segunda-feira, 20 de abril de 2026

Asas da Poesia * 178 *


Trova de
OLYMPIO S. COUTINHO
Belo Horizonte/MG

Eu não tenho o que queria, 
mas sou feliz mesmo assim:
faço a minha terapia
na mesa do botequim.
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Poema de
ANA HATHERLY
(Anna Maria de Lourdes Rocha Alves Hatherly)
Porto/Portugal, 1929 – 2015, Lisboa/Portugal

A Corrida em Círculos

I
O círculo é a forma eleita:
É ovo, é zero,
É ciclo, é ciência.
E toda a sapiência.

É o que está feito,
Perfeito e determinado,
É o que principia
No que está acabado.

II
A viagem que o meu ser empreende
Começa em mim,
E fora de mim,
Ainda a mim se prende.

A senda mais perigosa
Em nós se consumando,
Passamos a existência
Mil círculos concêntricos
Desenhando.
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Aldravia de
BEGOÑA MONTES ZOFÍO
Madri/Espanha

impaciência
sexta-feira,
o
jornal
do
domingo?
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Soneto de
GLAUCO MATTOSO
(Pedro José Ferreira da Silva)
São Paulo/SP

Confessional
 
Amar, amei. Não sei se fui amado,
pois declarei amor a quem odiara
e a quem amei jamais mostrei a cara,
de medo de me ver posto de lado.
 
Ainda odeio quem me tem odiado:
devolvo agora aquilo que declara.
Mas quem amei não volta, e a dor não sara.
Não sobra nem a crença no passado.
 
Palavra voa, escrito permanece,
garante o adágio vindo do latim.
Escrito é que nem ódio, só envelhece.
 
Se serve de consolo, seja assim:
amor nunca se esquece, é que nem prece.
Tomara, pois, que alguém reze por mim…
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Poema de
BRASIGÓIS FELÍCIO
Aloândia/GO

Céu Peregrino
 
Quanto sonho
e quanta ilusão
hei empenhado
em perder para o futuro
o sopro dos dias
que tenho tido!
 
Tenho vivido
como Sísifo absurdo,
para tudo cair no olvido
em que tudo cai,
ao fim de tudo.
 
Hoje sou peregrino
do céu que posso ter
à luz de um sol que É.
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TROVA POPULAR

Amor com amor se paga:
nunca vi coisa tão justa;
paga-me contigo mesmo
saberás quanto te custa.
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Soneto de
DOROTHY JANSSON MORETTI
Três Barras/SC, 1926 – 2017, Sorocaba/SP

Mutações

 Longe, no céu tão diáfano e sereno,
as nuvens brincam de fazer figuras;
traçam imagens, erguem esculturas,
 vivo painel sobre o horizonte ameno.

 Um cavaleiro em sólida armadura,
na torre de um castelo aguarda o aceno;
além, um monstro a baforar veneno,
aqui,  mansa ovelhinha toda alvura.

 Tal como as nuvens o destino é incerto,
em nossa vida as ilusões se agitam,
juntas, no tempo, às horas de amargura.

 Vento que insufla a areia no deserto,
mas cessa, enfim... e em nossa alma palpitam
os anseios de paz e de ventura.
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Trova do
PROFESSOR GARCIA
Caicó/RN

Eu sempre quis numa trova
provar tudo quanto fiz;
mas nunca passei na prova,
nem fiz a trova que quis.
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Poema de
ANTÓNIO BOTTO
(António Tomás Botto)
Concavada/Abrantes/Portugal, 1897 – 1959, Rio de Janeiro/RJ

Apontamento 

Para onde marcha o mundo? O que vai ser 
Do pobre que nasceu para servir? 
- Trocaram o sorriso pela espada 
E é latente a volúpia de agredir! 
O que é que os homens querem mais ainda 
Além da sua vil mediocridade? 
Incêndios, sangue, - ó cegos visionários 
Sem alma e sem noção da realidade! 
Tambores e metralhas e clarins 
Num cântico sinistro, sem beleza, 
- Embora a vida seja o hálito da morte, 
Uma ilusão de límpida saudade, - 
Deixai supor, deixai-vos iludir 
De que para viver 
Não é preciso matar 
Nem é preciso mentir!
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Soneto de
MANUEL BANDEIRA
(Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho)
Recife/PE, 1886 – 1968, Rio de Janeiro/RJ

Confissão

    Se não a vejo e o espírito a afigura,
    Cresce este meu desejo de hora em hora...
    Cuido dizer-lhe o amor que me tortura,
    O amor que a exalta e a pede e a chama e a implora.

