segunda-feira, 20 de julho de 2026

Minhas Trovas Premiadas * 3 *

 
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José Feldman, trovador desde 1991, pertenceu à Seção São Paulo/SP, Delegacias de Arapongas/PR e Campo Mourão/PR, Delegado de Ubiratã/PR.

Asas da Poesia * 204 *

Imagem = criação com IA Microsoft Bing

Poema de
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ES

Ao contrário

Às vezes penso:
se restasse apenas
uma lembrança do meu passado;
acredito que sobreviveria...
Contudo, de tudo,
por tudo, a mais cruel nostalgia
certamente, aos poucos, 
“todo o meu ser” todo ele, 
me sufocaria... 
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Trova Humorística de
GILVAN CARNEIRO DA SILVA
São Gonçalo/RJ

O truque falha... vermelho,
o mágico diz que o enguiço
é culpa do seu coelho
que ainda é novo no serviço...
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Soneto de
ADELMAR TAVARES
Recife/PE, 1888 – 1963, Rio de Janeiro/RJ

Covardia

Se ela bater de novo à minha porta,
arrependida, para o meu amor,
hei de dizer-lhe tudo quanto corta
minha alma, como um gládio vingador!...

O que vier desse gesto, pouco importa!
Não se fez cega e surda à minha Dor?!
Pois bem, nem mesmo se hoje a visse morta,
dar-lhe-ia a reverência de uma flor...

Mas, ai! batem de leve na janela.
Entram na sala... Sua voz... É tarde
para fugir de vê-la! Enfrento-a... É ela!

Hesito... Tremo... E sôfrego... aturdido,
caio nos braços seus como um covarde,
e me ponho a chorar como um perdido! 
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Soneto de
LUCÍLIA A. T. DECARLI
Bandeirantes/PR

Intrepidez

Menino-moço, apaga em ti vadiagem
e abraça forte a luta a ser remida.
Repele os ócios, finca, ali, coragem
e irás banir fracasso e a dor parida.

Procura obter no estudo a sã mensagem;
saber, transpõe entraves desta vida!
Rendido ao medo vais perder bagagem;
verás avessa e ignóbil tua lida.

Avante! Passos firmes, mente alerta;
jornada longa, exige ardor e audácia!
No atual recuo, adentras rota incerta

com beco torpe e acesso a um só cantinho…
Terás vitória sobre a vil falácia,
se houver bravura e ação no teu caminho!
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Aldravia de
MATUSALÉM DIAS DE MOURA
Vitória/ES

minha
alma
chora
um
sonho
morto
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Soneto de
ATHOS FERNANDES
Itaperuna/RJ, 1920 – 1979, Bom Jesus do Itabapoana/RJ

Pedintes

O pobre pede o pão. O nobre pede o trono.
O santo pede o altar, o crente pede a missa,
e quem das leis sociais sofre amargo abandono
ergue as mãos para o Céu, pedindo por justiça.

Quem ama pede amor. O insone pede o sono.
O mártir pede a cruz, e pede, o herói, a liça.
Pede o inverno o verão. A primavera o outono,
e o sábio pede a luz da verdade castiça!

Quem luta pede a paz. O enfermo pede a cura.
O verme pede a terra e a águia pede a altura
e quem sofre a opressão pede a mão que o redima.

E o Poeta, também, seguindo a mesma norma,
é um mendigo a pedir a pureza da Forma,
a beleza da Ideia e a riqueza da Rima!
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Trova Premiada de
DOROTHY JANSSON MORETTI 
Três Barras/SC, 1926 – 2017, Sorocaba/SP

Meus pobres sonhos, tão fracos,
a vida em escombro os fez,
mas, teimosa, eu junto os cacos…
e eis-me a sonhar outra vez! 
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Poema de
ADÉLIA PRADO
Divinópolis/MG

Exausto

Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
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Quadra Popular

