Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 31 de março de 2019

I Concurso de Trovas Singrando Horizontes (2 de Abril a 30 de Junho de 2019)


Realização: Blog Pavilhão Literário Singrando Horizontes (http://singrandohorizontes.blogspot.com), criado por José Feldman.

Parceria: ABT - Academia Brasileira de Trova, Tertúlia Luso-Brasileira de Trovadores, ALAP - Academia de Letras e Artes de Paranapuã e AVIPAF – Academia Virtual Internacional de Poesias, Artes e Filosofia.

Comemorando 11 anos de atividade quase que ininterrupta, com cerca de 12.650 postagens de vários gêneros literários, 250 assinantes e quase 2.000.000 leitores, o blog Pavilhão Literário Singrando Horizontes, criação de José Feldman, lança o I Concurso de Trovas “Singrando Horizontes”, aberto a todos interessados, independente de idade, sexo ou associações a entidades deste gênero.


MUITA ATENÇÃO NOS PRAZOS, 20 DE JUNHO PARA ENVELOPES E 30 DE JUNHO PARA E-MAILS, esta diferença se deve aos atrasos na entrega das correspondências pelo serviço de correios.
Após o encerramento haverá uma espera de mais 5 dias para os envelopes que podem estar atrasados nos correios, e ao final do quinto dia as trovas serão enviadas para julgamento.
 1. Âmbito Nacional/Internacional (Língua Portuguesa):

Temas:
Veteranos: Horizonte/s (l/f)
Novo Trovador: Poesia/s (l/f)
 
Novo Trovador é aquele que não obteve até a divulgação deste regulamento 3 (três) classificações em concursos de trovas oficiais da UBT, a nível nacional, independente de ser associado ou não à UBT.

     § - Apesar de o concurso seguir as normas adotadas pela União Brasileira de Trovadores, ele é independente, sem qualquer vínculo com a UBT. Portanto, qualquer resultado que houver, não será válido para cômputo na UBT.

Sistema de Envelopes (veja como enviar nas normas abaixo) (Prazo: 20 de Junho)

Enviar para:
André Ricardo Rogério
Rua Açurana, 377 Bloco 9 apt. 302
Jardim Santo Antonio
CEP: 86705-660 - Arapongas/PR


Por E-mail (Prazo: 30 de Junho)
para o Fiel Depositário: José Feldman
E-mail: singrandohorizontes2019@gmail.com


Como enviar trovas por e-mail (no corpo do e-mail):
Assunto: I Concurso de Trovas Singrando Horizontes – Âmbito Nacional/Internacional
Acima da Trova: Tema e Categoria (Novo Trovador ou Veterano)
Abaixo da trova: Nome inteiro, cidade/estado/país, telefone para contato, e-mail para contato. Não serão aceitos anexos.
 
Máximo de 2 Trovas por concorrente.
 
Aconselha-se que enviem as trovas por e-mail, em virtude de os correios estarem com muitos atrasos em entregas simples.

2. Âmbito Estadual (Somente Paraná):

Temas:
Veteranos: Horizonte/s (l/f)
Novo Trovador: Poesia/s (l/f)
 
Novo Trovador é aquele que não obteve até a divulgação deste regulamento 3 (três) classificações em concursos de trovas oficiais da UBT, a nível nacional, independente de ser associado ou não à UBT.
     § - Apesar de o concurso seguir as normas adotadas pela União Brasileira de Trovadores, ele é independente, sem qualquer vínculo com a UBT. Portanto, qualquer resultado que houver, não será válido para cômputo na UBT.

Sistema de Envelopes (veja como enviar nas normas abaixo) (Prazo: 20 de Junho)

Enviar para:
André Ricardo Rogério
Rua Açurana, 377 Bloco 9 apt. 302
Jardim Santo Antonio
CEP: 86705-660 - Arapongas/PR


Por E-mail (Prazo: 30 de Junho)
para o Fiel Depositário: José Feldman
E-mail: singrandohorizontes2019@gmail.com


Como enviar trovas por e-mail (no corpo do e-mail):
Assunto: I Concurso de Trovas Singrando Horizontes – Âmbito Estadual
Acima da Trova: Tema e Categoria (Novo Trovador ou Veterano)
Abaixo da trova: Nome inteiro, cidade/estado/país, telefone para contato, e-mail para contato. Não serão aceitos anexos.
 
Máximo de 2 Trovas por concorrente.
Aconselha-se que enviem as trovas por e-mail, em virtude de os correios estarem com muitos atrasos em entregas simples.

3. Academia Brasileira de Trovas (ABT)
Somente para membros da Academia Brasileira de Trovas. Não existe distinção entre Novos Trovadores e Veteranos.

Os trovadores membros da Academia Brasileira de Trova, excepcionalmente, podem participar também na categoria Nacional/Internacional, contudo não podem concorrer com as mesmas trovas da ABT.

Tema: Horizonte/s (l/f)

Por E-mail
para o Fiel Depositário: José Feldman
E-mail: singrandohorizontes2019@gmail.com


Como enviar trovas por e-mail (no corpo do e-mail):
Assunto: I Concurso de Trovas Singrando Horizontes – Âmbito: ABT
Abaixo da trova: Nome inteiro, cidade/estado/país, telefone para contato, e-mail para contato. Não serão aceitos anexos.
Máximo de 2 Trovas por concorrente.

4. PAÍSES DE LÍNGUA HISPÂNICA
 
Tema: La palabra “Poesía”, deberá estar dentro de cada trova (líricas o filosóficas)

Por correo electrónico 

En lengua española para la “fiel depositária”
Cristina Olivera Chávez
correo electrónico: ColibriRoseBelle@aol.com


O por Sistema de Sobres
Maria Luiza Walendowsky
Rua Clementina D. Sgrott, 110
Bairro São luiz
CEP. 88351-708
Brusque – Santa Catarina

Se recomienda usar el sistema de correo electrónico, debido al retraso por correo postal.
 
NORMAS PARA O CONCURSO EM LÍNGUA PORTUGUESA

1. Máximo de 2 (duas) trovas em cada categoria
    §1 – O trovador somente poderá participar em uma categoria.
 
2. Sistema de envelopes
As trovas devem ser coladas na face de um pequeno envelope. Dentro dele deverá estar o nome do autor completo com seus dados pessoais: cidade/estado/país, e-mail para contato, telefone fixo (e operadora para contato, no caso de celular. Ex: TIM, Vivo, Claro, etc.).
    Na face externa do envelopinho a trova (DIGITADA ou DATILOGRAFADA, não serão aceitas manuscritas), o tema no alto da trova e categoria que concorre (Nacional/Internacional ou Estadual). Caso seja Novo Trovador, colocar abaixo da trova esta categoria. Lacrar o envelope. Num envelope maior colocar o nome e endereço a quem deve enviar, e no remetente, o mesmo endereço para quem está enviando, e o nome Luiz Otávio.

Observação: A trova deve ser digitada (datilografada), não serão aceitas trovas manuscritas.
 
Exemplo:


 

§ - Seja por envelopes ou por email, é necessário constar a que categoria (Nacional/Internacional ou Estadual) a que concorre.
 
 3. Envio por email, para o Fiel Depositário

Exemplo de envio por email:
 

4. As Trovas devem ser inéditas, isto é, que não tenham sido premiadas em outros concursos ou divulgadas pela Internet ou outros meios de divulgação até a data da publicação do resultado.
 

5. O Trovador só poderá participar em 1 (uma) categoria ou 1 (um) âmbito. Exs: Se for Novo Trovador não poderá participar de Veteranos também, ou vice-versa. Se for do Paraná, só poderá participar no Estadual.
§1 - Muita atenção a qual categoria concorre (Nacional ou Estadual).
§2 – Excepcionalmente, os trovadores da Academia Brasileira de Trova podem participar do âmbito Nacional/Internacional, contudo, não poderão ser as trovas que concorrem na ABT. Caso isto ocorra, as do Nacional/Internacional serão automaticamente eliminadas.

6. O Prazo se encerra em 20 DE JUNHO DE 2019 (válido o carimbo do correio) para os envelopes, ou até meia-noite de 30 DE JUNHO, se for por e-mail.
 
7. Será considerado Novo Trovador, aquele trovador que não obteve até a divulgação deste regulamento 3 (três) classificações em concursos de trovas oficiais da UBT, a nível nacional, independente de ser associado ou não à UBT.
 
