Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

36ª Semana Literária Sesc & Feira do Livro (18 a 22 de Setembro)

Foto por Renato Albuquerque de Gusmão
Dia 18/09

08h30; 15h30
Curtas Infantis

Coletânea de curtas de animação de diversas épocas e técnicas. Os títulos são:
    “A Casa”, dirigido por Andrés Lieban;
    “A Moça que Dançou Depois de Morta”, dirigido por Ítalo Cajueiro;
    “A Rosa”, dirigido por Gordeeff;
    “Animando”, dirigido por Marcos Magalhães,
    “Aquarela”, dirigido por André Koogan Breitman e Andrés Lieban;
    “Docinhos”, dirigido por Frederico Pinto e José Maia;
    “Historietas Assombradas (para crianças malcriadas)”, dirigido por Victor-Hugo Borges;
    “Meow”, dirigido por Marcos Magalhães;
    “O Natal do Burrinho”, dirigido por José Maia, Lancast Mota, Otto Guerra;
    “Os Olhos do Pianista”, dirigido por Frederico Pinto;
    “Precipitação”, dirigido por Marcos Magalhães ;
    “Tem Boi no Trilho”, dirigido por Marcos Magalhães;
    “Tyger”, dirigido por Guilherme Marcondes;
    “Vrruummm!!!”, dirigido por Paula Dager Aguiar.

08h30 às 20h00
Leia e Troque

O Leia e Troque é um serviço que promove a troca de livros e gibis, incentivando e conscientizando as pessoas de que, após lerem um livro, não o mantenham guardado, mas o disponibilizem ou troquem com outras pessoas para que todos tenham acesso à leitura. Essa ação de solidariedade e cooperação de livros faz com que muitos, após a leitura, doem seus livros para fazerem parte do serviço, independente de querer ou não realizar a troca. O objetivo geral deste serviço durante a Semana Literária é o incentivo à leitura por meio da socialização do livro e do respeito ao meio ambiente.

9h 10h 14h 15h
A Abóbora Menina com Cia Kiwi de Jaqueta
O espetáculo A Abóbora Menina foi inspirado no conto homônimo, disponível no site Domínio Público no livro “Histórias que acabam aqui”, escrito pela professora portuguesa Maria Teresa Lopes. Esta contação convida o público a mergulhar na delicada e poética história de uma abóbora que – após conhecer uma borboleta – sente um imenso desejo de ter asas e voar aos céus junto com sua nova amiga. No espetáculo, as atrizes utilizam de música, de brincadeiras e interação com a plateia e trazem para a cena o universo rústico do quintal de Mestre Crisolindo.

A Cia Kiwi de Jaqueta foi fundada em 2014 pelas atrizes Camila Lins França e Laís Marques e, desde então, promove uma série de atividades em diferentes espaços de cultura e lazer de Londrina, que envolvem contação de histórias, oficinas e cenas teatrais.

10h; 16h30
Helena de Curitiba

Dir. Josina Melo. “Helena de Curitiba” narra a história da professora e poetisa paranaense Helena Kolody. O documentário traz imagens e depoimentos inéditos da poetisa, colhidos um mês antes de sua morte, em fevereiro de 2004, aos 92 anos. O enredo do filme nasce com cenas fictícias da infância e adolescência dela em meio à natureza paranaense, passando pelo amadurecimento da escritora, professora, e mostrando a sua história como filha, jovem, mulher e autora. Relata parte da história da imigração ucraniana no Paraná através de imagens do acervo da Cinemateca de Curitiba.

13h30 às 17h30
Criação Literária com Cezar Tridapalli

A oficina de criação literária propõe um passeio por diversos gêneros da arte que tem na palavra a sua matéria-prima. A partir da noção de "experiência", na vida e na literatura, será proposto ler e escrever, narrar, descrever, refletir sobre e por meio da palavra escrita, sobretudo da narrativa.

Graduado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (1997), especialista em Leitura de Múltiplas Linguagens (PUCPR, 2002) e mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (2004), com a dissertação De Luzes e de Sombras: jogos barrocos em contos fantásticos. Foi coordenador de Mídia educação no Colégio Jesuíta Nossa Senhora Medianeira, em Curitiba. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura brasileira, teorias da leitura, poesia contemporânea, artes e realismo fantástico. Traduziu do Italiano para o Português a obra "O fantástico", de Remo Ceserani. Tem experiência ainda na área de tecnologias aplicadas à educação. Escreve para o blog Educação e Mídia, do Jornal Gazeta do Povo. www.cezartridapalli.g12.br.

15h00
Por que o Céu é Azul? com Maria do Carmo Couto Costa da Silva

A autora provoca a imaginação das crianças ao responder a pergunta-título de seu livro: Por que o céu é azul? Mas como toda criança é curiosa, as perguntas não param por aí. E de pergunta em pergunta, o livro fala sobre a criação, o Criador e as criaturas. Com ilustrações coloridas e adequadas ao universo infantil, a obra além de iniciar nas crianças o gosto pela leitura, ainda oferece a possibilidade de explorar pedagogicamente o seu conteúdo por pais e professores.

A autora nasceu em 27 de julho de 1957 em Maringá-Paraná. Aprendeu desde criança a cantar na igreja com a mãe, que era muito religiosa. Com o pai, que trabalhava como operador cinematográfico aprendeu a ler e a escrever. Amava ouvir as histórias que sua mãe lhe contava antes de dormir. Ao emprestar livros na Biblioteca, sempre se perguntava: Como alguém consegue escrever tantas palavras?

20h00
Literatura e Filosofia com Márcia Tiburi

O Brasil é um país nascido de diversas etnias, línguas e culturas. Miscigenado, misturado, o Brasil é uma grande reunião de diferenças que vem da África, da Ásia, da Europa e se encontram nesse espaço específico da América Latina colonizado por portugueses. A diversidade é a nossa cara e, ao mesmo tempo, ela não é contemplada como deveria em um sistema de produção e difusão da arte literária.
A questão da imigração é uma das mais sérias e dolorosas que há entre nós. De onde viemos? Podemos também nos perguntar que origem temos, mas essa é uma questão menor perto do problema do pertencimento ao qual ela nos conduz. Se há um tema abandonado na história do Brasil é o tema dos efeitos das imigrações, do legado e das formas de vida assumidas pelos imigrantes entre nós enquanto seres separados de sua origem. O tópico da bastardia, do abandono pelo pai, pela pátria, pelo local de origem, é trabalhado em dois romances de Marcia Tiburi.

Graduada em filosofia e artes, mestre e doutora em filosofia (UFRGS,1999). Publicou diversos livros de filosofia, entre eles "As mulheres e a filosofia" (Ed. Usininos, 2002), Filosofia Cinza – a melancolia e o corpo nas dobras da escrita (Escritos, 2004); “Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero” (EDUNISC, 2008), “Filosofia em Comum” (Ed. Record, 2008), “Filosofia Brincante” ( Record, 2010), “Olho de Vidro” (Record, 2011), “Filosofia Pop” (Ed. Bregantini, 2011) e Sociedade Fissurada (Record, 2013), Filosofia Prática, ética cotidiana, vida virtual (Record, 2014). Publicou também os romances: Magnólia (2005), A Mulher das Costas (2006) e o Manto (2009) e Era meu esse Rosto (Record, 2012). Publicou Como Conversar com um fascista – Reflexões sobre o Cotidiano Autoritário Brasileiro (Record, 2015). É colunista da revista Cult.

Dia 19/09
 
08h30; 15h30
Curtas Infantis

Coletânea de curtas de animação de diversas épocas e técnicas. Os títulos são:
    “A Casa”, dirigido por Andrés Lieban;
    “A Moça que Dançou Depois de Morta”, dirigido por Ítalo Cajueiro;
    “A Rosa”, dirigido por Gordeeff;
    “Animando”, dirigido por Marcos Magalhães,
    “Aquarela”, dirigido por André Koogan Breitman e Andrés Lieban;
    “Docinhos”, dirigido por Frederico Pinto e José Maia;
    “Historietas Assombradas (para crianças malcriadas)”, dirigido por Victor-Hugo Borges;
    “Meow”, dirigido por Marcos Magalhães;
    “O Natal do Burrinho”, dirigido por José Maia, Lancast Mota, Otto Guerra;
    “Os Olhos do Pianista”, dirigido por Frederico Pinto;
    “Precipitação”, dirigido por Marcos Magalhães ;
    “Tem Boi no Trilho”, dirigido por Marcos Magalhães;
    “Tyger”, dirigido por Guilherme Marcondes;
    “Vrruummm!!!”, dirigido por Paula Dager Aguiar.

08h30 às 20h00
Leia e Troque

O Leia e Troque é um serviço que promove a troca de livros e gibis, incentivando e conscientizando as pessoas de que, após lerem um livro, não o mantenham guardado, mas o disponibilizem ou troquem com outras pessoas para que todos tenham acesso à leitura. Essa ação de solidariedade e cooperação de livros faz com que muitos, após a leitura, doem seus livros para fazerem parte do serviço, independente de querer ou não realizar a troca. O objetivo geral deste serviço durante a Semana Literária é o incentivo à leitura por meio da socialização do livro e do respeito ao meio ambiente.

09h00 10h00 14h00
O Fantástico Carrinho do Homem que Conta Histórias com Danilo Furlan

O Espetáculo começa como todo Livro, com uma página em branco, e aos poucos vai envolvendo seus expectadores em cores, cenários e pequenas surpresas. Um homem e seu fantástico carrinho carregam histórias de monstros que vivem em florestas e de monstros que vivem embaixo de camas, de galinha apaixonada que só pensa em agradar seu grande amor, de um cão que vive na rua e por onde passa só ouve dizerem: “Sai pra lá Vira Lata” entre outras tantas histórias que podem sair do seu carrinho para encantar, colorir e alegrar a vida de seus espectadores.

Graduado em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), bonequeiro, contador de histórias, diretor da Cia Manipulando Teatro de Animação e produtor de eventos nestas áreas. Atuou em mais de dez espetáculos como manipulador de bonecos e contador de histórias. Sua carreira teve início em 1997 e já o levou a participar de festivais importantes, como o Filo (Londrina), o Festival Espetacular de Teatro de Bonecos de Curitiba e a Feira do Livro de Porto Alegre, entre outros.

10h; 16h30
Helena de Curitiba

Dir. Josina Melo. “Helena de Curitiba” narra a história da professora e poetisa paranaense Helena Kolody. O documentário traz imagens e depoimentos inéditos da poetisa, colhidos um mês antes de sua morte, em fevereiro de 2004, aos 92 anos. O enredo do filme nasce com cenas fictícias da infância e adolescência dela em meio à natureza paranaense, passando pelo amadurecimento da escritora, professora, e mostrando a sua história como filha, jovem, mulher e autora. Relata parte da história da imigração ucraniana no Paraná através de imagens do acervo da Cinemateca de Curitiba.

13h30 às 17h30
Criação Literária com Cezar Tridapalli

A oficina de criação literária propõe um passeio por diversos gêneros da arte que tem na palavra a sua matéria-prima. A partir da noção de "experiência", na vida e na literatura, será proposto ler e escrever, narrar, descrever, refletir sobre e por meio da palavra escrita, sobretudo da narrativa.

Graduado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (1997), especialista em Leitura de Múltiplas Linguagens (PUCPR, 2002) e mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (2004), com a dissertação De Luzes e de Sombras: jogos barrocos em contos fantásticos. Foi coordenador de Mídia educação no Colégio Jesuíta Nossa Senhora Medianeira, em Curitiba. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura brasileira, teorias da leitura, poesia contemporânea, artes e realismo fantástico. Traduziu do Italiano para o Português a obra "O fantástico", de Remo Ceserani. Tem experiência ainda na área de tecnologias aplicadas à educação. Escreve para o blog Educação e Mídia, do Jornal Gazeta do Povo. www.cezartridapalli.g12.br.

15h00
Sai pra lá Vira Lata com Danilo Furlan

O livro conta a história de um cão que vive na rua, um cão sem humano, um cão livre. Um cão que cresce na rua sem entender porque outros cães vivem presos dentro de quintais. Uma história que aborda, de maneira delicada e poética, o abandono, o preconceito e um olhar ingênuo sobre o mundo que nos cerca. Você vai rir e se emocionar com a mais linda descoberta deste cão. As ilustrações de Marcos Verdeiro convidam o leitor a continuar dando vida ao livro página por página.

Graduado em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), bonequeiro, contador de histórias, diretor da Cia Manipulando Teatro de Animação e produtor de eventos nestas áreas. Atuou em mais de dez espetáculos como manipulador de bonecos e contador de histórias. Sua carreira teve início em 1997 e já o levou a participar de festivais importantes, como o Filo (Londrina), o Festival Espetacular de Teatro de Bonecos de Curitiba e a Feira do Livro de Porto Alegre, entre outros.

20h
Criação Literária com Teixeira Coelho

O autor contará um pouco sobre o método utilizado na elaboração de seus livros e os diálogos sobre a construção dos processos literários.

