Cão de Rua
Homenagem ao Cão Orelha, brutalmente assassinado, e a todos os cães que vivem abandonados na rua
Nas ruas frias, sob o céu sombrio,
caminha o cão sem ter onde deitar,
tremendo a alma ante o sopro do rio,
sem uma mão que o venha acalentar.
Onde está o brilho da inteligência,
que o homem diz ser seu maior tesouro?
Se nega ao bicho a mínima clemência,
e ignora o mudo e triste choro.
Olhos que buscam um resto de carinho,
encontram apenas o peso do desdém,
feridos na carne, sozinhos no caminho,
por quem se julga um ser do além.
É este o topo da escala evolutiva?
Causar a dor em quem só sabe amar?
Manter a alma em jaula, reativa,
e o próprio sangue no asfalto derramar.
Tu, que constróis cidades e foguetes,
e te orgulhas de tanta consciência,
por que permites que o mal se complete,
nesta cruel e vil indiferença?
Senhor, acolhe o uivo na calçada,
do cão que apanha sem saber por quê,
pois na jornada dessa vida amarga,
ele é mais nobre do que quem não vê.
Que a luz alcance o peito do humano,
para que aprenda o que é lealdade,
pois não há erro ou pior engano,
que a falta de amor e de piedade.

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