domingo, 31 de maio de 2026

Asas da Poesia * 187 *


Trova Humorística de
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
São Paulo/SP

Diz, já caduco: - Que tédio!...
E a esposa, sempre calminha:
“- Quer jogar dama?” E, do prédio,
ele jogou a velhinha!
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Soneto de
MANUEL BANDEIRA
(Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho)
Recife/PE, 1886 – 1968, Rio de Janeiro/RJ

Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento , de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo algum de pranto

Meu verso é sangue , volúpia ardente
Tristeza esparsa , remorso vão
Dói-me nas veias amargo e quente
Cai gota à gota do coração.

E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca

Eu faço versos como quem morre.
Qualquer forma de amor vale a pena!!
Qualquer forma de amor vale amar!
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Aldravia de
MARIZA DE CASTRO GODOY
Ponte Nova/MG

água
parada
aedes
faz
a
festa
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Soneto de
SÔNIA SOBREIRA
Rio de Janeiro/RJ

A Semente

Não vou plantar semente que me afaste
da luz perene e clara do luar,
nem vou deixar que a mágoa me desgaste,
ou que me faça em pedras tropeçar.

Não vou deixar que a solidão me arraste
nas tramas de uma história secular,
nem que uma dor no coração se engaste
e esta semente venha a germinar.

Eu vou plantar sementes de alegria
flores vermelhas, rimas de poesia
colher nas mãos um sonho que brotou.

Vou ser poeta e em minha estrada infinda,
mostrar que posso ser feliz ainda
e nunca mais serei o que hoje sou!
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Trova de
ÉLBEA PRISCILA DE SOUZA E SILVA
Piquete/SP, 1942 – 2023, Caçapava/SP

A maquiagem pesada, 
diante do espelho, desfaço
e em minha cara lavada
rugas brigam por espaço…
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Poema de
CELITO MEDEIROS
(Celito Freitas de Medeiros)
Curitiba/PR

Eu juro

Que importam os riscos que vou correr
Afinal sabemos que não vamos morrer
Mas é melhor riscos se poder arriscar
Do que riscar a morte sem poder amar.

Se de risadas é parecer um tolo
Se chorar parecer sentimental
Estendo minha mão e me envolvo
Vou mostrar que sou muito real.

Minhas ideias defendo sempre
Pois eu sei que atrás vem gente
Mesmo incompreendido vou amar
Ainda é tempo de também inovar.

Morrer um corpo não é mistério
Viver como espírito é o importante
Um corpo pode ir para o cemitério
Um espírito é o meu comprovante.

Se arriscar pode gerar um fracasso
Não me importo sou mesmo de aço
Estou aqui é para as experiências
Buscar as mais novas tendências.

Busquei a liberdade e já era tempo
Tudo do passado fazer na soma
Opressão que não mais aguento
Meu determinismo que assoma.

Importante é lutar, vencer nem tanto,
Encontrei há tempo meu porto seguro
Juntos seremos cobertos pelo manto
Daqueles que nos esperam..., eu juro!
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QUADRA POPULAR

Sete e sete são quatorze,
com mais sete vinte e um;
ainda ontem eu tinha sete,
hoje não tenho nenhum.
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Soneto de
OLAVO BILAC
(Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac)
Rio de Janeiro/RJ, 1865 – 1918

Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o tom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho"!
E em que Camões chorou, exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
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Trova de
LÍCIO GOMES DE SOUZA
Corumbá/MT

Na História o fato maior
está por vir, aliás:
- Vir num mundo melhor,
em pacto eterno de paz.
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Poema de
CLEVANE PESSOA
Belo Horizonte/MG

Arrependimento

Mais que amei, amei errado
ou amei sem saber de limites
e de impossibilidades...

Amei com a fúria dos ventos
e a ternura das brisas
nos rostos das flores:
esta, insuficiente  para a sanha dos desejos,
aquela rasgou pétalas e sépalas
e abriu cálices...