Meu benzinho não é este,
nem aquele que lá vem.
Meu benzinho está de branco,
não mistura com ninguém.
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Soneto de
FLORBELA ESPANCA
(Florbela de Alma da Conceição Espanca) 
Vila Viçosa/Portugal, 1894 – 1930, Matosinhos/Portugal

Se Tu Viesses Ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca, 
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo 
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
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Trova de
ANTONIO JURACI SIQUEIRA
Belém/PA

Vão-se as agruras da lida
e tudo tem mais valia
sempre que a vida é envolvida
nos braços da poesia!
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Poema de
CARMEN FELICETTI
Petrópolis/RJ

Acalanto do mar

Linda rede azul e verde
Azul e verde é o mar
Uma ponta em Cabo Frio
A outra, onde estará?
A sua franja branquinha
De renda do Ceará
Vai se arrastando na areia
Num doce pra lá pra cá.
O vento a embala fraco
O vento a embala forte
Depende se vem do sul
Depende se vem do norte.
O pescador no seu ventre
Todo dia arrisca a sorte
A sua trama é tecida
Com fios de vida e morte.
Á noite a voz da sereia
O marinheiro convida
Para dormir e sonhar,
Deitar no fundo da rede
E enroscar o seu corpo
No corpo de Iemanjá.
E vai e ondula e oscila
E vem balança e tonteia
E sua renda branquinha
Risca um bordado na areia.
Linda rede azul e verde
Azul e verde é o mar
Uma ponta em Cabo Frio
A outra, onde estará?
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Haicai de
RENEU DO AMARAL BERNI
Goiânia/GO

Borboleta

No varal do pátio,
Sobre a saia de florzinhas,
Uma borboleta.
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Sextilha de
ANTONIO NUNES DE FRANÇA
Limoeiro do Norte/RN

Em Limoeiro do Norte,
a tarde mudou de clima;
assim houve duas chuvas:
uma d’água, outra de rima;
uma de cima pra baixo,
outra de baixo pra cima.
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Trova Humorística de
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
São Paulo/SP

Chegou a sogra, querida,
e a desgraça aconteceu:
veio o cão... Com a mordida,
deu a raiva... e o cão morreu!
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Glosa de
GISLAINE CANALES
Herval/RS, 1938 – 2018, Porto Alegre/RS

Lareira saudade...

MOTE:
Fiz da saudade que aquece
a solidão dos meus dias,
a mensagem que enternece
minhas horas tão vazias.
Carolina Ramos
Santos/SP

GLOSA:
Fiz da saudade que aquece,
minha doce companheira,
peço, fique, quase em prece,
comigo, na noite inteira!

Eu preciso amenizar
a solidão dos meus dias,
minhas noites, a chorar,
são tristes, sem alegrias.

Quando o meu tempo anoitece
lanço em ecos pelo mundo
a mensagem que enternece
desse meu sofrer profundo!

Saudade, lareira ardente,
vem, aquece as horas frias,
enche de amor, ternamente,
minhas noites tão vazias.
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Aldravia de
MESSODY RAMIRO BENOLIEL
Rio de Janeiro/RJ

chuvas
gostosas
lembranças
tuas
minhas
nossas
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Soneto de
INÁCIO DANTAS
Euclides da Cunha/BA

Soneto aos poetas

Todo poeta canta para si
a paz e o amor que deseja para o mundo!

Canta, entra no mundo da magia,
põe o tom da paixão n´alma inquieta
move do céu os trovões da alegria
diz o amor com lábios de profeta.

Ergue o teu pensar em linha reta
canta o que tem da vida mais valia,
se alguém não se lembrar do poeta
talvez ainda se lembre da poesia.

Fugir do amor quem o faz se ilude,
revela uma poesia feita a esmo
quem ama e se fecha em si mesmo.

