Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 26 de março de 2019

Carolina Ramos (“Colégio São José” de Santos – 95 Anos)


Quem passa pela av. Ana Costa, frente ao “Colégio São José”, sabe que seus olhos contemplam um cofre sagrado que guarda augustas recordações. Sabe, também, que, pelos portões daquele prédio, que ocupa quase um quarteirão, já passaram várias gerações de santistas, em busca do tesouro do saber, resguardado por detrás daqueles nobres muros.

Dezenove de março de 1924, Dia de São José! Nesse mesmo lindo dia, nascemos - tu,  meu querido Colégio  e  quem emocionada escreve estas  linhas.

Vai longe o tempo em que, saia azul marinho e blusa branca, atravessei por longos e felizes anos teus corredores, na procura  inconsciente de um dia chegar a ser  gente. O percurso estendeu-se do Jardim da Infância à Escola Normal, sem esquecer, entre eles, o Secretariado.  Ambos crescemos, caro Colégio, ao embalo do Hino Nacional que Nina Mazagão nos ensinou a cantar -  cartilha do amor à Pátria!

Quanta saudade daquele tempo bom, distante sonho... da querida Irmã Margarida,  doce “ma mère”, a Superiora. De Irmã Filomena, tão amiga e de Irmã Virgínia, sempre austera na iniciação da língua francesa, enquanto o sorriso de Irmã Edith captava simpatias para o idioma inglês.

Como não lembrar Zulmira Campos? Ao comando do idioma pátrio, tão brava quanto eficiente, fez tremer de susto àquela aluna tímida, que, aos 11 anos de idade, recebeu de volta o seu primeiro trabalho de redação, “A morte do sabiá”, devolvido à autora (que  se derramara  poeticamente), com nota  insignificante e a reprimenda:- “ Isto foi feito com a mão do gato! Uma criança não escreve assim! Nunca mais faça uma coisa dessas!”-  O que levou a apavorada aluna a, infantilmente, anular-se  até o final do curso, a escrever frases secas e curtas, para que ninguém duvidasse da sua autoria. E, quem diria! – a mesma mestra, posteriormente, iria incentivar bastante a poesia daquela ex-aluna, sem saber que a sua reprimenda inicial fora na verdade não só um grande elogio, mas, também, o primeiro prêmio de literatura que ela recebera!

Minhas filhas  passaram por essa grande mestra e têm certeza do quanto devemos ao rigorismo de Zulmira Campos! E, também, à simpatia dos professores, João Papa Sobrinho (Física), Isolino (Química), Marieta Garcia (História da Civilização) sempre assídua às festinhas de ex-alunas.

E quanto poderia ser dito sobre o querido Prof. Domingos Aulicino, hoje nome de Praça, paraninfo da turma de 1940, quase extinta. Distinção em pessoa, nosso professor de Latim apenas errou ao afirmar: - “O mundo só tomará jeito quando for governado por mãos ternas de uma mulher”. Prof. Aulicino não chegou aos tempos atuais, quando a realidade o desdiria.

Luiz Carranca substituiu Zulmira Lambert, no ensino da temível Matemática, área em que esta ex-aluna era redondo zero à esquerda! E ele bem conhecia as alergias das alunas à matéria da qual era mestre! Era também crítico literário de A Tribuna, e, dele, guardo duas cartas nas quais comenta meus livros de contos e poesias, com palavras que sempre me emocionam.

Do Curso Normal, saltam os nomes de Irmã Maria Imaculada (Psicologia), tão fina e amiga e de Zeny Goulart, primeira vereadora de Santos, (Fisiologia e Sociologia). Tive o prazer de entronizar seu nome como Patrona de uma Cadeira no IHGS.

Benditos mestres! Nem todos citados, mas todos sempre muito queridos! – Saudades, no coração de cada aluna. Crescemos juntos, querido “Colégio São José”.

Eu partirei... mas, tu, sempre jovem, hás de seguir de pé - marco honroso e indelével do ensino santista! Cercado sempre  de muito amor, provarás o que, feliz, afirmei na letra do teu  Hino: -“Jamais teu nome há de ser esquecido/ pois quem te ama há de sempre te amar! “

Fonte: A autora

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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