quarta-feira, 18 de março de 2026

José Feldman (Ecos do Deserto) 2. A Força do Amor

Contos curtos inspirados em Malba Tahan e em As Mil e Uma Noites

"Salaam’aleikum"
(Que a paz esteja convosco), meus perseverantes amigos. As estrelas já caminham para o repouso, mas antes que a luz do sol apague as nossas lanternas, eu, Mustafá, o peregrino, lhes darei este presente: uma história onde o amor provou ser a magia mais poderosa que existe sobre a face da terra.

"Bismillah" (Em nome de Deus), deixem que o voo desta narrativa comece.

Em um reino entre as dunas e o mar, um jovem Príncipe chamado Khalid casou-se com a bela Amira. "Alhamdulillah" (Louvado seja Deus), dizia o povo, pois nunca se viu par tão perfeito. 

No entanto, o que ninguém sabia era que uma bruxa invejosa, despeitada por não ter sido convidada para o banquete de noivado, lançara sobre a jovem um "sihr" (feitiço) cruel.

Na noite de núpcias, quando a lua subiu ao zênite, Amira sentiu seus ossos tornarem-se leves e seus braços cobrirem-se de penas. Antes que Khalid entrasse no quarto, ela transformou-se em um falcão real e partiu pela janela, ganhando o céu noturno.

Noite após noite, o Príncipe entrava no leito e encontrava apenas o vazio e uma única pena dourada sobre o travesseiro. 

"Ya Allah" (Ó Deus), clamava ele, "onde se esconde a minha amada quando as sombras caem?". 

O desespero começou a consumir sua alma, e muitos diziam que o Príncipe estava perdendo o juízo, pois ele passava as noites em claro, vigiando as torres do castelo.

Certa madrugada, Khalid fingiu dormir. Sob a luz pálida de uma lamparina de azeite, ele viu o indizível: sua doce Amira, com os olhos cheios de lágrimas, contorcer-se enquanto o encanto a transformava em ave. Num bater de asas frenético, o falcão pousou no parapeito da janela, pronto para ganhar a escuridão.

Num ímpeto, Khalid correu e, em vez de tentar capturá-la ou feri-la, caiu de joelhos diante da ave. 

"Ya Habibi" (Meu amor), exclamou ele com a voz embargada, "não fuja mais de mim! Não importa se tens pele de seda ou penas de rapina, se tens voz de mulher ou o grito dos céus. O que eu amo habita no teu coração, e ele é minha morada. Se fores humana, serei teu marido; se fores falcão, serei teu ninho e teu céu. Tu moras em mim, para além de qualquer forma!"

Ao ouvir essas palavras de entrega total, o impossível aconteceu. O amor puro de Khalid agiu como um fogo que consumiu a maldição. Uma luz ofuscante preencheu o quarto e, onde antes estava o falcão, surgiu Amira, chorando de alegria, agora humana para sempre. 

"Shukran" (Obrigado), sussurrou ela, "pois só um amor que aceita o impossível poderia quebrar o que a maldade teceu".

"Maktub" (Está escrito): a verdadeira beleza não está no que os olhos veem, mas no que o coração reconhece.


“As-salaam'aleikum” (Que a paz de Deus esteja com vocês), meus caros. Que vossos amores sejam tão fortes quanto o voo de um falcão e tão firmes quanto as pedras de Bagdá.
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O número 1 desta série pode ser acessada no link
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JOSÉ FELDMAN (71), poeta, escritor, professor, artista plástico digital e gestor cultural de Floresta no estado do Paraná. Pertence a diversas academias de letras do Brasil, Portugal, Suíça e Romênia. Dezenas de premiações em crônicas, contos, poesias e trovas no Brasil e exterior. 7 livros publicados. Editor dos blogs Singrando Horizontes, Pérgola de Textos, Chafariz de Versos e Voo da Gralha Azul (dedicado à trova).

José Feldman. Ecos do Deserto: histórias do Oriente antigo. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine.
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing

Monsenhor Orivaldo Robles (O anjo de plantão)


Para os antigos, bêbado e criança têm especial proteção de Deus. O bêbado da roça era um pobre homem, que trabalhava a semana toda para, no sábado, tomar sua cachaça. Até o cavalo o compreendia. De volta, pela bambeza das rédeas sabia que precisava afrouxar o passo. Quanto cavaleiro chegou a casa dormindo na sela! Vez por outra caía, mas não se machucava. Dos bêbados motorizados de hoje, porém, Deus largou de mão. Não paga mais hora extra ao anjo da guarda. Nem fornece anjos auxiliares. Porque criança e bêbado, além do anjo titular, conta com equipe de apoio. Como canta Zé Geraldo, “hoje o homem criou asas”. Pensa que é dono de tudo e apronta o que lhe dá na telha. As consequências os noticiários jogam, todos os dias, na nossa sala. O mundo hoje é urbano e globalizado. Não mais aquele da nossa infância.