    Cuido contar-lhe o mal, pedir-lhe a cura...
    Abrir-lhe o incerto coração que chora,
    Mostrar-lhe o fundo intacto de ternura,
    Agora embravecida e mansa agora...

    E é num arroubo em que a alma desfalece
    De sonhá-la prendada e casta e clara,
    Que eu, em minha miséria, absorto a aguardo...

    Mas ela chega, e toda me parece
    Tão acima de mim... tão linda e rara...
    Que hesito, balbucio e me acovardo.
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Trova de
LACY JOSÉ RAYMUNDI
Sananduva/RS, 1938 – 2014, Garibaldi/RS

Das conquistas festejadas
nas searas dos amores,
restam fotos desbotadas,
penas, saudades e dores!...
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Glosa de
CLEIDE CANTON
Assis/SP

Grito do silêncio

Mote:
Quando o sofrer é infinito
e a vida nos deixa a sós,
ao sufocarmos o grito,
grita o silêncio por nós.
Alonso Rocha
Belém/PA, 1926 – 2011

Glosa:
Quando o sofrer é infinito
e a febre mata a euforia
o luto descobre o mito
desvirginando a poesia.

Se o sonho se faz dormente
e a vida nos deixa a sós
o canto brota clemente
na saga da nossa voz.

Mel e fel nesse conflito
despejam métrica e rima
ao sufocarmos o grito
no fecho da obra-prima.

Versos se tornam lamentos
aos olhos do seu algoz.
Se barram nossos tormentos
grita o silêncio por nós.
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Trova de
JOSÉ MESSIAS BRAZ
Juiz de Fora/MG

Até na igreja, meu Deus,
quando ela passa ante os santos,
em rondas os olhos meus
vão bebendo os seus encantos!...
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Soneto de
EMILIANO PERNETA 
Pinhais/PR, 1866 — 1921, Curitiba/PR

De um fauno

Acordaste mais cedo, em teu roupão de linho,
Nessa alegre manhã cor-de-rosa e fria.
Como foi belo o sol! o sol como floria!
Era uma só canção: o aroma, a luz, o ninho.

Esperavas teu noivo, oh! Ema! oh! cotovia!
E era tão forte o teu delicioso carinho
Que, ébrio contigo, tudo acordou, ébrio, um vinho
Espumava, a dourar, como os vinhos da Hungria.

Cega, no meio desse amplo esplendor sonoro,
Nada mais vias, cruel, senão teu sonho de ouro
Mais pomposo que um deus moço, numa equipagem...

Ao teu lado não viste um fauno, não me viste,
Ema! a sorrir, também, como uma nódoa triste,
Da Inveja — alteza real! — dissimulado pajem.
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Trova de
FRANCISCO JOSÉ PESSOA 
Fortaleza/CE, 1949 - 2020

Lágrimas, gotas perfeitas
de orvalho por sobre a flor,
são saudades liquefeitas
nos versos do trovador!
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Poema de
CLEVANE PESSOA
(Clevane Pessoa De Araujo Lopes) 
Belo Horizonte/MG 

Ciclo

A fonte murmurante 
O rio rumoroso
A cachoeira barulhenta
Todos errantes,
Participantes de uma orquestra
Cujo regente
Fica invisível à luz dos dias,
Oculto à luz do luar,
Torna-se dourado junto às luas claras...

Mais tarde, serão
Garoa
Neblina
Orvalho pranto:
Sutis presenças
Com lições de umidade,
De humildade,
De humanidade...
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Triverso de
CARLOS SEABRA
São Paulo/SP

era uma vez
um sapo que beijado
poeta se fez
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Setilhas de
NEMÉSIO PRATA
Fortaleza/CE

Nosso Trânsito

O pedestre, todo dia, 
cumprindo a sua rotina 
esperava o coletivo 
numa parada de esquina, 
porém não tomou cuidado 
terminou atropelado, 
coitado; que triste sina! 

O ciclista, todo dia 
montava sua "magrela" 
e tomava a ciclovia 
para treinar, com cautela; 
de repente um motorista 
invadiu a sua pista; 
coitado; ninguém deu trela! 

O motoboy, todo dia 
disparava pela rua 
para fazer as entregas 
"urgentes", sentando a pua 
no acelerador, e não 
viu que entrou na contra-mão, 
coitado; ficou "na rua"! 

Por um "descuido" banal, 
olhando só pra "telinha" 
não "viu" fechar o sinal; 
sabe o que deu... adivinha? 
Avançou e foi trombado, 
saindo todo "quebrado", 
coitado: "caiu a linha"! 

