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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Conto & Crônica: Da Ideia à Publicação (Parte 5)

curso ministrado por José Feldman

5. AMBIENTES DO CONTO

Construir o ambiente de um conto é crucial para estabelecer a atmosfera e influenciar a narrativa. Aqui estão orientações sobre como criar ambientes adequados para contos de suspense, policiais, críticos, filosóficos e românticos, além de erros comuns a serem evitados.

5.1. CONTOS DE SUSPENSE

5.1.1. Ambiente:

5.1.1.1. Locais Isolados ou Ominosos: 
Como casas abandonadas, florestas densas ou cidades desertas.

5.1.1.2. Clima e Atmosfera: 
Use elementos climáticos (chuva, neblina) para intensificar a tensão.

5.1.2. Erros a Evitar:

5.1.2.1. Ambientes Genéricos: 
Não use descrições vagarosas que não contribuam para a tensão. Cada detalhe deve aumentar a sensação de medo.

5.1.2.2. Incoerência: 
O ambiente deve ser consistente com o tom da história. Um local muito familiar pode diminuir a emoção.

5.2. CONTOS POLICIAIS

5.2.1. Ambiente:

5.2.1.1. Cenários Urbanos: 
Áreas urbanas, como bairros com crime frequente ou locais do crime significativos.

5.2.1.2. Ambientes de Investigação: 
Salas de interrogatório, delegacias ou cenas de crime devem ser descritos detalhadamente.

5.2.2. Erros a Evitar:

5.2.2.1. Ambientes Superficiais: 
Não ignore os detalhes que poderiam enriquecer a investigação, como odores, sons e sentimentos associados ao local.

5.2.2.2. Falta de Variedade: 
Cenários repetitivos podem tornar o enredo maçante. Diferentes locais devem adicionar novas dimensões à trama.

5.3. CONTOS CRÍTICOS

5.3.1. Ambiente:

5.3.1.1. Cenários Sociais ou Culturais: 
Ambientes que refletem a crítica social, como cidades divididas, escolas ou espaços públicos.

5.3.1.2. Contexto Histórico: 
Usar épocas específicas para contextualizar a crítica e suas implicações.

5.3.2. Erros a Evitar:

5.3.2.1. Ambientes Impessoais: 
Não crie cenários que não estejam ligados emocionalmente aos personagens. O ambiente deve refletir suas lutas.

5.3.2.2. Falta de Conexão: 
O ambiente deve contribuir para a mensagem crítica, não ser apenas um fundo estético.

5.4. CONTOS FILOSÓFICOS

5.4.1. Ambiente:

5.4.1.1. Cenários Reflexivos: 
Locais que convidam à introspecção, como cafés, parques ou bibliotecas.

5.4.1.2. Ambientes Simbólicos: 
Espaços que refletem as questões filosóficas abordadas, como um deserto para simbolizar isolamento.

5.4.2. Erros a Evitar:

5.4.2.1. Ambientes Desconectados: 
Não use locais que não tenham relevância para os dilemas e reflexões dos personagens.

5.4.2.2. Superficialidade: 
Evite uma descrição que não crie uma atmosfera reflexiva e introspectiva.

5.5. CONTOS ROMÂNTICOS

5.5.1. Ambiente:

5.5.1.1. Locais Românticos: 
Praias, parques floridos, ou cafés aconchegantes onde os personagens se encontram e se conectam.

5.5.1.2. Cenários que Evoluem: 
O ambiente pode mudar conforme a relação evolui, refletindo o estado emocional dos personagens.

5.5.2. Erros a Evitar:

5.5.2.1. Ambientes Frios ou Hostis: 
Locais que não promovem a conexão emocional podem afastar o leitor.

5.5.2.2. Falta de Detalhes Sensorais: 
Não subestime a importância de criar uma atmosfera sensual ou calorosa que complemente a narrativa romântica.

5.6. CONSIDERAÇÕES

Os ambientes em contos devem ser cuidadosamente construídos para refletir o tom e o tema da narrativa. Ao evitar erros comuns, como descrições superficiais e locais incongruentes, os escritores podem oferecer ao leitor uma experiência imersiva e impactante. A interligação entre ambiente e trama é fundamental para criar uma narrativa envolvente.
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Continua…
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domingo, 9 de agosto de 2026

José Feldman (Confusões de Totozinho)


O sol brilhava forte sobre o resort Águas Celestiais, e o ar cheirava a cloro, coco e um toque de suco de laranja gelado. Carlos tinha conseguido finalmente uns dias de descanso e não pensou duas vezes: levou consigo o seu maior orgulho e também a sua maior dor de cabeça — Totozinho, um São Bernardo de quase setenta quilos, com cara de anjo e energia de um furacão em dia de folga.
 
