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domingo, 20 de setembro de 2026

Washington Daniel Gorosito Pérez* (Adeus a Vicente Quirarte)

(tradução do espanhol por José Feldman)

Vicente Quirarte Castañeda (1954-2026), poeta, ensaísta, dramaturgo, narrador, cronista e acadêmico, nasceu em 19 de julho, 1954 na Cidade do México e faleceu em 11 de agosto de 2026, aos 72 anos na mesma cidade.

Ele frequentou o graduação em Língua e Literatura Hispânica pela Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), onde também obteve o título de mestre em Literatura Hispânica e, em 1998, obteve seu doutorado em Letras Mexicanas, na mesma instituição educacional.

Na UNAM trabalhou por décadas como professor, pesquisador, coordenador de oficinas e foi membro do Conselho Diretor da mais alta casa de estudos do México e América Latina, desde 2017. Docente de Bacharelado, Mestrado e Bacharelado e convidado para instituições estrangeiras como Austin College, a Universidade Hebraica de Jerusalém e Universidade de Sevilha. Ele era membro do Sistema Nacional de Pesquisadores.

Em 2024, a UNAM prestou homenagem a ele por ocasião de seus 70 anos e de sua carreira. Foi acompanhado pelo colóquio chamado: "Viver é escrever com todo o corpo". Além disso, em 2003, ingressou na Academia Mexicana de Lengua, ocupando  a cadeira 31 e o discurso de aceitação que ele fez naquela ocasião foi intitulado: "O México dos contemporâneos".

No período de 2004 a 2008, foi diretor da Biblioteca Nacional do México. Ele entrou como membro do National College em 2016. Sua palestra inaugural foi intitulada: "El laurel invisible" que foi respondido pelo arqueólogo Eduardo Matos Moctezuma, que ressaltava a habilidade de Quirarte de entrelaçar literatura, história e cultura enriquecendo o panorama cultural do país. Nessa instituição, dedicou-se à disseminação de da literatura e cultura mexicanas.

Quirarte Castañeda foi agraciado com múltiplos prêmios, por sua obra literária, entre os que se destacam em 1979, recebeu o Prêmio Nacional de Poesia Juvenil Francisco Francisco González León, em 1990; o Prêmio Nacional José Revueltas de Ensaio Literário, em 1991, o Prêmio Xavier Villaurrutia, em 1994, o Prêmio Universitário Distinção Nacional para Jovens Acadêmicos na área de Criação e Extensão Artística de Cultura.

O poeta e ensaísta, recebeu em 2000 o Prêmio Sergio Magaña; o Prêmio Poesia Ibero-Americana Ramón López Velarde 2011; o Prêmio da Universidade Nacional, em 2012 na categoria de Criação Artística e Extensão da Cultura; Em 2013, ele foi agraciado com a Prêmio da Universidade Nacional. Quando recebeu o Prêmio de Artes e Literatura em 2024, sobre sua carreira, o escritor disse:

"A morte é um grande enigma, mas também é uma aceitação da vida. Nascer é começar morrer, já estamos mortos. O que fazemos é viver a vida como ela nos é dada para fazer isso."

Vicente Quirarte Castañeda disse: "O segredo não é ser jovem, mas manter a juventude, a insatisfação com a ideia que não prospera, a frase mal articulada, o projeto superior ao pensamento".

Ele descreveu o Cidade do México, o centro de seu trabalho como: "A cidade como uma máquina do tempo onde eles podem ser melhores examinando os caminhos paralelos e divergentes da história e da literatura; a cidade como uma mulher nutritiva ou devoradora".

O trabalho literário começou em 1979 com a coletânea de poemas intitulada: "Teatro sobre o Vento Amado", mais tarde sua obra poética e narrativa foi prolífica e excepcional. Entre ela. Livro de poesias: "Vencer a brancura" (1982); Ensaio: Por el azogue y la granada: Gilberto Owen em seu discurso amoroso (1990); "O anjo é um vampiro." (1991). "Em Louvor da Rua" (2004); "Viajantes Mexicanos para Nova York." (2009). A coletânea de contos: "Dying Every Day" (2019) e o ensaio autobiográfico: "O Invencível". (2013). Junto com Bernardo Esquinca, publicou o antologia Ghost City. História fantástica da Cidade do México (XIX-XXI).

Vicente Quirarte Castañeda foi uma figura-chave na literatura mexicana contemporânea, que em uma ocasião, referindo-se à poesia, ele disse:

"Você vai toda a vida procurando aqueles versos que concentram tudo que a humanidade sente porque, no fim, quem escreve o que os outros sentem, só se coloca o no meio do caminho, o leitor completa o ciclo."

