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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Mensagem na Garrafa 188 = Eu pedi a Deus


AUTOR ANÔNIMO

Eu pedi a Deus que tirasse meu orgulho.
E Deus disse não! 
Não Lhe cabia tirá-lo, mas a mim deixá-lo...

Eu pedi a Deus que me desse paciência.
E Deus disse não! 
Ele disse que a paciência nasce das atribulações;
Ela não é concedida, é merecida...

Eu pedi a Deus que me concedesse felicidade.
E Deus disse não! 
Ele disse que me daria Suas bênçãos; 
A felicidade viria de mim mesmo...

Eu pedi a Deus que me poupasse do sofrimento.
E Deus disse não!
Ele disse que a dor afasta-me das ilusões da vida e leva-me para mais perto d'Ele...

Eu pedi a Deus que me fizesse crescer minha vida espiritual.
E Deus disse não!
Ele me disse que eu deveria crescer sozinho, mas Ele vai podar-me como um ramo, para que produza frutos...

Eu perguntei a Deus se Ele me ama.
E Deus disse sim!
Ele deu-me Seu Único Filho, que morreu por mim
E quer-me um dia no céu, pela minha Fé...

Então, pedi a Deus que me ajudasse a amar os outros como Ele me ama.
E Deus disse:
"Finalmente compreendeste!"

domingo, 14 de junho de 2026

Mensagem na Garrafa 187 = A Verdadeira Felicidade


AUTOR: JOSÉ FELDMAN
(Floresta/PR)

Alan desligou a tela do computador. O relógio no canto do monitor marcava duas da manhã. Ele olhou ao redor do seu apartamento no 24º andar, no centro de Niterói: móveis de design assinados, a última versão do videogame na estante e roupas de grife no closet. Tudo o que a sociedade apontava como a fórmula do sucesso estava ali. Mesmo assim, ele sentia um eco persistente no peito, um vazio que nenhuma promoção ou compra conseguia preencher.

"A vida não pode ser só isso", pensou. Convencido de que o estilo de vida urbano e a rotina corporativa eram os culpados por sua apatia, Alan pediu demissão, vendeu o apartamento e colocou uma mochila nas costas. Ele iria buscar a felicidade no mundo.

Sua primeira parada foi em Ibiza. Durante meses, Alan mergulhou em festas exclusivas, open bars na praia e noites que emendavam em amanheceres dourados. No calor da pista de dança, cercado de música e pessoas eufóricas, ele sentia uma descarga intensa de adrenalina. "É isso!", celebrava. 

Mas, ao acordar no hotel ao meio-dia, com a ressaca e o silêncio do quarto, o vazio retornava idêntico. A euforia da noite anterior parecia uma miragem.

Frustrado com a superficialidade das festas, Alan buscou o oposto. Viajou para um vilarejo isolado nos Alpes Suíços. Alugando um chalé de madeira, cortava a própria lenha e passava os dias caminhando por paisagens cobertas de neve que pareciam pinturas. 

Nos primeiros dias, a paz do isolamento trouxe um alívio enorme. Porém, em três semanas, o silêncio da montanha transformou-se em solidão. A beleza externa já não anestesiava a inquietação que ele carregava na mente. O cenário mudara, mas o observador continuava o mesmo.

Ele seguiu viagem. Buscou a felicidade no voluntariado no Sudeste Asiático, no misticismo na Índia e no luxo de Dubai. Cada nova experiência operava sob o mesmo ciclo: um pico inicial de novidade e entusiasmo, seguido por uma queda rápida de volta ao tédio e à insatisfação. 

Alan percebeu que estava colecionando carimbos no passaporte da mesma forma que antes colecionava objetos, usando estímulos externos para tentar curar uma angústia interna.

Cinco anos depois, com as economias no fim e o corpo cansado de aeroportos, Alan voltou ao Brasil. Sem dinheiro para o centro da cidade, alugou uma casa pequena com um pequeno quintal em um bairro calmo.

No primeiro domingo na casa nova, Alan preparou um café e sentou-se na varanda. O sol da manhã aquecia a grama, e um vento suave balançava as folhas de uma árvore vizinha. Pela primeira vez em meia década, ele não tinha um voo para pegar, um ponto turístico para fotografar ou uma meta para cumprir.

Olhando para trás, Alan revisitou mentalmente as praias de Ibiza, as montanhas suíças e os templos indianos. Percebeu que passara anos correndo atrás de flashes de alegria, momentos fugazes que dependiam exclusivamente de fatores externos para existir. Toda vez que o estímulo sumia, a felicidade desmoronava.

Ali na varanda, sem nenhum luxo ou paisagem extraordinária, Alan sentiu uma paz profunda e inédita se espalhar pelo corpo. Ele percebeu que a felicidade duradoura nunca esteve em um destino geográfico ou em uma experiência específica. Ela dependia unicamente da lente através da qual ele decidia enxergar a própria rotina. A vida boa não era a que tinha os melhores cenários, mas a que era vivida com presença, aceitação e gratidão pelo agora.

Moral: 
As alegrias externas são como fogos de artifício: intensas, mas passageiras. A verdadeira felicidade é uma construção interna e duradoura, gerada pela forma como escolhemos acolher e valorizar a nossa própria existência diária.

