O tempo é uma substância estranha. Temos relógios para medi-lo em partes iguais, mas o coração ignora os ponteiros. O instante que vivemos pode ser o que há de melhor. Alguns momentos são tão preciosos que desejamos que durem para sempre, toca exatamente nessa ferida aberta da nossa existência: a nossa eterna briga com a efemeridade.
Preparamos a vida inteira para os grandes palcos. Estudamos anos para uma carreira, planejamos meses para uma viagem, economizamos décadas para o futuro. Porém, quando olhamos para trás em um momento de silêncio, o que nos sustenta não são os grandes blocos de horas planejadas. São os fragmentos. O instante exato em que o sol bateu no rosto de quem amamos e rimos de uma bobagem qualquer. O segundo de silêncio compartilhado antes de um abraço de despedida. O estalar de dedos em que a solidão deu trégua e nos sentimos parte do universo.
Há uma contradição bonita e dolorosa na busca humana pelo "para sempre". Queremos eternizar o que é bom porque a beleza nos assusta com a sua brevidade. Se o instante precioso durasse para sempre, ele deixaria de ser instante. Viraria rotina. Perderia o brilho exato que só a urgência do fim consegue dar. A eternidade de um momento não está na sua duração cronológica, mas na profundidade da marca que ele deixa na alma. Um segundo de felicidade plena é mais vasto do que um ano inteiro de dias cinzentos e automáticos.
O perigo da nossa era moderna é que estamos esquecendo como habitar o instante. Estamos sempre um passo à frente, antecipando o próximo compromisso, ou um passo atrás, remoendo o que já passou. Quando o instante precioso acontece, muitas vezes tentamos sacá-lo do fluxo do tempo com a câmera de um celular, tentando congelar o que só deveria ser sentido. Ao tentar registrar o momento para guardá-lo no futuro, esquecemos de estar presentes nele agora.
Alguns instantes mereciam o infinito. Como não podemos parar o relógio, nos resta a dignidade de viver esses momentos com entrega absoluta. Se não podemos fazer o tempo parar, que saibamos pelo menos expandir o agora, mergulhando de cabeça em cada segundo precioso. Afinal, a eternidade não é o tempo que nunca acaba; é o instante que nunca esquecemos.
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biografia do autor = https://singrandohorizontes.blogspot.com/p/jose-feldman-1954.html

Lendo a sua crônica, me peguei com a minha avó Esther Stella Cesario, que preparava talharim à bolonhesa como ninguém. Toda vez que vejo essa iguaria, sou transportado ao meu tempo de menino. (Eduardo Cesario-Martínez)
ResponderExcluirPrezado amigo, bom ter notícias suas, perdi o contato contigo do facebook. Obrigado pelo comentário. Eu gosto de fazer estas crônicas que nos remetem aos tempos de antigamente, trazem de volta algumas memórias, eram outros tempos, que infelizmente nunca mais teremos novamente. Um forte abraço, Feldman
ExcluirA infância é uma fase maravilhosa mesmo. Abração! Esse é o meu Facebook: https://www.facebook.com/eduardo.martinez.100302/
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