8. Os resultados serão divulgados no blog Pavilhão Literário Singrando Horizontes (singrandohorizontes.blogspot.com.br), facebook, emails enviados aos premiados, revistas virtuais, academias, sites e jornais.
 
9. As decisões das comissões julgadoras serão definitivas.
 
10. A premiação, composta de certificados, será enviada diretamente aos premiados via e-mail.
 
11. A participação no concurso significa aceitação plena das normas aqui relacionadas.

Maringá, 30 de março de 2019.
José Feldman
criador do Blog Pavilhão Literário Singrando Horizontes
contatos: singrandohorizontes2019@gmail.com

I Concurso de Trovas “Singrando Horizontes” (Plazo: 02 de Abril a 30 de Junho de 2019) Países de Língua Hispânica



Reglamento em Lengua Hispânica: 
  
Realización: Blog Pabellón Literário Singrando Horizontes, ABT – Academia Brasileira de Trova, Tertúlia Luso-Brasileira de Trovadores, ALAP – Academia de Letras e Artes de Paranapuã e AVIPAF – Academia Virtual Internacional de Poesías, Artes e Filosofia.
Promotor del Concurso:
José Feldman – creador do Blog Pabellón Literário Singrando Horizontes (https://singrandohorizontes.blogspot.com)
Ciudad: Maringá/PR
País: Brasil

TEMA: POESÍA

REGLAMENTO:

TROVA CLÁSICA  es una composición poética de cuatro versos octosílabos, rimando el 1º  verso con el 3º y el 2º verso con el 4º rima  abab. Expresando un pensamiento completo. La rima debe ser consonante, contando hasta la última sílaba tónica.

A) Cada trovador o trovadora podrá enviar, una única  trova, (1) trova   inédita y de su autoría. No podrán ser publicadas en ningún sitio, hasta que se den los resultados por parte de los Jueces.

B) Cada Trova, en lo posible, deberá ser enviada en formato Arial 12 puntos sin espacio.

C) Las Trovas concursantes deberán ser Líricas o Filosóficas. No se aceptarán Trovas que puedan resultar ofensivas o vayan contra el mensaje de favorecer la paz.

D) El Tema de la Trova será la palabra POESÍA, tema escogido por el Promotor del Concurso.

E) La palabra POESÍA deberá estar dentro de la Trova y ésta debe mantenerse dentro del tema propuesto y desarrollado.

F) Serán descalificados los trabajos que lleven faltas de ortografía, o sean enviados con mayúsculas donde no corresponda, sin datos completos, o no cumplan con el formato anteriormente explicado.

G) NO SE ACEPTARÁN ARCHIVOS ANEXOSToda la información debe ir solamente en el cuerpo del correo y en el " asunto" mencionar  I Concurso de Trovas de SINGRANDO HORIZONTES.

H ) Lanzamiento del concurso: 2 de abril de 2019
Fecha plazo: 30 de Junio 2019 (a la medianoche)

Las Trovas en lengua española  podrán  ser remitidas por sistema vía e-mail a la depositária de confianza
Cristina Olivera Chávez

Con los datos del concursante:
(llenen la plantilla de ejemplo)

Nombre y Apellido:
Ciudad:
País:
E-mail:

O por el sistema de sobres correo postal:
(Se recomienda usar el sistema de correo electrónico, debido al retraso por correo postal)

Maria Luiza Walendowsky
Rua Clementina D. Sgrott, 110
Bairro São luiz
CEP. 88351-708
Brusque – Santa Catarina

Coordinadora final: Maria Luiza Walendowski

El jurado lo compondrán integrantes con gran experiencia en literatura hispana incluyendo la poesía. Los miembros del jurado evaluarán de manera ciega e independiente, es decir, sin conocer los nombres de los autores ni de los otros miembros y también se eximen de participar en el concurso.

José Feldman
Promotor del Concurso
Creador del Blog SINGRANDO HORIZONTES
(http://singrandohorizontes.blogspot.com)

sábado, 30 de março de 2019

Odenir Follador (Ponta Grossa, Princesa dos Campos Gerais)


Salve, salve, oh! Querida Ponta Grossa,
 Princesa encantada dos Campos Gerais!
Das verdes campinas és a alma nossa.
Brancas asas, o início... Esquecer jamais!

De seus prédios e casarões alvissareiros,
das ruas seminuas no entorno da praça.
Onde havia até transporte de passageiros;
a Estação Saudades e a Maria Fumaça!

Havia também outro meio de transporte:
quatro linhas de ônibus no Ponto Azul
que ligava todos os bairros dando suporte,
num irrequieto vai e vem, de Norte a Sul.

E muito próximos, com porte magistral:
a fonte da Praça Barão do Rio Branco,
o Coreto e a nossa imponente Catedral;
magia dourada de um momento franco.

Indústrias Wagner com chaminé altaneiro,
da Cia. Adriática e da cerveja Original!
Nas ruas: cavalos, carroças e carroceiro
movendo e agitando o centro comercial.

As muitas lojas, comerciais e industriais
foram demolidas, sequer preservadas!
Só lembranças...  Hoje não existem mais!
Pela moderna construção, foram trocadas.

Oh! Querida Princesa dos Campos Gerais;
que saudades... Recordação e Nostalgia!
Lembranças que não apagarão jamais,
da candura e doçura que tivemos um dia.

Fonte: O poeta

Leon Eliachar (O Pileque)


Airton saiu da boate cambaleando, não viu quando um automóvel quase o pegou. Não viu, mas ouviu:

- Sai da frente, ó palhaço!

Riu sozinho, porque nem levou susto. Olhou para o alto, viu uma porção de janelas iluminadas, como se fossem manchetes da solidão que domina Copacabana, às quatro da madrugada. Queria ir pra casa, mas não se lembrava onde morava. Seus amigos quiseram colocá-lo num táxi:

- Deixa que sei ir sozinho.

Veio andando, andando, sem rumo certo, duas moças o abordaram:

- Está sem sono, meu bem?

Airton disse um palavrão, ouviu dois, saiu resmungando, esbarrou num guarda:

- Tem fogo aí, ô meu chapa?

O guarda acendeu seu cigarro, aproveitou pra filar um, tentou puxar um papo mas Airton preferiu continuar andando. Agora o dia já estava clareando, o sol vermelho esticava as sombras de algumas pessoas que começavam a sair e ele ainda nem tinha voltado. Sentou-se no degrau de um edifício, chegou um homem pra reclamar, dizendo que era contra o regulamento. Airton achou graça do regulamento, porque o homem era um lavador de automóveis e estava completamente nu. Levantou-se, sem discutir, levou de sobra os respingos da mangueira, mas não perdeu a pose:

- Quanto é a lavagem?

Continuou andando, entrou num boteco:

- Média, pão e manteiga.

Comeu devagarinho, pagou, misturou-se com a multidão de homens e mulheres apressados que tentavam condução para o trabalho. Sentiu-se diferente dos outros, quis ficar com pena deles, mas acabou com pena de si mesmo, quando percebeu que estava com um dia de atraso: os outros já estavam vivendo o dia seguinte e ele ainda estava no ontem.

- Táxi! Táxi!

Saltou na porta de casa, decidido de que este seria o seu último pileque. Abriu a porta com cuidado, entrou devagarzinho, sem fazer o menor ruído. A mulher já estava na cozinha, preparando o café das crianças:

- É você, Airton?

Não teve outro jeito:

- Sou eu. Tive de fazer serão novamente, acabei num bar com os amigos, juro que foi a ultima vez, meu bem.

A mulher não disse uma palavra, deu-lhe um copo de leite:

- Acho bom você dormir um pouco, deve estar muito cansado.

Ele passou pelo quarto dos meninos, deu um beijo na testa de cada um. O menorzinho acordou, bocejando:

- Você já vai trabalhar, papai?

Sentiu vergonha de ser marido, de ser pai, de ser chefe de família. Retirou-se para o seu quarto, vestiu o pijama, cerrou as cortinas, para que a escuridão envolvesse o seu drama. Ficou pensando em Nina, sua amante, comparou-a com a mulher. Há três anos que a conhecera e há duas semanas que havia decidido romper, definitivamente, para salvar o seu lar. Mas não conseguia esquecê-la, daí ter apelado para a bebida. Saía sozinho, todas as noites, voltava de madrugada, não sabia sequer se a mulher aceitava suas desculpas ou se o aceitava assim mesmo como era, porque o amava muito.