Motoristas, todo dia, 
nós temos tido notícia 
de diversos acidentes, 
que são casos de polícia; 
as causas são: imprudência 
imperícia e negligência: 
até por pura "estultícia"! 

Prometa, a partir de agora, 
Condutor, mais consciência 
no trânsito, e seu veículo, 
conduzi-lo com prudência, 
pois você não é nem "rei", 
nem "juiz", em nossa grei; 
fica, pois, a advertência!
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Trova de
A. A. DE ASSIS
(Antonio Augusto de Assis)
Maringá/PR

Como eram belos os ninhos
outrora chamados lares!
Hoje há tocas de sozinhos,
escravos dos celulares...
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Hino de 
CUBATÃO/ SP

Longos séculos emoldurada
de palmas tão brasileiras,
ao som das cachoeiras
prelúdio desta canção.

Eis o Nove de Abril,
rompe em canto viril,
a mostrar a todo Brasil
o valor de Cubatão.

Salve, Salve, Rainha das Serras,
Bem amada Cubatão
em tua história, encerras
paz, amor e tradição
em tua história encerras
paz, amor e tradição.

Ó magia de condão de fadas,
a bela região dominas
o ouro negro refinas
és fontes de força e luz.

E Anchieta, ao passar
a Caminho do Mar,
Sempre quis te abençoar
com o sinal da Santa Cruz.
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A Celebração de Cubatão em Versos e Melodia
O 'Hino de Cubatão - SP' é uma composição que celebra a cidade de Cubatão, localizada no estado de São Paulo, Brasil. A letra do hino destaca a riqueza natural e histórica da cidade, bem como sua importância industrial e cultural. O hino começa com uma referência ao passado distante da cidade, 'Longos séculos emoldurada de palmas tão brasileiras', sugerindo uma paisagem tropical e uma história que remonta a tempos antigos. As 'cachoeiras' mencionadas podem ser uma alusão às características naturais da região, que incluem a Serra do Mar e o Parque Estadual da Serra do Mar, conhecidos por suas cachoeiras e rica biodiversidade.

O 'Nove de Abril' mencionado na segunda estrofe é uma referência direta à data de fundação da cidade, que é celebrada como um momento de orgulho e afirmação da identidade local. A expressão 'rompe em canto viril' evoca a ideia de uma cidade que se levanta com força e determinação. A repetição das palavras 'paz, amor e tradição' reforça os valores que a cidade pretende transmitir e preservar.

A última estrofe faz menção ao 'ouro negro', que pode ser interpretado como uma referência à indústria petroquímica, uma das principais atividades econômicas de Cubatão. A cidade é conhecida por seu polo industrial, que inclui refinarias de petróleo. A menção ao padre José de Anchieta, um importante missionário jesuíta que teve papel significativo na história do Brasil, e ao 'Caminho do Mar', uma rota histórica, reforça a importância da fé e da história na construção da identidade da cidade. O 'sinal da Santa Cruz' simboliza a bênção e proteção divina sobre Cubatão. https://www.letras.mus.br/hinos-de-cidades/942202/ 
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Poetrix de
ARGEMIRO GARCIA
São Paulo/SP

perfume de mulher

Um sortilégio antigo
deixaste, displicente,
teu perfume comigo.
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Poema de
CORA CORALINA
(Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas)
Cidade de Goiás/GO, 1889 – Goiânia/GO, 1985

O Cântico da terra

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
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Fábula em Versos de
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França

O leão que vai à guerra

Tendo o leão na ideia certa empresa,
Fez conselho de guerra;
E a todos animais mandou aviso
Por seus régios alcaides.
Cada um, por seu teor, entrou no alvitre;
Às costas o elefante
Levar quantos apetrechos importasse,
E pelejar, como usa;
Para os assaltos, o urso, aparelhar-se;
Engenhar-se o raposo
A ter inteligências no inimigo,
E diverti-lo o mono
Com suas mogigangas. Alguém disse
Que despedidos fossem,
Por boto o burro, e por medrosa a lebre.
«Oh, não, — disse o monarca,—
Quero empregá-los: nem completo fora
Sem eles nosso exército.
De trombeta, que espante, sirva o burro;
E a lebre de correio.»

Do mais tênue vassalo o rei prudente
Tirar proveito sabe:
Todo o talento emprega; nada é inútil,
Onde o bom senso lavra.
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Mensagem na Garrafa 174 = Semeando


AUTOR ANÔNIMO 

Dona Angélica era professora. Residia em uma pequena cidade e dava aulas numa vila próxima. Não era considerada uma pessoa equilibrada em razão do seu comportamento, que parecia um tanto quanto esquisito.