Eu compartilho com você um poema de Vicente Quirarte Castañeda:

ENCONTRO COM A NEVE

Nevou toda a noite e amanhece
a terra imaculada.
Quem poderia dizer que abaixo o manto
prepara seu verdor a primavera.
Se a pureza existe,
quão semelhante é à neve:
folha branca dada pelo mundo
para provar que nada permanece.

Até o próximo encontro…!
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* Washington Daniel Gorosito Pérez (1961)
O escritor, sociólogo e jornalista WASHINGTON DANIEL GOROSITO PÉREZ é uma voz de grande relevância na literatura hispano-americana contemporânea. Nascido no Uruguai e naturalizado mexicano, sua produção artística e intelectual conecta com maestria a sensibilidade poética às reflexões críticas sobre a política internacional, a educação e os problemas sociais. Nasceu em 1961, na cidade de Montevidéu, no Uruguai. Viveu sua juventude no Uruguai. Desde 1991, mudou-se para o México, fixando residência na cidade de Irapuato, no estado de Guanajuato. Tornou-se oficialmente cidadão mexicano naturalizado em 1999. Iniciou sua trajetória acadêmica no Uruguai, graduando-se em Jornalismo aplicado aos Meios de Comunicação Social. No México, consolidou uma sólida carreira acadêmica nas Ciências Humanas: licenciou-se e obteve o título de Mestre em Sociologia da Educação, tornando-se também doutorando em Pedagogia. Atua há décadas como catedrático universitário, pesquisador e conferencista. É um jornalista ativo de opinião, sendo o autor da célebre coluna internacional “Encuentro con Gorosito”, publicada em diversos veículos de comunicação das Américas e da Europa. 
Sua inserção no mundo das letras é marcada por uma produção híbrida, dividida entre o rigor dos ensaios acadêmicos e o lirismo da poesia existencial e urbana. Possui forte vínculo com instituições intelectuais no território mexicano, participando ativamente de saraus, congressos e núcleos de escritores associados à Academia Nacional e Internacional de Poesía (como os núcleos de San Luis Potosí e da Cidade do México), além de ser colaborador frequente de coletivos de vanguarda e revistas culturais independentes. Ao longo de sua estrada literária, acumulou um expressivo reconhecimento em certames de prosa e poesia pela América Latina. Ele recebeu 2 prêmios provinciais, 5 prêmios nacionais e 14 prêmios internacionais de literatura. Suas produções também foram selecionadas para integrar mais de 16 antologias internacionais de poesia e contos.
Entre livros individuais, ensaios de sociologia e participações em antologias poéticas de prestígio, destacam-se: Una biblioteca sin libros (2022); Relatos de tradiciones (2022); Tras las huellas de Ana Neumann (2023); Trazos poéticos 3 (2023) – Obra comemorativa do Dia Mundial da Arte; Sombras del Aire, antología 2023 – Coletânea poética de grande repercussão em Guanajuato; Urbana – Livro comemorativo celebrando sua produção de crônicas e versos.
A relevância de Gorosito Pérez reside em sua condição de escritor de fronteiras e de fusão cultural. Como um legítimo representante da literatura da diáspora e do exílio voluntário, ele transporta a melancolia rioplatense (típica do Uruguai) para a vibrante e mística realidade do interior mexicano. Sua bagagem como sociólogo confere à sua poesia uma profundidade ímpar, na qual o lirismo nunca se desliga das dores do homem comum, da passagem do tempo e das desigualdades sociais. Além disso, seu papel como educador e colunista internacional constrói pontes fundamentais de integração cultural dentro do continente americano, mantendo a palavra escrita como uma ferramenta viva de resistência e conscientização política.

Fonte:
Biografia de Washington = Literomania, Revista Mimeografo, Sombra del Aire, Revista Innombrable, El Sol de Irapuato, Espacio Latino, etc.

sábado, 19 de setembro de 2026

Arthur Thomaz (Novo Imortal da Confraria Brasileira de Letras, de Floresta/PR)


É com imensa honra e júbilo que a comunidade literária saúda o escritor e trovador Arthur Thomaz, natural de Campinas/SP (biografia no final), por sua histórica ascensão aos quadros da Confraria Brasileira de Letras.

Em 18 de setembro, o autor tomou posse oficial da prestigiada Cadeira de Número 19, consolidando seu nome entre os grandes imortais que dedicam a vida à salvaguarda, ao fazer poético e à difusão da Língua Portuguesa e da nossa riquíssima tradição literária.