Não conseguia dormir, não conseguia trabalhar, não conseguia mais nada. Deitava-se às oito da manhã, levantava-se as duas. Há quinze dias não almoçava nem jantava em casa e sua família não merecia isso. No escritório, resistia a tentação de uma reconciliação com "a outra":

- Diz que não estou.

À noite era um desajustado, um homem incompatibilizado consigo mesmo, tentando lavar com a bebida um passado ainda recente. Entrava nas boates, juntava o seu drama a outros dramas semelhantes, na efervescência do álcool. Todos sorriam, mas ninguém levava o sorriso pra casa. Pior que o cansaço, a insônia. Levantou-se, trocou novamente de roupa, foi tomar café com a mulher:

- Você não vai dormir, meu bem?

Sentiu-se forte com a doçura e a compreensão da mulher:

- Não tenho sono, preciso decidir um negócio muito importante hoje.

Tomaram café, ele saiu apressado. À noite, trouxe balas para os filhos e flores para a mulher. Jantaram juntos, com luz de vela. De madrugada, ao lado de seis garrafas de champanha vazias, os dois estavam caídos, também vazios. Acordaram quase juntos, com o primeiro raio de sol. Ela apertou sua mão, com um sorriso feliz, ele disse, sem virar o rosto do chão:

- Meu Deus, já é dia claro, tenho de voltar pra casa!

Fonte:
Leon Eliachar. A mulher em flagrante, 1969.

J. G. de Araújo Jorge (Inspirações de Amor) III


AQUELE MEU BALÃO...

Levei o dia todo, a minha tarde inteira,
não joguei futebol e até nem quis brincar
de soldado e ladrão...
Ajoelhado na sala, a minha brincadeira
foi cortar os papéis de cores, e os juntar
fazendo o meu balão...

Só tarde, quando o céu, lá na altura se encheu
de outros muitos balões - eu o levei para a rua
entre grande escarcéu...
Nem sei como o fizera - era mais alto que eu!...
- havia de passar bem juntinho da lua
até tocar no céu!...

Olhando-o não cabia em mim minha alegria,
e a todos, um a um, apontava contente:
- vê? Fui eu que fiz...
Depois... Eu o acendi... Que bola ele fazia!...
- Foi inchando... crescendo... encheu completamente!...
Como fiquei feliz!...

Afinal... vendo-o cheio a vacilar... Soltamos!...
E ele ergueu-se no espaço... e em coro a garotada
gritou numa explosão:
Vai subir !... Vai subir !... Mas, logo nos calamos...
Na noite de luar, na noite enluarada
- pegou fogo o balão !...
.........

Hoje, às vezes, me lembro do balão queimado
e choro ao reviver as coisas do passado
que o  tempo sepultou...
- É que eu fiz, outra vez, depois daquela idade,
um balão bem maior: - o da Felicidade
que a vida incendiou !...

ASSIM...

Assim foi nosso amor... um sonho que viveu
de um sonho, e despertou na realidade um dia...
Um pouco de quimera ao léu da fantasia...
Um flor que brotou e num botão morreu...

Embora sendo nosso, este amor foi só meu,
porque o teu, não foi mais que pura hipocrisia,
- no fundo, há muito tempo, a minha alma sentia
este fim que o destino afinal já lhe deu...

Não podes, bem o sei  - sendo mulher como és,
saber quanto sofri, vendo esta flor desfeita
e as pétalas no chão, pisadas por teus pés...

Que importa ? Hás de sofrer mais tarde - a vida é assim...
Esse mesmo sorrir que agora te deleita
é o mesmo que depois há de amargar teu fim !...

AURORA SERTANEJA
Há silêncio na sombra, e o choro das ramadas
 é a música da noite em plena solidão...
 A lua se desmancha em luz na escuridão,
prateando a areia branca e fina das estradas...

As matas, raramente, aqui e ali, rasgadas
pelos raios do luar - deixam ver pelo chão,
- ora um curso de riacho em suave lentidão,
ora as cinzas e os paus no claro das queimadas

Na frescura do espaço há místicos perfumes,
e na noite sensual, como estrelas errantes,
cintilam, sem parar, milhões de vaga-lumes...

E em meio à natureza encantada e pagã,
no estojo azul do céu, bordado de brilhantes,
multicor vai se abrindo o leque da manhã!…

BAZAR DE RITMOS...

Nas vitrinas há luz!... Está em festa o bazar
de ritmos, de sons, estranhos e diversos,
- onde canta a minha alma dentro dos meus versos
como num búzio canta e ecoa a voz do mar!

Quantos versos compus!... E que diversidade
de momentos... de estado de alma... nos meus sons!
- traduz bem um bazar, a minha mocidade
na confusão febril das suas sensações...

Sensações que são minhas, por meu Ser sentidas,
mesmo aquelas talvez mais rubras... mais bizarras...
- sinfonia de uma alma onde há notas perdidas
de violinos, pardais, pandeiros e cigarras!

Violinos, - nos meus poemas vagos, doloridos...
pardais, - nos meus trinados de alegria e amor...
pandeiros, - na cadencia ruim de meus sentidos,
e cigarras, nos versos cheios de calor!

BAZAR DE RITMOS!

Há dentro do bazar a estranha sinfonia
que escrevi para o mundo em toda orquestração,
- é a música da vida, um ser de cada dia
a desdobrar os "eus" da minha multidão...

Há ritmos que riem! Ritmos que gritam!
- vibrações como guizos finos e estridentes...
- emoções como sinos brônzeos e soturnos...

E, assim, nessa alternância, no meu Ser se agitam
- pedaços de rapsódias vivas e contentes...
- trechos emocionais e tristes de noturnos!...

Nas vitrinas há luz!... Está em festa o bazar!
Há sonhos... ilusões... lembranças... e segredos...
Tudo isto para a vida criança vir comprar,
e insensível destruir meus últimos brinquedos!

BONECAS ... BONECOS ...
Uma vez, apanhei a boneca mais rica,
a boneca mais rica e mais graciosa
que a minha prima tinha...
Na Corte, só formada de bonecas,
minha prima a julgava a mais formosa
e a elegera a rainha...

Foi certa vez - ainda me lembro bem,
era um garoto assim pelos seis anos
e por ouvir falar em coração,
quis ver se na boneca tão bonita
existiria um coração também.

E se isso quis saber
e se eu assim pensava,
era porque essa prima me mostrava
um boneco vestido de palhaço,
alegre e folgazão,
por quem - dizia ela muitas vezes -
tinha a boneca um grande amor oculto
e uma grande paixão.

Um dia, apanhei a boneca, e escondido
rasguei o seu vestido
e furando-a no peito com a tesoura,
vi, com surpresa, em vez de sangue humano
só pedaços de pano...

Não achei no seu corpo o que queria
e vendo que a boneca era vazia
e o boneco também,
o que senti na minha alma de criança
explicar já não sei,
- lembro-me apenas, e isso com certeza.
- tenho bem vivo ainda na lembrança -
que não achando os corações no peito
dos bonecos...
- chorei...

II

Hoje. .. vai bem distante esse episódio
nos sem-fins da memória,
e por certo talvez o esqueceria
se você não entrasse em minha vida
transformando o episódio numa história...

Em meu viver, você representou
o papel da boneca;
- eu, simplesmente,
fiz a criança de novo, e ingenuamente
mais uma vez a vida me enganou . . .

Ao descobrir, no entanto, o meu engano
vendo-a tão fútil
linda, mas vazia,
- já não chorei minha desilusão...
Mas fiz - com que tristeza !... - esta poesia,
invejando o destino dos bonecos      
que nascem sem coração !

Fonte:
J. G. de Araújo Jorge. Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou. vol. 1. SP: Ed. Theor, 1965.

Clarice Lispector (Come, Meu Filho)


O mundo parece chato mas eu sei que não é. Sabe por que parece chato? Porque, sempre que a gente olha, o céu está em cima, nunca está embaixo, nunca está de lado. Eu sei que o mundo é redondo porque disseram, mas só ia parecer redondo se a gente olhasse e às vezes o céu estivesse lá embaixo. Eu sei que é redondo, mas para mim é chato, mas Ronaldo só sabe que o mundo é redondo, para ele não parece chato.

- ...

- Porque eu estive em muitos países e vi que nos Estados Unidos o céu também é em cima, por isso o mundo parecia todo reto para mim. Mas Ronaldo nunca saiu do Brasil e pode pensar que só aqui é que o céu é lá em cima, que nos outros lugares não é chato, que só é chato no Brasil, que nos outros lugares que ele não viu vai arredondando. Quando dizem para ele, é só acreditar, pra ele nada precisa parecer. Você prefere prato fundo ou prato chato, mamãe?

