segunda-feira, 1 de junho de 2026

Revista Crestomatia de Trovas n. 3 – junho de 2026 (Download gratuito)


Confira os destaques que preparei para o seu deleite em suas 37 páginas:

* Panteão da Trova: Inicia nossa jornada com uma seleção primorosa de trovas de grandes mestres de diversas épocas, celebrando a riqueza lírica de Brasil e Portugal.

* O Sentir em Quatro Versos: Uma seção dedicada exclusivamente ao tema Velhice — esse estágio de nossa vida, lapidado pela sensibilidade de vozes inesquecíveis.

* Trovadores de Hoje: O destaque central desta edição traz um verdadeiro "catatau" de trovas do mestre juizforense Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho. Uma imersão profunda na obra de um dos maiores expoentes da nossa arte.

* Aperfeiçoamento: Para quem busca o aperfeiçoamento, apresento um capítulo indispensável do livro "O Bom Trovar", da saudosa Maria Thereza Cavalheiro, falando sobre a rima.

* Trovadores de Ontem: Uma homenagem à delicadeza e ao talento do curitibano Maurício Norberto Friedrich, resgatando a memória da trova paranaense.

* Encerro com um artigo sobre o Trovadorismo.

Baixe em pdf no link abaixo

Boa leitura.
abraços trovadorescos

José Feldman

Chafariz de Trovas * 4 *


Solitário coração,
onde o sonho adormeceu...
– Lembra uma velha estação
que, sem trem, virou museu.
A. A. DE ASSIS 

Que destino, que porvir
pode a sorte reservar
a quem não sabe sorrir
e se esqueceu de chorar?!
ADALBERTO DUTRA DE REZENDE

Morre o pobre de arrepio,
gelado, se o frio aperta;
e dizem que "Deus dá o frio
conforme a nossa coberta".
ALFREDO DE CASTRO

Cai por terra qualquer festa
e minha alma triste chora,
quando vejo uma floresta
pela queimada indo embora...
ANALICE FEITOZA DE LIMA

Quem não sofreu a amargura
da eterna separação,
não entende a desventura
da palavra Solidão!
APARÍCIO FERNANDES

Eu hoje chamo saudade
o que ontem chamava amor.
A minha felicidade
mudou de nome e de cor.
ARGENTINA DE M. SILVA

Enquanto a vida não passa
enquanto a morte não vem,
quem deixa marcas de graça
têm outros mundos no além.
ARI SANTOS CAMPOS

Quando perto, o trem apita,
batem forte os corações…
Tudo na estação se agita,
provocando as emoções.
ARTHUR THOMAZ

Feito o sol que vai e volta,
é preciso renascer
com o mesmo brilho que escolta
a coragem de vencer.
BASILINA PEREIRA

Meu lenço, na despedida,
tu não viste em movimento:
- Lenço molhado, querida,
não pode agitar-se ao vento...
CARLOS GUIMARÃES

Hoje nada mais me importa,
pois se volto ao meu passado,
eu vejo a esperança morta
num castelo abandonado.
CARMEN OTTAIANO

Ele chega de mansinho,
velho cão ressabiado...
mas, se conquista um carinho,
nos dá carinho dobrado!
CAROLINA RAMOS

Ah! Somente o homem não crê
que a natureza, num grito,
chora muito quando vê;
Pinheiro virar "palito"!
CAROLINE PORTUGAL

Ninguém ouve mais o canto
matinal da passarada...
Vê-se agora, a fauna em pranto,
carpindo a dor da queimada!
CLARINDO BATISTA ARAÚJO

Pranteando a ponte antiga,
o rio, ao vê-la aos pedaços,
abrindo os braços à amiga,
carrega a ponte nos braços...
DARLY O. BARROS

Fiz do amor o meu caminho
só de verdades traçadas,
e dentro delas um ninho
com nossas mãos enlaçadas.
DAURA ROCHA BARBOSA RESENDE

Mãe! Criatura querida,
santa heroína sois vós;
quando nos destes a vida,
destes o sangue por nós!
DÉCIO VALENTE

Vão-se os séculos rolando
nas ampulhetas da vida;
corrente que vai passando
numa rota indefinida...
DJALDA WINTER SANTOS

