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sábado, 19 de setembro de 2026

Professor Garcia (Trovas do Meu Cantar)

 

A aquele que arrasta a cruz
e, aos ritos do amor se entrega...
Deus põe dois braços de luz
na cruz do bem que carrega!
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Adeus!... Passado tão lindo,
encanto dos dias meus!...
Disseste-me adeus, sorrindo
e, eu triste, te disse adeus!
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A ingratidão se resume
num coração descontente,
a um velho facão sem gume
cortando os sonhos da gente!
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A mão do bem que nos rege,
mostra-nos gestos de amor,
até na mão que protege
a inocência de uma flor!
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Amor de mãe, que esplendor,
ó, que divino mister...
Deus pôs a essência do amor
no coração da mulher!
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À noite, o que me conduz,
me acompanha e me rastreia,
é o tênue raio de luz
da solidão da candeia!
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Cantas preso, canarinho
consolando a tua dor!
Eu também canto sozinho
preso às redomas do amor!
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Com remendos e arremedos,
em desmedidos desvãos;
alguns vão sujando os dedos
na sujeira de outras mãos!
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Contra o Sol, não há censura
e, ao bom pintor se assemelha,
quando pinta com ternura
a aurora, de cor vermelha!
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Daquele amor tão risonho
que moldou nosso roteiro...
Guardo o derradeiro sonho
como se fosse o primeiro!
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Depois de feita a moldura
da aquarela do arrebol,
Deus pôs gotas de ternura
na rosa rubra do sol!
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De volta à tapera antiga,
ouço uma voz que à distância,
era a mesma voz amiga
que eternizou minha infância!
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Do mar, a mais linda prenda
que a espuma branca ponteia,
é a camisola de renda
que as ondas tecem na areia!
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Feliz, não dá passos vãos
a lua, era seu caminhar,
enquanto, entrelaça as mãos
na barba branca do mar!
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Hoje, eu refiz o meu ninho
e, abri janelas e portas,
para cantar com carinho
cantigas das tardes mortas!
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Lembro, mamãe, do teu canto,
num doce e breve estribilho,
tentando enganar o pranto
do choro triste do filho!
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Meu pensamento deduz,
seguindo os teus passos certos
que, a intensidade da luz
dobra em teus braços abertos!
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Minha fronte encanecida,
já, pelo tempo, aos borralhos,
põe as auroras da vida
nos meus cabelos grisalhos!
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Não há estação perdida
para quem no amor se esmera!
Quem ama o outono da vida,
vive a eterna primavera!
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Na vida há tantas essências
e aparências desiguais,
que, eu penso que as reticências
são velhos pontos finais!
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Neste Natal, meu Senhor,
quando a vida se refaz...
Teu vinho, é o sangue do amor
teu pão, o corpo da paz!
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No aceno das horas mansas,
vejo na humilde casinha,
da infância, as ricas lembranças
da pobre mansão que eu tinha!
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O amor, em seus embaraços,
e às vezes, com seus desvãos...
Entrelaçou nossos braços
e amordaçou nossas mãos!
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O mar, de fatos e lendas
quando se zanga e se alteia,
se joga em lençóis de rendas
e espicha os braços na areia!
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O ocaso da vida, é um sonho.
Quando se alcança esse prazo,
fica um pouco mais tristonho
nosso sorriso, no ocaso!
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O poeta, em suas cantigas,
em noites calmas, dá provas
de esquecer queixas antigas,
cantando as mágoas mais novas!
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O poeta e o passarinho,
são parecidos demais:
Quanto mais longe do ninho
mais cantam tristes seus ais!
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O sino desperta o sono
da tarde que silencia,
enquanto a lua sem dono
enche a noite de poesia!
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O tempo é roda fremente
num parque de diversões,
moendo os sonhos da gente
nessa roda de ilusões!
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Peço, ó tempo, que me acudas,
faz-me entender a canção
do canto das folhas mudas,
secas, mortas pelo chão!
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Por temor da noite ingrata
e, antes que, a treva se afoite,
surge uma luz, cor de prata,
no teto negro da noite!
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Posso dizer de joelhos
ante os teus pés andarilhos,
que escuto pai, teus conselhos
aconselhando os meus filhos!
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Que ingratidão tão mesquinha,
que ausência de amor e brilho,
viver a mãe tão sozinha
ao lado do próprio filho!
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Quem contempla o amor, percebe
e, a todo instante, deduz...
Que, em tudo quanto recebe,
há uma centelha de luz!
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Quem crê na fé, na alegria,
não torna seus sonhos vãos.
Pois, cada mão que nos guia,
tem digitais de outras mãos!
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Saudade é um sonho roubado,
que de forma inconsequente...
Vive no tempo passado,
numa ilusão do presente!
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Saudade! – Velhas raízes
da solidão dos meus ais,
longe das noites felizes
dos meus antigos Natais!
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Se a cruz pesar mais, descreve
o que dela se deduz:
Que tudo quanto se deve,
Deus põe nos braços da cruz!
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Se há estradas tão dolorosas
e há cardos pelos caminhos...
Larga o caminho das rosas.
Põe teus pés sobre os espinhos!
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Se for falta de agasalho,
ou porque não tenho escolha,
a escolha do meu trabalho
se agasalha em qualquer folha!
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Sei que a saudade me escolta,
mesmo triste e tão sozinho!...
Como é bom quando se volta,
mesmo velho, ao velho ninho!
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Seis horas!... E, em triste canto,
o sino em seu padecer...
Vai driblando a dor do pranto
nos dobres do entardecer!
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Sempre o mar nas horas calmas
dos sóis de suas manhãs,
liberta os grilhões das almas
presas, às ondas pagãs!
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Se o amor é cego e reclama,
reclama sem sentir dor;
quando um cego acende a chama,
é um feliz cego de amor!

