Mostrando postagens com marcador Meus manuscritos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Meus manuscritos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

José Feldman (O calor da madrugada fria)

O relógio de parede insiste em ditar o ritmo do meu isolamento com o seu tique-taque impassível. São três horas da manhã. Para quem sofre de insônia crônica, a madrugada não é um período de descanso, mas um deserto de horas vazias, iluminado apenas pela luz branca e fria do monitor do meu computador.

Durante meses, meu ritual de sobrevivência ao silêncio do mundo consistia em escrever. Eu não redigia diários ou relatórios; eu escrevia cartas de amor. Eram textos longos, transbordando uma devoção febril, direcionados a um destinatário inexistente. Eu projetava na tela o olhar de uma afeição que não encontrava eco na minha realidade concreta. Escrevia para preencher o vazio, para fingir, por algumas horas, que o meu peito não abrigava uma solidão tão vasta quanto a noite lá fora.

Até que ela surgiu.

Não me lembro exatamente em qual fórum de literatura ou sala de bate-papo madrugadora nossos caminhos se cruzaram, mas o impacto de Liza foi imediato. Quando recebi sua primeira resposta, senti um calafrio que há muito não experimentava. Ela tinha uma escrita magnética, profunda e melancólica, que parecia ler os meus pensamentos mais ocultos. Em pouco tempo, as minhas cartas unilaterais ganharam um destino real. Ela tornou-se a guardiã das minhas noites em claro.

Passamos a nos corresponder diariamente, ou melhor, todas as madrugadas. Enquanto o resto da cidade dormia, o nosso romance prosseguia por madrugadas incontáveis. A paixão virtual estava acesa em nossas almas com uma intensidade avassaladora. Nós trocávamos confissões íntimas, promessas de um futuro juntos e juras de amor que pareciam esculpidas no mais puro sentimento. Cada notificação na tela era um batimento cardíaco a mais no meu peito. Eu me sentia vivo, finalmente compreendido por alguém que partilhava da mesma vigília forçada, do mesmo exílio noturno. Liza era a minha alma gêmea, a resposta para todas as minhas preces silenciosas.

A rotina me consumia. Eu passava os dias como um zumbi, ansioso apenas pelo momento em que o sol se deitaria e eu poderia me conectar novamente àquela mulher misteriosa e perfeita. Eu vivia num estado permanente de torpor, flutuando entre a exaustão física do dia e a adrenalina emocional da noite.

Até que, gradualmente, uma névoa estranha começou a se dissipar.

Tudo aconteceu em uma terça-feira cinzenta, quando o cansaço acumulado de anos parecia pesar toneladas sobre os meus ombros. Eu estava diante do teclado, esperando a resposta de Liza para um poema que eu lhe enviara minutos antes. Olhei para a caixa de entrada. Olhei para o histórico de mensagens enviadas. Senti uma leve tontura, aquela velha sensação de estar meio dormindo e meio acordado, onde a fronteira entre o sonho e a realidade se torna perigosamente tênue.

Fixei os olhos na tela e comecei a reler os nossos diálogos desde o início. Um detalhe incômodo me chamou a atenção. O estilo de escrita de Liza... as metáforas que ela usava... o ritmo das suas frases... tudo era perfeitamente idêntico ao meu. Olhei para o relógio de envio das mensagens dela. Coincidiam exatamente com os momentos em que eu entrava em transe criativo, datilografando furiosamente para aplacar a ansiedade.

Um frio absurdo subiu pela minha espinha. Abri as configurações da conta com as mãos trêmulas. Fui até o perfil dela. O endereço de e-mail de recuperação associado àquela conta era um antigo e-mail meu, há muito esquecido.

O castelo de cartas desmoronou com um estrondo silencioso. Deixei o corpo cair para trás na cadeira, tomado por um desânimo devastador, uma tristeza que parecia congelar o sangue nas minhas veias.

Liza não existia.

Por estar sempre naquele estado crepuscular, com a mente sabotada pela falta de sono crônica, eu havia criado um monólogo disfarçado de diálogo. Aquela paixão avassaladora era, na verdade, fruto da minha própria imaginação. Minha mente, desesperada pelo isolamento, manifestava-se de tal modo que passei a acreditar piamente que havia outra pessoa do outro lado da rede. Eu criara a mulher perfeita, a alma gêmea ideal, que respondia exatamente o que eu precisava ouvir, no tom exato em que eu precisava receber.

Não havia malícia no que fiz a mim mesmo; havia apenas uma dor profunda. Aquela farsa inconsciente era o grito de socorro de um homem que se sentia muito sozinho e que, no fundo, precisava desesperadamente de alguém para conversar. Eu inventei o amor para não morrer de solidão na madrugada.

Fechei a aba do navegador. Apaguei a conta que eu mesmo alimentara em minhas noites de delírio. O monitor voltou a projetar apenas o reflexo do meu próprio rosto cansado, com olheiras profundas e olhos marejados de lágrimas. 