Ao contrário de bêbados ao volante, crianças continuam cuidadas por anjos. É raro que se firam gravemente. Se bem que, hoje em dia, ser criança tenha ficado um tanto chato. Cadê a meninice de outrora, decantada por poetas? Pais parecem tentar obter nos filhos o sucesso que não conseguiram. Impõem-lhes mil atividades. Não os deixam ser crianças. Ou então os enchem de brinquedos que já vêm brincados. Basta apertar botões.

Nossa infância apresentava um vasto leque de alegrias e de surpresas. De obscuros perigos também. Pai e mãe nem sempre estavam perto. Mas o anjo da guarda não descuidava. Se preciso, reunia o esquadrão de apoio. Sozinho nem sempre ele dava conta.

Como em Jales (SP), então um vilarejo com meia dúzia de casas. Eu tinha oito anos. Usava calças curtas. Com um colega fui buscar cacos coloridos de vidro no buracão em que a destilaria descartava garrafas quebradas. Chovera e o chão estava liso. Escorreguei e bati o joelho no chão. Levei um corte horrível. Em borbotões o sangue começou a descer pela perna encharcando a botina. Mais pelo susto que pela dor, botei a boca no mundo e rumei para casa. A mãe saiu-me ao encontro, desesperada. O único médico morava a três quadras. Naquela hora pareceu longe como o Cazaquistão. Ele explicou: “Duas veias foram rompidas. Três centímetros acima, você teria perdido o movimento da perna”. Sou grato ao anjo do plantão daquela manhã.

De volta a Polôni (SP), fomos morar no mesmo sítio. Aos onze anos, em companhia de outros meninos, eu ia à escola num cavalo que deixava no quintal da tia Rosa. Para eu voltar, ela apertava a barrigueira do arreio. Eu não tinha força bastante. Um dia, resolvi cumprir eu mesmo a tarefa. Pior: depois fui disputar corrida com um colega, que vivia elogiando sua eguinha baia. Antes dos primeiros cem metros, o mundo virou de cabeça para baixo. Por sorte, era um areão comprido. A areia me encheu boca, olhos, nariz, cabelos, tudo. Comigo preso à barriga, o cavalo deu de saracotear feito um energúmeno. Quando conseguiu se livrar de mim, desembestou. Mané Melo, cavaleiro mais experiente do grupo, saiu em disparada e o trouxe de volta. A essa altura, loros, estribos, coxinilho, baixeiros, arreio, até as rédeas estavam em estado lastimável. Os amigos ajeitaram as coisas como foi possível. Suprema humilhação: voltei na garupa da eguinha baia, puxando meu cavalo por uma corda. Mas o anjo da guarda deu prova de eficiência. Não sofri um arranhão.

Quanto aos bêbados não sei, mas criança, fica provado, goza mesmo de proteção especial.
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Monsenhor Orivaldo Robles nasceu em Polôni (SP) em 1941. Estudou em Jales e Poloni e ingressou no Seminário Nossa Senhora da Paz, em São José do Rio Preto, em 1953. Cursou Filosofia em Curitiba (PR), graduando-se na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, de Mogi das Cruzes SP, com diploma reconhecido pela USP, São Paulo. Graduou-se em Teologia no Studium Theologicum de Curitiba, afiliado à Pontifícia Universidade Lateranense, de Roma. Lecionou no Colégio Estadual Dr. Gastão Vidigal, e no Instituto de Educação, em Maringá (PR) (1967-1969). No Colégio Estadual e na Escola Normal de Paranacity (PR) (1970-1972). Por quase onze anos trabalhou como pároco de Marialva, de onde saiu no início de 1983 para assumir, por seis anos, o cargo de reitor do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Glória – Instituto de Filosofia de Maringá. Em 1989 assumiu a Paróquia Santa Maria Goretti, em Maringá, onde trabalhou por mais de 20 anos. Desde 2009, trabalhou na Catedral Metropolitana de Maringá, exercendo a função de vigário paroquial. Foi palestrante convidado a discorrer, em colégios ou outros núcleos humanos, sobre temas ligados à cidadania, formação pessoal e sobre ética pessoal ou pública. Em 2012 teve publicado o livro “Celeiro Desprovido”, com 270 páginas, contendo 118 crônicas e artigos escritos desde 1995. Em 2017, foi publicado o livro dos 60 anos da Diocese de Maringá. Foi articulista mensal ou semanal, por mais de quinze anos, de jornais editados em Maringá, além de ter matérias reproduzidas em revistas ou blogs da região. Faleceu de enfisema pulmonar, em 2019, em Maringá/PR.