— Olha só que lugar lindo, Totozinho! — disse Carlos, acariciando a cabeça maciça do cachorro enquanto caminhavam pela beira da piscina. 

— Água azul, sol quente, ninguém para nos incomodar... vamos aproveitar, hein, meu grandão?
 
Totozinho abanou o rabo com tanta força que o vento chegou a bagunçar o cabelo de um senhor que passava por perto. Carlos arrumou uma espreguiçadeira perto da borda, estendeu a toalha e prendeu a coleira do cachorro numa corrente de aço que ficava fixa no chão, pensando: “Assim ele fica seguro e não sai por aí atropelando ninguém”. 

Mal sabia ele que a corrente era forte, mas a paciência de Totozinho era fraca, e o seu plano de paz estava prestes a virar uma tragédia cômica.
 
— Fica aqui quietinho, tá? — pediu Carlos, dando um tapinha no pescoço do animal. — Vou só molhar os pés e já volto.
 
Mal ele tinha dado três passos, Totozinho eriçou as orelhas. Seus olhos se fixaram em algo do outro lado da área de lazer: uma bola de borracha colorida que um menino tinha deixado rolar, e que parecia, para ele, o objeto mais fascinante do universo. O cachorro soltou um latido baixo, ansioso, e começou a puxar a corrente com força.
 
— Ei, ei! Calma, Totozinho! Não é nada! — gritou Carlos, voltando rapidamente para segurá-lo pela coleira. — Que é isso, meu filho, não precisa ficar todo agitado! É só uma bola, não vai comer ninguém!
 
Mas Totozinho não queria saber de explicações. Ele puxou mais forte, com todo o peso do corpo, e Carlos, tentando se equilibrar e ao mesmo tempo acalmar o bicho, acabou cometendo um erro fatal: enroscou a ponta da própria calça na argola da corrente. Quando o cachorro deu um salto decisivo, o tecido se enrolou, e em um piscar de olhos, Carlos estava preso — amarrado à coleira, com as mãos agarradas nela e o corpo sendo arrastado sem dó.
 
— AI, MINHA NOSSA! Espera, Totozinho! Espera, seu doido! — berrou ele, sendo arrastado pelo chão de pedra. — Não corre assim! Vou cair! Vou... AI MEUS PÉS!
 
A confusão começou na hora. Totozinho disparou como um foguete, e Carlos ia atrás, escorregando, pulando sem querer e gritando como um louco. A primeira vítima foi Dona Marlene, que estava sentada relaxando com um chapéu de palha gigante e um copo de suco na mão.
 
— Mas que... — não teve tempo de terminar. Com uma cotovelada involuntária de Carlos, ela foi empurrada direto para dentro da piscina, chapéu e tudo, fazendo um SPLASH tão grande que molhou todos os que estavam nas redondezas.
 
— PERDÃO, DONA! NÃO FOI DE PROPÓSITO! — gritou Carlos, mas não conseguia nem olhar para trás, tamanha a força de paquiderme.
 
O cachorro não parou. Seguiu em frente e acertou em cheio uma mesa com bebidas e lanches, que virou de lado num instante: copos, pratos, fatias de melão e garrafas voaram para todos os lados. Um garçom que vinha com uma bandeja cheia de água de coco ficou boquiaberto e, antes que pudesse se mover, foi atingido pela cauda do cachorro, caindo junto com tudo o que carregava.
 
— O que está acontecendo aqui?! — gritou o gerente, saindo correndo de dentro do bar com a toalha na mão.
 
— É O MEU CACHORRO! E EU TAMBÉM! ESTOU PRESO! — respondeu Carlos, que agora ia com a camisa toda suja de areia e suco de fruta.
 
Mais adiante, um grupo de amigos fazia um brinde na beira da piscina. Num segundo pensaram que era uma brincadeira, no seguinte viram a dupla furiosa chegar. Totozinho passou por baixo de uma das mesas de plástico, que subiu no ar e girou como um pião, enquanto todos que estavam ali se jogavam para um lado e para o outro, ou acabavam caindo na água aos gritos e sustos.
 
— SEGURA ELE! ALGUÉM SEGURA O TOTOZINHO! — tentou pedir Carlos, mas a voz saiu arrastada e falhada.
 
