domingo, 14 de junho de 2026

Paulo Roberto de Oliveira Caruso (No lugar errado)


Apavorada, a girafa se vê encurralada por três famintas onças pintadas. Até mesmo um jacaré, feito uma bailarina no gelo, desliza levemente sobre as verdejantes águas do rio Parimé aguardando a futura carcaça que será deixada após o banquete do trio. 

Sim, uma girafa foi parar no extremo norte do Brasil! O animal nem sabe como chegou ali, mas não foi somente devido a suas ultralargas passadas... Num piscar de olhos o herbívoro não está mais na savana, mas num local que definitivamente não é o seu lar. Mal teve tempo de experimentar uns frondejantes galhos de árvores nativas e já está sendo cercada por frios predadores em meio à evapotranspiração amazônica! 

A vista do alto animal africano é privilegiada, o que lhe permite ver não somente os felinos citados como também os fulgurantes olhos do jacaré sobre as águas fluviais, revoadas de jaburus e um denso cardume de piranhas debruçadas à margem direita do aludido rio. Todos esperando o desfecho da situação desfavorável à criatura pernuda...

De repente, para horror da pernuda, os felinos saltam salivando com suas afiadas presas e garras contra ela quando o inesperado novamente ocorre: a girafa desaparece no nada, fazendo o trio cair confuso atrás de uma moita. Todos os carnívoros se põem perplexos ante o que havia e o que não há mais em plena aurora! 

- Júnior, já não te falei para não desenhar nos rascunhos do papai? Ao menos fez a lápis a linda (só que não...) girafona no meio do meu conto amazônico... 

- Dicupa, papá... - balbucia o filhinho, ainda pequenino.

- Desculpo sim, meu anjo. Venha cá pro meu colinho. 

- Olha o cavalinho! Olha o cavalinho! - diz o pai, autor da estória, enquanto, com o guri sentadinho em seu colo, simula os trotes do equino, para gargalhadas do pequenino.
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PAULO ROBERTO DE OLIVEIRA CARUSO (1975) é um prolífico escritor, poeta contemporâneo e jurista fluminense, amplamente conhecido nos círculos de literatura independente e academias de letras virtuais e regionais pelo seu impressionante volume de produção textual. Natural do Rio de Janeiro, continua ativo em sua produção intelectual. Conciliando a literatura com uma sólida carreira técnica e jurídica, ele atua em diferentes frentes. Trabalha como servidor público atuando na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É advogado e administrador formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), além de possuir especialização voltada ao Direito do Trabalho e Processo do Trabalho.

A trajetória literária de Paulo Roberto de Oliveira Caruso é marcada por números colossais e forte presença no ambiente digital e acadêmico. Começou a escrever de forma amadora ainda na infância, mas passou a encarar a literatura com foco profissional a partir de 2008. É um dos autores mais prolíficos da internet brasileira, tendo redigido dezenas de milhares de textos ao longo de sua jornada (ultrapassando a marca de 26 mil poemas em suas contagens de catálogo). Embora escreva crônicas, contos e prosas, sua grande especialidade é a poesia estruturada. Ele domina formatos clássicos e complexos como o soneto, a trova, o haicai (ao estilo oriental), o indrisos, a glosa, além de transitar pela poesia livre. É membro e correspondente de uma vasta lista de academias de letras. Já participou de mais de 50 antologias impressas e virtuais.

Seus textos são vistos como uma forte resistência em prol da "verdadeira valorização da literatura", preservando o rigor técnico das rimas e das métricas fixas que muitas vezes se perdem na modernidade. Por publicar massivamente em blogs, sites e espalhar cartazes físicos em universidades como a UERJ e a UFF, sua escrita é vista como democrática, alcançando o leitor comum diretamente no cotidiano. A qualidade técnica de suas construções poéticas rendeu ao autor diversas medalhas, troféus, menções honrosas e títulos de comendador por associações culturais.

Fontes:
Texto enviado pelo autor. 
Biografia: Recanto das Letras, Portal CEN, Enciclopedia Itaú Cultural, Confraria Brasileira de Letras, etc.