Fonte: José Feldman. Alquimia do Tempo.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Mensagem na Garrafa 186 = O Velhinho


AUTOR ANÔNIMO

Um dia estava entrando em uma pequena bomboniere, onde se vendiam doces e doces...

Quando comprei uma maça do amor e fui pagá-la encontrei um velhinho no caixa, com sua voz cansativa, uns 80 anos mais ou menos...

Foi quando começamos a conversar de vida, vida, vida... ele me fez 3 perguntas que ficaram em minha mente por uma semana...

Primeira: Qual é o momento mais feliz da sua vida?

Segunda: Quem é a pessoa mais importante da sua vida?

Terceira: E o que você tem a fazer para ela naquele momento?

Passou uma semana e eu fiquei com essas 3 perguntas na minha cabeça, foi quando resolvi voltar a bomboniere para decifrar as respostas...

Quando voltei, me disseram que o senhor tinha morrido, mas tinha me deixado um bilhete... com o coração apertado o abri e tive uma surpresa ao lê-lo!!!

Tinham as 3 respostas...

As minhas lágrimas começaram a correr pelo meu rosto... então li que o momento mais importante de nossas vidas é o AGORA!! A pessoa mais importante da nossa vida é aquela que está vivendo o momento com você!! E o que você tem que fazer a ela? FAZÊ-LA FELIZ!!!

Somente...

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Mensagem na Garrafa 185 = O Sapo Cantor


Autor = José Feldman
Floresta/PR

Freddy era um sapo que vivia à beira de um lago tranquilo. Desde pequeno, ele sonhava em ser cantor. Ele passava horas praticando seu croar, mas ninguém parecia prestar atenção. Os outros sapos riam dele, dizendo que ele nunca seria tão bom quanto os pássaros.

Um dia, enquanto Freddy cantava sozinho, uma rã chamada Rita se aproximou. Ela ouviu sua canção e ficou encantada. 

"Você tem uma voz incrível! Por que não faz um show?", sugeriu Rita.

Freddy hesitou, mas a ideia o animou. Decidido, ele organizou um concerto à beira do lago, convidando todos os animais. 

No dia do show, Freddy estava nervoso, mas Rita estava lá para apoiá-lo.

Quando Freddy começou a cantar, sua voz ecoou pela floresta. Os pássaros pararam, e até os outros sapos ficaram em silêncio, admirando sua performance. A música de Freddy era única, cheia de emoção e paixão. Ao finalizar, todos aplaudiram e gritaram por mais.

O sucesso do show fez com que Freddy acreditasse em si mesmo. Ele continuou a cantar, e aos poucos, tornou-se um ícone na floresta. 

Sua canção agora ecoava não apenas no lago, mas em todo o bosque, celebrando a beleza de ser autêntico.
* * * *

A verdadeira felicidade vem de seguir seus sonhos, independentemente do que os outros pensam.

Fonte: FELDMAN, José. Pérgola de textos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.

sábado, 6 de junho de 2026

Mensagem na Garrafa 184 = Crias à Venda


AUTOR ANÔNIMO

O lojista estava a colar na porta da loja um cartaz: "Crias à Venda". Cartazes como esse têm o poder de atrair crianças pequenas e, na verdade, um garotinho apareceu sem demora.

"Por quanto vai vender as crias?", perguntou.

"Entre 30 e 50 dólares."

O menino enfiou a mão no bolso e tirou uns trocos.

"Tenho 2,37 dólares, posso dar uma olhadela?"

O dono da loja sorriu, assobiou e, do canil, saiu Lady, seguida por cinco pequeninas bolinhas de pelo. Uma das crias tinha ficado consideravelmente para trás. Imediatamente, o garotinho indicou a cria atrasada, que se movia com dificuldade, e disse:

"O que é que tem aquele cachorrinho?"

O dono da loja explicou que o veterinário o tinha examinado e descobrira que ele não possuía uma articulação do quadril. Iria coxear para sempre. Seria defeituoso para sempre. 

O garotinho ficou animado.

"Este é o cachorrinho que quero comprar."

O dono da loja disse: "Não, não pode comprar este cachorrinho Se realmente o queres, eu dou-te."

O garotinho ficou muito aborrecido. Olhou diretamente nos olhos do dono da loja, com o dedo em riste, e disse:

"Eu não quero um presente. Aquele cachorrinho vale exatamente tanto como os outros e eu pagarei o preço real. Na verdade, eu dou-te 2,37 dólares agora, e cinquenta centavos por mês, até que tenha pago tudo."

O dono da loja opôs-se: 

"Não queres realmente comprar esse cãozinho. Ele nunca será capaz de correr, saltar e brincar contigo como os outros."

O garotinho, com a simplicidade das crianças, baixou-se e enrolou a perna da calça, revelando uma perna gravemente deformada, amparada por um aro de metal. 

Olhou para o dono da loja e replicou suavemente:

"Bem, eu também não corro tão bem, e o cachorrinho precisará de alguém que compreenda isso!"

domingo, 31 de maio de 2026

Mensagem na Garrafa 183 = Morangos


AUTOR ANÔNIMO

Um homem estava caindo em um barranco e se agarrou às raízes de uma árvore. Em cima do barranco havia um urso imenso querendo devorá-lo. O urso rosnava, mostrava os dentes, babava de ansiedade pelo prato que tinha à sua frente. 