Os alunos da escola de primeiro grau tinham-na como uma pessoa muito estranha.

Eles observavam que a professora, nas suas viagens de ida e volta da casa à escola, fazia gestos e movimentos com as mãos, que não conseguiam entender, e por esse motivo, pensavam que ela era meio que estava a perder o juízo.

Pela janela do trem, dona Angélica fazia acenos como se estivesse dizendo adeus a alguém invisível aos olhos de todos. As crianças faziam zombarias, criticavam-na, mas ela não sabia, pois os comentários eram feitos às escondidas. Todos, inclusive os pais e demais professores, achavam que ela era maluca, embora reconhecessem que era uma excelente educadora.

Os anos se passavam e a situação continuava a mesma.

Várias gerações receberam da bondosa e dedicada professora, ensinamentos valiosos e abençoados.

Dona Angélica era uma pessoa de boas maneiras, calma e gentil, mas não muito bem compreendida.

Envelhecia no exercício do dever de preparar as crianças para um futuro melhor, com espírito de abnegação e devotamento quase maternal.

Certo dia em que viajava para sua querida escola, com diversas crianças na mesma classe do trem, movimentava, como sempre, as mãos para fora da janela.

Os alunos sentados na parte de traz sorriam maliciosamente quando Alberto, seu aluno de dez anos, sentou-se ao seu lado e, com ternura lhe perguntou:

- Professora, porque você insiste em continuar com essas atitudes loucas?

- Que pretende dizer, filho? – Interrogou, surpresa, a bondosa senhora.

- Ora, professora - continuou ele, - você fica abanando as mãos para os animais ou... Isso não é loucura?

A mestra amiga compreendeu e sorriu. Sinceramente emocionada, chamou a atenção do aluno, dizendo:

- Veja minha bolsa - e apontou para a intimidade do objeto de couro forrado. - Nota o que há aí dentro?

- Sim - respondeu Alberto. - Eu vejo que há algo aí, mas o que é isso?

A professora respondeu calmamente:

- É pólen de flores. São pequenas sementes... Há quase vinte anos eu passo por este caminho, indo e vindo da escola. A estrada, antes, era feia, árida, desagradável. Eu tive a ideia de a embelezar, semeando flores. Desse modo, de quando em quando, reúno sementes de belas e delicadas flores do campo e as atiro pela janela... Sei que cairão em terra amiga e, acarinhadas pela primavera, se transformarão em plantas a produzirem flores, dando cor e alegria à paisagem. Como você pode perceber, a paisagem já não é mais árida. Há flores de diversos tipos e suave perfume que a brisa se encarrega de espalhar por todos os lados.

Dicas valiosas para assassinar seu texto de vez


Você leu o texto anterior sobre o bom e o mau texto, que bom! Agora, se você quer assassinar o seu texto, aqui seguem dicas de ouro. 

Escrever algo genuinamente ruim é quase uma arte. Se você quer que seu conto ou crônica seja uma experiência dolorosa para o leitor, aqui está o guia definitivo do que não fazer (fazendo):

Se o objetivo é realmente torturar o leitor e garantir que ninguém passe da primeira página, aqui estão alguns "ingredientes" infalíveis para um desastre literário:

1. Capriche no "Dicionário de Sinônimos"

Não use "disse". Use "prolatou", "exclamou com veemência", "articulou pausadamente". “Componentes da sinóvia”? Que horror! É um tratado de medicina? Quanto mais palavras difíceis e arcaicas você enfiar num texto moderno, mais o leitor vai se sentir lendo um contrato de 1800 e odiar “veementemente” o seu texto e nunca mais ler nada de sua autoria. Parabéns! Seu objetivo foi alcançado.

2. Abuse dos Adjetivos e Advérbios

Nunca deixe um substantivo sozinho. Não é apenas uma "noite". É uma "noite escura, tenebrosa, silenciosamente gélida e assustadoramente melancólica". Se o advérbio termina em "-mente", use três por frase.

3. O Clichê é seu Melhor Amigo

Comece o texto com o personagem acordando com o despertador tocando. Faça-o olhar no espelho e descrever a própria aparência para o leitor (que conveniência!). Termine com "e tudo não passava de um sonho".

4. Use o "Deus Ex Machina" sem Dó

O protagonista está cercado por dez vilões armados? Do nada, ele descobre que tem superpoderes que nunca foram mencionados, ou um raio cai do céu e mata todos os inimigos. Zero esforço, zero lógica.

