Alguém foi o primeiro a chegar e construir o primeiro rancho num lugar onde antes jamais estivera ninguém. Depois chegaram mais um e mais outros, depois mais uma e mais outras, e assim o lugar virou um pequeno povoado. Então era preciso dar um nome.
O mais frequente era escolher um dia para se oficializar como data de fundação da nova localidade e a ela se dava o nome do santo do dia. Minha cidade natal, por exemplo, foi oficialmente fundada num dia 24 de abril, dia de São Fidélis de Sigmaringa, daí foi denominada São Fidélis e quem nasce ou mora lá é chamado de fidelense.
Mas tem muito lugar que tem nome engraçado e ninguém se atreve a mudar. Catei no Google uma pequena lista e vou partilhar com vocês.
No estado do Amapá encontrei Tartarugalzinho.
Na Bahia encontrei Bem-Bom, Chorrochó, Cocorobó, Corta Mão, Uauá, Xique-Xique.
No Ceará, Chorozinho, Jijoca, Pacajus.
No Espírito Santo, Fundão, Laranja da Terra, Travesseiro.
No estado de Goiás, Chapadão do Céu, Mossâmedes, Quiabo Assado, Troca-Tapas.
No Mato Grosso, Alô Brasil, Feliz Natal, Torixoréu.
No Mato Grosso do Sul, Botaiporã, Ziguratis.
Em Minas Gerais, Cipotânea, Escondido, Formiga, Fruta do Leite, Japonvar, Nanuque, Passa Tempo, Pintópolis, Ponto Chique, Ressaquinha, Sem-Peixe.
No Pará, Vai-de-Cães.
No Paraná, Ampere, Ariranha, Borrazópolis, Braganey, Dois Vizinhos, Pien.
Em Pernambuco, Solidão, Xexéu.
No Piauí, Barro Duro, Brejo, Canto do Buriti.
No Rio de Janeiro, Funil, Varre-Sai.
No Rio Grande do Norte, Jardim das Piranhas, Passa e Fica, Venha Ver
No Rio Grande do Sul, Anta Gorda, Arroio dos Ratos, Espumoso, Não-me-Toque, Sombrio.
Em Santa Catarina, Trombudo.
No estado de São Paulo, Areiópolis, Bofete, Descalvado, Mata-Pais.
No Tocantins, Almas, Barrolândia, Carrasco Bonito, Combinado.
Qual desses lugares você escolheria para morar?
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A. A. de Assis (1933)
ANTÔNIO AUGUSTO DE ASSIS, carinhosamente conhecido em todo o país como A. A. de Assis, é o grande patriarca das letras em Maringá e uma das maiores referências do movimento trovadoresco no Brasil. Fluminense de nascimento (nascido em São Fidélis em 1933), ele chegou ao Norte do Paraná em janeiro de 1955. Tornou-se o cronista visual, espiritual e poético do crescimento da "Cidade Canção". Ao chegar na poeirenta Maringá dos anos 1950, trabalhou inicialmente gerenciando uma loja de autopeças de seu irmão. Foi um dos pilares da imprensa escrita local. Atuou como jornalista, redator e diretor em veículos históricos como O Jornal de Maringá (o pioneiro da cidade), Tribuna de Maringá, Folha do Norte do Paraná (criado por Dom Jaime Luiz Coelho), além das revistas Aqui e Novo Paraná. Formou-se em Letras e construiu uma sólida carreira docente. Foi professor do Departamento de Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM) por décadas, aposentando-se das salas de aula em 1997.
A. A. de Assis é considerado o "remanescente brilhante" da escola tradicional da trova brasileira. Sua inserção na literatura maringaense é mítica: Em 1959, ele publicou a coletânea de poemas intitulada Robson (sob o pseudônimo homônimo). Esta obra detém o marco histórico absoluto de ser o primeiro livro impresso e publicado na história de Maringá. Sua contribuição mais famosa para a cultura religiosa e literária nacional foi a criação da Missa em Trovas. Trata-se de uma composição litúrgica inteiramente estruturada sob a forma poética de trovas, muito cantada e celebrada em paróquias do Brasil. Algumas obras publicadas: Robson (1959 - Poemas); Itinerário (Poemas); Caderno de Trovas e Tábua de Trovas; A. A. de Assis – Vida, Verso e Prosa (Sua obra autobiográfica).
A importância de sua obra de estreia, Robson, é tão imensa para a identidade local que o livro foi oficialmente tombado como Patrimônio Histórico Imaterial do Município de Maringá. Poucos escritores no Brasil receberam essa honraria em vida sobre uma publicação literária. Em tempos de versos livres, A. A. de Assis manteve acesa a chama da trova clássica, caracterizada pelo lirismo profundo encaixado perfeitamente na métrica rígida da redondilha maior (sete sílabas). Suas composições servem de modelo técnico para novos poetas de todo o país. Suas crônicas jornalísticas e literárias registram a transformação de Maringá de um vilarejo cercado por poeira vermelha e cafezais para a metrópole moderna atual. Ele deu estridência literária à memória dos pioneiros.
Fonte do texto:
Portal do Rigon (10/09/2026)

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