Queria ter amado menos que o demais
E muito mais que o possibilitado...
Queria que os excessos de busca,
Perfumassem, de repente,
Todos os ares da angústia incandescente...
Nas grutas do desconhecido,
As estalagmites ,
Tão fantásticas ao primeiro olhar,
São de tal forma frágeis
Que se tornam poeira e barro
Para não mais voltar...
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Haicai de
MARIA NASCIMENTO SANTOS CARVALHO
Rio de Janeiro/RJ

Do capim rasteiro
vêm uns cri-cris estridentes...
Seresta de grilos ...
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Limerique de
NILTON MANOEL
Ribeirão Preto/SP, 1945 – 2024

Limeriques Urbanos I

Dizem que a calçada é do povo...
Quero ver crianças de novo
Brincando... brincando,
Vivendo...sonhando...
porém o povo só leva ovo!
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Trova de
JOSÉ VALDEZ DE CASTRO MOURA
Pindamonhangaba/SP

As afrontas do passado
não guardo! Vou esquecê-las!
Pois bem sei que um céu nublado
não me deixa ver estrelas!
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Glosa de
NEMÉSIO PRATA
Fortaleza/CE

MOTE 
Doce flor que desabrocha, 
perfumando seu cantinho 
envolvendo toda rocha 
com doçura e com carinho. 
José Feldman 
(Floresta/PR) 

GLOSA 
Doce flor que desabrocha, 
exalando os seus olores 
deixa a todos feito tocha 
em busca de seus favores! 

Discreta, a flor permanece 
perfumando seu cantinho 
mas logo que um aparece, 
desaparece em seu ninho! 

Aquele que vem em tocha 
pressente, a distância, o olor, 
envolvendo toda rocha, 
que exala, doce, da flor! 

E todo que busca o amor 
da flor, não fica sozinho; 
recebe-o, em seu ninho, a flor, 
com doçura e com carinho.
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Aldravia de
ARLENI BATISTA
Rio de Janeiro/RJ

sinto
simplesmente
saudades
você
ausente
presente...
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Soneto de
NATHAN DE CASTRO
(Nathan de Castro Ferreira Júnior)
João Pinheiro/MG, 1954 – 2014, Uberlândia/MG

Soneto em Luta de Esgrima

        Conta até seis e bate o pé no chão,
        quando chegar a dez, prepara a rima...
        O primeiro quarteto está na mão
        e a mágica do sonho se aproxima.

        Deixa que flua a conta da emoção,
        sem ela o peito esfria e desanima...
        O segundo combate é o da paixão
        e imprescindível à luta de esgrima.

        O sabre exige pulso e coordenados
        movimentos perfeitos nos espaços...
        Um toque na cabeça, tronco ou braços,

        pode levar-te à lona dos tablados...
        Mas se vencer, amigo, comemora,
        e te prepara: a morte está lá fora!
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Poema de
EMILY DICKINSON
(Emily Elizabeth Dickinson)
Amherst/ Massachussets/ EUA (1830 – 1886)

Morri pela Beleza

Morri pela beleza – mas mal me tinha
Acomodado à campa
Quando alguém que morreu pela verdade,
Da casa do lado –

Perguntou baixinho “Por que morreste?”
“Pela beleza”, respondi –
“E eu – pela verdade – Ambas são iguais –
E nós também, somos irmãos”, disse ele.

E assim, como parentes próximos, uma noite
Falámos de uma casa para outra
Até que o musgo nos chegou aos lábios 
E cobriu – os nossos nomes.
(Tradução de Nuno Júdice)
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Triverso de
ÁLVARO POSSELT
Curitiba/PR

O clima ficou tenso
Meu pensamento defumou
depois da queima de incenso
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Setilha de
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Serra Negra do Norte/RN, 1934 – 2015, Natal/RN

Somos do país do amor,
grande como um continente,
rico que só marajá,
pobre que só indigente;
tem corrupção como regra,
mas tem carnaval que alegra,
de ano em ano, nossa gente.
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Trova de
ARCHIMINO LAPAGESSE
Florianópolis/SC, 1897 – 1966, Rio de Janeiro/RJ

Saudade, a ponte encantada             
entre o passado e o presente,              
por onde a vida passada
volta a passar novamente
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Hino de 
PARANAVAÍ/ PR

Quando te vemos hoje, assim radiosa,
Teus filhos agitados no labor,
Lembramos da empreitada gloriosa,
Que calejou as mãos do lavrador
E fez romper da terra generosa
Os ricos frutos do progresso e amor!

Estribilho:
Nasceste sob o signo da vitória
Que os filhos teus souberam conquistar
És a um só tempo a evolução e a glória
Cidade que não pode mais parar!

Ó Paranavaí dos cafezais
Simétricos, em flor sobre a paisagem,
De belos e de extensos matagais,
Planícies verdejantes de pastagem...
Da glória tu chegaste até os umbrais!