Embaixo, prontas para engoli-lo, quando caísse, estavam nada mais nada menos do que seis onças tremendamente famintas.

Ele erguia a cabeça, olhava para cima e via o urso rosnando. Quando o urso dava uma folga, ouvia o urro das onças, próximas do seu pé. As onças embaixo querendo comê-lo e o urso em cima querendo devorá-lo.

Em determinado momento, ele olhou para o lado esquerdo e viu um morango vermelho, lindo, com aquelas pontinhas douradas refletindo o sol.

Num esforço supremo, apoiou seu corpo, sustentado apenas pela mão direita, e com a esquerda, pegou o morango. 

Quando pôde olhá-lo melhor, ficou inebriado com sua beleza. Então, levou o morango à boca e se deliciou com o sabor doce e suculento. 

Foi um prazer supremo comer aquele morango tão gostoso.

Deu para entender?

Talvez você pergunte: "Mas, e o urso?" Dane-se o urso e coma o morango!
E as onças? Azar das onças, coma o morango! Se você não desistir, a onça ou o urso desistirão.

Relaxe e viva um dia por vez: coma o morango.

Problemas acontecem na vida de todos nós, até o último suspiro. Sempre existirão ursos querendo comer nossas cabeças e onças tentando arrancar nossos pés. Isso faz parte da vida e é importante que saibamos viver dentro desse cenário. Mas nós precisamossaber comer os morangos, sempre.

A gente não pode deixar de comê-los só porque existem ursos e onças. Coma o morango, não deixe que ele escape. Poderá não haver outra oportunidade de experimentar algo tão saboroso.

Saboreie os bons momentos.

Sempre existirão ursos, onças e morangos. Eles fazem parte da vida. Mas o importante é saber aproveitar o morango. Coma o morango quando ele aparecer. Não deixe para depois.

O melhor momento para ser feliz é agora.

O futuro é uma ilusão que sempre será diferente do que imaginamos. Às vezes, esquecemos que a felicidade é construída todos os dias.

Lembre-se: a felicidade não é algo que você vai conquistar fora de você, mas dentro de você mesmo, não esqueça.

sábado, 16 de maio de 2026

Mensagem na Garrafa 182 = O escorpião


Autor Anônimo

Um mestre do Oriente viu quando um escorpião estava se afogando e decidiu tirá-lo da água, mas quando o fez, o escorpião o picou. Pela reação de dor, o mestre o soltou e o animal caiu de novo na água e estava se afogando de novo. O mestre tentou tirá-lo novamente e novamente o animal o picou.

Alguém que estava observando aproximou-se do mestre e lhe disse:

- Desculpe-me, mas você é teimoso! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?

O mestre respondeu:

- A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar.

Então, com a ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água e salvou sua vida.


Não mude sua natureza se alguém te faz algum mal; apenas tome precauções.

Alguns perseguem a felicidade, outros a criam. Preocupe-se mais com sua consciência do que com a sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, não é problema nosso... é problema deles.

sábado, 9 de maio de 2026

Mensagem na Garrafa 181 = O Espelho de Vidro Fosco


O vilarejo de Santa Edwiges era um lugar onde o silêncio raramente era apenas silêncio; era uma pausa para o próximo sussurro. Na praça central, entre o cheiro de café passado e o barulho das vassouras nas calçadas, a especialidade local não era o artesanato, mas a vida alheia.

Dona Zulmira, com seus olhos de lince por trás dos óculos de grau, era a capitã desse exército de juízes. Não havia um sapato desbotado ou uma janela fechada fora de hora que escapasse ao seu veredito. "Vejam só a filha do leiteiro", dizia ela, apontando com o queixo, "chegando a essa hora. No meu tempo, decência era regra, não exceção". 

Ao seu redor, as vizinhas assentiam, sentindo-se santas por tabela ao apontarem o pecado do outro.

Um dia, instalou-se na última casa da rua um velho carpinteiro chamado Sr. Elias. Ele era um homem de poucas falas, mas carregava consigo um objeto estranho que colocou bem no centro de sua varanda: um espelho imenso, emoldurado em madeira bruta, porém com um detalhe curioso — o vidro era fosco, quase opaco.

Zulmira, é claro, não tardou em classificar o vizinho. "Um louco", sentenciou. "Quem coloca um espelho que não reflete nada? Deve ter algo a esconder. É preguiçoso, nem para limpar o vidro serve". 

E assim, por semanas, a rotina da cidade foi chicotear a imagem do carpinteiro, que apenas sorria e dizia que o espelho "só funcionava para quem soubesse olhar".

Certa manhã, cansada de apenas supor, Zulmira marchou até a casa de Elias. 

"Sr. Elias, a vizinhança está incomodada. Que utilidade tem esse trambolho sujo no meio do caminho? É uma afronta ao asseio da nossa rua!"

O velho, sem se exaltar, entregou-lhe um pequeno frasco de essência e um pano de seda. 

