quinta-feira, 2 de julho de 2026

Asas da Poesia * 197 *


 Trova Humorística de
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
São Paulo/SP

- Canta mal, essa "coroa"...
- Pois saiba que é minha tia.
- Se a música fosse boa...
- Pois é de minha autoria!
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Poema de
ANTERO JERÓNIMO
Lisboa/Portugal

Descarnar a impoluta palavra
Até à chama viva da carne
Como sílex que golpeia o marasmo
Dos dias bocejados e estéreis

Expor-se à pudica avidez
Sangue ígneo renegando a venosidade
Correndo em disseminado apelo
Como um simples ato de sobrevivência

Revolver a cegueira
Guardada em redoma ilusória
Numa vontade insofismável
De extrair da forma disforme
Os contornos invisíveis ao olhar

Por fim sopesar o rosto nas mãos
Em breve e maravilhado apelo
Frestas de compreensão que se agitam
Onde o sal do cansaço rejubila.
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Aldravia de
CLEVANE PESSOA
Belo Horizonte/MG

Perfume 
floral
alcança
espíritos 
adoça 
sonhos
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Soneto de
VICENTE DE CARVALHO
Santos /SP, 1866-1924

A um poeta moço

Desanimado, entregas-te, sem norte,
Sem relutância, à vida; e aceitas dessa
Torrente que te arrasta — a só promessa
De ir lentamente desaguar na morte.

Que pode haver, em suma, que te impeça
De seguir o teu rumo contra a sorte?
Sonha! e a sonhar, e assim armado e forte,
Vida e mágoas, incólume, atravessa.

Ouve: da minha extinta mocidade
Eu, que já vou fitando céus desertos,
Trouxe a consolação, trouxe a saudade,

Trouxe a certeza, enfim, (se há sonhos certos)
De ter vivido em plena claridade
Dos sonhos que sonhei de olhos abertos.
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Trova premiada de
ARTHUR THOMAZ
Campinas/SP

O velho ator, alquebrado,
da realidade fugindo,
ainda sonha acordado,
com a plateia o aplaudindo.
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Poema de
IZABEL RODRIGUES
Americana/SP

Renúncias 

Toda renuncia gera dor
Por menor que seja 
O sonho sonhado
Deixar para trás e seguir
Pode acontecer
E acontece diariamente
Mas causa danos
Contornáveis ou irreversíveis 
Marcam ficando indeléveis cicatrizes
E cada um conhece as suas profundamente
Embora sigam 
Uns expondo-as agressivamente 
Outros caminhando disfarçadamente
Pela vida
Apesar da carga pesada 
Mas invisível 
Carregada...
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Quadra Popular de 
TIAGO
(António José Barradas Barroso)
Paredes/Portugal

Nosso querer tão velhinho,
cheio de ternuras e afetos,
se deu, aos filhos, carinho,
mais ainda deu aos netos.
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Soneto de
RONALD DE CARVALHO
(Ronald Arthur Paula e Silva de Carvalho)
Rio de Janeiro/RJ, 1893 – 1935

Vida

Para um destino incerto caminhamos,
Tontos de luz, dentro de um sonho vão;
E finalmente, a glória que alcançamos
Nem chega a ser uma desilusão!

Levanta-se da sombra, entre altos ramos,
Como um fumo a subir, lento, do chão,
A distância que tanto procuramos,
E os nossos braços nunca atingirão...

Mas um dia, perdidos, hesitantes,
A alma vencida e farta, as mãos tateantes,
De repente, paramos de lutar;

E ao nosso olhar, cansado de amargura,
As montanhas têm muito mais altura,
O céu mais astros, e mais água o mar!
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Trova de
ALMIRA GUARACY REBÊLO
Belo Horizonte/MG

Já não combato a ansiedade
que me consome e angustia;
a dor da minha saudade
eu a transformo em poesia.
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Poema de
CASSIANO RICARDO
São José dos Campos/SP, 1895 – 1974, Rio de Janeiro/RJ

Canção para poder viver

Dou-lhe tudo do que como,
e ela me exige o último gomo.
Dou-lhe a roupa com que me visto
e ela me interroga: só isto?

Se ela se fere num espinho,
O meu sangue é que é o seu vinho.

Se ela tem sede eu é que choro,
no deserto, para lhe dar água:

E ela mata a sua sede,
já no copo de minha mágoa

Dou-lhe o meu canto louco; faço
um pouco mais do que ser louco.

