quinta-feira, 11 de junho de 2026

Chafariz de Trovas * 7 *


A saudade sintetiza
sonhos, glórias, sentimentos,
como um filme que eterniza
nossos melhores momentos.
A. A. DE ASSIS

É certo dizer que a idade
não se conta pelos anos.
— Eu, já desde a mocidade,
sou velho... de desenganos!
ABREU CARVALHO

Num afago em seus cabelos,
num carinho em sua face,
vi que, através de desvelos,
um grande amor também nasce...
ADEMAR MACEDO

Eu creio em Deus, com profundo
sentido de lucidez,
mas, no Deus que fez o mundo,
não no deus que o mundo fez!
ALFREDO DE CASTRO

Este alguém que no passado
fez-se Musa em minha lira,
vive em peito guardado
e as minhas trovas inspira.
ALYDIO C. SILVA

Não é uma santa, entretanto,
murmuram, quando ela passa:
- Maria cheia de encanto...
- Maria cheia de graça...
ANA MARIA MOTTA

"Quem canta, os males espanta".
Mas na sonata do amor
minha alma é triste, pois canta
somente as notas de dor.
ANTONIO ROBERTO FERNANDES

Este amor que te declaro
é tão puro e tão bonito
que, ao medi-lo, eu o comparo
à grandeza do infinito!
ANTONIO TORTATO

Vendo aquilo em que se crê
e sentindo o que se nega,
somente um cego não vê
que a humanidade está cega!
APARÍCIO FERNANDES

Gonçalves Dias, teu verso
das terras do Maranhão
aos píncaros do Universo,
prega ao mundo a comunhão!
ARTHUR THOMAZ

Esta vida é uma pomada
da maciez do veludo...
— Eu já não sofro de nada,
de tanto sofrer de tudo!
ASSIS GARRIDO

Tens a placidez dos lagos...
Mas... eu temo, por nós dois,
que, entre carícias e afagos,
venha o dilúvio depois...
BATISTA SOARES

O velho meio caduco
olha o espelho e diz, por fim:
- Este espelho tá maluco,
eu não sou tão feio assim!
CAMPOS SALES

Quando o tempo massacrante
aponta o peso da idade,
todo o passado distante
é presente na saudade.
CARLOS DE SOUZA

Deus! que bom, se, de repente,
o pranto da humanidade
se transformasse em vertente
de Amor e Fraternidade!
CAROLINA RAMOS

Reler a carta guardada...
Minha mão agora oscila,
ante a gaveta trancada,
eu devo ou não devo abri-la?
CECÍLIA PATTI SILVEIRA

Cada dia mais tristonho
carrego o peso das eras,
vendo afogar-se meu sonho
num dilúvio de quimeras!
CLARINDO BATISTA DE ARAÚJO

Aflição... Ânsia... Incerteza...
têm meu peito enamorado
e é mais triste que a tristeza
não ter alguém ao meu lado.
CONSTANTINO GONÇALVES

Porteira batendo ao vento,
tão velha e desconjuntada,
é o rude e triste lamento
da fazenda abandonada!...
DANIEL DE CARVALHO

Desce o luar... Das calçadas,
eflúvios sutis se evolam...
É quando, em paz, de mãos dadas,
as crianças cantarolam.
DAVID DE ARAÚJO

Voltei. Ausência de tudo.
Em silêncio o casarão.
Somente um vestígio mudo:
- retrato dela no chão...
ENÉAS DE CASTRO

As esperanças da vida,
bem como os seus desenganos,
mudam de face à medida
que mudam de face os anos.
EXPEDITO PEREIRA

Eva.. esse anjo encantador
que em pecados se desdobra,
fez do Adão um pecador
e diz... "A culpa é da cobra"!
FERRER LOPES

Na vida que nós levamos,
o que nos tem mais valor
é que juntinhos sonhamos
um lindo sonho de amor!
GALDINO ANDRADE

Oh, mãe preta, a todo instante
relembro a tua humildade,
joia de brilho constante
do sacrário da bondade.
HELVÉCIO BARROS