Teixeira Coelho nasceu em 1944, em Bauru (SP). Professor de política cultural na USP, foi curador do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo e atualmente é curador do Masp. É autor de Guerras culturais (2000) e A cultura e seu contrário (2009), entre outros ensaios. Sua obra ficcional inclui Niemeyer (1994), As fúrias da mente (1998), História natural da ditadura (2006), ganhador Prêmio Portugal Telecom, e o recente O homem que vive – uma jornada sentimental (2010). Escreveu os romances Os histéricos (1993) e Céus derretidos (2006) em parceria com o crítico de cinema Jean Claude Bernardet.

Dia 20/09

08h30; 15h30
Curtas Infantis

Coletânea de curtas de animação de diversas épocas e técnicas. Os títulos são:
    “A Casa”, dirigido por Andrés Lieban;
    “A Moça que Dançou Depois de Morta”, dirigido por Ítalo Cajueiro;
    “A Rosa”, dirigido por Gordeeff;
    “Animando”, dirigido por Marcos Magalhães,
    “Aquarela”, dirigido por André Koogan Breitman e Andrés Lieban;
    “Docinhos”, dirigido por Frederico Pinto e José Maia;
    “Historietas Assombradas (para crianças malcriadas)”, dirigido por Victor-Hugo Borges;
    “Meow”, dirigido por Marcos Magalhães;
    “O Natal do Burrinho”, dirigido por José Maia, Lancast Mota, Otto Guerra;
    “Os Olhos do Pianista”, dirigido por Frederico Pinto;
    “Precipitação”, dirigido por Marcos Magalhães ;
    “Tem Boi no Trilho”, dirigido por Marcos Magalhães;
    “Tyger”, dirigido por Guilherme Marcondes;
    “Vrruummm!!!”, dirigido por Paula Dager Aguiar.

08h30 às 20h00
Leia e Troque

O Leia e Troque é um serviço que promove a troca de livros e gibis, incentivando e conscientizando as pessoas de que, após lerem um livro, não o mantenham guardado, mas o disponibilizem ou troquem com outras pessoas para que todos tenham acesso à leitura. Essa ação de solidariedade e cooperação de livros faz com que muitos, após a leitura, doem seus livros para fazerem parte do serviço, independente de querer ou não realizar a troca. O objetivo geral deste serviço durante a Semana Literária é o incentivo à leitura por meio da socialização do livro e do respeito ao meio ambiente.

9h; 10h; 14h; 15h
As minhas, as tuas e as nossas histórias – o universo literário e suas possibilidades de integração. com Rosane de Castro

As minhas, as tuas e as nossas histórias – o universo literário e suas possibilidades de integração é um convite a um belo passeio por histórias encantadoras. Conhecer a diversidade cultural é investir na qualificação e ampliação do conhecimento. Portanto, a proposta se justifica por suas características culturais, históricas e sociais.  O espetáculo apresenta um repertório com dez histórias. Utilizando recursos cênicos e sonoros, proporciona ambientação necessária para estimular o interesse do público. As crianças são convidadas a participar do espetáculo de uma forma dinâmica e divertida. São elas que conduzirão a escolha das narrativas que compõem o espetáculo.

Escritora, narradora de histórias, arte-educadora e promotora cultural. Graduada em Letras pela Universidade Luterana do Brasil – Ulbra, e pós-graduada em História e Cultura Indígena e Africana. Atua em projetos culturais, sociais e pedagógicos  em instituições públicas, privadas e organizações não governamentais. Organiza e atua em feiras, bienais e eventos culturais e literários na Região Metropolitana de Porto Alegre e em diversas cidades do interior do Rio Grande do Sul e vários estados do Brasil. Idealizou o projeto Piquenique da Leitura, que completou três anos em março de 2015.

10h; 16h30
Helena de Curitiba

Dir. Josina Melo. “Helena de Curitiba” narra a história da professora e poetisa paranaense Helena Kolody. O documentário traz imagens e depoimentos inéditos da poetisa, colhidos um mês antes de sua morte, em fevereiro de 2004, aos 92 anos. O enredo do filme nasce com cenas fictícias da infância e adolescência dela em meio à natureza paranaense, passando pelo amadurecimento da escritora, professora, e mostrando a sua história como filha, jovem, mulher e autora. Relata parte da história da imigração ucraniana no Paraná através de imagens do acervo da Cinemateca de Curitiba.

13h30 às 17h30
Criação Literária com Cezar Tridapalli

A oficina de criação literária propõe um passeio por diversos gêneros da arte que tem na palavra a sua matéria-prima. A partir da noção de "experiência", na vida e na literatura, será proposto ler e escrever, narrar, descrever, refletir sobre e por meio da palavra escrita, sobretudo da narrativa.

Graduado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (1997), especialista em Leitura de Múltiplas Linguagens (PUCPR, 2002) e mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (2004), com a dissertação De Luzes e de Sombras: jogos barrocos em contos fantásticos. Foi coordenador de Mídia educação no Colégio Jesuíta Nossa Senhora Medianeira, em Curitiba. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura brasileira, teorias da leitura, poesia contemporânea, artes e realismo fantástico. Traduziu do Italiano para o Português a obra "O fantástico", de Remo Ceserani. Tem experiência ainda na área de tecnologias aplicadas à educação. Escreve para o blog Educação e Mídia, do Jornal Gazeta do Povo. www.cezartridapalli.g12.br.

20h00
Literatura e Cidades com Cezar Tridapalli

Com um registro realista e minucioso do espaço das cidades, a obra de Cezar Tridapalli traz o elemento humano que se move por esse território e tensiona as relações entre o local e o global. Em Pequena biografia de desejos e em O beijo de Schiller, o estrangeiro (o estranho?) aparece como componente que disturba uma ordem aparente, em Vertigem do chão, seu terceiro romance, ainda inédito, essas fronteiras se desmancham. É no cruzamento de territórios, na inversão de destinos de seus personagens, que o romance acontece, pendulando e tropeçando em noções difusas de centro e periferia, com marroquinos, turcos e haitianos migrando e atravessando os caminhos dos dois protagonistas, um holandês, outro brasileiro.
A conversa vai girar em torno das relações amplas entre literatura e realidade no espaço das cidades, geopolítica e literatura, processo de criação, entre outros assuntos de interesse do público.

Graduado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (1997), especialista em Leitura de Múltiplas Linguagens (PUCPR, 2002) e mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (2004), com a dissertação De Luzes e de Sombras: jogos barrocos em contos fantásticos. Foi coordenador de Mídia educação no Colégio Jesuíta Nossa Senhora Medianeira, em Curitiba. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura, atuando principalmente nos seguintes temas: literatura brasileira, teorias da leitura, poesia contemporânea, artes e realismo fantástico. Traduziu do Italiano para o Português a obra "O fantástico", de Remo Ceserani. Tem experiência ainda na área de tecnologias aplicadas à educação. Escreve para o blog Educação e Mídia, do Jornal Gazeta do Povo. www.cezartridapalli.g12.br.

Dia 21/09

08h30; 15h30
Curtas Infantis

Coletânea de curtas de animação de diversas épocas e técnicas. Os títulos são:
    “A Casa”, dirigido por Andrés Lieban;
    “A Moça que Dançou Depois de Morta”, dirigido por Ítalo Cajueiro;
    “A Rosa”, dirigido por Gordeeff;
    “Animando”, dirigido por Marcos Magalhães,
    “Aquarela”, dirigido por André Koogan Breitman e Andrés Lieban;
    “Docinhos”, dirigido por Frederico Pinto e José Maia;
    “Historietas Assombradas (para crianças malcriadas)”, dirigido por Victor-Hugo Borges;
    “Meow”, dirigido por Marcos Magalhães;
    “O Natal do Burrinho”, dirigido por José Maia, Lancast Mota, Otto Guerra;
    “Os Olhos do Pianista”, dirigido por Frederico Pinto;
    “Precipitação”, dirigido por Marcos Magalhães ;
    “Tem Boi no Trilho”, dirigido por Marcos Magalhães;
    “Tyger”, dirigido por Guilherme Marcondes;
    “Vrruummm!!!”, dirigido por Paula Dager Aguiar.

08h30 às 20h00
Leia e Troque

O Leia e Troque é um serviço que promove a troca de livros e gibis, incentivando e conscientizando as pessoas de que, após lerem um livro, não o mantenham guardado, mas o disponibilizem ou troquem com outras pessoas para que todos tenham acesso à leitura. Essa ação de solidariedade e cooperação de livros faz com que muitos, após a leitura, doem seus livros para fazerem parte do serviço, independente de querer ou não realizar a troca. O objetivo geral deste serviço durante a Semana Literária é o incentivo à leitura por meio da socialização do livro e do respeito ao meio ambiente.

9h; 10h; 14h; 15h
Em Cada Nota Um Conto com Cia Risologistas

O espetáculo transita e homenageia grandes autores da literatura brasileira, de uma forma que a criança e o adolescente se interessem pela linguagem literária e busque se aprofundar na riqueza de novos contos.  O enredo do espetáculo é guiado pela música. Esta tem por objetivo preencher as atuações e cada cena, respeitando os períodos de cada conto e o espaço histórico e social de cada época. Utilizando de algumas das principais obras da literatura, o espetáculo mistura plataformas de Drummond, Mário de Andrade, Lygia Telles, Graciliano Ramos, Adélia Prado e outros. Essa simbiose literária, adaptada pelo Professor Alfredo Cruz, é desenvolvida na linguagem e no fazer artístico que desperte ações catárticas do espectador, sabendo que esse está em um período de desenvolvimento de aprendizagem e da capacidade de modificar o meio.

O Grupo teatral Cia Risologistas de Cascavel, surgiu em 2007 e tem uma pesquisa que busca novas linguagens para o circo – teatro e desenvolve um trabalho social em várias instituições, atendendo inclusive em hospitais levando a arte de palhaço para pessoas e crianças carentes de alegria. Um dos principais projetos que o grupo desenvolve é “Socializando o Riso”, um projeto sócio artístico que visa a democratização e a difusão da arte por meio de espetáculos circenses, performances e oficinas em 25 bairros carentes no estado do Paraná. Além disso, o projeto faz parte do trabalho de desenvolvimento humanitário da companhia, sendo assim, além de apresentações cênicas o projeto visa visitar 50 postos de atendimentos e hospitais em todo o projeto.

9h; 10h; 14h; 15h
Mediações Literárias com Rosane de Castro

A escritora e narradora de histórias Rosane Castro, fará apresentações e contações de histórias referentes aos seus livros.

Escritora, narradora de histórias, arte-educadora e promotora cultural. Graduada em Letras pela Universidade Luterana do Brasil – Ulbra, e pós-graduada em História e Cultura Indígena e Africana. Atua em projetos culturais, sociais e pedagógicos  em instituições públicas, privadas e organizações não governamentais. Organiza e atua em feiras, bienais e eventos culturais e literários na Região Metropolitana de Porto Alegre e em diversas cidades do interior do Rio Grande do Sul e vários estados do Brasil. Idealizou o projeto Piquenique da Leitura, que completou três anos em março de 2015.

15h00
Senhora das Sete Quedas com Ângela Ramalho

Sabemos que as Sete Quedas desapareceram em 1982, com a formação do lago da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Nesse cordel Angela Ramalho utiliza-se de metáfora para brincar com a ideia de que as sete quedas não acabaram. Aquelas formadas pela natureza sim, mas uma paranaense arretada, filha de pais nordestinos, registra em sua história de vida, sete quedas (tombos) que lhe aconteceram. De forma bem humorada a autora conta em versos como aconteceu cada queda.

Ângela Ramalho é paranaense. Escreveu "Palavras Pedem Passagem" (poesias, 2010); "Poeminhas Dedicados" (poesias infantis, 2010); "De Abraços & Cheiros" (crônicas e contos, 2012); “Traços” (poesias, 2014); “Entendendo as Pessoas Grandes” (contos infantojuvenis, 2014); “Poexisto” (poesias, 2015) e Santa Mãezinha (religioso/poesia infantil, 2016). Possui obras publicadas em mais de 50 antologias. É produtora de um blog literário que obteve o 1º lugar no Prêmio Top Blog Brasil edição 2013/14 e o 3º lugar na mesma premiação, edição 2015/16. Contemplada em 7º lugar no Prêmio Aniceto Matti (Maringá-Pr, 2015) com o Projeto Toró Literário, coordenando 50 Oficinas Literárias para crianças e adolescentes. Em 2016 obteve o 1º lugar no VII Concurso de Poesia Popular, organizado pela UBT de Maranguape, no Ceará. Desde setembro/2015 atua como editora-chefe da A. R. Publisher Editora, onde produz e edita seus próprios livros e de outros escritores. Implantou e coordena em sua editora o Concurso Literário Prêmio VIP de Literatura, atualmente em sua 2ª edição. No prelo: “O pum da velha senhora” (poesia infantil) e o cordel “Senhora das Sete Quedas”.