Olhei para o lado, para o espaço vazio na cama. A verdade era dura, fria e solitária. Mas, pela primeira vez em muitos meses, fechei os olhos sem o peso da expectativa de uma mensagem. Naquela noite, embalado pela melancolia da minha própria mente, eu finalmente consegui adormecer.

No monitor, tudo apaga,
o silêncio engole a dor,
pois na mente que naufraga,
eu inventei o meu amor.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
José Feldman (1954)
JOSÉ FELDMAN é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo (27.set.1954), ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura. Sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Residiu em cidades como Taboão da Serra, Curitiba, Ubiratã e Maringá (PR) onde se fixou desde o ano de 2011. Casado desde 1994 com a Ph.D. Alba Krishna Topan, professora e coordenadora do curso de letras em língua inglesa da Universidade Estadual de Maringá. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por mais de 10 anos no Hospital das Clínicas da FMUSP. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. Professor de trovas e escrita criativa. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo “Euclides da Cunha”, na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título Magnus Magister da Confraria Luso-Brasileira de Trovadores, em Portugal; Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias de Artur da Távola. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo. 
        Possui 10 livros publicados, entre eles: Alquimia do Tempo, Labirinto da Vida, Caleidoscópio da Vida, Ecos do Deserto, Peripécias de um Jornalista de Fofocas, Almanaque Poético Brasileiro (poetas do Brasil), 35 Trovadores em Preto & Branco (análise de trovas de 35 trovadores brasileiros), Canteiro de Trovas, etc. e mais 5 a caminho (Minhas Irmãs de 4 patas; Guirlanda de Versos; Pérgola de textos; Contos para crianças e não tão crianças, Chafariz de Versos). Todos disponibilizados gratuitamente.
        É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores: 
1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos; 
2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor; 
3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona. Em Portugal e Angola, suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos, Florilégio de Trovas e Crestomatia de Trovas). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.

domingo, 20 de setembro de 2026

José Feldman (A Vida aos Tropeços)

"A vida não é nunca tropeçar, mas o que fazemos depois de tropeçar."

Há quem caminhe como se o chão lhe devesse respeito. Pisa com cuidado, calcula cada passo, desvia das pedras e acredita que a prudência pode negociar com o acaso. Mas o caminho, esse velho professor sem diploma, não costuma avisar quando prepara uma queda.

Tropeçamos em palavras mal escolhidas, em pessoas que pareciam abrigo, em decisões tomadas com a coragem de quem ainda não conhecia as consequências. Às vezes, tropeçamos em nós mesmos: no orgulho, na pressa, no medo de tentar. E, quando caímos, o mundo parece continuar andando sem a menor consideração. Os outros passam. O relógio insiste. A vida, indiferente e generosa, não interrompe seu curso para que possamos lamentar.

É nesse instante que descobrimos quem somos.

Não no equilíbrio perfeito, nem nos dias em que tudo dá certo, mas no momento em que permanecemos sentados no chão, com a poeira nas mãos e a dignidade amassada junto aos joelhos. Podemos culpar a pedra, amaldiçoar o caminho ou fingir que não doeu. Também podemos olhar para o obstáculo e perguntar: “O que isso veio me ensinar?”

Levantar não apaga a queda. A cicatriz continua sendo uma espécie de memória escrita no corpo e na alma. Mas há uma diferença entre carregar uma ferida e morar dentro dela. Quem se levanta não nega o sofrimento; apenas decide que ele não terá a última palavra.

Talvez amadurecer seja isso: aprender a cair sem transformar a queda em identidade. Entender que um erro é um acontecimento, não uma sentença. Que perder uma batalha não significa perder a guerra — e que, às vezes, significa apenas descobrir que estávamos lutando no lugar errado.

Depois do tropeço, mudamos o passo. Ficamos mais atentos às pedras, mas também mais compassivos com quem cai. O chão, que antes parecia inimigo, passa a ser testemunha. Foi nele que choramos, respiramos fundo e encontramos força para tentar novamente.

A vida não exige que caminhemos sem tropeçar. Exige apenas que, quando o pé falhar, ainda sejamos capazes de escolher: permanecer no chão ou transformar a queda no primeiro movimento de uma nova caminhada.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
José Feldman (1954)
JOSÉ FELDMAN é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo (27.set.1954), ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura. Sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Residiu em cidades como Taboão da Serra, Curitiba, Ubiratã e Maringá (PR) onde se fixou desde o ano de 2011. Casado desde 1994 com a Ph.D. Alba Krishna Topan, professora e coordenadora do curso de letras em língua inglesa da Universidade Estadual de Maringá. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por mais de 10 anos no Hospital das Clínicas da FMUSP. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. Professor de trovas e escrita criativa. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo “Euclides da Cunha”, na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título Magnus Magister da Confraria Luso-Brasileira de Trovadores, em Portugal; Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias de Artur da Távola. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo. 
        Possui 10 livros publicados, entre eles : Alquimia do Tempo, Labirinto da Vida, Caleidoscópio da Vida, Ecos do Deserto, Peripécias de um Jornalista de Fofocas, Almanaque Poético Brasileiro (poetas do Brasil), 35 Trovadores em Preto & Branco (análise de trovas de 35 trovadores brasileiros), Canteiro de Trovas, etc. e mais 5 a caminho (Minhas Irmãs de 4 patas; Guirlanda de Versos; Pérgola de textos; Contos para crianças e não tão crianças, Chafariz de Versos). Todos disponibilizados gratuitamente.
        É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores: 
1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos; 
2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor; 
3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona. Em Portugal e Angola, suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos, Florilégio de Trovas e Crestomatia de Trovas). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