Naqueles tempos de antanho,
de escribas e fariseus,
um Homem do meu tamanho
tinha o tamanho de Deus!
DURVAL MENDONÇA

O tempo passa, voando,
mas, deixa traços, enfim:
Um cansaço, me acercando,
premeditando o meu fim…
FABIANO DE CRISTO WANDERLEY

Velho - carrego esperanças
adubando a vida em flor;
- quem não cultiva as lembranças,
mata as raízes do amor.
GABRIEL BICALHO

Eu tenho te amado tanto,
com tão intensa paixão,
que muitas vezes me espanto
de ter um só coração!
GALDINO ANDRADE

Com que ironia o destino
pode este quadro pintar:
de um lado, um lar sem menino;
de outro, um menino sem lar.
HEGEL PONTES

A positiva corrente,
da força do pensamento,
faz a tristeza da gente
ser levada pelo vento!...
HERMOCLYDES SIQUEIRA FRANCO

A neblina, em dias frescos,
descendo em vales sombrios,
aos poucos tece arabescos,
nas brancas margens dos rios...
HÉRON PATRÍCIO

- Olá! Onde tens andado?
Como estás, e que tens feito?
- Casei-me no mês passado.
- Eu não te avisei? Bem feito!
IVO DOS SANTOS CASTRO

Lá vai a vida, girando.
Então, giremos também,
que a vida gira, levando
os sonhos que a gente tem.
JESY BARBOSA

Neste mar de desenganos, 
levado pela maré, 
em tantos sonhos insanos, 
minha força é sempre a fé.
JOSÉ FELDMAN

Quando a jangada flutua,
sobre as águas, ao luar,
é uma lágrima da lua,
nos olhos verdes do mar.
JOSÉ LUCAS DE BARROS

Faz de ternura e carinho
corrente de amor fecundo...
E nunca andarás sozinho
nas correntezas do mundo.
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO

Vejo no céu as estrelas
e fico triste a sonhar...
Porque não sei em qual delas
você, meu bem, foi morar!...
LICÍNIO COSTA

Você...sublime miragem
de um ideal sempre comigo,
iluminando a passagem
da caminhada que sigo...
LOURDES APARECIDA CIONE

Essa mão que lavra a terra
planta no chão a semente.
A benção de Deus encerra,
pois mata a fome da gente
LOURDES BASTOS DA PORCIÚNCULA

O mar nos deu a receita
de um viver sábio, fecundo:
sendo salgado, ele aceita
as águas doces do mundo!
LUIZ OTÁVIO

Na bicicleta, outro dia,
pedalava sorridente…
foi ao chão… quanta ironia…
perdeu, num deslize, um dente!
MAGNUS KELLY

Junto ao meu riso, o cansaço 
sorri, mas deixa sinais…
Se o tempo encurta o meu passo,
insisto, sonhando mais!
MARA MELINNI GARCIA

É pena que o mundo torça
a razão do bom ditado,
pois, se "a união faz a força",
por que um de cada lado?
MILTON NUNES LOUREIRO

Os teus cabelos, Maria,
embora soltos, me dão
a certeza de que, um dia,
hão de ser minha prisão!
OCTÁVIO BABO FILHO

Qualquer corrente não prende
um coração de mulher.
Mas, quando a mulher entende,
prende-se a um fio qualquer. . .
ORLANDO WOCZIKOSKY

Quem aos queixumes se lança
e se desfaz em lamentos,
— em vez de paz só alcança
aumentar seus sofrimentos.
PAULA FARIA

Se queres um bom conselho,
muito útil e bem pensado,
— nunca metas o bedelho
onde não fores chamado...
PETRARCA MARANHÃO

Sofrido!... E o pobre andarilho,
já velho e encurtando os passos,
só depois que encontra o filho
joga fora os seus cansaços!
PROFESSOR GARCIA

Uma verdade conforta
e torna a vida mais bela:
se o mundo nos fecha a porta,
Deus nos abre uma janela!
RODOLPHO ABBUD

Ante meus olhos tristonhos,
chorando minhas idades,
abro a cortina dos sonhos
num festival de saudades!
SANTIAGO VASQUES FILHO