16h30
Hasllen e a Princesa Perdida com Matheus Ramalho Campos

Provocar nos leitores o encantamento e a magia da literatura fantástica é o que se propõe M. H. Ramalho em seu romance de estreia. O livro conta a história de Rick Venneto, um adolescente de 16 anos, que tem uma vida aparentemente estável. Mora com os pais e descende de uma família tradicional brasileira. Apesar disso, Rick tem poucos amigos, não decidiu que faculdade pretende cursar e sua vida amorosa não é das melhores. Um dia, ao voltar do colégio, pensamentos banais mantinham-no distraído, quando algo atravessou seu caminho: era um pônei todo branco! Ele sentiu-se atraído por aquele animal, como se ambos necessitassem um do outro. O que ele não sabia é que o animal, na verdade era uma princesa unicórnio, vinda do fantástico mundo de Hasllen e que ele seria o único humano capaz de ajudá-la a voltar para seu mundo. A partir daí, a vida solitária e antissocial de Rick sofre uma reviravolta. A princesa mostra-lhe o sentido da vida e o porquê de sua presença ali. Mas em função das guerras que aconteciam no mundo de Hasllen ela precisou voltar urgentemente.  Rick decidiu que iria com ela e a partir daí, envolveu-se numa aventura onde pode conhecer o verdadeiro sentido da amizade, da beleza e do amor, ao mesmo tempo em que vivenciou experiências fantásticas num mundo de encantamento e magia, somente possível de se adentrar através das asas da imaginação.

Matheus Ramalho Campos nasceu em Maringá, no Paraná, em 2000. Escreve contos e poesias desde os 13 anos. Estuda no colégio Anglo de Maringá e seu maior sonho foi escrever um livro e entrar no ramo literário.

20h00
Música e Poesia com Estrela Ruiz Leminski

Bate-papo com a escritora Estrela Ruiz Leminski sobre música e poesia. A autora fará uma trajetória pelos livros já publicados e apresentará uma palestra sobre a literatura e música. Estrela contará sobre seu trabalho de auto-produtora, que sempre lidou com essas duas áreas. Vai conversar também a respeito de sua pesquisa sobre a poesia marginal e vanguarda paulista, movimentos que seus pais (Alice Ruiz e Paulo Leminski) fizeram parte.

Formada em Música pela Faculdade de Artes do Paraná, concluiu sua especialização em Música Popular Brasileira e Mestrado em Música e em Musicologia na Universidad de Valladolid (Espanha), além de outro mestrado em Música pela Universidade Federal do Paraná. Em 2004 lançou seu primeiro livro, Cupido, cuspido, escarrado, incluindo seus poemas feitos na infância e adolescência. Em 2009 participou da antologia XXI poetas de hoje em dia(nte). Em 2010 lançou o livro Poesia é Não, contemplado pelo programa PNBE em 2012 e adotado pelas escolas de todo país. Integrou a antologia de poetas da Geração 2000 da Global Editora e a antologia Poemas para crianças de todas as idades, organizado e ilustrado por Adriana Calcanhoto. Participou de feiras literárias e publicações em revistas como Poesia Sempre da Biblioteca Nacional, Revista de Autofagia de Minas Gerais e Et cetera da Travessa dos Editores. Recebeu prêmios no Encontro Brasileiro de Haikai e no Concurso Zempaku-Haikai e ministra oficinas sobre o tema.

Dia 22/09
 
08h30; 15h30
Curtas Infantis

Coletânea de curtas de animação de diversas épocas e técnicas. Os títulos são:
    “A Casa”, dirigido por Andrés Lieban;
    “A Moça que Dançou Depois de Morta”, dirigido por Ítalo Cajueiro;
    “A Rosa”, dirigido por Gordeeff;
    “Animando”, dirigido por Marcos Magalhães,
    “Aquarela”, dirigido por André Koogan Breitman e Andrés Lieban;
    “Docinhos”, dirigido por Frederico Pinto e José Maia;
    “Historietas Assombradas (para crianças malcriadas)”, dirigido por Victor-Hugo Borges;
    “Meow”, dirigido por Marcos Magalhães;
    “O Natal do Burrinho”, dirigido por José Maia, Lancast Mota, Otto Guerra;
    “Os Olhos do Pianista”, dirigido por Frederico Pinto;
    “Precipitação”, dirigido por Marcos Magalhães ;
    “Tem Boi no Trilho”, dirigido por Marcos Magalhães;
    “Tyger”, dirigido por Guilherme Marcondes;
    “Vrruummm!!!”, dirigido por Paula Dager Aguiar.

08h30 às 20h00
Leia e Troque

O Leia e Troque é um serviço que promove a troca de livros e gibis, incentivando e conscientizando as pessoas de que, após lerem um livro, não o mantenham guardado, mas o disponibilizem ou troquem com outras pessoas para que todos tenham acesso à leitura. Essa ação de solidariedade e cooperação de livros faz com que muitos, após a leitura, doem seus livros para fazerem parte do serviço, independente de querer ou não realizar a troca. O objetivo geral deste serviço durante a Semana Literária é o incentivo à leitura por meio da socialização do livro e do respeito ao meio ambiente.

9h 14h
Apresentação de histórias infantis e bate-papo: encontro com a Escritora com Vanessa Meriqui

A autora apresentará aos presentes sua trajetória literária e em seguida realizará a ação “Encontro com a Escritora”, promovendo um animado bate-papo com as crianças. Além de contar histórias de suas obras, a escritora também discutirá vários aspectos da produção editorial e industrial de um livro.

Escritora de livros infantis, contadora de histórias, jornalista e atriz. É pós-graduada na A Arte de Contar Histórias, Abordagens Poética, Literária e Performática e pesquisadora em Literatura Infantil. Como escritora, tem seus livros adotados em diversas instituições de ensino, também desenvolvendo oficinas de estímulo à leitura e produção literária para alunos. Para professores e pedagogos, ministra aulas em diferentes unidades do Senac de São Paulo e Paraná sobre A Arte de Contar Histórias. Támbém é capacitadora na Associação Viva e Deixe Viver, na Fundação Abrinq, Instituto Ethos e FDE.

09h00 ; 14h00
Literatura e Interfaces com outras linguagens artísticas com Gustavo Rosseb

O autor discutirá como a linguagem de cinema e a fluidez da música contribuíram para a velocidade e o clima dos livros. Apresentará também de que modo eternizou em livros os relatos que coletou em diversos pontos do país. Mais ainda, salientará como a internet permitiu com que a obra "Aventuras de Tibor Lobato" fosse disseminada por todo o país, bem como sua interface com outras linguagens artísticas. Segundo o autor: “A expressão é livre como a água, moldando-se e remodelando-se com uma única lei: seguir o fluxo. Sendo assim, o diálogo da literatura com outras frentes artísticas é natural”.

Formado em Rádio e TV, o escritor é também músico, roteirista e designer. Atualmente, desenvolve a adaptação para o cinema do livro que marcou seu ingresso na literatura, O Oitavo Vilarejo, primeiro volume da série As Aventuras de Tigor Lobato. Publicou também A Guardiã de Muiraquitãs, segundo livro da série, e está prestes a lançar a terceira e última parte da saga. Também foi idealizador do Projeto Escute um Livro, custeado via financiamento coletivo, que visou transformar o primeiro volume da série em mil audiolivros a serem destinados para crianças com cegueira.

9h; 10h; 14h; 15h
Contos e Encantos Indígenas com Cia Fantokid’s Teatro de Bonecos

A Cia FantoKid’s com o objetivo de resgatar as lendas e contos indígenas, vem propor, por meio da montagem deste novo espetáculo, aproximar o público às histórias e lendas indígenas Brasileiras. A técnica utilizada para contar e ilustrar as histórias, é a animação de bonecos e objetos. Com duração de aproximadamente 40 min, os atores contadores de histórias levam o público a uma viagem por este universo da fauna, flora, encantos e magias. As três histórias escolhidas são: “A lenda da Sereia Iara”; “A lenda da Vitória Régia” e “O surgimento do fogo na tribo Kaingang”.

10h; 16h30
Helena de Curitiba

Dir. Josina Melo. “Helena de Curitiba” narra a história da professora e poetisa paranaense Helena Kolody. O documentário traz imagens e depoimentos inéditos da poetisa, colhidos um mês antes de sua morte, em fevereiro de 2004, aos 92 anos. O enredo do filme nasce com cenas fictícias da infância e adolescência dela em meio à natureza paranaense, passando pelo amadurecimento da escritora, professora, e mostrando a sua história como filha, jovem, mulher e autora. Relata parte da história da imigração ucraniana no Paraná através de imagens do acervo da Cinemateca de Curitiba.

20h00
Leitura Literária para Reencanto da Vida com Cléo Busatto

    A palestra dinâmica e interativa propõe olhar para a leitura literária sob o ponto de vista do seu valor simbólico que instrumentaliza o desenvolvimento do potencial humano, na medida em que amplia a consciência ética e estética do sujeito. A literatura nos ajuda na compreensão do mundo interno.
    A leitura literária expressa a multiplicidade de olhares que o homem lança sobre si e sobre as coisas, e com isso cria o sentido de pertencimento a algo maior, como se estivéssemos ligados à alma do mundo. Este é um dos efeitos da literatura sobre nós. Mostrar-nos outras vidas para que a gente possa olhar para a nossa e decidir o que é melhor. A literatura nos ensina a habitar poeticamente o mundo.

Cléo Busatto é uma artista da palavra. Como escritora publicou seu primeiro livro Dorminhoco, em 2001. Autora de mais de 20 obras, entre literatura para crianças e jovens, teóricos sobre oralidade e mídias digitais, que venderam em torno de 190 mil exemplares. Eles fazem parte de programas de leitura e catálogos internacionais, como o da Feira do Livro Infantil de Bolonha – Itália. Em 2016, seu livro A fofa do terceiro andar foi finalista ao Prêmio Jabuti, na categoria juvenil. Nos últimos cinco anos contou histórias para mais de 100 mil pessoas, no Brasil e exterior. Produziu e narrou histórias no meio digital. Esta pesquisa que foi tema da sua dissertação de mestrado originou cinco mídias. Nesse mesmo período formou em torno de 50 mil pessoas, em oficinas e palestras sobre oralidade, leitura e literatura. Cléo Busatto é Mestre em Teoria Literária, pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.


A Semana Literária em Maringá
Realização Fecomércio PR - Sesc PR

Endereço: Av. Duque de Caxias,1517
Agendamento:
32652770 - Valéria / 32652750 - Andréia

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Concurso Petropolitano de Trovas 2017 (Prazo: 17 de setembro)

  
 
 Com o intuito de reativar a União Brasileira de Trovadores - UBT - seção Petrópolis há praticamente 40 anos sob a presidência do Professor Roberto Francisco (in memoriam), falecido em junho de 2017, escritores residentes na cidade resolvem realizar o presente concurso, como forma de unir trovadores, estabelecer a nova diretoria da Seção Petrópolis e divulgá-la para o público, em geral, das UBTs vizinhas.

REGULAMENTO

Categorias e temas:

Juvenil – trovadores até 17 anos
Tema: saudade

Trovadores petropolitanos maiores de 18 anos
Tema: olhar

Trovadores de outras cidades maiores de 18 anos
Tema: desafio

Número de trovas:
Três inéditas por participante, no máximo.

Forma de inscrição: via correios ou e-mail:

a) Sistema de envelopes, ou seja, cada trova deve ser datilografada ou digitada na face de um pequeno envelope, de aproximadamente 8cm x 11cm, colocando-se dentro do referido envelope uma papeleta de identificação. Esses envelopes devem ser colocados dentro de um maior, e remetidos para o endereço do concurso, colocando-se como remetente "Concurso de Trovas" e o próprio endereço do concurso.

Av. Joaquim Rolla, nº 2 ap. 341.
Quitandinha
Petrópolis - RJ
CEP 25651-072


b) No caso das inscrições via e-mail, o concorrente deverá informar seu nome completo, CPF, endereço com CEP e telefone de contato. As trovas concorrentes devem ser enviadas para concursotrovas@gmail.com.

Prazo para remessa:
17.09.2017.
Será considerada a data de postagem nos correios para esta modalidade de envio.

Julgamento:
As trovas serão selecionadas e julgadas por membros da UBT de outras cidades.

Premiação:
A premiação, composta de troféus e diplomas, será outorgada em meados de outubro do corrente ano. Serão premiados os três primeiros colocados de cada categoria.

Comissão organizadora:
Catarina Maul, Catarina Santos, Carlos Borges, Ivair Kaippert
Colaboração na revitalização da UBT e organização do presente concurso:
Renato Alves – UBT RJ.
Maiores informações através do e-mail: concursotrovas@gmail.com

Fonte:
Catarina Maul
produtora cultural, poetisa, pedagoga
Bem Cultural Produções Artísticas Ltda / Bem Cultural Editora . www.bemcultural.com

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Teatro (Sistema Coringa)

Histórico

Modelo dramatúrgico criado por Augusto Boal (1931-2009) para permitir a montagem de qualquer peça com elencos reduzidos, alterando as tradicionais relações narrativas do gênero dramático, apoiado numa proposta épica e crítica.