A cadeira assumida por Arthur Thomaz carrega consigo uma responsabilidade e um lirismo singulares, tendo como patrono o saudoso e reverenciado poeta e trovador potiguar Ademar Macedo. Unindo o interior paulista ao Nordeste brasileiro pelo fio condutor da trova, essa sucessão celebra a imortalidade da poesia e perpetua o legado de Ademar através da sensibilidade artística, da métrica precisa e da dedicação cultural que o novo confrade sempre imprimiu em sua trajetória.

Vindo de Campinas, importante polo cultural do estado de São Paulo, Arthur Thomaz destaca-se na cena contemporânea por sua versatilidade nas letras. Autor de obras que transitam do lirismo poético à literatura — como o sensível livro Sofia e o Circo —, o escritor encontra na trova sua expressão mais íntima e vigorosa. A trova exige o rigor da técnica e a leveza do sentimento, virtudes que Arthur Thomaz domina com maestria.

A chegada de Arthur Thomaz à Confraria Brasileira de Letras representa não apenas o merecido reconhecimento a uma carreira dedicada à beleza das palavras, mas também uma promessa de continuidade. Ao saudar a memória de seu patrono Ademar Macedo, o novo acadêmico assume o compromisso de manter viva a chama da trova nacional, provando que a poesia permanece firme como pilar de nossa identidade cultural.

Damos as mais calorosas boas-vindas ao novo imortal. Que sua jornada na Cadeira 19 seja repleta de inspiração, belas rimas e profícua produção literária!
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Os membros imortais da Confraria são:

Cadeiras e Membros Titulares

01 - José Feldman (Floresta/PR)
02 - Carolina Ramos (Santos/SP)
03 - André Ricardo Rogério (Arapongas/PR)
04 - Carmo Braz de Oliveira (Foz do Iguaçu/PR)
05 - Luiz Antonio Cardoso (Taubaté/SP)
06 - Silmar Bohrer (Caçador/SC)
07 - Aparecido Raimundo de Souza (Vila Velha/ES)
08 - Renato Benvindo Frata (Paranavaí/PR)
16 - Sammis Reachers (São Gonçalo/RJ)
18 - Benevides Garcia (Benjunior) (Porto União/SC)
19 – Arthur Thomaz da Silva Neto (Campinas/SP)
20 - Vanice Elizabeth Zimerman Ferreira (Curitiba/PR)
23 - Edy Soares (Vila Velha/ES)
25 - Daniel Maurício (Curitiba/PR)
27 - Luiz Gilberto de Barros (Luiz Poeta) (Rio de Janeiro/RJ)
29 - Cecy Barbosa Campos (Juiz de Fora/MG)
32 - Jorge Fregadolli (Maringá/PR)
36 - Luciano Dídimo (Fortaleza/CE)
38 - Therezinha Dieguez Brisolla (São Paulo/SP)
39 - Paulo Roberto Oliveira Caruso (Niterói/RJ)
41 - Luiz Damo (Caxias do Sul/RS)
42 - Sinclair Pozza Casemiro (Campo Mourão/PR)
43 - Filemon Francisco Martins (São Paulo/SP)
49 - Célio Simões de Souza (Belém/PA)
50 - Professor Francisco Garcia (Caicó/RN)
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Arthur Thomaz (1950)
        ARTHUR THOMAZ DA SILVA NETO é um escritor, médico e poeta paulista contemporâneo, de Campinas/SP. Ele vem se destacando no cenário da literatura do interior de São Paulo, pela versatilidade na prosa e pelo resgate ativo do movimento trovadoresco regional. A trajetória profissional de Arthur Thomaz concilia a carreira na saúde, o serviço militar e a dedicação integral à escrita: É médico de formação e atuou na área da saúde no interior paulista; Serviu ao Exército Brasileiro, onde alcançou o posto de 2º Tenente da Reserva (R2) do Corpo de Oficiais Médicos; Suas atividades literárias frequentemente se cruzam com espaços de reabilitação e saúde integrada, realizando lançamentos de livros em centros e clínicas especializadas da região de Campinas.
Embora com uma carreira consolidada na medicina como anestesista, Arthur Thomaz despontou no universo literário com uma produção altamente prolífica e diversificada, publicada e distribuída principalmente pela Bueno Editora. Sua vida literária transita por três vertentes principais: 
Os Romances e Ficção de Costumes: Escreve histórias que valorizam a simplicidade, o cotidiano e a vida no campo. Suas principais obras de prosa incluem Leves contos ao Léu (alguns volumes): Pedro Centauro (2024), Sofia e o Circo (2025) e Laura, a Autoridade.
Presença no Movimento Trovadoresco: Consolidou-se como um trovador premiado em importantes competições dos Trovadores e academias paulistas. Conquistou colocações de destaque em certames tradicionais, como o Concurso de Trovas da Academia Campinense de Letras e os Jogos Florais de Curitiba.
Produção de Trovas em Livro: No ano de 2024, lançou a obra de trovas Rimando Ilusões e Rimando Sonhos. O livro inovou no mercado editorial recente ao focar de maneira temática e exclusiva na estrutura clássica da trova.
A relevância de Arthur Thomaz na literatura contemporânea de Campinas e região apoia-se em fatores estéticos e de incentivo cultural: Em um mercado literário dominado por versos livres e e-books rápidos, Thomaz atua na contramão ao publicar Rimando Ilusões, trazendo visibilidade de mercado para a estrutura da trova (redondilha maior, com rimas fixas e métrica rigorosa de sete sílabas). Suas obras de ficção resgatam uma "literatura gentil", focada na vida rural paulista, no acolhimento de sua gente e nas sutilezas de personagens comuns. Isso ajuda a documentar a identidade sociocultural da região metropolitana de Campinas para além do caos puramente urbano. Por meio de seus lançamentos e de sua dupla jornada antigamente como médico e se mantendo como escritor, ele fomenta discussões sobre o papel da escrita como ferramenta de bem-estar, aproximando a literatura de círculos de saúde e desenvolvimento psicossocial na comunidade campineira.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Vanice Zimerman (Premiada no Vladimir Devidé Haiku Award 2026)