E ela me exige bis, "ao palco"!
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Haicai de
SÍLVIA MARIA SVEREDA 
Irati/PR

Plena madrugada.
O olhar ainda reflete
o brilho da lua.
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Sextilha de
THELMA TAVARES
São Simão/SP

É feliz quem vê mais o lado bom
e o poeta está sempre com a razão.
Apesar de que o estro tudo enxerga;
e olha o triste e o que alegra o coração.
Há, no entanto, quem vê somente a lama
sem ter olhos pra ver a imensidão.
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Trova de
CLÁUDIO DE CÁPUA
São Paulo/SP, 1945 – 2021, Santos/SP

Que esta trova seja um hino,
que ouças o pobre a gemer
e, ouvindo o planger do sino,
saibas o irmão socorrer.
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Glosa de
NEMÉSIO PRATA
Fortaleza/CE

MOTE:
Vejo o mar beijando a areia 
no raiar de um novo dia, 
ouço o canto da sereia, 
com promessas de alegria! 
José Feldman
 (Floresta/PR)

GLOSA: 
Vejo o mar beijando a areia 
e me agarro ao corpo dela; 
pra muitos, ela era a feia, 
para mim, era a mais bela! 

Sozinhos, nós dois na praia, 
no raiar de um novo dia; 
ficar ali na gandaia 
era tudo o que eu queria! 

Porém veio a maré cheia, 
e, bem de longe, do mar, 
ouço o canto da sereia, 
querendo nos naufragar! 

Me amarrei, que nem Ulisses, 
ao ouvir a cantoria 
da Ligeia, em meio aos Sirtes, 
com promessas de alegria!
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Aldravia de
ALCIONE SORTICA
Porto Alegre/RS

Lembranças
e
saudades
são
velhas
comadres
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Soneto de
AFONSO CELSO
(Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior)
Ouro Preto/MG, 1860 – 1938, Rio de Janeiro/RJ

Senhorita

Ela, às vezes, nas rendas da mantilha,
Com a esbelteza audaz de uma espanhola,
A trança negra, onde áureo pente brilha,
E o busto altivo donairosa enrola;

E provocante, lânguida, casquilha,
Desferindo fragrâncias de corola,
Cativa muito orgulho, que se humilha
Pedindo amor, como quem pede esmola!

Então, os seus olhares atrevidos,
Não sei por que, recordam dois bandidos,
Armados de punhais longos e finos,

Que entre as moitas floridas da alva estrada,
Traiçoeiramente, ficam de emboscada
Para assaltar incautos peregrinos!
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Trova Premiada de
PAULO R. O. CARUSO
(Paulo Roberto Oliveira Caruso)
Niterói /RJ

Ela traiu o marido
pelo celular... Que cena!
E um mistério irresolvido:
nasceu chifre ou uma antena?
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Poema de
PAM ORBACAM
(Paula Miasato)
Santo André/SP

O fio

Tudo o que calo ou falo
Constitui a significância de tudo o que vivo e pereço
É o que arde aos ouvidos quando calo
Que faz morada no meu peito enquanto morro
E é o que voa ao vento enquanto falo
Que se desfaz, dilui e evapora.
De que importa o som que ecoa sem resposta....
De que vale o silêncio, perante tamanha lacuna...
Vivo e morro no silêncio ardente do que calo
Enquanto mato e vivifico, proferindo a secura da boca.
Alienada no pensamento que cala
Enfastiada no movimento que fala
Nesse ouvido meu que ouve
Mil palavras, mil palavras...
É tudo que calo ou falo 
que me gela as mãos, o peito e a alma.
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Triverso de
SUELY BRAGA
Osório/RS

Entro no meu eu
Olho o meu eu.
Só enigmas.
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Setilha de
NEMÉSIO PRATA
Fortaleza/CE

Ao médico, eu consultei 
para saber a razão 
desta dor que me atormenta, 
dia e noite, o coração: 
sabe o que ele receitou, 
e a dor, ligeiro, passou? 
Xarope de trovação!
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Trova de
JESSÉ NASCIMENTO
Angra dos Reis/RJ

Sinto uma grande alegria 
e o alvo sempre persigo: 
conquistar a cada dia 
um novo e leal amigo.
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Hino de 
CURITIBA/PR

I
Cidade linda e amorosa da terra de Guairacá.
Jardim luz, cheio de rosa Capital do Paraná.
Pela ridente paisagem
Pela riqueza que encerra,
Curitiba tem a imagem
Dum paraíso na terra.