Após o golpe militar de 1964, os homens de teatro se veem numa situação paradoxal: há pouco público e inexistem peças que retratem as profundas mudanças ocorridas na realidade. A primeira experiência de uso do Coringa dá-se em Arena Conta Zumbi, pelo Teatro de Arena, em 1965.

No Rio de Janeiro, Augusto Boal dirige Opinião, no ano anterior, espetáculo que enfeixava as experiências de ex-cepecistas, sobretudo apoiados nos esquemas dramatúrgicos criados pelo "agit-prop". Opinião é uma colagem de fontes diversas: músicas, notícias de jornal, citações de livros, cenas esquemáticas e depoimentos pessoais situando as três realidades em cena, nucleadas em torno de Nara Leão (1942-1989) (a classe média intelectualizada), João do Vale (1934-1996) (o migrante nordestino) e Zé Kéti (1921-1999) (o sambista de morro).

Com essa experiência dramatúrgica na bagagem, Augusto Boal integra o coletivo de artistas que cria Zumbi. Trata-se aqui de colocar em cena um episódio complexo da história brasileira: a luta dos quilombolas de Palmares e sua resistência ao jugo português. Mas o Arena enfrenta dificuldades materiais, desde o pequeno palco e espaço cênico até um elenco reduzido. Escolhido o tema, os locais de ação e as principais personagens - a saga da luta antiescravagista -, a solução cênica encontrada toma o aspecto de um grande seminário dramatizado, com os oito atores representando todas as personagens, revezando-se no desempenho das pequenas cenas focadas sobre os pontos fortes da trama, deixando a um ator coringa a função narrativa de fazer as interligações entre fatos, pessoas e processos, como um professor de história organizando uma aula e dando seu ponto de vista sobre os acontecimentos. O emprego da música ajuda as passagens de cena, acrescentando tons líricos ou exortativos de grande efeito. Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) e Edu Lobo (1943) assinam a realização.

A montagem de Arena Conta Tiradentes, em 1967, aprofunda a experiência e surge explicada teoricamente em "O Sistema Coringa", redigido por Boal. O sistema evolui conceitualmente, desenvolvido para ser aplicado a qualquer texto teatral, permitindo, desse modo, tanto o barateamento da produção quanto a implantação de proposições estéticas, ligadas a um modo épico e dialético de expor a trama.

São empregados quatro procedimentos: a desvinculação ator/personagem (qualquer ator pode representar qualquer personagem, desde que vista a máscara correspondente), perspectiva narrativa unitária (o ponto de vista autoral é assumido ideologicamente pelo grupo que faz a encenação), ecletismo de gênero e estilo (cada cena tem seu estilo próprio - comédia, drama, sátira, revista, melodrama, etc. - independentemente do conjunto, que se transforma numa colagem estética de expressividades), uso da música (elemento de ligação, fusão entre o particular e o geral, introdução do ingrediente lírico ou exortativo no contexto mítico e dramático).

O Coringa é uma personagem onisciente que altera, inverte, recoloca, pede para ser refeita sob outra perspectiva uma cena, sempre que sinta necessidade de alertar a plateia para algo significativo, concentrando a função crítica e distanciada.

Função oposta ocupa o protagonista, o herói. Ele deve ser naturalista, fechado em sua lógica causal e psicológica, sempre representado pelo mesmo ator, destinado a criar e dar corpo à dimensão do particular típico, insuflando a ilusão cênica e materializando a dimensão mítica, uma vez que se destina à identificação e ao fomento da empatia junto ao público.

O conjunto de tais procedimentos é especialmente épico, oriundo de Bertolt Brecht (1898-1956), mas não deixa de abrigar, igualmente, uma tentativa de conciliar o historicismo proposto pelo distanciamento brechtiano com o particular típico, como concebido por György Lukács (1885-1971), outro teórico marxista que defende um herói mítico e fechado sobre si mesmo.

O sistema é examinado e tem suas propostas rebatidas no livro O Mito e o Herói no Moderno Teatro Brasileiro, por Anatol Rosenfeld (1912-1973). Tomando ponto por ponto os aspectos polêmicos da proposta de Boal, o crítico expõe os limites e contradições que apresenta, concluindo pela impossibilidade de sua aplicação a qualquer peça, como pretendia ser seu objetivo central.

E especificamente sobre Tiradentes, observa: "O herói, embora criticado pelos seus erros e cercado por um aparelho distanciador, é levado inteiramente a sério como herói [...] não chegando a ser suficientemente mito para colher as vantagens estéticas do arquétipo monumental. Mas de outro lado tem do mito a esquematização extrema de modo a não render suficientemente na dimensão da análise histórico-social e da vigência empática. A não ser que nos enganemos, Boal não deseja que se aplique a Tiradentes a sua excelente formulação: 'sempre os heróis de uma classe são os quixotes da classe que a sucede'. O herói, tal como proposto na peça, seria hoje um ser quixotesco, como o Hércules de Dürrenmatt".1

Na base dessas discussões encontram-se questões estéticas e ideológicas muito amplas, que devem ser reportadas às distintas soluções propostas por Bertolt Brecht ou por Lúkacs; ou seja, os modos diversos de se dialetizar artisticamente a perspectiva crítica e histórica.

Após Zumbi e Tiradentes, o coringa volta a ser empregado por Boal em A Lua Muito Pequena e a Caminhada Perigosa, texto integrante da Primeira Feira Paulista de Opinião em 1968 e em Arena Conta Bolivar, criação vitimada pela Censura e apresentada apenas no exterior, em 1970. Ainda que pleno de contradições, é ele utilizado por muitos grupos latino-americanos, ao longo dos anos 1970, que encontram assim um modo de ação política compatível com o fechamento dos regimes políticos do período. Em modo evoluído e diverso, ajuda Augusto Boal a definir e propor, logo a seguir, o Teatro do Oprimido.

Ao longo das décadas seguintes, no Brasil, algumas das técnicas teatrais nascidas ou criadas no sistema coringa acabam por ser empregadas em outros contextos, utilizadas como recursos de linguagem, sem obedecer, todavia, às suas determinações ideológicas. São exemplos: o rodízio de personagens do elenco por meio da substituição de adereços; o amálgama de gêneros diversos numa mesma cena ou peça; o emprego de recursos narrativos mesclados com cenas dramáticas, etc., tornando o Sistema algo assimilado e diluído, mais uma prática do que um modelo, no cotidiano do fazer teatral.

Notas
1 ROSENFELD, Anatol. O mito e o herói no moderno teatro brasileiro. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 1996. p. 38.


Referências:
BOAL, Augusto. 'O Sistema Coringa'. In: Arena conta Tiradentes. São Paulo: Sagarana, 1967. Republicado In: BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
MOSTAÇO, Edelcio. Teatro e política: Arena, Oficina e Opinião. São Paulo: Proposta, 1982. 196 p.
ROSENFELD, Anatol. O mito e o herói no moderno teatro brasileiro. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 1996. 122 p.

Fonte:
SISTEMA Coringa. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo620/sistema-coringa>. Acesso em: 13 de Ago. 2017. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

José Feldman (O Escritor em Xeque)

Paulo Roberto de Oliveira Caruso, presidente da Academia Brasileira de Trovas, sediada no Rio de Janeiro, em entrevista virtual com o escritor José Feldman, no ano de 2016.
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De onde você é? Quando você começou a se aventurar na literatura? Sofreu influência direta de parentes mais velhos, amigos, professores? O que aprendeu na escola o instigou a criar textos?

JF: Eu nasci em São Paulo, capital, meu pai era romeno e minha mãe que ainda está viva, da Guanabara. Sempre adorei ler, desde pequeno, influência de meu pai que sempre me incentivou. Meus primeiros escritos são de quando era criança ainda, devia ter uns 10 anos de idade, eram contos. Apesar de ter tido uma escola rígida na época, eu já era um “rato de biblioteca”, e meu irmão mais velho também gostava de ler, e frequentávamos as livrarias da cidade todas as semanas. Líamos livros nelas. Na poesia eu só enveredei mais tarde, com uns 14 ou 15 anos. Daí sempre a procura de conhecimento frequentei cursos de poesias, haicais, ficção científica, na Casa Mário de Andrade, aliás, foi lá que conheci a trova com o Izo Goldman, creio que em 1991, chamava-se “Hora da Trova”. Mas estudei haicais com Eunice Arruda, romance com Mario Amato, Ficção Científica na Literatura e no Cinema com André Carneiro, que se tornou meu amigo desde então, e em cujo curso conheci também quem seria minha esposa.

Você já leu muitas obras e lê frequentemente? Que gêneros (poesia, contos, crônicas, romance) e autores prefere?
JF: Se me tirarem a leitura é como me deixar aleijado. Eu vivo o meu dia a dia, desde quando acordo até deitar lendo. Gosto de contos e crônicas, já romances eu gostava, mas atualmente já não tenho muita paciência para ler algo tão extenso. Quando jovem, lembro que li “O Don Silencioso”, de Mikhail Sholokov (acho que Nobel em 1966), eram 4 volumes com cerca de 300 e poucas páginas cada, li em uma semana, devorava até altas horas da noite. Hoje um destes vou levar anos para ler...rsrs. Mas tenho um boa biblioteca em casa, tudo de Machado de Assis nosso escritor maior, mas também José de Alencar, Guimarães Rosa, Luis Fernando Veríssimo, li e leio muita literatura estrangeira, adoro Herman Hesse, Jack London, Leon Tolstói e Hemingway. Shakespeare leio, mas não me enrosco. Ah, claro, ia esquecendo alguns dos maiores que considero, Connan Doyle (não só Sherlock Holmes, mas seus contos), e atualmente Mia Couto, Nadine Gordimer e Doris Lessing. Poesia é Drummond, Quintana e Leminski claro. Mas sempre busco novos nomes, a coleção de poesias do Aparício Fernandes, são 4 volumes creio, é ótima, muitas poesias e trovas também.

Costuma fazer um glossário com as palavras que encontra por aí (em livros, na internet, na televisão etc.) e ir ao dicionário pesquisá-las?
Antigamente não fazia, mas depois de ler “A Ilha dos Pinguins” de Anatole France, que considero um horror, pois em todas as páginas tinha que recorrer ao dicionário, comecei a anotar as palavras desconhecidas e mesmo as pouco usuais a parte. Quando estou enjoado, pego o dicionário e fico procurando novas palavras.

Há escritores de hoje na internet (não consagrados pelo povo) que admira? Em sites, Academias de que de repente você participa etc.
Existe uma enormidade de escritores que admiro e que não aparecem na mídia. E são muito bons, melhores do que muitos de renome. Nilto Maciel (Fortaleza/CE), morreu um tempinho atrás era fantástico, inclusive eu divulgo muito os textos dele. Ele me enviava seus livros e jornais e revistas de literatura do Ceará. Conheci muitos assim, o que me surpreendeu, pois nós aqui do sul não temos ideia da quantidade de ótimos literatos lá de cima. Alguns, para não ser injusto com outros, José Faria Nunes (Cassu/GO), José Lucas de Barros (Natal/RN), Hermoclydes Franco (RJ), falecido mas tive grande amizade, Nemésio Prata (Fortaleza), me correspondo sempre e é um senhor poeta em todos os estilos, Cecy Barbosa Campos (Juiz de Fora/MG), Isabel Furini (Curitiba), Filemon Martins (Itararé/SP), Olivaldo Junior (Mogi-Guaçu/SP), e vou parar por aqui, pois são muitos, de diversos gêneros do Brasil inteiro e mesmo de Portugal.

Você costuma participar de antologias? Acha-as algo interessante? Participaria de uma se eu a lançasse?
Sim. Participei e sempre que posso participo de antologias. São ótimas para que o público conheça os poetas. Mas também vejo a questão financeira destas antologias, muitos cobram absurdos por 1 página que quase dá para você bancar um livro seu de 100 páginas. Participo em algumas e-antologias. Seria um prazer participar, como mencionei, depende do custo.

