sábado, 8 de agosto de 2026

Asas da Poesia * 211 *

Imagem: IA Microsoft Bing

Haicai de
ZEKAN FERNANDES
São Paulo/SP

Fiel espantalho
Ainda guarda a plantação
Depois da colheita.
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Soneto de 
LAÉRCIO BORSATO
Poços de Caldas/MG

Tributo a Severino Silveira de Sousa 

COMO o orvalho emergindo da aurora,
Quando o sol o dissolve na vegetação,
Espalhando pingos de ouro pelo chão,
Para vicejar a relva nativa e a flora;

Assim se expandem pelo mundo afora,
Quem sempre extrai da alma e coração,
Nobre sentimento e real dedicação:
-Tudo de bom que de seu âmago aflora... 

No livro da vida, um soneto perfeito!
Rendo-me, aqui, com todo meu respeito,
Ao colega gaúcho, exímio trovador: 

-Poeta Severino Silveira de Sousa!...
Pássaro cantor!... No galho onde pousa,
Com sua lira faz - "caramanchéis de amor!..." 
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Trova de
RODOLPHO ABBUD
Nova Friburgo/RJ, 1926 – 2013

A mulher do sapateiro
que vive ao som do martelo,
bate sola o ano inteiro,
pondo o esposo no chinelo! 
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Soneto de
WILLIAM SHAKESPEARE
Stratford-upon-Avon/Grã-Bretanha, 1564 – 1616

Soneto 2

Passados quarenta invernos sobre a tua fronte,
Após cavarem fundos sulcos nos vergéis de tua beleza,
O vigor de tua orgulhosa juventude, hoje tão admirada,
Será um esmaecido ramo sem nenhum valor.

Então, ao te perguntarem onde está o teu encanto,
Onde está a riqueza de teus luxuriosos dias,
Respondes, com olhos fundos,
Que não passaram de vergonha e descabidos elogios.

Que louvores mereciam o uso de teus dotes,
Se pudesses responder: “Este belo filho meu
Me vingará, e justificará todos os meus atos”,
E provará ter herdado de ti toda a formosura.

Isto farás de novo quando fores mais velha,
E o sangue te aquecer quando te sentires fria.
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Haicai de
NEIDE ROCHA PORTUGAL
Bandeirantes/PR

Desses livros velhos
eu sei bem a idade deles—
das traças, não sei.
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Soneto de
AFONSO FELIX DE SOUSA
Jaraguá/GO, 1925– 2002, Rio de Janeiro/RJ+

Sonetos Elementares: XIII

Nada há de mais num túmulo sem flores
perdido numa estrada. Mas em nós
existem solidões, almas que sobram
de um sonho já sepulto ou de silêncios.

Vai comigo o silêncio enquanto fujo
das multidões, das ruas e do amor
que poderia ser – e no silêncio
as tristezas e os risos vão comigo.

Mas que desejo é este que me impele
para as sombras e os ermos, onde, lúcida,
vem sempre me acolher minha presença?

Ontem o rio estava quieto, hoje corre
impetuoso. Eu olho e nada estranho:
muito de mim eu vejo nessas águas.
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Trova de
IZO GOLDMAN
Porto Alegre/RS, 1932 – 2013, São Paulo/SP

"Esta peixada está quente!"
reclamava o Zé Maria;
e o dono do bar: "Ó xente,
'se qué', tem pexera fria!”
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Poema de
JOSÉ CRAVEIRINHA
Maputo/Moçambique, 1922 – 2003, Johannesburgo/África do Sul 

A nossa casa

Ambição
minha e da Maria
foi termos uma casa nossa
onde nos contarmos os cabelos brancos.

Sonho realizado.
Casa definitiva já temos.
Lote 42.
Talhão 71883.
Fachada pintada a cal.
Clássica arquitetura retangular.
Uma via asfaltada com um único sentido.
Tudo sito no derradeiro bairrismo
que e' morar no bairro de Lhanguene.

Pelo menos envelhecer já não é problema.
O resto na altura mais propícia
surgirá por si.