George Goldberg e Vanice Zimerman Ferreira, da APB-PR, figura entre os segundos colocados, recebem menção no concurso que reuniu 237 poetas de 40 países e mantém viva a ponte cultural construída em torno do haicai.

O Brasil voltou a ocupar espaço no circuito internacional do haicai. George Goldberg e Vanice Zimerman Ferreira estão entre os autores reconhecidos na edição de 2026 do International “Vladimir Devidé” Haiku Award, concurso que reuniu 237 poetas de 40 países. O resultado foi definido pelo júri formado por Tomislav Maretić, Boris Nazansky e Drago Štambuk e divulgado em 22 de agosto, data que marca a morte de Vladimir Devidé. O Brasil teve 19 participantes, atrás apenas da Croácia, dos Estados Unidos e da Índia em número de concorrentes.

O prêmio leva o nome de Vladimir Devidé, matemático, japanólogo, tradutor e poeta croata que se tornou um dos responsáveis pela difusão do haicai e da cultura japonesa na Europa. A trajetória da premiação nasceu associada ao trabalho de Drago Štambuk e Joseph Haldane e ao ambiente institucional da The International Academic Forum — IAFOR, que registra o prêmio como aberto a haicais inéditos escritos em inglês, sem estabelecer preferência entre a forma tradicional e as experiências modernas do gênero. A própria IAFOR relaciona à história da iniciativa o apoio da Haiku International Association, do Haiku UNESCO Promotion Council e da The Haiku Foundation.

Em 2026, a chamada internacional foi divulgada também pela The Haiku Foundation como a décima edição do International Vladimir Devidé Haiku Award. Cada participante poderia enviar um haiku em inglês, e os resultados seriam anunciados justamente em 22 de agosto. A divulgação oficial da edição ficou a cargo do Društvo hrvatskih književnika — Sociedade dos Escritores Croatas, instituição que publicou a relação dos premiados e informou que os trabalhos escolhidos seriam reunidos em edição própria.

George Goldberg, ligado ao Haikai Zen, aparece no grupo dos runners-up, correspondente à segunda faixa de premiação. Seu haicai trabalha a chegada de uma folha seca e a passagem por um cemitério — chamado, no poema, pela expressão inglesa “God’s Acre”. Em três versos, o movimento mínimo da folha desloca o leitor para uma percepção de finitude:

arrives suddenly
one more dry leaf
through God’s Acre

O poema faz aquilo que o haicai exige quando levado à sua economia maior: não explica a morte, não discorre sobre o tempo e não transforma a imagem em discurso. Apenas coloca a folha, o movimento e o espaço diante do leitor. A leitura nasce do intervalo entre essas três informações. George Goldberg foi relacionado oficialmente entre os autores da segunda premiação do concurso.

