Quarenta e cinco anos se passaram, mas o tempo é incapaz de silenciar o que o amor eternizou. No vazio de uma vida que mal começou, Yasmin deixou um rastro de luz que nenhuma maldade pôde apagar. Às vezes, quando o mundo se cala e o silêncio se torna profundo, o coração ignora a lógica: entre as sombras da saudade, eu ainda vejo aquele sorrisinho de três meses, puro e eterno. Dói pensar no futuro que lhe roubaram, em quem ela seria hoje, mas em minha alma ela permanece viva, como uma promessa de reencontro que o tempo apenas adia.
Quarenta e cinco marços,
que o tempo parou na dor,
os meus dias tão esparsos,
perderam o seu valor.
Yasmin, pequena estrela,
que o mundo quis apagar,
eu ainda posso vê-la,
sempre que o sol se deitar.
Três meses de um sorrisinho,
tão doce e cheio de paz,
ficou sozinho o caminho,
que a saudade agora faz.
No silêncio que domina,
quando a sala se calar,
vejo a minha pequenina,
lentamente se aproximar.
A maldade foi tamanha,
que o destino interrompeu,
uma dor que me acompanha,
desde o dia do adeus.
Quase nada ela viveu,
mal conheceu o mundo,
mas o amor que não morreu,
no meu peito 'inda é fundo.
Como seria o seu rosto?
Qual seria o seu olhar?
Levo o peso do desgosto,
de não ver você brotar.
Seria uma mulher forte,
com sonhos para lutar,
mas o sopro da má sorte,
veio a vida lhe roubar.
Hoje o pranto cai sereno,
nesta data de amargura,
por aquele ser pequeno,
de alma tão clara e pura.
Sinto o toque do seu vento,
no vazio do meu lar,
e o meu único alento,
poder nela acreditar.
O tempo passa lá fora,
aqui dentro é cicatriz,
conto os dias, conto a hora,
para enfim ser mais feliz.
Pois na luz da eternidade,
sei que vou te reencontrar,
para além dessa saudade,
e de novo te abraçar.