— TOTOZINHO! — chamou uma criança, achando a maior graça da bagunça. — QUE CACHORRO FORTE!
 
— FORTE É POUCO! ELE É UM TREM! — respondeu Carlos, quase engolindo areia.
 
O passeio destruiu também um guarda-sol que estava bem fincado, que saiu voando e abriu-se no meio do caminho como um para-quedas, atrapalhando ainda mais a visão. Totozinho, ainda obcecado pela tal bola, não dava folga. Passou por cima de uma esteira, derrubou um balde de gelo e arrastou o dono direto para a área onde estavam as espreguiçadeiras mais caras, fazendo uma fila inteira delas tombar uma após a outra como peças de dominó.
 
— SOCORRO! A MINHA CALÇA VAI RASGAR! — gritou Carlos, desesperado. — MEU DEUS DO CÉU, QUE IDEIA MALUCA FOI A MINHA DE TRAZER VOCÊ! PRECISO ANALISAR MINHA CABEÇA!
 
Quando todos já estavam de pé, uns molhados, outros cobertos de areia e frutas, mesas viradas e pessoas rindo alto sem conseguir acreditar no que viam, Totozinho finalmente parou. Parou exatamente na frente daquela bola que tanto o tinha atraído, cheirou-a com carinho, pegou-a na boca e sentou-se calmamente, abanando o rabo como se nada tivesse acontecido.
 
Carlos, todo amassado, com a camisa rasgada, joelhos ralados e ainda preso na corrente, ficou ali estirado no chão por uns minutos, respirando ofegante. O silêncio durou só um segundo — depois explodiu uma gargalhada geral, de todos os lados. Dona Marlene, que tinha saído da piscina toda molhada, limpou o rosto e disse rindo:
 
— Meu filho, que cachorro danado! Mas você também, hein? Que jeito é esse de passear? Parece que foi atropelado por um rebanho!
 
— Eu juro que não foi minha intenção — respondeu Carlos, soltando uma risada fraca e tentando se soltar da corrente. — Ele viu a bola, ficou doido, eu me enrolei... e olha no que deu!
 
O garçom, que já começava a recolher os cacos, sorriu e disse:
 
— Não se preocupe, senhor! Há muito tempo não víamos uma animação tão boa por aqui. 
 
Totozinho, com a bola na boca, olhou para todos com uma cara de quem não fez nada de mais, e soltou um latido feliz, fazendo todo mundo rir. Carlos, finalmente livre da corrente, levantou-se, sacudiu a poeira e passou a mão na cabeça do seu grandão.
 
— Pois é, Totozinho — murmurou ele, sorrindo e balançando a cabeça —, com você, nem um dia de descanso é sossegado.
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JOSÉ FELDMAN (71) é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo, ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura trovadoresca. Nasceu em São Paulo (SP), em 1954,: sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final do século XX. Residiu em cidades como São Paulo, Taboão da Serra, Curitiba e Ubiratã e finalmente em Maringá (PR) desde 2011. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por anos no setor hospitalar. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante Supremo do Saber, em Timisoara/Romênia; Mérito Cultural “Euclides da Cunha” na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título Magnus Magister, em Portugal; No Brasil, Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural; Mérito Cultural da Academia Brasileira de Trova, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias do célebre. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.  É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores: 1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos; 2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor; 3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Em Portugal e Angola: Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.

Fontes:
José Feldman. Pergola de textos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.
Biografia: Antonio Miranda; Ed. Pragmatha; Confraria Brasileira de Letras, Bonde; Francisco Pessoa, UFRJ, etc.

sábado, 8 de agosto de 2026

Conto & Crônica: Da Ideia à Publicação (Parte 4)

curso ministrado por José Feldman
4. CONSTRUÇÃO DOS PERSONAGENS

Construir personagens eficazes em diferentes gêneros literários exige uma compreensão das características e expectativas específicas de cada um. Aqui estão algumas diretrizes para desenvolver personagens em contos de suspense, policiais, críticos, filosóficos e românticos.

4.1. Contos de Suspense

4.1.1. Personagem Principal (Protagonista):

4.1.1.1. Traumas ou Medos: 
Crie um protagonista que tenha medos ou traumas que serão explorados ao longo da narrativa. Isso aumenta a tensão.