O amor é poesia na sua plenitude!
– Poeta, dessa madeira que tu lavras
constrói o teu castelo de palavras!
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Trova Premiada de
ROBERTO TCHEPELENTYKY
São Paulo/SP

O destino escreve a escolha
do amor de nós dois assim:
Páginas da mesma folha…
Tu… de costas para mim!…
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Poema de
AL BERTO
(Alberto Raposo Pidwell Tavares)
Coimbra/Portugal, 1948 – 1997, Lisboa/Portugal

Acordar tarde 

tocas as flores murchas que alguém te ofereceu
quando o rio parou de correr e a noite
foi tão luminosa quanto a mota que falhou
a curva - e o serviço postal não funcionou
no dia seguinte

procuras ávido aquilo que o mar não devorou
e passas a língua na cola dos selos lambidos
por assassinos - e a tua mão segurando a faca
cujo gume possui a fatalidade do sangue contaminado
dos amantes ocasionais - nada a fazer

irás sozinho vida dentro
os braços estendidos como se entrasses na água
o corpo num arco de pedra tenso simulando
a casa
onde me abrigo do mortal brilho do meio-dia
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Triverso de
ALICE RUIZ
Curitiba/PR

Tempo

Voltando com amigos 
o mesmo caminho 
é mais curto.
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Spina de
JOSÉ FELDMAN
Floresta/PR

Repouso da Guerreira

Repousa a gatinha
envolta na aura
de pura serenidade.

Em seu semblante, a sensação
de satisfação de outro dia
de lutas contra a adversidade.
Dorme o sono da guerreira,
baú de sonhos da divindade.
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Trova de
PROFESSOR GARCIA
Caicó/RN

Na vida, são tantos "ismos",
no entanto, o que é mais feroz,
é aquele que abre os abismos
do abismo que há entre nós!
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Acróstico de
HILDEMAR CARDOSO MOREIRA
Contenda/PR

Antônio Eugênio 
(Acróstico ao graduando Antônio Eugênio Pavloski)

A escalada do progresso é sempre dura,
Não progride nesta vida quem não luta
Todos têm necessidade da cultura:
O saber, valor garante na labuta.
Não é apenas o diploma conquistado,
Isso que consegue o jovem estudante,
O mais importante, é sim, o aprendizado,

E aprender e saber nunca é bastante.
Um degrau tu venceu galhardamente,
Ganhaste uma batalha heroicamente,
E muitas vencerás nos dias teus.
Não descure porém o analfabeto,
Irmane-se ao inculto, dê-lhe afeto:
O amor é a nave que nos leva a Deus.
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Poetrix de
BETO QUELHAS
São Paulo/SP

águas do rio

passam com rapidez
como o amor que partiu
e a dor que se fez
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Soneto de
EMILIANO PERNETA 
Pinhais/PR, 1866 — 1921, Curitiba/PR

Ao cair da tarde

Agora nada mais. Tudo silêncio. Tudo,
Esses claros jardins com flores de giesta,
Esse parque real, esse palácio em festa,
Dormindo à sombra de um silêncio surdo e mudo...

Nem rosas, nem luar, nem damas... Não me iludo,
A mocidade aí vem, que ruge e que protesta,
Invasora brutal. E a nós que mais nos resta,
Senão ceder-lhe a espada e o manto de veludo?

Sim, que nos resta mais? Já não fulge e não arde
O sol! E no coril negro deste abandono,
Eu sinto o coração tremer como um covarde!

Para que mais viver, folhas tristes do outono?
Cerra-me os olhos, pois, Senhor. É muito tarde.
São horas de dormir o derradeiro sono.
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Trova de
A. A. DE ASSIS
Maringá/PR

Na minha idade avançada,
ser sensato é insensatez...
– Agora ou é tudo ou nada:
sou feliz ou perco a vez!
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Poema de
LUIZ POETA
(Luiz Gilberto de Barros)
Rio de Janeiro/RJ

Tempo de olhar o tempo

Um olho no relógio, outro na vida;
O tempo não convida, ele intima;
Quem não sabe lutar, foge da esgrima;
Quem bate no destino, ele revida.

Embora a tristeza nos oprima,
Quem não conhece a dor, sente a ferida
Na víscera da dor mais dolorida…
O amor é uma dor que não vitima.