- Chat... raso, quer dizer.

- Eu também. No fundo, parece que cabe mais, mas é só para o fundo, no chato cabe para os lados e a gente vê logo tudo o que tem. Pepino não parece inreal?

- Irreal.

- Por que você acha?

- Se diz assim.

- Não, por que é que você também achou que pepino parece inreal? Eu também. A gente olha e vê um pouco do outro lado, é cheio de desenho bem igual, é frio na boca, faz barulho de um pouco de vidro quando se mastiga. Você não acha que pepino parece inventado?

- Parece.

- Onde foi inventado feijão com arroz?

- Aqui.

- Ou no árabe, igual que Pedrinho disse de outra coisa?

- Aqui.

- Na Sorveteria Gatão o sorvete é bom porque tem gosto igual da cor. Para você carne tem gosto de carne?

- Às vezes.

- Duvido! Só quero ver: da carne pendurada no açougue?!

- Não.

- E nem da carne que a gente fala. Não tem gosto de quando você diz que carne tem vitamina.

- Não fala tanto, come.

- Mas você está olhando desse jeito para mim, mas não é para eu comer, é porque você está gostando muito de mim, adivinhei ou errei?

- Adivinhou. Come, Paulinho.

- Você só pensa nisso. Eu falei muito para você não pensar só em comida, mas você vai e não esquece.

Correção de Trova

Em José Maria Machado de Araújo, postado em 28 de março, a trova correta é:



Mesmo eu sem saber de nada
digo aos crentes e aos ateus:
a eternidade é a estrada
com o tamanho de Deus!


Havia sido postado o primeiro verso erroneamente com 8 versos: "Mesmo eu não sabendo de nada", e o segundo verso iniciado com letra maiúscula. Já corrigido na postagem original.

sexta-feira, 29 de março de 2019

José Feldman (Curitiba 326 anos)

Parque Barigui - Pintura de Jaqueline Braun Loewen
Poema para a Cidade de Curitiba, que completa 326 anos, hoje, 29 de março de 2019.

Curitiba, tu és saudade
de um tempo que se passou.
Como não amar esta cidade
onde minha jornada iniciou?

Lembro bem do Pilarzinho,
do Tanguá e do Tingui,
Bosque do Alemão no caminho
e claro também o Barigui.

No Largo da Ordem, a feira,
Big Pizza, Rua das Rosas,
também uma vida festeira,
sebos, barzinhos e muitas prosas.

Bairro de Santa Felicidade,
restaurantes... que delícia!
Enriquecem esta cidade
numa saudade vitalícia.

Mais um ano se completa,
trezentos e vinte e seis se passaram,
deixa no coração deste poeta
doces lembranças que nunca se apagaram.

III Concurso Internacional de Trovas de Cuba (Prazo: 28 de maio)


O III Concurso de Cuba será promovido pelo Trovador
ALVARO PEREZ TEMES
Vice-presidente da Organização Mundial de Trovadores - O.M.T./CUBA

TROFÉU:
Teresita Fernández García

 
(Santa Clara, 20 de Dezembro de 1930 – Havana, 11 de novembro de 2013)
foi  uma trovadora, narradora e pedagoga, conhecida como a cantora maior por ser a cantora/autora mais destacada na criação musical para crianças cubanas de várias gerações.

TEMA: "LIBERDADE"

REGULAMENTO:

TROVA CLÁSSICA é uma composição poética de quatro versos setissilábicos, rimando o 1º verso com o  3º e o  2º verso com el 4º, rima abab, expressando um pensamento completo. A rima deve ser consonante, contando até a última sílaba tônica.

A) Cada trovador ou trovadora poderá enviar, una trova, (1) trova inédita e de sua autoria. Não poderá ser publicada em nenhum sitio, até que sejam dados os resultados por parte dos Juízes.

B) Cada Trova, se possível, deverá ser enviada em formato Arial 12 pontos sem espaço.

C) As Trovas concursantes deverão ser Líricas ou Filosóficas. Não se aceitará trovas que possam resultar ofensivas ou contra a mensagem de favorecer a paz da OMT .

D) O Tema da Trova será a palavra "LIBERDADE", tema escolhido pelo Promotor do concurso.

E) A palavra " LIBERDADE " deverá estar dentro da trova e esta deve manter-se dentro do tema proposto.

F) Serão desclassificados os trabalhos que levem faltas de ortografia, ou sejam enviados com maiúsculas onde não corresponda, sem dados completos, ou não cumpram com o formato anteriormente explicado ou não tenham sentido comum.

G ) Não se aceitará arquivos anexos. Toda a informação deve ir somente no  corpo do e-mail e no "assunto" mencionar:

III Concurso de trovas de CUBA - Tema: LIBERDADE

Lançamento do concurso: 28 de Março de 2019
Data prazo: até 28 de Maio de 2019

As Trovas em língua portuguesa poderão ser enviadas pelo sistema de e-mail

EM LÍNGUA PORTUGUESA  
Fiel depositária: Cristina Olivera Chávez

E-mail: ColibriRoseBelle@aol.com


Com os dados completos de cada concursante.

Nome e Sobrenome:
Cidade:
País:
E-mail:

Obs:
O júri será composto por integrantes com grande experiência em literatura portuguesa incluindo a poesia. Os membros do  júri avaliarão sem conhecer os nomes dos autores nem  dos outros membros e também se eximem de participar no concurso.

Coordenadora final: Maria Luiza Walendowsky

Fonte:
Cristina Chávez

Concurso Internacional de Trovas do México (Mudança de Tema)

O Concurso de Trovas será promovido pela Poeta e Escritora
María del Socorro Maestro Payró (GÉMINIS)
Vice presidente da Organização Mundial de Trovadores OMT - México

TROFÉU CARLOS PELLICER
(biografia de Carlos na postagem abaixo)

REGULAMENTO:

TROVA CLÁSSICA é uma composição poética de quatro versos de 7 silabas, rimando o 1º verso com o 3º e o 2º verso com o 4º rima abab. Expressando um pensamento completo. A rima deve ser consonante , contando até a última sílaba tônica.

A) Cada trovador poderá enviar, uma trova, ( 1 ) trova inédita e de sua autoria .

Não poderão ter sido publicadas em nenhum lugar, até que se deem os resultados por parte dos Juízes.

B) Cada Trova, no possível, deverá ser enviada em formato Arial 12 pontos sem espaço.

C) As Trovas concursantes deverão ser Líricas ou Filosóficas. Não aceitar-se-ão trovas que possam resultar ofensivas ou vão contra a mensagem de favorecer a paz da OMT

D) O Tema da Trova será a palavra SELVA tema escolhido pela Promotora do concurso.

E) A palavra  SELVA deverá estar dentro da trova e esta deve se manter dentro do tema proposto e desenvolvido.

F) Serão desqualificados os trabalhos que levem faltas de ortografia, ou sejam enviados com maiúsculas onde não corresponda, sem dados completos, ou não cumpram com o formato anteriormente explicado.

G) Não aceitar-se-ão arquivos anexos. Toda a informação deve ir somente no corpo do correio e no 
" assunto" mencionar

Concurso de trovas de MÉXICO tema SELVA

Lançamento do concurso: 27 de Março  2019
Data prazo: 27 de Maio 2019

As Trovas em língua portuguesa poderão ser remetidas por sistema via e-mail à Fiel Depositária   Cristina Olivera Chavez

E-mail:  ColibriRoseBelle@aol.com

Com os dados completos de cada concursante.
Nome e Sobrenome:
Cidade:
País:
E-mail:

MARIA LUIZA WALENDOWSKY
COORDENADORA FINAL
E-mail: inhawalen@hotmail.com

Obs:
O júri será composto por integrantes com grande experiência em literatura  portuguesa. Os membros do júri avaliarão de maneira cega e independente, isto é, sem conhecer os nomes dos autores. nem dos outros membros, e também se eximem de participar no concurso.

Fonte:
Cristina Chaves

Carlos Pelicer (1899 - 1977)


Carlos Pellicer Cámara nasceu em Villahermosa/Tabasco/México, em 1899 e faleceu em Ciudad de México, 1977. Poeta mexicano, considerado o poeta de maior registro e maior intensidade da primeira metade do século XX.