José Feldman (Viagem ao Passado)

1. A Praça 

Antigamente, a praça principal não era apenas um endereço; era o coração pulsante da cidade, um palco onde a vida desfilava sem pressa. Hoje, olhar para trás é perceber que o tempo tinha outra textura, menos frenética e mais humana.

A praça era o destino inevitável. Cercada pelo coreto central, de onde a banda da cidade soprava marchinhas e valsas nas noites de domingo, ela exalava um perfume misto de pipoca doce e jasmim. O chão de mosaico, desenhado com ondas e formas geométricas, servia de pista para o "footing": os rapazes caminhavam em um sentido, as moças no outro, e os olhares se cruzavam no meio do caminho sob a vigilância discreta das matronas sentadas nos bancos de ferro.

Não havia Wi-Fi, mas a conexão era absoluta. As notícias chegavam pela boca do povo, entre um gole de café no bar da esquina e uma engraxada de sapatos. As crianças corriam em volta do chafariz, indiferentes ao mundo lá fora, enquanto os velhos senhores, com seus chapéus de feltro e rádios de pilha, discutiam política e o tempo como se fossem donos de ambos.

Ao cair da tarde, as luzes dos postes de ferro começavam a piscar, tingindo a praça de um dourado nostálgico. Era o sinal de que a missa das sete iria começar ou que o cinema de rua abriria suas portas pesadas. A praça era o nosso espaço comum, onde a riqueza e a pobreza se sentavam no mesmo banco para ver a lua nascer.

Hoje, as praças mudaram, mas a memória daqueles dias ainda resiste no balanço das árvores centenárias que, felizmente, continuam de pé. Recordar é, de certa forma, voltar para aquele banco de madeira e esperar o tempo passar, apenas para ver a vida acontecer.

2. As ruas

As ruas não eram apenas caminhos de passagem; eram extensões das nossas casas, territórios de liberdade moldados em terra batida ou paralelepípedos cinzentos. 

Hoje, quando olhamos para o asfalto liso e impessoal, é difícil não sentir saudade daquela textura irregular que ditava um ritmo de vida muito mais humano e vagaroso.

O silêncio das manhãs era raramente interrompido pelo motor de um carro antigo. Eram máquinas pesadas, de metal reluzente, algumas ainda com o charme rústico da partida na manivela, exigindo força e paciência do motorista. O movimento era tão escasso que o ronco de um motor ao longe servia de aviso: dava tempo de parar a brincadeira, ir para a calçada, acenar para o vizinho e só então retomar o que realmente importava.

E o que importava era o jogo. As calçadas eram arenas de grandes campeonatos de bolinha de gude. Meninos agachados, com o olhar atento e a pontaria calibrada, disputavam "caras" e "biroscas" como se fossem tesouros nacionais. Quando o sol baixava, o cenário mudava para o pega-pega, onde o fôlego parecia infinito e a rua inteira era o campo de batalha.

Mas o ápice da engenharia infantil eram os carrinhos de rolimã. Construídos com tábuas de construção e rolamentos conseguidos em oficinas mecânicas, eles transformavam qualquer ladeira em uma pista de Fórmula 1. O barulho do aço contra o paralelepípedo era o som da adrenalina. O freio? Muitas vezes era a sola do sapato ou, na pior das hipóteses, o próprio joelho. Os joelhos ralados eram medalhas de honra, lavados com água e sabão sob o olhar benevolente das mães que vigiavam da janela.

Havia uma segurança silenciosa que pairava no ar. As portas ficavam encostadas, e o perigo parecia algo distante, de outro mundo. 

À noite, o cenário pertencia aos casais. Caminhavam de braços dados, sem pressa, em um tempo onde a conversa não era interrompida por notificações de celular. O único brilho vinha dos postes amarelados e das estrelas, que pareciam muito mais nítidas sem a poluição luminosa das metrópoles modernas.

A rua antigamente era uma escola de convivência. Entre uma queda de rolimã e uma vitória na bolinha de gude, aprendíamos sobre o mundo, sobre os vizinhos e sobre nós mesmos.

3. Os Cafés

Entrar em um café era como atravessar um portal para um tempo onde a elegância e a palavra tinham um peso sagrado. Hoje, com a pressa dos copos descartáveis, olhar para trás revela o café não apenas como bebida, mas como a moldura social de uma época.