Deus nunca olha o homem lá de cima,
Ele aproxima o ser do Criador;
E quando ele se vê no seu senhor, 
Entrega-lhe essa dor que o subestima. 

O amor é uma sublime obra-prima
Que prima pela criatividade;
Ele se move acima da maldade,
Por mais que alguma mágoa o deprima.

Ninguém consegue ver olhando a esmo,
E quando  o nosso olhar nos desanima,
Fazemos nosso amor ter como rima
A dor que o desamor faz de si mesmo.

Um olho no relógio… e na manhã;
Poetas têm a solidão por prima
Mas é na solidão que os anima
Que a emoção se torna… sua irmã.

(Primeiro Lugar no Concurso Literário da Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil 2013)
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Mensagem na Garrafa 198 = Trabalhar com alegria

Imagem: IA Microsoft Bing

AUTOR ANÔNIMO

Havia uma fazenda onde os trabalhadores viviam tristes e isolados uns dos outros. Eles estendiam suas roupas surradas no varal e alimentavam seus magros cães com o pouco que sobrava das refeições. Todos que viviam ali trabalhavam na roça do senhor João, dono de muitas terras, que exigia trabalho duro, pagando muito pouco por isso.

Um dia, chegou ali um novo empregado, cujo apelido era Zé Alegria. Era um jovem agricultor em busca de trabalho. Foi admitido e recebeu, como todos, uma velha casa onde iria morar enquanto trabalhasse ali.

O jovem, vendo aquela casa suja e abandonada, resolveu dar-lhe vida nova. Cuidou da limpeza e, em suas horas vagas, lixou e pintou as paredes com cores alegres e brilhantes, além de plantar flores no jardim e nos vasos.

Aquela casa limpa e arrumada destacava-se das demais e chamava a atenção de todos que por ali passavam.

Ele sempre trabalhava alegre e feliz na fazenda, por isso tinha o apelido de Zé Alegria.

Os outros trabalhadores lhe perguntavam: como você consegue trabalhar feliz e sempre cantando com o pouco dinheiro que ganhamos?

O jovem olhou para os amigos e disse: – Bem, este trabalho hoje é tudo que eu tenho. Ao invés de blasfemar e reclamar, prefiro agradecer por ele. Quando aceitei trabalhar aqui, sabia das condições. Não é justo que agora que estou aqui, fique reclamando. Farei com capricho e amor aquilo que aceitei fazer.

Os outros, que acreditavam ser vítimas das circunstâncias, abandonados pelo destino, o olhavam admirados e comentavam entre si: "como ele pode pensar assim?"

O entusiasmo do rapaz, em pouco tempo, chamou a atenção do fazendeiro, que passou a observá-lo à distância.

Um dia o sr. João pensou: "Alguém que cuida com tanto carinho da casa que emprestei, cuidará com o mesmo capricho da minha fazenda. Ele é o único aqui que pensa como eu. Estou velho e preciso de alguém que me ajude na administração da fazenda."

Num final de tarde, foi até a casa do rapaz e, após tomar um café bem fresquinho, ofereceu ao jovem o cargo de administrador da fazenda. O rapaz aceitou prontamente.

Seus amigos agricultores novamente foram lhe perguntar:

"O que faz algumas pessoas serem bem sucedidas e outras não?"

A resposta do jovem veio logo: 

– Em minhas andanças, meus amigos, eu aprendi muito e o principal é que: não somos vítimas do destino. Existe em nós a capacidade de realizar e dar vida nova a tudo que nos cerca. E isso depende de cada um. 

Toda pessoa é capaz de efetuar mudanças significativas no mundo que a cerca. Mas, o que geralmente ocorre é que, ao invés de agir, jogamos a responsabilidade da nossa desdita sobre os ombros alheios. Sempre encontramos alguém a quem culpar pela nossa infelicidade, esquecidos de que ela só depende de nós mesmos. Para encobrir sua indolência, muitos jogam a culpa no governo, nos empresários, nos políticos, na sociedade como um todo, esquecidos de que quem elege os governantes são as pessoas; que quem gera empregos são os empresários, e que a sociedade é composta pelos cidadãos. Assim sendo, cada um tem a sua parcela de responsabilidade na formação da situação que nos rodeia. E para ser feliz, basta dar ao seu mundo um colorido especial, como o personagem desta história que, mesmo numa situação aparentemente deprimente para os demais, soube fazer do seu mundo uma realidade bem diferente.