Estudou na Escola Nacional Preparatória de México e, posteriormente, fez estudos em Bogotá, Colômbia. Professor de literatura e de historia em escolas secundárias, foi um excelente periodista e crítico literário. Como promotor cultural, foi museógrafo e impulsionou as artes plásticas, e em sua faceta política exerceu a diplomacia e foi senador da República.

Integrante do círculo de criadores formado em torno da revista Contemporâneos (Jaime Torres Bodet, Salvador Novo, Xavier Villaurrutia, Gilberto Owen, Bernardo Ortiz de Montellano), diferentemente deles não se inclinou por uma poesia metafísica, centrada na consciência. Carlos Pellicer se interessou na exuberância da paisagem natural e os elementos que a integram (o ar, o vento, o fogo). Por isso que a crítica não considere racionalista sua poesia, mas um canto que celebra o mundo.

Destaca-se em sua obra: Colores en el mar y otros poemas (1921), a lírica amorosa de Hora de Junio (1931) y o aspecto religioso de Práctica de Vuelo (1937). Sua maneira singular de contemplar e interpretar a vida dá a seu verso perfis pessoais, que fale do amor humano ou se eleve a cantar ao amor divino. Inimigo férreo do nerudismo, que considerou uma praga para a América, foi um dos escritores mais populares de seu país. Em 1954 recebeu o Prêmio Nacional de Literatura.
 

quinta-feira, 28 de março de 2019

José Maria Machado de Araújo (1922 - 2004)

A água jorrando em cascatas
pelos penhascos da serra,
é o sangue puro das matas
enchendo as veias da terra!

A cruz que às costas tu levas
pesa mais que a minha cruz:
é que eu ponho luz nas trevas
e tu, pões trevas na luz.

Ama, sê bom, e terás
horas tranquilas e calmas...
O amor é um sol que desfaz
a neblina que há nas almas!...

Angústia é a pressão feroz
daquela tristeza ingente,
que é bem maior do que nós
e teima em caber na gente...

Ante as sandálias furadas
que entre cascalhos gastei,
não culpo o chão das estradas,
mas os maus passos que dei.

Ao candidatar-se a Alice,
a modelo, o secretário
deu-lhe uma tanguinha e disse:
- Preencha este formulário...

Ao dentista, todo dia,
vai a noiva do Ventura...
E o noivo nem desconfia
que ela usa dentadura...

Ao pôr-lhe a esmola no prato
pergunto ao surdo, baixinho:
- És mesmo surdo de fato?
E ele: - Surdinho, surdinho!...

Ao vê-la, cheia de encantos
nos braços de outro, não nego,
os meus ciúmes são tantos,
que preferia ser cego!

Após longa caminhada
meus pés, sangrando em ferida,
deixaram no pó da estrada
as reticências da vida...

Aprende, filho, a viver
com amor, paz e alegria,
e eu te juro que hás de ter
mais de um hoje em cada dia.

As crianças ao falar
inventam frases tão belas,
que a gente fica a pensar
que é Deus que fala por elas.

A trova com boa rima
Mas sem um bom pensamento
Lembra uma linda menina
Com cabecinha de vento.

Bendigo o trabalhador
que, sem febre de ambição,
constrói domínios de amor
num pedacinho de chão!

Cite a terceira pessoa
do verbo amar, por favor.
E a voz do aluno ressoa:
- O ciúme, professor!

Com treze pontos que fez
na loteca, o Zé Gambá
já pronuncia, em Francês:
Niterói - "Niteruá"!

Coração, nunca te iludas,
pode ser falso o teu pranto:
há muito santo que é judas...
e muito judas que é santo...

De meu coração cativo
que é fonte de amor imenso,
nascem mágoas - porque vivo;
nascem culpas - porque penso!...

Demitiram o Waldir
da chefia da seção,
por esquecer-se de rir
da piada do patrão!

Deus deposita a ventura
nas almas puras e mansas:
há domínios de ternura
no coração das crianças!

Disse: "Que trova bonita!"
Mas tu não ouviste bem
e logo indagaste aflita:
"Quem é que é bonita, quem?"

Dizes serem diferentes
nossos ciúmes, - convenho:
-Tu sabes por quem os sentes,
eu não sei de quem os tenho!

Dos grandes não tenhas medo
se a razão não te faltar:
olha que um simples rochedo
tem domínio sobre o mar.

Ela é boa e não se poupa...
Vive a limpar, sem mãos frouxas:
de dia – trouxas de roupa,
de noite – roupa de trouxas!...

Ela é tudo em minha vida!
Seu nome... seu nome... Bem,
quem ama mulher proibida
não diz o nome a ninguém!

"Ela voltará, descansa",
a esperança me dizia...
E eu não via que a esperança
por piedade me mentia...

Em cada abismo em que afundo,
eu sempre planto um jardim
para achá-lo mais fecundo
quem cair depois de mim...

Em conflitos e bonanças
nossos destinos se traçam:
nós somos duas crianças
que brigam, depois se abraçam!

Em meu peito amargurado
tantos conflitos abrigo
que, às vezes, fico arrasado
de tanto brigar comigo!...

Em te negar a ternura
que eu tinha e nunca te dei,
quantos anos de ventura
à minha vida roubei!...

Entre a tua e a minha idade,
filho meu, quanta distância! ...
- És a infância da saudade,
sou a saudade da infância. . .

Esses olhos que possuis,
cheios de encanto e calor,
são dois convites azuis
para uma festa de amor!

Estuda, criança, aprende,
te educa enquanto puderes,
que o teu futuro depende
da educação que tiveres!

É tão forte e tão perfeito
o teu olhar, doce e mudo,
que ao infiltrar-se em meu peito
toma o domínio de tudo...

Eu, com outra? - Que maldade!
E tu crês nessa tolice?
- Não houve nem a metade
do que o ciúme te disse!...

É uma loura de lascar
minha secretária, a Elisa.
Só não sabe trabalhar,
mas eu pergunto: e precisa?

Eu sempre soube enfrentar
os conflitos mais violentos:
um velho lobo do mar
não foge à fúria dos ventos!

"Eu sou, sim!"  Ela jurou...
E o rapaz casou com ela.
Não era o que ele pensou,
mas era o signo dela...

Eu tenho amor, tu pureza,
não temas um lar modesto:
a nossa fé põe a mesa
e Deus há de por-lhe o resto...

Feita a macumba, sisudo,
disse-me o velho orixá:
- Oxalá vai lhe dar tudo...
E eu respondi: - Oxalá!...

Finjo ter ciúme agora,
para matar a saudade
daqueles tempos de outrora
em que o tinha de verdade.

Fizemos, na vida ingrata,
do nosso amor um tesouro:
os filhos nos deram prata!
Os netos nos deram ouro!

Há, na vida, uma verdade
que é cumprida com rigor:
- Só se encontra com a saudade
quem teve encontros de amor.

Há nos pais tamanhos brilhos
de meiguices e de afetos,
que alforriados dos filhos,
tornam-se escravos dos netos!

Hoje, na mansão mais alta
do Céu, sem falta de nada,
o artista lamenta a falta
que tem feito à garotada!...

Já fui jovem, mas não pude
tal ventura perceber,
porque a minha juventude
passou por mim sem eu ver!

Lentamente cai a tarde...
E o medo da solidão
vai fazendo com que eu guarde
as tardes no coração.

Louvo os heróis e heroínas
que cruzam o mar da vida
por entre espessas neblinas
e encontram, sempre, saída!

Mesmo eu sem saber de nada
digo aos crentes e aos ateus:
a eternidade é a estrada
com o tamanho de Deus!

Mesmo morta, mãe querida,
a tua luz me alumia,
pois, não morre quem na vida
foi sempre uma estrela guia.

Minhas mãos cheias de amor,
plantam amor pelas ruas...
E mais não plantam, Senhor,
porque só me deste duas!...

Na ânsia de te encontrar
eu dominei mil fracassos,
e não pude dominar
meu coração em pedaços!...

Não a ofendi, "seu" Juiz!
Só disse àquela malvada
o que um motorista diz
quando leva uma fechada!...

Não busquem na vida o "além",
que a busca será perdida,
pois Deus não conta a ninguém
o que existe além da vida.

Não condenes, por favor,
estes ciúmes, meu bem:
- Já viste alguém sem amor
sentir ciúmes de alguém?

Não condenes, por favor,
os meus ciúmes, Maria.
Olha que os cegos de amor
também precisam de guia!