Você é membro de Academias de Letras? Aceitaria indicações para ingressar em Academias de Letras como membro?
Lancei o meu blog (http://singrandohorizontes.blogspot.com.br) e logo em seguida dois e-books que eram bimestrais, primeiro foi o Boletim Cultural Singrando Horizontes e depois a continuação mais elaborada, que foi o Almanaque O Voo da Gralha Azul, já com cerca de 200 páginas ou mais, com tudo de literatura, contos, crônicas, poesias, trovas, haicais, entrevistas, sobre as academias, folclore, etc. Isto tudo me rendeu um texto elogiadíssimo nos anais da Casa Maçônica e logo fui convidado para ser acadêmico na Academia de Letras do Brasil, recebendo o diploma de Imortal (cadeira n.1 tendo por patrono Paulo Leminski) e o de Dr. Honoris Causa, além de ser nomeado Presidente Estadual do Paraná desta Casa (que sou até hoje) e Vice-Presidente do Conselho de Ética a nível nacional. A partir daí foi uma ascensão. Na época morava em Ubiratã, cidade próxima de Cascavel, estando como Delegado da UBT nesta cidade e vice-presidente da Associação dos Literatos de Ubiratã, e pouco depois um dos fundadores do Cinema Amador na cidade. Entretanto, minha primeira indicação foi para a Ordem Nacional dos Escritores, ocasião em que fui a Sorocaba (SP) junto com minha então esposa Alba Krishna (que era poetisa premiada em concursos) receber a comenda em uma solenidade. Também, junto com o Assis de Maringá, Nei Garcez e Vânia Ennes de Curitiba, criamos o Boletim de trovas Paraná em Trovas, que eu montava e enviávamos por e-mail e por correio.

Daí me tornei Membro Correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG, da Academia de Letras de Formiga/MG (patronesse: Cora Coralina), da Confraria Paranaense de Letras (patronesse: Helena Kolody), Cônsul da Associação Poetas Del Mundo, membro da Unión Hispanoamericana de Escritores, que hoje se tornou na Unión Hispanomundial de Escritores, da Sociedade de Poetas do Mundo... esquecia, em São Paulo eu era membro da Casa do Poeta Lampião de Gaz e da UBT São Paulo. Na Academia de Letras em que sou presidente, eu não cobro nada de ninguém, só a participação ativa na literatura. Este ano recebi a Medalha de Mérito Cultural Euclides da Cunha da Academia de Letras, em Berna/Suiça, e também sou membro (acho que cadeira 145, tendo escolhido por patrono Mário Quintana) dela.

Aceito indicações, desde que seja pelo meu valor e não só para me ter no quadro e querer ganhar dinheiro com isto.

Tem ideia de quantos textos literários já escreveu? Há quanto tempo escreve ininterruptamente?

Exatamente não sei, pois cada vez estão surgindo novos textos, além de fazer prefácio ou fortuna crítica de livros de escritores do Brasil inteiro. Mas creio ter umas 250 trovas, uns 40 poemas, uns 5 contos/crônicas, e o resto já não sei. Ininterruptamente não é, pois existem fases ruins, problemas de saúde, e eu dou muito ênfase aos outros escritores e eu mesmo me deixo de lado com a seguinte filosofia: Mais um livro para ficar nas estantes de sebos criando teias de aranha? Prefiro divulgar os outros, deixo para os outros, se acharem que tenho algum valor, me divulgarem.

Você tem dificuldade de escrever em prosa, em verso?

Nenhuma. Se você pegar no meu pé para escrever algo, eu faço em menos de um dia uma prosa, verso então nem se fala. Minha cabeça está sempre em alta rotação e sempre criando. Tenho um defeito grave: sou perfeccionista.

Você possui algum lugar onde publica textos virtualmente? Qual?

Como falei acima, o blog http://singrandohorizontes.blogspot.com.br, que vai completar 10 anos de atividade, com mais de 16 mil postagens, e mais de um milhão e meio de leitores. Muitos textos clássicos, mas também possuo muitas colaborações de poetas e escritores em geral, que além  de me enviar por email, me enviam seus livros, dos quais seleciono o que pode ser publicável no blog, que é fonte de pesquisa de escolas do PR e SP. Muitos professores já me contataram dizendo que usam o blog com os alunos. Possuo um outro, que é só de trovas (http://florilegiodetrovas.blogspot.com.br). Fora isto, tem os outros literatos que publicam o que posto no site deles.

Que temas prefere escrever? Prefere ficção ou o que vivencia e vê no dia a dia?

É o que dá na “cachola”. Embora eu adore ficção, sai o que “pintou” na hora. Não escolho. Eu tenho muito de acordar e ir direto para o computador para escrever algo que me martelou no meio da noite. Por exemplo, quando estive em São Paulo, e vendo aquela bagunça e os enormes arranha-céus, eu estava no ônibus, vendo aquilo bolei um conto onde um arranha-céu chega no céu, no paraíso e o dono do arranha-céu começa a discutir sobre propriedade com Deus. O meu primeiro conto foi ficção fantástica, definida por vários escritores como “a la Edgar Allan Poe”. Uns anos atrás uma escritora de Curitiba (Isabel Furini) me pediu para escrever uma crônica para um livro que ela estava organizando, foi vapt-vupt. O que brasileiro faz mais? Ficar em fila, claro. Daí escrevi uma sobre filas aqui em Maringá.

Aprecia outros tipos de arte usualmente? Frequenta museus, teatros, apresentações musicais, salões de pintura? Está envolvido com outro tipo de arte (é pintor, músico, escultor?)
Daí você está forçando, mas vou procurar resumir, eu sou louco por novos conhecimentos. Fiz cursos e assisti palestras de tudo que pode imaginar (menos sobre direito e matemática, que eu odeio...rsrs). Toco saxofone quando dá, em São Paulo fui diretor, árbitro e professor de xadrez, e jogador também, ganhando alguns campeonatos. Fui diretor musical (adoro música desde pequerrucho), eu acordo e a primeira coisa é ligar o aparelho de CD e só desligo a noite. E, claro, conheci muitos músicos de diversos gêneros, principalmente Rock, Blues e Jazz. Em São Paulo, todo domingo de manhã ia assistir os concertos no Teatro Municipal. Quando jovem eu pintava, não profissionalmente, mas gostava de pintar, fiz curso. Também fiz teatro, onde tive amizade com Plínio Marcos e Antonio Fagundes. Com a música e o meu blog, grande incentivador de meu trabalho e com quem eu sempre conversava e me dava sempre dicas, Arthur da Távola, que foi Secretário da Cultura aí no Rio de Janeiro. A gente se encontrava num café em São Paulo. Escultura nunca tentei, e francamente nunca me atraiu. Frequentei muito as vernissages. Estudei arqueologia e paleontologia e fiz curso de astronomia no Observatório Nacional. Deve ter mais coisa, mas me deu branco... é a idade (rsrs).

Que retorno você espera da literatura para si mesmo no Brasil? E a nível de mundo?

Para ser franco, qualquer vitória é prazeirosa, batalho pela literatura, e busco colocar em evidência nossos valores. Retorno para mim? Só o reconhecimento pelo meu esforço de sair a campo empunhando a bandeira da literatura. Pretensões de publicar um livro? Quem sabe, mas não é minha meta maior. Satisfação mesmo é quando divulgo alguém e este alguém me retorna agradecendo por outros parabeniza-lo por seus textos. A Nível de Mundo, segue o mesmo, conforme o presidente nacional da Academia de Letras do Brasil, quando me convidou para ser membro, eu já havia rompido as fronteiras, e o meu trabalho era reconhecido no mundo, tanto que recebi agradecimentos de Alemanha, França, Inglaterra, Estados Unidos, Portugal e por aí vai.

Você acha que o brasileiro médio costuma ler? Acha que ele gosta de literatura tradicional ou só de notícias rápidas e sem profundidade?
 Só corrigindo esta pergunta (você me bate depois…rsrs), eu não acho, eu sei, pois teve uma época que fiz pesquisa em campo sobre isto, além do que os censos do IBGE apuram. O brasileiro não gosta de ler. E realmente prefere leituras rápidas se for forçado. Conversei com alguns cineastas  quando estava envolvido nisto (também…rsrs), e somente espectadores, e falei que eu prefiro filmes legendados, pois no dublado se perde sempre alguma coisa. A resposta: não vende. O brasileiro tem preguiça de ler. Hoje ainda mais com o facebook e whatsapp, a coisa piorou, houve até um debate que até para escrever há má vontade e as palavras são todas abreviadas. Claro que não posso ser radical, existe uma fração que lê, mas em termos de população do Brasil, é pouca. Um amigo uma vez me disse que ele prefere só haicais e já está achando que é muito grande.

Você costuma registrar seus textos na FBN antes de publicá-los? Sabe da importância disso?
Sei da importância do registro, e dou muito incentivo a quem tenho contato, tenho contato com editores de livros que me enviam material para repassar aos outros, mas eu mesmo não tenho nada registrado. Como não busco nada comercial e nem pretendo comercializar textos meus não me prendi a isto.

Já tem livros-solo publicados? Consegue vendê-los com certa facilidade?

Tenho um livro publicado de trovas por editora de Porto Alegre, sendo que os em papel que me enviaram eu distribuí. O resto foi tudo e-book, creio que te enviei um.

Virtualmente já é outra história, tenho pouco mais de 500 publicações. Um catatau (mais para Zé Colméia mesmo...kkkkk).

Já conhecia o poeta-escritor Oliveira Caruso (desculpe-me... Esta pergunta é padrão para quem participa de meus concursos literários)?
Quem é? Onde está? rsrsrs Sim, já conhecia, pois já há tempos me envia sobre os Concursos Literários, inclusive conheço bem o seu site Reino dos Concursos. Mas confesso, além dos concursos conheço superficialmente (até agora).

Você trabalha com literatura inclusive para aumentar sua renda ou a leva como um delicioso hobby?
Trabalho com literatura. Nunca pretendi aumentar minha renda com ela, é algo prazeiroso. Hobby? Não sei. Eu levo muito a sério, apesar de ser gostoso este trabalho. É um trabalho voluntário sem remuneração.

Você trabalha(ou) fora da literatura?

Agora sim! Preciso me sustentar, pelo menos ganhar algum dinheirinho para comprar mais livros…rsrs. Trabalho junto as Universidades, fazendo pesquisa (para professores e alunos), digitação de trabalhos, artigos científicos, normas, monografias (há quase 20 anos), revistas, jornais, criação, revisão e ainda dou orientações para fazer monografias aos estudantes, desde bacharelado a mestrado.

Enfim, obrigado por poder participar desta entrevista virtual. Perdoe a extensão, mas sou matraca virtualmente e calado fisicamente.
Paz e luz.

Fonte:
http://www.reinodosconcursos.com.br/entrevista-com-jose-feldman (atualizado)

Carlos Leite Ribeiro (Sabendo e Recordando) Parte V, final

Em Paris, assistiu a um concerto do pianista Sam, grande amigos de ambos, que teve a gentileza de tocar e cantar especialmente para ela, “As Time Goes By”. Fatos que ela registrou com emoção e grande ênfase, no seu diário.

- Também estou comovido com a tua narrativa.

- Eu comovida e com fome. Já estamos atrasados para o almoço. Aonde vamos hoje almoçar?

- Conheço um bom e romântico restaurante, que fica em São Pedro e não muito longe daqui. Talvez uns sete quilômetros.

Como Júlio tinha prometido, foram a um românico restaurante. Na saída do portão que dá para o Palácio da Pena, seguiram em frente por uma rua estreita e ainda feita em calçada do tempo dos coches. O interior do restaurante é revestido de azulejos muito bonitos, com o tema “Agricultores” tendo em quase todos a bela silhueta do Palácio da Pena. No cardápio escolheu “Arroz de Tamboril”, uma das especialidades da casa, e o vinho escolhido por ela, foi um macio e tinto “Borba”. É um prato que tem de ser feito na altura e por isso demora certo tempo.

- Júlio, estou cansada e emocionada com o que te contei. Além de estar “esfomeada”.

- Menina, estou nas mesmas condições. Vamos guardar a visita ao Castelo dos Mouros para amanhã e quando sairmos daqui, vamos diretamente para o hotel.

Depois do almoço que estava excelente, voltaram pela mesma rua estreita e no fim desta, cortaram à direita para apanharem a estrada que os iam levar a Sintra, passando pelo portão rotativo do castelo. Chegados à cidade, compraram no bar sanduiches de queijo tipo “Flamengo”, fiambre e presunto de Trás-os-Montes. Além de sumos de frutos. Iam como na noite passada jantar no quarto.

- Até que enfim, que vou descansar – exclamou ela quando entrou no quarto do hotel. Enquanto me “estico” um pouco na cama, prepara-te tu para a noite.

- OK “chefa”. Vou tomar uma ducha e vestir o pijama. Fica aí com os anjinhos.

Entretanto, ela adormeceu. Depois de ter tomado banho, Júlio entrou no quarto e viu que ela estava a dormir, e acordou-a para ela se preparar.

- Porque os homens são tão chatos ao acordar uma mulher? Chato! Já vou.

- Fica calma, vai-te preparar enquanto eu me deito debaixo da roupa – e com ar de brincadeira, ainda lhe disse – não posso esquecer de ir ao armário buscar o cobertor sobressalente, para não aconteceu como aconteceu ontem…

- Hoje não deves precisar do cobertor, pois a noite está mais quente da que a de ontem…

Ele riu-se e não foi buscar o cobertor.

Quando ela entrou na cama, ele delicadamente compôs os cobertores para cima do corpo dela, que lhe agradeceu.

