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terça-feira, 21 de abril de 2026

Dicas de Escrita (Qualidades e defeitos do texto)

AS QUALIDADES DO TEXTO

Não existem fórmulas mágicas para que uma pessoa se torne capaz de escrever bem. O exercício contínuo, aliado à prática da leitura de bons autores, e a reflexão são indispensáveis para a criação de textos.

São qualidades da redação que você deve cultivar: a concisão, a correção, a clareza e a elegância.

1. CONCISÃO 
Ser conciso significa que não devemos abusar das palavras para exprimir uma ideia. Deve-se ir direto ao assunto, não ficar "enrolando", "enchendo linguiça". Significa, enfim, eliminar tudo aquilo que é desnecessário.

2. CORREÇÃO 
A linguagem utilizada no texto deve estar de acordo com a norma culta, ou seja, deve obedecer aos princípios estabelecidos pela gramática.

Conhecer as normas que regem o uso da língua é fundamental para a produção de um texto correto. Evidentemente, a maioria das pessoas não conhece de cor as regras gramaticais. Por isso, em caso de dúvidas durante a produção de um texto, não hesite em consultar um bom livro de gramática e um bom dicionário.

Tome cuidados com alguns desvios de linguagem que podem aparecer no seu texto: grafia das palavras, flexão das palavras, concordância, regência, colocação dos pronomes, sinais de pontuação.

Evite erros grosseiros, como por exemplo "Lado outro" (não existe, o correto é por outro lado), Estes erros empobrecem o texto. Muito cuidado! Use um dicionário.

3. CLAREZA 
A clareza consiste na expressão da ideia de forma que possa ser rapidamente compreendida pelo leitor. Ser claro é ser coerente, não contradizer-se, não confundir o leitor.

São inimigos da clareza: a desobediência às normas da língua, os períodos longos, a paragrafação mal distribuída, o vocabulário rebuscado ou impreciso.

4. ELEGÂNCIA 
A elegância consiste numa leitura de texto agradável ao leitor. É conseguida quando se observam as qualidades que apontamos anteriormente (concisão, correção, clareza) e também pelo conteúdo do texto, que deve ser original, criativo.

Lembramos também que a elegância deve começar pela própria apresentação do texto. Deve apresentar-se limpo, legível. Após escrever seu texto, não deixe de fazer uma minuciosa revisão.

OS DEFEITOS DO TEXTO

1. AMBIGUIDADE 
ocorre ambiguidade (ou anfibologia) quando a frase apresenta mais de um sentido.

Ocorre geralmente por má pontuação ou mau emprego de palavras ou expressões.

Exemplo: João ficou com Mariana em sua casa. (casa do João ou da Mariana?)

2. OBSCURIDADE 
significa "falta de clareza". Vários motivos podem determinar a obscuridade de um texto: períodos excessivamente longos, linguagem rebuscada, má pontuação.

Observe:

Encontrar a mesma ideia vertida em expressões antigas mais claras, expressiva e elegantemente tem-me acontecido inúmeras vezes na minha prática longa, aturada e contínua do escrever depois de considerar necessária e insuprível uma locução nova por muito tempo.

3. PLEONASMO 
pleonasmo (ou redundância) consiste na repetição desnecessária de um termo.

Veja os exemplos:

a) A brisa matinal da manhã enchia-o de alegria.
b) Ele teve uma hemorragia de sangue.
c) Vi com meus próprios olhos.
d) Abracei-o com força com estes braços.
e) "Por que você compraria uma enciclopédia se pode ganhar uma grátis?" (propaganda da Enciclopédia Compacta – Revista ISTO É)

4. CACOFONIA 
a cacofonia (ou cacófato) consiste na produção de som desagradável pela união das sílabas finais de uma palavra com as iniciais de outra.

Veja os exemplos:

a) Nunca gaste dinheiro com bobagens.
b) Uma herdeira confisca gado em Goiás.
c) Estas ideias, como as concebo, são irrealizáveis.

5. ECO 
consiste na repetição de palavras terminadas pelo mesmo som.

Observe os exemplos:

a) A decisão da eleição não causou comoção na população.
b) O aluno repetente mente repetidamente.

6. PROLIXIDADE 
consiste na utilização de mais palavras que o necessário para exprimir uma ideia. Ser prolixo é ficar "enrolando", "enchendo linguiça", não ir direto ao assunto.

O uso de cacoetes, expressões que não acrescentam nada ao texto, servindo tão somente para prolongar o discurso, também pode tornar um texto prolixo. Expressões do tipo: "antes de mais nada", "pelo contrário", "por outro lado", "por sua vez" são, muitas vezes, utilizadas só para prolongar o discurso.

Veja o seguinte exemplo:

Os jovens têm algo a transmitir aos mais velhos?