Não deixo, cheio de mágoa,
a esperança me faltar:
eu sei que sou poça d'água
mas tenho sonhos de mar.

Não foste a minha metade,
pois jamais me deste um "sim",
mas fizeste que a saudade
fosse a metade de mim!...

Não tive escola, é verdade,
na minha infância sofrida,
mas com força de vontade
cursei a escola da Vida.

Não tive, por ambição,
o mundo bom que eu queria,
e Deus deu-me um coração
onde esse mundo cabia!

Nascemos irmãos comuns...
Mas, a ambição e os engodos
puseram nas mãos de alguns
o mundo que era de todos!

Nasceu de um simples afeto
o mundo do nosso amor:
o sonho, - foi o arquiteto
e o desejo, - o construtor!

Na trilha do meu destino,
agora quase no fim,
ainda encontro um menino
brincando dentro de mim...

Na vidraça uma pedrada...
Corro à rua... e a raiva passa
ante a criança culpada:
- já quebrei tanta vidraça!...

Nosso amor, em desacerto,
e de mágoas tão coberto,
hoje não tem mais conserto
nem acerto que dê certo!...

Nosso outono é tão bonito
que ao sonho abrimos as portas,
e um amor quase infinito
põe vida nas folhas mortas.

Nunca ambiciones a fama
se não sabes merecê-la...
Quem sobe em cordas de lama
jamais chega a ser estrela.

O domínio mais profundo
deste mundo é o coração,
pois é maior do que o mundo
e cabe dentro da mão!...

O meu sonho mais bonito
é, de um dia, conquistar
esse domínio infinito
que há dentro de seu olhar!...

Os que devastam as matas
por prazer de devastar,
vão chorar quando as Cascatas
não puderem mais chorar!

O tempo é ladrão perfeito
mas a saudade o enganou,
escondendo no meu peito
o que o tempo me roubou...

Parece imenso, e é restrito
o saber que o Homem cultua:
quer conquistar o infinito
e, apenas, pousou na Lua.

Pelas sandálias furadas
que entre cascalhos gastei,
não culpo o chão das estradas,
culpo os maus passos que dei.

Perdoar, mesmo ofendido,
às vezes não custa nada:
cada conflito contido
é uma vitória alcançada.

Pesada cruz suportamos:
-de ciúmes os dois sofremos!
Por isso é que nos amamos
e nunca nos entendemos...

Pode o homem ser tacanho,
pode ser grande e perfeito,
que o seu mundo é do tamanho
do mundo que tem no peito.

Por crer em Deus e querer
voltar ao céu de onde vim,
eu comecei a fazer
outro céu dentro de mim!

Por ambição desmedida
muitos homens conheci,
que, sendo donos da vida,
não foram donos de si...

Por favor, doutor Gamboa,
dê-me um remédio bem quente:
marido de mulher boa
não pode ficar doente...

Por oito lustros inteiros,
nossos acertos, Maria,
foram como o dos ponteiros
de um relógio, ao meio-dia...

Por querer sempre o melhor
descobri, em meu labor
que o pão ganho com suor
tem muito melhor sabor!...

Por tuas culpas, eu minto
para ninguém te ferir,
mas só Deus sabe o que sinto
quando tenho que mentir...

Quando me ponho a brincar
com os netos que Deus me deu,
no domínio do meu lar
o dominado sou eu!...

Quando o homem prender as rédeas,
decisões precipitadas,
muitas das grandes tragédias
poderão ser evitadas...

Quanto pão, quanto agasalho,
ao suor estou devendo!
Sangue branco do trabalho
em minha pele escorrendo!...

Quem vive de alma iludida,
entre conflitos, não sente
que a gente não muda a vida,
a vida é que muda a gente!

Que o jardineiro da paz
nunca se dê por vencido...
Feliz aquele que faz
da vida um jardim florido.

Que tudo quanto a Deus peço
caiba no meu coração:
pois, o desejo em excesso
não é desejo, é ambição!

Que vontade de chorar
sinto na alma, certos dias
em que abro as mãos para dar...
mas encontro as mãos vazias!...

Quis ir além do que sou
e, apenas, colhi fracassos...
Meu limite ultrapassou
o tamanho dos meus braços!...

- Sabes quem morreu?  O Piassa.
E o amigo: - É brincadeira!
- Se é brincadeira, é sem graça,
o enterro foi quarta-feira!...

Se a estrada em que me confino
pelo destino é traçada,
sei que não mudo o destino,
mas posso mudar de estrada!

Sei que existes, sei que és linda,
sei que é doce o teu olhar...
Só não sei quem és ainda,
mas eu hei de te encontrar!...

Sejam grandes ou pequenas,
eu sinto muito mais medo
das culpas que têm, apenas,
o tamanho de um segredo...

Sempre desculpo e tolero
teu ciúme pertinaz.
Não vale o bem que te quero,
todo o mal que ele me faz.

Sem teu amor que é meu mundo,
a vida não faz sentido:
é como andar num mar fundo,
dentro de um barco, perdido.

Sendo a vida vela acesa
dos ventos maus te acautela,
que o destino, de surpresa,
apaga a chama da vela.

Sendo o amor um grande bem,
traz o mal que nos invade:
quem mais ama, menos tem
domínio sobre a saudade...

Seria a vida mais doce,
para os meus sonhos sem fim,
se o mundo, em que eu giro, fosse
o mundo que gira em mim.

Seria o mundo perfeito,
sem ódio, sem ambição,
se as mãos que batem no peito
batessem no coração!...

Se um domínio deslumbrante
vejo da serra mais alta,
vejo, também, mais distante
a terra que aos pés me falta...

Se vês em mim algum brilho,
também podes ser assim
pois foi a escola, meu filho
que fez um homem de mim.

Sofro um castigo pesado
e não quero que se abrande,
pois não fui injustiçado:
minha culpa é que foi grande!

Sonho de alma prevenida,
pois sei que, o sonho é quimera,
e em cada esquina da vida
uma surpresa me espera.

Também sou irmão, na dor,
da velha fonte entre abrolhos.
Quem tem ciúmes de amor,
tem duas fontes nos olhos.

Tendo a precaução por base,
a reticência é uma queixa
que a gente deixa na frase
quando a censura não deixa...

Tenho ciúme profundo
de todo mundo, porque
tenho medo que esse mundo
roube o meu mundo - você!

Tenho culpas e, realmente
muitas delas me consomem.
Cometo-as porque sou gente,
confesso-as porque sou homem.

Tive-a por mãe, que ventura
chamava-se Margarida.
E foi ela a flor mais pura
do jardim da minha vida.

Trovadores, meus irmãos,
vamos viver de mãos dadas.
Onde há correntes de mãos
não há mãos acorrentadas!

Tu dizes que eu sou perfeito
e eu nunca fui o que pensas:
nas alcovas do meu peito
se escondem culpas imensas!

Um reino em seu ventre cabe
e ela o governa sozinha ...
Só quem é mãe é que sabe
quanto custa ser rainha !...

Vejo, em conflitos amargos,
que a causa do meu revés,
foi subir em passos largos
sem ver onde punha os pés.

Vencendo fragas ingratas,
desde a montanha a cantar...
É que a água das cascatas
também tem sonhos de mar!...

Vive o pobre do Vicente
entre o pecado e a virtude,
a esposa muito doente
e a vizinha... que saúde!

Vivi a infância sem mágoa
de não ter Papai Noel:
eu tinha uma poça d'água
e um barquinho de papel...

Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG (Programação de 2019)


Sessões solenes e especiais da Academia de Letras de Teófilo Otoni e do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, programadas para o ano de 2019

18 de maio 2019:

Sessão especial da Academia de Letras de Teófilo Otoni em conjunto com o Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, destinada a entrega, anual, da Medalha de Mérito Cultural Dona Didinha.

Lançamentos literários e, homenagem aos diversos profissionais das artes plásticas, cerâmica, escultura, xilogravura, desenho e artesanato com outorga do Diploma e Medalha de Honra ao Mérito Albert Schirmer.

15 de junho de 2019:

Sessão especial da Academia de Letras de Teófilo Otoni em conjunto com o Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, em comemoração ao Dia do escritor teófilo-otonense (Lei nº 6.788, de 28 de outubro de 2006), com recepção e posse de membros para o quadro social e lançamentos literários.