O céu, o ar e o luar,
a mata, animais e flores...
E o homem quer acabar
essa harmonia de cores!...
HERMOCLYDES SIQUEIRA FRANCO

Um pobre estendendo a mão
invocou de Deus o amor.
- Quer esta rosa ou este pão?
- Prefiro a rosa, Senhor.
IDÁLIA KRAU

Enquanto a guerra inundar
num dilúvio, a Terra inteira,
onde a pomba irá buscar
outro ramo de oliveira?!...
IZO GOLDMAN

Quando te vejo, Teresa,
tão bonita e jovial,
eu considero a tristeza
mais um pecado mortal!
JACY PACHECO

Disseste adeus... e, à partida,
vi meus sonhos, sem os teus,
perdendo o rumo da vida
na travessia do adeus!
JOÃO FREIRE FILHO

Qualquer que seja o motivo
pelo qual me abandonou,
em meu coração cativo,
o pranto nunca secou!
JOSÉ FELDMAN

No amor, meus amigos, vede:
sou um Tântalo, por certo,
pois vivo a morrer de sede,
com tantas fontes por perto!
JOSÉ LOURENÇO

O amor eterniza as vidas
e, a vida, vem nos lembrar:
- Correntes de mãos unidas
ninguém consegue quebrar!...
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO

Quantas vezes esquecemos,
chorando lembranças mortas,
que "Deus escreve direito,
embora por linhas tortas"!
LEOPOLDINA DIAS SARAIVA

Torna-se longo o momento
da mais breve despedida,
se atormenta o pensamento
no decorrer de uma vida!
LUCÍLIA ALZIRA TRINDADE DECARLI

Nossa Língua Portuguesa
bem menos rica seria
se não tivesse a riqueza
deste teu nome - Maria!
LUIZ OTÁVIO

Todo momento é perfeito
se traz consigo o pretexto
de incluir, com graças e jeito,
o teu vulto em seu contexto!
  MARIA HELENA OLIVEIRA COSTA

Não me entrego ao desalento
nos momentos mais tristonhos...
Qualquer dilúvio eu enfrento,
com remos feitos de sonhos!...
MARILÚCIA REZENDE

Seria bem diferente
o mundo que se desfaz,
se houvesse dentro da gente
muitas correntes de paz...
MILTON NUNES LOUREIRO

Triste de quem, nesta vida,
pela estrada de onde vem,
nem uma vez deu guarida
às esperanças de alguém.
NICOLINO LIMONGI

Quando penso em falsidade,
teu nome logo me vem:
Teu nome: Felicidade!
- Felicidade? De quem?...
OCTÁVIO BABO FILHO

Feliz de quem não se furta
de lutar, pois vale a pena;
nossa travessia é curta,
mas não deve ser pequena.
  OLYMPIO S. COUTINHO

A travessia mais rude,
que entre nós dois, eu desfiz...
Foi não ter tido a virtude
de fazê-la e ser feliz!
   PROFESSOR GARCIA

Quando a feia se “embeleza”,
mas o resultado é trágico,
diz o espelho, que se preza:
- Ela pensa que eu sou mágico!...
RENATO ALVES

Sempre que a vida nos lança
nas trevas, o que conforta
é ver que a luz da esperança
vem pela fresta... da porta!
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA

O calendário do peito,
em forma de sonho ou prece,
marca um momento perfeito...
mas que nem sempre acontece.
     VANDA FAGUNDES QUEIROZ

Não parta saudade, agora...
Não fuja... E sabe por quê?
- Maria se foi embora...
- Maria agora é você!...
WALDIR NEVES

Sem temor, meu barco avança,
seja qual for a maré,
pois no mastro da esperança
iço a bandeira da fé.
WANDA DE PAULA MOURTHÉ

Nas trevas desta paixão,
me carregas, te carrego,
um cego sem direção,
sendo guia de outro cego!
ZAÉ JUNIOR

Renato Benvindo Frata (Os olhos tortos da sorte)


Cremos que sorte seja uma força imprevisível, ou um acaso favorável que consegue ditar o rumo dos acontecimentos. Para muitos, ter sorte é ter coisas. Mais coisas. E poder mostrá-las, ser motivo de comparação. De orgulho, ou inveja!