Antes de mais nada, não saberia responder com exatidão. Grosso modo,sempre uma eterna divergência entre as gerações. Os jovens pensam de um jeito, às vezes, estranho, que chega a escandalizar os mais velhos... Já os mais velhos, por outro lado, costumam, na maioria das vezes, achar que os mais jovens, em alguns casos, não têm absolutamente nada a transmitir aos mais idosos.

* Os termos em negrito sublinhados podem ser retirados do texto, que não comprometem o sentido.

Além dos defeitos que apontamos, procure evitar as frases feitas, os chavões, pois empobrecem muito o texto.

Veja alguns exemplos:

a) "inflação galopante"
b) "vitória esmagadora"
c) "esmagadora maioria"
d) "caixinha de surpresas"
e) "caloroso abraço"
f) "silêncio sepulcral"
g) "nos píncaros da glória"

Fontes:
Escola de Contas e Gestão do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro
https://www.tcerj.tc.br/portalecg/pagina/dica_n_18_qualidades_e_defeitos_do_texto
Imagem criada por Jfeldman com IA Microsoft Bing 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Dicas valiosas para assassinar seu texto de vez


Você leu o texto anterior sobre o bom e o mau texto, que bom! Agora, se você quer assassinar o seu texto, aqui seguem dicas de ouro. 

Escrever algo genuinamente ruim é quase uma arte. Se você quer que seu conto ou crônica seja uma experiência dolorosa para o leitor, aqui está o guia definitivo do que não fazer (fazendo):

Se o objetivo é realmente torturar o leitor e garantir que ninguém passe da primeira página, aqui estão alguns "ingredientes" infalíveis para um desastre literário:

1. Capriche no "Dicionário de Sinônimos"

Não use "disse". Use "prolatou", "exclamou com veemência", "articulou pausadamente". “Componentes da sinóvia”? Que horror! É um tratado de medicina? Quanto mais palavras difíceis e arcaicas você enfiar num texto moderno, mais o leitor vai se sentir lendo um contrato de 1800 e odiar “veementemente” o seu texto e nunca mais ler nada de sua autoria. Parabéns! Seu objetivo foi alcançado.

2. Abuse dos Adjetivos e Advérbios

Nunca deixe um substantivo sozinho. Não é apenas uma "noite". É uma "noite escura, tenebrosa, silenciosamente gélida e assustadoramente melancólica". Se o advérbio termina em "-mente", use três por frase.

3. O Clichê é seu Melhor Amigo

Comece o texto com o personagem acordando com o despertador tocando. Faça-o olhar no espelho e descrever a própria aparência para o leitor (que conveniência!). Termine com "e tudo não passava de um sonho".

4. Use o "Deus Ex Machina" sem Dó

O protagonista está cercado por dez vilões armados? Do nada, ele descobre que tem superpoderes que nunca foram mencionados, ou um raio cai do céu e mata todos os inimigos. Zero esforço, zero lógica.

5. Explique Tudo (Não Mostre Nada)

Em vez de descrever o suor frio e as mãos tremendo, escreva apenas: "Ele estava com muito medo". Não dependa da percepção do leitor; explique até as metáforas para garantir que ninguém precise usar a imaginação. Ou seja, se alguém dá “Bom dia”, seja irritante e detalhe o “Bom dia”.

6. Diálogos Automatizados

Faça os personagens falarem como se estivessem lendo uma enciclopédia.

— "Olá, João, meu irmão biológico que não vejo desde o incidente no coreto da praça em 1998."

— "Olá, Maria. Sim, eu me recordo bem daquele dia fatídico onde a chuva caía incansavelmente sobre nossas cabeças."

7. Fuja do Foco

Se for uma crônica sobre o preço do pão, gaste três parágrafos falando sobre a genealogia do padeiro e depois mude de assunto para a política externa da Mongólia sem nenhum conectivo. O caos é o objetivo.

8. Pontuação Opcional

Escreva parágrafos de duas páginas sem uma única vírgula ou ponto final para deixar o leitor sem fôlego literalmente ou então use pontos de exclamação em todas as frases para parecer que o texto está gritando com alguém!!!!

9. O Início Infinitamente Lento

Gaste as primeiras páginas descrevendo a meteorologia ou os móveis do quarto antes de qualquer ação acontecer. O leitor precisa sentir o tédio existencial do personagem na pele.

10. Mudanças de Foco Aleatórias (O "Flashback" do Nada)

No meio de uma cena de perseguição emocionante, pare tudo para contar o que o protagonista comeu no café da manhã há dez anos. Quebre o ritmo de forma brusca e sem propósito.

11. Narrador Onisciente e Intrometido

O narrador deve dar opiniões o tempo todo e julgar os personagens. "João entrou na sala, sem saber que era um idiota por fazer aquilo. Eu, o autor, jamais faria isso, mas João é limitado."

12. Erros de Continuidade "Criativos"

Na página 2, o personagem é loiro e mora sozinho. Na página 5, ele penteia seus cabelos negros e pede um conselho para a esposa que está na cozinha. Não explique a mudança; deixe o leitor confuso.