4.1.1.2. Inteligência e Curiosidade: 
Um personagem que investiga ou enfrenta o mistério deve ser perspicaz e curioso.
  
4.1.2. Antagonista:

4.1.2.1. Motivações Ambíguas: 
Dê ao antagonista camadas e complexidade, evitando o clichê de vilão unidimensional. Motivação pode ser pessoal ou psicológica.

4.1.3. Personagens Secundários:

4.1.3.1. Aliados e Inimigos: 
Introduza personagens que ajudem ou atrapalhem o protagonista, trazendo diferentes perspectivas.

4.2. Contos Policiais

4.2.1. Detetive (Protagonista):

4.2.1.1. Habilidades de Análise: 
O detetive deve ser observador e ter habilidades dedutivas excepcionais.

4.2.1.2. Personalidade única: 
Adicione peculiaridades ou falhas que humanizem o personagem, como vícios ou dilemas morais.

4.2.2. Suspeitos:

4.2.2.1. Diversidade de Motivações: 
Cada suspeito deve ter suas motivações crenças que o credenciam como possível culpado, trazendo tensão à narrativa.

4.2.3.Vítima:

4.2.3.1. História Relevante: 
A vítima deve ter um passado que se conecta com o enredo, formando laços importantes.

4.3. Contos Críticos

4.3.1. Personagem Protagonista:

4.3.1.1. Voz Crítica: 
Utilize um protagonista que representa uma visão ou uma crítica social, tornando-o reflexivo e questionador.

4.3.1.2. Vivência Pessoal: 
Sua experiência deve estar atrelada ao tema central do conto.

4.3.2. Personagens Secundários:

4.3.2.1. Representantes de diferentes pontos de vista: 
Inclua personagens que representam diferentes opiniões sobre a questão social em discussão.

4.4. Contos Filosóficos

4.4.1. Personagem Principal:

4.4.1.1. Questionador: 
Os protagonistas devem ser pensadores, que buscam entender a vida e suas complexidades.

4.4.1.2. Dilemas Morais e Éticos: 
Eles devem enfrentar dilemas que provoquem reflexões profundas.

4.4.2. Personagens de Suporte:

4.4.2.1. Mentores ou Antagonistas Filosóficos: 
Introduza personagens que desafiem as crenças do protagonista, como mentores ou opostos filosóficos.

4.5. Contos Românticos

4.5.1. Personagem Principal:

4.5.1.1 Desejos e Temores: 
O protagonista deve ter sonhos e inseguranças que influenciem suas interações românticas.

4.5.1.2. Desenvolvimento Pessoal: 
Mostre crescimento através da relação, como mudanças que surgem por meio do amor.

4.5.2. Interesse Amoroso:

4.5.2.1. Camadas Emocionais: 
O interesse amoroso deve ter profundidade, com suas próprias preocupações e histórias que ressoam com o protagonista.
  
4.5.3. Personagens Secundários:

4.5.3.1. Amigos e Rivais: 
Crie personagens que ajudem a aprofundar a trama romântica, como amigos que oferecem conselhos ou rivais que criam conflitos.

4.6. CONSIDERAÇÕES

Desenvolver personagens eficazes para cada gênero literário envolve criar complexidade, motivações e histórias interligadas que se relacionem com o tema central. A profundidade emocional e a autenticidade são fundamentais para cativar o leitor e proporcionar uma experiência impactante.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Conto & Crônica: Da Ideia à Publicação (Parte 3)

curso ministrado por José Feldman
3. ESTRUTURA DO ENREDO EM DIVERSOS GÊNEROS

Utilizar a estrutura do enredo em contos de diferentes gêneros literários exige adaptações específicas para cada contexto. Aqui estão algumas orientações sobre como aplicar a estrutura do enredo (exposição, incitação, desenvolvimento, clímax e desfecho) em contos de suspense, policiais, críticos, filosóficos e românticos.

3.1. CONTOS DE SUSPENSE

3.1.1. Exposição: 
Introduza uma situação aparentemente normal, mas inclua detalhes que insinuem a presença de algo ominoso. 
Exemplo: uma casa isolada onde algo estranho começou a acontecer.

3.1.2. Incitação: 
Um evento que provoca medo ou ansiedade. 
Exemplo: um telefonema misterioso ou uma descoberta assustadora.

3.1.3. Desenvolvimento: 
A tensão aumenta à medida que o protagonista investiga ou tenta entender a situação. Elementos como pistas falsas e revelações gradativas são eficazes.