"Dona Zulmira, o espelho não está sujo por fora. Ele reflete a clareza de quem o encara. Se a senhora o acha fosco, é porque ainda não limpou os próprios olhos. Tente limpá-lo, mas só se estiver disposta a ver o que ele mostrar."

Irritada e querendo provar que era a pessoa mais limpa daquelas bandas, ela começou a esfregar o vidro com fúria. À medida que o pano passava, o fosco sumia, mas a imagem que surgia não era a da praça ou das casas vizinhas. Zulmira viu a si mesma, mas de uma forma diferente.

No reflexo, cada palavra ácida que ela disparara contra a filha do leiteiro aparecia como uma mancha escura em sua própria pele. Viu o momento em que, anos atrás, ela mesma cometera um erro que jurou esconder, mas que agora latejava no vidro. Viu a solidão que disfarçava com orgulho e a inveja que sentia da liberdade alheia. O espelho não mostrava sua aparência, mostrava seu inventário interno: as gavetas bagunçadas da alma, as poeiras do rancor e as rachaduras do próprio caráter que ela passava o dia tentando ignorar enquanto olhava para o jardim do vizinho.

Ela soltou o pano. Suas mãos tremiam. Olhou para o Sr. Elias, que permanecia em silêncio. Pela primeira vez em décadas, Zulmira não tinha um comentário maldoso, uma crítica ou um julgamento. Ela sentiu o peso de suas próprias falhas, um peso muito mais real do que qualquer deslize que ela pudesse apontar nos outros.

Voltou para casa em silêncio. No dia seguinte, quando as vizinhas se aproximaram para comentar sobre o novo vestido da professora, Zulmira apenas disse: "O sol está forte hoje, não acham? Acho melhor cuidarmos das nossas plantas antes que elas sequem".

As pessoas estranharam, mas aos poucos, o veneno da cidade foi perdendo a força. O espelho continuou lá, fosco para os distraídos, mas transformador para os corajosos.

Moral:
É infinitamente mais fácil carregar a lanterna para iluminar os tropeços dos outros do que usá-la para explorar os próprios porões. No entanto, o julgamento é uma cortina de fumaça que criamos para não encarar nossa própria necessidade de reforma. Antes de apontar o dedo para a mancha na veste do próximo, certifique-se de que seus olhos não estão nublados pela poeira das suas próprias imperfeições; pois quem realmente conhece o peso dos seus erros, não tem pressa em condenar os alheios.

Fonte: José Feldman. Receitas de vida. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine.

sábado, 2 de maio de 2026

Mensagem na Garrafa 180 = A linda arte do sonhar


Autor: RICARDO ALBINO*

Certa vez, perguntaram a um cego : Como é que você sonha ?

Ele respondeu:

“Sonho como todo mundo, só não vejo.”

Como uma pessoa com deficiência física e visual acho importante contar uma coisa que muitos não sabem.

Existe uma diferença entre o cego e deficiente visual. O primeiro não enxerga nada e o segundo tem baixa visão, também conhecida como visão subnormal, o meu time na vida.

E o que impede o cego e eu de sonhar? Nada, graças a Deus! Até o momento, sonhar é de graça, não se paga imposto e faz cada dia ter mais graça de viver. Sonhar é um exemplo de patrimônio imaterial da humanidade mais democrático, acessível e inclusivo que eu conheço. Não tem barreiras arquitetônicas que impeça um cego de enxergar até a cores, um deficiente físico de andar sozinho sem aparelho ou bengala nem um cadeirante de voar longas distâncias sem cair.

Sabem como isso é possível?

Dando asas a imaginação. É assim que todo ser humano do mundo renova amor no coração e acorda com fé que o sonho bem sonhado, ainda que demore um tempo — no tempo certo do bem — será objetivo realizado.

O sonho não tem preconceito, não faz pouco caso, não faz fila preferencial nem exige laudo ou credencial para estacionar do lado esquerdo do peito de alguém. Cabe apenas aos passageiros da esperança, seguir nos trilhos do maquinista Divino que guia o trem da história ao ponto final da missão abençoada que todo sonhador de corpo e alma sabe que tem.
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*Ricardo Flávio Mendlovitz Albino (47) nasceu em Belo Horizonte, cadeirante, jornalista formado em 2006 em BH, contador de histórias formado pelo Instituto Cultural Aletria, em 2015, criador da página Ricontar Histórias, em 2017, e do canal de mesmo nome no You Tube, em 2021. Idealizou no canal o podcast Ricontar para unir histórias, seu amor pelo rádio, acessibilidade e inclusão.
Fonte: Enviado por Leandro Bertoldo

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Mensagem na Garrafa 179 = Loucura x Amor


AUTOR ANÔNIMO

A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa.

Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:

- Vamos brincar de esconde-esconde?

- Esconde-esconde? O que é isso? – perguntou a Curiosidade.

- Esconde-esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar.

Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.

– 1,2,3,... - a Loucura começou a contar.

A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer.

A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore. 

A Alegria correu para o meio do jardim.

Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder.

A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra.

A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo.

O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove.

- Cem - gritou a Loucura. - Vou começar a procurar.

A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não aguentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar.

Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder. 

E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez...

Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou:

- Onde está o Amor?