13. O Uso de Gírias Datadas ou Erradas

Tente fazer um jovem falar usando gírias que eram descoladas em 1970 ou invente gírias que não fazem sentido nenhum. "E aí, meu bicho-grilo, vamos supimpar aquele rolê topzera no videocassete?"

14. O Final Moralista e Cafona

Termine o conto com uma lição de moral escrita em letras garrafais, como se fosse uma fábula infantil mal acabada: "E assim aprendemos que o ódio não leva a lugar nenhum, apenas ao vazio."

15. Formatação Experimental (e Irritante)

Mude a fonte no meio do texto, use negrito em palavras aleatórias ou escreva frases inteiras EM CAIXA ALTA PARA MOSTRAR QUE O PERSONAGEM ESTÁ EMOCIONADO.

16. Onomatopeias em Excesso

Em vez de descrever o som, escreva-o literalmente e repetidamente. "Ele caminhava pela sala. Pof. Pof. Pof. De repente, o telefone tocou. Trrrriiiimmm! Trrrriiiimmm! Ele atendeu. Click.”

Exemplo:
Aqui está uma obra-prima do desastre literário, unindo o máximo de táticas irritantes em um único parágrafo:

"A aurora boreal dos sentimentos prolatou-se no horizonte gélido, úmido, escuro e tristemente melancólico daquela manhã fúnebre onde o sol, esse astro rei amarelado, insistia em brilhar intensamente. João, meu irmão caçula que nasceu em 1995 sob o signo de Escorpião, acordou com o estridente TRRRRIIIIIIIM do despertador e olhou-se no espelho retangular de moldura de mogno, observando seus olhos azuis como o mar revolto e seu nariz levemente adunco, pensando consigo mesmo: 'Estou sentindo uma tristeza profunda e avassaladora hoje'. De repente, um alienígena careca caiu do teto — que era pintado de branco neve com tinta látex de baixa qualidade — e disse: 'Olá, João, eu vim aqui para resolver todos os seus problemas financeiros agora'. João sorriu, mas o alienígena de cabelos loiros e tudo não passava de um sonho onde a moral da história é que quem cedo madruga, Deus ajuda!"

Por que este texto é um "sucesso" no fracasso:

Dicionário de Sinônimos: "Aurora boreal dos sentimentos" e "prolatou-se".

Adjetivos em excesso: "Gélido, úmido, escuro e tristemente melancólico".

Explicação óbvia: "Estou sentindo uma tristeza profunda".

Diálogo expositivo: "Meu irmão caçula que nasceu em 1995...".

Erro de continuidade: O alienígena careca que ganha cabelos loiros do nada.

Clichês supremos: Começar com o despertador, terminar com "era tudo um sonho" e uma lição de moral cafona.

Onomatopeia irritante: O TRRRRIIIIIIIM no meio da narrativa.


Contudo, se você quer escrever um texto bom, que não esteja fadado a participar do funeral dele, escreva o contrário das dicas acima. Existem muitos escritores que possuem o dom da escrita, mas também possuem o dom de estragar o texto inteiro por causa de algumas palavras mal colocadas. 

Se o texto é filosófico, não siga as regras acima, não queira mostrar sua erudição com palavras que raros leitores sabem o seu significado ou utilizar gírias que quebrem o texto. Ou seja, não assassine o seu texto. Tenho escritores que penso várias vezes se vou ler seus textos, são cheios de erros, palavras que nunca ouvi falar, ou fazem parte do vocabulário português, de Portugal, no Brasil (existem diferenças). Decida que idioma vai escrever, qual vai ser seu público. 

Ou seja, as notícias estão repletas de crimes, estes crimes contra o leitor deveriam fazer parte de suas manchetes. Seria uma agenda cheia.

Referências:
Imagem criada por Jfeldman com IA Microsoft Bing 

domingo, 19 de abril de 2026

Dicas de Escrita (O bom e o mau texto em escrita criativa)


Em escrita criativa, um bom texto não se define apenas por regras gramaticais corretas, mas pela sua capacidade de engajar, emocionar e transportar o leitor para o universo imaginado, utilizando a linguagem de forma expressiva. Já um mau texto é, geralmente, monótono, confuso, clichê ou excessivamente técnico, falhando em criar conexão emocional ou imersão. 

Não existem fórmulas mágicas para que uma pessoa se torne capaz de escrever bem. O exercício contínuo, aliado à prática da leitura de bons autores, e a reflexão são indispensáveis para a criação de textos.

São qualidades da redação que você deve cultivar: a concisão, a correção, a clareza e a elegância.

O que distingue um bom texto de um mau texto:

Mostre, não conte: 
Um bom texto descreve cenas e emoções através de ações e detalhes sensoriais, permitindo que o leitor sinta a experiência. 

Um mau texto apenas relata fatos de forma direta e seca ("ele estava triste" vs. "lágrimas rolaram, e ele apertou o punho").