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Contos e Lendas do Mundo (Vietnã) O Anjo que se Tornou um Búfalo


Quando o planeta Terra foi criado, a terra era vazia. Não havia, plantas, árvores, ou vegetação alguma. O homem tinha uma vida muito dura e mesmo assim, não era capaz de produzir o suficiente para a sua própria alimentação. Às vezes, comia a cada três dias, às vezes, a cada cinco ou seis dias. Estava sempre faminto, embora trabalhasse dia e noite. A verdade é que o homem era digno de piedade.

O Imperador Celeste sentia muito pela dificuldade do homem, e além de desejar prover alimento, também desejava tornar o planeta mais bonito. Então, pensou por algum tempo e fez seu plano. Ele reuniu todos os seus anjos no palácio, e disse:

-   Quem, dentre todos vocês, deseja me ajudar a levar alegria aos homens da Terra, que estão vivendo em terrível dificuldade?

Um dos anjos, chamado Kim Quang, rapidamente se fez voluntário e, com grande interesse, ofereceu concretizar o plano do Imperador Celeste.

Assim, O Imperador Celeste entregou a Kim Quang duas cestas pesadas, presas a ambos os lados de uma vara de bambu. Uma das cestas estava cheia de grãos de arroz e a outra, de grama. O Imperador instruiu Kim Quang a plantar primeiramente todos os grãos de arroz na terra, e o espaço que houvesse ficado vazio, deveria ser cultivado com a grama da outra cesta.

-    Se você fizer exatamente o que lhe disse, eu te recompensarei. Mas, se você desobedecer minha ordem, eu certamente te punirei.

Kim Quang rapidamente concordou com as condições e seguiu em direção à Terra.

Chegando lá, ele plantou toda a grama, que cresceu bela e rapidamente pela superfície da Terra. Quando o anjo distraído se deu conta da ordem que havia recebido, já era tarde demais para reparar o dano, pois havia sobrado uma pequena área de campo para plantar os grãos de arroz.

Descobrindo o que havia acontecido na Terra, o Imperador Celeste irou-se com a incompetência de seu anjo. Então, com seus poderes mágicos, transformou Kim Quang em um búfalo, para que pudesse reparar o solo para o plantio. Ele prometeu ao búfalo que quando ele tivesse removido toda a grama do solo para que este fosse cultivado com alimento, ele poderia voltar aos Céus e tornar-se um anjo novamente.

Mas, aquele dia nunca chegou…

Fontes:
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terça-feira, 17 de março de 2026

Asas da Poesia * 163 *



Poema de
NELSI INÊS URNAU
Canoas/RS

Buscas 

Busquei lá fora, um dia, 
uma vida inteira... 
Busquei sem saber, 
o que mesmo eu queria... 
Busquei e corri mundos, 
travessias, desertos profundos, 
tantas realidades, tantas verdades 
não parei de procurar. 

Busquei cá dentro um coração 
e não consegui defini-lo... 
Não sei o que é a 
alma, o espírito. 
Caminhei léguas sem fim 
e me perdi de mim... 

Ainda caminho, 
navego, voo, corro, 
paro, descanso, medito... 
Contudo, 
ainda a incerteza 
de ter, um dia, 
tudo o que busco 
e que busquei.
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Soneto de
ADELMAR TAVARES
Recife/PE, 1888 – 1963, Rio de Janeiro/RJ

Para o meu perdão

Eu que proclamo odiar-te, eu que proclamo
querer-te mal com fúria e com rancor,
mal sabes tu como, em segredo, te amo
o vulto pensativo e sofredor.

Quem vê o fel que em cólera derramo
no ódio que punge desesperador,
mal sabe que, se a sós me encontro,
chamo por teu amor com o mais profundo amor...

Mal sabes que se acaso, novamente,
buscasses o calor do velho ninho
de onde um capricho te fizera ausente,

eu, esquecendo a tua ingratidão,
juncaria de rosas o caminho
em que voltasses para o meu perdão . . .
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Poema de
EDY SOARES
(Edmardo Lourenço Rodrigues)
Vila Velha/ES

Fim de estação

Quando acabar a guerra,
Não precisa mais munição.

Quando acabar a dor,
Não precisa mais compaixão.

Quando acabar o amor,
Os mortos estarão mortos,
Os corpos sobrepostos
E a alma sem salvação.

Quando acabar a esperança,
Terá acabado a razão.

Quando não tiver mais quem lute,
Estará dominada a nação.

Os abutres continuarão com fome,
Sem como explorar mais os homens,
Terá chegado o fim da estação.

Quem produzia fora exterminado;
Quem explorava, condenado
A não ter mais quem lhe dê o pão.