- Hoje sou eu que tenho frio. Deixa-me chegar um pouco a ti?

- Á vontade, “madame”!

- Vou virar-me para ti…

Já era de madrugada quando foram comer os sanduíches que tinham levado. E ambos estavam com muita fome.

- Menino, agora com a “barriguinha” cheia, vamos deitar. Mas desta vez é mesmo para dormir.

- Doí-me muito as pernas, podias levar-me ao colo.

- Que gracinha…

Acordaram mais tarde do que do costume, mas muito bem-dispostos. Ele pagou o hotel e suas malas ficaram na arrecadação para não irem com o carro carregado para o Castelo dos Mouros. Antes foram à pastelaria Piriquita tomar o pequeno almoço (ou o café da manhã). Já no castelo, depois de passar a porta giratória e comprar as entradas, foram até ao largo da cisterna (que servia também de prisão) e mais adiante, Ivone disse a Júlio:

- Agora temos de subir estas muralhas todas? Já não tenho “pernas” para tanto.

- Também me queixo do mesmo. Vamos subir pela ladeira, que é muito mais suave para subir e depois descemos pelas muralhas.

- Não sabia dessa ladeira e já subi (outrora) várias vezes as muralhas.

A subida foi um pouco penosa até chegar à torre, de onde se avista um soberbo panorama, desde Colares, praia das Maçãs, Azenhas do Mar e a vista estende-se até terras de Torres Vedras. E também a elegante silhueta do Palácio da Pena, diferente da que se avista da Cruz Alta, em três morros diferentes uns dos outros. Calmamente sentaram no banco de pedra quase circundante da quadra da torre.

- Ivone, já descansamos um pouco. Queres recomeçar a narrativa?

- Deixa-me beber um pouco de água. Já terminámos o capítulo “minha avó” …

- Agora será o capítulo “Mamã”?

- Embora tivesse nascido em Inglaterra, minha mãe sempre se sentiu “francesa”. Lá fez seus estudos e conheceu o que viria a ser meu pai, português do Algarve, que já há anos trabalhava numa companhia de gás, em Paris.

E foi na capital de França que eu nasci e no jardim-escola, conheci um maravilhoso “miúdo”, que mais tarde viria a ser meu marido.

- Mas voltando a “tua mãe”.

- Infelizmente, sobreviveu pouco tempo à morte prematura de meu pai. Na parte final da vida de minha mãe, o casal Raymund e madame Emiliè, tomaram conta de mim e mais tarde adotaram-me. Raymund era o administrador da empresa têxtil onde minha mãe trabalhou.

Foi em Paris que me fiz mulher, estudei e comecei a namorar o Diogo, um português a viver em França.

- Ivone, e como vieste para Portugal?

- A empresa onde trabalhava Raymund, montou cá, perto de Loures uma sucursal e ele foi nomeado responsável dessa sucursal. Vim com eles para cá, onde terminei os estudos médios.

- Onde entra o Diogo?

- Meu marido, depois dos estudos em França, veio para Portugal para trabalhar numa fábrica de produtos agrícolas, em Mafra. Como estávamos sempre em contato por correio ou telefone, quando ele veio reatámos o nosso namoro, que mais tarde deu em casamento.

- Tens filhos?

- Tenho uma filha casada e que vive perto de Nova Iorque. Está numa gravidez e ultimamente não tem estado bem. E tu, Júlio, tens filhos?

- Tenho um que vive na Holanda, é casado com uma sueca e técnico de comunicações/Informática. Está bem na vida.

- Estou viúva já quase há cinco anos. E tu, há quantos anos?

- Já vai para oito. De vez em quando vou ter com meu filho, para não sentir tanto a solidão.

- Está na hora de descermos e regressarmos a Lisboa.

- Descemos pelos degraus do castelo, ou queres descer pela rampa?

- Vamos descer pelos degraus, pois em cada degrau, avistamos um belo panorama diferente.

Passaram pelo hotel para apanharem a sua bagagem, e aproveitaram para comprar uma guloseimas, antes de rumar a Lisboa.

- Vamos jantar antes de Lisboa? – Perguntou-lhe ele.

- Conheço um restaurante na Amadora.

- E eu conheço um muito bom antes da Amadora, em Queluz, bem pertinho do majestoso palácio, onde nasceu e morreu, D. João IV de Portugal e I do Brasil.

- Como não estamos de acordo, vamos resolver o problema lançando moeda ao ar. Queres coroa ou cara?

- Prefiro coroa…

- E desta vez ganhaste. Vamos então a esse restaurante em Queluz.

Pouco tempo depois, pararam no parque de estacionamento do restaurante “O Abílio”. Uma das especialidades deste restaurante, é “escalopes de veado” acompanhado por arroz, batata frita e saladas.

- Menino, mas sou eu que vou escolher o vinho. Hoje apetece-me um “Gatão rosé”, de acordo?

- Menina, completamente de acordo, para mais, já há tempos que não bebo esse precioso néctar.

O jantar correu tranquilamente e alegremente com conversa banal. Ambos estavam felizes, embora um pouco cansados. É que a idade não perdoa… Quando chegaram à porta da casa dela, ele com voz hesitante, perguntou-lhe:

- Posso subir também?

- Claro que não. Minha casa não é nenhum hotel!

- Então, podíamos ir para minha casa?

- Também não. Para mais, tu já me disseste que na tua cama, só lá dormiu tua falecida mulher.

- Querida, vou morrer de frio esta noite!

- Não vais não, meu querido. Enrola-te a um cobertor e vais ver que vais dormir muito quentinho. Um beijinho e uma boa noite com muitos e bons sonhos. Até outro dia e não te esqueças de me telefonares.

- Até outro dia!

Quando ela se afastava, ele tristemente, pensou: “plano falhado”

Durante semanas, além do encontro diário no café, saíram alguns fins de semana, visitando, entre outras localidades, a Foz do Arelho (Caldas da Rainha); Nazaré; São Pedro de Moel, Praia de Pedrogão, Figueira da Foz, etc.

No primeiro fim de semana, ele levou um edredon, o que levou Ivone a perguntar-lhe:

- Júlio, para que é esse edredon?
 
- Menina, é para não morrer de frio durante a noite!

Ela atirou uma sonora gargalhada ao responder-lhe:

- Fica sabendo que nos fins de semana que passarmos juntos, eu quero que tu “morras de frio”!!!

Um dia, ela com ar triste deu-lhe a notícia:

- Olha Júlio, minha filha está na parte final da gravidez que não está a corre-lhe muito bem. Está muito fraquinha. Assim, depois de amanhã vou partir para Nova Iorque, mas a ajudar e acompanhá-la.

- Eu posso ir contigo?

- Não Júlio. Vou sozinha e não sei quando voltarei. Aproveita e vai uns tempos para a casa de teu filho.

- E podemos contar pelo telefone e pelo computador?

- Sempre que possa, contatarei contigo. Fica tranquilo nesse aspecto.

No Aeroporto Internacional de Lisboa, despediram-se com um longo beijo.

- Então, nós…? – Perguntou-lhe ele.

- Júlio, quando eu regressar, falaremos….

FIM
 
Fonte: O Autor. Disponível em http://cencaestamosnos.blogspot.pt/search/label/CONTOS

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Carlos Leite Ribeiro (Sabendo e Recordando) Parte IV

A viagem foi curta, pois Sintra fica a cerca de trinta quilômetros de Lisboa.

Já em Sintra e na estrada que vai para o Castelo dos Mouros e Palácio da Pena, antes de chegar ao castelo cortaram à direita e no terreiro da entrada do Convento dos Capuchinhos, num lugar idílico, sentados num banco rústico, Ivone recomeçou sua narrativa sobre o que sabia de sua avô.

- Minha avó e marido, de Lisboa apanharam um navio que os levou aos Estados Unidos, por intermédio da então OSS – Agência de Serviços Estratégicos dos Aliados. Mais tarde, por conveniência de serviço, foram transferidos para Londres, para ficarem mais perto da Resistência contra o Nazismo. Ela ficou nos serviços administrativos e ele nas comunicações. Muitas mensagens via rádio para planificação e organização da Resistência, foram organizadas por ele. Foi em Londres que minha avó ficou grávida de minha mãe.

O meu avô Victor Lazlo preparou cuidadosamente, durante muitos meses a invasão dos Aliados à Europa, dando também orientações aos vários grupos da Resistência que tinha que atuar quando fosse a invasão. Antes do dia “D” de 6 de Junho de 1944, meu avô partiu clandestinamente para a Normandia (França) para superintender os trabalhos de sabotagem que deviam ser realizados para atrasar a reação alemã à Grande Invasão.

Foram combates de uma ferocidade nunca vista que custou muitos milhares de vítimas de ambas as partes. No dia seguinte, ou seja no dia 7 desse mês, uma bomba alemã matou meu avô.

- Foi um fim triste para um herói que nunca foi conhecido do grande público, mas que teve uma utilidade extrema nessa época. Mas vamos esquecer por ora de tua narrativa e convido-te para o almoço e depois fazer o check-in no hotel. De acordo?

- Já sinto fome para mais nem me convidaste para o café da manhã. Por onde vamos?

- Vamos regressar pela estrada que viemos até apanhar a principal que vamos descer até Sintra. Vamos almoçar ao restaurante do hotel Tivoli Sintra, que tem uma soberba vista desta belíssima serra.

- Olha eu hoje não me apetece comer peixe.

Depois de fazerem o check-in para um quarto de só uma cama. Aqui ela sorriu enigmaticamente… Foram conhecer o quarto com uma vista de sonho, deixar suas malas e por fim desceram até ao restaurante. Escolheram “Vitela assada no forno com batatas pequenas”, salada e vinho, este escolhido pela Ivone. Escolheu “Colares” tinto.

Depois do repasto, foram até à Pastelaria Piriquita, onde como sobremesa comeram uns deliciosos “travesseiros” especialidade de doceria daquele estabelecimento, e tomaram café.
Ficaram a conversar durante algum tempo e como ela se queixou que estava muito stressada, foram dar um passeio a pé pela pequena mas belíssima cidade, chegando até ás portas da Quinta da Regaleira.

Ela não quis entrar alegando que não estava com disposição de ver “coisas velhas”. Ele atirou uma enorme gargalhada. Voltaram para a cidade e, no largo Jogo da Pela, sentaram-se nos degraus do Palácio que para muitos ainda é o Palácio Real, onde nasceram vários reis e príncipes de Portugal.

Mas ela não estava para visitar naquele dia “coisas velhas” e ficaram sentados nos degraus do palácio. A certa altura, ela queixou-se que a pedra devia de ser mais quente, pois estava a sentir frio por estar ali sentada.

- Ivone, queres ir para o hotel descansar?

- Para o hotel descansar?!. Não. Se estás com alguma ideia “avançada” retira isso da cabeça senão nunca mais te falo.

- Não tenho nenhuma ideia pré-concebida. Podíamos ir para aquela esplanada ali em frente. Se quiseres, claro.

- Vamos. Na esplanada com certeza que não ficarei num assento tão frio como estas escadas de pedra.

Infelizmente para eles, naquela esplanada os lugares estavam todos ocupados, assim como na esplanada do Hotel Central. Tiveram que procurar outra, esta na curva do Duche. Ela teve de ir à casa de banho (banheiro) e quando regressou, disse-lhe:

- Júlio, este estabelecimento vende “Queijadas de Sintra”.

- Aqui todas as lojas vendem queijadas. Mas quando quiseres, voltamos à Piriquita que fica aqui perto e compramos queijadas.

- Se voltarmos lá, podíamos comprar também daqueles deliciosos “travesseiros”. Tive uma ideia: Podíamos comprar essas guloseimas e uns sumos de frutos e jantarmos no nosso quarto?

- Gulosa!

- Olha quem fala: tu és o maior guloso que conheço!

- Pelo caminho podemos comprar umas velas.

- Porquê? Vai haver algum apagão? Candeeiros elétricos é que não faltam no quarto!

- Seja feita a sua vontade, grande gulosa. Hoje não estou para discussões por ninharia nenhuma. Para mais, tudo o que te acontece fora dos teus planos, é cá o Júlio que tem a culpa.

- Com esta conversa toda, está a começar a escurecer. Sintra é perigosa à noite?

- Muito perigosa, cheia de fantasmas!

- Tu é que me pareces um bom fantasma! Então com esse cabelo tão comprido. Porque não cortaste o cabelo?

- Não a estou a convidar nem pressionar-te, mas quando a “madame” entender, vamos comprar as guloseimas e vamos para o nosso quarto no hotel.

- Já reparei que és muito sensível a brincadeiras de palavras. Quando o “gentil cavalheiro quiser, podemos ir. Esta despesa pago eu. Na Piriquita pagas tu.