E conforme ele mesmo falou: existe em nós a capacidade de realizar e dar vida nova a tudo que nos cerca.

Lançamento do E-book Alquimia do Tempo


Olá! Tudo bem?

Paulistano, radicado no Paraná há 27 anos, gostaria de lhe apresentar o meu mais novo projeto literário: o e-book Alquimia do Tempo.

Como apaixonado pelas histórias que nos cercam, convido você a embarcar nas páginas do meu novo e-book, Alquimia do Tempo (no link ao final).

Ao longo de 195 páginas, reuni pouco mais de 50 crônicas e contos que nasceram daquilo que todos nós experimentamos no dia a dia: nossas vivências, os detalhes que observamos ao nosso redor e até mesmo as histórias que assistimos na TV.

Não são textos longos, mas dinâmicos, escritos sob medida para que você possa saborear cada linha no seu próprio ritmo. Mais do que simples relatos, a maioria dessas narrativas traz uma mensagem reflexiva ao final, funcionando como um convite para pensarmos sobre a vida e o tempo. Ao final do livro, você também poderá conhecer um pouco mais sobre a minha trajetória na seção biográfica.

Espero que deguste estas páginas, como se degusta um bom vinho


Abraços,
José Feldman

Luiz Gonzaga da Silva (Trova e Cidadania) 2 - Abandono


O abandono é a marca dominante da nossa sociedade. Os estados abandonam seus cidadãos, os governos abandonam seus governados, os ricos abandonam os pobres. A pobreza desestrutura as famílias, que abandonam seus filhos.

Sem rumo e sem esperanças,
vagando pelas cidades,
seguem as nossas crianças
a sofrer atrocidades.
Gonzaga da Silva - RN

É mais fria a madrugada
e muito mais triste o outono
dos que caminham a estrada
das montanhas do abandono.
Rodrigues Neto - RN

Bem mais triste que o lamento
de um velho e rouquenho sino
é o de quem dorme ao relento
sobre o leito do destino.
Sebastião Soares - RN

Dói bem mais que a própria dor
o desumana suplício
de quem tem por cobertor
a sombra de um edifício.
Sebastião Soares - RN

No abandono das marquises,
meninos dormem de mão,
fingindo que são felizes
nos braços da solidão.
Flávio Roberto Stefani - RS

O abandono é sobretudo trágico para as crianças. O Brasil tem 14 milhões de crianças e adolescentes na miséria. Crianças e adultos caçam restos de alimentos nos lixões para sobreviver.

Na mesma rua onde os nobres
desfilam pompa e capricho,
se encontram crianças pobres
entre montanhas de lixo.
Elen de Novais Félix - RJ

As criancinhas errantes,
sem pai, sem mãe, sem guarida,
são espumas flutuantes
nas torrentes desta vida.
Sebastião Soares - RN

Apontam-se como possíveis causas do aumento da violência no Brasil o abandono dessa grande parcela da população. Diante do desespero muitas crianças e adolescentes, para sobreviverem, tornam-se presas fáceis do crime.