Os grandes estabelecimentos, como o histórico Café Girondino em São Paulo ou o centenário Café Lamas ou a Confeitaria Colombo no Rio, eram palcos de um desfile de distinção. De um lado, homens com ternos impecáveis e chapéus bem ajustados discutiam o destino do país e os rumos do comércio entre uma baforada de charuto e um gole de café preto. Do outro, mulheres com vestidos luxuosos e luvas de seda traziam a sofisticação das capitais europeias para o coração das cidades brasileiras.

Mas a magia acontecia na diversidade de seus cantos:

O Balcão: Onde o encontro era rápido, mas não menos intenso. Era o lugar do "café em pé", das notícias trocadas entre conhecidos e do barulho rítmico das xícaras de porcelana batendo no mármore.

As Mesas de Mármore: Onde o tempo parava. Amigos de longa data se reuniam em grupos ruidosos para celebrar a vida, debater literatura ou simplesmente deixar a tarde passar.

A Xícara como Elo: Seja o "café passado" no coador de pano ou o expresso nascente, a fumaça que subia da xícara era o sinal de que uma conversa importante estava prestes a começar.

Nesses locais, a arquitetura de azulejos antigos e balcões de madeira nobre contava histórias de décadas passadas. Era um território de segurança e convivência, onde a futilidade e o intelecto se sentavam à mesma mesa, unidos pelo aroma inconfundível do grão moído na hora.

Hoje, essas memórias resistem em locais que preservam a atmosfera de 1875 ou 1920, lembrando-nos de que a vida, assim como um bom café, deve ser apreciada em pequenos e pausados goles.

Ao fecharmos as cortinas desse cenário — entre os acordes do coreto, o estalo do rolimã no paralelepípedo e o tilintar das xícaras de porcelana —, percebemos que o que realmente saudamos não é apenas o passado, mas a profundidade das relações que ele abrigava.

A praça, a rua e o café formavam um santuário da presença humana. Eram tempos em que o "olho no olho" não era um esforço, mas a regra; onde a segurança vinha da vizinhança que se conhecia pelo nome e a elegância se manifestava tanto no corte de um terno quanto na gentileza de um "bom dia".

Hoje, embora o asfalto tenha coberto a terra e a pressa tenha silenciado o balcão, essas lembranças permanecem como bússolas. Elas nos recordam que, por trás de toda tecnologia e correria, ainda somos aqueles mesmos seres que buscam um banco de jardim para descansar e uma boa conversa para se sentir em casa. Que a nostalgia desses dias não seja um lamento, mas um convite para resgatarmos, sempre que possível, a doçura de viver um minuto por vez.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
José Feldman (1954)
JOSÉ FELDMAN é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo (1954), ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura. Sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Residiu em cidades como Taboão da Serra, Curitiba, Ubiratã e Maringá (PR) onde se fixou desde o ano de 2011. Casado desde 1994 com a Ph.D. Alba Krishna Topan, professora e coordenadora do curso de letras em língua inglesa da Universidade Estadual de Maringá. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por mais de 10 anos no Hospital das Clínicas da FMUSP. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. Professor de trovas e escrita criativa. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo “Euclides da Cunha”, na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título Magnus Magister em Letras, em Portugal; Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias de Artur da Távola. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.  É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores: 
1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos; 
2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor; 
3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona. Em Portugal e Angola, suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos, Florilégio de Trovas e Crestomatia de Trovas). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.

Fonte:
José Feldman. Pérgola de textos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2016.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

José Feldman (Instantes Mágicos)


O tempo é uma substância estranha. Temos relógios para medi-lo em partes iguais, mas o coração ignora os ponteiros. O instante que vivemos pode ser o que há de melhor. Alguns momentos são tão preciosos que desejamos que durem para sempre, toca exatamente nessa ferida aberta da nossa existência: a nossa eterna briga com a efemeridade.

Preparamos a vida inteira para os grandes palcos. Estudamos anos para uma carreira, planejamos meses para uma viagem, economizamos décadas para o futuro. Porém, quando olhamos para trás em um momento de silêncio, o que nos sustenta não são os grandes blocos de horas planejadas. São os fragmentos. O instante exato em que o sol bateu no rosto de quem amamos e rimos de uma bobagem qualquer. O segundo de silêncio compartilhado antes de um abraço de despedida. O estalar de dedos em que a solidão deu trégua e nos sentimos parte do universo.

Há uma contradição bonita e dolorosa na busca humana pelo "para sempre". Queremos eternizar o que é bom porque a beleza nos assusta com a sua brevidade. Se o instante precioso durasse para sempre, ele deixaria de ser instante. Viraria rotina. Perderia o brilho exato que só a urgência do fim consegue dar. A eternidade de um momento não está na sua duração cronológica, mas na profundidade da marca que ele deixa na alma. Um segundo de felicidade plena é mais vasto do que um ano inteiro de dias cinzentos e automáticos.

