segunda-feira, 1 de junho de 2026

Revista Crestomatia de Trovas n. 3 – junho de 2026 (Download gratuito)


Confira os destaques que preparei para o seu deleite em suas 37 páginas:

* Panteão da Trova: Inicia nossa jornada com uma seleção primorosa de trovas de grandes mestres de diversas épocas, celebrando a riqueza lírica de Brasil e Portugal.

* O Sentir em Quatro Versos: Uma seção dedicada exclusivamente ao tema Velhice — esse estágio de nossa vida, lapidado pela sensibilidade de vozes inesquecíveis.

* Trovadores de Hoje: O destaque central desta edição traz um verdadeiro "catatau" de trovas do mestre juizforense Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho. Uma imersão profunda na obra de um dos maiores expoentes da nossa arte.

* Aperfeiçoamento: Para quem busca o aperfeiçoamento, apresento um capítulo indispensável do livro "O Bom Trovar", da saudosa Maria Thereza Cavalheiro, falando sobre a rima.

* Trovadores de Ontem: Uma homenagem à delicadeza e ao talento do curitibano Maurício Norberto Friedrich, resgatando a memória da trova paranaense.

* Encerro com um artigo sobre o Trovadorismo.

Baixe em pdf no link abaixo

Boa leitura.
abraços trovadorescos

José Feldman

Chafariz de Trovas * 4 *


Solitário coração,
onde o sonho adormeceu...
– Lembra uma velha estação
que, sem trem, virou museu.
A. A. DE ASSIS 

Que destino, que porvir
pode a sorte reservar
a quem não sabe sorrir
e se esqueceu de chorar?!
ADALBERTO DUTRA DE REZENDE

Morre o pobre de arrepio,
gelado, se o frio aperta;
e dizem que "Deus dá o frio
conforme a nossa coberta".
ALFREDO DE CASTRO

Cai por terra qualquer festa
e minha alma triste chora,
quando vejo uma floresta
pela queimada indo embora...
ANALICE FEITOZA DE LIMA

Quem não sofreu a amargura
da eterna separação,
não entende a desventura
da palavra Solidão!
APARÍCIO FERNANDES

Eu hoje chamo saudade
o que ontem chamava amor.
A minha felicidade
mudou de nome e de cor.
ARGENTINA DE M. SILVA

Enquanto a vida não passa
enquanto a morte não vem,
quem deixa marcas de graça
têm outros mundos no além.
ARI SANTOS CAMPOS

Quando perto, o trem apita,
batem forte os corações…
Tudo na estação se agita,
provocando as emoções.
ARTHUR THOMAZ

Feito o sol que vai e volta,
é preciso renascer
com o mesmo brilho que escolta
a coragem de vencer.
BASILINA PEREIRA

Meu lenço, na despedida,
tu não viste em movimento:
- Lenço molhado, querida,
não pode agitar-se ao vento...
CARLOS GUIMARÃES

Hoje nada mais me importa,
pois se volto ao meu passado,
eu vejo a esperança morta
num castelo abandonado.
CARMEN OTTAIANO

Ele chega de mansinho,
velho cão ressabiado...
mas, se conquista um carinho,
nos dá carinho dobrado!
CAROLINA RAMOS

Ah! Somente o homem não crê
que a natureza, num grito,
chora muito quando vê;
Pinheiro virar "palito"!
CAROLINE PORTUGAL

Ninguém ouve mais o canto
matinal da passarada...
Vê-se agora, a fauna em pranto,
carpindo a dor da queimada!
CLARINDO BATISTA ARAÚJO

Pranteando a ponte antiga,
o rio, ao vê-la aos pedaços,
abrindo os braços à amiga,
carrega a ponte nos braços...
DARLY O. BARROS

Fiz do amor o meu caminho
só de verdades traçadas,
e dentro delas um ninho
com nossas mãos enlaçadas.
DAURA ROCHA BARBOSA RESENDE

Mãe! Criatura querida,
santa heroína sois vós;
quando nos destes a vida,
destes o sangue por nós!
DÉCIO VALENTE

Vão-se os séculos rolando
nas ampulhetas da vida;
corrente que vai passando
numa rota indefinida...
DJALDA WINTER SANTOS

Naqueles tempos de antanho,
de escribas e fariseus,
um Homem do meu tamanho
tinha o tamanho de Deus!
DURVAL MENDONÇA