Numa estranha semelhança
com a caixa de Pandora,
vivo apenas de Esperança,
porque o Sonho foi embora.
SARA MARIANY KANTER

Daquele amor proibido
eu guardo, da mocidade,
um lenço amarelecido
e um dilúvio... de saudade!
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA

Manhã fria... Ela, sem graça,
ao dar-me adeus, da janela,
o orvalho, em sua vidraça,
clonou-me as lágrimas dela.
UBIRATAN QUEIROZ DE OLIVEIRA

Pelo mar da vida inteira,
conforme a força do vento,
és o ramo de oliveira,
nos dilúvios que eu enfrento!
VANDA FAGUNDES QUEIROZ

Conquista é jogo de azar
e, no amor, jogo pesado;
querendo te conquistar,
eu é que fui conquistado!
ZAÉ JÚNIOR

Artur de Carvalho (Uma gata)

Era noite e ela ainda não havia voltado. Fez de conta que não estava ligando, continuou assistindo TV como se não estivesse acontecendo nada. Olhava pela janela de vez em quando. Voltava para a frente da TV, controle remoto na mão. Ficava olhando a telinha azul despencando imagens sem sentido. O controle remoto criou uma nova programação. São programas onde imagens aleatórias de desenhos animados e de comentaristas políticos se intercalam, numa corrida sem sentido. São programas diferentes todos os dias, mas iguais em sua falta de objetividade. 

Desligou a TV, ligou o aparelho de som. Sintonizou uma rádio, para não precisar ficar trocando de CD. A música sertaneja invadiu as FMs. Ele era do tempo em que as FMs só tocavam música americana. Ou MPB. Não faz muito tempo não, até você deve se lembrar. E agora... só sertaneja. Ou pagode, essas coisas. Levantou e olhou pela janela de novo. O relógio. Ela devia ter chegado há mais de três horas. Deveria haver uma explicação lógica. Começou a tocar outra do Leandro e Leonardo. 

Resolveu colocar um CD. Aquela casa estava uma confusão. Procurou. Entre suas coisas tinha um CD com a trilha sonora do "Blade Runner", não achava. Desistiu de procurar. Devia estar perdido debaixo de alguma dessas almofadas. Ela gosta de almofadas. Tinha tantas por causa dela. Primeiro gostava daquelas menores, depois ele começou a trazer para casa aqueles almofadões. Deitavam e ficavam assistindo TV Eles nem sentavam mais no sofá. Com o tempo, dispensou os dois módulos, um com três lugares, outro com dois. A sala ficou maior, arrumou mais almofadas. Tropeçava nelas quando entrava em casa, no escuro. De vez em quando ela estava ali, enroscada com as almofadas, dormindo. Tropeçava nela também. Às vezes se agarrava em suas pernas e o fazia cair. Ele ria, se abraçava a ela e fazia cócegas na sua barriga. Ela não aguentava cócegas na barriga. Se davam bem.

Resolveu comer um pouco. Foi até a cozinha e esquentou um pouco de leite. Um pouco de leite quente o acalmava. Fez uma gemada. Bateu as gemas com açúcar e colocou no leite. Ficou mexendo com a colher de pau, até dissolver bem. Ela adorava gemada. Deixou um pouco na caneca, no caso dela voltar. Abriu a geladeira e tinha umas bolachas de maisena no pacote aberto. Pegou algumas. Gemada e bolachas de maisena.
 
É o que há.

Agora sim, havia ficado bem tarde. Novamente se aproximou da janela, a xícara com a gemada na mão, deu uma última espiada. Talvez não volte hoje. Já havia feito isso muitas vezes. Acabava voltando. Voltava com o rabo entre as pernas, como quem a pedir perdão. Ele sorria e sempre a desculpava. Não era de guardar rancores.

Mais uma hora ou duas se passaram, percebeu que iria dormir sozinho aquela noite. Ligou a TV novamente. Deixou na Globo mesmo, a transmissão não se interrompia. Sempre acordava quando deixava em outros canais, a programação acabava, acordava com o chiado da TV fora do ar. A Globo ficava a noite inteira. Arrumou umas almofadas, se deitou. Estava passando um filme de adolescentes de férias, garotas loiras de biquíni. Os olhos começaram a piscar. Fechou os olhos. Ainda ouvia o filme, depois nem isso. Dormiu.