Viu o vestido da fulana? Benza Deus! Essa nasceu com o nariz pra lua! Quanto a mim, ah! A sorte me olha de olho torto... É vesga, essa miserável!

Os olhos de quem assim falou – (como ficam?) – brilham expandidos a quase pularem das órbitas. No fundo deles, em formato cascavel a balançar o guizo, vê-se um sentimento de escassez a virar com intensidade a manivela do complexo de sua inferioridade. Maldiz pela boca da inveja.

Mas sorte e feitiço não são parentes tão próximos quanto parecem; e não se confunda sorte com sortilégio. A primeira se liga a um acontecimento espontâneo, inesperado. O segundo se ata à magia, feitiçaria ou encantamento. Um acontece. O outro é produzido. Enquanto a sorte chega sem convite, o sortilégio tenta arrombar a porta do destino. Exemplo disso?

Lembra-se da fortuna do Tio Patinhas? Era fruto de trabalho e persistência. Era tão rico que nadava em dinheiro. Mas a Maga Patalójika, a bruxa azarada símbolo da cobiça, da inveja e do misticismo, formulava poções, fazia cálculos e o impossível, para lhe roubar a moedinha número um, a que lhe “dava” sorte. Mas, nada. Sempre se saiu mal. Os Irmãos Metralha são outro exemplo. E o feitiço virava-se contra o feiticeiro.

Ter um gibi daqueles era rir à toa. Eles nos ensinavam que a maldade sempre volta em desfavor daquele que a pratica. 

Na minha cidade havia apenas o jogo do bicho e a loteria federal. Um tinha os resultados grudados a um poste. O outro, numa folha de papel na Casa dos Bilhetes. Ali, homens de chapéu e bigode falavam em sorte e azar. Quando acertavam a dezena, o terno, a quadra, urravam de alegria. E gastavam com bebidas o que ganhavam. Também havia conversas sobre mandingas, e até de quem vendera a alma pelo prêmio de São João. Vendeu, mas não recebeu. E endoidou. 

Pouco importavam contas, estatísticas ou probabilidades. Quando a esperança se senta à mesa, a matemática costuma ser posta para fora da conversa. E o jogo, quando deixa de ser passatempo e passa a ser esperança, prejudica o bolso e a cabeça. A sorte? Essa continuará estrábica, no seu entender. 

Talvez nem seja vesga a sorte como a entendemos. Somos nós que, de tanto olhar para o que nos falta, deixamos de enxergar o que já temos. Mas, que fazer uma fezinha de vez em quando é bom, nem se diga. Vai que... dá!
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RENATO BENVINDO FRATA nasceu em Bauru/SP, radicou-se em PARANAVAÍ/PR. Formado em Ciências Contábeis e Direito. Professor da rede pública, aposentado do magistério. Atua ainda, na área de Direito. Fundador da Academia de Letras e Artes de Paranavaí, em 2007, tendo sido seu primeiro presidente. Acadêmico da Confraria Brasileira de Letras. Seus trabalhos literários são editados pelo Diário do Noroeste, de Paranavaí e pelos blogs:  Taturana e Cafécomkibe, além de compartilhá-los pela rede social. Possui diversos livros publicados, a maioria direcionada ao público infantil.

Fonte:
Texto enviado pelo autor.

José Feldman (“A Alquimia do Tempo”) O Eco no Vazio do Asfalto


Eram sete e meia da manhã, o horário em que a cidade ainda boceja fumaça de óleo diesel e o sol tenta, sem muito entusiasmo, atravessar a névoa de poluição. Lupércio, um homem que mantinha o hábito arcaico de carregar o otimismo como quem carrega um guarda-chuva num dia de nublado, saiu de seu prédio. 

Ao cruzar com o porteiro, soltou um "bom dia" cheio de dentes e intenção. O porteiro, absorto em um celular que filtrava o mundo, nem sequer levantou os olhos. O cumprimento ricocheteou no balcão de mármore e caiu no chão, ignorado.

