terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Asas da Poesia * 155 *


Poema de
WASHINGTON DANIEL GOROSITO PÉREZ
Irapuato/ Guanajuato/ México

Poesia em movimento

A palavra poética é um pássaro.

Em seu voo,
para falar com os deuses,
ela desvia das lanças do sol,
deixando em seu rastro minúsculos cristais de mar etéreo.

A palavra incandescente
faz a névoa de tinta
dissipar-se.

As letras fluem em bandos,
tecendo poesia em movimento,
e à medida que os versos nascem,
são coroados com halos
de poeira solar. 
(tradução do espanhol por José Feldman)
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Poema de
CRISTINA CECCAGNO
Pelotas/RS

(In) definição

procuro nas palavras de outras pessoas
algo que defina o que sinto por ti
pela insanidade que nos envolve
pela tua ausência

nada nos define
nada nos enquadra

procuro nas lembranças
uma pista do tempo que vivemos
do tempo que perdemos
e do que se perdeu ao longo do tempo

nada nos define
nada nos enquadra

procuro nos andarilhos
o movimento certo para seguir adiante
para acertar o passo
para dançar a música certa
para inventar um ritmo

nada nos define
nada nos enquadra

procuro a ti
nos mesmos lugares
e só te encontro dentro de mim
isso me define: tua
isso me enquadra: pra sempre.
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Soneto sobre Cenas do Cotidiano de
RICARDO CAMACHO
Rio de Janeiro/RJ

Dia de branco

No recomeço, à madrugada escura,
Em cumprimento do dever, sozinho,
Embalo os passos, surdos, no caminho,
Principiando a laboral ventura.

Em meio à suburbana arquitetura,
Adentro a multidão, em desalinho,
Que marcha resmungando bem baixinho
Como se encaminhando à sepultura...

As faces, fundos sulcos de canseira,
Evidenciam a segunda-feira
E o velho realismo suburbano...

Neste relato, a cena costumeira 
Traduz a romaria rotineira 
Dos proletários no cotidiano.
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Poema de
DENISE MULLER GARATEGUY
Montenegro/RS

Todas as tuas cores

Tateio
Teus bolsos,
Encontro
Sementes
E
Nos teus olhos
Vejo
Encardidas ilusões
Há pedras
De todos os tipos
Segurando portas
Por sobre a mesa
Há os vasos de flores
De tomates
E
De pimentas
Há os gatos
Os livros
Os acordes
E as letras
A dura indecisão
Transbordando copos
E pensamentos

Os sonhos
Nos escapam...

Tua presença
Vinga-se
De mim
Na perfeição
De ser
Como
És
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Trova Popular

Quem me dera ser a hera
pela parede subir,
para chegar à janela
do teu quarto de dormir.
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Soneto sobre Cenas do Cotidiano de
ELVIRA DRUMMOND
Fortaleza/CE

Poluição sonora

Buzinas e sirenes… britadeira! 
Quisera por o mundo “na surdina”
(recurso que o piano discrimina 
a matizar os sons, sobremaneira…)

No meio da avenida, a betoneira 
castiga meus ouvidos, me alucina…
(a rua dos meus tempos de menina
foi palco de avezinha cantadeira). 

Se agora adoto o tom de nostalgia, 
é fuga da audição que se arrelia
com o cruel triunfo do ruído… 

A música que a mídia, por capricho, 
impõe ao cidadão é puro lixo… 
Quisera, Deus, ter pálpebras o ouvido!
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Poema de
GILBERTO MONTEIRO MAZOT
Porto Alegre/RS

Cadafalso de mim

Trancado em meu baú de desejos, sonhos, loucuras,
Meu coração faz-me cadafalso de mim.

Atuando meu teatro interior,
Faz-me sorrir,
Aplaudir
Despedaçar-me de chorar por ti.

Contraceno no espelho a consciência inconsciente
de que teu desejo é meu desejo.
Desejo que se torna meu por incorporar tudo o que sente.

Se sente frio,
Frio eu sinto,
Se fome sente,
Sinto fome,
Se pensa em mim,
Teu amor me consome!
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Soneto sobre Cenas do Cotidiano de
LUCÍLIA A. T. DECARLI
Bandeirantes/PR

Labor sem fim

Manhã de sol… cidade em movimento,
calçadas cheias, trânsito lotado
e em muitas mentes flui um pensamento: 
“chegar no emprego e o ponto, registrado.”

Trabalho e casa… nesta, pouco alento;
o banho do casal, não prolongado.
Cuidar dos filhos, roupas, alimento…
Novela e futebol?… No feriado!

Criança, o aposentado e o preguiçoso 
(um outro grupo, às vezes, ocioso),
desfrutam dos aromas de um jardim.

