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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Jerson Brito (Devaneios Poéticos) = 1 =


AFLITO

Cambaleio perdido em estilhaços
Pelas sendas funestas da saudade
Densa bruma me cerca... Oh, frialdade!
Como são lancinantes esses laços!

Não consigo esquecer teus belos traços
Coração não sossega, a dor me invade
Não escuto os clamores da vaidade
E confesso: desejo teus abraços

Minhas mãos sem teu corpo estão aflitas
Minha boca padece sequiosa
Devaneios lascivos inda habitas

Dama amada, perfeita, perfumosa
De feições generosas, tu volitas
Em meu sonhos alegres, donairosa
= = = = = = = = = = = = = =  

DIVA

A noite é fria, é mais rude o tormento
Na imensidão deste quarto sombrio
Algo me falta... Que dor, que vazio!
Minh'alma brada em plangente lamento

Abro a janela, as estrelas espio
Há tanto brilho, ali busco um alento
Sorrir-lhes quero... Esse atroz sofrimento
Não me permite, sufoca-me o brio

Da vividez de um cenário tão belo
Resistem traços sutis, pequeninos
Oh, solidão, desumano flagelo!

Que o romantismo doutrora reviva
E um dia desses nos cruze os destinos
Estou carente de ti, minha diva!
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LÁGRIMAS PERDIDAS

Cansado doutra noite mal dormida
Enfim, abro a janela... Riem flores!
Contemplo o colorido e vejo a vida
Mostrando para mim seus esplendores

Da rosa outrora linda, a preferida
Não posso mais haurir nobres olores
E penso: quanta lágrima perdida!
Oferta-me o jardim tantos sabores...

Jasmins, hortênsias, ledas violetas
Em seu aroma puro, confortante
Acolhem meus suspiros lamentosos

Experimento as dúlcidas facetas
Da caminhada agora deleitante
Repleta de sorrisos jubilosos
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MEDO DO ESCURO

Cessados os tímidos passos, hesita
Seu rosto confessa pavor, inquietude
Perturbam-no feros demônios e grita:
"Fugiram meus anjos, não há quem me ajude!"

Vergasta seu corpo uma gélida brisa
O gosto é de fel, é de enxofre o perfume
Talvez impressões... Dalgum norte precisa
Perdido que está em completo negrume

Delira, deseja as blandícias de dantes
Voltar não consegue, há abismos gigantes
Das lidas vindouras ignora os segredos

Parece um menino assustado, inseguro
Das belas surpresas ocultas no escuro
Não sabe porquanto é refém de seus medos
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O COLIBRI

Volita no jardim o colibri faminto
Enfeita gracioso as sendas coloridas
E rasga belamente o grande labirinto
Oscula girassóis, hortênsias, margaridas

A cena é singular, esparge puro encanto
Do ilustre visitante as flores afagadas
Saudade sentirão quando esse beijo santo
Fartar-se de dulçor noutras vitais jornadas

Assim, segue seu curso, em festa, a natureza
Esplêndida expressão de um criador jeitoso
São telas magistrais... Que zelo, que destreza!

Viaja o colibri, rompendo os ares, cruza
Dos prados divinais ao vale tenebroso
Em busca do sabor d’alguma nova musa
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OUTONO

Sem destino certo bailam folhas
Voam soltas, secas, leves, mortas
Pobrezinhas, não têm mais escolhas
Traça o vento insanas rotas, tortas

De tristura choram nus os galhos
Mui saudosos doutros tempos fartos
Da verdura, do frescor, de orvalhos
Quando tinham mais vigor, quão hartos!

Segue assim seu ciclo a natureza
Transformando cenas, sem pudores
Na paisagem pobre, esmaecida