Originalidade vs. Clichês: 
Bons textos evitam caminhos óbvios e frases feitas, trazendo uma perspectiva única do autor.

Ritmo e Estrutura: 
Bons textos alternam frases curtas e longas para criar tensão e interesse, mantendo o leitor imerso. 

Maus textos são repetitivos ou têm um ritmo "arrastado" que entedia.

Personagens e Voz: 
Um bom texto tem personagens complexos, com motivações claras, e uma "voz" autoral distinta.

Clareza e Propósito: 
Mesmo na ficção, a escrita criativa deve ser clara para que o leitor não fique perdido. 

Público leitor atingido:

Bom Texto: 
Atinge um público amplo ou específico que busca imersão, reflexão e entretenimento. Ele cativa leitores que desejam ser transportados emocionalmente, valorizando a originalidade e a experiência estética da leitura.

Mau Texto: 
Tende a afastar o leitor, que desiste da leitura devido à falta de envolvimento, clichês ou má estruturação. 

Em resumo, a escrita criativa é a arte de expressar ideias com originalidade, usando a técnica para garantir que a mensagem — seja ela literária, publicitária ou de entretenimento — seja memorável e impactante.

Fontes Principais:
Imagem criada por Jfeldman com IA Microsoft Bing

domingo, 29 de março de 2026

Dicas de Escrita (A Crônica) 6. Crônica Narrativa


Título: "O Último Trem"

Era uma noite fria de inverno quando decidi pegar o trem de volta para casa. O relógio na estação marcava 23h58, e eu sabia que o último trem partiria em dois minutos. Com um pouco de pressa, atravessei a plataforma, observando as luzes brilhantes do trem se aproximando.

Ao entrar, notei que o vagão estava quase vazio, exceto por um velho senhor sentado no canto, lendo um livro. A luz suave da lâmpada iluminava seu rosto, e eu me perguntei quais histórias ele guardava em suas páginas. Encontrei um lugar ao seu lado, tentando me aquecer com o calor humano que ainda restava ali.

Enquanto o trem seguia seu caminho, o velho levantou os olhos do livro e começou a conversar. Ele me contou sobre sua juventude, as viagens que fez e as pessoas que conheceu. Cada palavra dele era como uma janela para um mundo que eu nunca havia visto. Fui absorvendo suas histórias, encantado com a maneira como ele falava sobre a vida.

De repente, o trem parou abruptamente. As luzes piscaram, e um aviso ecoou pelo vagão: “Atenção, estamos enfrentando um problema técnico. Pedimos desculpas pelo transtorno.” O velho olhou para mim e sorriu. “Ah, a vida é cheia de imprevistos, não é mesmo?”

A conversa continuou, e o tempo passou sem que eu percebesse. Quando finalmente o trem reiniciou a marcha, percebi que já estávamos quase chegando à minha estação. O velho se despediu, me deixando com uma sensação estranha de que, em apenas uma viagem de trem, eu havia aprendido mais sobre a vida do que em meses de rotina.

Análise dos Elementos Utilizados

1. Narrador:

A voz do narrador é em primeira pessoa, permitindo uma conexão íntima com suas emoções e experiências durante a viagem.

2. Tema:

O tema central é a conexão humana e a troca de experiências, explorando como momentos inesperados podem trazer aprendizados valiosos.

3. Estilo Narrativo:

A crônica segue uma estrutura narrativa, contando uma história com um começo, meio e fim, o que a torna mais envolvente.

4. Elementos Descritivos:

Descrições detalhadas da estação, do trem e do velho senhor ajudam a criar uma atmosfera vívida, permitindo que o leitor visualize a cena.

5. Diálogo:

As falas do velho adicionam profundidade ao personagem e tornam a narrativa mais dinâmica, permitindo que o leitor se conecte emocionalmente.

6. Moral ou Reflexão:

A crônica termina com uma reflexão sobre a vida e a importância das conexões humanas, deixando o leitor com uma sensação de nostalgia e aprendizado.

Esse exemplo mostra como uma crônica narrativa pode contar uma história envolvente, utilizando elementos literários para criar uma conexão emocional e reflexiva.

Fontes:
I.A. Dola, 2026
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing  


sábado, 28 de março de 2026

Dicas de Escrita (A Crônica) 5. Crônica Humorística

Título: "A Arte de Não Fazer Nada"

No último fim de semana, decidi que era hora de praticar a arte de não fazer nada. Afinal, em um mundo tão corrido, quem não merece um tempo para relaxar? Com esse pensamento, me acomodei no sofá, munido de um controle remoto e um pacote de pipoca. O plano era simples: maratonar séries sem culpa.

Mas, como sempre, o universo tinha outros planos. Primeiro, o cachorro resolveu que era hora de brincar. Ele trouxe um brinquedo que mais parecia uma bomba de barulho. Cada vez que eu tentava mudar de canal, lá vinha ele, como um ninja peludo, atacando meu pé.