O tempo passa, voando,
mas, deixa traços, enfim:
Um cansaço, me acercando,
premeditando o meu fim…
FABIANO DE CRISTO WANDERLEY

Velho - carrego esperanças
adubando a vida em flor;
- quem não cultiva as lembranças,
mata as raízes do amor.
GABRIEL BICALHO

Eu tenho te amado tanto,
com tão intensa paixão,
que muitas vezes me espanto
de ter um só coração!
GALDINO ANDRADE

Com que ironia o destino
pode este quadro pintar:
de um lado, um lar sem menino;
de outro, um menino sem lar.
HEGEL PONTES

A positiva corrente,
da força do pensamento,
faz a tristeza da gente
ser levada pelo vento!...
HERMOCLYDES SIQUEIRA FRANCO

A neblina, em dias frescos,
descendo em vales sombrios,
aos poucos tece arabescos,
nas brancas margens dos rios...
HÉRON PATRÍCIO

- Olá! Onde tens andado?
Como estás, e que tens feito?
- Casei-me no mês passado.
- Eu não te avisei? Bem feito!
IVO DOS SANTOS CASTRO

Lá vai a vida, girando.
Então, giremos também,
que a vida gira, levando
os sonhos que a gente tem.
JESY BARBOSA

Neste mar de desenganos, 
levado pela maré, 
em tantos sonhos insanos, 
minha força é sempre a fé.
JOSÉ FELDMAN

Quando a jangada flutua,
sobre as águas, ao luar,
é uma lágrima da lua,
nos olhos verdes do mar.
JOSÉ LUCAS DE BARROS

Faz de ternura e carinho
corrente de amor fecundo...
E nunca andarás sozinho
nas correntezas do mundo.
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO

Vejo no céu as estrelas
e fico triste a sonhar...
Porque não sei em qual delas
você, meu bem, foi morar!...
LICÍNIO COSTA

Você...sublime miragem
de um ideal sempre comigo,
iluminando a passagem
da caminhada que sigo...
LOURDES APARECIDA CIONE

Essa mão que lavra a terra
planta no chão a semente.
A benção de Deus encerra,
pois mata a fome da gente
LOURDES BASTOS DA PORCIÚNCULA

O mar nos deu a receita
de um viver sábio, fecundo:
sendo salgado, ele aceita
as águas doces do mundo!
LUIZ OTÁVIO

Na bicicleta, outro dia,
pedalava sorridente…
foi ao chão… quanta ironia…
perdeu, num deslize, um dente!
MAGNUS KELLY

Junto ao meu riso, o cansaço 
sorri, mas deixa sinais…
Se o tempo encurta o meu passo,
insisto, sonhando mais!
MARA MELINNI GARCIA

É pena que o mundo torça
a razão do bom ditado,
pois, se "a união faz a força",
por que um de cada lado?
MILTON NUNES LOUREIRO

Os teus cabelos, Maria,
embora soltos, me dão
a certeza de que, um dia,
hão de ser minha prisão!
OCTÁVIO BABO FILHO

Qualquer corrente não prende
um coração de mulher.
Mas, quando a mulher entende,
prende-se a um fio qualquer. . .
ORLANDO WOCZIKOSKY

Quem aos queixumes se lança
e se desfaz em lamentos,
— em vez de paz só alcança
aumentar seus sofrimentos.
PAULA FARIA

Se queres um bom conselho,
muito útil e bem pensado,
— nunca metas o bedelho
onde não fores chamado...
PETRARCA MARANHÃO

Sofrido!... E o pobre andarilho,
já velho e encurtando os passos,
só depois que encontra o filho
joga fora os seus cansaços!
PROFESSOR GARCIA

Uma verdade conforta
e torna a vida mais bela:
se o mundo nos fecha a porta,
Deus nos abre uma janela!
RODOLPHO ABBUD

Ante meus olhos tristonhos,
chorando minhas idades,
abro a cortina dos sonhos
num festival de saudades!
SANTIAGO VASQUES FILHO

Numa estranha semelhança
com a caixa de Pandora,
vivo apenas de Esperança,
porque o Sonho foi embora.
SARA MARIANY KANTER

Daquele amor proibido
eu guardo, da mocidade,
um lenço amarelecido
e um dilúvio... de saudade!
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA

Manhã fria... Ela, sem graça,
ao dar-me adeus, da janela,
o orvalho, em sua vidraça,
clonou-me as lágrimas dela.
UBIRATAN QUEIROZ DE OLIVEIRA

Pelo mar da vida inteira,
conforme a força do vento,
és o ramo de oliveira,
nos dilúvios que eu enfrento!
VANDA FAGUNDES QUEIROZ

Conquista é jogo de azar
e, no amor, jogo pesado;
querendo te conquistar,
eu é que fui conquistado!
ZAÉ JÚNIOR

Artur de Carvalho (Uma gata)

Era noite e ela ainda não havia voltado. Fez de conta que não estava ligando, continuou assistindo TV como se não estivesse acontecendo nada. Olhava pela janela de vez em quando. Voltava para a frente da TV, controle remoto na mão. Ficava olhando a telinha azul despencando imagens sem sentido. O controle remoto criou uma nova programação. São programas onde imagens aleatórias de desenhos animados e de comentaristas políticos se intercalam, numa corrida sem sentido. São programas diferentes todos os dias, mas iguais em sua falta de objetividade. 

Desligou a TV, ligou o aparelho de som. Sintonizou uma rádio, para não precisar ficar trocando de CD. A música sertaneja invadiu as FMs. Ele era do tempo em que as FMs só tocavam música americana. Ou MPB. Não faz muito tempo não, até você deve se lembrar. E agora... só sertaneja. Ou pagode, essas coisas. Levantou e olhou pela janela de novo. O relógio. Ela devia ter chegado há mais de três horas. Deveria haver uma explicação lógica. Começou a tocar outra do Leandro e Leonardo. 

Resolveu colocar um CD. Aquela casa estava uma confusão. Procurou. Entre suas coisas tinha um CD com a trilha sonora do "Blade Runner", não achava. Desistiu de procurar. Devia estar perdido debaixo de alguma dessas almofadas. Ela gosta de almofadas. Tinha tantas por causa dela. Primeiro gostava daquelas menores, depois ele começou a trazer para casa aqueles almofadões. Deitavam e ficavam assistindo TV Eles nem sentavam mais no sofá. Com o tempo, dispensou os dois módulos, um com três lugares, outro com dois. A sala ficou maior, arrumou mais almofadas. Tropeçava nelas quando entrava em casa, no escuro. De vez em quando ela estava ali, enroscada com as almofadas, dormindo. Tropeçava nela também. Às vezes se agarrava em suas pernas e o fazia cair. Ele ria, se abraçava a ela e fazia cócegas na sua barriga. Ela não aguentava cócegas na barriga. Se davam bem.

Resolveu comer um pouco. Foi até a cozinha e esquentou um pouco de leite. Um pouco de leite quente o acalmava. Fez uma gemada. Bateu as gemas com açúcar e colocou no leite. Ficou mexendo com a colher de pau, até dissolver bem. Ela adorava gemada. Deixou um pouco na caneca, no caso dela voltar. Abriu a geladeira e tinha umas bolachas de maisena no pacote aberto. Pegou algumas. Gemada e bolachas de maisena.
 
É o que há.

Agora sim, havia ficado bem tarde. Novamente se aproximou da janela, a xícara com a gemada na mão, deu uma última espiada. Talvez não volte hoje. Já havia feito isso muitas vezes. Acabava voltando. Voltava com o rabo entre as pernas, como quem a pedir perdão. Ele sorria e sempre a desculpava. Não era de guardar rancores.

Mais uma hora ou duas se passaram, percebeu que iria dormir sozinho aquela noite. Ligou a TV novamente. Deixou na Globo mesmo, a transmissão não se interrompia. Sempre acordava quando deixava em outros canais, a programação acabava, acordava com o chiado da TV fora do ar. A Globo ficava a noite inteira. Arrumou umas almofadas, se deitou. Estava passando um filme de adolescentes de férias, garotas loiras de biquíni. Os olhos começaram a piscar. Fechou os olhos. Ainda ouvia o filme, depois nem isso. Dormiu.

Acordou com o hálito quente e forte dela. Era um cheiro conhecido. Depois de um tempo a gente se acostuma com os cheiros. Ela tinha um hálito diferente, adocicado. Sentia até saudades daquele cheiro. Ela se acomodou ao seu lado, buscando o calor de seu corpo. Ele a abraçou e sorriu.

Ela sempre voltava.
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Artur de Carvalho (1962 - 2012) foi um escritor, jornalista, publicitário, cartunista e ilustrador brasileiro. Desde 1980, trabalhou com comunicação, especialmente na área de criação de textos publicitários, jornalísticos ou de ficção. Sua experiência foi adquirida por meio de palestras realizadas ao longo de vários anos para escolas e Semanas Universitárias, assim como nas empresas Portal Publicidade e Beco Propaganda, ambas de Campinas, e ainda no jornal Diário de Votuporanga, Rádio Clube FM de Votuporanga, TV Universitária de Votuporanga e Studio Gráfico Propaganda. Realizou palestras no SESC (São José do Rio Preto, sob o tema “O Humor na Imprensa”), UNIFEV (Votuporanga), UNORP (São José do Rio Preto) e ainda palestras voluntárias para estudantes do ensino secundário de Votuporanga, realizadas ao longo dos anos de 2001 à 2005 a convite das escolas públicas da cidade. Vencedor do Prêmio “HQ MIX 2004” com “XEROCS”, considerado o “melhor fanzine do ano”. Idealizador e realizador do “Voturiso”, em 2001 e 2003, considerados dois dos maiores encontros de cartunistas e ilustradores já realizados no Brasil. Além de dois livros (“O Incrível Homem de Quatro Olhos” - 2001 e “E quando você menos espera... PAH!”), teve publicação também nos 14 números da série “FRONT” (livro bimestral, ganhador do “HQ MIX” ), participação no livro “Humor pela Paz” (um compêndio de charges e ilustrações de alguns dos maiores cartunistas brasileiros). Colaborou com o Diário de Votuporanga, de Votuporanga, de 1996 até sua morte em 2012.

Fonte:
Projeto releituras Acesso em 28.09.2019 (site desativado)
www.releituras/acarvalho_gata.asp.htm

Virgínia Maura Ferreira (A idade do tempo)

E o tempo tem idade? Quem colocou em nossas cabeças a existência da passagem do tempo? O que é o tempo? O tempo é o que nos leva o dia e faz chegar a noite, é o que traz o verão e o inverno, é o que nos faz comemorar mais um ano de vida e nos sentirmos mais velhos, é ver os filhos e sobrinhos crescerem numa rapidez de corrida de Fórmula 1.

Eu vivo brigando com o tempo. Ele zomba e ri de mim, porque ele sabe passar e eu não sei. Muitas vezes me perco olhando o tempo, e fico sem jeito, calada, sem nada pra dizer, ou querendo correr atrás tentando alcançá-lo, mas ele não deixa. Tudo me parece tão distante, minha infância, adolescência, juventude. Tudo tão fugaz, rápido demais. Ah... os sinais do tempo chegam para qualquer um, de mansinho, nos chamando para o espelho, mostrando as mudanças do corpo e da mente.

O tempo nos chama para a reflexão, para a tranquilidade com as coisas da vida. Ele também vai nos deixando muito sozinhos, solitários. Depois de um certo tempo criamos o nosso novo mundo. O tempo faz dessas coisas, tudo parece muito distante e ao mesmo tempo parece que foi ontem. O tempo promete tantas coisas e o que fazemos com ele? Tantos planos feitos e desfeitos, sonhos, desejos não realizados.

Todos queremos aproveitar o tempo. Mas ele só passa rindo de nós. Não temos todo o tempo do mundo, bom seria se tivéssemos, mas um dia o nosso tempo também acaba. E, então, numa outra dimensão, nos perguntaremos: o que fizemos com ele?

Não interessa que dia é hoje, o que vamos ou não fazer, o que seremos ou não, o tempo segue nos espiando a cada passo e ação. Precisamos fazer as pazes com o tempo antes que ele nos leve... leve... leve... como as folhas coloridas que caem no outono da vida. Quero parar o tempo, mas ele foge e diz que viver é melhor do que sonhar. Ainda ando cheia de esperanças, de sentimentos, que nem o próprio tempo conseguirá apagar.
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Virgínia Maura Martins Ferreira é de São Luís/MA. Jornalista, instrutora de yoga e escritora, se aventura pelo mundo da literatura infantojuvenil. Tem oito livros publicados: seis em prosa e dois de poemas. Também escreve contos e crônicas, alguns publicados em Antologias e jornais locais.

Fonte:
Kethlyn Machado (org.). Crônicas de Primavera. Publicado em 15 de setembro de 2025 pela Editora Metamorfose https://www.escritacriativa.com.br/cronicasdeprimavera

Contos e Lendas do Mundo (Japão) As bodas do ratinho

Era uma vez um bebê da senhora Rato. Era uma ratinha que crescia rápido, e havia nascido em bom lar.

O tempo passava e a ratinha tornava-se cada vez mais bonita. Seus pais estavam muito felizes com ela e não conseguiam esconder a alegria que sentiam.

Um dia o senhor Rato disse, "Quero que minha filha ratinha fique noiva de algum pretendente. O noivo, entretanto, tem que ser o mais importante do mundo, e não qualquer um". Esta ideia não saía da cabeça do senhor Rato.

Depois de algum tempo, o senhor Rato decidiu conversar com o Sol. O senhor Rato chegara à conclusão de que o Sol era o mais importante no mundo. Estava aguardando impacientemente o momento de falar com o Astro-Rei.

"Rei Sol, ó rei, tenho uma bela ratinha, filha minha, em casa. Meu desejo, do fundo do coração, é que ela seja tua noiva e tu sejas seu marido. Considero-te o mais importante no mundo. Por favor, aceita minha filha como tua noiva e casa-te com ela", dizia o senhor Rato, reverenciando com respeito o Sol.

"Estou realmente grato", retrucou o Sol, "mas infelizmente tenho que recusar tua proposta. Não sou o mais importante no mundo. Há alguém mais forte do que eu".

Senhor Rato ficou surpreso com a afirmação. "De quem tu estás falando?"

"Esse que é mais forte do que eu é o senhor Nuvem", respondeu o Sol. "Mesmo que eu lance fortes raios sobre a terra, o senhor Nuvem os encobre toda vez que assim o deseja. Não posso fazer nada com ele. Ele é, com certeza, mais importante do que eu".

Assim que ouviu isso, o senhor Rato decidiu conversar com o senhor Nuvem. E foi atrás dele.

"Sei que tu és o mais importante no mundo. Por favor, casa com minha filha. Gostaria que ela fosse tua noiva", pedia mais uma vez o senhor Rato ao senhor Nuvem.

Novamente o senhor Rato recebeu uma resposta negativa. "Há um que é mais forte do que eu: é o senhor Vento", dizia com delicadeza o senhor Nuvem.

E mais uma vez lá foi o senhor Rato atrás do senhor Vento. Incansavelmente repetia:

"Tu és o mais importante no mundo. Por favor, casa-te com minha filha".

Como era de se esperar, o senhor Vento também recusou o convite. "Tu não estás certo. O senhor Parede é mais importante do que eu. Mesmo que eu sopre com toda força, incessantemente, o senhor Parede está lá, de pé, nada sofrendo. Não posso fazer nada com ele".

E assim continuava o senhor Rato, firme em seus pensamentos. Procurou o senhor Parede e fez-lhe o mesmo convite. Novamente houve recusa e o senhor Parede explicou ao senhor Rato:

"O rato é o mais importante no mundo. Não posso detê-lo quando ele decide roer minha parede e fazer buracos em mim".

Depois de tanto vagar em busca do mais importante noivo para sua filha, o senhor Rato teve de aceitar a ideia de ter um genro rato. Finalmente encontrou o noivo ideal para a ratinha e as bodas de casamento ocorreram. O casal de ratinhos viveu feliz para sempre.

Fonte:
Era Uma Vez… 13.11.2014
https://byblosfera.blogspot.com/2014/11/as-bodas-do-ratinho-conto-japones.html

domingo, 31 de maio de 2026

Asas da Poesia * 187 *


Trova Humorística de
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
São Paulo/SP

Diz, já caduco: - Que tédio!...
E a esposa, sempre calminha:
“- Quer jogar dama?” E, do prédio,
ele jogou a velhinha!
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Soneto de
MANUEL BANDEIRA
(Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho)
Recife/PE, 1886 – 1968, Rio de Janeiro/RJ

Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento , de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo algum de pranto

Meu verso é sangue , volúpia ardente
Tristeza esparsa , remorso vão
Dói-me nas veias amargo e quente
Cai gota à gota do coração.

E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca

Eu faço versos como quem morre.
Qualquer forma de amor vale a pena!!
Qualquer forma de amor vale amar!
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Aldravia de
MARIZA DE CASTRO GODOY
Ponte Nova/MG

água
parada
aedes
faz
a
festa
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Soneto de
SÔNIA SOBREIRA
Rio de Janeiro/RJ

A Semente

Não vou plantar semente que me afaste
da luz perene e clara do luar,
nem vou deixar que a mágoa me desgaste,
ou que me faça em pedras tropeçar.

Não vou deixar que a solidão me arraste
nas tramas de uma história secular,
nem que uma dor no coração se engaste
e esta semente venha a germinar.

Eu vou plantar sementes de alegria
flores vermelhas, rimas de poesia
colher nas mãos um sonho que brotou.

Vou ser poeta e em minha estrada infinda,
mostrar que posso ser feliz ainda
e nunca mais serei o que hoje sou!
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Trova de
ÉLBEA PRISCILA DE SOUZA E SILVA
Piquete/SP, 1942 – 2023, Caçapava/SP

A maquiagem pesada, 
diante do espelho, desfaço
e em minha cara lavada
rugas brigam por espaço…
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Poema de
CELITO MEDEIROS
(Celito Freitas de Medeiros)
Curitiba/PR

Eu juro

Que importam os riscos que vou correr
Afinal sabemos que não vamos morrer
Mas é melhor riscos se poder arriscar
Do que riscar a morte sem poder amar.

Se de risadas é parecer um tolo
Se chorar parecer sentimental
Estendo minha mão e me envolvo
Vou mostrar que sou muito real.

Minhas ideias defendo sempre
Pois eu sei que atrás vem gente
Mesmo incompreendido vou amar
Ainda é tempo de também inovar.

Morrer um corpo não é mistério
Viver como espírito é o importante
Um corpo pode ir para o cemitério
Um espírito é o meu comprovante.

Se arriscar pode gerar um fracasso
Não me importo sou mesmo de aço
Estou aqui é para as experiências
Buscar as mais novas tendências.

Busquei a liberdade e já era tempo
Tudo do passado fazer na soma
Opressão que não mais aguento
Meu determinismo que assoma.

Importante é lutar, vencer nem tanto,
Encontrei há tempo meu porto seguro
Juntos seremos cobertos pelo manto
Daqueles que nos esperam..., eu juro!
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QUADRA POPULAR

Sete e sete são quatorze,
com mais sete vinte e um;
ainda ontem eu tinha sete,
hoje não tenho nenhum.
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Soneto de
OLAVO BILAC
(Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac)
Rio de Janeiro/RJ, 1865 – 1918

Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o tom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho"!
E em que Camões chorou, exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
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Trova de
LÍCIO GOMES DE SOUZA
Corumbá/MT

Na História o fato maior
está por vir, aliás:
- Vir num mundo melhor,
em pacto eterno de paz.
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Poema de
CLEVANE PESSOA
Belo Horizonte/MG

Arrependimento

Mais que amei, amei errado
ou amei sem saber de limites
e de impossibilidades...

Amei com a fúria dos ventos
e a ternura das brisas
nos rostos das flores:
esta, insuficiente  para a sanha dos desejos,
aquela rasgou pétalas e sépalas
e abriu cálices...

Queria ter amado menos que o demais
E muito mais que o possibilitado...
Queria que os excessos de busca,
Perfumassem, de repente,
Todos os ares da angústia incandescente...
Nas grutas do desconhecido,
As estalagmites ,
Tão fantásticas ao primeiro olhar,
São de tal forma frágeis
Que se tornam poeira e barro
Para não mais voltar...
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Haicai de
MARIA NASCIMENTO SANTOS CARVALHO
Rio de Janeiro/RJ

Do capim rasteiro
vêm uns cri-cris estridentes...
Seresta de grilos ...
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Limerique de
NILTON MANOEL
Ribeirão Preto/SP, 1945 – 2024

Limeriques Urbanos I

Dizem que a calçada é do povo...
Quero ver crianças de novo
Brincando... brincando,
Vivendo...sonhando...
porém o povo só leva ovo!
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Trova de
JOSÉ VALDEZ DE CASTRO MOURA
Pindamonhangaba/SP

As afrontas do passado
não guardo! Vou esquecê-las!
Pois bem sei que um céu nublado
não me deixa ver estrelas!
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Glosa de
NEMÉSIO PRATA
Fortaleza/CE

MOTE 
Doce flor que desabrocha, 
perfumando seu cantinho 
envolvendo toda rocha 
com doçura e com carinho. 
José Feldman 
(Floresta/PR) 

GLOSA 
Doce flor que desabrocha, 
exalando os seus olores 
deixa a todos feito tocha 
em busca de seus favores! 