O arvoredo, em singular beleza
Renovado, logo explode em cores
Espetáculo de luz e vida
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Jerson Brito (1973)
JERSON LIMA DE BRITO é um dos principais expoentes contemporâneos da poesia clássica, do soneto e da trova na Região Norte do Brasil, amplamente reconhecido por sua maestria técnica e dedicação à preservação das formas poéticas tradicionais. Nasceu em Porto Velho, no estado de Rondônia, em 1973. Sempre residiu em sua cidade natal, filho de José Brito e Maria Ducevalda. Graduou-se em Administração e em Direito pela Fundação Universidade Federal de Rondônia. Atua desde 1996 como servidor público federal, exercendo o cargo de Técnico Federal de Controle Externo na Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (TCU), em Rondônia.
Teve o primeiro contato com a poesia métrica na infância por meio dos folhetos de cordel que seu pai comprava. Consolidou-se na fase adulta como um exímio sonetista, trovador e cordelista, dedicando-se rigorosamente à rima, à métrica e ao lirismo clássico. É uma liderança ativa no movimento da trova nacional, atuando como Delegado da UBT na capital rondoniense. É um autor muito ativo na plataforma literária [Recanto das Letras], onde compartilha milhares de composições. Membro fundador da Academia Brasileira de Sonetistas Clássicos (ABSC), integrante ativo do Fórum do Soneto. Acumula dezenas de premiações de destaque em certames de Sonetos e Trovas pelo Brasil. Embora o autor concentre grande parte de seu acervo em coletâneas nacionais da trova, antologias poéticas e portfólios digitais de longo alcance, ele possui mais de 2.000 textos publicados na web focados na difusão da trova e do cordel.
A relevância de Jerson Lima de Brito reside em descentralizar a poesia clássica, provando que a tradição do soneto rígido e da trova rimada pulsa com força fora do eixo literário do Sudeste. Como delegado da trova e membro da ABSC, ele atua diretamente na formação de novos leitores e escritores na Amazônia Ocidental. Ele resgata a herança cultural do cordel nordestino trazida por seus antepassados e a funde com a identidade rondoniense, mantendo viva a riqueza da poesia metrificada na literatura contemporânea do Brasil.

Fontes:
Recanto das Letras do poeta.
(Biografia produzida pelo Blog:  Garimpos pela internet) 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Daniel Maurício (Mosaico de Sentimentos) 2


ABSINTO DA PAIXÃO

Ana Raquel
esquadrinhadora de almas
deixe, mesmo que por alguns instantes,
que o véu, máscara ou couraça
adquiridas com o passar do tempo
escorregue macio como uma camisola de seda
e deixe a mostra o seu verdadeiro eu.
Que as asas da liberdade brotem
agitando suas águas
desprendendo sua nau do velho cais.
Deixe que o absinto da paixão,
licor poderoso,
entorpeça as suas veias
e a torne viciada pelo meu amor.
Deixe que o id, o ego e o superego
trabalhem afinados pelo mesmo diapasão.
Viva o hoje com toda a sua força
sem se importar com quem é escravo ou senhor.
Deixe que a mulher encolhida dentro de si,
embora linda e risonha,
ressurja esplendorosa e disposta
a sorver gota por gota
do cálice dourado da paixão.
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AGOSTO

Agosto
mês do desgosto
seria apenas uma rima
ou mera superstição?
Agosto
mais do que nome de um mês
é um estado de espírito.
Hoje, amanheci agosto!!
Amargo na língua
olhos tristes
coração doído
mal iluminado, frio.
E uma coisa estranha
encalacrada na alma
feito saudade de quem já se foi
e de quem ainda nem se conhece.
Agosto
mês do cachorro louco!!
Louco estou eu
de amor por uma leonina
nascida em agosto.
A gosto do destino
vou seguindo
vou me entregando sem resistência
feito animal no cio.
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A VERDADE

Entre o céu e a terra
a verdade passeia
de forma transparente
a disposição de quem queira
enxergar.
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DESAMOR

As lágrimas
às vezes rompem
pra lavar a alma.
Já o coração, este coitado,
sempre sangra calado
sem que ninguém perceba
quando o amor não é correspondido.
Desamor!! Eita prego enferrujado
que incha o peito e
infecciona a alma,
que em dor lancinante
esquece a razão.
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DRAGÃO

Hoje
eu quero colo
quero abrigo
quero uma canção,
quero um afago
quero um amigo.
Preciso acalmar o velho
e terrível dragão
que insiste a queimar meu peito
sempre pelo mesmo motivo:
o amor.
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ESTRELAS DE FOGO

No meio da noite
um besouro metálico
sobrevoava a cidade
ão.... ão.... ão....
pisca-pisca o avião.
As estrelas trêmulas e distantes
assistiam a tudo indiferentes.
Da janela para baixo
as luzes da cidade
pareciam estrelas de fogo
incrustadas na escuridão.
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FLOR DE AMEIXEIRA

Enida.
Combinação perfeita de extremos
sem entrar em contradição
lascas de uma personalidade forte
coroada com gestos delicados
de quem age com a emoção.
Flor de ameixeira
de sementes vindas de terras longínquas
que frutificaram na Pátria Mãe Gentil.
Flor de ameixeira
forte, destemida, resistente
não se abala com as geleiras
aos pés do Monte Fuji,
embriaga os olhos e perfuma a alma
pelo êxtase da contemplação.
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MACELA