Ninguém o tinha visto... A Loucura começou a procurá-lo. Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer.

Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito.

Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho.

A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu segui-lo para sempre. 

O Amor aceitou as desculpas..

Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Mensagem na Garrafa 178 = O Lascador de Pedras


AUTOR ANÔNIMO

Acredita que outros vivem melhor do que você? Gostaria de ter nascido em lugar diferente, em outro país, desfrutar de outras condições? Quem sabe, ter outros pais? Melhor condição financeira?

Assim também pensava Mogo, um jovem que viveu na China há muitos anos. Ele ganhava seu sustento lascando pedras. Embora são e forte, não estava contente com sua vida. Queixava-se dia e noite. 

Tanto reclamou que seu anjo da guarda disse-lhe em sonhos, certa noite: "Você tem saúde e uma vida pela frente. Deveria ser agradecido a Deus. Por que reclama tanto e é tão infeliz?"

"Deus foi injusto comigo", disse o rapaz. "não me deu oportunidade de crescer."

Com medo que o seu protegido acabasse perdendo a sua vida, o anjo rogou ajuda ao Pai Todo Poderoso. Deus disse ao mensageiro que tudo o que Mogo pedisse lhe seria concedido.

No dia seguinte, Mogo quebrava pedras quando viu passar uma carruagem com um nobre coberto de joias. Desejou ser nobre. E transformou-se, então, em dono de um palácio, com muitas terras, servidores e cavalos.

Passeando em uma das tardes, feliz porque todos se curvavam à sua passagem em sinal de respeito, sentiu um calor insuportável. Mogo transpirava como no tempo em que lascava pedras. Deu-se conta de que o sol era maior do que ele, estava acima de príncipes, reis, imperadores e muito mais alto que todos. 

"Por que não posso ser o Sol?"

Escondendo a sua tristeza, o Anjo da Guarda atendeu seu desejo.

Enquanto brilhava no céu, admirado com seu gigantesco poder de amadurecer as colheitas, um ponto negro avançou em sua direção. A mancha escura ficou à sua frente e ele não podia mais ver a Terra.

"Anjo, quero ser nuvem."

Logo, poderoso, ele escurecia o sol. "Sou invencível", gritava.

Mas uma imensa rocha de granito se erguia em meio ao oceano. Mogo achou que a rocha o desafiava, e se transformou em rocha.

Certa manhã, Mogo sentiu uma lança aguda em suas entranhas de pedra. Depois outra. E outra.

"Anjo, socorro! Alguém tem mais poder do que eu. Quero ser poderoso como este ser que está tentando me matar!"

E transformou-se em lascador de pedras...

Moral:
Estamos colocados no melhor lugar, na situação que necessitamos para progredir. Ninguém se encontra em lugar errado, nem ao lado de pessoas que não mereça. Tudo se encontra dentro da lei de progresso. Não existem problemas que não possamos vencer ou dificuldades que não consigamos transpor. Cada um de nós recebe exatamente a carga que pode suportar. Nem mais, nem menos.

Saibamos ser reconhecidos a Deus pela vida, pela saúde, pelas dificuldades. Porque estrada sem pedras não é segura.

domingo, 26 de abril de 2026

Mensagem na Garrafa 177 = O Camelo e a Corcova


AUTOR: RUDYARD KIPLING*

No início dos tempos, quando o mundo era tão novo, e tudo o mais, os animais mal estavam começando a trabalhar para o homem, havia um camelo que vivia no meio de um Deserto dos Lamentos, porque não queria trabalhar; além disso, ele próprio era um lamentável absurdo. Comia galhinhos, espinhos, plantinhas, doído de tão preguiçoso; quando alguém falava com ele, só dizia:

- Uma ova! - Só isso: - Uma ova! - e nada mais.

Uma manhã de segunda-feira, o cavalo chegou para ele, sela às costas e freio na boca, e disse:

- Camelo, ó Camelo, venha aqui trotar conosco.

- Uma ova! - disse o camelo; e o cavalo foi embora e contou para o homem.

Veio o cachorro, com uma vareta na boca e disse:

- Camelo, ó Camelo, venha aqui catar conosco.

- Uma ova! - disse o camelo; e o cachorro foi-se embora e contou para o homem.

Depois veio o Boi, com uma cangalha no pescoço e disse:

- Camelo, ó Camelo, venha aqui arar conosco.

- Uma ova! - disse o camelo; e o boi foi embora e contou para o homem.

No fim do dia, o homem chamou o cavalo, o cachorro e o boi e disse:

- Três, ó Três, lamento muito por vocês (nesse mundo tão novo-e-tudo-o-mais); mas aquela Coisa-ova no Deserto não consegue trabalhar, senão já estaria aqui agora. Por isso, vou deixá-lo sozinho lá e vocês vão ter que trabalhar dobrado para compensar.

Isso deixou os Três furiosos (naquele mundo tão novo-e-tudo-o-mais) e foi um palavrório, uma confusão, um comício escandaloso na beira do deserto. O camelo veio mascando uma mamona, doído de tão preguiçoso e ficou rindo deles. Depois disse:

- Uma ova! - e foi-se de novo.

