Está em pauta nas conversas a redução da jornada de trabalho. Como ocorre em toda inovação, tem gente contra e gente a favor, porém na verdade se trata apenas de um começo de adaptação natural às realidades do mundo novo.
Mecanização > automatização > informática > robótica > inteligência artificial... Somos uma geração atropelada por sucessivas revoluções tecnológicas, todas elas impulsionadas pela lei do menor esforço (“vis minima”).
São conquistas que, de fato, concorrem para tornar mais fácil a vida; todavia, em razão delas, a mão de obra humana vai sendo aos poucos dispensada. Numerosas profissões já foram extintas e outras tantas perderão logo a razão de existir, disso resultando que a oferta de vagas no mercado de trabalho vai também rapidamente diminuindo.
Num futuro próximo, a maior parte dos empregos será para profissionais maximamente especializados, capacitados para pilotar robôs e outros engenhos sofisticados. Esses superespecialistas produzirão barato e em abundância tudo o que for preciso e os demais cidadãos e cidadãs terão acesso garantido por lei a tudo o que for necessário para o seu sustento e bem-estar.
Estará assim iniciada a Era do Ócio, profetizada há mais de dois mil anos pelos sábios da Antiguidade – entendendo-se ócio não como preguiça, mas como tempo livre para atividades prazerosas e serviços assistenciais voluntários.
E as escolas... ensinarão o quê? Decerto o mesmo que hoje, porém apenas para ajudar as pessoas a tirarem melhor proveito das novas maravilhas. Ensinarão principalmente esportes e artes. Alunos e alunas serão treinados para a prática de exercícios físicos, a fim de manter o corpo sadio, e para o cultivo de atividades artísticas e culturais que façam bem à cabeça.
Programadores e operadores de robôs viverão felizes, porque o de que eles mais gostam é mesmo de mexer com as suas ferramentas inteligentes. Os demais bilhões de seres humanos viverão também felizes, porque desfrutarão de um alto padrão de vida. Quem viver verá.
==================
(Crônica publicada no Jornal do Povo – Maringá – 21-5-2026)
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
ANTÔNIO AUGUSTO DE ASSIS, carinhosamente conhecido em todo o país como A. A. de Assis, é o grande patriarca das letras em Maringá e uma das maiores referências do movimento trovadoresco no Brasil. Fluminense de nascimento (nascido em São Fidélis em 1933), ele chegou ao Norte do Paraná em janeiro de 1955. Tornou-se o cronista visual, espiritual e poético do crescimento da "Cidade Canção". Ao chegar na poeirenta Maringá dos anos 1950, trabalhou inicialmente gerenciando uma loja de autopeças de seu irmão. Foi um dos pilares da imprensa escrita local. Atuou como jornalista, redator e diretor em veículos históricos como O Jornal de Maringá (o pioneiro da cidade), Tribuna de Maringá, Folha do Norte do Paraná (criado por Dom Jaime Luiz Coelho), além das revistas Aqui e Novo Paraná. Formou-se em Letras e construiu uma sólida carreira docente. Foi professor do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM) por décadas, aposentando-se das salas de aula em 1997.
A. A. de Assis é considerado o "remanescente brilhante" da escola tradicional da trova brasileira. Sua inserção na literatura maringaense é mítica: Em 1959, ele publicou a coletânea de poemas intitulada Robson (sob o pseudônimo homônimo). Esta obra detém o marco histórico absoluto de ser o primeiro livro impresso e publicado na história de Maringá. Sua contribuição mais famosa para a cultura religiosa e literária nacional foi a criação da Missa em Trovas. Trata-se de uma composição litúrgica inteiramente estruturada sob a forma poética de trovas, muito cantada e celebrada em paróquias do Brasil. Algumas obras publicadas: Robson (1959 - Poemas); Itinerário (Poemas); Caderno de Trovas e Tábua de Trovas; A. A. de Assis – Vida, Verso e Prosa (Sua obra autobiográfica).
A importância de sua obra de estreia, Robson, é tão imensa para a identidade local que o livro foi oficialmente tombado como Patrimônio Histórico Imaterial do Município de Maringá. Poucos escritores no Brasil receberam essa honraria em vida sobre uma publicação literária. Em tempos de versos livres, A. A. de Assis manteve acesa a chama da trova clássica, caracterizada pelo lirismo profundo encaixado perfeitamente na métrica rígida da redondilha maior (sete sílabas). Suas composições servem de modelo técnico para novos poetas de todo o país. Suas crônicas jornalísticas e literárias registram a transformação de Maringá de um vilarejo cercado por poeira vermelha e cafezais para a metrópole moderna atual. Ele deu estridência literária à memória dos pioneiros.
Texto obtido no facebook do autor