II
Viver nela é um privilégio
Que goza quem nela está.
Jardim luz, cheio de rosa.
Capital do Paraná.

Pérola deste planalto
Toda faceira e bonita.
Na riqueza e na opulência
Vive, resplande, palpita

III
Subindo pela colina
Altiva sempre será.
Jardim luz cheio de rosa
Coração do Paraná.
Salve! cidade querida
Glória de heróis fundadores.
Curitiba, linda joia
Feita de luz e de flores.
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Poetrix de
GOULART GOMES
Salvador/BA

A$$alariado

vende a vida inteira
pelo pão de cada dia
a liberdade boia, fria
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Soneto de
GONÇALVES CRESPO
(Antônio Cândido Gonçalves Crespo)
Rio de Janeiro/RJ, 1846 – 1883, Lisboa/Portugal

Quimeras

O mar já me tentou: aspirações fogosas
Fizeram-me idear fantásticas viagens;
Eu sonhava trazer de incógnitas paragens
Notícias imortais às gentes curiosas.

Mais tarde desejei riquezas fabulosas,
Um palácio escondido em múrmuras folhagens,
Onde eu fosse ocultar as cândidas imagens
Das virgens que evoquei por noites silenciosas.

Mas, tudo isso passou: agora só me resta
Das quimeras que tive, uma visão modesta,
Um sonho encantador, de paz e de ventura.

É simples: uma alcova, um berço, um inocente,
E uma esposa adorada, envolta, a negligente!
De um longo penteador na imaculada alvura...
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Trova de
MARA MELINNI
(Mara Melinni de Araújo Garcia)
Caicó/RN

Nas noites de solidão...
— Lua, que embala os amores,
és, em tua mansidão,
a musa dos trovadores!
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Fábula em Versos da França
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry, 1621 – 1695, Paris

O leão velho

Decrépito o leão, terror dos bosques,
E saudoso da antiga fortaleza,
Viu-se atacado pelos outros brutos,
Que intrépidos tornou sua fraqueza.

Eis o lobo com os dentes o maltrata,
O cavalo com os pés, o boi com as pontas,
E o mísero leão, rugindo apenas,
Paciente digere estas afrontas.

Não se queixa dos fados; porém vendo
Vir o burro, animal de ínfima sorte:
«Ah! vil raça — lhe diz — morrer não temo,
Mas sofrer-te uma injúria é mais que morte!»
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  

Mensagem na Garrafa 192 = O sábio

Imagem criada com IA Microsoft Bing

AUTOR ANÔNIMO

Certo dia, a Solidão bateu à porta de um grande sábio e ele convidou-a para entrar. Pouco depois saiu decepcionada, pois descobriu que não podia capturar nada daquele ser bondoso, porque ele nunca estava sozinho; estava sempre acompanhado pelo amor de Deus.

Outro dia, a Ilusão também bateu à porta daquele sábio. Ele, amorosamente, convidou-a para entrar em sua humilde casa; mas logo depois ela saiu correndo gritando que estava cega, pois o coração dele era tão iluminado de amor que havia ofuscado a própria Ilusão.

Mais adiante, apareceu a Tristeza. Antes mesmo que ela batesse à porta, o sábio saiu na janela e dirigiu-lhe um sorriso enternecido. A Tristeza recuou e disse que era engano e foi bater em alguma outra porta que não fosse tão luminosa.

E assim a fama do sábio foi crescendo; a cada dia, novos visitantes chegavam tentando conquistá-lo. Num dia era o Desespero, no outro a Impaciência; depois vieram a Mentira, o Ódio, a Culpa e o Engano. 

Pura perda de tempo; o sábio convidava todos a entrarem e eles saiam decepcionados com o equilíbrio daquela alma bondosa.

Porém, um dia, a Morte bateu à sua porta e ele também convidou-a para entrar... Seus discípulos esperavam que ela saísse correndo a qualquer momento, ofuscada pelo amor do mestre. Entretanto, tal não aconteceu.

O tempo foi passando e nem ela nem o sábio apareciam. Cheios de receio, entraram e encontraram o cadáver do mestre estirado no chão. Ficaram muito tristes e começaram a chorar ao ver que o querido mestre havia partido com a Morte.

Na mesma hora, começaram a entrar na casa, todos os outros servos da Ignorância que nunca tinham conseguido permanecer naquele recinto; a Tristeza havia aberto a porta e os mantinha lá dentro.

"Entram na nossa morada aqueles que convidamos, mas só permanecem conosco, aqueles que encontram ambiente propício para se estabelecerem."