5. Explique Tudo (Não Mostre Nada)

Em vez de descrever o suor frio e as mãos tremendo, escreva apenas: "Ele estava com muito medo". Não dependa da percepção do leitor; explique até as metáforas para garantir que ninguém precise usar a imaginação. Ou seja, se alguém dá “Bom dia”, seja irritante e detalhe o “Bom dia”.

6. Diálogos Automatizados

Faça os personagens falarem como se estivessem lendo uma enciclopédia.

— "Olá, João, meu irmão biológico que não vejo desde o incidente no coreto da praça em 1998."

— "Olá, Maria. Sim, eu me recordo bem daquele dia fatídico onde a chuva caía incansavelmente sobre nossas cabeças."

7. Fuja do Foco

Se for uma crônica sobre o preço do pão, gaste três parágrafos falando sobre a genealogia do padeiro e depois mude de assunto para a política externa da Mongólia sem nenhum conectivo. O caos é o objetivo.

8. Pontuação Opcional

Escreva parágrafos de duas páginas sem uma única vírgula ou ponto final para deixar o leitor sem fôlego literalmente ou então use pontos de exclamação em todas as frases para parecer que o texto está gritando com alguém!!!!

9. O Início Infinitamente Lento

Gaste as primeiras páginas descrevendo a meteorologia ou os móveis do quarto antes de qualquer ação acontecer. O leitor precisa sentir o tédio existencial do personagem na pele.

10. Mudanças de Foco Aleatórias (O "Flashback" do Nada)

No meio de uma cena de perseguição emocionante, pare tudo para contar o que o protagonista comeu no café da manhã há dez anos. Quebre o ritmo de forma brusca e sem propósito.

11. Narrador Onisciente e Intrometido

O narrador deve dar opiniões o tempo todo e julgar os personagens. "João entrou na sala, sem saber que era um idiota por fazer aquilo. Eu, o autor, jamais faria isso, mas João é limitado."

12. Erros de Continuidade "Criativos"

Na página 2, o personagem é loiro e mora sozinho. Na página 5, ele penteia seus cabelos negros e pede um conselho para a esposa que está na cozinha. Não explique a mudança; deixe o leitor confuso.

13. O Uso de Gírias Datadas ou Erradas

Tente fazer um jovem falar usando gírias que eram descoladas em 1970 ou invente gírias que não fazem sentido nenhum. "E aí, meu bicho-grilo, vamos supimpar aquele rolê topzera no videocassete?"

14. O Final Moralista e Cafona

Termine o conto com uma lição de moral escrita em letras garrafais, como se fosse uma fábula infantil mal acabada: "E assim aprendemos que o ódio não leva a lugar nenhum, apenas ao vazio."

15. Formatação Experimental (e Irritante)

Mude a fonte no meio do texto, use negrito em palavras aleatórias ou escreva frases inteiras EM CAIXA ALTA PARA MOSTRAR QUE O PERSONAGEM ESTÁ EMOCIONADO.

16. Onomatopeias em Excesso

Em vez de descrever o som, escreva-o literalmente e repetidamente. "Ele caminhava pela sala. Pof. Pof. Pof. De repente, o telefone tocou. Trrrriiiimmm! Trrrriiiimmm! Ele atendeu. Click.”

Exemplo:
Aqui está uma obra-prima do desastre literário, unindo o máximo de táticas irritantes em um único parágrafo:

"A aurora boreal dos sentimentos prolatou-se no horizonte gélido, úmido, escuro e tristemente melancólico daquela manhã fúnebre onde o sol, esse astro rei amarelado, insistia em brilhar intensamente. João, meu irmão caçula que nasceu em 1995 sob o signo de Escorpião, acordou com o estridente TRRRRIIIIIIIM do despertador e olhou-se no espelho retangular de moldura de mogno, observando seus olhos azuis como o mar revolto e seu nariz levemente adunco, pensando consigo mesmo: 'Estou sentindo uma tristeza profunda e avassaladora hoje'. De repente, um alienígena careca caiu do teto — que era pintado de branco neve com tinta látex de baixa qualidade — e disse: 'Olá, João, eu vim aqui para resolver todos os seus problemas financeiros agora'. João sorriu, mas o alienígena de cabelos loiros e tudo não passava de um sonho onde a moral da história é que quem cedo madruga, Deus ajuda!"

Por que este texto é um "sucesso" no fracasso:

Dicionário de Sinônimos: "Aurora boreal dos sentimentos" e "prolatou-se".

Adjetivos em excesso: "Gélido, úmido, escuro e tristemente melancólico".

Explicação óbvia: "Estou sentindo uma tristeza profunda".

Diálogo expositivo: "Meu irmão caçula que nasceu em 1995...".

