domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ialmar Pio Schneider/RS (Baú de Trovas XV)


A mágoa que em mim existe
é fruto de uma saudade
que me transforma num triste
no seio da sociedade.

Consegues viver sozinha,
enfrentando a solidão?!
Recorda que “uma andorinha
sozinha não faz verão...”

Das flores todas que planto
em meu modesto jardim,
aquela de mais encanto
vem ser você, meu Jasmim!

Eras bonita... Eu tão feio...
mas nos queríamos tanto,
que num mesmo devaneio
nos amamos por encanto…

És a força que eu preciso
para deixar de sofrer.
Oh! querida, toma juízo
e vem comigo viver !

Já faz tempo, era eu criança,
minha mãe me disse um dia:
- Nunca percas a esperança
pois ela nos alivia !

Lá na praia se encontraram
e viveram na ilusão,
pois apenas se tornaram
namorados de verão.

No jardim da minha vida,
quantas flores cultivei;
Mas em cada despedida
muitas delas arranquei...

O amor daquele que chora
por ter sido desprezado,
não tem jeito de ir embora,
fica no peito guardado.

Outrora fui solitário,
não tinha grande vaidade,
mas, hoje, sou perdulário
de tanto amor e saudade !

Quando estás à beira-mar,
caminhando sobre a areia,
eu me ponho a meditar
que sejas uma sereia.

Seja pobre ou seja rica
a rima é uma canção,
a saudade sempre fica
depois que os versos se vão.

Vivemos na contingência
de alimentar a crendice,
que o caminho da existência
vai nos levar à velhice.