O perigo da nossa era moderna é que estamos esquecendo como habitar o instante. Estamos sempre um passo à frente, antecipando o próximo compromisso, ou um passo atrás, remoendo o que já passou. Quando o instante precioso acontece, muitas vezes tentamos sacá-lo do fluxo do tempo com a câmera de um celular, tentando congelar o que só deveria ser sentido. Ao tentar registrar o momento para guardá-lo no futuro, esquecemos de estar presentes nele agora.

Alguns instantes mereciam o infinito. Como não podemos parar o relógio, nos resta a dignidade de viver esses momentos com entrega absoluta. Se não podemos fazer o tempo parar, que saibamos pelo menos expandir o agora, mergulhando de cabeça em cada segundo precioso. Afinal, a eternidade não é o tempo que nunca acaba; é o instante que nunca esquecemos.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

José Feldman (O Ofício das Águas)


Sentar-se à beira do cais da própria existência é dar-se conta de uma verdade náutica: a alma humana é uma embarcação que nunca atraca por completo. Conduzir os dias é aceitar, queiramos ou não, o ofício da navegação interna. Somos todos barqueiros de nós mesmos, empurrando as tábuas da nossa consciência sobre as águas profundas, escuras e incertas do tempo. O detalhe mais agudo dessa condição não é o peso dos remos, mas a natureza mutável da carga que escolhemos carregar. Navegamos, afinal, com sonhos sem destino. Há quem passe a existência inteira desenhando mapas perfeitos, portos seguros e rotas milimetricamente calculadas na areia. Tolice. O destino é uma ficção que inventamos para aplacar o medo do horizonte aberto. O verdadeiro mar da vida não aceita coordenadas fixas; ele se move, mexe-se sob o casco e nos obriga a flutuar no imprevisto.

Essa travessia, contudo, não começa no momento em que seguramos os remos pela primeira vez, mas muito antes, no primeiro recuo da maré humana. A verdade mais visceral da nossa biografia é que a primeira despedida no ventre da mãe começa. O nascimento é o nosso primeiro exílio, o instante zero em que fomos expulsos amorosamente de um porto perfeito para que pudéssemos aprender o alfabeto da distância. O parto é o primeiro "Adeus, filho. Vive a vida", um sussurro biológico que decreta: para ser é preciso partir. Fomos lançados ao mar aberto com o cordão cortado, restando-nos apenas a memória celular daquele aconchego original. É essa perda inaugural que inaugura, também, o nosso direito de flutuar. Nascemos despedidos, e passar pelos dias é aprender a honrar essa partida, navegando em direção ao amanhã sem a exigência de promessas de retorno, pois o amor maduro sabe que os filhos pertencem ao vento, não ao cais.

Uma vez na correnteza, o barqueiro descobre que a tripulação da sua mente divide-se estritamente em duas categorias que disputam o espaço do convés. O sonho bom é o passageiro legítimo, aquele que entra pela rampa principal trazendo a luz do sol e a calmaria de uma meta alcançada; ele justifica o suor gasto nos remos. Mas nenhum barco cruza o oceano da existência carregando apenas quem foi convidado. Nas frestas do porão, no escuro onde os olhos não querem ver, esconde-se o sonho mau: o clandestino. Ele é o medo do fracasso, a culpa por um erro antigo, a ansiedade pelo amanhã. O barqueiro inexperiente tenta caçar o clandestino, desorientado pelo pânico. Mas a sabedoria do navegador maduro reside em compreender que o sonho mau também faz parte da viagem. Ele confere lastro à embarcação. Um barco feito apenas de passageiros sorridentes flutua na ilusão da superfície; carece da gravidade que nos sintoniza com a realidade do mar.

É no auge dessa navegação, no confronto diário entre o passageiro e o clandestino, que a vida exige de nós uma escolha de vestimentas. O mundo, em sua crueza e pressa, costuma nos empurrar para os conflitos cotidianos, vestindo-nos com os farrapos da guerra. Andamos armados de cinismo, indiferença e reatividades baratas. Usamos essas armaduras pesadas para nos proteger do toque, esquecendo que elas também impedem o abraço. A grande virada filosófica da jornada ocorre quando o barqueiro percebe o Bem que o amor encerra e decide mudar de pele. Quem veste o manto da paz, despe os farrapos da guerra. Não há espaço para sobreposições: a paz não cabe por cima do metal pontiagudo da discórdia. É preciso ter a coragem de desarmar-se unilateralmente, deixando cair no assoalho do barco o orgulho de ter sempre razão e a necessidade neurótica de revide. O manto da paz é leve, feito do tecido sutil da tolerância, permitindo que os braços fiquem livres para segurar os remos com mais leveza e precisão.