Depois, a vizinha, que parece ter um PhD em fofoca, apareceu na porta. “Oi, você viu o que aconteceu com a Maria?” E lá se foram 30 minutos da minha vida, ouvindo o último babado do bairro. Quando finalmente consegui voltar ao meu sofá, percebi que a pipoca tinha se transformado em um bloco de cimento.

E assim, entre tentativas frustradas de relaxar e interrupções inesperadas, percebi que a arte de não fazer nada é, na verdade, uma habilidade raríssima. O que deveria ser um momento de paz se transformou em uma maratona de imprevistos. No final das contas, talvez eu devesse mudar meu título para “A Arte de Não Fazer Nada, Mas Fazer Tudo”.

Análise dos Elementos Utilizados

1. Narrador:

- A voz do narrador é leve e bem-humorada, compartilhando suas experiências cotidianas de forma divertida e autocrítica.

2. Tema:

- O tema central é a dificuldade de relaxar em um mundo cheio de distrações e interrupções, abordando a ironia de querer não fazer nada.

3. Estilo Humorístico:

- O tom é engraçado e sarcástico, utilizando situações comuns para criar humor e identificação com o leitor.

4. Elementos Descritivos:

- Descrições vívidas e exageradas (como o cachorro “ninja” e a pipoca “bloco de cimento”) ajudam a criar imagens cômicas que enriquecem a narrativa.

5. Exagero:

- O uso de hipérbole, como na transformação da pipoca, é um recurso comum no humor, intensificando a situação para provocar risadas.

6. Conexão com o Leitor:

- A crônica fala sobre experiências universais, como a luta para relaxar, permitindo que o leitor se identifique e ria de suas próprias frustrações.

Esse exemplo e análise mostram como uma crônica humorística pode entreter e fazer o leitor refletir sobre situações cotidianas de uma forma leve e divertida.
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continua…

quinta-feira, 26 de março de 2026

Dicas de Escrita (A Crônica) 4. Crônica Reflexiva

Título: "As Pequenas Coisas"

Certa manhã, enquanto caminhava pelo parque, percebi a beleza do simples. O sol filtrava-se entre as folhas, criando uma dança de luz que iluminava o caminho. Um grupo de crianças brincava, suas risadas ecoando como música. Em meio à correria do dia a dia, muitas vezes esquecemos de apreciar esses momentos.

Parei para observar um velho banco de madeira, gasto pelo tempo. Quantas histórias não teria ele ouvido? Casais apaixonados, amigos se reencontrando, pessoas solitárias buscando um momento de paz. Cada rachadura era uma memória, cada lasca uma vivência.

Refletindo sobre isso, percebi que a vida é feita de pequenas coisas. Não são os grandes eventos que nos definem, mas os instantes simples que nos tocam. Um sorriso, uma conversa despretensiosa, a brisa fresca no rosto. Às vezes, é preciso desacelerar para enxergar o que realmente importa.

A correria nos faz perder a conexão com o presente. Estamos tão focados no futuro que esquecemos de viver o agora. Ao final do dia, o que levamos conosco? Não são os planos que fizemos, mas as memórias que construímos. E, neste momento de reflexão, decidi que, a partir de hoje, vou valorizar mais as pequenas coisas.

Análise dos Elementos Utilizados

1. Narrador:

A voz do narrador é introspectiva e pessoal, compartilhando suas reflexões sobre a vida e a importância dos momentos simples.

2. Tema:

O tema central é a valorização das pequenas coisas da vida, destacando a necessidade de desacelerar e apreciar o presente.

3. Estilo Reflexivo:

O tom é contemplativo, convidando o leitor a pensar sobre suas próprias experiências e a importância de viver o momento.

4. Elementos Descritivos:

Descrições sensoriais (como a luz do sol e o som das risadas) ajudam a criar uma atmosfera que envolve o leitor, permitindo que ele sinta a cena.

5. Metáforas e Simbolismos:

O banco de madeira simboliza a passagem do tempo e as experiências acumuladas, enriquecendo a reflexão sobre a vida.

6. Conclusão Pessoal:

O autor conclui com uma decisão pessoal, que serve como um convite para o leitor também reavaliar suas prioridades e valorizar o presente.


Esse exemplo e análise demonstram como uma crônica reflexiva pode tocar o leitor, utilizando elementos literários para criar uma conexão emocional e convidar à introspecção.
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continua...

Fontes:
A. I. Dola , 2026.
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing  

quarta-feira, 25 de março de 2026

Dicas de Escrita (A Crônica) 3. Crônica Crítica

Título: "O Silêncio da Indiferença"

Na esquina da minha rua, uma criança de olhos grandes e famintos estende a mão. Ao seu lado, um cachorro magro observa, como se estivesse esperando um milagre. O que me chama a atenção não é apenas a cena, mas a pressa dos pedestres que passam, ignorando a realidade crua que se desenrola diante deles. 