Parece que está por pouco.
Na lista onde eu consto
É injusto que tarde
estarmos juntos.
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Trova de
MARIA TEREZA NORONHA 
São Paulo/SP

O livro, a cerveja ao lado,
o rádio, o abajur antigo...
Eu deixo tudo arrumado,
fingindo que estás comigo.
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Poema de
HENRIQUE ABRANCHES 
Lisboa/Portugal, 1932 – 2004, África do Sul 

Ao Bater da Chuva

A porta fechada é uma obsessão.
As vozes caladas em torno de nós,
as pausas alongadas em silêncios de uma angústia nova,
são a descontinuidade do tempo interrompido
dentro da casa que arrombaram ontem, 
no coração da aldeia do Mazozo.
A chuva cai em bátegas doces,
a chuva bate o capim molhado,
e soa...
A humanidade é fria.
                                                                              
As mulheres já choraram tudo
- A Mãe Gonga comandou o coro.
Esvaem-se agora em surdina muda,
que agudiza o bater da chuva.
Os homens dizem de quando em quando
um nome obstinado.

Chamava-se Infeliz
aquele rapaz
que levaram ontem
do coração da aldeia.

A chuva matraqueia ainda e sempre
na porta fechada como uma obsessão.
Como ela nos lembra o som odiado
que dia após dia
nos sobressalta!
Como ela recorda o som da metralha,
que dia após dia
desce o morro da Calomboloca
e bate naquela porta fechada,
obcecada de proteção!
A gente conhece o som da metralha
quando ela vem no fim do dia.
Quando ela vem, silencia a aldeia,
então, em sobressalto, o povo diz:
- Foram fuzilados...
                                                                          
E ninguém sabe do Infeliz,
aquele rapaz que levaram ontem...
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Aldravia de 
EDIR MEIRELLES
Rio de Janeiro/RJ

emocionado
em
silêncio
pela
palavra
apunhalado
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Um Poema de
ANTONIO OLINTO
(Antonio Olyntho Marques da Rocha)
Ubá/MG, 1919 – 2009

Noturno

Os rios da noite passam pelos desvãos do homem,
por todos os pedaços vazios da memória,
pelos olhos secos de tanta sombra.

É uma presença física
de palavras batidas de vida,
de silêncio oscilante da iminência do grito.

As árvores estão sós - o vento é morto
é preciso um avançar exato do gestos
para captar a vida sob as horas imóveis.

Um piano aberto na areia,
diante do mar e das pedras.
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Trova de
DARLY O. BARROS
São Francisco do Sul/SC, 1941 - 2021, São Paulo/SP

Muito suor foi preciso,
mas minha audácia venceu:
- finalmente, o chão que eu piso
tem dono... e o dono sou eu!!! 
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Poema de
FRANCISCO NEVES MACEDO
Natal/RN, 1948 – 2012

Cruviana* Sertaneja

Ah cruviana...
Descobri-a numa noite da minha adolescência
no alpendre da casa grande de Coroas Limpas
na minha Santana do Matos.
Tremia feito "vara verde"
Não, não era o frio!
Era o medo de não saber se tu cruviana,
Seria uma onça  ou uma alma penada.
E pela manhã fui dicionariZar o meu medo...
Beleza!
A grande descoberta!

Chega em tornado, 
acordam os trabalhadores das fazendas 
e os envia fora para o trabalho. ...
Meu Deus, que alivio!
E o alpendre da velha casa de Coroas Limpas,
ganhava um "dormidor"
para curtir a cruviana 
de cada emadrugadecer!
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*Cruviana = É a Deusa do vento, a mulher do alvorecer.
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Trova de 
JOSÉ XAVIER BORGES JÚNIOR
São Paulo/SP

Hoje trago na lembrança
uma dor que sobrevive
num fiapo de esperança
pelo amor que nunca tive
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Poema de 
DULCE AURIEMO
São Paulo/SP

O Castelinho 

Existe um lugar...você vai conhecer 
E quando chegar... pode entrar sem bater... 
A porta aberta vai sempre encontrar 
No alto da torre um sininho a tocar... 

No meu coração... bem guardado em mim... 
Aonde o amor... não tem fim, não tem fim... 
Tem um Castelinho pra gente brincar 
Já fiz seu cantinho você vai gostar... 

Tem água de coco, pãozinho de mel 
Pipoca, paçoca, sorvete e pastel... 
Brinquedo, livrinho, fantoche, massinha 
Balão colorido... herói de estorinha... 

Tem fonte, laguinho, jardim pra correr 
Passagem secreta pra gente esconder 
Tem ponte, riozinho, patinho a nadar... 
Até carruagem... que vai passear... 