Fizeram as compras e depois foram para o hotel. Quando chegaram ao quarto, não tinham luz. Reclamaram na recepção e como aquela hora não havia nenhum eletricista disponível, tiveram que mudar de quarto. Estavam no 2º andar e passaram para outro no 3º, que ainda tinha uma vista mais ampla sobre Sintra.

- Bem te disse que devíamos de ter comprado velas. Mas tu não fazes nada que te peça.

- Ho, Menino! Eu não nasci ontem, tenho cabeça e segundo dizem, tem alguma inteligência. Tu querias era uma ceia à luz das velas!

- Não discuto, pois és tu que tens sempre razão.

A ceia à “luz elétrica” correu bem e ambos evitaram picardias. Viram a televisão, nomeadamente o noticiário e depois um filme que ela classificou “do tempo do rouca”. Quando ela já estava preparada para ir para a cama, mostrou-lhe os tampões nos ouvidos para não ouvir o ressonar dele. Ele, quando já estava preparado, mostrou-lhe os pedaços de algodão que tinha colocado nos ouvidos-

- Com o teu cabelo branco e comprido e com esses algodões, pareces mesmo “uma alma do outro mundo”! rsssss

Estavam deitados ainda há pouco tempo, quando ela se virou para ele e arrancou-lhe um algodão que ele tinha nos ouvidos, gritando-lhe:

- Menino, não te encostes a mim. A cama é bastante grande, chega-te para o teu lugar.

- Estou aqui a “morrer” de frio!

- Levanta-te e vai ao armário buscar um cobertor para te enrolares nele.

- Com este frio não posso! Tenta compreender!

- Já compreendi tudo e muito bem! Vou eu ao armário buscar um cobertor para tu te enrolares nele.

- Não faças isso!

- Bico calado e enrola-te neste cobertor para não teres frio e não te aproveitares para te encostares a mim.

- Nem quero acreditar!

- Mas acredita e deixa-me dormir muito descansadinha. Até amanhã…

Na manhã seguinte levantaram-se cedo, mas mal falaram um com o outro, não ser um seco “bom dia” e quando já estavam arranjados “vamos descer para tomar o pequeno almoço?

Já na estrada, Júlio explicou a Ivone que iam subir pela estrada que ontem foram para o Convento dos Capuchinhos.

- Queres dizer que vamos passar à cortada para o convento e subimos ainda mais?

- Certo. Vamos subir até ao Palácio Nacional da Pena, mandado construir por D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota-Koháry, marido da rainha D. Maria Iº. Como ontem disseste, não gostas de ver “velharias”…

- Isso foi ontem. Hoje já estou mais bem disposta!

Antes passaram pela porta rotativa do Castelo dos Mouros, e subindo mais um pouco chegaram ao fim da estrada Sintra/Palácio da Pena. Passaram o portão e percorreram umas lindas alamedas antes de estacionar o carro no parque respectivo. Daí, subiram uns degraus e uma pequena rampa e entrara na varanda que dá para a verdadeira entrada do palácio. Quando Júlio se dirigiu à bilheteira, soube que naquele dia não havia visitas pois o palácio estava em manutenção e limpezas. Ela, quando soube, atirou uma sonora gargalhada. Ele, olhou-a de lado e também se riu.

- Júlio, tu já visitaste este Palácio muitas vezes e eu algumas. Vamos para outro lado.

- Tens razão, vamos até à Cruz Alta. Se eu ainda me lembrar onde se entra na estrada.

Foi fácil encontrar a estrada a partir do parque de estacionamento a Cruz Alta fica a cerca de 3 Km do palácio, num alto morro, e tem uma belíssima panorâmica, das mais belas de Portugal. Quando chegaram lá, viram com tristeza que a grande cruz de ferro tinha sido vandalizada. Encostaram-se ao varandim em frente aos degraus da cruz, donde se avista, num outro morro o majestoso Palácio da Pena. Voltaram-se para o outro lado.

- Júlio, parece que temos a nossos pés, Oeiras, Estoril, Cascais e ali mais adiante, o areal da praia do Guincho. E repara que se vê a ponte 25 de Abril e mais além a belíssima ponte Vasco da Gama!

- Ivone, é na margem esquerda do rio Tejo, vê-se da esquerda para a direita, o Montijo, Seixal, Almada (com o seu Cristo Rei), a Trafaria e Cova do Vapor, etc., e muito mais afastado o Castelo de Palmela (que só se vê em dias muito claros como está hoje); além do estuário do Tejo, que é em delta e também muito belo.

- Até parece que avisto uns golfinhos a saltar…

Ficaram alguns minutos extasiados com tanta beleza que avistavam. Até que ele a lembrou:

- Então, com a morte de teu avô, tua avó ficou sozinha em Londres?

- Sim, ficou por lá mais cinco anos até se reformar. Depois, foi para a que chamava “sua Paris”, onde teve o amor de sua vida, e onde se empregou como secretária de uma empresa têxtil, onde o administrador era amigo da família. Ela nunca se esqueceu de teu avô Rick Blaine e até escreveu no seu diário a seguinte passagem: “A união de duas pessoas é uma sintonia de esforços e sentimentos que muitas vezes é cortada pelo destino”.

- E nunca mais o procurou?

- Procurou sim. Pelos serviços secretos, soube que ele esteve em Moçambique e que tinha tido problemas com as autoridades. Antes de saber este pormenor, esteve quase resolvida a ir ter com ele. Não foi com receio de ser rejeitada, pois teu avô, como até´ tu compreendes, era um aventureiro. Soube da sua fuga para a Argentina e daí perdeu-lhe o rastro durante anos.

- E soube que ele esteve no Brasil?

- Também soube assim como as atividades marginais dele. Tinha muita pena do Rick e chegou a admitir que talvez fosse por ela os desvarios dele. Esse pensamento (ou remorso) acompanhou-a até à morte. Talvez pensasse que com ela, ele teria sido uma pessoa boa. Pelo menos é o que dá a entender no seu diário.

Na última nota que escreveu no diário, poucos dias antes de falecer, nunca a consegui decifrar: “Trazendo grinaldas e roupagens divinas, ungindo de perfumes celestes. O Deus dos milagres, o Deus infinito, manifestou-se, a face voltada para todos os lados. Se o esplendor de mil sóis brilhasse ao mesmo tempo nos céus, seria talvez comparável ao irradiar do grande Ser”. Foi esta sua última mensagem.

continua...

Fonte : O Autor. Disponível em http://cencaestamosnos.blogspot.pt/search/label/CONTOS

I Prêmio Literário Gonzaga de Carvalho da ALTO - 2016 (Resultado Final)


Realização da Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG

Categoria: Poema

1º Lugar:
“Vale ouro e diamante e não há quem não se encante”
Alfredo Nogueira Ferreira
Florianópolis-SC

2º lugar:
“Sobre as mulheres”
José Anchieta Antunes de Souza
Gravatá-PE

3º lugar:
“Lembranças mortas”
Gladston Passos Salles
Rio de Janeiro-RJ

Menções Honrosas:

4º lugar:
“Homenagem a Luiz Gonzaga de Carvalho”
Maria Luciene da Silva
Fortaleza-CE

5º lugar:
“É primavera”,
Marripe Faul Abeilice
Belo Horizonte-MG

6º lugar:
“Quisera... mas... ,”
Eloisa Antunes Maciel
São Martinho da Serra-RS

7º lugar:
“A TV matou a janela”
Wenderson Cardoso
Contagem-MG

8º lugar:
“Voar é contemplar o infinito”
José Moutinho dos Santos
Belo Horizonte-MG

9ºlugar:
“Escrever poesia”
Celso Gonzaga Porto
Cachoeirinha-RS

10º lugar:
“Poeta (n)ativo”
Marcos Pereira dos Santos
Ponta Grossa-PR

11º lugar:
“Cachoeira de saudade”
Ândrei Clauhs
Brasília-DF

12º lugar:
“Pedra do Poeta”
Valéria Victorino Valle
Anápolis-GO

13º lugar:
“Serra da Mantiqueira”
Cláudio de Almeida
São Paulo-SP

14º lugar:
“Coragem, mulher”
Nelci Veiga Mello
Campo Mourão-PR

15º lugar:
”Oasis”
Francisco José da Silva
Bom Jesus do Galho-MG

16º lugar:
“Olhos de âmbar”
Cláudio de Almeida Hermínio
Belo Horizonte-MG.

Categoria: Crônica

1º Lugar:
“História de cinema”
Helena Selma Colen
Ladainha-MG

2º lugar:
“Vinho e sangue”,
Geraldo de Castro Pereira
Vila Velha-ES

3º lugar:
“As raparigas de Seu Nó”
Eugênio Maria Gomes,
Caratinga-MG

Menções Honrosas:

4º lugar:
“As coisas miúdas”
Aristides Dornas Júnior
Moeda-MG

5º lugar:
“A arte como fonte de novo tempo”
Carlos Lúcio Gontijo
Santo Antônio do Monte-MG

6º lugar:
“Em síntese”
de Altamir Freitas Braga
Belo Horizonte-MG

7º lugar:
“Veredas do tempo”
Paulo Murilo Carneiro Valença
Recife-PE

8º lugar:
“O boato” de Cosme Custódio da Silva
Salvador-BA

9º lugar:
“Paz: Afinal, onde encontrá-la?”
Alcione Sortica
Porto Alegre-RS

10º lugar:
"Alegria na noite: a memória do mundo!”
Marcos Coelho Cardoso
Dourados-MS

11º llugar:
“Velha infância”
Jéssica Millato da Costa
Araras-SP

12º lugar:
“O canto de um bêbado”
Leandro Campos Alves
Caxambu-MG

13º lugar:
“O mestre e o vale”
Adevaldo Rodrigues de Souza
Belo Horizonte-MG

14º lugar:
“O Brasil também está em guerra”
Marcelo de Oliveira Souza
Salvador-BA

15º lugar:
“Espírito de porco”
Sérgio Rodrigues Piranguense
Contagem-MG

16º lugar:
“O som do silêncio”
Margareth das Dores Rafael Moreira Costa
Itambacuri-MG.

Comissão Julgadora:
Elisa Augusta de Andrade Farina
João Batista Vieira de Souza
Márcio Barbosa dos Reis

Fonte:
Wilson Colares (Presidente da ALTO)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Domício da Gama (Maria sem tempo)

Era magra, pequena, escura. Tinha a extrema humildade dos que vivem longos anos sob o céu destruidor, sem pensar ao menos em resistir à sorte, com a passividade inerte da folha que o vento rola pelos caminhos. Era assim mirrada e seca e sombria, como se tivesse perdido a seiva ao ardor dos estios, como se guardasse das noites sem estrelas o negrume cada vez mais denso.

Era louca, porque só tinha uma ideia, e a criatura humana pode não ter ideias, mas não pode ter uma só. A sua era o angustioso desassossego das maternidades malogradas. Perdera um filho e o procurava. Andava pelos caminhos para buscá-lo e só levantava a voz para chamá-lo, ansiosamente, carinhosamente: "Luciano! Meu filho!..." E escutava longo tempo por trás nas cercas, no aceiro dos matos, à entrada dos terreiros das fazendas, nos desertos e nos povoados, onde quer que a levasse a sua dolorosa esperança. Aquela figura miserável, toda feita num gesto indagador, com a mão abrigando os olhos, à espreita, ou levantando o xale que lhe encobria a cabeça de cabelos hirtos, para ouvir melhor a resposta ideal, aquela encarnação de um desejo sempre iludido enturvava o esplendor do mais radioso meio-dia.

Gente compassiva, donas de casa a quem se apertava o coração ouvindo ecoar pelas estradas o seu reclamo desolador, quiseram retê-la, dar-lhe amparo e agasalho: "Aonde vai, Sinhá Maria? Fique com a gente, mulher! Por estes sóis que matam, assim ao desabrigo do tempo, o que faz uma criatura de Deus? Descanse uns dias e vá então..." Mas a louca se escusava resolutamente: "Não tenho tempo, minha senhora. Vou ao encontro do meu Luciano, que me disse que havia de voltar. Como não tenho mais casa, preciso de estar no caminho. Não vá ele passar enquanto aqui estou..." E se precipitava para fora exalando o seu grito: "Luciano! Meu filho Luciano!..."

E Maria sem Tempo não era uma lição, nem um castigo, nem um exemplo. Se alguma coisa ela provava, era que há sofrimentos que nada provam e que nada justifica, que são, pela razão obscura daquilo que tem de ser. A sua miséria nem mesmo era trágica, porque não exclamava, não lutava, não indagava. O céu rigoroso era-lhe como um senhor cruel, que a pobre escrava não entendia e sob cujos golpes se encolhia apenas. Vivera para ser mãe: sofria disso, como disso outras jubilam.

Quem a encontrava pelos desertos, longe de todo o amparo, às horas tristes do dia, pensava logo com piedade na solidão da sua alma. Mas se iam falar-lhe, ela se não mostrava agradecida à sociedade que lhe queriam dar: recaía logo no seu silêncio absorto, tão ocupado pelo seu sentimento.