José Feldman (A Arte de Colar Estrelas)

Crônica baseada na trova de Dorothy Jansson Moretti (Três Barras/SC, 1926 - 2017, Sorocaba/SP)

Meus pobres sonhos, tão fracos, 
a vida em escombros fez,
mas, teimosa, eu junto os cacos... 
e eis-me sonhando outra vez!

Há quem diga que a vida é um eterno exercício de demolição. De tempos em tempos, o teto das nossas certezas desaba e o chão das nossas seguranças se abre, deixando para trás apenas o silêncio e o rastro de poeira do que um dia chamamos de futuro. No chão, o que resta são os "pobres sonhos": fragmentos de vidro que brilham sob a luz, mas que agora parecem incapazes de refletir qualquer imagem inteira.

Diante dos escombros, a reação mais lógica seria o abandono. Afinal, quem teria paciência para lidar com o que se quebrou? Quem teria coragem de tocar nas arestas cortantes das decepções?

Mas então surge essa personagem admirável: a teimosia. Não aquela teimosia cega e ranzinza, mas a teimosia que é irmã da resiliência. Ela se agacha entre as ruínas, sem pressa e sem medo de se ferir. Ela não busca um arquiteto para reconstruir o prédio luxuoso de outrora; ela busca os cacos.

Juntar os cacos é um ato de profunda humildade. É aceitar que o sonho novo terá cicatrizes, que as linhas da colagem serão visíveis e que, talvez, o vaso reconstruído nunca mais segure a água como o original. No entanto, há uma beleza nova e subversiva nesse "sonhar outra vez". É o sonho de quem já conheceu a queda e, mesmo assim, prefere o risco da esperança ao conforto do cinismo.

Eis a mágica da alma humana: de tanto juntar pedaços, acabamos criando um mosaico. O que era um sonho "fraco" e estilhaçado transforma-se em uma obra de arte resistente, feita de perdas superadas e vontades renovadas. A vida faz o escombro, é verdade; mas a alma teimosa faz o vitral.

Ao final do dia, lá está ela, com os dedos sujos de cola e o coração batendo forte, olhando para o horizonte com o mesmo brilho nos olhos da primeira vez. Porque, enquanto houver um caco de desejo no chão, haverá material suficiente para recomeçar o mundo.
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JOSÉ FELDMAN (71), poeta, escritor, professor, copidesque e gestor cultural de Floresta, no estado do Paraná. Pertence a diversas academias de letras do Brasil, Portugal, Suíça e Romênia. Foi Delegado da UBT em Ubiratã, ajudou na coordenação das Delegacias de Arapongas e Campo Mourão. Condecorado pela Ordo Equitum Calamis et Calicis (Romênia) com o título de Comandante Supremo do Saber; Mérito Cultural, pela Confraria Luso-Brasileira de Letras (Portugal), Comenda da Academia de Letras e Artes Pan-Americana, Mérito Cultural Euclides da Cunha da Academia de Letras Brasil-Suíça (Berna), Mérito Liderança pela Paz, do Rotary Club.  Organizou diversos torneios de trovas, assim como elaborou centenas de boletins e e-books de trovas. Aposentado. Dezenas de premiações em crônicas, contos, poesias e trovas no Brasil e exterior. 8 livros publicados. Editor dos blogs Singrando Horizontes, Pérgola de Textos, Chafariz de Versos e Voo da Gralha Azul.

Fonte:
José Feldman. Pérgola de Textos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine.

Ignácio de Loyola Brandão (O perfume de um almoço em Vera Cruz)


Andando pela ruas de Marília, cidade de Sérgio Ricardo, Dib Lufti e Oswaldo Mendes, procurei o Yara Clube na Sampaio Vidal. Ali tinha frequentado domingueiras durante as férias nos anos 50. Frequentar significava entrar no salão, apanhar o Cuba Libre e olhar. Olhava. Como olhei, sem avançar. Passei a adolescência e a juventude a olhar, imobilizado pela timidez e por não saber dançar, a não ser boleros, dois para lá, um para cá. Ainda que continue com uma sede esportiva fora do centro, o Yara não existe mais na Sampaio Vidal. No lugar está um restaurante popular, necessidade dos tempos que correm.

Na minha busca quis rever o Cine Marília e o Cine Bar, instituições de uma época. Esquecido de que essa época ficou meio século atrás, quando ainda existia café na região. No Cine Bar, em 1965, Edla Van Steen, com Cio; Thomaz Souto Correia, com A Morte Semi-Virgem; e eu com Depois do Sol, fizemos a primeira tarde de autógrafos da história da cidade. 