A criança abandonada,
na rua a perambular,
é uma semente plantada
que no crime vai brotar.
Francisco Bezerra - RN

A criança abandonada,
sem pai, sem teto, sem pão,
tem a violência estampada
no rosto e no coração.
Luiz Machado Stabile - RS

Dê-se a devida assistência
à criança abandonada,
e a lágrima da violência
jamais será derramada.
Revoredo Netto - RN

Oh, Papai Noel, inclua, 
um pedido em seu caminho:
- Dê à criança de rua, 
um pouquinho de carinho!
José Feldman - PR
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
LUIZ GONZAGA DA SILVA é um respeitado trovador e articulador cultural radicado em Natal/RN. No universo da poesia clássica e das competições de trovas, ele se destaca como uma das figuras mais ativas do movimento trovadoresco do Nordeste brasileiro.  Nasceu em São José do Campestre/RN, em 1940. Aos doze anos sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, mudando definitivamente para Natal/RN, em 1975, onde reside até hoje e concentra suas atividades literárias e profissionais. É um dos principais pilares da trova em Natal. Ele atua frequentemente como coordenador, organizador de certames e interlocutor da poesia potiguar com trovadores de todo o Brasil. É um mestre na composição da trova tradicional. Seus versos transitam com facilidade entre o lirismo filosófico, o amor ao chão nordestino e o humor sutil. Por sua competência técnica e sensibilidade, acumula premiações e classificações de destaque em concursos nacionais de trovas promovidos por diferentes ramificações da trova no Brasil. Atuação como Julgador e Coordenador: É recorrentemente convidado para presidir comissões julgadoras ou coordenar concursos de âmbito nacional, avaliando trovas enviadas por poetas de todas as regiões brasileiras sob temas específicos.
Entre suas contribuições impressas para a preservação do movimento poético, destaca-se: "Trova e Cidadania" (Natal/RN): Obra que reúne parte de sua sensibilidade poética e reflete sobre o papel social da poesia na construção da cidadania; Coletâneas Didáticas: Participação ativa em antologias locais e nacionais, além de registrar suas produções na antologia digital coletiva A Trova Potiguar.
A relevância de Luiz Gonzaga da Silva concentra-se na salvaguarda e difusão da trova na Região Nordeste. Em uma era dominada por versos livres e mídias rápidas, o trabalho de preservação das formas poéticas fixas (como a trova e o soneto) exige dedicação e paixão. Ao capitanear concursos nacionais a partir do Rio Grande do Norte, ele insere o estado na rota dos grandes trovadores do país, garantindo que a tradição lírica originada em solo potiguar permaneça vibrante, acessível e atraente para as novas gerações de escritores.

(Luiz Gonzaga da Silva (org.). Trova e Cidadania. Natal/RN, abril de 2019. Livro enviado pelo autor.)

Arthur Thomaz (O velho e o mar)


– Olá, velho amigo.

– Olá, há quanto tempo!

– É verdade, antigamente eu era mais presente em sua vida.

– Pois é, o destino leva a gente para lugares bem diferentes.

– Sim, mas estamos aqui novamente juntos, e eu quero dizer que você fez parte integrante da minha vida, em quase todas as épocas.

– Sim, eu sei. Acompanhei você em várias das suas peripécias, mas que não convém relatar neste conto.

– Concordo, meu amigo, é bem melhor não citá-las. Vamos conversar assuntos sérios.

E continuei:

– O que estão fazendo com você atualmente?

Respondeu em um tom triste:

– Não é só atualmente, há muito tempo eu ando sendo castigado.

Lembre-se que o primeiro teste da bomba atômica foi realizado no Atol de Bikini, e até hoje tem consequências graves. Na região existem animais nascendo com malformações pela ação da radiação.

Eu concordei:

– É verdade, eu me lembro desse fato. O ser humano ainda vai pagar muito caro por essas loucuras.

Prossegui:

– Lembro-me das manhãs de domingo em uma praia famosa no Rio de Janeiro, em que os ônibus de excursões traziam milhares de pessoas, que além de sujarem as areias, não utilizavam os banheiros químicos disponíveis.

Respondeu gargalhando:

– Sim, mas tudo o que eles faziam, eu devolvia com as minhas ondas, geralmente acertando os corpos vermelhos de sol.

Eu tive que sorrir ao imaginar a cena.

Agora, com ar mais sério, ele prosseguiu:

– São dois fatos que me aborrecem. Os humanos colocam a culpa dos tsunamis em mim, quando na verdade são os terremotos que causam isso, e tenho a responsabilidade de ser o pulmão do mundo, embora alguns tolos falem que é a floresta amazônica, e destroem o meu zooplâncton jogando o conteúdo dos esgotos em mim.