Os virtuosos foram dizimados;
Do fruto do trabalho, despojados
E destruídos por quem conduziu o mundo
À ultima estação.
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Trova Popular

Tanto limão, tanta lima,
tanta silva, tanta amora,
tanta menina bonita
e meu pai sem uma nora...
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Soneto de
BASTOS TIGRE 
Recife/PE, 1882-1957, Rio de Janeiro/RJ

Definição

Amor é mal, é mal que não tem cura;
mas, sendo mal, sofre-lo nos faz bem . . .
Chora o amante, se o amor lhe dá ventura,
e ri da dor, se dele a dor lhe vem.

O amor é vida e leva a sepultura;
é doce filtro, o amor, e fel contém.
É luz, mas, entretanto, em noite escura
vive, às cegas, o alguém que ama outro alguém.

O amor é cego, e vê todo o invisível;
sendo imutável, quase sempre é vário,
é deus, e faz de um Santo um pecador !

Fraco a indefeso, é força irresistível;
sendo, pois, a si próprio tão contrário,
quem é que pode definir o amor?
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Trova de
LUIZ POETA
Luiz Gilberto de Barros
Rio de Janeiro/RJ

Dentro da farsa, o sorriso
é tinta de maquiagem
que borra e torna impreciso
o traço da própria na imagem.
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Poema de
CID SILVEIRA
São Vicente/SP, 1910 – ????

Ofícios 

Para ganhar meu pão, basta que exista
um oficio qualquer, seja qual for:
caldeireiro, engraxate, motorista,
tecelão, alfaiate ou ferrador.

Todo trabalho é nobre quando honesto,
quando não favorece a exploração
e não provoca o mínimo protesto
de outros que também tem seu ganha-pão.

Por mais rude que for, não me intimida
nem me causa aversão nenhum mister.
Porque trabalho, não receio a vida
e espero sempre o que de pior me vier.

Nem todos os ofícios são amenos
como os que para nos sonharam nossas mães ...
Tudo serei na vida, tudo; menos
agente de policia ou laçador de cães!
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Soneto de
CLEÓMENES CAMPOS 
Maroim/SE, 1897 - 1967, São Paulo/SP

Coração Distante 

Eu bem sei que a tua alma está longe da minha,
tão longe que talvez não a possa alcançar:
vela que mal se vê na amplitude marinha,
dando mais a impressão de um reflexo de luar.

Contudo, muita vez, ela se me avizinha,
que a esperança é também uma brisa de mar.
E a alegria, que em tua ausência já nem vinha,
para te receber, não sai do meu olhar.

Não percebes, porém, a minha angústia imensa.
Prefiro o teu desprezo à tua indiferença;
à tua polidez, prefiro o teu rancor!

Teu coração distante, é inútil, pois não ama,
se o inferno ele não é - porque lhe falta a chama,
o céu não pode ser - porque lhe falta o amor!
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Trova de
LUCÍLIA ALZIRA TRINDADE DE CARLI
Bandeirantes/PR

Busquei a felicidade
e ela, sempre fugidia,
deixou atrás a saudade,
que hoje me faz companhia.
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Spina de
OLEMAR MARIZ
Belo Horizonte/MG

Esses escritores 

Escrevem para mim
adentram o coração, 
extravasam o sentir...

Expressam as palavras certas, incrível!
Chamando a razão tão determinados,
bálsamo para solidão simples admitir,
palavras turvando mágoas, borram dor
fazendo-me voar, planar, viajar, refletir...
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Soneto de
FILINTO DE ALMEIDA 
Porto/Portugal, 1857/ 1945, Rio de Janeiro/RJ

Chama da vida 

Dá-me a tua mão, Amiga, e vamos indo
alegremente pela estrada fora.
É já tarde, e o crepúsculo é tão lindo
como foi o dilúculo da aurora.

Vamos subindo devagar, agora;
dá-me o teu braço, assim, vamos subindo...
Repara: é o mesmo Sol de amor de outrora
que ainda no poente ao longe está fulgindo . . .