3.1.4. Clímax: 
O momento de maior tensão, onde o protagonista confronta diretamente o perigo ou o desconhecido. 
Exemplo: um encontro decisivo com o antagonista.

3.1.5. Desfecho: 
Revelações que explicam o mistério, podendo deixar uma pergunta em aberto para manter o clima de tensão. 
Exemplo: descobrir que o perigo estava mais próximo do que se pensava.

3.2. CONTOS POLICIAIS

3.2.1. Exposição: 
Apresente a cena do crime e os personagens envolvidos (detetives, vítimas e suspeitos).

3.2.2. Incitação: 
O crime acontece, despertando a curiosidade do leitor. 
Exemplo: o assassinato de uma figura pública.

3.2.3. Desenvolvimento: 
O detetive investiga, encontrando pistas e interrogando personagens. Introduza reviravoltas que complicam a resolução do caso.

3.2.4. Clímax: 
O momento em que o detetive desvenda a verdade e confronta o criminoso, muitas vezes em uma cena tensa e dramática.

3.2.5. Desfecho: 
O caso é resolvido, mas pode deixar questões morais ou éticas para reflexão. 
Exemplo: um criminoso que não é punido por uma falha no sistema.

3.3. CONTOS CRÍTICOS

3.3.1. Exposição: 
Apresente um cenário ou situação social que precisa ser discutida. 
Exemplo: uma cidade dividida por conflitos sociais.

3.3.2. Incitação: 
Um evento que provoca a crítica social, como uma manifestação ou um ato de injustiça.

3.3.3. Desenvolvimento: 
Explore as reações dos personagens à situação, mostrando diferentes pontos de vista e dilemas éticos.

3.3.4. Clímax: 
O ponto de decisão onde a situação chega a um ponto crítico, revelando as falhas do sistema ou comportamento humano.

3.3.5. Desfecho: 
Uma conclusão que oferece uma reflexão sobre a condição humana ou a sociedade, podendo ser otimista ou pessimista.

3.4. CONTOS FILOSÓFICOS

3.4.1.. Exposição: 
Apresente uma ideia ou conceito filosófico que será explorado. 
Exemplo: a busca pela identidade ou a razão da existência.

3.4.2. Incitação: 
Um evento ou dilema que levanta questões existenciais. 
Exemplo: a perda de uma pessoa querida ou um encontro inesperado.

3.4.3. Desenvolvimento: 
As reflexões do protagonista ou dos personagens em relação ao dilema, permitindo que conversas e diálogos profundos se desenrolem.

3.4.4. Clímax: 
Um momento de epifania ou descoberta que leva a uma compreensão mais profunda da questão abordada.

3.4.5. Desfecho: 
Uma conclusão que desafia o leitor a pensar sobre o tema filosófico, podendo ser uma resposta inconclusiva ou uma nova perspectiva.

3.5. CONTOS ROMÂNTICOS

3.5.1. Exposição: 
Apresente os personagens, suas vidas e a premissa do romance. 
Exemplo: duas pessoas em fases diferentes de suas vidas, mas que se cruzam em um evento.

3.5.2. Incitação: 
Um momento que une os personagens, como um olhar ou um ato gentil que cria uma conexão.

3.5.3. Desenvolvimento: 
Os altos e baixos da relação, levando a conflitos que testam os sentimentos dos personagens. 
Exemplo: mal-entendidos, ciúmes ou interferências externas.

3.5.4. Clímax: 
O momento decisivo que pode mudar o rumo da relação, como uma confissão ou uma separação temporária.

3.5.5. Desfecho: 
A resolução do conflito, que pode levar a um final feliz ou a uma reflexão sobre o amor. 
Exemplo: um reencontro que reafirma os sentimentos.

3.6. CONSIDERAÇÕES

Cada gênero exige nuances específicas na estrutura do enredo, mas a essência da narrativa permanece a mesma: construir uma jornada emocional que envolva o leitor. O planejamento cuidadoso de cada parte do enredo ajudará a alcançar um conto impactante e coeso, independentemente do gênero.
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JOSÉ FELDMAN (71) é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo, ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura trovadoresca. Sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final do século XX. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Ocupa cadeira na Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura, Academia do Movimento Internacional, Confraria Brasileira de Letras e Academia de Letras Internacional Brasil-Suíça. Agraciado com o título de Comandante Supremo do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo "Euclides da Cunha", em Berna/Suiça; título Magnus Magister, em Portugal; Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc. É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica. No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa. Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente.

(José Feldman. Dissecando a Magia do Texto. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.)