As sete notinhas eu vou ensinar 
E tantas canções vamos juntos cantar...
As sete notinhas eu vou ensinar 
E tantas canções vamos juntos cantar...
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Trova de
ORLANDO WOCZIKOSKY
Curitiba/PR, 1927 – 2019

É nobre quem não exalta
vitória já conquistada,
pois a nobreza mais alta
é vencer sem dizer nada.
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Poema de 
CARMEN LÚCIA HUSSEIN
Taubaté/SP

Apenas

Basta a sua existência
Não preciso tê-lo
Basta a sua lembrança
As suas palavras
E boas atitudes
Para eu ser feliz
Ter esperança na vida
E energia para prosseguir
Amenizar a saudade
E dar rumo
E norte ao meu existir
Basta a sua existência
Não preciso tê-lo
Basta a sua lembrança
De momentos breves de felicidade
Para eu ser feliz!
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Trova de
AUTOR ANÔNIMO

Já fui  alegre e contente,
hoje não sou mais ninguém.
Já fui consolo dos tristes,
hoje sou triste também.
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Poema de
EDGAR ALLAN POE
Boston/EUA, 1809 – 1849, Washington/EUA

Annabel Lee 

Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar. 

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar. 

E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar. 

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar. 

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar. 

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
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Mensagem na Garrafa 206 = A Efemeridade dos Nós Digitais

Imagem criada com IA Microsoft Bing

Diz-se que a internet encurtou distâncias, mas a verdade é que ela criou uma nova geografia da alma. Nela, o afeto viaja na velocidade da luz, mas a empatia, às vezes, empaca na primeira esquina de um mal-entendido.

Ricardo e Magda habitavam essa geografia flutuante há anos. Entre eles, não havia carne, mas havia essência. Ricardo era o amigo seguro de Magda, o mestre generoso que partilhava lições, o poeta que devolvia versos em dias sem par e o riso frouxo que iluminava os dias cinzentos. Nos invernos da vida, quando o chão de Magda cedia, era a mão invisível de Ricardo que a sustentava através de uma tela. Construíram um castelo de confidências, tijolo por tijolo, palavra por palavra.

Até que veio o cataclisma. Uma brincadeira boba, um chiste mal medido por ele, ou talvez mal traduzido por ela. No tribunal silencioso das telas, a palavra escrita não tem tom de voz, não tem o brilho do olhar, não tem o recuo do sorriso. Magda sentiu o golpe, a piada transformou-se em desrespeito em sua mente.

O que se seguiu foi o verdadeiro desrespeito: o silêncio punitivo.

Sem o benefício da dúvida, sem o direito à defesa, Magda acionou o carrasco moderno: o botão de bloquear. Apagou anos de dedicação com o mesmo peso de quem descarta um anúncio indesejado. Ricardo, o amigo de tantas batalhas, foi reduzido a zero. Virou um fantasma digital, condenado sem julgamento, sentenciado sem saber exatamente o tamanho de sua culpa. Ela o julgou pelo pior de seus momentos, ignorando a soma de tudo o que ele sempre foi.


Moral:
O desrespeito nem sempre se veste de agressão escancarada; muitas vezes, ele se esconde na recusa em ouvir o outro. Descartar uma longa história de amizade e cumplicidade por causa de um único erro, sem dar a chance de explicação ou pedido de desculpas, não é amor-próprio — é a arrogância de quem prefere ter a razão do que manter o amigo. No tribunal do orgulho, a justiça é sempre cega, surda e solitária.

JOSÉ FELDMAN (Floresta/PR)

Giuseppe Caonetto (Itinerário de uma gota)


a estrada
começa na minha casa
e não tem fim
(Sérgio Rubens Sossélla)