Estamos tão ocupados em nossas rotinas que esquecemos o que realmente importa. O que é mais fácil: olhar para o lado e seguir em frente ou parar e oferecer um pouco do que temos? A indiferença se tornou um hábito, uma forma de proteção contra a dor do mundo. Mas, afinal, até quando vamos fechar os olhos para a miséria alheia?

As redes sociais bombardeiam nossas mentes com imagens de felicidade e sucesso, mas e as vozes que nunca aparecem nas fotos? O que fazemos por aqueles que não têm acesso a esse mundo perfeito? O silêncio da indiferença ecoa mais alto do que as palavras de solidariedade que, muitas vezes, são apenas postagens vazias.

A criança continua ali, com seu olhar esperançoso, enquanto seguimos nossas vidas como se nada estivesse acontecendo. A pergunta que fica é: quem é mais pobre? Aquele que não tem comida ou aquele que se recusa a enxergar a realidade?

ANÁLISE DOS ELEMENTOS UTILIZADOS

1. Narrador:

- A voz do narrador é pessoal e observacional, refletindo suas emoções e opiniões sobre a situação social.

2. Tema:

- O tema central é a indiferença social, abordando a pobreza e a falta de empatia na sociedade contemporânea.

3. Estilo Crítico:

- O autor critica a apatia das pessoas diante da miséria, utilizando um tom provocativo que instiga o leitor a refletir sobre sua própria postura.

4. Elementos Descritivos:

- Descrições vívidas da criança e do cachorro criam uma imagem emocional que impacta o leitor, fazendo-o sentir a gravidade da situação.

5. Ironia:

- O uso da ironia é sutil, especialmente ao contrastar a felicidade nas redes sociais com a realidade das pessoas em situação de vulnerabilidade.

6. Perguntas Retóricas:

- O autor utiliza perguntas retóricas para envolver o leitor e provocar uma reflexão mais profunda sobre suas atitudes e responsabilidades.


Esse exemplo e análise mostram como uma crônica crítica pode ser poderosa ao abordar questões sociais, utilizando elementos literários para criar impacto e reflexão.
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continua...

FonteS:
I. A. Dola 
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing

terça-feira, 24 de março de 2026

Dicas de Escrita (A Crônica) 2. Temas e estilos presentes nas crônicas

TEMAS DA CRÔNICA

1. Cotidiano:
  
 - A crônica frequentemente aborda situações do dia a dia, como a rotina, hábitos e pequenos eventos que fazem parte da vida comum.

   - Exemplo: A experiência de ir ao mercado ou um passeio no parque.

2. Relações Humanas:

   - Explora interações, amizades, amores, e conflitos familiares, refletindo sobre as emoções e dinâmicas sociais.

   - Exemplo: Um reencontro inesperado com um amigo de infância.

3. Questões Sociais:

   - Pode abordar problemas sociais, políticos e culturais, trazendo uma crítica ou reflexão sobre a realidade.

   - Exemplo: A desigualdade social em uma grande cidade.

4. Memórias e Nostalgia:

   - Muitas crônicas trazem lembranças, revivendo experiências passadas e refletindo sobre o que significam para o autor.

   - Exemplo: Recordações de festas de infância ou tradições familiares.

5. Humor e Ironia:

   - O humor é um tema recorrente, usado para tornar a narrativa leve e divertida, mesmo ao tratar de assuntos sérios.

   - Exemplo: Situações embaraçosas ou mal-entendidos cômicos.

6. Natureza e Cotidiano:

   - Pode descrever a relação do ser humano com a natureza, refletindo sobre a importância da preservação e do contato com o ambiente.

   - Exemplo: A beleza de uma manhã ensolarada ou a transformação das estações.

ESTILOS DA CRÔNICA

1. Estilo Pessoal:

   - O autor expressa suas opiniões e emoções de forma subjetiva, criando uma conexão íntima com o leitor.

   - Exemplo: Um relato pessoal sobre uma experiência marcante.

2. Estilo Crítico:

   - O autor utiliza a crônica para criticar comportamentos sociais ou políticos, instigando reflexões profundas.

   - Exemplo: Uma análise das consequências de uma política pública.

3. Estilo Humorístico:

   - Emprega o humor como principal recurso, utilizando ironia e sarcasmo para abordar temas variados.

   - Exemplo: Uma descrição engraçada de uma situação cotidiana.

4. Estilo Reflexivo:

   - Foca em provocações e reflexões sobre a vida, a sociedade e o ser humano, levando o leitor a pensar mais profundamente.

   - Exemplo: Reflexões sobre o envelhecimento ou a passagem do tempo.

5. Estilo Narrativo:

   - Conta uma história, com personagens e enredos, mas de forma mais leve e breve do que em outros gêneros como o conto.

   - Exemplo: Uma história sobre um evento inusitado em uma festa.

