Certa vez, perguntaram a um cego : Como é que você sonha ?
Ele respondeu:
“Sonho como todo mundo, só não vejo.”
Como uma pessoa com deficiência física e visual acho importante contar uma coisa que muitos não sabem.
Existe uma diferença entre o cego e deficiente visual. O primeiro não enxerga nada e o segundo tem baixa visão, também conhecida como visão subnormal, o meu time na vida.
E o que impede o cego e eu de sonhar? Nada, graças a Deus! Até o momento, sonhar é de graça, não se paga imposto e faz cada dia ter mais graça de viver. Sonhar é um exemplo de patrimônio imaterial da humanidade mais democrático, acessível e inclusivo que eu conheço. Não tem barreiras arquitetônicas que impeça um cego de enxergar até a cores, um deficiente físico de andar sozinho sem aparelho ou bengala nem um cadeirante de voar longas distâncias sem cair.
Sabem como isso é possível?
Dando asas a imaginação. É assim que todo ser humano do mundo renova amor no coração e acorda com fé que o sonho bem sonhado, ainda que demore um tempo — no tempo certo do bem — será objetivo realizado.
O sonho não tem preconceito, não faz pouco caso, não faz fila preferencial nem exige laudo ou credencial para estacionar do lado esquerdo do peito de alguém. Cabe apenas aos passageiros da esperança, seguir nos trilhos do maquinista Divino que guia o trem da história ao ponto final da missão abençoada que todo sonhador de corpo e alma sabe que tem.
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*Ricardo Flávio Mendlovitz Albino (47) nasceu em Belo Horizonte, cadeirante, jornalista formado em 2006 em BH, contador de histórias formado pelo Instituto Cultural Aletria, em 2015, criador da página Ricontar Histórias, em 2017, e do canal de mesmo nome no You Tube, em 2021. Idealizou no canal o podcast Ricontar para unir histórias, seu amor pelo rádio, acessibilidade e inclusão.
Fonte: Enviado por Leandro Bertoldo