Aqui estou. Hora de me jogar. E como dói este instante final. Sei que é minha missão. Fui gerada para este momento. Na minha jornada realizei outras tarefas. No início, basal. Sonhava com o brilho nos olhos. Nos meus devaneios, via-me refletida em outro olhar. Não que eu quisesse ser reflexiva. Buscava mesmo as emoções. Aquele momento único. Como um gol no último minuto do jogo final. Ser jogada no gramado e ali permanecer, misturada a suor e pisoteada pelo time, na comemoração do título. Seria a eterna glória. Ou cair no concreto da arquibancada. Entraria para a história ao ser mostrada pelas câmeras da televisão, tocando suavemente, como um beijo, um lindo rosto transfigurado pela alegria. O mundo veria meu grande feito, um monumental salto no meio da multidão. Os sonhos às vezes se realizam, às vezes são só sonhos. Por certo não me jogaria sozinha. Aliás, nunca estive só. No meu tempo de condutora, integrar bem a equipe representava êxito na função. Assim também atuei quando ajudei na limpeza. Orgulho-me desses serviços. Éramos unidas, como uma família. E combativas também. Tenho consciência do dever cumprido. Minha vida foi de total entrega. Tenho saudade. O que seria motivo mais que suficiente para estar onde estou. Mas não. Aqui me sinto como testemunha solitária de uma dor que me empurra para fora, como quem faxina a casa e descarta lixos sob tapetes. Dependurada neste fio, prestes a me lançar ao chão, dependo apenas de um abrir de olhos. Sinto o movimento das pálpebras arroxeadas sinalizando que a hora chegou. Aproveito o impulso para projetar-me no ar e espatifar-me no pó da estrada, que tem início na porta da casa, mas não tem fim.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
GIUSEPPE CAONETTO é o nome artístico do poeta, escritor e editor José A. Cauneto, uma expressiva voz contemporânea da poesia e da difusão literária no estado do Paraná. Ele possui uma sólida produção voltada principalmente à poesia lírica, à tradição dos sonetos e à edição de novos autores por meio de seu próprio selo editorial. Nasceu em Tamboara/PR, em 1962, embora tenha o seu registro civil na vizinha cidade de Paranavaí. Viveu parte de sua adolescência na zona rural do estado de Mato Grosso do Sul, onde estudou em escola pública. Posteriormente, retornou para o Paraná e fixou residência definitiva no município de Paranavaí, onde atua ativamente na cena cultural. Construiu uma carreira de quase 37 anos na Justiça do Trabalho (TRT da 9ª Região), tendo ingressado em 1986. Aposentou-se em 2023. Ao longo desse período, exerceu cargos importantes de liderança, atuando como Diretor de Secretaria nas Varas do Trabalho de Jacarezinho (1994–2001) e de Paranavaí (2006–2015). É graduado em Letras (1989) e especialista em Língua Portuguesa (1992) pela Fafipa/Unespar. Também obteve o título de bacharel em Direito em 1997. No campo da escrita criativa, concluiu o Curso Livre de Formação de Escritores pela Metamorfose Cursos (2022). 
A escrita despertou cedo em sua vida, por volta de 1976 na zona rural, inspirada por poemas contidos em livros didáticos. No entanto, sua produção poética adormeceu durante os anos em que priorizou a carreira e os estudos acadêmicos. O retorno definitivo à literatura aconteceu em 1999, impulsionado pelo surgimento da internet e a conexão com comunidades virtuais de escritores. Após sua aposentadoria em 2023, fundou a Doarte Edições, editora voltada à publicação e promoção de obras poéticas e literárias no circuito paranaense. 
Membro fundador da Academia de Letras e Artes de Paranavaí (ALAP); membro do Centro de Letras do Paraná. Foi selecionado e integrou o Curso Livre de Preparação de Escritores (CLIPE) em 2023, coordenado pela Casa das Rosas de São Paulo. Foi um dos autores premiados na categoria Poesia durante a 54ª edição do aclamado Festival de Música e Poesia de Paranavaí (FEMUP) em 2019, um dos festivais literários mais tradicionais e longevos do sul do país.
Livros Publicados: Santo Rosário: um tesouro mariano (2010) — Obra voltada à tradição religiosa; Para que os olhos falem: poemas ternos (2012); Doarte (2016) — Livro de poemas que mais tarde inspiraria o nome de sua editora; Trilhas sazonais: versos liturgos (2020) — Livro em coautoria com a escritora Lilia Souza; O livro do amor: o amor diluído em trinta poemas (2023); Nasci em 62: sessenta e dois sonetos e um sonetilho (2024) — Obra em celebração à sua trajetória de vida, explorando a estrutura clássica dos sonetos; Tantum: apenas tanto (2025) — Reunião de poemas maduros escritos ao longo de uma década.
A contribuição de Caonetto reside na interiorização da produção literária e no fortalecimento do mercado editorial independente fora das grandes capitais brasileiras. Ao unir o rigor formal da poesia clássica — como visto na escrita de sonetos — a uma linguagem sensível sobre o cotidiano, o afeto e a passagem do tempo, ele ajuda a consolidar o norte e o noroeste do Paraná como polos produtores de cultura de alto nível. Além disso, por meio de palestras, rodas de conversa em universidades e da atuação na Doarte Edições, o escritor cumpre um papel fundamental de agente cultural, abrindo portas para novos poetas e estimulando o hábito da leitura nas novas gerações.

