domingo, 1 de fevereiro de 2026

Grinalda Indígena * 3 *


José Feldman (Floresta/PR)

GRALHA AZUL

Nas matas frias de verde pinheiro,
vivia a ave de penas comuns.
Sem o azulado do céu por inteiro,
buscava o brilho em tempos de jejuns.

Diz a lenda que o bicho dormia,
no galho seco que o vento balançou,
mas um machado, com fúria e agonia,
o pinheiral no chão derrubou.

A ave subiu ao reino do alto,
pedindo a Tupã um novo poder,
ganhou o manto do azul do planalto,
para as florestas de novo erguer.

Voltou à terra com foco e coragem,
colhendo o pinhão com o bico fiel.
Enterra a semente em cada pastagem,
sob a proteção do sagrado dossel.

É a Gralha Azul, que a mata semeia,
plantando a araucária no solo do sul,
enquanto o destino no bico se enleia,
pinta o destino em tom de azul.

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