Estribilho
Nasceste sob o signo da vitória
Que os filhos teus souberam conquistar
És a um só tempo a evolução e a glória
Cidade que não pode mais parar!

Salve teus filhos, que na faina ardente
Sobre teu solo ainda hostil e agreste
Traçaram teu destino florescente!
Salve, ó cidade que te engrandeceste
Ó bela Capital do Noroeste!

Estribilho
Nasceste sob o signo da vitória
Que os filhos teus souberam conquistar
És a um só tempo a evolução e a glória
Cidade que não pode mais parar!
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O 'Hino de Paranavaí - PR' é uma celebração poética da cidade de Paranavaí, localizada no noroeste do Paraná. A letra exalta o progresso e a evolução da cidade, destacando o esforço e a dedicação de seus habitantes. Desde o início, a música remete à imagem de uma cidade radiante, onde o trabalho árduo dos lavradores transformou a terra generosa em frutos de progresso e amor. Essa metáfora da terra fértil simboliza não apenas a riqueza agrícola da região, mas também o crescimento e desenvolvimento contínuo da cidade.

O estribilho reforça a ideia de vitória e evolução, afirmando que Paranavaí nasceu sob o signo da vitória, conquistada pelos seus filhos. A cidade é descrita como um símbolo de evolução e glória, um lugar que não pode mais parar de crescer. Essa mensagem de constante progresso e superação é um tributo ao espírito resiliente e trabalhador dos habitantes de Paranavaí, que, através de suas conquistas, moldaram o destino da cidade.

A letra também faz referência às paisagens naturais de Paranavaí, como os cafezais simétricos, os matagais extensos e as planícies verdejantes. Essas imagens evocam a beleza e a riqueza natural da região, que contribuíram para o seu desenvolvimento. O hino termina com uma saudação aos filhos da cidade, que, com seu trabalho árduo, traçaram um destino florescente para Paranavaí. A cidade é celebrada como a 'Capital do Noroeste', um título que reflete seu crescimento e importância na região. 
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Poetrix de
ANTHERO MONTEIRO
(Anthero Manuel Dias Monteiro)
São Paio de Oleiros/Portugal, 1946 – 2022

uma gaivota só
um til sobre a palavra
Imensidão
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Soneto de
EMÍLIO DE MENESES
(Emílio Nunes Correia de Meneses)
Curitiba/PR, 1816– 1918, Rio de Janeiro/RJ

Supremo apelo

Por que causas, de ti, foge a antiga ventura
E toda, em ti, se embebe a alma, em fel e vinagre?
Certo, uma grande dor te fere e te tortura!
- Mas tão grande, que a grande alma assim te conflagre?

Tanto Sol! Tanta Luz! E esta treva perdura!
- De um espírito mau, diabólico milagre -
Mas olha! Volta à Luz! Volta ao Sol que fulgura
Nos Poemas que te eu dê, no Amor que te eu consagre!

Vem beber no meu verso a fortaleza e a vida!...
Vê tu quanto poder num hemistíquio impera,
E o vigor que há na rima - arma nunca excedida!. ..

Vem, que ao fim da jornada, a glória nos espera!
Vamos! - a galopar, - em fora! a toda a brida,
Na esplanada genial do sonho e da quimera!
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Trova Humorística de
ANTONIO COLAVITE FILHO
Santos/SP

 Ao “bebum” que choraminga,
o doutor não mais engana:
-“Se, por lá, cana dá pinga;
por aqui, pinga dá cana!!!”
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Fábula em Versos de
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França

O leão e o mosquito

«Vai-te, inseto mesquinho e vil na terra!»
Depois de assim ter dito
O leão ao mosquito,
Este lhe declarou cruenta guerra:
«Pensas tu que por seres rei dos bichos
Tua audácia tolero?
Mais força tem o boi e, quando quero,
Sujeito-o a meus caprichos!»
Diz, e toca a avançar;
Foi o herói e o trombeta na batalha.
Zumbe em torno ao leão, tanto o atrapalha,
Que o faz desesperar.
Ao longe põe-se um pouco;
Depois, salta-lhe em cima do cachaço
E torna-o quase louco.
A fera com o rugido atroa o espaço.
De ouvir o horrendo grito
Seus ecos prolongar atroadores,
Tremem os animais dos arredores;
Tudo obra dum mosquito!
O inseto pequenino, ousado e pronto,
Ora ao dorso lhe salta,
Ora as ventas lhe assalta.
A raiva no leão sobe de ponto:
Com a cauda açoita os flancos,
Com o olhar ameaça
E, rugindo duríssimos arrancos,
Com as garras a si se despedaça,
Até que, de fatigado,
Cai, fica estatelado!
O inseto do combate sai com glória
A mais alta e completa,
E na mesma trombeta
Em que a avançar tocou, cantou vitória.
Mas, proclamando ao mundo esta façanha
Não vista e desmedida,
Na teia duma aranha
Cai, fica embaraçado e perde a vida!