Naquele ano, houve um festival de cinema e Anselmo Duarte esteve lá com Vereda da Salvação, adaptado da peça de Jorge Andrade. Lançamentos com autógrafos eram coisa nova, ninguém sabia como agir. O Cine Bar lotado, gente a olhar para os autores, enquanto estes, por sua vez, contemplavam o público. Exasperante momento de hesitação e dúvida, até que Anselmo comprou um livro de cada um, pediu autógrafos, o povo compreendeu, a tarde começou.

O Cine Marília e o Cine Bar desapareceram, há um banco no lugar, símbolo de nossa civilização. Ao menos, ainda está lá o Edifício Marília, o primeiro arranha-céu da cidade. Certas noites, subíamos ao último andar, havia um restaurante chique, mas da comida não me lembro. Lembranças que se foram, Marília é uma cidade com mais de 200 mil habitantes, esparramada, ruas largas, horizontes vastos. Da janela de meu hotel, no centro, eu via os limites da cidade, curiosos grotões, como canions, que me faziam bem à vista. Eu, a olhar! A cidade ainda não se debruçou sobre esses mini-precipícios batidos por uma claridade que fere. O céu da cidade continua o mesmo, resplandecente. O bom é que o Cine Clube está voltando às atividades e lembrei de Roberto Cimino, alfaiate valoroso (essa é a palavra) que dedicou sua vida ao Clube. Quem está procurando reativá-lo é justamente seu filho. Os festivais de cinema da cidade ficaram conhecidos e levavam famosos de São Paulo e Rio. Cimino tinha sentido de mídia, convidava também as modelos da Rhodia, superstars da mídia. Mila Moreira foi uma que vi desfilando em carro aberto pelas ruas. Nunca recuperamos tudo que ficou para trás e, muitas vezes, nem queremos, para flutuarmos na delícia do imaginário.

Por outro lado, Marília tem dona Geysa, mulher de 85 anos que me lê e queria me conhecer. Fui a ela. Doce, conversadora, lúcida, bem-humorada, tem uma tirada atrás da outra. Dessas pessoas que viveram várias épocas e são a história viva do cotidiano. Quando decidiu aceitar o pedido de casamento daquele que foi seu primeiro e único namorado, com quem se casou e viveu toda a vida, ela se definiu: "Saiba que estou vindo diretamente da fábrica ao consumidor." Existe frase melhor? Depois do primeiro beijo no cinema, encabulada, perguntou ao namorado: "Te decepcionei? Não sei beijar? Não podia saber, nunca tinha beijado, acho que fiquei de boca aberta. Se quiser me ensinar, me ensina, desde que eu seja a única." 

Ainda hoje, ela levanta cedo, lê jornais, livros, segue telejornais, conversa, passeia, ouve música. Certas manhãs, coloca um CD, fecha os olhos e dança com o marido em pensamento. Viver tem sabor.

Estive em Marília levado pelo Programa de Educação Tutorial, PET, das Ciências Sociais da Unesp, fiz duas falas e corri a me refugiar na cidade vizinha, Vera Cruz, a dez minutos. Lá onde nasceu Benedito Ruy Barbosa, o novelista. Queria reencontrar outros lugares de infância, como as fazendas do Juca, do Costinha, do Assis, do Ito, do Nago, dos Furtados, do Mundinho, do Costão, um português que plantava uvas e produzia vinhos, com quem me iniciei em enologia aos 14 anos. E quase terminei. Apelidos me vinham, Nhô, Tucun, estranhos, quais eram os nomes deles? De Marília, com o primo Dafnis decolávamos do aeroporto, voávamos até Vera Cruz, dando rasantes sobre as fazendas e cidades. A liberdade de voar num aviãozinho daqueles nunca mais se repetiu, os Airbus e Boeings de hoje não têm graça. Aquilo era a liberdade total, a insegurança, aventura e risco. Dali minha paixão por aviões.

Agora, o que primeiro avistei quando entrei em Vera Cruz foi a torre com a sirene que, na rua principal, no começo da noite anunciava que a sessão de cinema ia começar. As pessoas corriam, quem estava a jantar se apressava. Nina e Silvio, primos, ou primos dos primos, me receberam e convocaram parte da cidade. Tudo correu à moda antiga para comemorar a biografia de Ruth Cardoso, o aniversário de Zero, as palestras na Unesp, o dia azulado, a cidade imobilizada ao sol, como sempre foi. No entanto, daqui desta vila sai o pensar e o idealizar de uma revista chamada Café Espacial, com quadrinhos, textos, fotos, entrevistas, que estaria à vontade em São Paulo ou Nova York.