Veio chegando o Djinn (gênio) que reinava sobre todos os desertos, rolando numa nuvem de poeira (os Djinn sempre viajam assim, porque é magia), e parou para um palavrório e um comício escandaloso com os Três.

- Djinn de Todos os Desertos - disse o Cavalo -, pode alguém ser tão preguiçoso, nesse mundo tão novo-e-tudo-o-mais?

- Certamente que não - disse o Djinn.

- Bem - disse o Cavalo -, tem uma coisa no meio do Deserto dos Lamentos (e ele é o próprio lamentável absurdo) com um pescoço comprido e pernas compridas, que não moveu uma palha de trabalho desde a manhã de segunda-feira. Ele nem trota.

- Puxa! - disse o Djinn, dando um assovio - É o meu Camelo, por todo o ouro da Arábia! O que é que ele diz disso?

- Ele diz uma ova! - disse o Cachorro - E nem pega nem carrega.

- Ele diz alguma outra coisa?

- Só uma ova! e ele nem ara - disse o boi.

- Muito bem - disse o Djinn. - Eu vou ovacioná-lo, se vocês fizerem a gentileza de esperar um minuto.

O Djinn se enrolou no seu casaco de poeira, determinou sua posição no deserto e achou o Camelo doído de preguiça, olhando seu próprio reflexo numa poça d'água.

- Meu amigo comprido e borbulhante, - disse o Djinn - que é que eu ando ouvindo, de você não querer trabalhar, nesse mundo tão novo-e-tudo-o-mais?

- Uma ova! - disse o Camelo.

O Djinn sentou-se, queixo na mão, e começou a pensar uma Grande Magia, enquanto o Camelo continuou olhando seu reflexo na poça d'água.

- Você fez os Três trabalharem dobrado desde manhã de segunda-feira, só porque fica doído de preguiça - disse o Djinn; e continuou pensando magias, com o queixo na mão.

- Uma ova! - disse o Camelo.

- Eu não repetiria isso, se fosse você - disse o Djinn. - Você pode falar demais da conta. Bolas, eu quero que você trabalhe.

E o Camelo disse:

- Uma ova! - de novo.

Mas logo que falou, viu suas costas, das quais tinha tanto orgulho, estufando, estufando, até virar uma enorme corcova.

- Viu só? - disse o Djinn - Foi a sua própria preguiça que você trouxe como um peso às suas costas, por não querer trabalhar. Hoje é quinta-feira e você não trabalhou nada desde segunda, quando começou o trabalho. Agora, você vai trabalhar.

- Como é que eu posso - disse o Camelo -, com essa corcunda nas minhas costas?

- Foi de propósito - disse o Djinn - porque você faltou esses três dias. Agora você vai poder trabalhar três dias sem comer, porque você vive da sua corcunda-uma-ova, que vai ser sua corcova; e nunca diga que nunca fiz nada por você. Saia do deserto e vá com os Três, comporte-se. Corcove-se!

E o Camelo corcoveou-se, corcova e tudo, e foi juntar-se aos Três. E desde aquele dia, o Camelo sempre teve um corcova-uma-ova (a gente chama de corcunda, hoje, para não magoá-lo, lembrando uma ova!); mas ele nunca compensou os três dias que faltou no começo do mundo; e até agora ainda não aprendeu a se comportar.
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* Joseph Rudyard Kipling (1865–1936) foi um renomado autor, poeta e jornalista britânico, imortalizado por obras como O Livro da Selva e o poema Se. Nascido na Índia sob o domínio britânico, ele é considerado um dos maiores inovadores na arte do conto curto e foi, em 1907, o primeiro escritor de língua inglesa e o mais jovem a receber o Prêmio Nobel de Literatura. Sua produção literária é vasta e abrange diversos gêneros: “O Livro da Selva”: Sua obra mais famosa, que apresenta as aventuras de Mogli, o "menino lobo". “Kim”: Muitas vezes aclamado como seu melhor romance, narra a história de um órfão irlandês na Índia no contexto do "Grande Jogo" político. “Gunga Din”: Poema que descreve o heroísmo de um carregador de água indiano.
Nascido em Bombaim, teve uma infância feliz cercado pela cultura local até ser enviado aos 5 anos para a Inglaterra, onde sofreu maus-tratos em um internato, trauma que influenciou sua escrita. Retornou à Índia aos 16 anos para trabalhar em jornais como o Civil and Military Gazette, onde começou a publicar seus primeiros contos. Casou-se com a americana Caroline Balestier e viveu em Vermont por quatro anos, período em que escreveu O Livro da Selva. Perdeu sua filha primogênita, Josephine, por pneumonia em 1899, e seu filho John na Primeira Guerra Mundial em 1915, eventos que o marcaram profundamente.  Embora celebrado por seu talento narrativo, Kipling é uma figura controversa devido ao seu forte apoio ao imperialismo britânico. Ele acreditava na "missão civilizadora" do Império, conceito imortalizado em seu poema "O Fardo do Homem Branco". Atualmente, sua obra é analisada sob lentes críticas que discutem colonialismo e racismo, embora sua habilidade literária continue atraindo leitores.  