A fábula vos diz que os inimigos
Nunca deveis considerar somenos;
E que pode o que escapa a grandes perigos,
Não poder escapar aos mais pequenos.
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Mensagem na Garrafa 183 = Morangos


AUTOR ANÔNIMO

Um homem estava caindo em um barranco e se agarrou às raízes de uma árvore. Em cima do barranco havia um urso imenso querendo devorá-lo. O urso rosnava, mostrava os dentes, babava de ansiedade pelo prato que tinha à sua frente. 

Embaixo, prontas para engoli-lo, quando caísse, estavam nada mais nada menos do que seis onças tremendamente famintas.

Ele erguia a cabeça, olhava para cima e via o urso rosnando. Quando o urso dava uma folga, ouvia o urro das onças, próximas do seu pé. As onças embaixo querendo comê-lo e o urso em cima querendo devorá-lo.

Em determinado momento, ele olhou para o lado esquerdo e viu um morango vermelho, lindo, com aquelas pontinhas douradas refletindo o sol.

Num esforço supremo, apoiou seu corpo, sustentado apenas pela mão direita, e com a esquerda, pegou o morango. 

Quando pôde olhá-lo melhor, ficou inebriado com sua beleza. Então, levou o morango à boca e se deliciou com o sabor doce e suculento. 

Foi um prazer supremo comer aquele morango tão gostoso.

Deu para entender?

Talvez você pergunte: "Mas, e o urso?" Dane-se o urso e coma o morango!
E as onças? Azar das onças, coma o morango! Se você não desistir, a onça ou o urso desistirão.

Relaxe e viva um dia por vez: coma o morango.

Problemas acontecem na vida de todos nós, até o último suspiro. Sempre existirão ursos querendo comer nossas cabeças e onças tentando arrancar nossos pés. Isso faz parte da vida e é importante que saibamos viver dentro desse cenário. Mas nós precisamossaber comer os morangos, sempre.

A gente não pode deixar de comê-los só porque existem ursos e onças. Coma o morango, não deixe que ele escape. Poderá não haver outra oportunidade de experimentar algo tão saboroso.

Saboreie os bons momentos.

Sempre existirão ursos, onças e morangos. Eles fazem parte da vida. Mas o importante é saber aproveitar o morango. Coma o morango quando ele aparecer. Não deixe para depois.

O melhor momento para ser feliz é agora.

O futuro é uma ilusão que sempre será diferente do que imaginamos. Às vezes, esquecemos que a felicidade é construída todos os dias.

Lembre-se: a felicidade não é algo que você vai conquistar fora de você, mas dentro de você mesmo, não esqueça.

José Feldman (Trapalhadas de Pafúncio num estúdio de TV)

Pafúncio era jornalista da revista Fofocas & Cia, famoso por ser o mais atrapalhado de toda a redação: esquecia o caderno, trocava nomes, tropeçava em tudo o que via e sempre saía das entrevistas com histórias que ninguém entendia. Desta vez, a missão era grande: entrevistar os protagonistas da novela Amor e Caos,  maior sucesso da TV.
 
Chegou ao estúdio com o caderno de capa rosa (que era da irmã), uma caneta que não funcionava e um gravador que ele nem sabia ligar direito. Encontrou primeiro a atriz Mariana, que interpretava a doce e elegante Luísa.
 
— Boa tarde, dona Marisa! — disse ele, já errando o nome, estendendo a mão e tropeçando no próprio pé, quase caindo em cima dela.

— Mariana. E tudo bem? Você não se machucou? — perguntou ela, segurando o riso.

— Tudo ótimo, tudo ótimo! Descuido meu, sou meio… assim mesmo. Vamos à entrevista: na novela, sua personagem vive um amor proibido com o mocinho. Você acha que na vida real esse tipo de amor daria certo?