Filosoficamente, o "bom dia" não é um boletim meteorológico. Ninguém está realmente perguntando se o dia será bom; o que se está fazendo é um reconhecimento de existência. Quando Lupércio diz "bom dia", ele está dizendo: "Eu te vejo, você está aqui, somos dois seres humanos ocupando o mesmo fragmento de tempo e espaço". Quando o outro silencia, a resposta implícita é devastadora: "Para mim, você é paisagem. Você é um fantasma de carne que não merece o gasto do meu fôlego".

Lupércio seguiu caminho, mas sentiu um peso sutil nos ombros. Aquele vácuo de resposta gerou um pequeno curto-circuito em sua disposição. 

Minutos depois, ao entrar na padaria, o seu segundo "bom dia", direcionado ao atendente, foi recebido com um resmungo ininteligível. A cortesia, que deveria ser a ponte entre dois estranhos, acabara de ser implodida.

A falta de cortesia funciona como uma poluição invisível. Não arde nos olhos, mas oxida a alma da cidade. Um "bom dia" ignorado na calçada se transforma em uma fechada brusca no trânsito dez minutos depois. O silêncio hostil do elevador transmuta-se em uma resposta ríspida em um e-mail de trabalho. A descortesia é contagiosa, ela cria uma cadeia de pequenos ressentimentos que, somados, formam o humor cinzento de uma metrópole.

A cidade, afinal, é um amontoado de solitários tentando não se esbarrar. Quando paramos de nos saudar, as ruas deixam de ser lugares de convivência e passam a ser pistas de obstáculos. 

Lupércio, ao chegar ao escritório, já não sorria. Quando a estagiária passou por ele e, com timidez, desejou-lhe uma boa manhã, ele apenas acenou com a cabeça, seco. O vírus da indiferença fizera mais uma vítima. Ele, que fora ferido pelo silêncio, agora usava o silêncio para ferir.

O "bom dia" não respondido é o sintoma de uma sociedade que confunde pressa com importância e anonimato com proteção. Acreditamos que, ao não interagir, poupamos energia. Ledo engano. Gastamos muito mais energia nos defendendo da hostilidade urbana do que gastaríamos lubrificando as relações com um simples reconhecimento verbal. Uma cidade sem cumprimentos é uma floresta de concreto onde todos são presas e ninguém é companheiro.

No final da tarde, ao voltar para casa, Lupércio viu um garotinho na calçada apontando para um cachorro vira-lata. 

O menino olhou para Lupércio e disse, com a pureza de quem ainda não aprendeu a ser invisível: "Olha, moço, o cachorro tem uma mancha de coração!". 

Lupércio parou. Aquela pequena intervenção humana quebrou a crosta de gelo que o dia havia formado. Ele sorriu. "É verdade, garoto. Tenha um bom final de dia". 

O menino sorriu de volta. A ponte estava reconstruída.

Moral:
A cortesia é o lubrificante que impede que as engrenagens da sociedade entrem em combustão. Um "bom dia" não respondido pode parecer uma insignificância, mas é o primeiro tijolo na construção de um muro de indiferença que nos isola. Não cumprimentamos o outro para sermos educados; cumprimentamos para reafirmar que, em meio ao caos de cimento, ainda existem humanos. Se o mundo lhe negar a resposta, continue saudando, pois o pior não é o silêncio que você recebe, mas o silêncio que você deixa crescer dentro de si mesmo.
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JOSÉ FELDMAN (71), poeta, escritor, professor, copidesque e gestor cultural de FLORESTA, no interior do estado do Paraná. Pertence a diversas academias de letras do Brasil, Portugal, Suíça e Romênia. Foi Delegado da UBT em Ubiratã, ajudou na coordenação das Delegacias de Arapongas e Campo Mourão. Condecorado pela Ordo Equitum Calamis et Calicis (Romênia) com o título de Comandante Supremo do Saber.  Organizou diversos torneios de trovas, assim como elaborou centenas de boletins e e-books de trovas. Aposentado. Dezenas de premiações em crônicas, contos, poesias e trovas no Brasil e exterior. 7 livros publicados. Editor dos blogs Singrando Horizontes, Pérgola de Textos, Chafariz de Versos e Voo da Gralha Azul.

