José Feldman (Floresta/ PR)
LENDA DAS CATARATAS DO IGUAÇU
Nas margens do Rio Iguaçu,
vivia o povo Caingangue,
sob o céu de intenso azul,
longe de guerra ou de sangue.
Mboi, serpente temida,
exigia adoração,
uma jovem era escolhida,
em santa consagração.
Naipi, de rara beleza,
foi a ele prometida,
mas contra a vil correnteza,
pelo amor foi conduzida.
Tarobá, jovem guerreiro,
por ela se apaixonou,
num plano firme e certeiro,
na canoa a resgatou.
Fugiram pelo remanso,
sob o brilho do luar,
buscando um porto de descanso,
onde pudessem se amar.
Mboi, em fúria profunda,
o chão da mata fendeu,
numa queda que inunda,
onde o rio se perdeu.
As águas logo caíram,
num abismo de pavor,
os amantes não fugiram
do destino e do seu rigor.
Tarobá virou palmeira,
à beira do precipício,
observando a ribeira,
em eterno sacrifício.
Naipi, em rocha mudada,
pelas águas é banhada,
sendo para sempre castigada,
pela serpente odiada.
Diz a lenda que o arco-íris,
que une a árvore e a pedra,
é o amor que, entre eles,
ainda vive e se medra.

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