— Ah, com certeza! Se houver respeito e confiança, tudo dá certo — respondeu Mariana, sorrindo.

— Entendi! Então você namora alguém proibido na vida real? — perguntou Pafúncio, abrindo os olhos, achando que tinha descoberto uma bomba.

— Claro que não! Eu falei se houvesse, não que eu faça isso — explicou ela, já começando a se arrepender de estar ali.

— Ah, sim, sim! Então é um segredo, entendi, entendi… — ele anotou no caderno, mas como a caneta não funcionava, só fazia riscos pretos no papel. — Próxima pergunta: qual é a sua comida preferida para comer nos bastidores?

— Gosto muito de pastel de queijo, é simples e gostoso.

— Pastel de queijo! Anotado… — ele fingiu escrever. — E você já comeu pastel com goiabada com o seu par romântico?

— Que pergunta é essa? Nunca! E por que eu faria isso?

— Para ter sorte no amor, dizem que funciona! Eu mesmo tentei uma vez e queimei a língua — contou ele, sério, enquanto Mariana não sabia se ria ou se ia embora.
 
Nisso chegou Carlos, o ator que fazia o papel do galã Pedro, todo arrumado e cheio de confiança.
 
— Olha só quem vem! O grande Carlos Alberto! — gritou Pafúncio, correndo até ele e esbarrando numa pilha de cabos, que quase derrubaram uma luz gigante.

— É só Carlos. E cuidado, hein? Você vai derrubar o estúdio inteiro — brincou o ator.

— Desculpa, desculpa! É a empolgação! Vamos lá: você interpreta um homem corajoso, que enfrenta tudo por amor. Na vida real, você é assim tão valente?

— Mais ou menos. Tenho medo de barata, por exemplo — respondeu Carlos, rindo.

— MEDO DE BARATA?! — Pafúncio gritou tão alto que os técnicos olharam para eles. — Que furo! O grande galã da televisão tem medo de bichinho pequeno!

— É normal, muita gente tem! Não é nenhum furo, não — tentou explicar Carlos.

— Claro que é! Vou colocar na capa: “O Herói da Novela Foge de Baratas”! Vai vender milhares de exemplares!

— Por favor, não faça isso! Vão me chamar de medroso para sempre!

— Tudo bem, tudo bem… eu penso num título melhor. Que tal: “Pedro, o Valente, Tem Um Segredo Fofo”? 

— Melhor, mas ainda assim… — suspirou Carlos. — Vamos para outra pergunta?

— Claro! Você beija muito bem na novela, todo mundo comenta. Você pratica muito em casa?

— Pratico o quê? Claro que não! É atuação, é trabalho!

— Ah, então é dom natural! Que sorte a sua. Eu já tentei praticar uma vez com a minha almofada e caí da cama — contou Pafúncio, muito sério, enquanto Mariana cobria o rosto de vergonha e Carlos não parava de rir.
 
De repente, apareceu a diretora da novela, Dona Rosália, uma senhora muito séria e brava.
 
— O que é toda essa algazarra aqui? Vocês estão atrasando as gravações! — esbravejou ela.

— Dona Rosa! Que honra! — disse Pafúncio, correndo até ela e tropeçando novamente, dessa vez derrubando uma mesa com copos de água. — Ai, meu Deus! Me perdoa, eu pago tudo, eu juro!

— É Rosália! E pare de derrubar as coisas, pelo amor de Deus! Quem é você mesmo?

— Pafúncio, da revista Fofocas & Cia. Estou fazendo a grande matéria sobre a novela!

— Grande matéria? Até agora você só errou nomes, fez perguntas absurdas e derrubou metade do equipamento — disse ela, cruzando os braços.

— É que… sou muito dedicado, mas às vezes as coisas saem um pouco diferente do planejado — explicou ele, coçando a cabeça. — Mas já tenho tudo pronto!

— Ah é? E o que você descobriu de tão importante? — perguntou ela, desconfiada.

— Muita coisa! Mariana gosta de pastel, Carlos tem medo de barata e vocês todos são muito legais! — disse ele, todo orgulhoso.

— Isso é tudo? — perguntou Mariana, surpresa.

— Não! Também descobri que vocês têm muita química! Porque toda vez que eu falo alguma coisa, vocês riem juntos! É amor, tenho certeza!

— Nós rimos de você, Pafúncio! — falou Carlos, ainda rindo muito.

