(tradução do espanhol por José Feldman)
A decisão foi anunciada pelo Ministro da Cultura da Espanha, Ernest Urtasun. O júri concedeu o prêmio ao escritor mexicano por “sua excepcional obra literária e contribuições intelectuais, que enriqueceram profunda e consistentemente a língua e a cultura hispânicas”.
Além disso, o júri enfatizou que “por mais de cinco décadas, Gonzalo Celorio cultivou uma voz literária de notável elegância e profunda reflexão, combinando lucidez crítica com uma sensibilidade narrativa que explora as nuances da identidade, do desenvolvimento emocional e da perda. Sua obra é simultaneamente um registro do México moderno e um espelho da condição humana”.
Eles enfatizam que “seus livros ressoam com ironia, ternura e erudição, traçando um mapa emocional e cultural que influenciou gerações de leitores e escritores”.
“Celorio personifica a figura do escritor completo: criador, professor e leitor apaixonado. Ele é o construtor de um legado inestimável que honra a língua espanhola e a mantém viva em sua forma mais elevada: a da palavra que pensa, sente e perdura.”
Gonzalo Celorio é romancista, ensaísta, cronista e uma das figuras mais proeminentes da literatura mexicana contemporânea. É doutor em Línguas e Literaturas Hispânicas, com especialização em Literatura Latino-Americana, pela Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM, 1998-2000); também é Diretor de Literatura do Instituto Nacional de Belas Artes. Coordenador de Divulgação Cultural da UNAM (1989-1998) e Diretor Geral do Fondo de Cultura Económica (2000-2002).
Atualmente, é professor de Literatura Latino-Americana na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), onde ocupa a cátedra extraordinária "Mestres do Exílio Espanhol". É membro titular da Academia Mexicana da Língua, da qual também é diretor, e membro correspondente da Real Academia Espanhola e da Academia Cubana da Língua.
Entre suas obras mais aclamadas estão os romances "Amor-próprio", "A Viagem Sedentária" e "Que a Terra Trema em Seus Centros"; "Metal e Escória" e "Fofocas da Memória", bem como os ensaios "Os Sublinhados São Meus" e "Cânones Subversivos".
Sua carreira foi marcada por inúmeros prêmios, incluindo o Prêmio de Jornalismo Cultural do Instituto Nacional de Belas Artes (1986) por “Los subrayados son míos” (Os Sublinhados São Meus); o Prix des Deux Océans (1997 – Festival de Biarritz) por “El viaje sedentario” (A Viagem Sedentária); o Prêmio Nacional de Romance IMPAC-CONARTE-ITESM (1999) e o Prêmio Universitário Nacional na área de Criação Artística e Extensão Cultural (2008) por “Retiemble en sus centros la tierra” (Que a Terra Trema em Seus Centros); o Prêmio Nacional de Ciências e Artes em Linguística e Literatura (2010); o Prêmio de Literatura de Mazatlán (2015) por “El metal y la escoria” (O Metal e a Escória); e o Prêmio Xavier Villaurrutia para Escritores (2023) por “Mentideros de la memoria” (As Fofocas da Memória). Também recebeu a Ordem Nacional da Cultura, concedida pelo Ministério da Cultura de Cuba em 1996.
Sua obra, caracterizada por erudição, rigor estilístico e reflexão sobre memória, identidade e a tradição literária hispano-americana, o coloca entre os mais importantes autores da literatura mexicana contemporânea. O Prêmio Miguel de Cervantes de Literatura em Língua Espanhola, concedido anualmente desde 1976, presta homenagem pública a um escritor cuja obra enriqueceu o legado literário hispânico. O prêmio inclui uma quantia em dinheiro de 125.000 euros.
Mas o que pensa o ganhador do Prêmio Cervantes sobre a escrita?
Em uma homenagem a ele por ocasião de seu 70º aniversário no Palácio de Belas Artes, Celorio falou sobre o significado da escrita para ele:
“Devo confessar que não gosto de escrever. Isso me afeta, me estressa, me enlouquece; é uma tarefa tão abominável que exige um esforço enorme e não serve para nada. Por que escrever se é um exercício tão odioso que também parece não ter utilidade alguma? Embora possa parecer romântico, a verdade é que escrever não é uma escolha, mas um destino”, disse Gonzalo Celorio.
Celorio continuou: “Sem escrever, eu não entenderia nada. A vida seria uma mera sucessão de atos que o esquecimento pulveriza, e assim como nada me parece mais árduo e difícil do que escrever, nada me dá mais prazer do que ter escrito.”
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* Washington Daniel Gorosito Pérez nasceu em Montevidéu/Uruguai, em 24 de junho de 1961. Vive em Irapuato, Guanajuato/ México, desde 1991, tendo obtido a cidadania mexicana. Formou-se em Jornalismo, possui graduação em Sociologia da Educação, pós-graduação em Ensino Universitário e mestrado em Ciências com especialização em Sociologia. Atualmente, é doutorando em Ciências com especialização em Pedagogia. Professor universitário, jornalista e poeta. Recebeu prêmios por jornalismo, ensaios, contos e poesia em diversos países das Américas e da Europa. Seus trabalhos foram incluídos em 31 antologias literárias.
Fonte:
Revista Cultural Tántalo - número 103 – año 31 - Otoño - Invierno 2025/26, p.47. Disponível em

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