Mês de março
os campos amarelam
com as flores da macela
cheiro gostoso, travesseiro macio
feito o colo da mamãe
na infância longínqua.
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MENINAGEM

Raios de sol
rios do sul
meninos nadando nus,
nas tarde de verão
no interior do meu Brasil.
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SONHO ESTRANHO

Sonhei
com imagens antigas,
empoeiradas,
misturadas
a personagens de ficção.
Meio homem, meio animais,
deuses inventados
pra saciar o vazio.
A língua em câimbra
não conseguia reproduzir
as frases soltas, desconexas
ecoando no espaço
em um idioma desconhecido.
De repente um trovão
sacudiu meus ossos
e num limiar de luz e escuridão 
entre a dormência e o despertar 
vi a sombra da imagem de Deus. 
Foi então que despertei a ideia
que somos o reflexo de uma mesma matriz.
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Daniel Maurício (1968) 
DANIEL MAURICIO é um premiado e reconhecido poeta paranaense, célebre na cena cultural de Curitiba por seus poemas curtos, de forte apelo lírico e grande impacto emocional. Nasceu em 1968, na cidade de Jaguariaíva/PR, filho de Francisco Mauricio e Olinda Brisola Mauricio. Embora nascido nos Campos Gerais, construiu sua vida pública e literária radicado em Curitiba, onde reside atualmente. Possui uma sólida e diversa bagagem educacional. É graduado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Administração de Empresas pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná (FESP) e em Direito pelas Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba (FARESC). Além disso, carrega diversas pós-graduações em áreas como Gestão Pública, Tributária e de Pessoas. Foi Professor da Rede Municipal de Ensino em Curitiba, Contabilista da Prefeitura Municipal de Curitiba. Monitor na área de Linguística na Universidade Federal do Paraná; integrante do Projeto VARSUL – Variação Linguística da Região Sul desenvolvido pelas Universidades Federais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Atua profissionalmente como Auditor de Tributos Municipais na Secretaria Municipal de Finanças da Prefeitura de Curitiba.
Notabilizou-se pela produção de micropoemas e poesias de tom intimista, focando em reflexões existenciais e miudezas do cotidiano, muitas vezes compartilhadas ativamente em suas redes sociais. Integra várias agremiações culturais e literárias de relevância nacional e internacional, incluindo: Centro de Letras do Paraná (CLP) (onde atua também na Comissão de Serviços ao Associado); Academia Poética Brasileira (APB); Academia Brasileira de Letras e Artes Virtuais (ABLAV); Confraria Brasileira de Letras (CBL); Academia de Artes, Ciências e Letras do Brasil (ACILBRAS); Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía, etc.
Ao longo de sua caminhada poética, o autor recebeu condecorações de prestígio no cenário paranaense, destacando-se: Ganhador do Concurso Poemas Curtos (2014) da Prefeitura Municipal de Curitiba; Prêmio Marilda Confortin (2015); Prêmio Alice Ruiz (2016). Possui uma extensa bibliografia, tendo inclusive realizado lançamentos coletivos impressionantes devido ao seu grande volume de manuscritos guardados. Entre as suas principais obras individuais estão: Mosaico de Sentimentos; Cacos e Retalhos; Origamis de Palavras; (Des)importâncias; Superprodução Lírica (Kit de 10 Livros lançados simultaneamente): Amar é, Poesias da Madrugada, Miudezas do Coração, Olhares, Alma Lírica, Gotas Poéticas, Leve-me, Poemininos e Palavras de Cheiro.
Daniel Mauricio representa a continuidade da forte tradição de poesia concisa e visceral do Paraná, carregando influências e homenageando ícones locais (como o seu patrono acadêmico, Paulo Leminski). Ele desempenha um papel crucial na oxigenação da literatura contemporânea paranaense por meio do uso das mídias digitais para democratizar a leitura e aproximar os leitores da poesia diária. Embora sua atuação principal seja na palavra escrita, a sua poesia possui uma forte carga de musicalidade intrínseca, ritmo e cadência melódica rápida, características típicas da linhagem poética curitibana contemporânea, o que torna seus escritos facilmente adaptáveis para a sonoridade falada e saraus líricos.

Fontes:
Daniel Maurício. Mosaico de sentimentos. Curitiba: Ed. do Autor, 2021. Enviado pelo poeta.
(Biografia produzida pelo Blog:  Garimpos pela internet) 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Abgar Renault (Antologia Poética)


 ENCANTAMENTO

Ante o deslumbramento do teu vulto,
sou ferido de atônita surpresa
e vejo que uma auréola de beleza
dissolve em luar a treva em que me oculto.