— Ah, então é amizade! Melhor ainda! Vou escrever: “Amor, Risadas e Pastel: Os Bastidores Mais Divertidos da TV”!

— Pelo menos o título é bonito — concordou Rosália, já sem jeito. — Agora, por favor, saia daqui antes que você derrube o teto também!

— Já vou, já vou! Muito obrigado a todos! Vocês são os melhores! — disse ele, acenando, e na saída esbarrou numa porta, que bateu forte e fez cair um letreiro da novela.
 
Quando chegou à redação, o chefe perguntou:

— E aí, Pafúncio? Conseguiu uma boa história?

— Consegui, chefe! É a melhor de todas! E ainda saí de lá sem quebrar nada… bem, quase nada! — respondeu ele, mostrando o caderno cheio de riscos e poucas palavras.
 
E a matéria saiu na semana seguinte: cheia de erros, histórias inventadas e detalhes engraçados que ninguém tinha dito, mas que fez a revista vender muito. E os atores, ao lerem, só conseguiram rir muito — e combinaram que, na próxima entrevista, iam se preparar muito… ou então fugir assim que vissem Pafúncio chegando.

Fonte:
José Feldman. Nossas risadas de cada dia. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine.

Eduardo Martínez (Francisca, a benzedeira)

Francisca, mulher de lá seus quase 70, era muito considerada na comunidade, seja como benzedeira das mais tradicionais, seja por conta dos quitutes que deixava todo mundo de água na boca. Mal saía de casa, todos a cumprimentavam ladeira abaixo, até chegar à rua, de onde caminhava até o calçadão de Copacabana. Virava à esquerda e dava exatos sete passos. Ainda de pé, retirava as sandálias de couro puído e, somente então, pisava na areia. Sentia seus pés afundando gostosamente, ao mesmo tempo em que soava aquele gostoso barulhinho: "Chiiii!"

Nada detinha Francisca até que chegasse às águas, que lambiam seus pés. Ela abaixava o tronco e, com os braços pêndulos, catava um pouco da água gelada, passava nos pulsos e, depois, molhava o rosto. Precisava energizar! O olhar fixo para o horizonte, a boca muda, apesar do sorriso alvo por conta da nova dentadura, conversava em pensamento com Iemanjá, a rainha do mar. 

Quase uma hora após, Francisca subia o morro e, finalmente, chegava à sua casa. Tudo era paz, tamanha a paciência da velha. Daqui a pouco, chegariam os moradores em busca de auxílio espiritual. E foi o que aconteceu, quando adentrou na varanda da casa da benzedeira a Iolanda, que puxava o filho pelo braço bem fininho. 

- Dona Francisca, a senhora precisa me ajudar com o Pedrinho! 

 – E o que tem esse menino tão lindo, minha filha?

– Ele não obedece ninguém! Já botei de castigo, já dei taca, mas ele continua desobediente.

  Francisca observa cada palavra cuspida pela boca de Iolanda, enquanto o moleque tentava se esconder entre as pernas da mãe. A velha, com aquele olhar complacente, pegou na mão do Pedrinho. Este, por sua vez, fez uma careta tão feia pra benzedeira, inclusive dando língua. Francisca, já com a feição atormentada pela atitude do Pedrinho, diz:

– Isso não se correge nem cá, peste!

Fonte:
Blog do Menino Dudu. 16.06.2022.
https://blogdomeninodudu.blogspot.com/2022/06/francisca-benzedeira.html

Aparecido Raimundo de Souza (O sorriso do abismo)


VÁRIAS PESSOAS que conheço costumam dizer com convicção acirrada e espírito crente, que o abismo é puro silêncio. Um silêncio enorme e vazio, pesado e ausente. Todavia, imbuído de bons presságios creio ser de vaticínios alvissareiros.  Eu juro por tudo quanto é sagrado, apesar dos pós e contras, o abismo me sorriu. Embora procure ser a cada novo dia um homem de instintos fáceis, é bem verdade, posso afirmar com precisão se tratar de uma alacridade da mais pura alegria e felicidade, sem aqueles indesejados percalços repletos de flagelos e calamidades. 