Virá depois o luar e, de seguida
clarões de estrelas com que o céu se inflama.. .
E os clarões, e o luar, e o Sol, querida,

são várias formas de uma mesma chama
que está dentro de nós, - chama da Vida
que rebenta no peito de quem ama.
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Poema de
MÁRIO QUINTANA
Alegrete/RS, 1906 – 1994, Porto Alegre/RS

Canção de um dia de vento 

O vento vinha ventando
Pelas cortinas de tule.
As mãos da menina morta
Estão varadas de luz.
No colo, juntos, refulgem
Coração, ancora e cruz,
Nunca a água foi tão pura...
Quem a teria abençoado?
Nunca o pão de cada dia
Teve um gosto mais sagrado.
E o vento vinha ventando
Pelas cortinas de tule...
Menos um lugar na mesa
Mais um nome na oração.
Da que consigo levara.
Cruz, ancora e coração
(E o vento vinha ventando...)
Daquela de cujas penas
Só os anjos saberão !
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Trova de
A. A. DE ASSIS
Maringá/PR

Como é triste o desencanto 
daquele que a duro custo 
desabafa e diz em pranto: 
– Eu me cansei de ser justo! 
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Hino de 
ILHA BELA/SP

Minha cidade meu torrão
Meu berço amado onde nasci
Tens meu amor, meu coração
Pertenço todo, todo a ti

Com que prazer, com que alegria
Eu te saúdo neste dia
Feliz me sinto Ó terra amada
Por ver-te assim glorificada

Oh Ilhabela tão faceira
Terra de sonhos tão querida
Tuas montanhas e palmeiras
Pôr todo o mundo és preferida

Oh Ilhabela gentil
Noiva do mar de encantos mil
Valioso adorno és do diadema
Que envolve o nome Brasil.
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Escada de Trovas de
FILEMON MARTINS
(Filemon Francisco Martins)
São Paulo /SP

A lua

NO TOPO:
"É frio, a noite descansa;
O espaço é vasto e medonho.
De repente, a lua mansa
Surge nos braços de um sonho".
Humberto Del Maestro 
(Vitória - ES)

SUBINDO:
"Surge nos braços de um sonho"
numa beleza sem fim,
e a poesia que componho
fica mais perto de mim.

"De repente, a lua mansa"
aparece sorridente
dando vivas à esperança
e sorrindo à minha frente.

"O espaço é vasto e medonho"
quase sempre me dá medo,
que às vezes fico tristonho
pensando no teu segredo.

"É frio, a noite descansa"
e eu sonho com as estrelas
tão belas, ninguém alcança,
- só é permitido vê-las.
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Trova de
JORGE ALARCÃO POTIER
Lisboa/Portugal (1954 – 2019)

Quando olho pra mim eu rio,
 embora por dentro chore...
 sou como um poço vazio,
 casa aonde ninguém more.
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Poema de
CASSIANO RICARDO
Cassiano Ricardo Leite Machado
São José dos Campos/SP, 1894 – 1974, Rio de Janeiro/RJ
 
Café Expresso

1
Café expresso — está escrito na porta.
Entro com muita pressa. Meio tonto,
por haver acordado tão cedo. . .
E pronto! parece um brinquedo. . .
cai o café na xícara pra gente
maquinalmente.

E eu sinto o gosto, o aroma, o sangue quente de
São Paulo
nesta pequena noite líquida e cheirosa
que é a minha xícara de café.
A minha xícara de café

é o resumo de todas as coisas que vi na fazenda e me
vêm à memória apagada. . .

Na minha memória anda um carro de bois a bater as
porteiras da estrada. . .
Na minha memória pousou um pinhé a gritar: crapinhé!
E passam uns homens
que levam às costas
jacás multicores
com grãos de café.

E piscam lá dentro, no fundo do meu coração,
uns olhos negros de cabocla a olhar pra mim
com seu vestido de alecrim e pés no chão.

E uma casinha cor de luar na tarde roxo-rosa. . .
Um cuitelinho verde sussurrando enfiando o bico na
catleia cor de sol que floriu no portão. . .

E o fazendeiro, calculando a safra do espigão. . .
Mas acima de tudo
aqueles olhos de veludo da cabocla maliciosa a olhar
pra mim
como dois grandes pingos de café
que me caíram dentro da alma
e me deixaram pensativo assim. . .

2
Mas eu não tenho tempo pra pensar nessas coisas!
Estou com pressa. Muita pressa.
A manhã já desceu do trigésimo andar
daquele arranha-céu colorido onde mora.
Ouço a vida gritando lá fora!
Duzentos réis, e saio. A rua é um vozerio.

Sobe e desce de gente que vai pras fábricas.

Pra-lá, pra-cá de automóveis. Buzinas. Letreiros.
Compro um jornal. "O Estado"! "O Diário Nacional"!
Levanto a gola do sobretudo, por causa do frio.
E lá me vou pro trabalho, pensando. . .

Ó meu São Paulo!
Ó minha uiara de cabelo vermelho!
Ó cidade dos homens que acordam mais cedo no mundo!
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Fábula em Versos de
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França

Os médicos

Certo médico, chamado
De alcunha o Tanto-melhor,
Foi visitar um doente,
Do qual o Tanto-pior
Era médico assistente.

O último, sempre funesto,
Que o doente morreria
Altamente sustentava,
E o Tanto-melhor dizia
Que o pobre enfermo escapava.