Fontes:
Biografia = sites pesquisados: Doarte, Site Giuseppe Caonetto, Ana Justra Federal, etc.

Luiz Gonzaga da Silva (Trova e Cidadania) 6: Dor e Sofrimento


A dor pode ser imensa,  
mas o perdão é um amigo,  
o amor é eterna presença,  
sendo o coração o abrigo.
José Feldman – PR

Parece que o homem é um ser destinado à dor e ao sofrimento. Não há vida sem sofrimento. Compreender isso é um passo no sentido de criarmos meios para minimizar o destino humano. Somos jogados no mundo. A nossa primeira experiência é de desamparo. E é a partir desta experiência subjetiva que devemos nos superar e nos responsabilizar pelo nosso caminhar sobre a terra. O poeta pede mais compreensão para a dor e o sofrimento subjetivos.

Por que é que todo mundo
acha-se o mais sofredor,
se o sofrimento é profundo
e ninguém afere a dor?
Marcos Medeiros - RN

Quem me dera alguém pudesse
entender meu sentimento:
seria a trova uma prece
para o fim do sofrimento.
Neiva Fernandes - RJ

Não se mede facilmente
um sofrimento profundo,
porquanto o drama da gente
é sempre o maior do mundo!
Eduardo A. O. Toledo - MG

Para esse sofrimento subjetivo, eis um bom conselho:

Acenda a luz da esperança
ante a angústia de um momento.
Com revolta não se alcança
o cessar de um sofrimento.
Maria Antonieta B. Dutra - RN

Certamente não é possível fugir desse desamparo primordial, do nosso sofrimento subjetivo, mas ao menos devemos nos esforçar para evitar o sofrimento perpetrado pela ambição, pela desonestidade e pelas injustiças sociais,

Neste mundo, os desonestos
recebem palmas e flores
e o trabalhador, os restos,
o sofrimento e as dores.
Gonzaga da Silva - RN

Encenados, ao relento,
vejo com muita emoção
os "atos" de sofrimento
nos teatros do sertão!
Ademar Macedo - RN

Embora devamos ser proativos frente ao sofrimento causado pela maldade humana, o trovador tem razão quando expressa a triste realidade de um mundo cada vez mais cruel.

Num mundo sem soluções,
nestes tempos inclementes,
não vivem populações...
existem sobreviventes!
Sebas Sundfeld - SP
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
LUIZ GONZAGA DA SILVA é um respeitado trovador e articulador cultural radicado em Natal/RN. No universo da poesia clássica e das competições de trovas, ele se destaca como uma das figuras mais ativas do movimento trovadoresco do Nordeste brasileiro.  Nasceu em São José do Campestre/RN, em 1940. Aos doze anos sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, mudando definitivamente para Natal/RN, em 1975, onde reside até hoje e concentra suas atividades literárias e profissionais. É um dos principais pilares da trova em Natal. Ele atua frequentemente como coordenador, organizador de certames e interlocutor da poesia potiguar com trovadores de todo o Brasil. É um mestre na composição da trova tradicional. Seus versos transitam com facilidade entre o lirismo filosófico, o amor ao chão nordestino e o humor sutil. Por sua competência técnica e sensibilidade, acumula premiações e classificações de destaque em concursos nacionais de trovas promovidos por diferentes ramificações da trova no Brasil. Atuação como Julgador e Coordenador: É recorrentemente convidado para presidir comissões julgadoras ou coordenar concursos de âmbito nacional, avaliando trovas enviadas por poetas de todas as regiões brasileiras sob temas específicos.
Entre suas contribuições impressas para a preservação do movimento poético, destaca-se: "Trova e Cidadania" (Natal/RN): Obra que reúne parte de sua sensibilidade poética e reflete sobre o papel social da poesia na construção da cidadania; Coletâneas Didáticas: Participação ativa em antologias locais e nacionais, além de registrar suas produções na antologia digital coletiva A Trova Potiguar.
A relevância de Luiz Gonzaga da Silva concentra-se na salvaguarda e difusão da trova na Região Nordeste. Em uma era dominada por versos livres e mídias rápidas, o trabalho de preservação das formas poéticas fixas (como a trova e o soneto) exige dedicação e paixão. Ao capitanear concursos nacionais a partir do Rio Grande do Norte, ele insere o estado na rota dos grandes trovadores do país, garantindo que a tradição lírica originada em solo potiguar permaneça vibrante, acessível e atraente para as novas gerações de escritores.

