Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 29 de março de 2016

Aprygio Nogueira (Belo Horizonte/MG)


Abre , meu bem, a janela,
 me esquenta que a neve cai..."
 Quem abriu foi a mãe dela,
 quem me esquentou foi o pai!
-
A ilusão, grande cilada,
não passa, no conteúdo,
de uma árvore de nada
carregadinha de tudo.
-
A mulher é um livro lindo
mas de estranha redação,
que o homem folheia rindo,
sem saber a tradução…
-
Apago as luzes... No entanto,
nem cochilo - que tristeza -
pois em meu quarto, num canto,
existe uma ausência acesa...
-
As rugas, de vez em quando,
são as ruas pelas quais
os filhos vão caminhando
na própria alma dos pais!
-
A vida é pobre de abraços
mas nem os próprios ateus
conseguem fugir dos laços
do imenso abraço de Deus!
-

Cabra guloso e nefando
foi o cabra Zé Ramiro
que faleceu mastigando
o seu último suspiro!
-
Com salário tão velhaco
não posso - o pobre assegura -
construir o meu barraco 
nem na “ rua da amargura”.
-
Devolvo a carta, querida,
sem lê-la... Já li, no cais,
no "até breve" da partida,
as letras do "nunca mais"!
-
Diz-me o céu, ao fim da estrada
que percorremos na vida,
que a morte é a grande chegada
disfarçada de partida…
-
Dos teus passos, feiticeira,
pela rua da partida,
nasceu a estranha poeira
que escurece minha vida.
-
Embora invertendo o nome
do que lhe dás por almoço,
teu cão não ilude a fome,
pois osso invertido é... osso!
-

Em  minha definição,
 a dúvida é algo assim:
-  um sim com jeito de não
e um não com jeito  de sim.
-
És a maior das mulheres,
quando a renúncia, querida,
te faz dizer que não queres
o que mais queres na vida!
-
Já não tenho mocidade,
mas vou chutando, a meu jeito,
a bolinha da saudade
numa rua do meu peito.
-
Jantamos juntos e a mesa
de nossa velha mobília
sente o sabor de ser presa
pelo abraço da família!
-
Minha sogra bateu asa
quando, com muita cautela,
pus um retrato, lá em casa,
da finada sogra dela…
-
Nascer não basta - persista
seguindo o Divino Plano,
que nos garante a conquista
do "status" de Ser Humano.
-

Nosso lar, neste momento,
é como esquina florida
no sublime cruzamento
das ruas da nossa vida.
-
O amor é um sol diferente
cuja luz nos faz achar
o pedacinho da gente
que nasce em outro lugar.
-
O céu é longe, porém,
uma coisa descobri:
– pelo caminho do Bem,
esse longe é logo ali.
-
O Doutor, com voz avara,  
vendo o pobre, diz ao cura:          
- Seu Cura, confesse  o cara,
que esse cara não tem cura.
-
O meu abraço, meninas,
tem a força de um tesouro,
pois sou de Minas - e em Minas
o amor é banhado a ouro!
-
Os peões desse rodeio   
chegaram com tanto embalo, 
que cinco mocinhas - creio -
já “caíram do cavalo”...
-

Preso ao galho, aquele dia,
Seu Juca só deu trabalho, 
pois queria e não queria
que a gente “quebrasse o galho”.
-
Quando eu morrer, solidão,
quero chuva no jardim,
para sentir a ilusão
de alguém chorando por mim!
-
Receio que o meu amor
não dê  resposta... Receio.
Mas, na dúvida, vou pôr
a esperança no correio.
-
Saudade parece praga,
parece mato insistente:
– mato que nasce da vaga
da flor que morreu na gente.
-
Se a seca nos traz  a mágoa,
seca total não existe:
- sempre cai um pingo d`água
dos olhos de um povo triste.
-
Se moras no céu, querida,
tão longe dos olhos meus,
é a primeira vez na vida
que sinto inveja de Deus…
-

Solitário e sem abrigo,
encontro ainda socorro
no amor que fala comigo
pela voz do meu cachorro.
-
Só posso medir, morena,  
meu amor, quando te fito,
se Deus me der uma trena
de se medir o infinito.      
-
Sou pobre. Mas rezo, à mesa 
e  noto que o meu “virado”
perde o gosto da pobreza
quando Deus é convidado.
-
Sou tão feliz, minha gente,
que nem sei - feliz assim -
se o sol provém do Nascente
ou nasce dentro de mim!
-
Tal vaidade, mãe querida,
você tem, ao se compor,
que sempre a vejo, na vida,
vestindo raios de amor!
-
Tanto ao Mandu me associo
por termos rotas vizinhas,
que a epopéia desse rio
tem muitas estrofes minhas.
-


Tanto em teu rastro, querida,
meu coração se perdeu,
que quando cais, pela vida,
quem se machuca sou eu
-
Todo rio nos cativa,
mas o Mandu, sem cessar,
consegue ser a mais viva
continuação do meu lar.
-
Tudo é "trem", no meu Estado,
e é por isso que a patroa,
por me ver aposentado,
me chama de "trem à-toa"!
-
Tudo no mundo é mesquinho
mas teu abraço é um escudo
que tem fibras de carinho
e me separa de tudo!
-
Uma criança que chora
pela rua, sem um lar,
parece uma linda aurora
que não consegue raiar.
-
Um filho da vã paixão,
do mal do amor, condenado,
é a única redenção
que vem do próprio pecado!
-
Vai devagar pela Rua
dos Prazeres, mocidade,
que o seu final se situa
lá na Praça da Saudade…
-
Zé Correio é calmo, pois,
na subida ou na descida,
costuma atrelar os bois
do carro ao carro da vida.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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