Estás em cada reza do meu culto,
sonhas na minha lânguida tristeza
e, disperso por toda a natureza,
paira o deslumbramento do teu vulto.

E' tua vida minha própria vida
e trago em mim tua alma adormecida . . .
mas, num mistério surdo que me assombra,

tu és, as minhas mãos, vaga, fugace,
como um sonho que nunca se sonhasse
ou como a sombra vã de uma outra sombra...

ALEGORIA

Em vão busco acender um diálogo contigo:
a alma sem tom da tua boca de água e vento
despede cinza, névoa e tempo no que digo,
devolve ao chão o meu mais longo pensamento,

e entre cactos estira esse deserto ambíguo
que vem da tua altura ao vale onde me ausento,
procurando o teu verbo. O silêncio, investigo-o,
e ouço o naufrágio, o vácuo e o deperecimento.

Sonho: desces a mim de um céu de algas e rosas,
falas às minhas mãos vozes vertiginosas,
e palavras de flor no teu cabelo enastro.

Desperto: pairas ainda em silêncio e infinita:
meu ser horizontal chora treva e medita
tua distância, teu fulgor, teu ritmo de astro.

SONETO DO IMPOSSÍVEL

Não ouvirás nem luz, nem sombra inquieta
das sílabas que beijam tuas asas,
nem a curva em que morre a ardente seta,
nem tanta eternidade em horas rasas.

Não medirás a bêbeda corola
que abriste no final do meu sorriso,
nem tocarás o mel que canta e rola
na insônia sem estradas onde piso.

Não saberás o céu construído a fogo,
que tua jovem chave cerra e empana,
nem os braços de espuma em que me afogo.

Não verão os teu olhos quotidiana
a minha morte de homem embebida
no flanco de ouro e luar da tua vida.

COMO QUEM PEDE UMA ESMOLA

Preciso de uma palavra.
Em que dia ou em que noite
estará essa, que almejo,
ideal palavra insabida,
a única, a exclusiva, a só?
Dela me sinto exilado
todas as horas por junto,
com minha face, meu punho,
meu sangue, meu lírio de água.
Soletro-me em tantas letras,
e encontrá-la deve ser
encontrar a criança e o berço,
a unidade, a exatidão,
o prado aberto na rua,
a rua galgando a estrela.
Preciso de uma palavra,
uma só palavra rogo,
como quem pede uma esmola.
Em florestas de palavras
os calados pés caminham,
as caladas mãos perquirem,
os olhos indagam firmes.
Em que parábola cruel,
em que ciência, em que planeta,
em que fronte tão hermética,
em que silêncio fechada
estará viajando agora
- mariposa de ouro azul -
a palavra que desejo?
Lâmina sexo cristal
fulcro pântano convés
voraginoso fluvial
Antígona circunflexa
catastrófico crepúsculo
ênula ventre rosal
sibila farol maré
desesperadoramente
nenhuma será nem é
aquela do meu anseio.
Como será, quando vier,
a palavra entrepensada,
necessária e suficiente
para a minha construção
de lápis, papel e vento?
Dura, espessa, veludosa
ou fina, límpida, nítida?
Asa tênue de libélula
ou maciça e carregada
de algum plúmbeo conteúdo?
Distante, insone e cativo,
debaixo da chuva abstrata,
eu me planto decisivo
no tráfego confluente,
aéreo, terrestre, marítimo,
e espero que desembarque,
triste e casta como um peixe
ou ardendo em carne e verbo,
e pouse na minha mão
a áurea moeda dissilábica,
a noiva desconhecida,
a coroa imperecível:
a palavra que não tenho.

NA RUA FEIA

Na rua feia,
de casas pobres,
morreu o filhinho daquela mulher
que lava o linho rico
de um bairro distante.
Morreu bem simplesmente,
assim como um passarinho.
O enterro saiu...lá vai...
um caixãozinho azul
num carro velho de 3a. classe.
Atrás dois autos. Dois.

A tarde irá pôr luto
na rua feia,
de casas pobres?

Garotos brincam de esconder
atrás do muro de cartazes.
Lá no alto
vai-se abrindo grande céu sem mancha
cruzeiro-do-sulmente iluminado.

POEMETO MATINAL

O ar da manhã beija a minha face.
A minha alma beija o ar leve da manhã
e olha a paisagem longínqua da cidade,
que branqueja alegremente na distância
e sorri humanamente
um sorriso branco no caiado das casas
que montam os flancos das colinas azuis
e espiam pelos olhos escancarados das janelas.