Acordou com o hálito quente e forte dela. Era um cheiro conhecido. Depois de um tempo a gente se acostuma com os cheiros. Ela tinha um hálito diferente, adocicado. Sentia até saudades daquele cheiro. Ela se acomodou ao seu lado, buscando o calor de seu corpo. Ele a abraçou e sorriu.

Ela sempre voltava.
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Artur de Carvalho (1962 - 2012) foi um escritor, jornalista, publicitário, cartunista e ilustrador brasileiro. Desde 1980, trabalhou com comunicação, especialmente na área de criação de textos publicitários, jornalísticos ou de ficção. Sua experiência foi adquirida por meio de palestras realizadas ao longo de vários anos para escolas e Semanas Universitárias, assim como nas empresas Portal Publicidade e Beco Propaganda, ambas de Campinas, e ainda no jornal Diário de Votuporanga, Rádio Clube FM de Votuporanga, TV Universitária de Votuporanga e Studio Gráfico Propaganda. Realizou palestras no SESC (São José do Rio Preto, sob o tema “O Humor na Imprensa”), UNIFEV (Votuporanga), UNORP (São José do Rio Preto) e ainda palestras voluntárias para estudantes do ensino secundário de Votuporanga, realizadas ao longo dos anos de 2001 à 2005 a convite das escolas públicas da cidade. Vencedor do Prêmio “HQ MIX 2004” com “XEROCS”, considerado o “melhor fanzine do ano”. Idealizador e realizador do “Voturiso”, em 2001 e 2003, considerados dois dos maiores encontros de cartunistas e ilustradores já realizados no Brasil. Além de dois livros (“O Incrível Homem de Quatro Olhos” - 2001 e “E quando você menos espera... PAH!”), teve publicação também nos 14 números da série “FRONT” (livro bimestral, ganhador do “HQ MIX” ), participação no livro “Humor pela Paz” (um compêndio de charges e ilustrações de alguns dos maiores cartunistas brasileiros). Colaborou com o Diário de Votuporanga, de Votuporanga, de 1996 até sua morte em 2012.

Fonte:
Projeto releituras Acesso em 28.09.2019 (site desativado)
www.releituras/acarvalho_gata.asp.htm

Virgínia Maura Ferreira (A idade do tempo)

E o tempo tem idade? Quem colocou em nossas cabeças a existência da passagem do tempo? O que é o tempo? O tempo é o que nos leva o dia e faz chegar a noite, é o que traz o verão e o inverno, é o que nos faz comemorar mais um ano de vida e nos sentirmos mais velhos, é ver os filhos e sobrinhos crescerem numa rapidez de corrida de Fórmula 1.

Eu vivo brigando com o tempo. Ele zomba e ri de mim, porque ele sabe passar e eu não sei. Muitas vezes me perco olhando o tempo, e fico sem jeito, calada, sem nada pra dizer, ou querendo correr atrás tentando alcançá-lo, mas ele não deixa. Tudo me parece tão distante, minha infância, adolescência, juventude. Tudo tão fugaz, rápido demais. Ah... os sinais do tempo chegam para qualquer um, de mansinho, nos chamando para o espelho, mostrando as mudanças do corpo e da mente.

O tempo nos chama para a reflexão, para a tranquilidade com as coisas da vida. Ele também vai nos deixando muito sozinhos, solitários. Depois de um certo tempo criamos o nosso novo mundo. O tempo faz dessas coisas, tudo parece muito distante e ao mesmo tempo parece que foi ontem. O tempo promete tantas coisas e o que fazemos com ele? Tantos planos feitos e desfeitos, sonhos, desejos não realizados.

Todos queremos aproveitar o tempo. Mas ele só passa rindo de nós. Não temos todo o tempo do mundo, bom seria se tivéssemos, mas um dia o nosso tempo também acaba. E, então, numa outra dimensão, nos perguntaremos: o que fizemos com ele?

