AMOR E SAUDADE
Vou prosseguindo pelo meu caminho
em busca do meu sonho mais dileto:
- cantar feliz e amar qual passarinho,
que no seu ninho sente-se completo.
Correr ao vento, roupa em desalinho,
plantando amor e paz no meu trajeto,
quero encontrar um pouco de carinho
que me dê paz no mundo sem afeto.
Vejo, porém, que continuo o mesmo,
descrente, sem amor, vagando a esmo
sem encontrar a tal felicidade.
E os sonhos que sonhei em minha vida
vão acenando em triste despedida
cravando, no meu peito, esta saudade.
= = = = = = = = = = = = = = = = = =
ANTES QUE A NOITE CHEGUE...
Quando o sol se debruça no horizonte
deixando a tarde bela e mais fagueira,
antes que a lua, pelo céu, desponte,
a saudade se achega e faz trincheira.
Ao longe, em tom avermelhado, o monte
transmite uma quietude verdadeira,
trazendo ao coração o som da fonte
que canta, docemente, em corredeira.
Assim, vou recordando os tempos idos,
sonhos fagueiros, lindos e vividos,
que a memória jamais vai esquecer...
E, antes que chegue ao fim dessa jornada,
terei, por certo, em minha caminhada
muitos versos de amor para escrever.
= = = = = = = = = = = = = = = = = =
A VOZ DO TEMPO
O tempo vai levando cruelmente
vidas, amores, glórias e venturas.
Dissabores espreitam lá à frente
e os sonhos viram pó e desventuras.
Ao procurar motivo que contente
um coração cansado das agruras,
minha oração se eleva docemente
e busca a paz que desce das alturas.
Mas o tempo não para e nem descansa,
não permite sequer uma esperança
que me deixe mudar o itinerário...
Impossível fugir do meu destino
já traçado, talvez, desde menino:
Levar sozinho a cruz do meu calvário!
= = = = = = = = = = = = = = = = = =
em busca do meu sonho mais dileto:
- cantar feliz e amar qual passarinho,
que no seu ninho sente-se completo.
Correr ao vento, roupa em desalinho,
plantando amor e paz no meu trajeto,
quero encontrar um pouco de carinho
que me dê paz no mundo sem afeto.
Vejo, porém, que continuo o mesmo,
descrente, sem amor, vagando a esmo
sem encontrar a tal felicidade.
E os sonhos que sonhei em minha vida
vão acenando em triste despedida
cravando, no meu peito, esta saudade.
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ANTES QUE A NOITE CHEGUE...
Quando o sol se debruça no horizonte
deixando a tarde bela e mais fagueira,
antes que a lua, pelo céu, desponte,
a saudade se achega e faz trincheira.
Ao longe, em tom avermelhado, o monte
transmite uma quietude verdadeira,
trazendo ao coração o som da fonte
que canta, docemente, em corredeira.
Assim, vou recordando os tempos idos,
sonhos fagueiros, lindos e vividos,
que a memória jamais vai esquecer...
E, antes que chegue ao fim dessa jornada,
terei, por certo, em minha caminhada
muitos versos de amor para escrever.
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A VOZ DO TEMPO
O tempo vai levando cruelmente
vidas, amores, glórias e venturas.
Dissabores espreitam lá à frente
e os sonhos viram pó e desventuras.
Ao procurar motivo que contente
um coração cansado das agruras,
minha oração se eleva docemente
e busca a paz que desce das alturas.
Mas o tempo não para e nem descansa,
não permite sequer uma esperança
que me deixe mudar o itinerário...
Impossível fugir do meu destino
já traçado, talvez, desde menino:
Levar sozinho a cruz do meu calvário!
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CURVA DO CAMINHO
Eis-me chegando à curva do caminho,
onde vejo os escombros do passado:
a casa em que nasci, cresci, malgrado
o quarto de dormir em desalinho.
Não me faltou, porém, muito carinho
vivendo no Sertão injustiçado,
onde o “mandante” sempre desalmado
faz o povo sofrer, no Pelourinho...
No entanto, a vida é bela e deslumbrante,
mesmo que a estrada se apresente escura
sempre brilha uma luz ao viajante...
... E quando eu me tornar uma saudade,
minha alma esquecerá a desventura
para cantar, em verso, a Eternidade!
* * * * * * * * * * * * * * * *
ELOGIO AO AMOR
Neste caminho eu sigo contemplando
a Natureza exuberante e bela,
passarinhos nos ramos saltitando
entoando canções em aquarela.
Aonde quer que eu vá, eu vou cantando
a pureza do amor, pintado em tela,
que Deus o produziu, por certo amando,
para mostrar ao mundo, em passarela...