Erro de continuidade: O alienígena careca que ganha cabelos loiros do nada.

Clichês supremos: Começar com o despertador, terminar com "era tudo um sonho" e uma lição de moral cafona.

Onomatopeia irritante: O TRRRRIIIIIIIM no meio da narrativa.


Contudo, se você quer escrever um texto bom, que não esteja fadado a participar do funeral dele, escreva o contrário das dicas acima. Existem muitos escritores que possuem o dom da escrita, mas também possuem o dom de estragar o texto inteiro por causa de algumas palavras mal colocadas. 

Se o texto é filosófico, não siga as regras acima, não queira mostrar sua erudição com palavras que raros leitores sabem o seu significado ou utilizar gírias que quebrem o texto. Ou seja, não assassine o seu texto. Tenho escritores que penso várias vezes se vou ler seus textos, são cheios de erros, palavras que nunca ouvi falar, ou fazem parte do vocabulário português, de Portugal. Decida que idioma vai escrever. 

Ou seja, as notícias estão repletas de crimes, estes crimes contra o leitor deveriam fazer parte de suas manchetes. Seria uma agenda cheia.

Referências:
Imagem criada por Jfeldman com IA Microsoft Bing 

Rodica Grigore* (A Maré do Destino, de Sawako Ariyoshi)

(texto da Revista Romena Literomania. Platformă literară independentă n. 393. 23.01.2026, tradução para o português por Jfeldman)


Pedras no leito do rio
ondulando: água cristalina.
(Natsume Soseki)

O romance "O Rio Ki", de Sawako Ariyoshi, começa precisamente quando o século XIX está prestes a terminar. E as primeiras páginas do livro são extremamente ilustrativas do que se segue, ao descreverem duas personagens femininas que definirão grande parte da narrativa e que desencadearão, ainda que indiretamente, os eventos cruciais que ocorrerão em suas famílias. Assim, a avó Toyono Kimoto prepara-se para a cerimônia de casamento de sua neta Hana com Keisaku. E antes que chegue a hora de a jovem, mal tendo vinte e poucos anos, partir para sua nova casa com a família Matani, às margens do Rio Ki, na região de Kansai, as duas – avó e neta – vão ao templo para passar alguns momentos juntas. Não necessariamente porque Toyono, que assumiu o papel de mãe, tivesse algo especial a dizer à neta, mas porque, embora receosa de demonstrar, gostaria de adiar o momento, mesmo que apenas pelo breve instante necessário para uma visita de lembrança ao templo.

De certa forma, as primeiras páginas de "O Rio Ki", romance publicado em 1959, estabelecem o tom para toda a obra e destacam a importância das personagens femininas para este texto, bem como para toda a produção de Sawako Ariyoshi, considerada uma das vozes mais importantes da ficção japonesa do século XX e até mesmo (segundo alguns exegetas) uma verdadeira Simone de Beauvoir japonesa. Merece destaque a edição romena deste livro (publicada recentemente pela Humanitas Fiction na Coleção "Raftul Denisei"), assinada por Angela Hondru, a notável tradutora de ficção japonesa que, ao longo dos anos, ofereceu aos leitores romenos uma vasta gama de traduções de obras de ficção publicadas no arquipélago, desde "O Conto de Genji" (trad. "Povestea lui Genji") até as grandes obras de Yasushi Inoue, Yukio Mishima, Haruki Murakami e Fumiko Enchi, para citar apenas alguns nomes.

O rio Ki, com seu curso relativamente curto, porém majestoso a cada curva em sua jornada rumo ao mar, ao sul de Osaka, atravessa precisamente as regiões que, ao longo dos séculos, estiveram intrinsecamente ligadas à própria essência da tradição japonesa. E, ao cruzar essa região, atravessa montanhas e rios, nutre arrozais e testemunha as dificuldades e alegrias das pessoas que vivem em suas margens. Poderoso o suficiente para ameaçar, quando suas águas transbordam, tudo o que se interpõe em seu caminho, mas igualmente suave e plácido, quando o tempo está ameno e claro, para transportar os imponentes barcos à vela da procissão nupcial, o rio Ki influencia, à sua maneira, a vida das pessoas que ali vivem. Mas é também esse rio que confere aos que vivem em suas margens uma força singular – especialmente às mulheres do romance de Ariyoshi, tão próximas, simbolicamente falando, desse curso d'água. E isso fica evidente desde o início, desde os momentos que antecedem o belo casamento de Hana.

