que, embora a sociedade possa destruir as formas físicas da beleza e aprisionar os corpos, a verdadeira essência de sua amizade com Rosinha e sua fusão com o Araguaia são eternas e indestrutíveis.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Vânia Ennes (Semeando trovas)

 

1
Acalmar gesto impulsivo
num conflito sem razão:
Medicinal... curativo...
é a humildade e o perdão!
2
A Curitiba hibernosa.
aumenta a temperatura.
Se aquece com verso e prosa
a Capital da Cultura!
3
Água límpida é preciosa
para o planeta, vital;
pura, líquida ou gasosa,
tesouro fundamental.
4
Afinal, eis a questão:
achei um rico alimento…
Somos gêmeos na emoção:
teu amor é o meu sustento.
5
Amor, um santo remédio,
que revitaliza e cura.
Livra-nos de qualquer tédio,
também nos leva à loucura.
6
Apesar da longa ausência,
sinto a sua vibração…
que marcou minha existência
e tatuou meu coração!
7
As melhores gargalhadas
chegam sempre de repente
em cenas abobalhadas
e tomam conta da gente!!!
8
As odes altissonantes,
vêm louvar o pinheiral
do Paraná verdejante
na minha terra natal.
9
Brasil, samba e carnaval
e os foliões tomam conta,
da festa descomunal,
quando a “escola”, enfim, desponta!!!
10
Carnaval e o “bicho pega”!
Batuque e samba no pé,
e a galera não se entrega,
sapateia e dá olé…!!!
11
Causador da minha insônia,
motivo do meu sorriso,
sem nenhuma cerimônia...
me transporta ao paraíso!
12
Com alma verde e amarela
o meu coração febril,
com muito orgulho revela,
o Trovador do Brasil.
13
Depois de uma noite calma,
numa manhã de verão,
no céu anjos esperavam
recebê-la em oração!
14
Descontraia sua testa,
sorrir é grande investida!
Quem transforma a vida em festa
vence tensão reprimida!
15
Desenvolvendo a pesquisa
para o ensino do saber
o professor realiza
evolução no aprender.
16
Desfilou lá na Avenida
Marquês de Sapucaí,
bebeu tanto, sem medida,
que acordou na UTI !!
17
Destemido e dedicado,
companhia cativante.
Com meu pai sempre ao meu lado,
sou forte como um gigante!
18
Dissipando a incerteza,
ânsia e conhecimento
o livro, vasta riqueza:
esclarece cem por cento!
19
Dormi… e sonhei contigo
na praia, com lua cheia!
Foi delírio, hoje prossigo
te procurando na areia!
20
Dos meus tempos de experiência,
na vida, trânsito e estrada,
deixo aqui uma advertência:
respeito… não custa nada!
21
Educação e cultura,
seriedade e competência
é alvo certo de ventura
que aguardamos com urgência!
22
Em tédio avassalador
daqueles que não têm cura,
num minuto o Trovador
transforma tudo em ventura!
23
Encantada olho os pinheiros,
formosos! Iguais? Não há.
Dos poetas são os parceiros
Que versam o Paraná!
24
Equilíbrio, um dom da vida,
dos sábios, grande virtude
junto a afeição consolida,
seu poder de plenitude.
25
Eu não mudo de país,
nem de cidade ou estado,
porque aqui sou bem feliz...
exatamente... ao teu lado!!!
26
Fazer da vida uma festa
é atitude que fascina.
Vamos rir! A hora é esta!
O bom humor contamina.
27
Fim de tarde, sol já posto…
Chega a noite enluarada,
satisfazendo o meu gosto,
consagrando a madrugada!
28
Força e coragem, criança,
a vida sorri lá fora…!
O estudo será a poupança
e há de chegar sem demora!
29
Hoje órfã de seu afeto,
carente de seu carinho,
queria você por perto...
a iluminar meu caminho!
30
Mãos que orientam crianças,
seja na escrita ou leitura,
mostram sinais de alianças
de nobreza e de ventura!
31
Mesmo impaciente ou cansado
não descuide do volante
que a vida, este bem sagrado,
pode acabar... num instante!
32
Meu jogo, audaz e exigente,
encara a carta que der,
mas com você, frente a frente…
jogo charme de mulher!
33
Minha mãe com maestria,
vibrou forte de emoção,
quando em tarde de magia
fez pulsar meu coração!
34
Navegam os trovadores
em e-mails de ilusões,
computando riso e dores,
conectando as emoções!!!
35
Numa transfusão de afeto,
basta só abrir os braços
e o coração indiscreto,
se entrega sem embaraços!
36
Nunca morre o trovador,
se afasta fisicamente…
Sobrevive trova e autor,
no dia-a-dia da gente.
37
O coração destemido
transcende qualquer razão,
quando decide, incontido,
confessar a rendição!
38
O elemento H2O
Fonte de vida e energia,
vale mais do que ouro em pó.
Nossa maior loteria!
39
O que sei da faculdade,
das viagens e coisas mais
não representa a metade
do que aprendi com meus pais.
40
Pelos sonhos que dá,
Trova já virou mania...
e... infestou o Paraná...
... Numa “culta” epidemia!!!
41
Posso ver do meu terraço
na escuridão do infinito,
quando a lua abre espaço...
E dá seu show favorito!
42
Quando sopra o vento sul,
a trova viaja e vai fundo.
Seu caminho é o céu azul…
Espalha-se pelo mundo!
43
Quem se concentra no estudo
vence o mundo, sem esquema.
Leva consigo um escudo:
- Enfrentar qualquer problema.
44
Que o natal traga a engrenagem
da paz… do amor… da magia,