Tudo naquela tarde reascendia ao perfume quase obsceno, de tanto que provocava os desejos, de uma leitoa à pururuca com abacaxi que se derreteu na boca, carne de panela, tutu de feijão, frango com quiabo, batata doce, banana frita. O aroma das comidas foi proustiano, passado e presente, hoje e ontem, futuro, todos os tempos misturados. Vieram todos e também os mortos, lembrados aos risos, porque a maioria da família sempre foi de farpas pontiagudas, ironias e gozações, de tirar o pelo dos outros com afeto, cheios de sarcasmos e brincadeiras, respostas prontas. Tudo isso que a literatura me tem proporcionado fazendo com que eu me renove sempre, me encontre no ontem, me projete para o amanhã, correndo para o futuro. Voltei no avião com pão feito em casa e geléia de laranja, também caseira.
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IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO permanece como um dos maiores nomes da literatura contemporânea brasileira. Ele nasceu em Araraquara (SP) em 1936.  Mudou-se para a cidade de São Paulo aos 21 anos. Também viveu por cerca de dois anos em Berlim, Alemanha, na década de 1980. Começou aos 16 anos como crítico de cinema no jornal Folha Ferroviária. Trabalhou no jornal O Imparcial, em sua cidade natal. Na capital paulista, consolidou-se como um renomado jornalista, passando pelas redações dos periódicos Última Hora, Realidade, Planeta, Claudia, Vogue e Ciência e Vida. Sua estreia literária ocorreu em 1965 com o livro de contos Depois do Sol. Ao longo da carreira, publicou mais de 40 livros, transitando entre romances, contos, crônicas, literatura infantil e biografias. Seus principais livros são: Zero (1974): Seu romance mais famoso. Foi publicado primeiro na Itália devido à censura da ditadura militar brasileira, que o proibiu no país até 1979; Não Verás País Nenhum (1981): Clássico distópico que previu crises ecológicas e escassez de água no Brasil; Bebel que a Cidade Comeu (1968); O Beijo Não Vem da Boca (1985). O Menino que Vendia Palavras (2007): Destacada obra infantil.
Pertence à Academia Brasileira de Letras e Academia Paulista de Letras. Venceu o Prêmio Jabuti em cinco 2000, 2008, 2015, 2017 e 2021. Prêmio Machado de Assis (2016): Concedido pela ABL pelo conjunto de sua obra.
Ignácio de Loyola Brandão é crucial por sua coragem política e inovação estética. Durante a ditadura militar, foi uma das vozes mais contundentes contra a opressão e o autoritarismo através do romance Zero. Além disso, sua obra foi pioneira no Brasil ao debater o impacto ambiental e o caos urbano de forma ficcional. Ele domina tanto o realismo social quanto o absurdo e a ficção distópica, traduzindo as angústias do homem brasileiro moderno em uma linguagem ágil e experimental. 

Fontes:
Jornal “O Estado de S. Paulo”, 05.11.2010
Biografia = Ebiografia, Academia Brasileira de Letras, Jornal Cândido (PR), Wikipedia, USP, etc. 

Cida Piussi (Solstício aqui)


Não se tem mais invernos como antigamente. Comum ouvirmos isso, mas somente quem já passou dos "enta" tem a noção exata do que significa. Há ainda a definição temporal da mudança das estações; no hemisfério sul, o inverno inicia no dia 21 de junho, quando se tem o dia mais curto do ano e, consequentemente, a noite mais longa. Da mesma forma que em 21 de dezembro se tem (teria) o dia mais longo e, bem, já se deduz o que significa.

Nenhuma explicação astronômica e/ou astrológica faz diferença quando se trata do frio que nos visita anualmente. Se eu pudesse, iria sempre para o lado do mundo que o mantivesse longe de mim. Ao mesmo tempo que desejo fugir dessa estação climática, memórias vêm, fortes, e trazem lembranças que são difíceis de serem descritas em sua totalidade.

Nasci no estado mais frio deste país, num lugar que nem sequer consta no mapa, Linha Teutônia (não confundir com a cidade), e em uma época em que as estações eram bem definidas: não havia, ou não se tinha conhecimento do tal buraco de ozônio, das geleiras derretendo, etc. O que se sabia é que no inverno o frio seria uma constante e não o friozinho dos últimos tempos em que temos dias gelados, seguidos de dias mais ou menos, seguidos de calor. Assim, vamos para a cama sem saber se, ao acordar, teremos que tirar as peles do cabide para poder aquecer a nossa.