Não interessa que dia é hoje, o que vamos ou não fazer, o que seremos ou não, o tempo segue nos espiando a cada passo e ação. Precisamos fazer as pazes com o tempo antes que ele nos leve... leve... leve... como as folhas coloridas que caem no outono da vida. Quero parar o tempo, mas ele foge e diz que viver é melhor do que sonhar. Ainda ando cheia de esperanças, de sentimentos, que nem o próprio tempo conseguirá apagar.
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Virgínia Maura Martins Ferreira é de São Luís/MA. Jornalista, instrutora de yoga e escritora, se aventura pelo mundo da literatura infantojuvenil. Tem oito livros publicados: seis em prosa e dois de poemas. Também escreve contos e crônicas, alguns publicados em Antologias e jornais locais.

Fonte:
Kethlyn Machado (org.). Crônicas de Primavera. Publicado em 15 de setembro de 2025 pela Editora Metamorfose https://www.escritacriativa.com.br/cronicasdeprimavera

Contos e Lendas do Mundo (Japão) As bodas do ratinho

Era uma vez um bebê da senhora Rato. Era uma ratinha que crescia rápido, e havia nascido em bom lar.

O tempo passava e a ratinha tornava-se cada vez mais bonita. Seus pais estavam muito felizes com ela e não conseguiam esconder a alegria que sentiam.

Um dia o senhor Rato disse, "Quero que minha filha ratinha fique noiva de algum pretendente. O noivo, entretanto, tem que ser o mais importante do mundo, e não qualquer um". Esta ideia não saía da cabeça do senhor Rato.

Depois de algum tempo, o senhor Rato decidiu conversar com o Sol. O senhor Rato chegara à conclusão de que o Sol era o mais importante no mundo. Estava aguardando impacientemente o momento de falar com o Astro-Rei.

"Rei Sol, ó rei, tenho uma bela ratinha, filha minha, em casa. Meu desejo, do fundo do coração, é que ela seja tua noiva e tu sejas seu marido. Considero-te o mais importante no mundo. Por favor, aceita minha filha como tua noiva e casa-te com ela", dizia o senhor Rato, reverenciando com respeito o Sol.

"Estou realmente grato", retrucou o Sol, "mas infelizmente tenho que recusar tua proposta. Não sou o mais importante no mundo. Há alguém mais forte do que eu".

Senhor Rato ficou surpreso com a afirmação. "De quem tu estás falando?"

"Esse que é mais forte do que eu é o senhor Nuvem", respondeu o Sol. "Mesmo que eu lance fortes raios sobre a terra, o senhor Nuvem os encobre toda vez que assim o deseja. Não posso fazer nada com ele. Ele é, com certeza, mais importante do que eu".

Assim que ouviu isso, o senhor Rato decidiu conversar com o senhor Nuvem. E foi atrás dele.

"Sei que tu és o mais importante no mundo. Por favor, casa com minha filha. Gostaria que ela fosse tua noiva", pedia mais uma vez o senhor Rato ao senhor Nuvem.

Novamente o senhor Rato recebeu uma resposta negativa. "Há um que é mais forte do que eu: é o senhor Vento", dizia com delicadeza o senhor Nuvem.

E mais uma vez lá foi o senhor Rato atrás do senhor Vento. Incansavelmente repetia:

"Tu és o mais importante no mundo. Por favor, casa-te com minha filha".

Como era de se esperar, o senhor Vento também recusou o convite. "Tu não estás certo. O senhor Parede é mais importante do que eu. Mesmo que eu sopre com toda força, incessantemente, o senhor Parede está lá, de pé, nada sofrendo. Não posso fazer nada com ele".

E assim continuava o senhor Rato, firme em seus pensamentos. Procurou o senhor Parede e fez-lhe o mesmo convite. Novamente houve recusa e o senhor Parede explicou ao senhor Rato:

"O rato é o mais importante no mundo. Não posso detê-lo quando ele decide roer minha parede e fazer buracos em mim".

Depois de tanto vagar em busca do mais importante noivo para sua filha, o senhor Rato teve de aceitar a ideia de ter um genro rato. Finalmente encontrou o noivo ideal para a ratinha e as bodas de casamento ocorreram. O casal de ratinhos viveu feliz para sempre.

Fonte:
Era Uma Vez… 13.11.2014
https://byblosfera.blogspot.com/2014/11/as-bodas-do-ratinho-conto-japones.html