unindo o sonho à linguagem,
ao mundo azul da poesia…!
45
Que o Trovador lá de cima,
nosso vate preferido,
mostre o bem, o amor, a rima
e o seu rastro a ser seguido!
46
Quero um planeta perfeito,
sem guerra, sem corrupção.
Povo justo e satisfeito,
respeitando seu irmão!
47
Reconheço que a razão
me exerce extremo fascínio,
mas, se acerta o coração…
perco o rumo e o raciocínio!
48
Romântico e apaixonado,
meu pensamento flutua,.
vai ao céu... volta zoado:
Vive no mundo da lua!
49
Saudade vive e contesta,
me acorda de madrugada,
faz lembrar-me o fim da festa…
o beijo… e a noite estrelada!
50
Se falta a luz ou calor,
para isso tem saída...
Só a falta do teu amor
me apaga e congela a vida!
51
Sem escolha, oficialmente,
chegou lá, na luz de Deus.
Foi em paz… Solenemente…
Reencontrar com os seus!
52
Seu forte olhar, penetrante...
me acelera o coração.
O seu perfil estonteante
ofusca a minha visão.
53
Sob o feitiço do mar,
o poeta assim diria:
-É propício pra sonhar,
mas, sem você... que ironia!!!
54
Sou mulher, luto, decido,
sei de cor muitos poemas,
mas com seu beijo atrevido
esqueço até dos problemas!
55
Surge atrevida a saudade,
sem alarme e sem aviso,
ataca qualquer idade...
Se acaba com teu sorriso!
56
Tão doce e bem-humorado,
meu Pai, por suas virtudes,
deixou-me grande legado
nas palavras e atitudes.
57
Tendo um bom livro na mão,
alço voo... crio asa.
Mando embora a solidão...
Sem sair da minha casa…
58
Trovador por excelência,
tem nas veias o otimismo:
faz as trovas com sapiência,
e dá lições de altruísmo!
59
Vai ano velho, de vez,
leve o mal e o duvidoso,
que o Ano Novo em rapidez,
há de ser mais generoso!
60
Vence valores, de fato,
quando em meio à discussão,
se revolta de imediato,
mas, na ofensa… dá o perdão!!!
61
Vou dormir porque preciso
com você, mamãe, sonhar,
e sonolenta analiso:
não vou querer acordar!
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Vânia Ennes 
VÂNIA MARIA SOUZA ENNES é uma das figuras contemporâneas mais ativas do movimento trovadoresco e do cenário cultural do Paraná. Vinda de uma tradicional linhagem de intelectuais e poetas curitibanos, ela se destaca tanto na administração cultural quanto na criação poética. Nasceu em Curitiba/PR. Tem forte ligação histórica e afetiva com o ambiente cultural da capital paranaense (especialmente o histórico "Chalé da Marechal", residência de seus avós intelectuais). Possui uma sólida carreira na área administrativa e empresarial. Graduou-se em Administração de Empresas (com habilitação em Comércio Exterior) e também em Direito. Fez pós-graduação em Língua Francesa na França. Atuou fortemente no meio corporativo e foi diretora da empresa Capríssima Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda. Exerceu papéis de liderança civil, como coordenadora na Business Professional Women (BPW), conselheira municipal da Condição Feminina e vice-presidente da Sociedade Eunice Weaver do Paraná.
Filha da poetisa Ariane Maria França de Souza e neta do ilustre intelectual Heitor Stockler de França (um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná) —, ela começou muito cedo. Publicou seu primeiro poema em jornal aos 9 anos. Sua trajetória institucional inclui: Teve papel de liderança máxima regional, atuando como presidente da UBT - Seção Curitiba por três gestões consecutivas e também como presidente da UBT no âmbito estadual do Paraná; Membro atuante do Centro de Letras do Paraná.
Prêmio Pablo Neruda dos Direitos Humanos; Medalha de Mérito Fernando Amaro (concedida pela Câmara Municipal de Curitiba por relevância cultural); Vencedora do Concurso Internacional de Trovas Brasil-Portugal (promovido pelo Elos Clube Internacional); Top Comercial (Associação Comercial do Paraná) por sua atuação corporativa; Diversos diplomas e premiações em concursos nacionais e locais de Trovas. Livros Publicados: Paraná em Trovas – Coletânea/antologia de trovas paranaenses organizada em três edições; Chuva de Trovas – Obra poética própria disponibilizada em formato de e-book; Livros de pesquisa genealógica (publicou quatro volumes dedicados à história de famílias tradicionais).
A importância de Vânia Ennes para a literatura se concentra em duas frentes: preservação histórica e revitalização do movimento trovadoresco. Como herdeira cultural de Heitor Stockler de França, ela atua como uma guardiã da memória literária do Paraná. No campo da trova, sua dedicação garantiu a continuidade dos tradicionais Jogos Florais, abrindo espaço para novos trovadores e organizando antologias cruciais, como o Paraná em Trovas, que mapeiam e registram a produção poética contemporânea da Região Sul. 

Sites consultados = Centro de Letras do Paraná (facebook), Colaboração da Trovadora, Portal Cá Estamos Nós, Gazeta do Povo, Oceano de Letras, etc.