A jovem noiva está prestes a descer o rio em uma procissão impressionante e elegante, rumo à casa de sua nova família. Aparentemente uma moça delicada e recatada, pronta para prestar atenção à família Matani, Hana se revelará, assim como o Rio Ki, uma presença apenas externamente silenciosa, mas na verdade uma força indomável que impactará profundamente a vida daqueles ao seu redor – e isso se provará verdadeiro tanto no caso de seu marido quanto no das futuras gerações de sua família. Uma família que será traçada em sua linhagem feminina, o que comprova a convicção duradoura da autora de que, independentemente de quão importantes as escolhas ou ações dos homens possam parecer (ou até mesmo o sejam, às vezes...), elas são sempre desencadeadas por aquelas mulheres que, mesmo sem serem vistas ou (re)reconhecidas pelos outros, são as que decidem o que realmente importa. E isso se aplica especialmente ao caso de Hana, que dá a impressão de que se integrará rápida e perfeitamente à família do marido, aceitando sem questionar a autoridade da sogra e as frequentes mudanças de humor do cunhado (ou seu antagonismo mais ou menos flagrante em relação a ela...). No entanto, por trás das aparências, esconde-se uma mulher determinada que incentivará o marido a tomar as decisões certas, impulsionará sua carreira política e se tornará a figura central da família. Certamente, nada disso acontece da noite para o dia, mas exigirá longos anos de paciência, já que a mudança na hierarquia de poder só se tornará evidente após o nascimento do filho e, principalmente, após o da filha, Fumio.

E se a primeira parte do romance se concentra em Hana, o protagonista da segunda parte será Fumio, enquanto a terceira (e última) parte girará em torno de Hanako, filha de Fumio. "O Rio Ki" retrata a vida dessas três mulheres da família Matani desde o início do século XX até o período pós-Segunda Guerra Mundial. Uma era de profundas transformações, políticas, econômicas e sociais, as primeiras décadas do século XX representaram o ápice do processo de modernização do Japão (iniciado no começo do Período Meiji, em 1868 – o início da Restauração Meiji), que ocorreu rapidamente, pulando etapas – aspectos que foram abordados em todos os grandes romances de escritores japoneses como Yasunari Kawabata, Yukio Mishima e Osamu Dazai. Sawako Ariyoshi escreveu na mesma linha, mas destaca-se pela perspectiva feminina que adotou, presente em seus romances mais aclamados, como "A Esposa do Médico" e "A Dançarina de Kabuki", mas que talvez seja melhor evidenciada em "O Rio Ki". Aqui, na família Matani, os leitores compreenderão melhor, por meio dessas personagens femininas (mãe, filha e neta), todas as complexidades e tensões geradas pelo rápido abandono, no Japão, de alguns costumes tradicionais em favor de um estilo de vida ocidental. Prova disso é a atitude de Fumio, que deseja emancipar-se, considerando obsoletos os antigos costumes e regras de conduta, e que rejeita abertamente a maioria das escolhas de vida de sua mãe. Resoluta, sempre ativa e por vezes talvez enérgica demais para a família (mas também para o Japão daquela época...), Fumio, a autoproclamada feminista da sua geração, quer estudar, sair de casa, viver de forma diferente e ter a liberdade de fazer as suas próprias escolhas, determinada a romper com tudo o que envolve tradição e a destoar da existência enfadonha da mãe, com quem entra em conflito mais do que uma vez. Mas, ironicamente (embora de forma alguma paradoxalmente...), é a representante da geração seguinte, a própria filha de Fumio, Hanako, que se interessa pelo modo de vida tradicional japonês e se torna próxima precisamente da avó Hana.

Um romance familiar excepcional, singular na ficção japonesa da época devido à sua perspectiva feminina, "O Rio Ki" é, ao mesmo tempo, um notável retrato social da primeira metade do século XX no arquipélago. Os anos passam, como o curso do Rio Ki, que acompanha constantemente as vidas e as grandes decisões de todos os personagens do romance, e com eles o Japão se desvencilha de suas rígidas regras de conduta e cerimônias estritas para um modo de vida em sintonia com os ritmos e valores do mundo ocidental, especialmente nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. Nesse contexto, a política japonesa passa por uma transformação, da grande confrontação com a Rússia, que marcou o início do século, à ameaça do radicalismo e da conflagração mundial, ambas deixando marcas indeléveis no país e no mundo em geral. Mas o interesse de Ariyoshi reside menos nos grandes eventos históricos e mais na sua influência na vida das mulheres Matani, forçadas a se adaptar, a aceitar mudanças (mesmo quando afirmam que obstinadamente se recusam a mudá-las...) e a viver suas vidas em seu próprio ritmo, como o rio Ki, que parece guiar seus passos em um nível simbólico.