Mesmo sob o manto da paz, o mar cobra o seu preço em mistério e recolhimento. Há noites em que a calmaria é tamanha que o barqueiro adormece ao relento e, no território livre da mente, reencontra rostos esquecidos, portos perdidos e tempos felizes. “No sonho estavas sorrindo”, nota o poeta, despertando logo em seguida com o peito apertado. “Mesmo assim fiquei tristonho”, confessa a alma lúcida ao perceber o império da vigília retomar o quarto. A pergunta que ecoa na madrugada é quase um protesto contra a própria condição humana: “de que vale um sonho lindo, se dura apenas um sonho?” Julgamos, na nossa arrogância cronológica, que o valor das coisas habita a sua duração. Queremos que o sorriso sonhado seja eterno. Mas o valor do sonho lindo está justamente na sua impermanência. Ele não é uma habitação permanente, mas um vislumbre; um espelho retrovisor que nos mostra a pureza de um sentimento que a poeira dos dias acordados teima em soterrar. O sonho lindo dura apenas um instante, mas o eco daquele sorriso permanece nas frestas do nosso dia, servindo como bússola para que tentemos reconstruir, no chão difícil da realidade, a alegria que o sono nos deu de graça.

Ao entardecer, quando as águas se aquietam e o horizonte parece se fundir com o céu, o barqueiro recolhe os remos e abre o seu livro de lembranças, ainda sem conclusão. Viver é rascunhar capítulos em tempo real, corrigindo parágrafos com as mãos trêmulas da experiência. Ao folhear as primeiras páginas da sua história, o navegante sorri ao descobrir o artifício do tempo: saudade é a esperança que faz parte da introdução. Descobre-se, enfim, que a saudade não é o resíduo do passado que morreu, mas o eco da esperança que tínhamos quando a jornada começou. Não choramos pelo que foi; choramos pelo futuro que havíamos projetado naquelas manhãs antigas. A introdução do livro foi escrita com a tinta fresca da expectativa, e se hoje ela se transformou em saudade, é porque fomos corajosos o suficiente para começar a história com entusiasmo.

O livro continua aberto, com páginas em branco prontas para o dia de amanhã. O barqueiro olha para trás e saúda o ventre de onde partiu; olha para o convés e pacifica o conflito entre o passageiro e o clandestino; ajusta o manto da paz sobre os ombros e guarda o sorriso do sonho efêmero como quem guarda um amuleto contra a tempestade. Com a caneta em uma das mãos e o remo na outra, ele compreende que a beleza da navegação humana não está em ter um porão perfeitamente limpo ou um mapa definitivo, mas na capacidade de manter o rumo no mar sem destino. A história ainda está sendo escrita, e cada novo parágrafo é uma chance de reinventar o que a esperança começou.
= = = = = = = = = = = = = =  
Texto tendo por base a trova de Aparício Fernandes 
(Acari/RN , 1934 - 1996, Rio de Janeiro/RJ)
No sonho estavas sorrindo, 
mesmo assim fiquei tristonho: 
- de que vale um sonho lindo, 
se dura apenas um sonho?
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Biografia do autor: https://singrandohorizontes.blogspot.com/p/jose-feldman-1954.html

domingo, 16 de agosto de 2026

Conto & Crônica: Da Ideia à Publicação (Parte 10)


Aqui estão frases de grandes escritores sobre a arte e o ato de escrever:

Clarice Lispector: 
"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível."

Machado de Assis: 
"A palavra foi feita para dizer o que o espírito sente; quando não diz tudo, diz o que pode."

Rubem Alves: 
"Escrever é um ato de amor. É a tentativa de deixar um pedaço de nós no coração do outro."

Carlos Drummond de Andrade: 
"Escrever é procurar entender, é dar a conhecer aos outros o que se descobriu.”

Toni Morrison: 
"Se há um livro que você quer ler, mas ele ainda não foi escrito, você precisa escrevê-lo.”

Ernest Hemingway: 
"Não há nada de especial em escrever. Basta sentar-se à máquina de escrever e sangrar."

Stephen King: 
"Escrever é telepatia humana."

Maya Angelou: 
"Não há agonia maior do que carregar uma história não contada dentro de você."

Margaret Atwood: 
"Uma palavra após a outra, após a outra, é poder."

Saul Bellow: 
"Você nunca escreve bem a menos que escreva pelo seu próprio bem."

Gabriel García Márquez (Colômbia): 
"O escritor escreve para que o queiram mais, e isso é no fundo uma grande necessidade de afeto."

Jorge Luis Borges (Argentina): 
"Escrever é apenas um modo lento de sonhar."

Isabel Allende (Chile): 
"A escrita é uma longa introspecção, é uma viagem para as cavernas mais escuras da consciência."

Virginia Woolf (Inglaterra): 
"Cada segredo da alma de um escritor, cada experiência de sua vida, cada qualidade de sua mente está escrita em larga escala em suas obras."

José Saramago (Portugal): 
"Escrever é um ato de interrogação permanente."

Franz Kafka (Tchéquia): 
"Escrever é uma forma de oração."

