quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Cecim Calixto (Cajado de Sonetos) VI


CADÊNCIA E RIMA

E com razão eu idolatro a musa,
Por ela eu tenho excepcional encanto.
Se alguém a enfrenta em formação confusa
Sofre o reverso e se debruça em pranto.

Quando tropeço tenho logo a escusa,
Recebo aplausos quando é belo o canto.
E quando a quero ela jamais recusa
E a gentileza é de causar espanto.

Não deixarei esta paixão genuína,
Pois seu carinho é de elegância fina
Na conclusão do pensamento extremo.

Brado ao sentido que do peito arranco,
Uso a textura e a divergência tranco
Para elevá-la ao pedestal supremo,
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ELA GOSTA DE MIM

A inspiração está chegando intensa
E como sempre com perfil prendado.
E a pena minha satisfeita pensa
Que novamente vou sair premiado.

Por ela meu amor torna-se crença,
Por isso a cuido com denodo agrado.
Se está comigo não permito a ofensa
Nem no esmerado verso algum quebrado.

Ela merece o pedestal da glória
E é dela toda singular história
Da perfeição que vou lhe dar um dia.

Esta humildade se tornou tão franca
Que desfraldei minha bandeira branca
À santa guerra à prosa sem poesia.
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ETERNAMENTE VIVO

O nome Dela me enternece ainda
E traz a paz da qual viver consigo.
E Ela percebe que será bem-vinda
Com todo ardor de verdadeiro amigo.

O amor primeiro é a estação mais linda
No calendário que a cultuar prossigo.
Reminiscência que o passado brinda
O coração de quem lhe deu abrigo.

É na velhice que a saudade aponta
Certo ciúme não levado em conta
Pela indulgência carinhosa e boa.

Certas lembranças de tamanho gosto
Trazem rubores ao vetusto rosto
Se as confidências o presente entoa.
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FORA DA VEZ


Ela me disse: "Você que escreve, Cecim, faça
Agora algo, olhando para mim,
Sobre o final da vida


A tia Zaine, extremamente terna,
Tem o segredo de acolher família.
E no seu rosto a floração materna
Ressalta o olhar que de ternura brilha.

Mostra carisma na oração fraterna
E nos conselhos o esplendor da trilha.
Aos descendentes, na razão moderna,
Transmite agrado que a emoção fervilha.

O seu pedido atenderei depois...
Saiba, querida, que terá nós dois
Sempre ao seu lado, sem dizer-te talvez!

A nossa vida está ligada à sua
E o seu recado no meu senso atua,
Porém... espere... não chegou a vez.
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SAGRADA MISSÃO


Às delicadas mãos de um padre amigo
Eu fiz chegar um livro meu versado.
Certeza eu tinha, não daria abrigo
Às más versões meu espontâneo agrado.

Escrevo verso no modelo antigo:
Cadência e rima sem nenhum enfado,
E a presenteá-lo, com prazer, prossigo
A quem cultua esse pendor amado.

Com devoção nesta missão eu sigo
Porque recebo onde plantar o trigo
E a terra boa que à colheita induz.

Bem certo estou de que o cristão aceita
E está comigo na missão perfeita
De expor o verbo da divina luz.

Fonte:
Cecim Calixto. Flores do meu cajado: sonetos. Curitiba: Juruá, 2015.

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