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Conto & Crônica: Da Ideia à Publicação (Parte 2)

curso ministrado por José Feldman
2. ENREDO: ESTRUTURA E IMPORTÂNCIA

O enredo é a espinha dorsal de um conto, composto por uma sequência de eventos que guiam a narrativa. Ele é fundamental para manter o interesse do leitor e pode ser dividido em várias partes:

2.1. Estrutura do Enredo

A estrutura clássica do enredo pode ser mapeada em cinco elementos principais:

2.1.1. Exposição: 
Introduz os personagens principais, o cenário e o contexto. É onde o leitor começa a entender a situação inicial.

2.1.2. Incitação: 
Um evento que desencadeia o conflito principal. Esse momento é crucial para prender a atenção do leitor.

2.1.3. Desenvolvimento: 
A série de eventos que envolvem o conflito, onde o protagonista enfrenta obstáculos e desafios. Este é o momento de maior tensão.

2.1.4. Clímax: 
O ponto culminante da história, onde a tensão atinge seu ápice e as escolhas dos personagens têm consequências significativas.

2.1.5. Desfecho: 
A conclusão, onde as consequências do clímax são resolvidas, e a história chega a um fechamento.

2.2. Pontos Importantes do Enredo

2.2.1. Coerência: 
Cada evento deve se relacionar com o conflito central e contribuir para o desenvolvimento da trama.

2.2.2. Ritmo: 
O ritmo deve ser cuidadosamente ajustado para manter o interesse do leitor. A alternância entre momentos de tensão e calma pode ser eficaz.

2.2.3. Conflito: 
Este é o coração do enredo. Um bom conflito, seja interno (dentro do personagem) ou externo (entre personagens ou forças), é essencial.

2.2.4. Reviravoltas: 
Surpresas podem manter o leitor cativado, desde que sejam coerentes com a lógica interna da narrativa.

2.3. Erros Comuns de Escritores Iniciantes

2.3.1. Falta de Planejamento: 
Muitos escritores começam sem um esboço claro, resultando em um enredo confuso e sem foco. Um planejamento básico ajuda a delinear os principais eventos.

2.3.2. Introduzir Múltiplos Conflitos: 
Há uma tendência de tentar adicionar muitos conflitos, o que pode desviar a atenção do conflito principal e tornar a história dispersa.

2.3.3. Desenvolvimento Irregular: 
O enredo pode ter partes arrastadas ou muito apressadas. Uma boa alteração entre momentos de ação e reflexão é crucial.

2.3.4. Final Previsível: 
Finais previsíveis podem decepcionar o leitor. É importante criar um desfecho que surpreenda, mas que ainda faça sentido dentro da narrativa.

2.3.5. Personagens Unidimensionais: 
Personagens sem profundidade podem fazer o enredo parecer raso. É essencial que os personagens tenham desejos, medos e complexidades.

2.4. Como Cativar o Leitor

2.4.1. Início Forte: 
Comece com uma cena impactante ou uma pergunta intrigante que faça o leitor querer saber mais.

2.4.2. Construção de Tensão: 
Aumente gradualmente a tensão ao longo da narrativa. Cada evento deve levar a uma maior expectativa para o clímax.

2.4.3. Caracterização Profunda: 
Desenvolva personagens com os quais os leitores possam se identificar ou se envolver emocionalmente.

2.4.4. Diálogos Verossímeis: 
Diálogos bem escritos podem revelar personalidade e avançar o enredo simultaneamente.

2.4.5. Elementos Sensoriais: 
Use descrições ricas que permitem ao leitor visualizar, ouvir, sentir e experimentar a história.

2.4.6. Conclusão Reflexiva: 
Um desfecho que provoca reflexão deixa um impacto duradouro e faz o leitor pensar sobre o que leu.

2.5. Considerações
Um enredo bem construído é essencial para a eficácia de um conto. Ao evitar erros comuns e focar em cativar o leitor, escritores iniciantes podem criar histórias mais envolventes e memoráveis. A prática, o feedback e a leitura crítica são fundamentais para aprimorar as habilidades de narrativa e desenvolvimento de enredos.
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continua…
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JOSÉ FELDMAN (71), paulistano, radicado em Floresta/PR, poeta, trovador, escritor, copidesque, professor, escreve desde 1965.

