quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Dicas de Escrita (Como Escrever Sobre uma Cidade Fictícia) Parte 3, final

Coescrito por Stephanie Wong Ken, MFA

Parte 3 – Criando os elementos específicos da cidade

1 – Descubra o que torna a cidade única. 

Agora que já definiu os elementos fundamentais dela, comece a diferenciá-la! Pense em elementos únicos e interessantes que tornam a cidade um local sobre o qual vale a pena ler! Talvez a cidade seja assombrada e apresente histórias de fantasmas que são passadas de geração em geração. Deixe a criatividade fluir.

- Pense nas características que definem a cidade para o resto do mundo. Ela pode ser reconhecida como o centro de comércio da região ou ser conhecida por conta de um time esportivo renomado, por exemplo. 

– Pense nas coisas que os moradores da cidade amam nela para dar um toque mais real. Quais os pontos de encontro da cidade? O que na cidade dá orgulho aos moradores? Do que eles tem vergonha?

2 – Destaque os detalhes essenciais para a história. 

Por mais tentador que seja detalhar o mundo fictício inteiro, é preciso se concentrar no que é importante para a história que quer contar. A cidade deve trabalhar para a história e para os personagens, não o contrário. Desenvolva toda a cidade, mas foque-se nos locais onde os personagens passam mais tempo.

–  Por exemplo, digamos que os personagens passem muito tempo em uma escola particular no centro da cidade. Pense em detalhes da escola, desde a aparência (interna e externa) dela ao mascote. Concentre-se nos arredores da escola e na arquitetura interna dela, incluindo salas de aula e outros ambientes.

3 – Use os cinco sentidos. 

Para se criar um mundo crível, é preciso fazer com que o leitor sinta-se dentro do local, citando desde o cheiro do lixo aos barulhos nas ruas. Crie descrições que ativem a visão, o paladar, o olfato, o tato e audição do leitor para criar uma cidade com vida.

–  Por exemplo, digamos que a cidade tenha um rio poluído. Pense em como é o cheiro conforme passa pelo rio e faça os personagens comentarem sobre o cheiro, o visual e os sons do rio.

–  A história provavelmente apresentará diversos locais recorrentes. Use os cinco sentidos para descrevê-los e criar uma história ainda mais convincente.

4 – Adicione detalhes do mundo real à cidade. 

O leitor sabe que está lendo uma obra de ficção e aceitará elementos estranhos e imaginários, mas pode ser uma boa ideia incluir elementos reais na cidade para criar uma visão mais realista dela conforme a história avança.

–  Por exemplo, digamos que os personagens passem uma boa parte da trama em uma área urbana e densa da cidade. Ela pode ser povoada por criaturas estranhas, mas também apresentar elementos encontrados em áreas urbanas reais como prédios, ruas e becos. Misturar detalhes reais e imaginários ajuda a criar um mundo mais verdadeiro.

5 – Coloque os personagens dentro dos ambientes da cidade e movimente-os! 

Após detalhar bem a cidade fictícia, coloque os personagens para interagir com ela! O ambiente deve avançar a história e os personagens devem acessar elementos da cidade necessários para levar a trama adiante.

- Por exemplo, digamos que um personagem precise acessar um portal mágico no meio da cidade para viajar o tempo; descreva bem o portal dentro da cidade! Ele deve conter detalhes suficientes para ser visualizado pelo leitor e a interação com os personagens devem ser interessantes. Assim, a cidade ficcional avança as necessidades e os objetivos dos personagens!

6 – Descreva a cidade através das perspectivas dos personagens. 

Um grande desafio na hora de escrever sobre uma cidade fictícia é evitar os momentos de descrição óbvios, quando se coloca a descrição na boca do personagem para informar o leitor. Assim, parecerá que você está querendo "falar" através do personagem de modo forçado. Para contornar isto, use as vozes dos personagens para descrever a cidade.

–  Coloque os personagens em situações onde devem caminhar em determinados locais ou interagir com seções específicas da cidade. O personagem pode usar alguma instalação na cidade e descrever as sensações disto! Assim, você poderá descrever a cidade através da perspectiva do personagem, criando descrições mais convincentes.

- Uma boa ideia é fazer com que os personagens tratem os elementos mais fantásticos e estranhos da cidade de modo casual. Se ela fica debaixo d'água por exemplo, um personagem que mora nela há muito tempo pode não se surpreender com o fato de ter de entrar em um submarino para visitar os vizinhos. Descreva-o então entrando no submarino e programando o destino de modo casual e cotidiano. Assim, o leitor compreenderá que os submarinos são comuns na cidade e são utilizados como transporte sem precisar dizer isso explicitamente.
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Stephanie Wong Ken é uma escritora que mora no Canadá. Seus textos já foram publicados por Joyland, Catapult, Pithead Chapel, Cosmonaut's Avenue e outras publicações. Possui um Mestrado em Ficção e Escrita Criativa pela Portland State University.

Fontes:
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing  

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