domingo, 15 de fevereiro de 2026

Dicas de Escrita (Como Escrever Sobre uma Cidade Fictícia) Parte 1

Coescrito por Stephanie Wong Ken, MFA*

Escrever sobre uma cidade fictícia é um desafio bastante divertido. As cidades reais são povoadas por pessoas reais e, para criar uma cidade fictícia e usá-la em uma história, é preciso despertar sua imaginação e se concentrar em todos os detalhes para dar vida à ela e à população dela.

Parte 1 – Analisando exemplos de cidades fictícias

1 – Leia diversos exemplos de cidades fictícias para ter uma ideia melhor de como começar. 

As cidades das histórias normalmente são essenciais para o mundo onde um livro se passa, complementando ou reforçando as características dos personagens e dos eventos ocorridos. Alguns exemplos incluem:

- A cidade de Basin City, ou Sin City, em Sin City, de Frank Miller.
- A cidade de Porto Real em A Guerra dos Tronos de George R. Martin.
- A cidade de Oz (A Cidade Esmeralda) em O Mágico de Oz de Frank Baum.
- A cidade do Condado em O Hobbit de J.R.R. Tolkien.

2 – Analise os exemplos. 

Após ler um pouco sobre as cidades fictícias acima — e outras —, pare e pense um pouco sobre o que as torna tão bem escritas. Assim, você terá uma ideia melhor de como escrever sobre sua própria cidade.

- A maioria das cidades fictícias é descrita com o desenho de um mapa pelo autor do livro ou por um ilustrador contratado por ele. Analise os mapas das cidades fictícias e observe os níveis de detalhes deles. Por exemplo, o mapa do livro O Hobbit inclui os nomes dos lugares na linguagem do livro e também apresenta os nomes de marcos e estruturas na região fictícia.

– Observe os nomes das áreas ou ruas. Os nomes escolhidos pelo autor podem ter uma enorme importância, pois simbolizam alguns aspectos do mundo do livro. Por exemplo, o nome "Sin City" nas graphic novels de Frank Miller indica que a área é conhecida pelos habitantes pecadores — o subtítulo "Cidade do Pecado" foi utilizado em algumas das publicações para tornar isso mais claro para os leitores brasileiros sem conhecimento de inglês. O nome informa o leitor sobre a região e o que esperar os personagens.

–  Veja como o autor descreve a cidade. 

Ele a caracteriza através de determinadas descrições? Em A Guerra dos Tronos, por exemplo, George R. Martin descreve o Porto Real como sujo e fedorento, mas diz que também é a cidade que abriga o trono. A descrição cria um contraste interessante para o leitor.

3, Conheça os prós e os contras de se criar uma cidade fictícia em vez de usar uma real. 

– Por mais que pareça mais fácil localizar a história em um local real, ao construir sua cidade, você pode usar a imaginação e entrar de cabeça no mundo fictício. Os personagens precisam de lugares para trabalhar e interagir, certo? Ao criar a cidade, você pode juntar elementos de diversas áreas do mundo real.

– Você ainda pode utilizar os elementos que desejar de cidades reais que conhece bem, como sua cidade natal, sob um novo ponto de vista. Se tem familiaridade com uma área específica do mundo real, use o que conhece e mude levemente a situação para criar um mundo fictício.

– Criar uma cidade fictícia também melhorará a qualidade da escrita: quanto mais crível for a cidade no livro, mais crível será o mundo do livro para o leitores. Criar um ambiente convincente fortalecerá também os personagens da história, pois ela ajuda a explicar as ações dos personagens e a colocá-los sob uma nova perspectiva.

– Experimente basear a cidade fictícia em um exemplo real. Outra opção é usar uma cidade que conhece bem e adicionar elementos fictícios a ela. Uma das vantagens disto é utilizar os conhecimentos que tem como modelo para os elementos fictícios que deseja explorar no livro. Você também pode pegar marcos físicos ou áreas da cidade e mudá-los de acordo com a imaginação. Assim, a cidade fictícia parecerá mais real.
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continua… 
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* Stephanie Wong Ken é uma escritora que mora no Canadá. Seus textos já foram publicados por Joyland, Catapult, Pithead Chapel, Cosmonaut's Avenue e outras publicações. Possui um Mestrado em Ficção e Escrita Criativa pela Portland State University.

Fontes:
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing   

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