Fonte:
José Feldman. Dissecando a Magia dos Textos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Conto & Crônica: Da Ideia à Publicação Parte 1

curso ministrado por José Feldman

1. O CONTO

Um conto é uma narrativa breve que explora um tema, um conflito ou uma situação específica. Seus componentes principais são:

1.1. Enredo
O enredo é a sequência de eventos que compõem a história. Geralmente, está estruturado em três partes:

1.1.1. Introdução: 
Apresenta os personagens e o cenário. Exemplo: No conto "A Cartomante", de Machado de Assis, somos apresentados a uma relação amorosa e ao ambiente em que se desenrola.
  
1.1.2. Desenvolvimento: 
É aqui que o conflito principal se apresenta e se desenvolve. Exemplo: No conto "O Aleph", de Jorge Luis Borges, o personagem encontra um ponto no espaço que contém todos os outros, gerando um intenso conflito interno.

1.1.3. Desfecho: 
Conclui a história, trazendo resoluções ou revelações. Exemplo: Em "A Última Flor do Lácio", de Olavo Bilac, o desfecho destaca a importância da língua portuguesa.

1.2. Personagens

Os personagens são essenciais para a narrativa. Eles podem ser:

1.2.1. Protagonista: 
O personagem principal, que enfrenta o conflito. Exemplo: Gregor Samsa em "A Metamorfose", de Franz Kafka.
  
1.2.2. Antagonista: 
O que se opõe ao protagonista. Exemplo: O destino implacável em "O Conto da Aia", de Margaret Atwood.

1.3. Tema
O tema é a ideia central que o conto explora. Pode ser algo como amor, morte, a condição humana, etc. Exemplo: O tema da solidão em "A Menina que Roubava Livros", de Markus Zusak.

1.4. Ambiente
O ambiente inclui o tempo e o lugar onde a história se desenrola. Exemplo: O ambiente gótico em "A Queda da Casa de Usher", de Edgar Allan Poe, contribui para a atmosfera sombria do conto.

1.5. Ponto de Vista
Refere-se à perspectiva a partir da qual a história é contada. Pode ser:

1.5.1.Primeira pessoa: 
O narrador é um personagem da história. Exemplo: "O Lobo e os Sete Cabritinhos", narrado por um dos cabritinhos.
  
1.5.2.Terceira pessoa: 
O narrador é externo à história. Exemplo: "O Gato Preto", de Poe, é narrado em terceira pessoa, permitindo uma visão ampla dos eventos.

1.6. Estilo
O estilo inclui a escolha de palavras, o tom e a voz do narrador. Pode ser:

1.6.1. Realista: 
Exemplo: "Conto de Natal", de Charles Dickens, tem um tom mais sério e descritivo.
  
1.6.2. Fantástico: 
Exemplo: Os contos de fadas como "A Bela Adormecida" têm um tom mais lúdico e mágico.

1.7 Considerações
Esses componentes se interconectam para criar uma narrativa coesa e envolvente. Analisando um conto, podemos entender como cada elemento contribui para a emoção e a mensagem que o autor deseja transmitir. Por meio da exploração desses elementos, chegamos a uma apreciação mais profunda da obra literária como um todo.
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Fonte:
José Feldman. Dissecando a Magia dos Textos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

José Feldman (A Lâmpada Mágica)


À beira de uma praia deserta, dois amigos de longa data, Joca e Cido, caminhavam sob o sol quente quando algo brilhou na areia. Era uma lâmpada de bronze, antiga e descascada.

Cido, o mais apressado, limpou o objeto e, num estalar de dedos, um gênio surgiu entre fumaças azuis.

— Por terem me libertado, concederei um único desejo que valerá para os dois — trovejou a entidade. — Mas cuidado: o desejo deve ser escolhido em comum acordo até o pôr do sol, ou a lâmpada desaparecerá.

Cido, cujos olhos já brilhavam com a cobiça, gritou imediatamente:

— Quero uma montanha de ouro! Seremos os homens mais ricos do mundo, Joca! Pense nas festas, nos palácios e no poder!

Joca, porém, sentou-se na areia e olhou para o horizonte.

— Cido, o ouro traz ladrões e preocupações. Se tivermos uma montanha de ouro, nossa amizade morrerá na disputa por cada grama. Eu prefiro desejar uma fonte eterna de saúde e paz. Com o corpo são e a mente tranquila, podemos trabalhar e conquistar o que quisermos, sem medo.

A discussão começou. Cido chamava o amigo de tolo; Joca chamava o outro de imprudente. O sol começou a beijar o mar, tingindo o céu de laranja. A ganância de um não cedia à cautela do outro. Cido queria o mundo aos seus pés; Joca queria o mundo dentro de si.