Esse regalo que capturei no rosto do despenhadeiro, apesar de se moldar num gesto enigmático, (como quem guarda um sigilo intransponível em roupagem de cautela) só se revela verdadeiramente a quem ousa encarar sem medos ou receios a negritude de sua escuridão pesada e densa, sem piscar, ou melhor, sem ao menos descambar para o terreno da morbidez exasperada. O sem fim sorriu para mim, sorriu generoso, voraz, (e disso me lembro bem), sorriu radioso apesar de uma tarde triste e melancólica, em que a vida me parecia suspensa, sem sentido e sem direção. 

Eu estava à beira de um turbilhão de escolhas, onde só conseguia contemplar perdas. Nada de ganhos. Na verdade, eu estava à mercê de um buraco enorme, de uma cratera em torno da qual via lá no fundo a mim mesmo. E foi ali, no limite entre uma espécie sórdida de medo e uma nesga de coragem, atrelado igualmente a uma dúvida traiçoeira e cruel amarrado a uma incerteza paralítica, que percebi: o abismo ali bem aos meus pés, por mais imenso que me espionava, não se constituía num inimigo. Ele se transformara, do nada, mostrando tudo, como uma espécie de visão do amanhã. 

Uma visão benfazeja onde o seu sorriso para lá de mavioso se formava como um convite amável. Um chamamento inocente não para me puxar simplesmente e me fazer mergulhar em uma profundeza sem volta, ou algo pior. Em nenhum momento me vi movido ou atrelado, cativo e açoitado por forças hercúleas, onde procurasse, a todo custo, ou por puro medo cair fora sem me deixar ser abatido. O sorriso do abismo a meu ver, se fez terno lembrete de que não há chão ruim, não há certezas inabaláveis. Entretanto, é o riso discreto de quem sabe que a vida é feita de saltos.

E são nesses saltos que a gente descobre que quem se arrisca verdadeiramente a abrir os braços, não se machuca. Talvez o abismo sorriu e o fez porque conhecia a minha teimosia em acreditar que o controle de tudo é possível. Talvez (dito de outra forma), o profundo me sorriu porque sabia que no fim, seria ele quem me ensinaria a viver. E eu, diante dele, sorri de volta. Não por desafio, mas por gratidão. Porque o abismo, com seu sorriso franco e sem gestos maldosos me mostrou que é possível assimilar, na integra, que o medo também pode ser e, de fato é, um caminho.

O imensurável, lá embaixo, à frente de meus olhos, me mostrou não ser apenas um espaço vazio diante de um medo bobo que me segurava como se tivesse grudado no acaso. Ele se fez a metáfora daquilo que eu não podia controlar: o tempo que escorria, a morte que me esperava, o acaso que nos atravessava a todos. E, ainda assim, ele me arreganhou os dentes. Sorriu feliz, não num misto de zombaria, mas de revelação. Me sorriu, acima de tudo, porque sabia da minha busca por um sentido mais promissor e que em cada pergunta que eu fizesse, redundaria numa resposta que me mostraria novos horizontes. 

Por conta disso, esse abismo, bem aqui na minha frente, me lembrou num dado momento que viver é como caminhar sobre pontes frágeis, passear por viadutos suspensos, sabendo que no próximo passo o chão poderá ruir, contudo, apesar dessa incerteza, eu deveria seguir em frente. O sorriso do abismo é o paradoxo da existência. O nada que nos olha e, ao mesmo tempo, nos dá a chance de criar e recriar tudo. É o convite amável para transformar o medo interior em impulso. A incerteza em criação, onde o limite final se delimita em liberdade.

Precisamos entender que quando o abismo sorri, ele o faz, de fato, matreiro, e nessa hora nos mostra que não há garantias, mas possibilidades. E talvez seja justamente nesse sorriso enigmático, silencioso e inevitável que descobrimos que a vida não é sobre evitar a queda, mas sobre aprender a dançar no perigoso frágil da borda, lembrando aquela frase de uma história contada por Ariano Suassuna, onde ele começa dizendo que “ao redor de um buraco tudo é beira”. Pois bem! Esse tom existencial abre espaço para reflexões sobre liberdade, finitude e criação.  

Não devemos esquecer também que o abismo sorri porque conhece de cabo a rabo, a minha finitude. Ele sabe que sou feito de tempo, e que o tempo é feito de limites. Cada instante que passa é um passo em direção ao fim, e é justamente essa consciência que me obriga a pensar. E eu matuto com meus botões, penso: sem o limite, não haveria urgência. Sem a morte, não haveria vida. O sorriso do abismo nada mais é que o lembrete de que o NADA nos observa, mas também nos dá a chance de inventar o TUDO. Com isso, aprendi que criar é o gesto humano diante do abismo: escrever, amar, construir, imaginar... 