Concordei e disse:

– O ser humano vai se autodestruir em pouco tempo, mas até lá nossa amizade continuará inabalável.

O mar, antes de se despedir, falou:

– Meu amigo, você me emprestaria seus óculos para miopia?

– Sim, sem dúvida, mas por quê?

Meio sem graça, respondeu.

– É que estão acontecendo coisas lá nas profundezas abissais e eu já estou ficando velho e não consigo enxergar lá embaixo.

Sem conseguir conter o riso, falei.

– Tome, meu amigo míope, faça bom proveito dele.

Ele também sorriu, e nos despedimos com outro abraço molhado e salgado, prometendo nos encontrarmos em breve.

PS: Ernest Hemingway, espero que você não se incomode de eu ter utilizado o título de seu famoso livro em meu modesto conto.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
ARTHUR THOMAZ (assinando em concursos de trovas também como Arthur Thomaz da Silva Neto) é um escritor, médico e poeta paulista contemporâneo, de Campinas/SP. Ele vem se destacando no cenário da literatura do interior de São Paulo, pela versatilidade na prosa e pelo resgate ativo do movimento trovadoresco regional. A trajetória profissional de Arthur Thomaz concilia a carreira na saúde, o serviço militar e a dedicação integral à escrita: É médico de formação e atuou na área da saúde no interior paulista; Serviu ao Exército Brasileiro, onde alcançou o posto de 2º Tenente da Reserva (R2) do Corpo de Oficiais Médicos; Suas atividades literárias frequentemente se cruzam com espaços de reabilitação e saúde integrada, realizando lançamentos de livros em centros e clínicas especializadas da região de Campinas.
Embora com uma carreira consolidada na medicina como anestesista, Arthur Thomaz despontou no universo literário com uma produção altamente prolífica e diversificada, publicada e distribuída principalmente pela Bueno Editora. Sua vida literária transita por três vertentes principais: 
Os Romances e Ficção de Costumes: Escreve histórias que valorizam a simplicidade, o cotidiano e a vida no campo. Suas principais obras de prosa incluem Leves contos ao Léu (alguns volumes): Pedro Centauro (2024), Sofia e o Circo (2025) e Laura, a Autoridade.
Presença no Movimento Trovadoresco: Consolidou-se como um trovador premiado em importantes competições dos Trovadores e academias paulistas. Conquistou colocações de destaque em certames tradicionais, como o Concurso de Trovas da Academia Campinense de Letras e os Jogos Florais de Curitiba.
Produção de Trovas em Livro: No ano de 2024, lançou a obra de trovas Rimando Ilusões e Rimando Sonhos. O livro inovou no mercado editorial recente ao focar de maneira temática e exclusiva na estrutura clássica da trova.
A relevância de Arthur Thomaz na literatura contemporânea de Campinas e região apoia-se em fatores estéticos e de incentivo cultural: Em um mercado literário dominado por versos livres e e-books rápidos, Thomaz atua na contramão ao publicar Rimando Ilusões, trazendo visibilidade de mercado para a estrutura da trova (redondilha maior, com rimas fixas e métrica rigorosa de sete sílabas). Suas obras de ficção resgatam uma "literatura gentil", focada na vida rural paulista, no acolhimento de sua gente e nas sutilezas de personagens comuns. Isso ajuda a documentar a identidade sociocultural da região metropolitana de Campinas para além do caos puramente urbano. Por meio de seus lançamentos e de sua dupla jornada antigamente como médico e se mantendo como escritor, ele fomenta discussões sobre o papel da escrita como ferramenta de bem-estar, aproximando a literatura de círculos de saúde e desenvolvimento psicossocial na comunidade campineira.

(Arthur Thomaz. Leves contos ao léu: Inimagináveis. Santos/SP: Buena Ed., 2025. Enviado pelo autor.)