7 horas. Vai começar a função.
O despertador das sirenes fura liricamente
o silêncio doirado da manhã.
Parece que a vida acorda agora pela primeira vez
e esfrega os olhos deslumbradamente...

Meu Ford fordeja dentro da manhã
e sobe a rua velha do meu bairro,
arquejando, bufando, fumando gasolina.
Meu Ford a cabriolar nos buracos da rua descalça
é um cabrito todo preto a cabriolar, prodigioso.
O ar leve beija o radiador
e beija a minha face.

A meninice de todo o meu ser
na doirada névoa desta manhã!

NOITE

Há duas pombas brancas no telhado.
Junto delas pousa o silêncio do dia já parado,
e entre asas caladas o primeiro gesto da noite vai crescendo.
É tarde nos telhados e nas árvores,
é tarde (triste e mais tarde) nessa rua
que se reabriu no fundo de um olhar,
onde se movem ressurrectos mármores
e começam a discorrer ventos e velas
por sobre a limpidez das mesmas águas velhas,
e pássaros azuis bicam frutos de astro soltos no ar.

Sobem (de onde?) vultos escuros de coisas e de entes,
alongam a última distância, somem a luz que se destece
e a linha dos caminhos, apagam o verde prado.
Não há duas pombas brancas no telhado:
sobre elas, seu vôo e seu arrulho ausentes
a lápide sem cor das horas desce.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Abgar Renault (1901 – 1995)
ABGAR DE CASTRO ARAÚJO RENAULT nasceu em 1901, em Barbacena/MG. Faleceu em 1995 (aos 94 anos), na cidade do Rio de Janeiro. Passou sua infância e juventude em Barbacena, mudando-se para Belo Horizonte para os cursos superiores. Posteriormente, em razão das suas funções públicas e de sua consagração literária, viveu em Brasília e fixou residência definitiva no Rio de Janeiro. Teve uma carreira de enorme destaque no funcionalismo público, no judiciário e na educação brasileira. Foi professor catedrático, lecionando em instituições como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Colégio Pedro II e a Universidade do Distrito Federal. Atuou como Deputado Estadual e assumiu o cargo de Secretário de Educação de Minas Gerais. Entre 1955 e 1956, alcançou o ápice político ao se tornar Ministro da Educação e Cultura do Brasil sob o governo de Nereu Ramos. Integrou os comitês de currículo secundário e de educação de adultos da [UNESCO] na década de 1950. Exerceu o cargo de Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Abgar Renault foi uma figura central do Modernismo Mineiro. Em 1925, ao lado de seu amigo Carlos Drummond de Andrade, fundou a histórica publicação A Revista em Belo Horizonte, que serviu de principal veículo difusor das ideias modernistas no estado de Minas Gerais. Embora fizesse parte do grupo modernista, sua poesia manteve-se original e independente, não se prendendo a fórmulas fixas. Ele uniu com maestria o rigor formal e a melancolia herdados da tradição barroca e simbolista de Minas Gerais a um forte senso existencial moderno. Seus versos exploravam temas profundos como o tempo fugaz (tempus fugit), a perda, a solidão e a morte. Além disso, sua contribuição como tradutor de poesia foi monumental. Ele foi um dos maiores difusores no Brasil de autores de língua inglesa, francesa, alemã e espanhola, com destaque para a tradução da obra do filósofo e poeta indiano Rabindranath Tagore.
Pertenceu à Academia Brasileira de Letras (ABL), tomando posse em 1969, chegando a presidir a ABL em 1993. Academia Mineira de Letras (AML). Academia Brasileira de Filologia (ABF).
Embora fosse conhecido por sua postura humilde e discreta, avesso a vaidades literárias, seu trabalho recebeu prestígio nacional e internacional. Recebeu uma medalha honorífica concedida pela Rainha Elizabeth II em reconhecimento ao seu extraordinário esforço na difusão da cultura britânica no Brasil através da tradução de poemas de guerra ingleses. Título de Professor Emérito concedido pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O autor demorou a reunir seus poemas em livro, publicando suas principais coletâneas poéticas originais de forma tardia: Poemas ingleses de guerra (1942) – Antologia de traduções; A palavra e a ação (1952) – Ensaios / Discursos; Sonetos antigos (1968) – Poesia; A Lápide sobre a Lua (1968) – Poesia (sua obra poética de maior destaque); Sofotulafai (1971) – Poesia; A outra face da lua (1983) – Poesia; Obra Poética (1990) – Compilação de seus poemas; Poesia, tradução e versão (1994) – Reunião de seus trabalhos poéticos e traduções.