Fonte:
FELDMAN, José. Alquimia do tempo. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.

A. A. de Assis (Testes para namorados)


“Beleza é tudo aquilo que você não dá conta de ver sozinho.” 

Li essa frase do poeta Bartolomeu Campos de Queirós e fiquei pensando nuns testes que os namorados poderão fazer para ter certeza de que sua atual namorada é de fato a preferida do seu coração. As moças poderão fazer os mesmos testes, bastando inverter os papéis. 

1. Imagine você sentado num banquinho, embaixo de uma árvore florida, diante da paisagem mais bonita do mundo. Naturalmente sentiria vontade de repartir aquele momento e aquela beleza com alguém. Quem você gostaria de ter ali a seu lado? Seria sua atual namorada?

2. Imagine que você estivesse num grande baile onde estivessem reunidas todas as moças solteiras da sua cidade. Você teria o direito de convidar qualquer uma delas para ser seu par constante durante a noite inteira. Entre todas, qual você mais gostaria que aceitasse o seu convite? Tem certeza de que escolheria sua atual namorada?

3. Imagine que você ganhasse um concurso cujo grande prêmio fosse uma viagem em redor do mundo, com todas as despesas pagas, e pudesse levar como companheira a moça que você preferisse, entre todas as suas conhecidas. Qual você mais gostaria que aceitasse ir junto? Será que sua atual namorada seria realmente a escolhida?

4. Se, por acaso, algum ricaço brincalhão lhe perguntasse se concordaria em abandonar sua atual namorada em troca de um cheque de um milhão de reais, qual seria sua resposta? 

5. Se você pudesse, entre todas as moças do mundo, escolher uma para ser todas as noites a protagonista dos seus melhores sonhos, você está convencido de que escolheria sua atual namorada?

Melhor parar a conversa aqui, visto que pode pôr muito namoro em risco... Mas cá pra nós: seria maravilhoso estar num banquinho, embaixo de uma árvore florida, diante de uma paisagem lindíssima, tendo ao lado a pessoa mais querida do mundo.
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(Crônica publicada no Jornal do Povo – Maringá – 11-6-26)
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A. A. DE ASSIS (Antonio Augusto de Assis), (93), poeta, trovador, haicaísta, cronista, premiadíssimo em centenas de concursos nasceu em São Fidélis/RJ, em 1933. Radicou-se em MARINGÁ/PR desde 1955. Lecionou no Departamento de Letras da Universidade Estadual de Maringá, aposentado. Foi jornalista, diretor dos jornais Tribuna de Maringá, Folha do Norte do Paraná e das revistas Novo Paraná (NP) e Aqui. Algumas publicações: Robson (poemas); Itinerário (poemas); Coleção Cadernos de A. A. de Assis - 10 vol. (crônicas, ensaios e poemas); Poêmica (poemas); Caderno de trovas; Tábua de trovas; A. A. de Assis - vida, verso e prosa (autobiografia e textos diversos). Em e-books: Triversos travessos (poesia); Novos triversos (poesia); Microcrônicas (textos curtos); A província do Guaíra (história), etc.

Fontes:
Texto obtido no facebook do autor. 10.06.2026
Imagem criada com IA Microsoft Bing usando a foto do autor

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Asas da Poesia * 190 *


Trova Humorística de
A. A. DE ASSIS
Maringá/PR

Entre o passado e o futuro,
mudou o amor um bocado:
- o que o vovô fez no escuro,
faz o neto, escancarado!
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Poema de
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ES

À espera...

Aqui me pego, à tua saudade, esperando
que venhas e traga ternura em teus traços...
Porém, passam-se as horas... E já desanimado
Cismo que não chegarás até meus braços

E meus anseios vão se arrastando
em tua ausência c’os meus embaraços...
Tão depressa as horas foram passando,
Que até ouço a saudade e seus tristes passos...

Perto de mim, uma pá de gente segue cruzando
indiferente ao anseio de que desejo ver-te
e que aos poucos estou me definhando...

