quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Aparecido Raimundo de Souza (Coriscando) 4: Ao Pé da Letra


ZAROLHITO, O DONO DA OFICINA,  foi chamado à depor na delegacia de polícia do bairro onde tem, há muitos anos, o seu comércio. A confusão toda se deu com um promotor público e um funcionário novato, que fora contratado recentemente. Logo que se identificou na recepção, foi levado pelo funcionário à presença do delegado.

Escrivão de Polícia:
- Seu nome, por favor?

Zarolhito:
- Zarolhito Chimblego de Oliveira.

Escrivão de Polícia:
- Chimblego com ‘bl’ ou com ‘br?’.  

Zarolhito:
- Acho que com ‘bl.

Escrivão de Polícia:
- O senhor  não sabe se é com ‘bl’ ou com ‘br?’.

Zarolhito:
- Não seu policial. Deve ser com os dois, senhor.

Escrivão de Polícia:
- Está com a sua identidade?

Zarolhito:
- Estou.

Escrivão de Polícia:
- Me deixa ver, por favor.

Zarolhito entregou o documento ao escrivão. Este copiou o nome do pai, da mãe, o dia e mês de nascimento e, por fim, perguntou o endereço.

Zarolhito:
Rua das Cabras Desmamadas, nº 69, bairro Olival da Amanda.

Terminada as perguntas de praxe, o escrivão sinalizou ao delegado, sentado ao lado, que a testemunha estava identificada e pronta para responder as perguntas.

Delegado:
- Seu Zarocito, eu sou o delegado Pinóquio.

Zarolhito:
- Desculpe, seu delegado. Não é Zarocito, é Zarolhito.

Delegado:
- Que seja. Meu escrivão escreveu errado. Mas vamos lá: o que aconteceu na sua oficina, sexta-feira passada com seu funcionário, o Luiz dos Parafusos?

Zarolhito:
- Aconteceu o seguinte, seu delegado Pinópilo...

Delegado Pinóquio:
-... Pinóquio, seu... Como é mesmo o nome? Zarolhito. Continue...

Zarolhito:
-... O doutor, não sei lá das quantas, que fiquei sabendo depois, era da justiça,  foi jogado à força, contra o capô do seu próprio carro, pelo meu funcionário, o Luiz dos Parafusos. Eu vi com estes olhos que a terra haverá de comer.

Delegado Pinóquio:
- E o senhor saberia esclarecer por que esse elemento agiu dessa forma?

Zarolhito:
- Acho que por burrice minha, doutor, eu não me expressei direito e disse ao Luiz - coitado mais burro que eu - eu falei com todas as letras que o novo cliente era pro motor.

Fonte:
Texto enviado pelo autor.

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