Fontes:
Poesias = Jornal de Poesia
Biografia = Wikipedia, Academia Brasileira de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Antonio Miranda, Enciclopedia Itaú Cultural, Diário de Minas, etc.

sábado, 3 de outubro de 2026

A A de Assis (Poêmica I)

 

a palavra
é uma
parábola

1.

É sexta-feira,
véspera da folia.
Lá vai Maria.
Lá vai lavar em lágrimas
a vida ávida de vida,
sofrida vida dividida
em dívidas e dúvidas.

É sábado, é domingo,
é segunda, é terça gorda.
Roda no asfalto o samba,
geme o povo em sobressalto.
Roda rotunda a moça moma,
peitos nus lançando chamas.
Gemem bocas de crianças,
barrigas ocas
mendigando mamas.
Roda impávido o desfile
na avenida multicor.
Gemem pálidos
rostos esquálidos
desfilando a dor.
O sonho roda, geme o horror.

O samba enredo, o medo em roda.
A serpentina, o ser penante.
A passarela, o pária ao lado.

O palanque, a pelanca.
O pandeiro, a pancada.
O sambeiro, o sem-nada.
O tamborim, o camburão.
O saxofone, o saque-sem-fundo.
A fantasia, a mão vazia.
A apoteose, a verminose.
A alegoria, onde a alegria?

O trilo do apito,
o grito do aflito,
o confete, o conflito.

É quarta-feira, cinzas.
Lá vai Maria.

Lavai, Maria.
Lavai o mundo, Maria.
Mundo imundo vasto mundo,
lavai o mundo, Maria!

3.

Tinha o céu e tinha a terra,
tinha o sol e tinha a lua,
tinha as estrelas,
milhares.

Tinha os lagos e as lagoas,
tinha os rios e os riachos,
e os verdes bravios
mares.

Tinha as serras e as colinas,
tinha as selvas e as campinas,
tinha os jardins e os
pomares.

Bichos nas matas correndo,
peixes nas águas brincando,
cantando as aves
nos ares,

e tudo era muito bom.

Deu-se porém que
criados
o homem mais a mulher,
criaram logo o machado,
a foice, o fogo e o veneno,

e pôs-se tudo a perder.

12.

Ave, avós.
Hão de
um dia
devolver
a vós a voz.

13.

Fascinante
ilusão:
um povo
faz-se na ação
e na ação
faz-se nação.

17.

Serra serra,
será dor.

Cessa serra,
será flor.

18.

Vai devagar,
irmão.
Melhor que o
cooper
talvez seja a
cooper/ação.

22.

A terra, irmão,
a terra
quer estar casada
com quem
puxando a enxada
lhe empreste
o braço amigo
para produzir
o trigo,
arroz, feijão.

A terra, irmão,
a terra
é generosa,
quer parir fartura.

Porém a terra, irmão,
a terra
é coração,
quer ser amada,
quer calor, ternura.

A terra é fêmea,
quer estar na mão
de quem lhe dê
carinho, ardor, paixão.

A terra é doação.

A terra é fêmea,
irmão.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
A. A. de Assis (1933)
ANTÔNIO AUGUSTO DE ASSIS, carinhosamente conhecido em todo o país como A. A. de Assis, é o grande patriarca das letras em Maringá e uma das maiores referências do movimento trovadoresco no Brasil. Fluminense de nascimento (nascido em São Fidélis em 1933), ele chegou ao Norte do Paraná em janeiro de 1955. Tornou-se o cronista visual, espiritual e poético do crescimento da "Cidade Canção". Ao chegar na poeirenta Maringá dos anos 1950, trabalhou inicialmente gerenciando uma loja de autopeças de seu irmão. Foi um dos pilares da imprensa escrita local. Atuou como jornalista, redator e diretor em veículos históricos como O Jornal de Maringá (o pioneiro da cidade), Tribuna de Maringá, Folha do Norte do Paraná (criado por Dom Jaime Luiz Coelho), além das revistas Aqui e Novo Paraná. Formou-se em Letras e construiu uma sólida carreira docente. Foi professor do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM) por décadas, aposentando-se das salas de aula em 1997.
A. A. de Assis é considerado o "remanescente brilhante" da escola tradicional da trova brasileira. Sua inserção na literatura maringaense é mítica: Em 1959, ele publicou a coletânea de poemas intitulada Robson (sob o pseudônimo homônimo). Esta obra detém o marco histórico absoluto de ser o primeiro livro impresso e publicado na história de Maringá. Sua contribuição mais famosa para a cultura religiosa e literária nacional foi a criação da Missa em Trovas. Trata-se de uma composição litúrgica inteiramente estruturada sob a forma poética de trovas, muito cantada e celebrada em paróquias do Brasil. Algumas obras publicadas:  Robson (1959 - Poemas); Itinerário (Poemas); Caderno de Trovas e Tábua de Trovas; A. A. de Assis – Vida, Verso e Prosa (Sua obra autobiográfica).
A importância de sua obra de estreia, Robson, é tão imensa para a identidade local que o livro foi oficialmente tombado como Patrimônio Histórico Imaterial do Município de Maringá. Poucos escritores no Brasil receberam essa honraria em vida sobre uma publicação literária. Em tempos de versos livres, A. A. de Assis manteve acesa a chama da trova clássica, caracterizada pelo lirismo profundo encaixado perfeitamente na métrica rígida da redondilha maior (sete sílabas). Suas composições servem de modelo técnico para novos poetas de todo o país. Suas crônicas jornalísticas e literárias registram a transformação de Maringá de um vilarejo cercado por poeira vermelha e cafezais para a metrópole moderna atual. Ele deu estridência literária à memória dos pioneiros.