Esgotou-se o tempo... Esperar-te foi em vão.
Mas a angústia louca de amanhã rever-te,
faz regressar feliz este meu coração!...
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Aldravia de
ELVANDRO BURITY
Rio de Janeiro/RJ

tentando
ser
amado
cobiço
seu
coração
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Soneto de
AUGUSTO DOS ANJOS
(Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos)
Cruz do Espírito Santo/PB (1884 – 1914) Leopoldina/MG

Asa de Corvo

Asa de corvos carniceiros, asa
De mau agouro que, nos doze meses,
Cobre às vezes o espaço e cobre às vezes
O telhado de nossa própria casa...

Perseguido por todos os reveses,
É meu destino viver junto a essa asa,
Como a cinza que vive junto à brasa,
Como os Goncourts, como os irmãos siameses!

É com essa asa que eu faço este soneto
E a indústria humana faz o pano preto
Que as famílias de luto martiriza...

É ainda com essa asa extraordinária
Que a Morte — a costureira funerária —
Cose para o homem a última camisa!
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Trova de
J. STAVOLA PORTO 
Niterói/RJ

Labaredas, nas queimadas
da floresta em combustão,
lembram mãos agoniadas,
rogando aos céus proteção.
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Poema de
FILEMON F. MARTINS
São Paulo/SP

O amor

É como a flor que nasce no jardim
e vai florindo com cuidado e zelo.
O amor também floresce e cresce assim
com carícia, paixão, amor, desvelo...

É preciso cuidar, plantando, enfim,
compreensão, carinho e defendê-lo
da praga do ciúme tão ruim
que teima em desfazer e ser, sem sê-lo.

Um grande amor toda a beleza exprime,
porque o amor faz a vida mais sublime
e exige inspiração de quem o quer.

A vida a dois há de ficar mais bela,
se houver no coração a flor singela
e um sorriso feliz de uma MULHER.
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QUADRA POPULAR

Toda vez que considero
que tenho de te deixar,
me foge o sangue da veia,
e o coração do lugar.
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Soneto de
PEDRO XISTO
(Pedro Xisto Pereira de Carvalho)
Limoeiro/PE, 1901 – 1987, São Paulo/SP

Unidade

Do crepúsculo as faixas carregadas
eu desato, as primícias perseguindo
do sonho a que se volva o dia findo
(já não terá o rei suas espadas).

De toda diferença, ora, prescindo:
disputem outros sobre as bem-amadas
(ai! alma, em dúbio sangue sobrenadas...)
ou se é o rosto, sob os véus, mais lindo.

A pouco e pouco, afrouxaram-se estas malhas;
os olhos as trespassam, de tão falhas;
e um só, de volta em volta, o meu caminho.

As mãos, eu pouse — ó Vida! — em frescas toalhas
eu, contra o peito, quando me agasalhas
definitivamente, sou sozinho.
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Trova de
CAROLINA RAMOS
Santos/SP

Ante o horror de uma queimada,
tenho a impressão verdadeira
de ver a Pátria enlutada,
sem mais verde na bandeira!
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Poema de
JACY PACHECO
Duas Barras/RJ, 1910 – 1989, Niterói/RJ

Primavera do Mundo 

Primavera do mundo, tu virás!
Talvez não venhas na tranquilidade
de um dia claro e musical.
Trarás as mãos ensanguentadas
e as rosas se abrirão todas vermelhas.

Mas chegarás!
E extirparás a tirania
e todos os princípios egoístas.
E as máquinas da paz
revolverão o solo redimido
pelo sangue de irmãos idealistas.

Primavera do mundo, eu te entrevejo
numa nesga de sol recém-nascido,
anunciando o bem dos homens livres,
a vitória do amor, do ideal fecundo!   

