sexta-feira, 5 de junho de 2026

Laé de Souza (Adeus e pronto)

Separação é difícil, machuca e tal, mas também nada de ficar na fossa. Isolar-se, nem pensar. Tem gente que começa a mexer no guarda-roupa e pega aquelas roupas antigas para usar. Não é uma boa. Afinal, se ainda houver chance de partir para a reconquista, deve-se estar nos “trinques” para estimular o arrependimento do outro. Mesmo que não haja retorno, ela tem de estar preparada para novas paqueras, porque o mundo não acabou e sempre se pode encontrar alguém. 

Estão superados aqueles preconceitos, passados pela mamãe, de que a mulher deve ter um homem só por toda a vida. Também, não vá exagerar e sair galinhando. Ficar só por uns tempos é uma boa, mas tem de curtir cinema, teatro, festa, passear, divertir-se a valer. Se por acaso encontrar com ele em uma festa, nada de ficar dizendo “Se ainda me trocasse por coisa melhor...” Pega mal. Além disso, e se fosse melhor, que diferença faria? Já me disseram isso e eu, sinceramente, achei que a troca foi melhor. Portanto, o que se deve fazer é cumprimentar, numa boa, e procurar curtir o momento com quem estiver. 

Lembre-se de que não é nenhuma vergonha estar sem namorado. Mas, sempre existe a chance de conseguir outro. Está certo que você não é nenhuma Vera Fischer, mas também não vai querer namorar nenhum Felipe Camargo, não é? Por outro lado, não corre o risco de sair por aí com o braço quebrado e dando aquele show ou de ser “convidada” a se retirar da novela.

E tem outra, se estiver de namorado novo, nada de ficar naquela “Ai que saudade dele”, “Acho que vou morrer”, “Não confio mais em homem nenhum”, é meio chato e cafona. E homem nenhum vai querer dar seu ombro para você ficar chorando por outro. Também, nos primeiros meses, evite aquelas lamúrias de dores na coluna, reumatismo, enxaqueca... segure firme. 

Nos restaurantes, procure não comer demais e sempre se ofereça para dividir as despesas. E, uma vez ou outra, pague mesmo. Só que fique atenta para não ser explorada, porque tem gente que se aproveita desses momentos.

E os filhos. A minha ex-mulher, sempre que me via com uma namorada, procurava infernizar meu fim de semana. Se fosse prolongado, principalmente. Antes ligava, claro:

- Você tem algum programa para o fim de semana?

- Tenho um compromisso, sim - respondia na maior inocência e, também, pelo medo de que ela me convidasse para fazer algo juntos.

- Acho bom que inclua os seus filhos nesse passeio porque eu também tenho e não vou poder levá-los.

Não adiantava discutir. Meia hora depois, tocava a buzina na porta de casa e deixava os coitados na calçada. Uma loucura! 

Nas primeiras vezes, eu recorria aos amigos. Depois, quando senti que a cara dos amigos já não era lá de muito amigos, comecei a me socorrer com uma família que cuidava deles mediante pagamento. Mas, ela sempre achava ruim. 

- Meus filhos, com estranhos? Eu me sacrifico e você não... realmente, é muito difícil.

E criança quando serve de estopim... sofre. Via de regra, a guarda é da mulher, porém, a responsabilidade ainda é do casal, que deve cuidar para magoar os filhos o mínimo possível.
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LAÉ DE SOUZA é cronista, poeta, articulista, dramaturgo, palestrante, produtor cultural e autor de vários projetos de incentivo à leitura. Bacharel em Direito e Administração de Empresas, Laé de Souza, 55 anos, unifica sua vivência em direito, literatura e teatro (como ator, diretor e dramaturgo) para desenvolver seus textos utilizando uma narrativa envolvente, bem-humorada e crítica. Nos campos da poesia e crônica iniciou sua carreira em 1971, tendo escrito para "O Labor"(Jequié, BA), "A Cidade" (Olímpia, SP), "O Tatuapé" (São Paulo, SP), "Nossa Terra" (Itapetininga, SP); como colaborador no "Diário de Sorocaba", O "Avaré" (Avaré, SP) e o "Periscópio" (Itu, SP). Obras de sua autoria: Acontece, Acredite se Quiser!, Coisas de Homem & Coisas de Mulher, Espiando o Mundo pela Fechadura, Nos Bastidores do Cotidiano (impressão regular e em braille) e o infantil Quinho e o seu cãozinho - Um cãozinho especial. Projetos: "Encontro com o Escritor", "Ler É Bom, Experimente!", "Lendo na Escola", "Minha Escola Lê", "Viajando na Leitura", "Leitura no Parque", "Dose de Leitura", "Caravana da Leitura”, “Livro na Cesta”, "Minha Cidade Lê", "Dia do Livro" e "Leitura não tem idade". Ministrou palestras em mais de 300 escolas de todo o Brasil, cujo foco é o incentivo à leitura. "A importância da Leitura no Desenvolvimento do Ser Humano", dirigida a estudantes e "Como formar leitores", voltada para professores são alguns dos temas abordados nessas palestras. Com estilo cômico e mantendo a leveza em temas fortes, escreveu as peças "Noite de Variedades" (1972), "Casa dos Conflitos" (1974/75) e "Minha Linda Ró" (1976). Iniciou no teatro aos 17 anos, participou de festivais de teatro amador e filiou-se à Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Criou o jornal "O Casca" e grupos de teatro no Colégio Tuiuti e na Universidade Camilo Castelo Branco.

Fonte:
Laé de Souza. Acontece... Crônicas. SP: Ecoarte, 2018