Houve sobre o curativo
Mui grande contestação;
Um aplicava calmantes,
O outro armava uma questão.
Em favor dos irritantes.

No fim de tanto debate,
O enfermo a vida perdeu,
E o Tanto-pior clamou:
«Vejam qual de nós venceu!
Se o meu cálculo falhou.»

Tornou-lhe o Tanto-melhor,
Mostrando um vivo pesar:
«Pois eu sempre afirmarei
Que morreu por não tomar
Os remédios que indiquei.»

Enquanto a mim, se os tomasse,
Morrer havia igualmente;
Mas é desgraça maior
Cair um pobre doente
Nas mãos dum Tanto-pior.
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Mensagem na Garrafa 159 = Janela com Vista


AUTOR ANÔNIMO

Dois homens, seriamente doentes, ocupavam o mesmo quarto em um hospital. Um deles era obrigado a ficar sentado na cama durante uma hora todas as tardes para drenar líquido dos pulmões. Sua cama ficava próxima da única janela existente no quarto. O outro só podia ficar deitado de bruços. Eles conversavam muito. Falavam sobre suas mulheres e suas famílias, suas casas, seus empregos, seu envolvimento com o serviço militar, onde eles costumavam ir passar férias.

Todas as tardes, quando o homem perto da janela podia sentar-se, passava todo o tempo descrevendo ao seu companheiro todas as coisas que podia ver através da janela.

O homem na outra cama começou a esperar por esse período onde seu mundo era ampliado e animado pelas descrições do companheiro. Ele ouvia o outro contar que da janela via-se um parque com um lago muito bonito. Patos e cisnes brincavam na água enquanto as crianças navegavam seus pequenos barcos. Jovens namorados andavam de braços dados no meio das flores, que eram de todas as cores do arco-íris. Grandes e velhas árvores cheias de elegância na paisagem, e uma fina linha podia ser vista no céu da cidade.

Quando o homem perto da janela fazia suas descrições, fazia-o de modo primoroso e delicado, com detalhes. O outro fechava os olhos e imaginava a cena pitoresca. 

Numa tarde quente, o homem perto da janela descreveu que havia um desfile na rua e embora ele não pudesse escutar a música, podia ver e descrevia tudo.

Dias e semanas passaram-se. Em uma manhã a enfermeira do dia chegou trazendo água para o banho dos dois homens, mas achou um deles morto. O homem que ficava perto da janela morreu pacificamente durante o sono, à noite. Entristecida, chamou os colegas para levarem o corpo.

O outro homem pediu à enfermeira que mudasse sua cama para perto da janela e a enfermeira ficou feliz em poder fazer-lhe esse pequeno favor. Depois de verificar que ele estava confortável deixou-o sozinho.

Vagarosamente, pacientemente, ele apoiou-se nos cotovelos para conseguir olhar pela primeira vez pela janela. Finalmente, ele poderia ver tudo por si mesmo. Esticou-se ao máximo, lutou contra a dor para poder olhar através da janela, até que conseguiu fazê-lo.

E deparou-se, surpreso, com... um muro branco.

Confuso, perguntou à enfermeira o que teria levado seu companheiro a descrever-lhe tantas coisas tão belas, todos os dias, se pela janela só se via um muro branco!?

O outro homem era cego. Talvez só quisesse distrair e alegrar o companheiro com suas histórias.

Há uma tremenda alegria em fazer outras pessoas felizes, independentemente de nossa situação atual. Dividir problemas e pesares é ter metade de uma aflição, mas felicidade quando compartilhada, é ter o dobro de felicidade. Sempre que quiser sentir-se rico, conte as suas bênçãos...

Hoje é um presente e é por isso que o chamamos assim.

Contos das Mil e Uma Noites (O fim de Jafar e dos Baramikas)


Esta, ó afortunado rei, é uma história triste que desfigura o reino do califa Harun Al-Rachid com uma mancha de sangue que nem os quatro rios serão capazes de lavar. Sabe-se, ó rei do tempo, que Jafar era um dos quatro filhos de Yahia Ibn Khaled Ibn Barmak. Seu irmão mais velho, Al-Fadl, era irmão de leite do califa. Sua mãe, Itabah, e a mãe do califa eram ligadas por profundo afeto, e cada uma deu ao filho da outra algum de seu leite. Harun Al-Rachid sempre chamava Al-Fadl de “meu irmão.” 