Fonte:

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

J. G. de Araújo Jorge (Quatro Damas em versos)

 

 SONETINHO 

Não tenho jeito pra trova
apesar das que já fiz,
a quadra lembra uma cova
com a cruz dos versos em x...

Ainda estou vivo e feliz
e do que digo dou prova:
- tentei cantar numa trova,
e meu amor pediu bis.

Bem sei que é meu o defeito
mas uma trova é tão, pouco
que ao meu cantar não dá jeito

Só mesmo um poema é capaz
de conter o amor demais
que trago dentro do peito.
= = = = = = = = = = = = = =  

SORRIO...

Ah! vieste me falar de antigamente
desse tempo em que fui sentimental,
quando o amor era um sonho puro e ardente
vestido em véu de espumas, nupcial...

Quando me dava, perdulariamente,
vivendo o mal sem conhecer o mal,
a levar a alma inquieta de quem sente
e de quem busca uma conquista ideal...

Era sestro da idade essa existência...
Sinal de pouca vida e muito sonho,
de muito sonho... e pouca experiência...

Hoje, no entanto, se a pensar me ponho:
- sorrio... Um vão sorriso de indulgência...
...Sinal de muita vida... e pouco sonho…
= = = = = = = = = = = = = =  

SORTE... 

Está aí, amor, uma coisa que às vezes me pergunto,
(naqueles dias de silenciosa ternura
naqueles momentos sem assunto,)
- uma coisa tola que eu penso
e que você não advinha:

- como podem os outros homens ser felizes,
se Você é uma só...
... e se Você é só minha ?…
= = = = = = = = = = = = = =  

TEMPO PERDIDO 

Quanto tempo perdido, e como dói
pensar que nunca mais o reaveremos...
Vivemos longe um do outro, como extremos,
que o tempo, - um moinho - lentamente mói...

Quanto tempo perdido... Eu, já mudado,
sem aquele entusiasmo, aquelas ânsias
que ficaram perdidas no passado
e se vão diluindo nas distâncias...

Tu, sem aquela expressão ingênua e pura
aquela ar de menina, que pedia
proteção para um sonho de ventura
que seu olhar inquieto refletia...

Tanto tempo perdido... E houve um momento
quando nos vimos a primeira vez,
que o amor seria belo, como o vento
como o mar, como a terra, o sol, talvez !
= = = = = = = = = = = = = =  

TEMPOS... 

I
E dizer
que eu não podia passar um segundo sequer
sem saber onde estavas...

Hoje,
nem sei se existes...

II
Houve um tempo, em que eras
o Presente, o Mais-que-Perfeito
o Infinitivo...

Hoje...
nem és Passado…
= = = = = = = = = = = = = =  

TEREZINHA 

Terezinha
Terezinha,
que não é de Jesus
nem será minha...

De quem será?
De quem será?
Que inveja eu sinto
de alguém que está
não sei bem onde,
de alguém que um dia
certo virá
e levará
a Terezinha

É a Padroeira
de antigo sonho
que em minha alma
em vão se aninha...

Terezinha
Terezinha,
que não é de Jesus
nem será minha…
= = = = = = = = = = = = = =  

TEUS CABELOS 

Estamos quietos amor, em bonança
esquecidos de nós
viajando por nós mesmos, sem nós mesmos...