Vanice Zimerman Ferreira, integrante da Academia Poética Brasileira — Seccional Paraná, recebeu reconhecimento na categoria Commended. Seu poema parte de outra paisagem e de outra temporalidade:

in the morning light - 
the sunflower seeds
freshly planted

Há luz, sementes e um ato recém-concluído. Não existe no texto a necessidade de anunciar esperança ou futuro; a própria semente plantada realiza essa função sem que o poema a nomeie. Essa capacidade de retirar a explicação e conservar a imagem está no centro de parte importante da tradição do haicai: dizer menos para ampliar o campo de percepção de quem lê. O júri incluiu o texto de Vanice entre os trabalhos reconhecidos da edição de 2026.

No caso de Vanice, a premiação também encontra continuidade em um percurso dedicado ao haicai. Nascida em Curitiba, formada em Letras Português/Inglês, escritora e artista plástica, ela participa há anos de antologias e concursos ligados ao gênero, inclusive na Croácia. Em entrevista publicada em 2024, relatou que seu processo de escrita frequentemente começa na observação de folhas, gotas d’água, insetos, imagens, cores e alterações de luz — elementos que ajudam a compreender a origem de muitos de seus poemas. Em junho de 2026, a própria autora registrava participação em antologias croatas desde 2015.

Há ainda um dado que reforça a continuidade desse trabalho. Poucas semanas antes do resultado internacional, Vanice obteve primeiro lugar, na categoria adulto estadual de flora, no 10º Concurso de Haicai de Toledo — Kenzo Takemori 2026, com 

“silente manhã — 
jacarandá florido 
tinge a janela”. 

Não se trata, portanto, de uma aparição isolada em concursos: existe produção, participação, leitura, exercício de forma e circulação do haicai.

E é exatamente nesse ponto que cabe o elogio da Academia Poética Brasileira à sua integrante. Vanice Zimerman chegou a um júri de outro país levando três versos e uma cena: luz da manhã, sementes de girassol, terra recém-plantada. O júri respondeu incluindo seu nome entre os autores reconhecidos. Para a APB-PR, esse resultado representa trabalho transformado em presença brasileira fora das fronteiras do país. Não é necessário acrescentar qualificativos ao fato. A premiação já contém a medida do reconhecimento.

A presença simultânea de George Goldberg e Vanice Zimerman Ferreira entre os escolhidos de 2026 também chama atenção para a inserção do haicai produzido no Brasil em uma tradição que há mais de um século encontrou leitores e praticantes no país. Num concurso em que 40 nacionalidades se encontraram por meio de poemas de três versos, dois brasileiros atravessaram o processo de seleção. George com a folha seca que chega ao território dos mortos; Vanice com sementes de girassol lançadas à terra sob a luz da manhã. Entre aquilo que cai e aquilo que acaba de ser plantado, o Brasil terminou a edição de 2026 representado por duas imagens que cabem em poucas palavras — justamente onde o haicai começa.
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Vanice Zimerman (1962)
VANICE ZIMERMAN FERREIRA (que assina artisticamente como Vanice Zimerman) é uma poetisa, haicaísta, artista plástica, fotógrafa e ilustradora brasileira. Nascida em Curitiba/PR, em 1962, ela se consolidou na capital paranaense — onde reside e trabalha — como uma das principais referências contemporâneas no diálogo entre a poesia de matriz japonesa (o haicai) e as artes visuais. A carreira de Vanice Zimerman une umbilicalmente as Letras e as Artes Visuais. Graduou-se em Letras (Habilitação em Português e Inglês) pela Faculdade Machado de Assis (FAMA), concluindo o curso em 2010. Também estudou Artes Visuais na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). Atua como escritora, artista plástica e educadora. Desenvolve um trabalho dinâmico ministrando oficinas de haicais e técnicas de aquarela, integrando a sensibilidade poética à expressão visual e às texturas das tintas (frequentemente usando elementos orgânicos como café, vinho e chás em suas telas). 
Embora escreva poesia desde os 13 anos de idade, sua inserção formal no mercado editorial e em concursos teve início a partir de 2007. Sua marca registrada é a dedicação ao haicai clássico — poema conciso de três versos focado no momento presente e na natureza. Ela pertence à Academia Poética Brasileira (APB) (onde é membra acadêmica ativa) ; Centro de Letras do Paraná (CLP) ; International Writers and Artists Association (IWA), entre outras.
Dona de uma produção literária vasta, ela possui textos espalhados em mais de 115 livros entre coletâneas, antologias nacionais e internacionais, e-books e revistas culturais. Destacam-se A Lâmpada e as Estrelas (Coletânea de Haicais, 2012) ; Poemas & Imagens (2013); Samoborski Haiku Susreti / Samobor Haiku Meeting (Antologias internacionais publicadas na Croácia, nas quais participa consecutivamente); Kabocha (Antologia internacional, 2016); Atuação como prefaciadora e capista de materiais didáticos sobre o gênero, como o manual O Passo a Passo do Haicai.
Premiada em concursos internacionais de haicai na Croácia (como as seleções de Kabocha em 2016 e as premiações em Ludbreg. Medalha Monteiro Lobato (2015): Distinção por seu papel na disseminação cultural. A relevância de Vanice reside sobretudo em sua atuação como divulgadora e mestra da vertente do haicai no Brasil. Ela é uma das vozes que mantém viva e descentralizada a tradição do poema curto de origem japonesa no Sul do país, demonstrando que a concisão poética (de apenas 17 sílabas) pode capturar a imensidão do cotidiano. Além disso, sua importância se expande através do conceito de Haiga (a união clássica entre a pintura e o haicai). Ao unir suas fotografias e aquarelas aos seus escritos, ela constrói pontes raras entre a literatura e as artes plásticas, educando novas gerações de escritores por meio de suas oficinas práticas.