Na madrugada a pressa se esvazia…
Vem nova aurora, instiga à correria 
 e tal labor parece ser sem fim.
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Poema de
IONITA KÉSIA PEREIRA
Sapucaia do Sul/RS

Não se afaste de mim

Não se afaste de mim
Além de meu olhar

Não se declare com ardor
Além do “eu te amo”

Não cesse seu carinho
Além de um abraço

Não se desnude em você
Além de sua alma

Não dê causa à embriaguez
Além de meus beijos

Não se revele em cores
Além de seus sonhos

Não queira estar comigo
Além de um momento chamado sempre

E não esperarei de você
Além de seu amor por mim.
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Soneto sobre Cenas do Cotidiano de
ARLINDO TADEU HAGEN
Juiz de Fora/MG

Os sons da madrugada

Um som parece vir da casa ao lado,
uma TV, um rádio, uma vitrola,
demonstrando que alguém está acordado,
sofrendo a mesma insônia que me assola.

Ao longe um galo doido cantarola,
num ritmo repetido e alucinado.
Mais longe ainda, o som de uma viola
dá voz a um coração apaixonado.

Enquanto os gatos miam namorando,
eu sigo em minha cama reparando
um bando de cachorros a latir.

Nasce o dia... os ruídos da alvorada
vão abafando os sons da madrugada
de quem passou a noite sem dormir.
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Poema de
ISABEL CRISTINA SILVA VARGAS
Pelotas/RS

Louvação

Cantam os pássaros
Saudando o sol
A vida que aqui transborda.
Ao seu canto
Acrescento minha prece
Cheia de amor e saudade
Louvando tua preciosa vida
Que a todos encantou.
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Poema de
MARCELO ALLGAYER CANTO
Cachoeirinha/RS

Quem é você?

Quem é você?
Que acalma meu coração
Pelo sabor de todas as noites
Seja em qualquer estação.

Quem é você?
Que com sua simplicidade
Me mostra a possibilidade
De um viver despreocupado
Regado pelo amor.

Quem é você?
Que não precisa me procurar na noite,
Pois me encontra dia a dia
Sem clamor, mas com a vida ganha.

Quem é você?
Que me conquistou pela paciência
Seguindo meus passos “descalçados”
Pelas ilusões de meus dias.

Quem é você?
Que ratificou meus caminhos
Com seus doces e suaves carinhos
Me salvando dos despropósitos.

Quem é você?
Você é a minha amada!
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Hino de 
JOÃO PESSOA/ PB

No nordeste do Brasil te encontramos
Onde vemos o encanto de um verde mar
És a terra gloriosa que amamos
E o teu nome exaltamos a cantar
De um grande presidente de estado
Tu ressurgiste, ó, cidade vitoriosa!
Se tens o nome pelas ondas do passado
Não deixarás de ser sempre valorosa

Tua bandeira simboliza o heroísmo
De um exemplo imortal
Que em teu nome ficou
E no grito do nego
Defendeu o teu povo rebelde
E te glorificou

No passado, outros nomes recebeste
Consagramos o teu solo, sempre a exaltar
A bravura e a nobreza não perdeste
João pessoa, tu és hoje, a vibrar
Teus combates sempre foram triunfantes
E o heroísmo a história nos declara
E evocando teus primeiros habitantes
Tu serás sempre a cidade tabajara

Tens palmeiras no teu parque mais formoso
A lagoa circulando sempre a inspirar
O poeta decantando orgulhoso
Vem fazer tua beleza proclamar
Tão formosas as acácias que se espargem
Em ornamento pelas tuas avenidas
São tantas flores escondendo a folhagem
Deixando enfim, tuas árvores floridas

Tambaú trazendo a brisa mansamente
Num afago que nos prende sob o céu anil
E o soberbo cabo branco evidente
Na paisagem litorânea do Brasil
Nos teus mares as jangadas velejando
No horizonte vem o sol resplandescente
Quanta grandeza que encerras inspirando
No teu valor consagrado eternamente!
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Soneto sobre Cenas do Cotidiano de
JÉRSON LIMA DE BRITO
Porto Velho/RO

Os portais

O refletor celeste, ao fim da lida,
deitado sobre densos matagais,
expande o louro abraço e dá sinais
de sua majestosa despedida.

As águas, de beleza desmedida,
à espera das pinturas noturnais,
transformam as correntes em portais
por onde passa a luz enfraquecida.

Um barco, a deslizar no espelho, adorna
a tarde morrediça, ainda morna,
repleta de magia, graça e encanto.

O rio encanta todas as retinas
que enlaçam as imagens vespertinas,
justificando os versos deste canto...
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Fábula em Versos da
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França

Os ladrões e o asno

Brigavam dois ladrões por um roubado burro:
Com ele um quer ficar, quer outro expô-lo à venda.
E enquanto a discussão entre ambos corre a murro,
Terceiro vem que empolga a causa da contenda.

Não raro uma província ao burro é semelhante,
E uns príncipes quaisquer, iguais aos salteadores:
O Turco, o Transilvano, o Húngaro — em que instante,
Em vez de dois que busco, eis três dos tais senhores!

Abunda esta fazenda — embora com frequência
Nenhum lograr consiga a terra conquistada,
Se vem quarto ladrão que rindo da pendência
Cavalga no jumento e aos três dá surriada.
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