Fonte:
Luiz Gonzaga da Silva (org.). Trova e Cidadania. Natal/RN, abril de 2019. Livro enviado pelo autor.

Irmãos Grimm (O fuso, a lançadeira e a agulha)


Era uma vez uma jovem que havia perdido os pais quando muito criança. No fim da aldeia vivia sua madrinha, completamente só, e que ganhava a vida fiando, tecendo e cosendo. A boa velha tomou conta da criança abandonada, ensinando-a a trabalhar e a educou dentro dos princípios da religião. Quando a jovem contava quinze anos, a madrinha adoeceu. Chamando a afilhada para junto do seu leito. disse-lhe:

   - Filha querida, sinto que a morte se aproxima. Deixo-te esta casinha, onde estarás protegida do mau tempo, e também o fuso, a lançadeira e agulha e serás feliz!

    Depois fechou os olhos. Enquanto a conduziam à sepultura a menina seguiu o caixão, chorando amargamente e rendendo-lhe as últimas homenagens.

    Desde então a jovem passou a viver só, em sua pequena casa, fiando, tecendo e cosendo. Em tudo o que fazia pairava a bênção da velhinha. Dir-se-ia que o linho, depositado no quarto, se multiplicava e, quando tecia uma tela ou um tapete ou, então, costurava uma camisa, logo aparecia um comprador.

    Naquele tempos, o filho do rei andava à procura de uma noiva. Não desejavam que escolhesse uma moça pobre. E uma rica ele não queria.

    - Será minha esposa - dizia o príncipe - aquela que for a mais pobre e a mais rica ao mesmo tempo.

    Quando chegou à aldeia onde morava a nossa jovem, perguntou, como costumava fazer em toda parte, qual era a moça mais rica e qual a mais pobre do lugar. Primeiro lhe indicaram a mais rica e depois lhe disseram que a mais pobre era a jovem da casinha situada bem no fim da aldeia. 

A rica estava sentada em frente à porta, toda enfeitada e, ao aproximar-se o príncípe, levantou-se, saiu ao seu encontro e lhe fez uma reverência. 

Ele a olhou e, sem dizer palavra, prosseguiu seu caminho. Quando chegou à casa da pobre, esta não se encontrava na porta, mas em seu quartinho. O príncipe parou seu cavalo e, olhando pela janela iluminada pelos raios do sol, viu a jovem sentada à roca, fiando ativamente. 

Ela levantou os olhos e, ao perceber que o filho do rei a estava observando, tornou-se rubra e abaixou os olhos, continuando o trabalho. Não sei dizer se o ponto, desta vez, saiu parelho, mas o certo é que ela continuou fiando sem parar, até que o príncipe foi embora. Foi, então, à janela e, abrindo-a exclamou:

      - Faz tanto calor aqui dentro! - e o seguiu com o olhar até que as plumas brancas do seu chapéu desaparecessem na curva do caminho.

   Depois voltou a sentar-se à roca e recomeçou seu trabalho. De repente veio-lhe à memória um versinho que a velha costumava dizer enquanto fiava e pôs-se a cantarolar:

     - Fuso, fuso sai por aí
      E me traz o meu noivo aqui.

     E o que aconteceu? No mesmo instante o fuso lhe saltou da mão e saiu pela porta. E quando a moça, assombrada, levantou-se para ver o que havia sido dele, viu-o dançando, alegremente, pelo campo, deixando atrás de si um brilhante fio dourado. Pouco depois desapareceu de sua vista. Como não tivesse outro fuso, a jovem apanhou a lançadeira e se pôs a tecer.

    Enquanto isso, o fuso continuou saltando pela estrada, até que enfim alcançou o príncipe, justamente quando o fio terminava.

    - O que vejo?! - exclamou o jovem. - Sem dúvida este fuso quer levar-me a algum lugar.