Essas frases refletem a reflexão e a visão sobre a escrita, encorajando novos escritores a explorar sua voz e suas experiências.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
JOSÉ FELDMAN (71) é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo (1954), ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura. Sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Residiu em cidades como Taboão da Serra, Curitiba, Ubiratã e Maringá (PR) onde se fixou desde o ano de 2011. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por mais de 10 anos no Hospital das Clínicas da FMUSP. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. Professor de trovas e escrita criativa. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo “Euclides da Cunha”, na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título Magnus Magister em Letras, em Portugal; Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias de Artur da Távola. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.  É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores: 
1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos; 
2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor; 
3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona. Em Portugal e Angola, suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos, Florilégio de Trovas e Crestomatia de Trovas). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.
======================================

sábado, 15 de agosto de 2026

Conto & Crônica: Da Ideia à Publicação (Parte 9)

9. O QUE EVITAR NA CONSTRUÇÃO DE UMA CRÔNICA

9.1. NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO

9.1.1. Clichês: 
Evite frases ou ideias prontas que tornem o texto previsível.

9.1.2. Ambiguidade Excessiva: 
Seja claro na sua mensagem; ambiguidade pode confundir o leitor.

9.1.3. Falta de Foco: 
Mantenha um tema central; divagar demais pode dispersar a narrativa.

9.2. NO DESENVOLVIMENTO

9.2.1. Diálogos Fracos: 
Não inclua diálogos que soem artificiais ou forçados. Eles devem fluir naturalmente.

9.2.2. Descrições Superficiais: 
Detalhes vagos não transportam o leitor. Use descrições sensoriais que criem imagens vívidas.

9.2.3. Mudanças de Tom: 
Mantenha um tom consistente. Alternar entre formal e informal sem justificativa pode desorientar.

9.3. NO ARREMATE FINAL

9.3.1. Final Previsível: 
Evite fechar a história de forma óbvia. Um final impactante ou reflexivo é mais cativante.

9.3.2. Falta de Conclusão: 
Não deixe o leitor se sentindo perdido. Um desfecho coerente deve amarrar as ideias apresentadas.

9.3.3. Menos Reflexão: 
Quando apropriado, use o final para provocar uma reflexão, não apenas para encerrar a história.

9.4. O QUE EVITAR NA CONSTRUÇÃO DE UM CONTO

9.4.1. Na Construção do Texto

9.4.1.1. Personagens Unidimensionais: 
Crie personagens complexos com motivações e emoções.

9.4.1.2. Trama Muito Complexa: 
Uma narrativa cheia de reviravoltas sem clareza pode confundir o leitor.

9.4.1.3. Introdução Lenta: 
Começar com longas descrições sem ação pode desestimular o leitor.

9.4.2. No Desenvolvimento

9.4.2.1. Exposição Excessiva: 
Evite informações desnecessárias que não avancem a narrativa ou desenvolvimento de personagens.

9.4.2.2. Incoerências Lógica: 
Certifique-se de que a trama e as reviravoltas sejam plausíveis e coerentes.

9.4.2.3. Tensão Inconstante: 
Mantenha um ritmo apropriado; oscilações drásticas no ritmo podem frustrar.

9.4.3. No Arremate Final

9.4.3.1. Desfecho Aberto Sem Justificativa: 
Se optar por um final em aberto, ele deve ser bem amarrado ao tema.

9.4.3.2. Resolução Fácil: 
Não simplifique demais a resolução do conflito; deve refletir as complexidades da trama.

9.4.3.3. Menos Impacto: 
O final deve ser memorável; evite encerrar de forma apressada ou trivial.

9.5 ORGANIZAÇÃO DO TEXTO

9.5.1. Planejamento:
   - Defina o tema e a mensagem que deseja transmitir.
   - Esboce uma estrutura básica (introdução, desenvolvimento, conclusão).

9.5.2. Introdução:
   - Apresente a situação ou o conflito de maneira intrigante.
   - Crie um gancho que prenda a atenção do leitor.

9.5.3. Desenvolvimento:
   - Aprofunde os personagens, a trama e a ambientação.
   - Mantenha o foco no tema central, evitando divagações desnecessárias.

9.5.4. Conclusão:
   - Feche a narrativa de forma lógica e satisfatória.
   - Inclua uma reflexão ou um pensamento que mantenha o leitor pensando após terminar.

9.6. CONSIDERAÇÕES

Ao evitar armadilhas comuns e seguir uma estrutura organizada, você pode criar narrativas mais envolventes tanto em crônicas quanto em contos. A clareza de propósito e a atenção aos detalhes são essenciais em cada etapa do processo de escrita.
= = = = = = = = = = = = = =  
Continua…
= = = = = = = = = = = = = =  
(curso ministrado por José Feldman)

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Conto & Crônica: Da Ideia à Publicação (Parte 8)

curso ministrado por José Feldman
8. ANÁLISE DO ESTILO DE ESCRITA

Aqui está uma análise do estilo de escrita apropriado para crônicas filosóficas, românticas, do cotidiano, de exposição de situações e de recordações, junto com os erros mais comuns a serem evitados.