Sou filha de professores e morávamos na escola onde lecionavam. Meu pai era orientador rural e minha mãe lecionava desde a alfabetização até o quinto ano do ensino primário. Fui aluna dos dois. No primário, minha mãe, ginasial, meu pai.

Não gosto do inverno, mas os da minha infância tiveram um sabor especial. Nas casas não havia luz elétrica, fogão a gás, água encanada, nenhum conforto que, para nós, hoje, é indispensável. As luzes das velas, dos lampiões, dos fogareiros, por mais esforço que fizessem, não chegariam aos pés de uma lâmpada incandescente de 25 w.

O fogão a lenha era o equipamento mais importante. A primeira pessoa a pular da cama era a responsável por abastecê-lo e acendê-lo. Por motivos óbvios, a incumbência caía sobre alguém mais velho; crianças são impulsivas, desastradas, e as queimaduras não fariam o inverno ser menos rigoroso. O cheiro da lenha queimando entrava em meu nariz e com ele se misturavam o perfume do café recém passado, o do leite, que às vezes (muitas vezes), fervia e transbordava, se esparramando sobre a chapa de ferro, na sequência, o primeiro palavrão do dia? Os dias, sem nenhum exagero, iniciavam e terminavam ao redor do fogão.

No interior, a igreja e a escola eram os locais onde a comunidade se fazia presente. A festa junina, no dia 24, era o evento mais esperado do ano e a escola, bem, a minha casa, era o local onde tudo acontecia.

Na noite gelada da festa de São João, a fogueira, montada no centro do pátio da escola, iluminava a vila inteira e nós, os foliões, ficávamos à sua volta até que a última brasa se despedisse com um ar de "até o ano que vem". Vestindo trajes gauchescos ou à moda caipira éramos os donos da noite.

Da tradição caipira, o casamento na roça; da tradição recebida dos descendentes de imigrantes teutões (origem do nome Linha Teutônia), o Pau de Fitas; dos Jesuítas, pular a fogueira e pedir a proteção dos santos para não queimar os pés ao passar sobre as brasas quando a fogueira estava prestes a se apagar; as tradições eram cultuadas.

Não esqueço das comidas típicas, como o pinhão, o amendoim, a batata-doce... No entanto, o ápice da festa era a bebida proibida; o álcool, vindo de enormes panelas onde o vinho tinha estado cozinhando o dia inteiro seria liberado para a pirralhada e daria à noite um prazer inimaginável: o quentão para amainar o frio que, realmente, não sentíamos.
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CIDA PIUSSI fez graduação em Letras. Pós-Graduações em Língua Portuguesa e Práxis da Criação Literária. Formação em teatro. Publicações nos sites Recanto das Letras, Usina de Letras, Universo de Cida Piussi e de outros autores. Participação em "Antologia Poética" e "Ditos e Feitos" da Ed. Recanto das Letras.

Fonte:
Kethlyn Machado (org.). Crônicas de Primavera. Publicado em 15 de setembro de 2025 pela Editora Metamorfose https://www.escritacriativa.com.br/cronicasdeprimavera