Na verdade, o romance pode – e deve – ser interpretado também em um nível simbólico, visto que a importância da ligação com o Rio Ki é enfatizada desde o início, por meio da voz narrativa da Avó Toyono. Porque, mesmo tendo recebido diversas outras propostas de casamento para sua neta (algumas até melhores!), a avó decidiu que a jovem deveria escolher o jovem Matani, pois, para chegar à casa dele (seu futuro lar), Hana teria que descer o rio, e não subir, onde ficava a casa de seu outro pretendente: "O Rio Ki flui do leste para o oeste. [...] As futuras noivas que vivem às margens do Rio Ki não têm permissão para subir o rio". Além disso, mesmo que as ações dos homens às vezes pareçam importar, já que são eles que saem de casa em busca de se afirmar na política ou nos negócios, são as mulheres que realmente fazem a diferença, pois são elas que inspiram, influenciam e, às vezes, até mesmo impulsionam seus maridos ou filhos a fazerem certas coisas (enquanto, com tato, lhes dão a impressão de que agiram por iniciativa própria!). E, embora à primeira vista Hana e Fumio pareçam ser como água e vinho, eles são igualmente fortes em sua determinação e em seus esforços para ajudar seus maridos a terem sucesso. No extremo oposto está o filho mais velho de Hana, Seichiro, que se acomodou numa vida confortável e farta, mas que carece totalmente da ambição que impulsiona sua mãe e sua irmã... Precisamente por essa razão, o ponto forte do romance é a ênfase nas conexões profundas e atemporais, por mais complexas que sejam, entre as personagens femininas, entre mãe e filha, avó e neta – retratadas com uma incrível atenção aos detalhes e condizentes com o fluxo contínuo do Rio Ki, um verdadeiro rio de destinos e do próprio destino do Japão.

De alguma forma, este rio é a constante eterna em um universo humano sujeito a mudanças de todos os tipos, e reflete todos os medos e esperanças das mulheres Matani, cujas vidas fluem ao seu longo curso. O livro torna-se, assim, um romance de atmosfera notável, singular tanto no contexto da ficção feminina japonesa do século XX quanto na obra de Ariyoshi. E o Rio Ki torna-se, por sua vez, a testemunha silenciosa de todos os grandes eventos históricos e dos acontecimentos na vida dessas três mulheres, bem como o próprio elemento que lhes confere a coragem para superar as situações difíceis que enfrentam – a coragem de atravessar a vida ao lado delas, não contra o destino ou contra a correnteza, mas sempre de lado...

Sawako Ariyoshi, "O Rio Ki"/ "Râul destinelor", tradução para o romeno e notas de Angela Hondru, Editora Humanitas Fiction, Bucareste, 2024
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*Rodica Grigore é professora associada (disciplina de literatura comparada) na Faculdade de Letras e Artes da Universidade "Lucian Blaga" de Sibiu; Doutora em Filologia desde 2004. Algumas Publicações: "Sobre Livros e Outros Demônios" (2002), "A Retórica das Máscaras na Prosa Romena do Período Entreguerras" (2005), "No Espelho da Literatura" (2011, Prêmio "Livro do Ano", concedido pela Seção de Sibiu da União de Escritores da Romênia), "Os Meridianos da Prosa" (2013), "Realismo Mágico na Prosa Latino-Americana do Século XX. (Re)configurações Formais e de Conteúdo" (2015, Prêmio da Associação de Literatura Geral e Comparada da Romênia, Prêmio G. Ibrăileanu de Crítica Literária da revista "Viața Românească", "Livro do Prêmio "Year", concedido pela filial de Sibiu da URSS). Ensaios sobre Literatura Contemporânea" (2018, Prêmio "Șerban Cioculescu", concedido pela revista "Scrisul Românesc"), É autora de "Contos e Histórias" (Prêmio de Tradução da Seção de Sibiu da URSS, 2006). Coordenou e produziu a antologia de textos para o Festival Internacional de Teatro de Siblu, entre 2005 e 2012. Publicou inúmeros artigos na imprensa literária, em revistas como "Euphorion", "Observator Cultural", "Saeculum", "Scrisul Românesc", "Viața Românească", "Vatra", entre outras. Colabora com estudos, ensaios e traduções em publicações culturais na Espanha, México, Peru e Estados Unidos. Integra a equipe editorial da revista "Theory in Action. The Journal of Transformative Studies Institute", em Nova York.

Artigo e imagem: Revista Romena Literomania. Platformă literară independentă n. 393. 23.01.2026, Tradução para o português por Jfeldman.
https://www.litero-mania.com/the-tideway-of-destiny/