   E, fazendo o cavalo dar meia volta, foi seguindo o fio de ouro.

     Nesse meio tempo, a jovem continuava seu trabalho, cantarolando:

                        Lançadeirinha, tece sem cessar
                        E traz aquele com quem vou casar.

   Em seguida, a  lançadeira, saltando-lhe da mão, saiu pela porta e, diante da soleira, começou a tecer um tapete tão lindo como ainda não vira igual. Em ambos os lados abriam-se rosas e lírios; ao centro se entrelaçavam ramos verdes onde saltavam lebres e coelhos; cervos lhe pousavam e aves multicores, tão naturais que só lhes faltava cantar. A lançadeira saltava de um lado para outro e parecia que tudo ia crescendo por si mesmo.

    Já que a lançadeira lhe havia fugido, a jovem sentou-se para costurar. enquanto manejava a agulha, cantarolava:

     - Agulhinha, tão fininha, minha cara,
      A casa para o noivo me prepara.

      E a agulha, desprendendo-se de seus dedos, começou a voar pela casa tão rápida como o raio. Parecia que  espíritos invisíveis trabalhavam e, em poucos momentos a mesa e os bancos ficaram atapetados com fazenda verde; as cadeiras forrada  de veludo e nas janelas apareceram cortinas de seda. Mal a agulha havia dado o último ponto, a moça viu, pela janela, as plumas  brancas do chapéu do príncipe; o jovem voltava, seguindo o fio dourado do fuso. apeou, passou por cima do tapete e entrou na casa. No interior da saleta viu a moça que, embora em seu vestido pobre, tinha tanto viço como a rosa no roseiral.

     - Tu és a mais pobre e, ao mesmo tempo, a mais rica, - disse-lhe ele. - Vem comigo. És a minha escolhida.

      Ela lhe estendeu a mão sem dizer palavra. O príncipe beijou-a e depois a fez montar na garupa do seu cavalo, levando-a para o palácio real. Lá foi celebrado o casamento, para alegria de todos. o fuso, a lançadeira e a agulha foram guardados na câmara do tesouro  e ali conservados com grande horarias.
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Folcloristas e escritores de contos infantis, JACOB LUDWING CARL GRIMM (1785-1863) e WILHELM CARL GRIMM (1786-1859) nasceram em Hanau, no Grão-ducado de Hesse, na Alemanha. Receberam formação religiosa na Igreja Calvinista Reformada. Das nove crianças da família só seis chegaram à idade adulta. Os Irmãos Grimm passaram a infância na aldeia de Steinau, onde o pai era funcionário de justiça e Administração do conde de Hessen. Em 1796, com a morte repentina do pai, a família passou por dificuldades financeiras. Em 1798, Jacob e Wilhelm, os filhos mais velhos, foram levados para a casa de uma tia materna na cidade de Hassel, onde foram matriculados numa escola. Depois de concluído o ensino médio, os irmãos ingressaram na Universidade de Marburg. Estudiosos e interessados nas pesquisas de manuscritos e documentos históricos, receberam o apoio de um professor, que colocou sua biblioteca particular à disposição dos irmãos, onde tiveram acesso às obras do Romantismo e às cantigas de amor medievais. Depois de formados, os Irmãos Grimm se fixaram em Kassel e ambos ocuparam o cargo de bibliotecário. Em 1807, com o avanço do exército francês pelos territórios alemães, a cidade de Kassel passou a ser governada por Jérome Bonaparte, irmão mais novo de Napoleão, que a tornou capital do reino recém-instalado, Reino da Vestfália. Essa situação despertou o espírito nacionalista do romantismo alemão. A busca das raízes populares da germanidade estava em voga. Os irmãos reivindicaram a origem alemã para histórias conhecidas também em outros países europeus – como Chapeuzinho Vermelho, registrada pelo francês Charles Perrault bem antes do século XVII. No final de 1812, os irmãos apresentaram 86 contos coletados da tradição oral da região alemã do Hesse em um volume intitulado “Kinder-und Hausmärchen”, Contos de Fadas para o Lar e as Crianças. Em 1815 lançaram o segundo volume, Lendas Alemãs, no qual reuniram mais de setenta contos. Em 1840 os irmãos mudaram-se para Berlim onde iniciaram seu trabalho mais ambicioso: Dicionário Alemão. A obra, cujo primeiro fascículo apareceu em 1852, mas não pode ser terminada por eles. Faleceram em Berlim Wilhelm em 1859 e Jacob em 1863.