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Mensagem na Garrafa 176 = O Céu


AUTOR ANÔNIMO

Um homem, um cavalo e um cão, caminhavam por uma estrada, quando ele se deu conta de que haviam morrido. Numa curva do caminho avistaram um portal magnífico que conduzia a um jardim cinematográfico com uma fonte central de água fresca e cristalina. O homem então se aproximou do guardador do portal dizendo:

- Que lugar maravilhoso é este?

- Aqui é o céu, respondeu o guardião.

- Que bom, vamos poder matar a sede, disse o homem.

- O senhor pode entrar e beber à vontade, mas animais não são permitidos.

O homem ficou desapontado, pois tinha muita sede, mas não deixaria seus amigos e assim prosseguiu sua jornada. 

Lá pelo entardecer, exaustos, chegaram a um sítio com uma pequena porteira entreaberta. Logo à entrada, havia uma árvore com um sujeito recostado em tranquilo cochilo.

O viajante despertou-o indagando sobre onde poderiam matar a sede.

- Há uma fonte ali dentro, disse o estranho apontando a direção. – Podem beber à vontade.

O homem e seus amigos saciaram então a sede.

Na volta, o andarilho agradeceu ao sujeito e perguntou:

- A propósito, como se chama este lugar?

- Céu, respondeu o estranho.

- Céu? Mas o guardião do portal lá atrás disse que lá que é o céu!

- Lá não é céu, meu amigo! Lá é inferno. 

O caminhante ficou perplexo e exclamou:

- Mas essa informação deve causar grandes confusões!

- Pelo contrário, amigo, na verdade eles nos prestam um grande favor, por que lá ficam aqueles que são capazes de abandonar seus amigos.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Mensagem na garrafa 175 = O Banquete das Sombras


AUTOR ANÔNIMO

Há um tipo de pessoa que carrega o próprio inverno na mochila e se pergunta por que ninguém quer acampar ao seu lado. É gente que transformou o desabafo em profissão e a queixa em identidade. Para elas, o sol só nasce para castigar a pele e a chuva só cai para estragar o sapato.

O enredo é quase sempre o mesmo: "Minha família não me entende", "Meus filhos me abandonaram", "Meus amigos sumiram". O discurso vem banhado em um vitimismo confortável, uma espécie de cobertor de espinhos onde elas se deitam para provar ao mundo o quanto são mártires. O que elas não enxergam — ou se recusam a ver — é que ninguém suporta ser o para-raios de uma tempestade eterna.

A família, muitas vezes, não se afastou por falta de amor, mas por instinto de sobrevivência. Cansaram de oferecer o ombro e receber em troca apenas o veneno da amargura. Os amigos, aqueles que um dia foram portos seguros, começaram a inventar desculpas para não se corresponder. Não é falta de lealdade; é exaustão.

Até a paciência dos mais generosos tem prazo de validade. Existe um limite invisível onde o desejo de ajudar esbarra no muro da cegueira alheia. O amigo ouve, aconselha, estende a mão, anima, dá uma luz. Mas a pessoa negativa agarra-se à sua escuridão como se fosse um troféu. Ela não quer uma solução; ela quer uma plateia para a sua tragédia particular.

Com o tempo, o círculo se fecha. A sala fica vazia, o telefone silencia e as notificações desaparecem. E, em vez de olhar para o próprio comportamento e perceber que foi o seu hálito pessimista que murchou as flores ao redor, a pessoa se tranca no quarto, suspira e diz: "Viram? Eu sempre soube que ninguém se importava comigo." É a profecia autorrealizável da solidão.

Moral:
Quem planta apenas espinhos não pode reclamar de caminhar descalço; a convivência é um jardim que exige rega, e ninguém é obrigado a se afogar no mar de quem se recusa a aprender a nadar.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Mensagem na Garrafa 174 = Semeando


AUTOR ANÔNIMO 

Dona Angélica era professora. Residia em uma pequena cidade e dava aulas numa vila próxima. Não era considerada uma pessoa equilibrada em razão do seu comportamento, que parecia um tanto quanto esquisito.

Os alunos da escola de primeiro grau tinham-na como uma pessoa muito estranha.

Eles observavam que a professora, nas suas viagens de ida e volta da casa à escola, fazia gestos e movimentos com as mãos, que não conseguiam entender, e por esse motivo, pensavam que ela era meio que estava a perder o juízo.

Pela janela do trem, dona Angélica fazia acenos como se estivesse dizendo adeus a alguém invisível aos olhos de todos. As crianças faziam zombarias, criticavam-na, mas ela não sabia, pois os comentários eram feitos às escondidas. Todos, inclusive os pais e demais professores, achavam que ela era maluca, embora reconhecessem que era uma excelente educadora.

Os anos se passavam e a situação continuava a mesma.

Várias gerações receberam da bondosa e dedicada professora, ensinamentos valiosos e abençoados.

Dona Angélica era uma pessoa de boas maneiras, calma e gentil, mas não muito bem compreendida.

Envelhecia no exercício do dever de preparar as crianças para um futuro melhor, com espírito de abnegação e devotamento quase maternal.

Certo dia em que viajava para sua querida escola, com diversas crianças na mesma classe do trem, movimentava, como sempre, as mãos para fora da janela.

