sábado, 27 de junho de 2026

Silmar Bohrer (Croniquinha) 162


Saio a caminhar na tarde gelada de junho. Estertores do outono. Ventos maldosos lembram dos costados do Cáucaso e suas montanhas branquinhas que nocauteiam viventes nos tempos de invernia. Mas ventos e estações não conhecem geografias. Ventos são os eternos romeiros, andarilhos pelos caminhos. As estações têm sua missão a cada ano.

Vou para a rua bem armado - um farnel generoso e delicioso. Bornal a tiracolo com caneta, papel, máquina fotográfica, água e alguma fruta da estação. E lá nos vamos subindo o morro do Gavião.

Abaixo da Estância Maggiorino encontro o riacho junto à bica d'água. Vai silencioso, fraquinho, indolente, quase parando com a frialdade. Lá do fundo da mata vem o ronquinho gostoso de água descendente, dessedenta.

Aqui e ali alguns pinheiros remanescentes dos dias áureos dos pinheirais. Névoa azulada permeia os ares, nos gramados curucacas desfilam a bicorar o solo, raios de sol distantes no ocidente. Pássaros emplumadinhos na galharia.  

Instantes dourados, ando a cantar uma música no mundo interior com a paz inconsciente. O enlevo do caminho põe inspiração, fazendo da  caminhada uma pequena romaria de alumbramento. Regozijo que invade o ser e incendeia a crosta do coração e o recôndito da alma.

Felicidade. Será ?
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O escritor e poeta SILMAR BOHRER destaca-se na cena cultural contemporânea por sua intensa produção literária voltada para a poesia, trovas e crônicas regionais, além de sua importante atuação na liderança de instituições literárias na Região Sul do país. Silmar Bohrer nasceu em Canela/RS em 1950, com sete anos foi para em Porto União-SC, com vinte anos, fixou-se em Caçador/SC. Suas primeiras produções e memórias de juventude, incluindo o serviço militar obrigatório, remetem a jornais regimentais e ao gosto pelas redações escolares. Reside atualmente no município litorâneo de Itapoá, no estado de Santa Catarina.
É bancário aposentado da Caixa Econômica Federal. Paralelamente à sua carreira profissional, sempre manteve o ofício da escrita como um sacerdócio diário. É um dos membros fundadores e exerceu o cargo de presidente da Academia Caçadorense de Letras e Artes (ACLA), instituição fundada em 2014 no município de Caçador/SC, com o objetivo de fomentar a cultura local. Também possui forte vínculo associativo com entidades como a Associação dos Economiários Aposentados da Caixa em Santa Catarina. Membro da Confraria dos Escritores de Joinville e Confraria Brasileira de Letras.
Silmar iniciou sua jornada na escrita ainda na adolescência. Possui uma produção monumental com mais de 10 mil textos publicados digitalmente em plataformas de catalogação literária, acumulando dezenas de milhares de leituras. Sua obra foca predominantemente em formas líricas curtas e descrições do cotidiano, sendo o estilo predominante trovas transcendentais, prosa poética, crônicas do dia a dia e versos livres. Suas coletâneas e antologias de distribuição independente — frequentemente distribuídas de "mão em mão" de maneira não comercial durante eventos e lançamentos — reúnem séries textuais de sucesso na internet, tais como “O Contágio do Verbo”, “Pousadinha de Trovas”, “Ninhal de Trovas” e “Poesia sem Distanciamento”. Ele também se dedica à escrita de artigos de resgate histórico e crônicas sobre outras figuras literárias sulistas. Editou os livros: Vitrais Interiores  (1999); Gamela de Versos (2004); Lampejos (2004); Mais Lampejos (2011); Sonetos (2006) e Trovas (2007).
Mais do que concorrer a premiações comerciais de grande escala, o autor foca sua trajetória no reconhecimento institucional e comunitário. Suas láureas vêm de concursos literários internos voltados a servidores e aposentados federais, além de homenagens prestadas por academias de letras municipais em Santa Catarina pelo seu papel ativo na difusão da escrita poética regional.
A relevância de Silmar Bohrer reside no seu papel de ativista e descentralizador cultural no interior de Santa Catarina. Ao liderar a fundação da Academia Caçadorense de Letras e Artes (ACLA), ele contribuiu diretamente para levar oficinas, eventos e o amor pelos livros a uma das regiões socioeconomicamente mais desafiadoras do estado. Bohrer defende uma literatura baseada no compartilhamento afetivo e na simbiose entre as vivências cotidianas e o lirismo tradicional, mantendo viva a tradição da trova e da crônica de costumes na era digital.

Fontes:
Texto enviado pelo autor. 
Biografia = Divulga Escritor; ACACEF; Recanto das Letras; Caçador.net, dados enviados pelo autor.