Quando o último raio de sol sumiu no oceano, o gênio soltou uma gargalhada profunda e desapareceu, levando a lâmpada consigo para as profundezas. Os dois ficaram ali, parados na areia escura, com as mãos vazias. Tinham perdido a oportunidade não porque o gênio era ruim, mas porque a ambição de um e a intransigência do outro impediram o equilíbrio.

Moral: 
A oportunidade perdida por falta de entendimento é o maior prejuízo que dois amigos podem sofrer; a teimosia em querer tudo impede que se ganhe o essencial.
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JOSÉ FELDMAN (71) é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo, ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura trovadoresca. Nasceu em São Paulo (SP), em 1954,: sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Residiu em cidades como Curitiba e Ubiratã e em Maringá (PR) no ano de 2011. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por anos no setor hospitalar. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante Supremo do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título Magnus Magister, em Portugal; No Brasil, Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias do célebre. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.  É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores: 1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos; 2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor; 3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Em Portugal e Angola: Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.

Fontes:
José Feldman. Pergola de textos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.
Biografia: Antonio Miranda; Ed. Pragmatha; Confraria Brasileira de Letras, Bonde; Francisco Pessoa, UFRJ, etc.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

José Feldman (Café e Sol)


Texto construído tendo por base a trova de
 Elias Pescador (São Paulo/SP)
Manhãs são novos começos,
festas da vida, alvorada,
da fé que não vê tropeços,
mas a luz no fim da estrada...

Existe um otimismo invencível escondido no tilintar da xícara de café logo cedo. Enquanto o resto do mundo ainda se espreguiça sob os lençóis da dúvida, a manhã se levanta com a petulância de quem ignora os erros de ontem. A trova que celebra o amanhecer como uma "festa da vida" não fala de um evento de gala, mas dessa celebração silenciosa que acontece quando a luz rasga a cortina e nos convida para o baile da existência.

A manhã é o rascunho em branco que o destino nos entrega todos os dias. É o momento em que a alma se calça de uma fé teimosa, aquela que, como diz o verso, "não vê tropeços". Não é que os buracos no caminho tenham sumido durante a noite; é que, sob o brilho da alvorada, a nossa visão se ajusta para focar no destino, e não nos calhaus que tentam nos deter. A luz da manhã tem esse poder de higienizar o espírito, lavando o cansaço da véspera com o orvalho da esperança.

Viver cada amanhecer como um "novo começo" exige uma certa inocência. É preciso esquecer, por um instante, as estatísticas, os boletos e as notícias cinzentas, para acreditar piamente que hoje as coisas podem ser diferentes. A luz no fim da estrada, mencionada pelo poeta, não é um farol distante e inalcançável; é o sol que já está batendo no rosto, provando que a caminhada vale a pena simplesmente porque a estrada continua ali, aberta e convidativa.

Se a vida é uma sucessão de tropeços, a manhã é o mestre que nos ensina a levantar. Ela nos lembra que o tempo não é uma linha reta que se esgota, mas um ciclo de renascimentos. A cada alvorada, recebemos o alvará de soltura das nossas próprias falhas.

Que saibamos honrar essa festa diária. Que ao abrir a janela, a gente não veja apenas o trânsito ou a rotina, mas a oportunidade monumental de ser uma versão mais luminosa de nós mesmos. Afinal, para quem tem a luz no fim da estrada como guia, o caminho deixa de ser um fardo e passa a ser, ele próprio, a recompensa.

Qual é o pequeno ritual da sua manhã que mais te ajuda a sentir esse "novo começo" e renovar a sua fé para o dia?
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JOSÉ FELDMAN (71) é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo, ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura trovadoresca. 
Nasceu em São Paulo (SP), sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por anos no setor hospitalar. 
Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importante veículo de informação literária, o seu blog Singrando Horizontes já alcançou a marca inédita de 5 milhões de leitores e 20 mil publicações. Ocupa cadeira na Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura, Academia do Movimento Internacional, Confraria Brasileira de Letras e Academia de Letras Internacional Brasil-Suíça. Agraciado com o título de Comandante Supremo do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo "Euclides da Cunha", em Berna/Suiça; título de mérito das Letras, em Portugal; Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.  
É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica. No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa. Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Em Portugal e Angola: Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente.

(José Feldman. Caleidoscópio da Vida. vol. 2. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine., 2026)