Esses temas e estilos tornam a crônica um gênero muito versátil e atraente, permitindo que cada autor imprima sua própria voz e perspectiva.
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continua...

domingo, 22 de março de 2026

Dicas de Escrita (A Crônica) – 1


A crônica é um gênero literário que se caracteriza por abordar temas do cotidiano de forma leve e reflexiva. Aqui estão suas principais características:

DEFINIÇÃO

- Gênero Literário: 
A crônica é uma narrativa breve, que pode ser publicada em jornais, revistas ou blogs.

- Estilo Pessoal: 
Geralmente, reflete a voz e a opinião do autor, tornando-se uma extensão de seu olhar sobre o mundo.

CARACTERÍSTICAS

1. Temática Cotidiana:
   - Foca em situações do dia a dia, como hábitos, relações pessoais e eventos sociais.

   - Pode abordar temas universais, mas sempre com um toque pessoal.

2. Subjetividade:
   - O autor expressa suas emoções, opiniões e reflexões, tornando a crônica uma forma de conexão com o leitor.

   - O tom pode variar entre humorístico, crítico, nostálgico ou reflexivo.

3. Estrutura Flexível:
   - Não segue uma estrutura rígida; pode ter uma narrativa linear ou fragmentada.

   - Geralmente, é curta, permitindo uma leitura rápida.

4. Linguagem Acessível:
   - Usa uma linguagem simples e direta, facilitando a compreensão.

   - Pode incluir diálogos e descrições vívidas para enriquecer a narrativa.

5. Elementos Literários:
   - Utiliza recursos como metáforas, ironia e analogias, enriquecendo a narrativa.

   - Muitas vezes, há uma moral ou reflexão no final, mas não é obrigatória.

6. Atualidade:
   - Muitas crônicas abordam eventos recentes ou questões sociais e culturais, mantendo-se relevantes.

Essas características fazem da crônica um gênero muito apreciado, pois combina a leveza da prosa com a profundidade da reflexão.

A estrutura da crônica é flexível, mas geralmente apresenta alguns elementos comuns que ajudam a construir a narrativa. Aqui estão os principais aspectos:

ESTRUTURA DA CRÔNICA

1. Introdução:
   - Apresenta o tema ou a situação central.

   - Pode incluir uma cena inicial cativante ou uma pergunta provocativa para despertar o interesse do leitor.

2. Desenvolvimento:
   - Expande a ideia introduzida, explorando detalhes, reflexões e descrições.

   - O autor pode incluir anedotas, diálogos e observações pessoais, criando uma conexão emocional com o leitor.

3. Conclusão:
   - Finaliza a crônica, muitas vezes com uma reflexão, uma piada ou uma ironia que complementa o que foi discutido.

   - Pode deixar uma mensagem ou moral, mas isso não é uma regra.

ELEMENTOS DA CRÔNICA

Narrador:
  - Geralmente, é a voz do autor, que pode ser em primeira pessoa (subjetiva) ou em terceira pessoa (mais objetiva).

  - A perspectiva do narrador influencia a interpretação do texto.

Tema:
  - Os temas são variados e podem incluir situações cotidianas, questões sociais, memórias, relações humanas, entre outros.

  - A escolha do tema muitas vezes reflete a visão de mundo do autor.

Estilo e Linguagem:
  - A linguagem é acessível e coloquial, permitindo que o leitor se identifique facilmente.

  - O estilo pode variar entre o humorístico, o crítico ou o reflexivo, dependendo da intenção do autor.

Elementos Descritivos:
  - Descrições vívidas e detalhadas ajudam a criar imagens mentais e a envolver o leitor na narrativa.

  - O autor pode usar metáforas e comparações para enriquecer a escrita.

Esses elementos e a estrutura flexível permitem que a crônica seja uma forma única de literatura, capaz de abordar a complexidade da vida cotidiana de maneira leve e instigante.
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continua…
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Dola IA, 2026. A crônica.
Imagem criada por Jfeldman com IA Microsoft Bing  

sexta-feira, 20 de março de 2026

Dicas de Escrita (O subtexto de um conto) 2, final


Para esta cena, vamos focar em um conflito de herança e desapego. O filho quer que a mãe venda a casa para ele quitar dívidas, mas nenhum dos dois menciona "dinheiro" ou "venda" uma única vez.

A tensão mora no subtexto do cuidado forçado e da resistência silenciosa.

A Xícara Trincada

O café esfriava entre os dois. Ricardo passou o dedo pela borda da xícara de porcelana, seguindo a linha de uma trinca antiga que cortava o desenho das flores.

— Essa casa está ficando grande demais para a senhora limpar, mãe — disse ele, sem desviar o olhar do defeito na louça.

Dona Helena ajeitou a almofada no sofá, as costas retas como se estivesse diante de um juiz. Ela olhou para a mancha de umidade no teto, aquela que parecia um mapa, e depois para as mãos do filho, que não paravam de tamborilar na mesa.

— O silêncio preenche bem os espaços, Ricardo. E o cachorro gosta do quintal.