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Chafariz de Trovas * 13 *


 Maria beijou Aurora
no portão do seu jardim.
— Perdulária, joga fora
o que nega para mim...
ALFREDO DE CASTRO
- - - - - -
A um burro dizia um sábio:
— Pobre animal sofredor,
a muitos convém teu nome,
a bem poucos teu valor...
ANA ATAÍDE FERREIRA DA SILVA
- - - - - -
Carinho pra quê? Me deixe!
Agora estamos casados…
E ninguém dá isca a peixe
depois dos peixes pescados.
ANATOLE RAMOS
- - - - - -
Uma mosca sem valor
pousa, com a mesma alegria,
na cabeça de um doutor,
como em qualquer porcaria!
ANTÔNIO ALEIXO
- - - - - -
Poliglota conhecido,
dominar as línguas logra.
Excetuando-se, é sabido,
as da mulher e da sogra...
ANTÔNIO TORTATO
- - - - - -
Jovens lindas como aquelas
dão trabalho ao hospital,
pois, na esquina, quem, ao vê-las,
não se esquece do sinal?
ANTÔNIO WEBER
- - - - - -
"Barrigudinho!" — brincava,
dando-me bola, a vizinha.
— E tanto ela me invejava,
que ficou barrigudinha...
APARÍCIO FERNANDES
- - - - - -
Vi teus braços... que ventura!
Teu colo... as pernas... que gosto!
Agora, tira a pintura,
que eu quero ver o teu rosto.
BELMIRO BRAGA
- - - - - -
Duvide lá quem quiser,
mas, ó vida, me insinuas:
melhor do que uma mulher,
não há dúvida, só duas...
BENNY SILVA
- - - - - -
A minha sorte ferina
me passou um grande logro;
o teu pai, linda menina,
devia ser o meu sogro.
CALIXTO DE MAGALHÃES
- - - - - -
Dei-te meu livro de trovas,
mas os teus olhos moleques
parecem dizer: "de trovas?..."
melhor se fossem "de cheques".
CARLOS GUIMARÃES
- - - - - -
A mulher quando se arruma,
quanta roupa! Já notou?
E foi sem roupa nenhuma
que Teresa se arrumou...
COLBERT RANGEL COELHO
- - - - - -
Não adianta nada agora,
eu já não perco a cabeça.
Mas, é bom ires embora,
antes que tal aconteça...
COLOMBINA
- - - - - -
O homem tem grande horror
ao vácuo, já descobri:
quando ele se vê vazio,
enche-se todo de si...
DJALMA ANDRADE
- - - - - -
Larápios de mil padrões
há neste mundo dispersos.
Até conheço ladrões
que roubam frases e versos...
ESMERALDO SIQUEIRA
- - - - - -
Meu amor, não cries caso,
se teu caso é se casar...
Se crias caso, não caso;
se não me caso... ora, azar!
FRANCISCO MADUREIRA
- - - - - –
A cova, que nos contrista,
serve, com a mesma avidez,
o talento de um artista
e a burrice de um burguês.
GUMERCINDO JAULINO
- - - - - -
A virtude, em muita gente,
é só falta de ocasião;
quanto virtuoso que sente
não ter sido um bom ladrão!
HÉLIO CHAVES
- - - - - -
De saia curtinha e rente,
estas garotas modernas
só sentam perto da gente
para mostrar-nos as pernas...
HERALDO LISBÔA
- - - - - -
É só, pois sente amizade
pelas mulheres feiosas.
E a mesma fraternidade
sentem por ele as formosas...
ILDEFONSO DE PAULA
- - - - - -
Até que deve a oratória
ser um dom dos mais divinos;
porém, tem levado à glória
muitos sujeitos cretinos...
JACY PACHECO
- - - - - -
Chamaste-me um dia, urgente,
para dizer-me um segredo!
— Nunca um homem tão valente
teve, talvez, tanto medo...
JOSÉ DUARTE COSTA
- - - - - -
Quem passa a vida sisudo,
só pensando em caixa alta,
depois que pode ter tudo,
não tem o que fez mais falta...
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO
- - - - - -
Se todos fazem de si
tão duvidoso conceito,
menina, não queiras ter
a fama sem o proveito...
NOEL DE ARRIAGA
- - - - - -
Ouvi um cão indigente
a meu buldogue inquirir;
— O teu dono é inteligente?
— Se é? Só falta latir!
OLDEMAR LIMA DE ANDRADE
- - - - - -
Fiquei rindo de um gaiato
que caíra em plena praça,
não vi a casca de manga
e — pumba! — perdi a graça...
OLYMPIO S. COUTINHO
- - - - - –
Homens há tão insensatos
e de maneiras tão duras
que em vez de usarem sapatos
devem calçar… ferraduras!
PAULA FARIA
- - - - - -
Aquela jovem tão grácil
possui grandes qualidades:
além da palavra fácil,
tem outras facilidades...
PAULO EMÍLIO PINTO
- - - - - –
Se beijo pagasse imposto
junto aos cofres da moral,
que renda dava o teu rosto
nos bailes de carnaval!...
RENATO VIEIRA DA SILVA
- - - - - –
Quando por fraca poetisa
um critico se derrete,
o leitor logo ajuíza:
essa poetisa promete...
RODRIGUES CRESPO
- - - - - –
Na festa daquela gente,
o discurso que agradou
foi aquele, unicamente,
que depressa terminou...
SEBASTIÃO BENFICA MILAGRE
- - - - - –
O meu olhar é um peralta
que não tem jeito, mocinha:
aquilo que tanto escondes
o sem-vergonha adivinha...
SOARES DA CUNHA
- - - - - –