Os Baramikas tinham sua origem na cidade de Balkh, no Khorassan, onde ocupavam altas posições. Mudaram-se para Damasco uns cem anos após a Hégira do Profeta (sobre ele a oração e a paz) e lá abraçaram o islã. Foi na época dos califas Abássidas em Bagdá que a família foi admitida aos Conselhos da corte. Khaled Ibn Barmak foi nomeado grão-vizir pelo califa Abul-Abbas As-Saffah. Na luta que opôs Al-Hadi a Harun Al-Rachid pelo trono, os Baramikas arriscaram a vida em defesa de Ar-Rachid, e quando este venceu e subiu ao trono, nomeou imediatamente Yahia grão-vizir e seus dois filhos, Al-Fadl e Jafar, vizires. 

A partir desse começo, os Baramikas conheceram todos os favores do destino e mostraram-se dignos deles. Eram como mares de generosidade, um refúgio para os aflitos, um ornamento sem igual na coroa do Império. Eram também administradores hábeis (encheram o tesouro público) e sábios conselheiros. Foi graças a eles que a glória de Harun Al-Rachid ressoou desde os planaltos da Ásia Central até as florestas nórdicas, e desde o Marrocos e a Andaluzia até a China e a Tartária. Jafar, em particular, era companheiro inseparável do califa, uma luz em seus olhos. 

Um dia, Harun Al-Rachid, voltando de uma peregrinação a Meca, navegou pelo Eufrates da cidade de Hira até a cidade de Âmbar e passou a noite no mosteiro de Al-Umr, às margens do rio. Jafar não estava com ele, tendo ido caçar por alguns dias nas montanhas do norte. Contudo, mensagens e presentes do califa seguiam-no em toda parte.

Naquela noite, Jafar estava sentado na sua tenda com Jibril - o médico pessoal de Ar-Rachid que o próprio califa encarregara de zelar pela saúde de Jafar - e o poeta espirituoso Abu-Zahar, também encarregado pelo califa de divertir seu amigo predileto. 

De repente, Masrur, o porta-espada do califa e instrumento de suas vinganças, entrou na tenda sem pedir licença. Jafar ficou pálido e disse ao eunuco: “Masrur, meu irmão, bem sabes que tenho sempre prazer em receber-te, mas espanta-me ver-te chegar assim bruscamente sem despachar um escravo para anunciar a tua chegada.” 

Retrucou o eunuco: “O assunto que me traz é grave demais para que me preocupasse com tais formalidades. Levanta-te, Jafar, e proclama tua fé pela última vez. O Comandante dos .Fiéis exige a tua cabeça.” 

Jafar pôs-se de pé e disse: “Não há Deus senão Alá, e Maomé é o profeta de Alá. Saímos das mãos de Alá, e cedo ou tarde a ele regressamos.” 

Depois, voltou-se para Masrur, que sempre fora seu amigo e companheiro, e disse-lhe: “Não é possível que o califa te tenha dado tal ordem, estando consciente do que fazia. Talvez estivesse distraído ou bêbado. Por favor, volta a ele, e verás que terá mudado suas ordens.” 

Retrucou Masrur: “É tua cabeça ou a minha. Não posso voltar sem cumprir as ordens. Registra teus últimos desejos.” 

– Nada desejo. Possa Alá acrescentar à vida de nosso soberano os anos que me está tirando.

Ajoelhou-se, cobriu os olhos com as próprias mãos, e Masrur cortou-lhe a cabeça. Masrur levou a cabeça ao califa, e este cuspiu sobre ela. Mas seu ressentimento não parou aí. Mandou crucificar o corpo e expor a cabeça separada. Seis meses depois, mandou queimar os restos de seu antigo amigo sobre excrementos de animais e lançar as cinzas nas latrinas. Tais suplícios ultrapassavam em degradação os aplicados aos mais vis malfeitores. 

Tal foi o fim de Jafar. Seu pai, Yahia, quase um pai também para Harun Al-Rachid, e seu irmão Al-Fadl, irmão de leite do califa, foram detidos na manhã que se seguiu à execução de Jafar, assim como todos os mil membros da família dos Baramikas, que ocupavam cargos públicos. Foram encarcerados em calabouços infectos; seus bens, confiscados; seus filhos e mulheres, deixados sem teto. Alguns morreram de fome. Outros foram estrangulados. Yahia e Al-Fadl morreram torturados. 

É natural que se pergunte: “O que motivou tamanha vingança?” Certo dia, anos após o fim dos Baramikas, Alia, filha mais jovem de Harun Al-Rachid, criou coragem e dirigiu-lhe a pergunta. Respondeu: “Minha filha, meu único consolo, de que te adiantaria conhecer o motivo? O fato é que se eu pensasse que a minha camisa descobriu esse motivo, rasgá-la-ia em pedaços.”

