quarta-feira, 3 de junho de 2026

Silmar Bohrer (Croniquinha) 160

Acordar cedo? Muito bom. Mas nos últimos tempos não tenho a necessidade e levanto um pouco mais tarde. A vida é feita de molas, umas puxam, outras encolhem. E como!

Recentemente fiquei fora de casa por um tempo maior, deixando, digamos, ao abandono os passarinhos sem quirerinha no bosco, os beija-flores sem a aguinha diária, os sabiás sem a ração no prato de vaso de flor.  

Voltei e vi. Vi o bosco triste, sem sons, sem cantorias, sem o casal de sabiazinhos cedinho a comer. Mas... Aquele MAS bom! Passados três dias, eis que acordo cedo e vejo ali os dois queridos cantadores da florestinha, com quem falo e os vejo querendo falar, o gogozinho em movimento, olhar firme, bem presente.

A companhia dos animaizinhos nos torna dependentes mutuamente. Necessitados. Desejados. Carentes na ausência. Uma saudadezinha até. Assim mesmo! Somos todos moradores da mesma casa comum - o planeta mãe-terra - e essa intimidade, aconchego, vivência, nos faz bem, nos faz alegres, é parte da felicidade que procuramos tanto, e está pertinho embaixo das árvores, junto às flores e às melodias canarinhas.
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Silmar Bohrer nasceu em Canela/RS em 1950, com sete anos foi para em Porto União-SC, com vinte anos, fixou-se em Caçador/SC. Aposentado da Caixa Econômica Federal há quinze anos, segue a missão do seu escrever, incentivando a leitura e a escrita em escolas, como também palestras em locais com envolvimento cultural. Criou o MAC - Movimento de Ação Cultural no oeste catarinense, movimentando autores de várias cidades como palestrantes e outras atividades culturais. Fundou a ACLA-Academia Caçadorense de Letras e Artes. Membro da Confraria dos Escritores de Joinville e Confraria Brasileira de Letras. Editou os livros: Vitrais Interiores  (1999); Gamela de Versos (2004); Lampejos (2004); Mais Lampejos (2011); Sonetos (2006) e Trovas (2007).

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Texto enviado pelo autor.