17 de agosto de 2019:
Sessão solene do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, em comemoração ao Dia Nacional do Historiador (Lei nº 12.130, de 17 de dezembro de 2009) e, inauguração da Estrada de Rodagem Santa Clara-Filadélfia: primeira estrada de rodagem construída no Brasil, considerada data cívica municipal, pela Lei nº5.770, de 19 de outubro de 2007.

Outorga da Medalha de Reconhecimento Reinaldo Ottoni  Porto, aos professores de história e geografia que atuaram no ensino das disciplinas, no município e região e, do

Prêmio Frei Samuel Tetteroo, conferido a pessoas naturais ou jurídicas que hajam destacado na promoção de estudos e, na difusão de conhecimentos de história, geografia e ciências afins, assim como no fomento a cultura, defesa e preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural do vale do Mucuri.

21 de setembro de 2019:

Sessão solene da Academia de Letras de Teófilo Otoni em conjunto com o Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri para outorga da Medalha Conselheiro João da Matta Machado (Benfeitor do Município de Teófilo Otoni (Lei nº 5.505, de 06 de outubro de 2015) e, lançamentos literários.

09 de novembro de 2019:

Sessão especial da Academia de Letras de Teófilo Otoni em comemoração ao Dia Nacional da Cultura e da Ciência (Lei nº 5.579, de 15 de maio de 1970) e Dia Nacional da Língua Portuguesa (Lei nº11.310, de 12 de junho de 2006), homenagem a professores de língua portuguesa que atuaram no ensino da disciplina na cidade e região;

outorga do IV Prêmio Literário Gonzaga de Carvalho, recepção e posse para o quadro social e lançamentos literários.

14 de dezembro 2019:

22ª Noite do Café-com-Letras: lançamento do 17º número da Revista Café-com-Letras; entrega de Cestas Literárias a diversas instituições educacionais, sociais e culturais da cidade e região, lançamentos literários, recepção e posse para o quadro social e,

homenagem ao escritor e historiador Serafim Ângelo da Silva Pereira (centenário de nascimento:1919-2019).
___________________________
Local das sessões: Plenário da Câmara Municipal de Teófilo Otoni - Praça Tiradentes, 170 - Teófilo Otoni/MG

Horário: 19:00 horas


Fonte:
Prof. Wilson Colares da Costa
Secretário Geral da Academia de Letras de Teófilo Otoni

Pajo (Lançamento do livro “A Sinfonia das Estações”)

Em cordial visita e com efusiva alegria, venho apresentar-lhe meu novo livro que será lançado em maio próximo "A Sinfonia das Estações", em Formiga/MG.

Dê nos a alegria de sua adesão e aquisição antecipada. Divulgue aos seus também!

Conto com você!

Desde já, agradeço.

Att.,
Paulo José - Pajo - Amrit Prabhu
Paulo José de Oliveira
(37) 99923.8122
Formiga – MG – Brasil
Facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=1794442787
Twitter: https://twitter.com/Pajo121Oliveira

 

quarta-feira, 27 de março de 2019

Teresinka Pereira (Poemas Recolhidos)


EM TUMBAS DISTANTES

Agora sim, desejo
estar tranquila, sem
luzes nas paredes,
sem parques, nem jardins.

Agora reclamo
minha vazia solidão,
como uma chuva infinita
       para lavar
os pecados do mundo,
porque este cansaço
        que sinto
provém de um amor
        impossível,
de uma história
       que não foi dita,
um fio de vida em pedaços
que brotam do passado
como uma constelação acesa
     de cicatrizes
em tumbas distantes.

ENIGMAS

Uma vez saltei
de minha pele de rosa
e recatadamente
entrei na fonte
de cristalinos enigmas.

Ainda sou desconhecida,
mas tenho um ímpeto
de oceano solto
e as pupilas fosforescentes
para engendrar os mais
atrevidos sonhos.

HORA DE POESIA

poucas palavras
poucas linhas
o bramar
da mente
pede poesia.
lábios fechados
a distância acende
um jato de desejos.
perco-me na busca
da menor palavra…

LUZ NA RUA

Luz de prata
jogada sobre os sonhos
de quem caminha na rua.
Nem mesmo a chuva
estraga seu brilho...
O poeta olha o céu
e segue seu caminho
entres as árvores,
com sua canção
galopando na noite.

MEDO
Sem luz
sem sol
sem esperança,
a palavra
elabora o medo
no registro da alma.
Com o tempo,
a humildade
vai trazendo a razão:
não há motivos
para ter medo!

O BARCO

Muitas ilusões leva
o barco que faz indecisas
as soltas ondas do mar.

Ele vai ao seu destino
impulsionado
por asas invisíveis,
que dançam com lamentos
de saudades.

Sozinhos nos olhamos
do lado de cá do porto,
abandonados, sem saber
como amar em terra firme.

O COMPUTADOR

O computador
não é um animal
de estimação
ao qual a gente
se acostuma
a tolerar as manias
e se acomodar
com o que nos traz
de recompensa.
Mas, o que fazer
quando temos
um velho computador
e a escrivaninha
cheia de partes
e ninguém quer
levar essa coisa
já em desuso?
Deveria haver um
cemitério para os
queridos computadores...

POESIA

A poesia
tem vida e futuro,
é pele e alma,
esperança e nostalgia.
Eu suspiro
a cada instante
olhando
a imensidade do céu
que nos cobre
e me apodero
da noite.

SOLIDARIEDADE
 

Dou-lhe meu apoio
    incondicional
para derrocar
a vaidade e a fraqueza.
A vida é um labirinto
       de surpresas
e às más
temos que responder
com a determinação
de ser mais forte.

Façamos o empenho
de desfrutar
o amor e o ócio
que nos corresponde.
Além disso, há tempo...
a primavera já vem chegando...
Já sabem da minha
     solidariedade!

TRÊS VERSOS

Aprecia a vida e a poesia
como vês uma rosa:
não tentes entendê-las.

Fonte: A poetisa

Arthur de Azevedo (A Tia Aninha)


Ainda há poucos anos havia, numa das capitais do Norte, uma velhinha pobre, paupérrima que não mendigava, mas aceitava o agasalho que lhe davam algumas famílias compassivas, passando um mês aqui, outro ali, quinze dias acolá. Uma bela manhã chegava com sua lata de folha (tudo quanto possuía) e aboletava-se entre afagos e sorrisos de boas-vindas.

- Seja bem aparecida, tia Aninha! O seu quarto lá está, tem sua cama preparada! Mas desta vez demore-se mais tempo: você a ninguém incomoda nesta casa, nem aumenta a despesa: fique o tempo que quiser.

Mas a tia Aninha, quando suspeitava que a sua presença ia se tornando aborrecida, levantava o voo e partia, com a sua lata de folha, para alojar-se noutra parte.

Era uma velhinha alegre, mas de uma alegria que nenhum observador experimentado acharia natural e sincera.

As crianças adoravam-na, porque ela sabia contar-lhes muitas histórias bonitas de fadas e lobisomens - e aí está um dos motivos por que a tia Aninha, depois de prolongada ausência, era sempre bem recebida, com a sua lata de folha.
___________________________

Foi numa dessas casas hospitaleiras que a encontrei um dia (antes a não encontrasse!), rodeada de fedelhos boquiabertos e ofegantes. Interessou-me aquele rosto enrugado e macilento, em que julguei descobrir vestígios de um passado cheio de peripécias e vicissitudes.

A velha boêmia simpatizou comigo, pelo que, aliás nenhum merecimento me atribui, porque ela - coitadinha! - simpatizava com toda a gente. Nas suas palavras, nos seus gestos e nos seus olhares, que brilhavam ainda através de duas pequeninas frestas esquecidas entre as pálpebras, nunca ninguém descobriu a menor prevenção contra pessoa alguma.

Não pertencia ao tipo, muito comum no Brasil e creio que em toda a parte, da velha parasita, que anda de lar em lar, de alcova a alcova, trazendo e levando enredos, novidades e mexericos, dando fé do que se passa em casa de Fulano para chalrar em casa de Beltrano, adulando as donas e seduzindo as donzelas, embiocada e devotada.

Como lhe mentissem, dizendo que eu era romancista, a tia Aninha me declarou, sorrindo, que a sua vida tinha sido um verdadeiro romance, e essa declaração me levou (antes não levasse!) a revolver aquelas cinzas, curioso de se embaixo delas crepitavam ainda as derradeiras brasas.