Isso tudo se transforma nas respostas que damos ao vazio, como quem planta flores na beira de um precipício. O abismo me sorri porque sabe que, ao me confrontar com o fim, me oferece a possibilidade de transformar o medo em arte, a angústia em liberdade, o silêncio em palavra. O abismo não é prisão. Ele é passagem. Há momentos em que a gente se sente engolido por sua escuridão, como se não houvesse saída. No entanto, o sorriso do abismo também é promessa: ele mostra que podemos atravessá-lo, que não precisamos permanecer ali.  

Encarar o abismo é reconhecer a fase em que estamos presos em imensa dor, abarrotado de dúvida, de perda e aceitar que ele não é destino, mas uma etapa a ser transposta. O sorriso do abismo nos ensina que sair dele é possível, que a vida continua além da borda, e que cada mergulho na escuridão pode nos devolver mais inteiros, mais conscientes, mais vivos. A meu entender, essa versão filosófica conecta o meu sentido de abismo à finitude e não só a ela, igualmente à criação, mas termina com uma reflexão libertadora: o abismo não nos aprisiona, ele nos transforma.

Estar prestes a cair num abismo, ou de forma mais branda, tentar sair de um, seja ele emocional, existencial ou simbólico não significa apagar o que vivemos, mas aprender a atravessar os percalços sem deixar que as marcas se tornem feridas permanentes. O segredo está em transformar o encontro com o abismo num eterno aprendizado de experiência e de crescimento. Jamais em prisão. Reconhecimento do limite: admitir que estamos diante de um vazio, de uma fase difícil, é o primeiro passo. Negar o abismo só prolonga a sua sombra em nós.

Criação como resposta: escrever, pintar, conversar, reinventar rotinas, qualquer gesto criativo é uma forma de devolver sentido ao que parecia sem forma. Liberdade interior: compreender que o abismo não nos define. Ele é circunstância, não identidade. Podemos sair dele sem carregar o peso como destino. Finitude como impulso: lembrar que a vida é breve e que cada fase, mesmo a mais sombria, é apenas uma parte do caminho. Isso nos dá coragem para seguir em frente.

Superação como travessia: sair do abismo não é esquecer, mas atravessar. É olhar para trás e perceber que o sorriso do abismo foi apenas um convite para nos tornarmos mais conscientes de quem somos. No fim, o abismo pode ser encarado como uma fase da vida dura, intensa, mas passageira. Ele nos ensina que não estamos presos, que podemos sair vivos e inteiros, e que cada mergulho na escuridão pode nos devolver mais fortes. O sorriso do abismo, então, deixa de ser ameaça e se torna lembrança de que até o vazio pode ser mestre, e que seguir em frente é sempre possível

O abismo pode ser encarado também como uma fase da vida dura, intensa, mas passageira. Ele nos ensina, agora reiterando em repeteco, que não estamos presos, que podemos sair vivos e inteiros, e que cada mergulho na escuridão pode nos devolver mais fortes. O sorriso do abismo, então, deixa de ser ameaça e se torna lembrança: de que até o vazio pode ser mestre, e que seguir em frente é sempre possível. Há quem diga que o abismo é silêncio, vazio, ausência. Mas eu o vi sorrir. Não era um sorriso de alegria, tampouco de malícia. Era um gesto enigmático, como quem guarda segredos que só se revelam a quem ousa encarar a escuridão sem piscar. E eu fiz isso.

Entre prós e contras, o abismo sorriu para mim numa tarde em que a vida parecia suspensa. Eu estava à beira dele, à passos de um bocado de perdas, à ribanceira de mim mesmo. E foi ali, no limite entre o medo e a coragem, que percebi: o abismo não é inimigo. Ele é espelho. Seu sorriso é convite não para cair, mas para mergulhar em profundezas que evitamos por comodidade. O sorriso do abismo é o lembrete de que não há chão eterno, e mesmo estando tão distante de tudo não há certezas inabaláveis. É o riso discreto de quem sabe que a vida é feita de saltos, e que só descobre asas quem se arrisca a abrir os braços. E eu, abri. Voei como Ícaro, num sonho que me fez viajar entre a vida terrena e a verdadeira, onde meu Deus, muito tempo depois, refeito de mim, alegre e saltitante, A C O R D E I.

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Texto enviado pelo autor.