Distraída e imprevidente
te recostas em meu peito
e estás leve e alheia como uma criança sem sono.

De repente, minha mão encontra teus cabelos
e como estranha aranha se esconde em tua nuca,
e meus dedos se entranham e se emaranham
como raízes profundas, silenciosas.

São teus cabelos, sim,
não posso mais tocá-los...

Tem estranhos eflúvios que me fazem estremecer
até o fundo de mim mesmo,
e... já não me reconheço...

Tua cabeça em minha mão 
acende-se como uma tocha loura,
e olhos em teus olhos as chamas que ardem, sopradas
por que misteriosos ventos?

Gosto de encher as mãos com os teus cabelos,
como um lavrador, a recolher, feliz,
as louras messes de uma farta colheita.

Ah, teus cabelos, amor,
são um incalculável tesouro...

Quero morrer sempre e cada vez mais
como um rei Midas afogado em ouro
perdido neles, como em mar de sonhos...
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
J. G. de Araújo Jorge (1914 – 1987)
JOSÉ GUILHERME DE ARAÚJO JORGE, imortalizado na literatura como J. G. de Araújo Jorge, foi um influente poeta, escritor, jornalista e político brasileiro. Nascido em Tarauacá, no Acre, em 1914, faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 1987, aos 72 anos. Conhecido carinhosamente como o "Poeta do Povo e da Mocidade", ele equilibrou ao longo da vida o lirismo romântico e o forte engajamento social. Em Rio Branco (AC) viveu toda a sua infância, realizando os estudos primários. Mudou-se na juventude para o Rio de Janeiro para dar continuidade aos estudos secundários e superiores. Permaneceu radicado no Rio de Janeiro (antigo Distrito Federal e Estado da Guanabara) durante a maior parte de sua vida adulta e profissional. J. G. teve uma atuação profissional multifacetada e dinâmica Atuou como jornalista, publicitário, locutor e redator em importantes emissoras da era de ouro do rádio, como a Rádio Nacional, Rádio Tupi, Cruzeiro do Sul e Eldorado. Formou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Dotado de forte vocação pública, elegeu-se Deputado Federal em 1970 pelo antigo Estado da Guanabara. Exerceu três mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, onde chegou a ocupar a presidência da Comissão de Comunicação e a vice-liderança do partido de oposição à época (MDB).
Sua trajetória literária começou excepcionalmente cedo. Ainda estudante do tradicional Colégio Pedro II, foi eleito o "Príncipe dos Poetas" da instituição em 1932, sendo saudado pessoalmente pelo escritor Coelho Neto. Sua escrita se consolidou por meio de uma linguagem simples, fluida, musical e profundamente voltada aos sentimentos populares e às angústias sociais de sua época. Foi fundador e presidente da Academia de Letras do Internato Pedro II e fundador e primeiro presidente da Academia de Letras da Universidade. Foi também um dos grandes articuladores e fundadores da União Brasileira de Trovadores (UBT) ao lado de Luiz Otávio, consolidando o movimento da trova no país. Logo na estreia, seu primeiro livro recebeu uma prestigiosa Menção Honrosa da Academia Brasileira de Letras (ABL). Durante seus anos de estudante na Europa, recebeu o título de "Estudante Honorário" da renomada Universidade de Coimbra, em Portugal.
Autor de uma obra vasta com mais de 30 títulos publicados, destacam-se: Meu Céu Interior (1934) – Obra de estreia poética ; Bazar de Ritmos (1935); Cântico dos Cânticos (1937); Amo! (1938); Cântico do Homem Prisioneiro (1941); Os Versos Que Te Dou (1949) – Um de seus maiores sucessos de público; etc.
J. G. de Araújo Jorge ocupa um lugar singular na literatura brasileira como o poeta do afeto e da acessibilidade. Embora muitas vezes combatido ou preterido pela crítica modernista mais rígida devido ao seu estilo assumidamente neorromântico, ele alcançou um feito raro: uma imensa e duradoura popularidade com o povo. Seus poemas e trovas eram amplamente recitados por jovens, apaixonados e estudantes de norte a sul do Brasil. Ao unir o lirismo romântico à poesia de protesto social e político, ele provou que o fazer poético não precisava ficar restrito aos círculos acadêmicos fechados. Sua contribuição fundamental ajudou a estruturar e eternizar a trova como um patrimônio cultural vibrante e democrático na Língua Portuguesa.

Fonte:
J. G. de Araujo Jorge. Quatro Damas. 1. ed. 1964.