Os alunos sentados na parte de traz sorriam maliciosamente quando Alberto, seu aluno de dez anos, sentou-se ao seu lado e, com ternura lhe perguntou:

- Professora, porque você insiste em continuar com essas atitudes loucas?

- Que pretende dizer, filho? – Interrogou, surpresa, a bondosa senhora.

- Ora, professora - continuou ele, - você fica abanando as mãos para os animais ou... Isso não é loucura?

A mestra amiga compreendeu e sorriu. Sinceramente emocionada, chamou a atenção do aluno, dizendo:

- Veja minha bolsa - e apontou para a intimidade do objeto de couro forrado. - Nota o que há aí dentro?

- Sim - respondeu Alberto. - Eu vejo que há algo aí, mas o que é isso?

A professora respondeu calmamente:

- É pólen de flores. São pequenas sementes... Há quase vinte anos eu passo por este caminho, indo e vindo da escola. A estrada, antes, era feia, árida, desagradável. Eu tive a ideia de a embelezar, semeando flores. Desse modo, de quando em quando, reúno sementes de belas e delicadas flores do campo e as atiro pela janela... Sei que cairão em terra amiga e, acarinhadas pela primavera, se transformarão em plantas a produzirem flores, dando cor e alegria à paisagem. Como você pode perceber, a paisagem já não é mais árida. Há flores de diversos tipos e suave perfume que a brisa se encarrega de espalhar por todos os lados.

sábado, 18 de abril de 2026

Mensagem na Garrafa 173 = A Pedra da Felicidade


AUTOR ANÔNIMO

Conta a história que uma fada perdeu pelo caminho uma pedra encantada, a Pedra da Felicidade.

Apressada como estava, resolveu seguir seu caminho e mais tarde através da sua magia, descobriu que a Pedra havia sido encontrada por um rapaz muito pobre que a levou para casa.

Ao ver a casa do rapaz, a fada achou que a Pedra da Felicidade poderia ficar com o rapaz haja vista a sua situação muito humilde.

Então nessa noite ela apareceu no sonho do rapaz e explicou-lhe que aquela Pedra que ele havia
achado era a Pedra da Felicidade e que ele poderia fazer 3 desejos para pessoas que realmente necessitassem:

Uma pessoa poderia pedir para a prosperidade, uma pessoa pediria para saúde e a outra para felicidade...

Ao acordar o rapaz lembrou-se do sonho e ficou extremamente irritado...:

- Como pode ser isso? Eu encontro a Pedra da Felicidade e tenho que passar os desejos para os outros... não meu Deus ...não é possível...

Irritado pegou a pedra na mão e esfregou fazendo pedidos de dinheiro, riqueza, e nada...

Mais nervoso pegou a Pedra e jogou-a em uma gaveta...

Os anos passaram... passaram... e encontramos o nosso jovem de outrora, transformado em um
senhor idoso, morando naquele casebre miserável...

Não havia se casado, pois sua rabugice espantava as pretendentes, tinha pouquíssimos amigos, haja vista sua mesquinhez.

Então em uma noite lembrou-se da Pedra da Felicidade e, encontrou-a largada na gaveta...

Pensou que, já que estava no fim da vida poderia pelo menos ajudar a alguém... e saiu pela vila...
Logo na entrada da cidade encontrou uma família miserável esmolando pelas ruas... ficou penalizado de ver as crianças com pé descalço e cara de fome... chamou a senhora que os acompanhava e falou:

- Quero te dar uma fortuna para que nunca mais sofras da miséria.

Esfregando a Pedra, a senhora recebeu ouro suficiente para levar uma vida de rainha...

Sem saber como agradecer, a senhora partiu para comprar uma casa e finalmente dar conforto aos filhos...

Logo à frente, nosso velhinho encontra uma mulher chorando e pergunta o que estava acontecendo. Ela responde que seu único filho está morrendo de uma doença que nenhum médico conseguiu identificar...

Ele pede então para a mulher segurar a Pedra e pedir saúde para seu filho...

E em poucos minutos o menino aparece a porta milagrosamente curado...

A mulher não sabia mais como agradecer o milagre...

Mas ele continuou sua caminhada e encontrou um orfanato miserável e entrou para ver se podia ajudar...

Imediatamente esfregou a Pedra da Felicidade e o casebre do orfanato transformou-se numa linda casa...

Os quartos ganharam camas novas, as crianças brinquedos, roupas e tudo foi inundado de felicidade...

As crianças o cercaram, cantaram para ele, beijaram-no e pela primeira vez em muitos anos... Ele chorou de felicidade...

Por que não usaste antes?

- Por causa do meu egoísmo, perdi a chance de fazer tantas pessoas felizes e até de melhorar minha vida... Meu desejo nesse momento é que eu possa esquecer toda essa história, para tentar ao menos ser um pouco feliz...

Há as vezes maior prazer em dar do que receber... "Os barcos estão seguros se permanecem no porto, mas não foram feito para isto".

Então, busque, tente, ouse, invente, experimente, arrisque, realize, tenha coragem, acredite, tenha fé e jamais deixe de "sonhar", de "desejar"! Só assim, poderá realizar!!!

Viver sempre vale a pena, e passa muito rápido! Você tem talentos e pode fazer a diferença!
Então faça!