Ricardo soltou um suspiro curto, o som de um pneu esvaziando. Ele se levantou e caminhou até a cristaleira, tocando em um bibelô de cristal que estava ali desde antes de ele nascer.

— O telhado vai precisar de reforma logo. E aquela árvore na frente... as raízes estão levantando a calçada. O pessoal da prefeitura não perdoa.

Ele virou o bibelô de costas.

— Eu vi que abriram aquele condomínio novo perto do centro. Tem elevador. Tudo plano. Segurança vinte e quatro horas.

Dona Helena pegou a xícara trincada. Bebeu o café frio em um gole só, sentindo o amargor no fundo da garganta.

— Prefiro as raízes — ela respondeu, pousando a xícara exatamente sobre o pires, fazendo o estalo da porcelana ecoar pela sala. — Elas dão trabalho, mas seguram o chão.

Ricardo apertou a chave do carro no bolso. O metal espetou sua palma.

— Entendo. Bom, passei só para ver se a senhora precisava de algo.

— Preciso que feche bem o portão ao sair, querido. Às vezes o vento empurra e ele acaba batendo.
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Análise do Subtexto:

A xícara trincada e o telhado: Ricardo usa problemas físicos da casa para sugerir que a mãe é "incapaz" ou que o lugar é um fardo, escondendo seu desejo de liquidar o imóvel.

O condomínio novo: É a sugestão de "depósito de idosos", apresentada como uma conveniência moderna.

As raízes: A resposta da mãe é clara: as raízes são sua história e sua identidade. Ela prefere o "trabalho" de ficar à "facilidade" de partir.

O portão: O pedido final dela não é sobre o vento; é um aviso de que ela quer manter o mundo dele (e suas intenções) do lado de fora.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Dicas de Escrita (O subtexto de um conto) 1


O subtexto é a "conversa oculta" do conto. É aquilo que o personagem sente ou pensa, mas não diz explicitamente, ou o que o autor comunica ao leitor sem usar palavras diretas. É a arte de ler as entrelinhas. 

No conto, o subtexto é vital porque a brevidade não permite explicações longas. Ele se constrói através da tensão entre o que é dito e o que é feito. 

Aqui estão as três formas principais de construí-lo, com exemplos:

1. Ação vs. Fala (A Contradição)

O subtexto aparece quando as palavras do personagem tentam esconder uma realidade que o corpo ou a ação revelam.

Texto (O que é dito): "Estou ótimo, não se preocupe comigo. Vá para a sua festa e divirta-se."

Subtexto (A realidade): O personagem está profundamente magoado e solitário.

Como construir: Enquanto ele diz que "está ótimo", ele esmaga um copo plástico na mão ou evita olhar nos olhos do interlocutor. O leitor entende o abandono sem que a palavra "tristeza" seja escrita. 

2. O Objeto como Símbolo (A Metáfora)

Em vez de falar sobre um sentimento (como a falta de amor), você foca em um objeto que carrega esse peso.

Exemplo: Um casal está jantando em silêncio. Em vez de escrever "eles não se amam mais", você foca na mancha de gordura no prato que nenhum dos dois limpa, ou na distância física entre os talheres.

O Subtexto: O descuido com o objeto ou com o ambiente é o subtexto do descuido com a relação.

3. A Omissão (O Silêncio Carregado)

O subtexto é construído pelo que o personagem decide não falar. Se dois irmãos perderam o pai e passam o conto inteiro discutindo sobre quem vai ficar com o relógio velho do falecido, eles não estão falando de um relógio; eles estão falando de quem era o favorito ou de quem sente mais a perda.

Exemplo Prático: Abandono de Idoso

Imagine uma cena onde um filho visita a mãe idosa em um asilo.

Cena sem subtexto (Fraca):
"Oi mãe, vim te ver, mas estou com pressa. Sei que você se sente sozinha aqui e eu me sinto culpado."

Cena com subtexto (Forte):
Ele entrou no quarto sem tirar o paletó. Colocou uma caixa de bombons barata sobre a mesa de cabeceira, em cima de um porta-retrato empoeirado.

— Trouxe doces — disse ele, checando o relógio de pulso pela terceira vez.

A mãe sorriu para o filho, mas suas mãos alisavam freneticamente a colcha da cama.

— Estão lindos, querido. Mas você sabe que eu não posso comer açúcar.

— É verdade. Esqueci. Bom, na próxima eu trago outra coisa. Preciso correr para uma reunião.
 
Análise do Subtexto:

O paletó vestido: Indica que ele já está de saída, não se "instalou" para uma visita real.

O chocolate proibido: Mostra que ele não conhece mais a rotina ou a saúde da própria mãe (desconexão/falta de amor).

O relógio e o porta-retrato empoeirado: Sugerem a pressa dele contra o tempo parado dela.

O subtexto é o que dá inteligência ao leitor, permitindo que ele "descubra" a história em vez de apenas recebê-la pronta.
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Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing