Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Antonio Brás Constante (O Céu e o Inferno por Telefone)

No decorrer da história, o homem conseguiu desenvolver ideias maravilhosas, em contrapartida também concebeu outras horríveis. Entre a lista das coisas existentes que odiamos podemos citar: as propagandas políticas, as musiquinhas que os caminhões de gás tocam pelas ruas, a broca do dentista, e é claro: o telemarketing.

O telemarketing é um conceito de comerciais por telefone. Onde ligam para nós geralmente nos momentos em que tudo o que não gostaríamos de fazer era atendê-los. Testando nossa paciência. Pondo em cheque a nossa educação para com o próximo.

Acredito que existam pessoas que já estejam tão influenciadas pelas ligações diárias que vivem recebendo, que caso houvesse uma greve das operadoras de telemarketing, elas acabariam sofrendo uma espécie de crise de abstinência pela falta de suas ligações.

No primeiro dia estranhariam um pouco a calma em seu lar. No segundo dia, começariam a pensar no que teria ocorrido para não ligarem mais. Afinal, eles sempre lhes diziam que eram clientes especiais e de muita sorte, por terem sido escolhidos em meio a milhares de outras pessoas para possuir aquele produto.

Começariam a desconfiar que talvez seu poder econômico tivesse finalmente descido abaixo da linha que separa os possíveis clientes viáveis dos inviáveis. Ou pior, talvez eles soubessem de algo que a pessoa ainda não sabia sobre si mesma. A partir daí, passaria a imaginar teorias da conspiração. A desejar que o telefone tocasse para se desculpar por todos os “não” que já dissera. O telefone enfim toca, a pessoa corre para atendê-lo, e para seu desespero, a ligação era apenas a sua mãe dizendo que estava com saudades.

Pensa em ligar para alguma operadora de cartões e ver o que acontece. Para não parecer que está interessada em adquirir algo, quando atenderem pedirá uma pizza, como se tivesse ligado para o número errado.

Ao se ligar para uma operadora de telemarketing tem-se que ter em mente que ao lhe atenderem, farão uma pergunta que determinará se você será encaminhado ao céu ou ao inferno por telefone. Ou seja, vão lhe perguntar se quer comprar algo ou fazer alguma reclamação.

Caso escolha “comprar”, imediatamente cairá em um grupo de atendentes com vozes melodiosas e sensuais, que irão brigar entre si pela chance de poder atendê-lo. Elas sussurrarão palavras quase hipnóticas em seu ouvido. Para completar, um som de fundo cheio de mensagens subliminares, fará você se sentir à vontade para gastar todo seu dinheiro ali.

Porém, se resolver ir pelos caminhos das almas torturadas que buscam reclamar de algo, caíra em um calvário sem fim. Será jogado de um atendente para outro, todos parecendo o nosso presidente, dizendo que não sabem nada daquele assunto, e que irão encaminhá-lo para outro setor. Possivelmente você sofrerá longos minutos até a ligação cair, sem que seja atendido. Mas o mais provável é que acabe se irritando e desistindo da reclamação.

Enfim o telemarketing existe, para provar que o homem ainda pode ser o pior inimigo do próprio homem, mesmo que lhe diga por telefone que você é um cliente especial.

Fonte: O Autor

Chuva de Versos n. 469


Uma Trova de Curitiba/PR
José Marins

O vento azul participa
desse tempo tão bonito,
o guri com sua pipa
quer alcançar o infinito.
________________________

Um Poema de Itapevi/SP
Aparecido Donizetti Hernandez 

SONHADOR

Sou um sonhador...
Como todo sonhador,
Sonho!
Sonho com um mundo
Sem trevas!

Sou um sonhador...
Mas sem ilusões.

As trevas somente serão luz
Se cada um der sua contribuição,
Cada qual como um minúsculo pirilampo
Iluminando a noite sem luar.
Coletivamente fazendo da escuridão
Um espetáculo de Luz!
________________________

Uma Trova Hispânica da República Dominicana
Garibaldy Martínez Segura

El trovar es para hermanos
que sienten con devoción
y en vez de estrechar sus manos
estrechan su corazón.
________________________

Um Poema de Porto Seguro/BA
Arlete Maria de Oliveira

OUSO...

Ouso escrever sobre mim
Sobre meu sentimento mutilado
Minha paixão aprisionada

Ouso desnudar-me em fantasias
Ao sentir-me arredia
Das sensações camufladas
Das lembranças embaçadas

Ouso escrever o sentir
Que habita em mim
Química, alquimia, magia
Apenas sentir
Desejos intensos
Sonhos guardados
Sentimentos embutidos
No meu querer...

Ouso aprisionar-me
Do teu sabor sem fim
Dos desejos que me atiçam
Eriçam-me os pelos
Que encurralam meu coração
Nas grades deste amor censurado
Reprises do ontem
Cicatrizes da angustia que ficou...

Ouso deixar apena rastros 
Da minha solidão
Que me acompanhou...

Ouso, ouso sim
E com tamanha ousadia
Ouso...
Pertencer-te um dia...
________________________

Uma Trova de Curitiba/PR
Wandira Fagundes Queiroz

O que dá leveza ao passo,
na caminhada da vida,
é a certeza de um abraço
na chegada e na partida..
________________________

Um Poetrix do Rio de Janeiro/RJ
Eliana Mora

sentimento clandestino

Tu, em viagens ao mundo.
Eu, ali, sempre escondida,
nos porões do teu navio.
________________________

Um Poema de Vitória/ES
Arneyde T. Marcheschi

ACREDITEI NOS SONHOS

Acreditei nos meus sonhos
e não me arrependi.
Mergulhei nos devaneios
e me dei a chance de ser feliz.
Como um cristal límpido
você surgiu na minha vida
brilhando no meus caminhos.
Entre quimeras e devaneios
as noites se tornaram tochas
iluminadas, saí da escuridão
não sei mais o que é solidão.
Através da sua luz
caminho pelos jardins floridos
de mãos dadas com o passado,
um passado que já não me machuca,
um passado gostoso de se recordar.
Na sublimidade do seu amor
entre mimos e afagos
vamos determinando nosso espaço
sem limites, sem fronteiras.
Somos almas libertas
que acreditaram nos sonhos,
almas que se encontraram
para novas histórias de amor contar.
________________________

Trovadores que deixaram Saudades
Onildo Barbosa de Campos  
Cachoeira/BA (1924 – 2002) Rio de Janeiro/RJ

Cegos de amor, desprezados...
por este mundo de Deus,
meus olhos vivem fechados
depois da fuga dos teus!
________________________

Um Poetrix de Natal/RN
Fátima Mota

céu de estrelas

Vagam – lumes
iluminando sons.
Nascem olhos da noite.
________________________

Um Poema de Belo Horizonte/MG
Arthur Jaak Wilfrid Bosmans

NO ENCONTRO DE NÓS DOIS

No encontro de nós dois
Despi-me das armaduras e me revesti de desapegos
Não te queria.Pra que te ter?
No encontro de nós dois era importante que continuássemos dois
Não encontramos pedaços perdidos de nós
Encontramos inteiros que podemos amar.

No encontro de nós dois 
Abriu-se uma fenda na paisagem daquele por de sol
Não te queria em despedidas nem mesmo em reencontros
Cada amanhecer me pertencia e eu te oferecia em bandejas, 
Ainda na cama, os primeiros raios da luz.

No encontro de nós dois
Teve lua ,teares de estrelas ,e convite pra ser feliz.
Beijos com um só riso, e me aconcheguei logo, em quase nada.
E que era tudo.
Me desfiz em lágrimas ,e colhi-as nas mãos,
Só pra jogar pro alto e vê-las se transformando em brilhos.

No encontro de nós dois 
Grandes cavalos alados e pequenas gotas de vento 
Transformavam cada palavra em vestimentas de ternura.
Foi assim,que se deu: em mágicas, aventuras, e sonhos
O encontro de nós dois.
________________________

Uma Trova Humorística de Nova Friburgo/RJ
Rodolpho Abbud

Em problemas envolvida,
por um beco se meteu,
que não tinha nem saída,
e, mesmo assim, se perdeu! ...
________________________

Um Poetrix de Maringá/PR
Francismar Prestes Leal

pra sempre?

Tudo passa?
Olho pra vocês
Momento eterno
________________________

Um Poema de Niterói/RJ
Belvedere Bruno

FICA!

Peço que não vás.
Fica mais um pouquinho.
Como passarei os dias
sem ouvir teu riso e sem fitar 
o verde- musgo de teus olhos?

Peço que não vás.
Há um chamado do mar, do sol, 
das flores, [sobretudo das azaléias],
pedindo que fiques.

Por isso, não vás!
Dize-me que nada do que falam
é verdade, e que nunca houve
prenúncios de partidas...
________________________

Recordando Velhas Canções
Manhãs de setembro 
(1974) 

Mário Capana e Vanusa

Fui eu que se fechou no mundo, 
e se guardou lá fora 
Fui eu que num esforço 
      se guardou na indiferença
Fui eu que numa tarde se fez tarde de tristezas,
Fui eu que consegui ficar e ir embora.
E fui esquecida, fui eu

Fui eu que noite fria se sentia bem, e na solidão
sem ter ninguém, fui eu
Fui eu que na primavera só não vi as flores,
e o Sol, nas manhãs de setembro

    Eu quero sair, eu quero falar
    Eu quero ensinar o vizinho a cantar
Nas manhãs de setembro
Nas manhãs de setembro
Nas manhãs de setembro
Nas manhãs…
________________________

Uma Trova de Pouso Alegre/MG
Newton Meyer

Quando o poeta escrevia,
a rima era tão perfeita,
que a mão esquerda sentia
ciúmes da mão direita!
________________________

Um Poema de Magé/RJ
Benedita Azevedo

A POESIA 

Eu sou a poesia
E podes me encontrar
Na alegria ou na tristeza
Ou no salão a bailar. 
Na felicidade e no amor
Com certeza estarei lá.

Na chuva mansa que cai
Ou no sol a pino a brilhar.
No sorriso da criança
Ou na velhice a dançar.
Nas ondas quebrando na areia
Ou no pesqueiro a retornar.

Nos acordes da música suave
Ou na algazarra de crianças a brincar.
No gorjeio dos pássaros ao fim da tarde
Ou na brisa fresca a soprar.
No farfalhar das folhas ao vento
Ou na suave noite de luar.

No abraço adolescente enamorado
Ou nas folhas que caem no outono.
Nas flores da primavera
Ou no aconchego no inverno entre os quimonos.
Na explosão de cores e alegria
Ou no por do sol à beira mar.
Em muitos outros momentos podes me encontrar.
________________________

Um Poetrix de Salvador/BA
Fred Mattos

poetrix marinho

o mar o olhar abarca
o olhar o barco arca
o barco marca o mar
________________________

Uma Trova de Pindamonhangaba/SP
José Valdez de Castro Moura

Velho rio que recolhe
tantas lembranças sem fim…
És um mundo que me acolhe
no mundo que resta em mim…
________________________

Um Poema de Corumbá/MS
Benedito C.G. Lima

NO QUARTO DA RECORDAÇÃO

Ai que saudade dos tempos
Em que ficava
No largo da avenida
Olhando a chegado do circo
Do parque ou do comício.

Era uma festa só.
Gurizada em louca corrida,
Pipoqueiros e segurança
E dentro no picadeiro
O palhaço passa chulas
Se esparrama no serrim.
Eu ficava feliz da vida
Chupando um picolé.
Passando por baixo da lona,
Só pra ver o chimpanzé!

Ai que saudades dos tempos
Que agora não voltam mais
Hoje são outros inventos
A praça é de carnavais!!
A saudade ficou perdida
No quarto da recordação.
________________________

Uma Trova de Santa Rita do Sapucaí/MG
Antônio Siécola Moreira

As paredes que sustentam
meus sonhos, meus ideais,
são tão sólidas que aguentam
os mais fortes vendavais!
________________________

Hinos de Cidades Brasileiras
Icatu/ MA

Minha querida Icatu!
Rainha do soberbo Munim,
Dos teus antepassados,
A história diz assim:
– No século dezessete,
Quando a esquadra aqui chegou,
Houve uma grande luta,
E areia de sangue molhou.

Terra de sol ardente,
Com rochedo e manguezais,
Murmurando a correnteza,
Tuas croas e currais,
Guerreiro amigos, tocai toré,
Elevemos sempre a Deus
Nosso amor, nossa fé.

Oh! Meu rincão tão feliz,
Que mora sempre em meu coração,
Icatu abençoada,
Pela virgem Conceição,
Teus campos verdejantes,
Tuas águas cristalinas,
Esta terra já foi palco
De batalhas e grandes chacinas.

Terra de sol ardente,
Com rochedos e manguezais.
Murmurando a correnteza,
Tuas crôas e currais.
Guerreiros amigos, tocai toré,
Elevemos sempre a Deus
Nosso amor, nossa fé.

Vejo este lago sem fim,
Contemplo tua grande beleza,
Um quadro tão singelo
Pela própria natureza.
Singrando os verdes mares,
Surge o bravo pescador,
Cultivando o solo fértil
O incansável e bom lavrador.

Terra de sol ardente
Com rochedo e manguezais,
murmurando as correntezas
tuas croas e currais.
Guerreiros amigos, tocai toré,
Elevemos sempre a Deus
Nosso amor, nossa fé.
________________________

Um Poetrix de Salvador/BA
Goulart Gomes

exteNUados

madrugada em Shangri-Lá:
você querendo dormir
eu sem querer acordar…
________________________

Um Poema de Vinhedo/SP
Benevides Garcia Barbosa Júnior

MEU MUNDO

Eu queria que o mundo
Não fosse assim tão imundo
E que desse calma ao meu viver...
Tal sonho seria
de luzes de cores,
eternos amores,
um nunca morrer...
Eu queria que gestos de amor
mostrassem o valor
de um mundo assim:
Um mundo sereno,
tão calmo e ameno
Um mundo de sonhos,
Meu mundo, enfim!
________________________

Uma Trova de Santos/SP
Carolina Ramos

Há um frágil fio na vida
que nos liga a uma esperança
- linda pipa colorida,
que alçamos desde criança!

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Olivaldo Júnior (Pierrô)

Começaria o Carnaval sexta-feira, à noite, e só o daria por encerrado ao meio-dia da Quarta-Feira de Cinzas. 

Não tinha como dar errado. Moço ainda, pintou sua cara, vestiu-se à caráter e se fez um Pierrô. Aquela lágrima triste pintada em relevo. "Não, não sei se devo...". Deve. Pinta sua cara, amigo, e que a Colombina o queira! Colombina? Onde estaria ela? Num baile qualquer (no que ele estaria), num filme bem velho, nas ruas antigas, no tempo remoto da delicadeza. Onde o Chico para nos cantar uma marchinha? Não sei. Só sei que o moço sairia logo em busca da flor, da única rosa que o quer bem: a dele. Haveria mesmo essa tal de tampa da panela de que os mais velhos falavam? Hoje há mais tampa que panela, né? 

Bem, ele estava decidido. Vestiu-se todo para isso. Ei! A marchinha ao longe não me deixa mentir! Vai, "menino", vai para o seu sonho! Colombina está na esquina! Arlequim? Sai já de mim! Pega o seu lugar no bloco, desbloqueia a mente e tenha fé. "Quem é você / Adivinha se gosta de mim"... É o Chico, rapaz, vai lá! Que os mascarados sejam por você! Eu, daqui de cima, o vejo ir. Está bonito. Quisera eu ter seu porte alegre, seu compromisso com o próximo beijo, com a próxima lua em seus braços! Palhaço, não achei minha "mina", a Colombina, minha alma, e voo só. Boa sorte, amigo! A noite não é mais uma criança. É uma rua de esperança sob os pés de quem não dança: ama.

Fonte:
O Autor

Gaveta de Haicais n. 16

Passa o temporal
mas um chorão desfolhado
mostra desamparo
Alba Christina Campos Netto
2
Amigos no bar.
A chuva de primavera
estica a conversa.
Alberto Murata
3
Piscada no céu.
Risco de luz pelo espaço,
o trovão estronda.
Analice Feitoza de Lima
4
Frio leve de outono —
Casaco sai da gaveta
logo de manhã...
Benedita Azevedo
5
Moço educado
cumprimento de chapéu.
Festa junina.
Carlos Roque B. de Jesus
6
Cessa o aguaceiro —
Com a roupa colada ao corpo
a moça que passa.
Carol Ribeiro
7
Logo que o botão se abre,
o amor poliniza a flor,
para um novo milagre...
Cyro Armando Catta Preta
8
Peixes acrobatas
vencem a força das águas.
Segue a piracema...
Darly O. Barros
9
Nêsperas maduras,
espalhadas sobre a terra.
Pepitas de ouro.
Dercy de Freitas
10
Num empurra-empurra
dançam as nuvens no céu
ao som do trovão...
Ercy M. M. de Faria
11
Fiel pisa em chão,
os pés desnudos, com fé,
brasas de São João...
Fernando L. A. Soares
12
Galhos entrelaçados,
é impossível subir.
Nêspera madura!
Fernando Ribeiro da Cruz
13
Na frente da casa,
uma explosão do vermelho.
Suinã florida.
Fernando Vasconcelos
14
Acelga no prato.
O menino faz careta
a cada colherada.
Franciela Silva
15
Bando de urubus ciscam
na fímbria das ondas...
Praia no inverno.
Guin Ga
16
Lindas pitangas
ornamentam o pomar.
Os pássaros se alegram.
Helvécio Durso
17
Esqueço da vida,
na batida de pitanga.
E acabo... abatido!
Hermoclydes S. Franco
18
Noite de quermesse
internet mão-a-mão.
Correio elegante.
Héron Patrício
19
Briga ao telefone!
No Dia dos Namorados,
ausências e lágrimas.
Humberto Del Maestro
20
Cessa o aguaceiro —
Um frescor invade o barraco
ao abrir das janelas...
Jeane Carreti
21
Casais no jardim,
os saquinhos de pipocas
e beijos salgados.
João Batista Serra
22
Vaquejada a rigor:
vaqueiro derruba a vaca
dando uma gravata!
João Elias dos Santos
23
Saudade da relva.
Repousa no chão arado
a sombra de brócolis.
José N. Reis
24
Lanço, desatenta,
um longo olhar à janela —
Longe, o aguaceiro...
Kazue Yamada
25
Em vão escuro
bicho-de-pé preenche
dedos prensados.
Larissa Lacerda Menendez
26
Água quente à espera.
Viçoso verde do brócolis,
com medo, amarela.
Lávia Lacerda Menendez
27
Visita à tarde.
Bolo de aipim e café.
Carinho gostoso!
Leonilda H. Justus
28
Têm a mesma idade
o vovô e sua netinha
na festa junina...
Luís Koshitiro Tokutake
29
Pequeninos sóis
suam a boca... são nêsperas!
Saliva dourada.
Marcelino R. de Pontes
30
Arraiá deserto...
Fogueira apagada... – Fim
da festa junina!...
Maria Madalena Ferreira
31
Após simples rango,
que surpresa, a sobremesa:
torta de morango!
M. U. Moncam
32
Pululam pratas.
Mariscada de peixes.
É rio minguante.
Nadyr Leme Ganzert
33
Salada de brócolis
criança deixa de lado
a mãe não convence.
Olga Amorim
34
Arbusto vaidoso
enfeitado de pitanga.
Pássaros namoram.
Olga dos Santos Bussade
35
Um rio minguante
vai deixando à sua margem
peixes fora d’água.
Renata Paccola
36
Um vento sem bússola
levanta o pó no sertão.
Segue a vaquejada.
Roberto Resende Vilela
37
Espuma do mar
uma pequena garça oculta
na vastidão
Rosa Clement
38
No quintal vizinho
cada vez mais passarinhos
vão à nespereira...
Sandra Parana
39
a sala de estar
ganhou aromas de velas.
tempo de advento.
Sérgio Pichorim
40
Visita ao chiqueiro.
Descoberta curiosa,
um bicho-de-pé.
Yedda Ramos Maia Patrício

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to