Discreta, a flor permanece 
perfumando seu cantinho 
mas logo que um aparece, 
desaparece em seu ninho! 

Aquele que vem em tocha 
pressente, a distância, o olor, 
envolvendo toda rocha, 
que exala, doce, da flor! 

E todo que busca o amor 
da flor, não fica sozinho; 
recebe-o, em seu ninho, a flor, 
com doçura e com carinho.
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Aldravia de
ARLENI BATISTA
Rio de Janeiro/RJ

sinto
simplesmente
saudades
você
ausente
presente...
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Soneto de
NATHAN DE CASTRO
(Nathan de Castro Ferreira Júnior)
João Pinheiro/MG, 1954 – 2014, Uberlândia/MG

Soneto em Luta de Esgrima

        Conta até seis e bate o pé no chão,
        quando chegar a dez, prepara a rima...
        O primeiro quarteto está na mão
        e a mágica do sonho se aproxima.

        Deixa que flua a conta da emoção,
        sem ela o peito esfria e desanima...
        O segundo combate é o da paixão
        e imprescindível à luta de esgrima.

        O sabre exige pulso e coordenados
        movimentos perfeitos nos espaços...
        Um toque na cabeça, tronco ou braços,

        pode levar-te à lona dos tablados...
        Mas se vencer, amigo, comemora,
        e te prepara: a morte está lá fora!
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Poema de
EMILY DICKINSON
(Emily Elizabeth Dickinson)
Amherst/ Massachussets/ EUA (1830 – 1886)

Morri pela Beleza

Morri pela beleza – mas mal me tinha
Acomodado à campa
Quando alguém que morreu pela verdade,
Da casa do lado –

Perguntou baixinho “Por que morreste?”
“Pela beleza”, respondi –
“E eu – pela verdade – Ambas são iguais –
E nós também, somos irmãos”, disse ele.

E assim, como parentes próximos, uma noite
Falámos de uma casa para outra
Até que o musgo nos chegou aos lábios 
E cobriu – os nossos nomes.
(Tradução de Nuno Júdice)
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Triverso de
ÁLVARO POSSELT
Curitiba/PR

O clima ficou tenso
Meu pensamento defumou
depois da queima de incenso
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Setilha de
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Serra Negra do Norte/RN, 1934 – 2015, Natal/RN

Somos do país do amor,
grande como um continente,
rico que só marajá,
pobre que só indigente;
tem corrupção como regra,
mas tem carnaval que alegra,
de ano em ano, nossa gente.
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Trova de
ARCHIMINO LAPAGESSE
Florianópolis/SC, 1897 – 1966, Rio de Janeiro/RJ

Saudade, a ponte encantada             
entre o passado e o presente,              
por onde a vida passada
volta a passar novamente
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Hino de 
PARANAVAÍ/ PR

Quando te vemos hoje, assim radiosa,
Teus filhos agitados no labor,
Lembramos da empreitada gloriosa,
Que calejou as mãos do lavrador
E fez romper da terra generosa
Os ricos frutos do progresso e amor!

Estribilho:
Nasceste sob o signo da vitória
Que os filhos teus souberam conquistar
És a um só tempo a evolução e a glória
Cidade que não pode mais parar!

Ó Paranavaí dos cafezais
Simétricos, em flor sobre a paisagem,
De belos e de extensos matagais,
Planícies verdejantes de pastagem...
Da glória tu chegaste até os umbrais!

Estribilho
Nasceste sob o signo da vitória
Que os filhos teus souberam conquistar
És a um só tempo a evolução e a glória
Cidade que não pode mais parar!

Salve teus filhos, que na faina ardente
Sobre teu solo ainda hostil e agreste
Traçaram teu destino florescente!
Salve, ó cidade que te engrandeceste
Ó bela Capital do Noroeste!

Estribilho
Nasceste sob o signo da vitória
Que os filhos teus souberam conquistar
És a um só tempo a evolução e a glória
Cidade que não pode mais parar!
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O 'Hino de Paranavaí - PR' é uma celebração poética da cidade de Paranavaí, localizada no noroeste do Paraná. A letra exalta o progresso e a evolução da cidade, destacando o esforço e a dedicação de seus habitantes. Desde o início, a música remete à imagem de uma cidade radiante, onde o trabalho árduo dos lavradores transformou a terra generosa em frutos de progresso e amor. Essa metáfora da terra fértil simboliza não apenas a riqueza agrícola da região, mas também o crescimento e desenvolvimento contínuo da cidade.