O meu Luciano! dizer estas palavras era para ela o mesmo que sentir-se viva. Dizia-as alto, gritando, clamando, enchendo as grotas e os recantos das florestas com o seu alarido de araponga louca; dizia-as baixinho, suspirando, fundindo o coração num ajoelhamento de prece, na prostração suprema do supremo amor. E às vezes, caminhando horas ao longo da praia, com os cabelos sacudidos pelo vento do largo, vacilando sobre a areia branca e infirme que entontece, ela cantava ao mar em fúria a canção monotonamente sublime da sua pena sem fim.

Eles eram dois humildes e mansos e os soberbos e violentos lá de longe fizeram uma guerra para mal deles, uma guerra de tantos anos durando já que os cabelos da mulata tiveram tempo de embranquecer. E o seu Luciano sempre por lá, longe da sua velha, que só tinha a ele no mundo, e que não pudera opor-se a que partisse, porque com o poder de homens, que o vieram buscar naquela noite, tinha-se juntado todo o poder celeste, estrondando numa trovoada de arrasar o mundo. Quando chegaram os homens malditos, ela estava com o filho rezando o Magnificat, à claridade da vela benta em frente ao registro da advogada contra o raio. A voz dele tinha uma toada grave e cheia de fervor, que lhe quebrava a ela a friura do medo no coração. Ai! não era dos raios e coriscos do céu que a pobre mulata devia recear! Num silêncio entre dois refegões de vento, bateram de repente à porta. Luciano foi abrir e logo um homem entrando, antes de dizer uma palavra, lhe foi deitando a mão. O rapaz deu um pulo, esquivando-se, mas o outro gritou e a casa se encheu de gente armada, soldados, que subjugaram o seu filho e o amarraram. Ela conhecia um dos homens, o que tinha entrado primeiro: de joelhos, como tinha ficado diante da santa, arrastou-se aos pés dele. "Seu Capitão, não me tire o meu filho, que não cometeu crime. Tenha piedade de uma pobre mãe..." O Capitão, meio embaraçado, sem convicção, resmungou umas frases, falou em defesa da pátria, em honra nacional ofendida, dever de todo brasileiro e não sei que mais. Mas a mulher não lhe deu ouvidos; viu que lhe tiravam o filho para a matança nos campos do Sul e desatinou de todo, a pedir, a suplicar, de rastros pelo chão, beijando os pés e abraçando pelos joelhos os seus carrascos, sem poder mais chegar ao filho das suas entranhas. O Capitão começou a se incomodar com a cena e deu ordem de partir, apesar da tempestade no seu auge. Então Maria se endireitou, arquejante sobre os joelhos, e viu, enquadrado pela porta aberta sobre a noite negra cortada de relâmpagos, o seu belo rapaz, que, sem chapéu, de roupas rotas mostrando o peito nu, levantava para ela as mãos algemadas, num gesto de adeus, e lhe dizia com voz trêmula e sentida: "Não se desconsole, Mãe, que ainda hei de voltar..." Nesse instante um fuzil cegou-a e o estampido imediato de um trovão derrubou-a por terra. Quando tornou a si estava sozinha no meio da noite escura. Parece que esta lhe entrou deveras pela mente, e lhe apagou as últimas claridades que lá luziam. Ela se desinteressou de tudo o que ocupa as vidas mais humildes, desprendeu-se por uma inatenção absoluta dos fatos que podem servir de marca aos dias, perdeu a noção do tempo, perdeu as suas afeições menores, enclausurou-se, absorveu-se no seu único sentimento transformado em culto, endoideceu.

Como sempre fora uma pobre inteligência, a sua loucura não se caracterizou senão por uma teimosia especial, passiva, mas inflexível, uma recusa absoluta a ceder aos argumentos dos que queriam convencê-la de que o filho não andava por aquelas bandas e que não era gritando pelos caminhos que ela havia de o recuperar. Ele lhe dissera que havia de voltar... Essa promessa lhe não deixava lugar no espírito nem para a ideia da morte. Quando lhe disseram que Luciano morrera num combate, que um voluntário, que voltava ferido, o tinha visto cair ao seu lado no campo e ao seu lado morrer no hospital de sangue, ela sacudiu a cabeça, incrédula. A força da ideia fixa venceu-lhe a timidez natural e lhe tirou todos os escrúpulos e receios que a pudessem deter no cumprimento do seu fadário. Na abstração poética é assim um caráter heroico.

Os sinais físicos de loucura estavam nos seus olhos perdidos como os de um cão de caça, desatentos ou muito atentos, mas sem simpatia, e nos cabelos hirtos, eriçados, como num perene arrepio de pavor. O resto, mãos e pés de nômade selvagem, miséria profunda do corpo desprezado, fizera-o o ascetismo inconsciente da sua existência errante. A voz cantante, plangente antes, arrastava-se apoiando demais em certas sílabas, como quem chama. E falando baixo tinha umas inflexões escuras, vindas mais de dentro, o tom reflexivo de quem pensa em voz alta.

Sonhava muito, quando dormia, e prolongava o seu sonho, sempre o mesmo, pela vigília. Era com o dia da volta dele que sonhava, com a hora em que, avistando-o, lhe dissesse: "Bendito seja Deus, meu filho, que te torno a ver!" Ele abaixaria os olhos diante do seu olhar carinhoso, com os seus modos tão bonitos de bom filho e depois lhe contaria o que tinha visto pelas terras distantes, a história da sua ausência, as grandezas do mundo, as lindezas das outras gentes, tudo o que ela nem podia imaginar que fosse, tudo evocaria o som da sua voz, cuja lembrança bastava para lhe encher a ela os olhos de lágrimas. E voltariam a levantar a casa arruinada, o ninho velho donde a má sorte os enxotara, a refazer a vida antiga, humilde e pobre, que ela não trocaria pela de uma rainha, com Luciano...

Sonhava, e procurava o seu sonho, correndo as estradas. Mas não se afastava dos sítios familiares, algumas léguas de circuito, três municípios, a pátria. Mais longe já parece que a língua mudava ou pelo menos mudavam os costumes. Eram mais duros para a pobre mãe, como se ela pudesse fazer mal, ou não entendiam-na e desconfiavam. Um dia chegou ao pé de uma cidade muito bonita: as casas tinham vidros que faiscavam ao sol; nas ruas passava muita gente, toda calçada de botinas, os homens de gravata ao pescoço, as mulheres de chapéus com flores, todos muito soberbos; carros e cavaleiros passavam a toda a pressa, fazendo muito barulho nas pedras da calçada. Apareceram uns soldados e a pobre Maria fugiu espavorida. Era ali sem dúvida que moravam os que lhe tinham arrancado o seu Luciano. Disseram-lhe mais tarde que ela quase tinha estado na Praia Grande, que era para onde iam os designados para o recrutamento militar, mas que não era ali que eles batalhavam.

O invencível terror do desconhecido a impediu de ir procurar o filho aos campos do Sul. O Sul sabia ela onde era. De lá vinham as piores borrascas. E os tiros de canhão, que diziam de gala na cidade, para ela eram batalhas mais perto, a guerra que se aproximava. Se com a guerra lhe aparecesse um dia de repente Luciano! Quando o ar estava pesado, o tempo de oraça, ela escutava estremecendo o troar surdo dos canhões que salvavam no Rio, avaliando a aproximação da guerra pela sonoridade mais clara dos tiros, que lufadas de aragem quente e a banzeira traziam.

Um dia de verão, depois do meio-dia, ela vinha subindo da restinga do mar para a terra firme. Não passava ninguém pelas estradas. O sol de fogo retorcia a folha das árvores e fazia ferver o miolo da doida vagabunda. No grande silêncio da calma acabrunhante só se ouvia o zumbido do enxame de mutucas importunas, que acompanham a gente pelos caminhos à beira dos charcos, e o canto de galos longe. O chão escaldava; a doida movia rápida os magros pés descalços e caminhava de braços levantados, sustentando o chale acima da cabeça. Mas de instante a instante parava, com um gesto de impaciência, e se abaixava para atirar uma pedrada ou um punhado de areia aos camaleões cinzentos, que vinham pôr-se à beira do caminho, debaixo dos gravatás de folhas de serra e flor vermelha, e lhe faziam sinaizinhos brejeiros com a cabeça, quando ela passava. Sobre a ponte do Paracatu parou para ver uma cobra verde, que se lavava no magro fio d'água que ainda corria. Depois entrou na sombra do caminho estreito, com árvores dos dois lados, um desfiladeiro entre a lagoa e a barranca de um morro a pique, e se deteve a colher os cachinhos de jatitás verdes para refrescar a boca sequiosa. Passou um cavaleiro pela estrada e no ouvido ficou-lhe a cadência do meio galope, acompanhamento da toada favorita de Luciano, quando falquejava no mato:

Os olhos de Joanita São pretos como carvão...

Fora ela que lha ensinara, em pequenino. Vinha de tão longe a cantiga do Mineiro da serra! Vinha de antes das tristezas dela... Cerrou-se-lhe a garganta e retomou a estrada.

Já ia pondo a mão à cancela do campo do capitão Rosa, quando um tiro de canhão atroou os ares; depois outro e outro e em seguida um estrondo prolongado, como o de uma casa desabando.

Maria sem Tempo pensou na guerra. Chegara enfim! A artilharia destruía as grossas muralhas da casa da fazenda. Só lhe admirava aquele silêncio depois da catástrofe. Deu a volta para ir espreitar pela outra cancela, e não entendeu mais nada, quando viu a casa em pé, o gado no campo e na lombada do morro do Cantagalo e o eito de escravos no trabalho, manejado as enxadas, em que o sol faiscava. Ali estava tudo em paz; no céu nem uma nuvem quebrava a dureza do azul implacável: donde vinha então aquele troar de canhões?

A doida aproximou-se da fazenda, mas saíram-lhe cães bravos ao encontro e ela regressou do meio da ladeira. Deu então volta ao morro pelo lado do brejo, para entrar pelo engenho. Mas ao passar pelo campinho de dentro, onde se soltavam os animais de sela e as lavadeiras estendiam a roupa a corar, pareceu-lhe que ouvia deveras a cantiga do Mineiro da serra, a cantiga da saudade, que lhe entrava pelos ouvidos, em vez de ressoar-lhe apenas da memória esvaída. Transpôs a cerca de bambus em moitas sussurrantes e encontrou um cavouqueiro, dos que ali andavam a arrebentar pedra para construção, que descia da pedreira e vinha jantar. Maria perguntou-lhe ansiosamente: "O meu filho? é o meu Luciano quem está cantando?" O homem respondeu: "É o Luciano, sim; mas não vá para lá agora, que ele vai pegar fogo à mina." A doida não lhe deu mais atenção e embarafustou pelos cafezais acima. Chegando à entrada da pedreira, viu um rapaz meio pendurado de uma corda de nós, que acabava de arranjar os estopins e punha fogo à mina. Ela gritou: "Meu filho? És tu, meu Luciano?" O Chico Macaé, que já ia marinhando pela corda acima, voltou-se espavorido: "Meu Deus! que faz aí, Sinhá Maria? Fuja, que aí vai pedra! Corra, suma-se depressa, mulher!" E como ela estacasse atônita, ele lançou mão de uma pedra para afugentá-la. A mãe louca viu o gesto e, pondo as mãos na cabeça, despenhou-se pelo cafezal da grota. Alguns segundos mais e a mina rebentava e Maria sentia cair-lhe em torno uma chuva de pedras miúdas, enquanto ao longo da pedreira as grandes lascas desabavam fragorosamente.

Maria sem Tempo caiu extenuada sob uma grande mangueira no meio do campo. Na perturbação da emoção profunda todas as ideias se lhe confundiram e o desvario completo entrou-lhe na mente.

Era aquilo a guerra e era o seu filho que a fazia contra ela. O homem dissera que era ele e a cantiga a não enganara. Para se encontrarem daquele modo vivera ela tão longos anos, penando pelos caminhos! À ideia de que pudera ter morrido aos golpes do filho estremecido, um calafrio sacudiu-a toda convulsivamente e por fim as pernas se lhe inteiriçaram. Depois, a necessidade de abandonar toda a esperança quebrou-lhe as derradeiras forças. Uma toalha de gelo espremeu-lhe o coração num grito de agonia infinita e Maria sem Tempo morreu.

Algumas horas depois formava-se uma trovoada e um raio caía sobre a árvore que abrigava o cadáver. A tempestade passou e os escravos que, voltando da roça, foram ver o tronco lascado descobriram a morta. Os respingos da chuva lhe tinham coberto o rosto de terra e os olhos esgazeados já pareciam olhar do fundo da sepultura. Um dos escravos se abaixou para lhos fechar, dizendo: "Coitada de Sinhá Maria! Vá que ela agora descanse de procurar o filho!..." E outro, velho, resmungou, sem saber que tão bem dizia: "Esta morreu de ser mãe..."

Fonte:
GAMA, Domício da. Histórias Curtas. 1901.

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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