Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 28 de março de 2016

Hana Haruko (Gaveta de Haicais)

A chuva pingando
Devassa o botão da flor
De / flora antes da hora…
-
Alertam a todos
e cantam até morrer,
cigarras no tronco…
-
Armadilha bela:
Luz atraindo mariposa
– Destinação cruel
-
asas a dançar
sobre a neve branca e leve,
anjos transparentes…
-
Beija flor perplexo
sem encontrar umidade
nem no bebedouro…
-
Bichano pequeno
um móbile de lã-pluma
com garras afiadas …
Do ovo da manhã
rompe a casca a ave amarela
que se chama sol…
-
Excesso de chuvas
a desequilibrar a árvore
raízes se afogam.
-
Força dos opostos
Espirais de eternidade
Yin e yang: você e eu
-
Formas animadas
lutam boxe de carinhos:
pequenos gatinhos…
-
Fruto esturricado,
não pode ficar no galho
romã na calçada…
-
Gato aquece sonhos
perto do fogão de lenha
– um verão no inverno...
Gato preto em neve
faz-me salivar lembranças:
ameixa em manjar…
-
Gestação do arco-íris
Leveza atestando o efêmero
— Bolha de sabão.
-
Idosos são belos
ricas sedas amassadas
não perdem a luz.
-
Leve borboleta
Vitória sobre a crisálida:
Pétalas aladas…
-
Mini-borboletas
Orquídeas papilonáceas
– Só não podem voar
-
Ontem,todas águas
encharcaram terras,ossos,
-pela manhã,o sol…
-
Órgãos musicais
De sonata progressiva:
Cigarra insistente
-
Os risos das crianças:
No cristal, bolas de gude
— luzes trepidantes ­
Passarada ao sol
pela estiagem, dançam , cantam
e procuram grãos…
-
Pássaros canoros
Energia em expansão
Almas projetadas…
-
Pássaros nos fios
Como notas musicais:
Celestiais canções…
-
Pele contra pele
Proximidade de cheiros:
Mistura de humores
-
Pescoços de cisne
Transformam em corações
O espaço vazio…
-
Reflexo de prata:
Luar despeja-se no mar
— Espelho do céu
-
roupas no varal
bailam loucas com o vento
resolvem fugir…
-
saboreio o sol
desvisto meus agasalhos
luz cobre a alma e a pele…
-
Sons de flauta doce:
Murmúrios edulcorantes
– Vento no bambual…
-
Vento a derrubar
-bem antes da tempestade
cigarras avisam…
Verão com sol de ouro
– dourado mas inclemente
desidrata folhas.
-
Violinista freme
Libélula com o arco
Vibrações no espaço…

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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