O estribilho reforça a ideia de vitória e evolução, afirmando que Paranavaí nasceu sob o signo da vitória, conquistada pelos seus filhos. A cidade é descrita como um símbolo de evolução e glória, um lugar que não pode mais parar de crescer. Essa mensagem de constante progresso e superação é um tributo ao espírito resiliente e trabalhador dos habitantes de Paranavaí, que, através de suas conquistas, moldaram o destino da cidade.

A letra também faz referência às paisagens naturais de Paranavaí, como os cafezais simétricos, os matagais extensos e as planícies verdejantes. Essas imagens evocam a beleza e a riqueza natural da região, que contribuíram para o seu desenvolvimento. O hino termina com uma saudação aos filhos da cidade, que, com seu trabalho árduo, traçaram um destino florescente para Paranavaí. A cidade é celebrada como a 'Capital do Noroeste', um título que reflete seu crescimento e importância na região. 
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Poetrix de
ANTHERO MONTEIRO
(Anthero Manuel Dias Monteiro)
São Paio de Oleiros/Portugal, 1946 – 2022

uma gaivota só
um til sobre a palavra
Imensidão
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Soneto de
EMÍLIO DE MENESES
(Emílio Nunes Correia de Meneses)
Curitiba/PR, 1816– 1918, Rio de Janeiro/RJ

Supremo apelo

Por que causas, de ti, foge a antiga ventura
E toda, em ti, se embebe a alma, em fel e vinagre?
Certo, uma grande dor te fere e te tortura!
- Mas tão grande, que a grande alma assim te conflagre?

Tanto Sol! Tanta Luz! E esta treva perdura!
- De um espírito mau, diabólico milagre -
Mas olha! Volta à Luz! Volta ao Sol que fulgura
Nos Poemas que te eu dê, no Amor que te eu consagre!

Vem beber no meu verso a fortaleza e a vida!...
Vê tu quanto poder num hemistíquio impera,
E o vigor que há na rima - arma nunca excedida!. ..

Vem, que ao fim da jornada, a glória nos espera!
Vamos! - a galopar, - em fora! a toda a brida,
Na esplanada genial do sonho e da quimera!
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Trova Humorística de
ANTONIO COLAVITE FILHO
Santos/SP

 Ao “bebum” que choraminga,
o doutor não mais engana:
-“Se, por lá, cana dá pinga;
por aqui, pinga dá cana!!!”
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Fábula em Versos de
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França

O leão e o mosquito

«Vai-te, inseto mesquinho e vil na terra!»
Depois de assim ter dito
O leão ao mosquito,
Este lhe declarou cruenta guerra:
«Pensas tu que por seres rei dos bichos
Tua audácia tolero?
Mais força tem o boi e, quando quero,
Sujeito-o a meus caprichos!»
Diz, e toca a avançar;
Foi o herói e o trombeta na batalha.
Zumbe em torno ao leão, tanto o atrapalha,
Que o faz desesperar.
Ao longe põe-se um pouco;
Depois, salta-lhe em cima do cachaço
E torna-o quase louco.
A fera com o rugido atroa o espaço.
De ouvir o horrendo grito
Seus ecos prolongar atroadores,
Tremem os animais dos arredores;
Tudo obra dum mosquito!
O inseto pequenino, ousado e pronto,
Ora ao dorso lhe salta,
Ora as ventas lhe assalta.
A raiva no leão sobe de ponto:
Com a cauda açoita os flancos,
Com o olhar ameaça
E, rugindo duríssimos arrancos,
Com as garras a si se despedaça,
Até que, de fatigado,
Cai, fica estatelado!
O inseto do combate sai com glória
A mais alta e completa,
E na mesma trombeta
Em que a avançar tocou, cantou vitória.
Mas, proclamando ao mundo esta façanha
Não vista e desmedida,
Na teia duma aranha
Cai, fica embaraçado e perde a vida!

A fábula vos diz que os inimigos
Nunca deveis considerar somenos;
E que pode o que escapa a grandes perigos,
Não poder escapar aos mais pequenos.
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