Os historiadores têm adiantado várias hipóteses e interpretações. Eis algumas delas:

1. Harun Al-Rachid acabou por sentir-se ofendido pelas extravagantes liberalidades de Jafar e dos demais Baramikas. O palácio dos Baramikas (que se levantava em frente ao palácio do califa, sendo os dois separados apenas pelo rio Tigre) era mais procurado que o palácio real por cortesãos e solicitantes. Jibril, o médico do califa, ouviu-o certa vez resmungar: “Yahia e seus filhos arrancaram das minhas mãos a administração meu reino. São eles o poder real. Eu sou apenas um figurão.”

2. Outros historiadores põem em relevo o fato de que certa vez Harun Al-Rachid mandou liquidar em segredo um descendente de Ali e de Fátima, a filha do Profeta, descrevendo-o como “um perigo para a dinastia dos Abássidas.” Jafar teve pena do homem e salvou-o sem informar o califa. Mas inimigos de Jafar revelaram-lhe o fato. Dizem que foi essa a gota d”água que fez transbordar a maré de cólera já provocada e aumentada pela predominância dos Baramikas. Alguém ouviu o califa jurar: “Que Alá me destrua se não te destruir, ó Jafar!”

3. Outros historiadores atribuem a queda dos Baramikas a suas opiniões heréticas em face do islã ortodoxo. Na sua cidade de origem, Balkh, os Baramikas praticavam a religião dos magos, e sempre impediram que os templos daquela religião fossem destruídos. O califa foi informado disso e de que os Baramikas favoreciam certo grupo de heréticos, os Zanádikas, que eram inimigos pessoais do califa.

4. Outros cronistas relatam uma história estranha como sendo a causa daquela vingança terrível. Como já vimos, Harun Al-Rachid gostava de Jafar como de um irmão, e não poderia viver separado dele. Gostava também de maneira excêntrica de uma irmã chamada Abbassa. Dela também não aguentava separar-se. Para ter essas duas criaturas sempre perto dele, pediu a Jafar para casar-se com Abbassa sem nunca consumar esse casamento. Marido e mulher diante da lei, eles só podiam encontrar-se na presença do califa e nem lá era-lhes permitido olhar livremente um para o outro.

Ora, Abbassa apaixonou-se por Jafar e, usando ciladas, passou a encontrar-se com ele em segredo. Tiveram até um filho que mandaram esconder em Meca. Invejosos revelaram a verdade ao califa. Ele foi até Meca à procura de provas e conseguiu localizar o menino. Uma raiva incontida, feita de mil elementos, dominou-o. Foi na volta daquela viagem que mandou Masrur dar início à destruição dos Baramikas. Foi também então que mandou trazer para Bagdá aquele menino e sua mãe. Foram sepultados vivos em sua própria casa.

Após tudo isso, remorsos angustiantes tomaram conta dele. Não podia mesmo viver sem Jafar.
Abandonou Bagdá e instalou-se em Rakah. Ninguém ousava falar dos Baramikas na sua presença. Pouco a pouco, tornou-se vítima de alucinações. Imaginava que seus próprios filhos, Al-Amim e Al-Mamun, conspiravam contra ele, em conivência com seu médico Jibril e com o próprio Masrur.

Dizia: “Era invejado pelo mundo todo. Agora o mundo todo pode ter pena de mim.”

Morreu na cidade de Tus na idade de quarenta e sete anos.
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As Mil e Uma Noites é uma coleção de histórias e contos populares originárias do Médio Oriente e do sul da Ásia e compiladas em língua árabe a partir do século IX. As histórias que compõem as Mil e uma noites têm várias origens, incluindo o folclore indiano, persa e árabe. Não existe versão definitiva da obra, uma vez que os antigos manuscritos árabes diferem no número e no conjunto de contos. O Imperador brasileiro Dom Pedro II foi o primeiro a traduzir diretamente do árabe para o português partes da obra mais conhecida da literatura árabe, e o fez com um rigor raro para a época. Já em idade avançada, aos 62 anos, ele começou o processo, o último registro de texto traduzido é de novembro de 1891, um mês antes de sua morte.

O que é invariável nas distintas versões é que os contos estão organizados como série de histórias em cadeia narrados por Xerazade, esposa do rei Xariar. Este rei, louco por haver sido traído por sua primeira esposa, desposa uma noiva diferente todas as noites, mandando matá-las na manhã seguinte. Xerazade consegue escapar a esse destino contando histórias maravilhosas sobre diversos temas que captam a curiosidade do rei. Ao amanhecer, Xerazade interrompe cada conto para continuá-lo na noite seguinte, o que a mantém viva ao longo de várias noites - as mil e uma do título - ao fim das quais o rei já se arrependeu de seu comportamento e desistiu de executá-la.

Fontes:
As Mil e uma noites. (tradução de Mansour Chalita). Publicadas originalmente desde o século IX. Disponível em Domínio Público
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