Crepitavam; mas a história da tia Aninha era vulgaríssima, sem incidentes excepcionais nem grandes lances e surpresas do acaso. Se ela imaginava que aquilo daria um romance, não fazia mais do que fazem todos os indivíduos para quem o mundo não foi um mar de rosas. Não há criatura infeliz que não esteja persuadida que da sua existência se faria a mais interessante das novelas.

Nascera a tia Aninha pouco depois da independência. Era filha única de um negociante português, sofrivelmente apatacado. A sua vida correu pacifica e serena até os vinte anos. Foi nessa idade que o seu coração falou: ela apaixonou-se por um caixeiro do pai.

A mãe que desejava ser sogra de um príncipe, descobrindo um dia esses amores, que aliás duravam, havia já dois anos, foi ter com o marido e disse-lhe tudo.

O negociante enfureceu-se; pôs imediatamente no andar da rua o mísero subalterno que se atrevia a levantar os olhos tão alto, e andou por o todo bairro comercial a pedir de porta em porta que ninguém o arrumasse. O rapaz ficou, portanto, incompatibilizado com a praça, e resolveu partir para o Rio de Janeiro, procurando no Sul a fortuna que lhe fugia no Norte. Partiu.

Partiu, mas antes disso, prometeu, por intermédio de uma boa amiga da moça, guardar-lhe fidelidade, e voltar um dia, quando melhorasse de posição, e de haveres, para casar-se com ela.

Prometeu igualmente escrever-lhe por todos os correios, promessa que cumpriu, graças ainda ao gracioso intermédio da amiga, que recebia as cartas, embora endereçadas à tia Aninha.

Isto passava-se em 1844. Durante dois anos vieram cartas por todos os correios. Nas penúltimas, o moço queixava-se, em caracteres trêmulos, de que se sentia muito enfermo, e nas últimas que eram lacônicas, escritas sob um esforço violento e visível já não falava um doente mas um moribundo. "Talvez seja esta a minha última carta" escreveu ele um dia - e a moça não recebeu mais nenhuma.

Dois ou três meses depois o pai friamente, à mesa do jantar, deu-lhe a notícia da morte do noivo.

A pobrezinha contava já vinte e seis anos. Se até então repelira todas as propostas de casamento que lhe foram feitas pelo pai, dali por diante não admitiu que lhe falassem mais nisso.

O velho, depois de se meter imprudentemente numa arriscada especulação de açúcares, faliu em 1850, e alguns meses depois desaparecia, fulminado por uma congestão.

Mãe e filha ficaram reduzidas à pobreza extrema. Os amigos de outrora, sumiram-se, afugentados pelo aspecto da miséria.

Em 1855 redobraram ainda os infortúnios de Aninha, com a morte da mãe, vítima do cólera-morbo.

Datavam dessa época a sua vida de boêmia e a sua lata de folha. Tinha então apenas trinta e três anos, mas não lhe davam menos de cinquenta tais foram os estragos causados pelo sofrimento.
 __________________________________

Quando a tia Aninha acabou de me contar todas essas coisas, uma tarde em que por acaso nos achamos sozinhos, num dos seus asilos habituais, no jardim, à sombra de uma latada, não me atrevi a dizer-lhe que na sua existência de viúva-virgem não havia matéria para um romance, a menos que o talento e a imaginação do romancista suprissem o que lhe faltava. Entretanto, proferi esta frase, que continha uma fórmula de consolação:

- A sua vida é, na realidade, um verdadeiro romance, tia Aninha; mas creia que esse mesmo tem sido o romance de muitas mulheres.

- Oh! Se o senhor lesse as cartas que ele me escreveu! Só elas dariam páginas e páginas. Era um simples caixeiro, mas muito inteligente. Quer vê-las?

- O quê?

- As cartas!

- Ainda as conserva?

- Se ainda as conservo? São a minha fortuna. Vou buscá-las.

A velha ergueu-se, foi ao seu quarto, e pouco depois voltou trazendo a sua inseparável lata de folha.
__________________________________

Li algumas das cartas: nada havia nelas de extraordinário, mas tinham, relativamente, muito valor material, porque estavam todas seladas com os selos das nossas primeiras emissões postais: o "olho de boi", o "trezentos réis inclinados" e outros.

- Diz a senhora muito bem; a sua fortuna está nestas cartas! Saiba, tia Aninha, que cada um destes selos vale centenas de mil réis!

 A pobre velha, que ignorava a mania filatélica, não compreendeu: foi preciso que eu lho explicasse.

Ela protestou:

 - Desfazer-me das minhas cartas? Nunca!

 - Não se desfaça das cartas; desfaça-se dos selos.

 - Estes selos podem valer milhões! Não os venderei! Para que preciso de dinheiro?

 Deveria calar-me. Tenho remorsos de haver revelado ao dono da casa onde me achava a existência dos selos da tia Aninha. Ele foi o primeiro a querer comprá-los para negócio.

Pouco tardou que se espalhasse em toda a cidade a noticia de que a velha possuía uma riqueza encerrada na sua lata de folha. Por fim, já não se dizia que eram selos do correio, mas velhas moedas de ouro, joias raras e preciosíssimas, o diabo!

E era o seu tesouro tão cobiçado, tanta gente lhe falava nele e manifestava o desejo de examiná-lo, que a tia Aninha, mais ciosa da sua lata de folha que Harpagon do seu cofre, tinha pesadelos e alucinações terríveis, vivia num contínuo sobressalto, não podia dormir duas horas que hão despertasse aos gritos, sonhando que lhe roubavam a sua querida lata, o seu travesseiro.

Agora havia empenhos para hospedá-la; aconselhavam-na a fazer testamento, adulavam-na, perseguiam-na com uma solicitude que a desvairou, que lhe tirou lentamente o raciocínio e a saúde.

Mais do que nunca não esquentava lugar, aparecia e logo desaparecia; já não contava às crianças as suas bonitas histórias de fadas e lobisomens; já não falava a ninguém no seu romance, sem perceber, coitada! que o seu romance começava agora.

Os pequeninos, que dantes a adoravam, tinham medo dela, e os garotos apupavam-na quando a mísera passava, com a desconfiança no olhar, desgrenhada, andrajosa, descalça, faminta, apertando nos braços esqueléticos a sua lata de folha, o seu travesseiro, o seu tesouro.
__________________________________

Uma noite em que a tia Aninha, vagabundeando à-toa, atravessava uma praça deserta e silenciosa, foi assaltada por um malfeitor que a roubou, depois de atordoá-la com uma paulada. Conduzida, algumas horas depois, para um hospital, expirou pronunciando o nome do noivo, martirizada menos pela paulada assassina que pela ideia de haver perdido as suas cartas de amor.

Leon Eliachar (Dicionário de Bolso) Letras T até Z


T

Tatuagem
— mapa de recalques.

Táxi — é esse meio de transporte que só quer nos levar para o lado contrário de onde queremos ir.

Teatro — é esse lugar onde a gente está sempre desejando que os atores falem mais alto e os espectadores mais baixo.

Teatro — recinto onde algumas pessoas passam horas pigarreando no palco para uma multidão que fica tossindo na plateia.

Técnico — sujeito que se especializa em não entender nada de apenas uma matéria.

Telegrama — a única forma da gente dizer alguma coisa medindo as palavras.

Televisão — aparelho que se coloca no meio da sala para as visitas fingirem que estão vendo justamente na hora em que o dono da casa finge que está querendo conversar.

Ternura — massagem em long-play.

Tintureiro — equilibrista que anda montado numa bicicleta com um cabide de um lado e um ônibus do outro.

Túmulo — último buraco em que o indivíduo se mete.

U

Um quilo — são as 900 gramas de mercadoria que ficam no outro prato da balança.

Urna — caixinha onde uma porção de gente coloca um papelzinho para fazer sorteio e às vezes o azar é tanto que sai um presidente.

V

Vaga
— é esse espaço que um automóvel consegue fazer entre dois automóveis.

Velhice — infância fechando o círculo vicioso. -

Vício — o que sempre estamos fazendo pela última vez.

Vigarista — é esse camarada que resolveu industrializar a sua simpatia.

Voador, disco — objeto que ninguém identifica mas todo mundo fotografa.

Voto — papeleta que se coloca dentro da urna sem deixar ninguém ver o que está escrito, nem mesmo quem coloca.

X

Xerife — sujeito que passa a metade do filme limpando a estrelinha e a outra metade limpando o revólver, porque quem limpa a cidade é o mocinho.

Z

Zarolho
— sujeito que tira uma pequena para dançar e saem as duas.

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to