O amor? Triste de quem não tem amor,
nem sentiu nesta vida alguma dor,
nem teve uma saudade a recordar?
Pois o amor é um sublime sentimento
que ferve, vibra e invade o pensamento,
e nos leva ao delírio para amar!
* * * * * * * * * * * * * * * *
IPUPIARA
Feliz é quem trilhou estes caminhos
que levam à vibrante Ipupiara,
ouvindo o som de belos passarinhos
numa paisagem deslumbrante e rara.
Ibipetum, Pintada e outros vizinhos
Sodrelândia, Vanique e Caiçara,
Chiquita, Bela Sombra com seus ninhos,
Brejões, Coxim que muito me ensinara.
Jamais vou esquecer... O Olho d´Aguinha,
Veríssimo, Barreiro e até Matinha,
Deus me Livre, Umbaúba e Boa Vista.
Felicidade, então, é ter nascido
e neste berço um dia ter vivido
com gente hospitaleira e idealista!
* * * * * * * * * * * * * * * *
RESSURREIÇÃO
Já não lamento o fim daquele sonho
que o tempo, impiedoso, me levou.
- Venturas e alegrias – pressuponho
tombaram pelo chão, nada sobrou.
Por que sofrer, chorar, viver tristonho?
Se o vendaval que assusta já passou?
Reconstruir é tudo o que me imponho
e gritar para o mundo: aqui estou.
Tal como a fênix ressurgir da morte
e as cinzas sacudir buscando a sorte,
embora os olhos marejados d´água.
Meus versos jorrarão como uma fonte
fervilhando de amor vencendo a ponte,
mesmo cobertos de saudade e mágoa!
* * * * * * * * * * * * * * * *
REVISITANDO A INFÂNCIA
Refaço, de memória, a longa estrada,
caminhos que trilhei desde menino.
De manhã cedo, ainda na alvorada,
eu preparava a terra, meu destino.
Tempos depois, aposentei a enxada,
para estudar, no chão diamantino.
A vida era feliz lá na Chapada,
quando brilhava a luz do sol, a pino...
Tudo passou, bem sei, tão de repente,
meu coração, parece, anda descrente
e o sentimento, quantas vezes, trunca...
Hoje, guardo no peito, com cuidado,
lembranças que marcaram meu passado
e uma saudade que não passa nunca...
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Filemon Martins (1950)
FILEMON FRANCISCO MARTINS é um renomado escritor, poeta e trovador brasileiro, reconhecido como um dos nomes expressivos da poesia lírica e do trovadorismo nacional. Nasceu em 1950, na cidade de Ipupiara/BA (região da Chapada Diamantina). Passou a infância e juventude na Bahia (em Ipupiara e Morpará). Posteriormente, mudou-se para São Paulo (SP), onde fixou residência por longos anos para estudar e trabalhar. Cursou Administração de Empresas na Faculdade de Administração e Ciências Econômicas "Santana", em São Paulo. Prestou serviços para grandes corporações e órgãos públicos, incluindo a Empresa Folha da Manhã S.A. e a Prefeitura Municipal de São Paulo. Desenvolveu sólida carreira no Judiciário Federal, atuando e aposentando-se na Subsecretaria de Feitos da Presidência (UFEP). Foi também filiado ao Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD).
Filemon possui uma produção diversificada em artigos, crônicas, sonetos e trovas, sendo membro de várias entidades literárias e culturais de destaque. Sua trajetória é marcada por reconhecimentos em trovas e antologias poéticas pelo país. Membro da Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras, Anápolis/GO; The International Academy of Letters of England, (London, England); Academia de Letras de Ipaussu/SP; Clube Baiano de Trova, Salvador/BA; Instituto Cultural do Vale Caririense, em Juazeiro do Norte/CE; Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD), Confraria Brasileira de Letras (PR).
Sua bibliografia abrange obras poéticas e pesquisas genealógicas: “Flores do meu jardim” (Poemas, 1997), “Anseios do coração” (Poemas, sonetos e trovas, 2011); “Dicionário genealógico da família Ribeiro Martins” em coautoria com Mário Ribeiro Martins (2007); “Fagulhas” (Miscelânea, 2013); “Sonetos & Trovas” (2014); “Histórias que só agora eu conto” (2018) e – “Caminhos do Jordão da Bahia” (2022).
A relevância do autor reside na preservação das formas clássicas da poesia e na contribuição para o resgate histórico e cultural brasileiro.
Fontes:
Blog do Filemon - http://filemon-martins.blogspot.com/
Biografia = Scortecci, Unicamp, Página 3, Anseios do Coração, Confraria Brasileira de Letras, etc.

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