Aguardo o teu instante triunfal
primavera do mundo!
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Haicai de
JOÃO BATISTA SERRA
Caucaia/CE

Azulão contempla
O firmamento azulado:
Deseja ser livre.
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Sextilha Agalopada de
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Serra Negra do Norte/RN, 1934 – 2015, Natal/RN

Ontem vi, na internet, em lindas cores,
a beleza da aurora boreal...
Lembrei todas as flores do sertão
e os encantos do verde litoral
para expor, em palavras coloridas,
uma espécie de língua universal.
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Trova de
ARTHUR THOMAZ
Campinas/SP

Poeta! Em que mundo vives?
Vais flanando, sonhador,
lapidando feito ourives
os versos de um grande amor…
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Glosa de
NEMÉSIO PRATA
Fortaleza/CE

MOTE 
Caminhando pro horizonte 
quis a minha dor levar, 
lá eu encontrei uma fonte, 
sem água pra me aliviar! 
José Feldman 
(Floresta/PR)

GLOSA
Caminhando pro horizonte, 
sedento, foi que eu dei fé 
que um rio, descendo um monte, 
corria até o seu sopé! 

A vida, já por um fio, 
quis a minha dor levar 
pra junto daquele rio 
pra minha sede passar! 

Dei a volta pelo monte 
mas cruel foi o destino; 
lá eu encontrei uma fonte, 
vazia..., que desatino! 

Qual foi a minha agonia 
quando pude constatar 
que a fonte estava vazia; 
sem água pra me aliviar!
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Aldravia de
ANNA RIBEIRO
Itajaí/SC

nas
entrelinhas
em
busca
de
mim
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Soneto de
JORGE WANDERLEY
(Jorge Eduardo Figueiredo de Oliveira Wanderley)
Recife/PE, 1938 – 1999

Pátio secreto

Vejo-o talvez em sonho, quando nada
Parece mal: o mesmo pátio, as sombras,
O chafariz envelhecido, a pátina
Que a algum luar de mármore responde.

O muro, o musgo, a vinha, o abandono
Da pedra e a quase fria madrugada
Passada em névoa ao cinzento do outono,
O sono que flutua em tudo, em nada.

Tudo está morto e vivo pela imagem,
Recanto, quadro, música, memória
Que visito dormindo e sem matéria.

Outros o viram, também. De passagem
Deixaram algo oculto a sua história,
Marca secreta, assinatura etérea.
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Trova de
ADELIR COELHO MACHADO 
São Gonçao/RJ, 1928 - 2003, Niterói/RJ

Nosso grisalho carinho
é bênção que Deus nos deu:
és presença em meu caminho,
eu sou presença no teu!
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Poema de
NORTON CORDEIRO
Campinas/SP

Maria rainha

Maria rainha não minha
Maria de outro, seu dono,
Vigilante perspicaz e cruel
Que não lega a ninguém o direito
De usufruir, mesmo um pouco
Pequeno que seja,
Do toda daquela sensual nobreza.

Maria rainha não minha
vã esperança - mas viva -
deste plebeu sonhador que anseia,
num dia de sorte reversa,
despistar seu cruel ditador,
pra num rompante de pura ousadia
fazê-la aia do meu amor.
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Triverso de
JOÃO TOLOI
Guarulhos/SP

Silêncio na estação
Sobre o trem que parte
A chuva de outono.
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Setilha Sobre o Mar de
CREUSA MEIRA 
Dom Basílio/BA

Primeiro dia do ano
As flores eu vou levar
São as minhas oferendas
Para a rainha do mar
Jogo gotas de alfazema
Leio um belo poema
Nas ondas a caminhar
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Trova de
CLÁUDIO DE CÁPUA
São Paulo/SP, 1945 – 2021, Santos/SP

Em noite alta... madrugada,
contemplo a lua contrito:
- Barca de prata aportada
nos segredos do infinito.
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Hino de 
LIMEIRA/SP

Chão bendito de berços gloriosos
Tua origem uma linda limeira,
Fundada por labores ditosos
És cidade tão bela e faceira

Frutas doces, colhemos aos montes
Pomares verdejantes com flores
Laranjais circundam as fontes
Acariciando a vida de amores.
 
Tuas indústrias crescem e agigantam
As grandezas de nosso porvir
Jardins - Praças todos se encantam
Com músicas sonoras a ouvir.

Chão bendito de berços gloriosos
Tua origem uma linda limeira,
Fundada por labores ditosos
És cidade tão bela e faceira

Povo amigo de ação relevante
Nossas escolas padrões elevados
Nossa fé seguirá triunfante
Sendo os mestres heróis abençoados.