Fontes:
Plataforma Nacional do Facetubes'Card' internacional, 
Por: Mhario Lincoln. 24/08/2026 – Editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes
https://www.facetubes.com.br/noticia/8115/dois-brasileiros-colocam-o-brasil-entre-os-laureados-do-vladimir-devide-haiku-award-2026
Biografia = Singrando Horizontes, Recanto das Letras, Facetubes, Kakinet, Clube de Autores, etc.

terça-feira, 10 de março de 2026

Washington Daniel Gorosito Pérez (Despedida ao escritor Lobo Antunes)


Despedida ao escritor português Lobo Antunes, que lamentou “não ter sido poeta”

O último titã da literatura portuguesa, António Lobo Antunes, um dos escritores de língua portuguesa mais traduzidos e lidos do mundo, morreu aos 83 anos em Lisboa, sua cidade natal. Frequentemente indicado ao Prêmio Nobel de Literatura, certa vez declarou: “Não dou a mínima para o Nobel. Prêmios não melhoram livros.”

Sua obra mescla romance, poesia e autobiografia em um estilo barroco, metafórico e profundamente introspectivo. Ele também foi um cronista da sociedade portuguesa contemporânea. 

Nascido em 1 de setembro de 1942, numa família de classe média alta no bairro de Benfica, em Lisboa, Portugal, seu avô era o 1.º Visconde de Nazaré. Durante a infância, contraiu tuberculose e ficou acamado por um período, que dedicou em parte à escrita.

Aos 13 anos, o jovem António já havia escrito um livro de poemas. Estudou no Liceu Camões, em sua cidade natal, e formou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa; seguindo a tradição familiar, optou por especializar-se em Psiquiatria.

No início da década de 1970, foi enviado ao continente africano, à colônia portuguesa de Angola, como médico de campo, de 1971 a 1973. Lá, na parte leste do país, vivenciou em primeira mão os horrores da guerra colonial; foi gravemente ferido e retornou a Lisboa. 

António Lobo Antunes participou na Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974, contra a ditadura de António de Oliveira Salazar do Estado Novo, regime que teve início em 1926. Graças a este movimento, do qual o escritor participou, a República Portuguesa tornou-se um Estado democrático.

Mais tarde, trabalhou como psiquiatra no Hospital Miguel Bombarda. O seu primeiro romance, "Memória de elefante", foi um grande sucesso, assim como o segundo, "No fim do mundo" (1979), um monólogo de um homem que regressa da guerra.

A partir de 1985, abandonou a medicina para se dedicar inteiramente à escrita. Em seu romance "Manual dos Inquisidores" (1996), ele retrata de forma vívida, através de seus personagens, os conflitos internos da sociedade portuguesa, marcada por cinco décadas de ditadura e desiludida com a democracia instaurada em 1974. Em 2007, recebeu o Prêmio Camões, a mais prestigiosa premiação literária em língua portuguesa. Sua obra compreende mais de 40 livros. 

Ele era um leitor voraz das obras que adorava, como "A Morte de Ivan Ilitch", do escritor e filósofo russo Liev Tolstói (1828-1910), que confessou ter lido cerca de 30 vezes.

António foi descrito como "um homem solitário, um escritor complexo e inclassificável" em uma homenagem que recebeu em outubro de 2012 por ocasião do lançamento de sua obra: "Não é meia-noite quem quer".

Entre as muitas distinções que recebeu, destacam-se: Comendador da Ordem das Artes e Letras da República Francesa em 2008; Prêmio Rosalía de Castro em 1998; Grande Prêmio de Literatura Portuguesa em 2000 por "Exortação dos Crocodilos"; Prêmio Europeu de Literatura do Estado Austríaco; Prêmio Nacional de Tradução em 2003; Prêmio Jerusalém em 2005; e o Prêmio Juan Rulfo em 2008. Prêmio da Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL) de Literatura em Línguas Românicas em 2008; Prêmio Internacional Nonino em 2014; Medalha da Grã-Cruz da Ordem de Camões em 2022. 

A editora Dom Quixote, responsável pela maior parte da obra do falecido escritor, afirmou em comunicado que está a trabalhar numa nova coleção de poemas de Lobo Antunes, que reunirá os poemas que escreveu ao longo da sua vida. "Ele sempre lamentou não ter sido poeta", acrescentou o comunicado.

O Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que "ninguém" foi mais imitado pelas gerações seguintes e que "poucos foram tão amplamente lidos, traduzidos, premiados e estudados".
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Washington Daniel Gorosito Pérez nasceu em Montevidéu/Uruguai, em 24 de junho de 1961. Vive em Irapuato, Guanajuato/ México, desde 1991, tendo obtido a cidadania mexicana. Formou-se em Jornalismo, possui graduação em Sociologia da Educação, pós-graduação em Ensino Universitário e mestrado em Ciências com especialização em Sociologia. Atualmente, é doutorando em Ciências com especialização em Pedagogia. Professor universitário, jornalista e poeta. Recebeu prêmios por jornalismo, ensaios, contos e poesia em diversos países das Américas e da Europa. Seus trabalhos foram incluídos em 31 antologias literárias.
Fonte:
 Revista Aspectus. 7 de março de 2026.
(tradução do espanhol por José Feldman)

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Concurso de Trovas "Príncipe da Trova Luiz Otávio"


Atenção trovadores

Breve será lançado o segundo Concurso de Trovas do Blog:

Concurso de Trovas “Príncipe da Trova Luiz Otávio”

O prazo será até 30 de novembro de 2021
 
Âmbitos: 
Nacional/Internacional e 
Estadual (somente para trovadores do Paraná)
 
(Veteranos e Novos Trovadores)

Realização:

Blog Pavilhão Literário Singrando Horizontes  

(http://singrandohorizontes.blogspot.com)

 

Apoio:

Academia Brasileira de Trova (ABT),

Academia de Letras e Artes de Paranapuã (ALAP)


AGUARDE O REGULAMENTO!!!!!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

O Voo da Gralha Azul (Um Blog exclusivamente de Trovas)



https://voodagralhaazul.blogspot.com

VISITE:
359 postagens.
Mais de 300 trovadores registrados no blog.
Milhares de trovas.
Trovas premiadas.
Concursos com inscrições abertas.
Regras e Dicas de trovas.

ASSINE:

No lado direito do blog https://voodagralhaazul.blogspot.com há
Receba as postagens em seu Email. ASSINE AQUI!!!

Coloque seu email, o programa enviará um email pedindo confirmação (veja na caixa de entrada ou no spam de seu email). Após confirmar, você receberá as postagens sempre que houver, na íntegra.
 
COLABORE:
Envie suas trovas, ou de trovadores de sua região, vivos ou falecidos para gralha1954@gmail.com. Coloque no assunto: Colaboração para o Voo da Gralha Azul.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

ALTO e IHGM (Noite do Café-com-Letras, 14 de dezembro)


A Academia de Letras de Teófilo Otoni e o Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri têm a honra de convidar Vossa Senhoria e família para a sessão especial denominada Noite do Café-com-Letras, com a seguinte programação:

Lançamentos literários:

Somos todos mais de um: Reflexão e Poesia
Luciano José Schirmer de Oliveira

Diário de um menor abandonado
Salvador Araújo

Contestado: Embate fraticida entre Minas Gerais e Espírito Santo
Administração de Recursos Materiais e patrimoniais: um enfoque prático
Wallace Gomes Moraes

Herdeiros das origens: um estudo das relações entre arte erudita e arte popular
Rasgos na Alma: ode ao Vale do Rio Doce
Edileila Portes

Transcenda: superando seus limites
Marcélia Aguiar Ferreira

Revista Literária Café-com-Letras
Tema: Palavra, espelho de emoções

IHGM: 
Lançamento da Coleção Resgate da Memória: Livros Essenciais

Edição digital:
Notas Históricas do Município de Theophilo Ottoni
A Bandeira de João da Silva, o Mestre de Campo, o Todos os Santos e os selvagens do Mucuri
Reinaldo Ottoni Porto

100 anos de colonização alemã em Teófilo Otoni
Max Roth

A Circular aos eleitores mineiros
Theophilo Benedicto Ottoni

Recepção e posse de sócia correspondente do Instituto Histórico
Edileila Maria Leite Portes - Governador Valadares/MG

Entrega de Cestas Literárias
Instituições da área da educação e cultura do município e Região

Homenagens Especiais

Data: 14 de dezembro de 2019 (sábado)
Horário: 19:00 horas
Local: Plenário da Câmara Municipal

domingo, 27 de outubro de 2019

Academia de Letras de Teófilo Otoni (Convite para Solenidade de Premiação: 9 de Novembro)


CONVITE
 
Aos Membros Correspondentes da ALTO (Academia de Letras de Teófilo Otoni) classificados no IV Prêmio Literário Gonzaga de Carvalho:

Amalri Nascimento, Rio de Janeiro – RJ
Antonia Aleixo Fernandes, São Paulo – SP
Caracy Teixeira Bessa, Salavador – BA
Carmelita Ribeiro Cunha Dantas, Aparecida de Goiás – GO
Celso Gonzaga Porto, Cachoeirinha – RS
Cláudio de Almeida Hermínio, Belo Horizonte – MG
Cláudio Rogério Trindade, Ijuí – RS
Érika Lourenço Jurandy, Rio de Janeiro – RJ
Evandro Ferreira, Caucaia – CE
Fátima Sampaio, Belo Horizonte – MG
Fernando Catelan, Mogi das Cruzes – SP
Isabel Cristina Silva Vargas, Pelotas – RS
João Bosco de Castro, Bom Despacho – MG
José Feldman, Maringá – PR
Juracy Nonato Ferreira, Santa Helena de Minas – MG
Lucivalter Almeida, Nazaré – BA
Marcelo de Oliveira Souza, Salvador – BA
Margareth das Dores Rafael Moreira Costa, Itambacuri – MG
Marina Barreiros Mota, Palmas – TO
Odenir Follador, Ponta Grossa – PR
Odyla Paiva, Rio de Janeiro – RJ
Paulo Roberto de Oliveira Caruso – RJ
Rosilene Alves, Padre Paraíso – MG
Sílvio Parise, East Providence – EUA
Teresa C.C. M. Azevedo, Campinas – SP
Valter Bitencourt Júnior, Salvador – BA
Vânia Rodrigues Calmon, Vila Velha – ES
Walter Luiz Cid do Nascimento, João Dourado – BA

Temos a elevada honra de comunicar a Vossas Senhorias que a premiação ocorrerá em sessão solene, em comemoração ao Dia Nacional da Língua Portuguesa, da Cultura e da Ciência (Leis 5.579/70 e 11.310/2006).

Local:
Plenário da Câmara Municipal de Teófilo Otoni,

às 19:00 horas, dia 09 de novembro de 2019(sábado).


Na impossibilidade do comparecimento, o estojo com Troféu, Medalha e Diploma será enviado, via correios, para o endereço indicado pelo autor. Solicitamos, apenas, uma contribuição, no valor de R$ 30,00 (trinta reais), referente à despesa postal para envio da premiação.

1º lugar em cada categoria: Troféu Gonzaga de Carvalho, Medalha e Diploma;

2º lugar em cada categoria: Troféu Gonzaga de Carvalho, Medalha e Diploma;

3º lugar em cada categoria: Troféu Gonzaga de Carvalho, Medalha e Diploma;

Os trabalhos classificados do 4º ao 15º lugares, em cada categoria, receberão diplomas de Menção Honrosa e Medalha.

Saudações acadêmicas,
PROF. WILSON COLARES DA COSTA
Secretário-Geral

Fonte:
ALTO

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Convite do CLMM (Solenidade de Premiação, em Formiga/MG, 25 de Outubro)


Clube Literário Marconi Montoli (CLMM) convida:

Solenidade de Premiação aos vencedores do Concurso Literário "8º Troféu Formiga de Letras do CLMM", edição 2019, onde haverá também uma palestra especial versando sobre “A Literatura Brasileira e os Desafios Atuais da Língua Pátria”, proferida pelo Presidente da Academia Itaunense de Letras Dr. Arnaldo de Sousa Ribeiro, com lançamento de seu livro: Tributo ao Professor Roque Camêllo. 

O evento acontecerá no dia 25/10/19 (sexta) às 19horas, no Auditório Prof. Eunézimo Lima do Centro Universitário de Formiga - UNIFOR-MG, Rua Dr. Arnaldo de Senna, 328, Bairro Palmeiras, Formiga/MG.

Maiores Informações:
(37) 99923.8122 ou pajo121@yahoo.com.br 

Fonte:
Paulo José de Oliveira 
Presidente do Clube Literário Marconi Montoli - CLMM