8.1. CRÔNICAS FILOSÓFICAS

8.1.1. Estilo de Escrita

8.1.1.1. Reflexivo e Introspectivo: 
A linguagem deve ser profunda e provocar pensamentos.

8.1.1.2. Uso de Metáforas: 
Comparações que enriquecem o significado e a compreensão do tema.

8.1.1.3. Tom Ponderado: 
O autor deve transmitir uma sensação de sabedoria ou dúvida que faça o leitor refletir.

8.1.2. Erros Comuns

8.1.2.1. Abstrações Excessivas: 
Ser vago ou usar linguagem muito técnica pode alienar o leitor.

8.1.2.2. Falta de Conexão Pessoal: 
Não incluir experiências pessoais pode tornar a crônica fria e distante.

8.1.2.3. Desorganização de Ideias: 
Saltar de um pensamento para outro sem uma estrutura clara pode confundir o leitor.

8. 2. CRÔNICAS ROMÂNTICAS

8.2.1. Estilo de Escrita

8.2.1.1. Emocional e Poético: 
Linguagem rica em sentimentos e sensações, evocando a intensidade do amor.

8.2.1.2. Detalhes Sensorais: 
Descrições vívidas de momentos, olhares e toques.

8.2.1.3. Diálogos Naturais: 
Conversas que soem autênticas e reveladoras dos sentimentos dos personagens.

8.2.2. Erros Comuns

8.2.2.1. Clichês Românticos: 
Usar frases e situações repetitivas que podem tornar a crônica previsível.

8.2.2.2. Falta de Profundidade Emocional: 
Não explorar as complexidades do amor pode fazer a narrativa parecer superficial.

8.2.2.3. Inconsistência no Tom: 
Alternar entre um tom leve e um muito sério sem justificativa pode confundir o leitor.

8.3. CRÔNICAS DO COTIDIANO

8.3.1. Estilo de Escrita

8.3.1.1. Acessível e Humorístico: 
Linguagem simples que dialoga com o leitor, muitas vezes utilizando humor.

8.3.1.2. Observações Detalhadas: 
Atenção aos pequenos detalhes da vida diária que tornam a narrativas interessantes.

8.3.1.3. Narrativa Descontraída: 
Um tom leve que transforma o ordinário em algo notável.

8.3.2. Erros Comuns

8.3.2.1. Monotonia: 
Focar em eventos muito triviais e não oferecer qualquer reflexão pode entediar o leitor.

8.3.2.2. Falta de Conexão: 
Não estabelecer uma relação entre as observações e um tema ou reflexão mais ampla.

8.3.2.3. Diálogos Fracos: 
Conversas artificialmente forçadas que não parecem naturais podem descredibilizar a crônica.

8.4. CRÔNICAS DE EXPOSIÇÃO DE SITUAÇÕES

8.4.1. Estilo de Escrita

8.4.1.1. Crítico e Persuasivo: 
Linguagem que desafia o leitor a compreender e refletir sobre o tema apresentado.

8.4.1.2 de Dados e Exemplos: 
Incluir fatos relevantes para reforçar o argumento.

8.4.1.3. Narrativa Estruturada: 
Apresentação de problemas claras, causas e possíveis soluções.

8.4.2. Erros Comuns

8.4.2.1. Falta de Foco: 
Abordar muitos tópicos sem um foco claro pode dispersar a mensagem.

8.4.2.2. Argumentação Fraca: 
Falta de evidências para apoiar as alegações pode enfraquecer a crônica.

8.4.2.3. Tom Excessivamente Pessimista: 
Não apresentar um ângulo esperançoso ou soluções pode desanimar o leitor.

8.5. CRÔNICAS DE RECORDAÇÕES

8.5.1. Estilo de Escrita

8.5.1.1. Nostálgico e Contemplativo: 
Linguagem que evoca emoção e sentimentos de saudade.

8.5.1.2. Descritivo e Detalhado: 
Enriquecer a narrativa com detalhes que transportam o leitor para o passado.

8.5.1.3. Conexão com o Presente: 
Relacionar as memórias ao estado atual do narrador, criando uma linha do tempo.

8.5.2. Erros Comuns

8.5.2.1. Falta de Contexto: 
Não fornecer informações suficientes sobre a recordação pode confundir o leitor.

8.5.2.2. Nostalgia Excessiva: 
Focar apenas em memórias sem reflexão pode tornar a crônica monótona.

8.5.2.3. Desorganização Temporal: 
Saltar entre tempos sem clareza pode desorientar o leitor.

8.6. CONSIDERAÇÕES

Cada tipo de crônica tem um estilo que deve ser refletido no texto para ressoar com os leitores. Evitar os erros comuns ajuda a fortalecer a narrativa, proporcionando uma experiência mais rica e envolvente. A prática e a leitura crítica são essenciais para aperfeiçoar esses estilos.
= = = = = = = = = = = = = =  
continua…
= = = = = = = = = = = = = =