Chão bendito de berços gloriosos
Tua origem uma linda limeira,
Fundada por labores ditosos
És cidade tão bela e faceira

Limeira! Limeira!
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Hino de Limeira: Uma Ode à Terra de Frutas e Indústrias
O 'Hino de Limeira - SP' é uma celebração poética e musical da cidade de Limeira, localizada no interior do estado de São Paulo. A letra exalta as belezas naturais, a prosperidade econômica e o espírito comunitário da cidade. Desde o início, a música destaca a origem gloriosa de Limeira, referindo-se a ela como um 'chão bendito de berços gloriosos'. A palavra 'limeira' no contexto histórico remete à árvore de limão, simbolizando a fertilidade e a abundância da região.

O estribilho da música enfatiza a riqueza agrícola de Limeira, mencionando as frutas doces e os pomares verdejantes. A imagem dos laranjais circundando as fontes sugere uma paisagem idílica e fértil, onde a natureza e a vida humana coexistem em harmonia. Essa parte da letra não só celebra a produção agrícola, mas também evoca um sentimento de amor e carinho pela terra.

Além das belezas naturais, o hino também destaca o crescimento industrial da cidade, mencionando que as indústrias 'crescem e agigantam'. Isso reflete a modernização e o desenvolvimento econômico de Limeira, que se tornou um importante polo industrial. A letra também faz referência à educação e à fé, exaltando as escolas de padrões elevados e a fé triunfante do povo limeirense. A música termina com um chamado apaixonado à cidade, repetindo o nome 'Limeira' como um grito de orgulho e pertencimento.  
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Poetrix de
REGINA LYRA
João Pessoa/PB

Afinado

Nas cordas do violão
o músico faz de um chorinho
belo sorriso.
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Soneto de
BASTOS TIGRE
(Manuel Bastos Tigre)
Recife/PE, 1882-1957, Rio de Janeiro/RJ

Amor de pronto

Suplicas que eu te escreva e que te diga
Se te não quero mais com o mesmo ardor.
Pedes "três linhas... uma frase amiga,
Um rápido bilhete... o quer que for."

Nada perdeu da intensidade antiga
Meu sempre novo e apaixonado amor;
O ofício de te amar não me fatiga
E além do mais eu sou conservador.

Dizes estar de tanta espera farta;
Que os homens, às amantes sempre infiéis,
Só merecem (que horror!) que um raio os parta.

Não! Meu silêncio tem razões bem cruéis:
Ando "por baixo" e custa cada carta
Tinta, papel e um selo de cem réis.
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Trova Humorística de
CLEBER ROBERTO DE DE OLIVEIRA
São João de Meriti/RJ

Fiquei surpreso!... Foi chato,
com gente no "reservado",
ter de correr para o mato
e ler num galho: "OCUPADO"!
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Fábula em Versos de
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França

O lobo e o cordeiro

De ardente sede obrigados,
Foram ao mesmo ribeiro
A beber das frescas águas
Um lobo e mais um cordeiro.

O lobo pôs-se da parte
De onde o regato nascia;
O cordeiro, mais abaixo,
Na veia de água bebia.

A fera, que desavir-se
Com a mansa rês desejava,
Num tom severo e medonho,
Desta sorte lhe falava:

«Por que motivo me turvas
A água que estou bebendo?»
E o cordeirinho inocente
Assim respondeu, tremendo:

«Qual seja a razão que tenhas
De enfadar-te, não percebo!
Tu não vês que de ti corre
A mim esta água que bebo?»

Rebatida da verdade,
Tornou-lhe a fera cerval:
«Aqui haverá seis meses,
Sei de mim disseste mal.»

Respondeu-lhe o cordeirinho,
De frio medo oprimido:
«Nesse tempo, certamente,
Ainda eu não era nascido!

— Que importa? Se tu não foste,
Disse o lobo carniceiro,
Foi teu pai.» E, por aleives,
Lacera o pobre cordeiro!

Esta fábula dá brados
Contra aqueles insolentes
Que por delitos fingidos
Oprimem os inocentes.
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