Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 1 de abril de 2016

José Lucas de Barros (Caderno Poético I)

A Criança e as Estrelas

Dormitava a criança com febre
junto às margens de doce regato…
Um cicio de folhas do mato
levantava as orelhas da lebre.

Para que na parede não quebre
a corrente da rede, em recato
a mãe reza ao Senhor, e, de fato,
dorme em paz o silente casebre.

Apesar do inocente martírio,
corre o dia sem febre e delírio…
Cai a noite risonha nas telhas,

e as estrelas, em hora tão bela,
entram pela pequena janela
como enxame de louras abelhas!
-
Um Lar

Nessa casa modesta e pequenina,
linda prole acomoda-se à vontade
e, seguindo as lições que a vida ensina,
dá prova de gentil fraternidade.

Como bênção feliz da mão divina,
fortes laços de amor e lealdade
dão mais vida à família, em que domina
o traço indestrutível da unidade.

No trabalho febril do dia a dia,
os irmãos se unem cheios de alegria
para, em casa, jamais o pão faltar.

Firme, o casal, no antigo compromisso,
dá segurança a todos e, por isso,
todos têm a beleza e a paz de um lar.
-
O Amor da Velhice

Bem sei que o peso da velhice
a pouco e pouco nos domina,
mas vale a pena (alguém já disse)
pelas lições que a vida ensina.

Se já está longe a meninice
e a fronte agora já declina,
é previsão da lei divina,
não é o fim nem a sandice.

A cada passo em novo dia,
ganha-se mais sabedoria
e a vida assim, será mais rica.

Mais fé, mais luz, dentro do lar;
vai-se a paixão que faz pecar
e cresce o amor que santifica!
-
A Poesia de Meu Bairro

Toda tardinha, o sol, ao se deitar,
escreve um poema de ouro no “Penedo”
e, com tinta barrenta, no lajedo,
o “Seridó” faz trovas ao luar.

As carnaúbas, lenços verdes no ar,
são mil acenos de esperança; cedo,
acordamos a ouvir o passaredo
trinando o amor sonhado em cada lar.

O açude, em suas águas tagarelas,
faz ressoar as modinhas das donzelas
que se enfeitam com bolhas de sabão.

E, completando o quadro que enternece,
ao lado este convite para a prece:
a capela de São Sebastião.

Fonte:
BARROS, José Lucas de. Pelas trilhas do meu chão. Natal/RN: CJA, 2014.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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