Fonte:
Contos de Grimm. Publicados de 1812 a 1819. Disponível em Domínio Público.

Conto & Crônica: Da Ideia à Publicação (Parte 4)

curso ministrado por José Feldman
4. CONSTRUÇÃO DOS PERSONAGENS

Construir personagens eficazes em diferentes gêneros literários exige uma compreensão das características e expectativas específicas de cada um. Aqui estão algumas diretrizes para desenvolver personagens em contos de suspense, policiais, críticos, filosóficos e românticos.

4.1. Contos de Suspense

4.1.1. Personagem Principal (Protagonista):

4.1.1.1. Traumas ou Medos: 
Crie um protagonista que tenha medos ou traumas que serão explorados ao longo da narrativa. Isso aumenta a tensão.

4.1.1.2. Inteligência e Curiosidade: 
Um personagem que investiga ou enfrenta o mistério deve ser perspicaz e curioso.
  
4.1.2. Antagonista:

4.1.2.1. Motivações Ambíguas: 
Dê ao antagonista camadas e complexidade, evitando o clichê de vilão unidimensional. Motivação pode ser pessoal ou psicológica.

4.1.3. Personagens Secundários:

4.1.3.1. Aliados e Inimigos: 
Introduza personagens que ajudem ou atrapalhem o protagonista, trazendo diferentes perspectivas.

4.2. Contos Policiais

4.2.1. Detetive (Protagonista):

4.2.1.1. Habilidades de Análise: 
O detetive deve ser observador e ter habilidades dedutivas excepcionais.

4.2.1.2. Personalidade única: 
Adicione peculiaridades ou falhas que humanizem o personagem, como vícios ou dilemas morais.

4.2.2. Suspeitos:

4.2.2.1. Diversidade de Motivações: 
Cada suspeito deve ter suas motivações crenças que o credenciam como possível culpado, trazendo tensão à narrativa.

4.2.3.Vítima:

4.2.3.1. História Relevante: 
A vítima deve ter um passado que se conecta com o enredo, formando laços importantes.

4.3. Contos Críticos

4.3.1. Personagem Protagonista:

4.3.1.1. Voz Crítica: 
Utilize um protagonista que representa uma visão ou uma crítica social, tornando-o reflexivo e questionador.

4.3.1.2. Vivência Pessoal: 
Sua experiência deve estar atrelada ao tema central do conto.

4.3.2. Personagens Secundários:

4.3.2.1. Representantes de diferentes pontos de vista: 
Inclua personagens que representam diferentes opiniões sobre a questão social em discussão.

4.4. Contos Filosóficos

4.4.1. Personagem Principal:

4.4.1.1. Questionador: 
Os protagonistas devem ser pensadores, que buscam entender a vida e suas complexidades.

4.4.1.2. Dilemas Morais e Éticos: 
Eles devem enfrentar dilemas que provoquem reflexões profundas.

4.4.2. Personagens de Suporte:

4.4.2.1. Mentores ou Antagonistas Filosóficos: 
Introduza personagens que desafiem as crenças do protagonista, como mentores ou opostos filosóficos.

4.5. Contos Românticos

4.5.1. Personagem Principal:

4.5.1.1 Desejos e Temores: 
O protagonista deve ter sonhos e inseguranças que influenciem suas interações românticas.

4.5.1.2. Desenvolvimento Pessoal: 
Mostre crescimento através da relação, como mudanças que surgem por meio do amor.

4.5.2. Interesse Amoroso:

4.5.2.1. Camadas Emocionais: 
O interesse amoroso deve ter profundidade, com suas próprias preocupações e histórias que ressoam com o protagonista.
  
4.5.3. Personagens Secundários:

4.5.3.1. Amigos e Rivais: 
Crie personagens que ajudem a aprofundar a trama romântica, como amigos que oferecem conselhos ou rivais que criam conflitos.

4.6. CONSIDERAÇÕES

Desenvolver personagens eficazes para cada gênero literário envolve criar complexidade, motivações e histórias interligadas que se relacionem com o tema central. A profundidade emocional e a autenticidade são fundamentais para cativar o leitor e proporcionar uma experiência impactante.
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continua…