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Sigo do ocaso ao sol posto,
da vida não me envergonho.
O tempo enruga o meu rosto
mas não põe ruga em meu sonho!
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Sinto que o amor se agasalha,
nos teus olhos cor de mel...
Quando a lágrima enxovalha
meu lencinho de papel!
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Tuas juras, sempre vãs,
compromissos de ninguém,
são velhas juras pagãs
ferindo o orgulho de alguém!
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Um samba, dentre os mais belos
que, a memória perpetua...
E aquele, de teus chinelos
nas pedras de minha rua!
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Vejo que teus velhos braços
mantém a mesma medida,
com que mediste os meus passos
na primavera da vida!
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Professor Garcia (1946)
        FRANCISCO GARCIA DE ARAÚJO (conhecido por Professor Garcia)  é um dos maiores expoentes da cultura potiguar, destacando-se como poeta, trovador, escritor e compositor profundamente ligado a Caicó e à região do Seridó. Sua trajetória une a educação formal à preservação das tradições líricas e da literatura de cordel no Nordeste. Nasceu na Fazenda Acari, no município de Malta (PB), em 1946. Mudou-se para Caicó (RN), em julho de 1959, acompanhado de seu tio, o também poeta José Lucas de Barros. Desde então, fincou raízes na cidade e adotou o Seridó como seu lar definitivo. Graduou-se em Letras (Português e Inglês) e em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), além de possuir pós-graduação em Teologia e Éticas Especiais. Como educador, lecionou as disciplinas de Português, Francês, Inglês e Espanhol. Atuou profissionalmente como bancário. No setor público, exerceu forte representação política em Caicó, onde foi Vereador e Secretário Municipal.
Dedica-se ativamente à divulgação da poesia lírica e da trova, apresentando o programa semanal "Momentos Com Nossos Poetas" na Rádio A Voz do Seridó (100 FM). Presidente do Clube dos Trovadores do Seridó (CTS); Sócio-efetivo da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte (ATRN); Delegado e membro ativo da União Brasileira de Trovadores (UBT), Seção de Natal/RN e Caicó/RN; Membro efetivo da Academia Virtual Brasileira de Letras (AVBL), acadêmico da Confraria Brasileira de Letras (PR). Alguns livros Publicados: Trovas que Sonhei Cantar (1974); Cantigas do Meu Cantar (2017).
Ao longo de sua carreira literária na cultura popular e no movimento trovadoresco brasileiro, obteve diversas classificações e menções honrosas em concursos nacionais de trovas promovidos pelas seções da UBT. O Professor Garcia desempenha um papel fundamental como guardião da identidade e da memória do Sertão do Seridó. A sua relevância reside na manutenção viva do Trovadorismo — uma vertente literária clássica e poética focada em composições rimadas de quatro versos de sete sílabas poéticas (redondilha maior). Ao liderar o Clube de Trovadores regional e utilizar os meios de comunicação de massa para espalhar a poesia nordestina, ele conecta a erudição da sua formação acadêmica com a pureza da cultura de raiz. Ele eleva a produção poética do interior do Rio Grande do Norte ao cenário nacional, garantindo que o lirismo sertanejo continue influenciando novas gerações de escritores.

Fontes:
Professor Garcia. Poemas do meu cantar. Natal/RN: Trairy, 2020. Livro enviado pelo autor.
Biografia = Confraria Brasileira de Letras; Portal CEN; Severo Garcia; Universidade Estatual do Rio Grande do Norte (tese).

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Roberto Tchepelentyky (Semeando Trovas)


A caminho do infinito,
prossigo a minha viagem...
Levo o que é de mais bonito:
O nosso amor na bagagem!
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A chama já consumia
a casa do seu Arlindo,
quando psiu... ele dizia:
" Minha sogra está dormindo"!...
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À interferência me oponho 
do que não pude viver... 
Acendo a luz de outro sonho 
e me faço amanhecer!
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A minha sogra eu veria,
não importa em que planeta,
se pudesse, todo dia...
Claro, por uma luneta!!!
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Amor, estranha magia,
do coração e da mente.
Com toda sua alquimia,
nos faz um adolescente.  
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À noite, em frente á TV,
a vovó e o manto dela...
Ela dorme e nada vê,
o manto assiste à novela...
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A paz que tanto nos falta,
deixando a vida feroz,
é uma criança peralta,
oculta dentro de nós!
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A vida é um fogo de palha
e o tempo se mostra algoz,
mais parece uma fornalha
onde a palha...  somos nós! …
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"Bate" a inspiração na gente...
Verso nenhum se aquieta,
quando Deus, onipotente,
nos permite ser poeta!
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Deixa o que passou "de lado",
a vida é um ensinamento...
Pois lamentar o passado
é correr atrás do vento!...
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Dentista tem a virtude
de cumprir sua missão,
sendo artesão da saúde,
traz sorriso ao seu irmão!
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Dentre as forças deste mundo,
procurando paz, eu vim,
encontrá-la aqui no fundo,
de onde crio a força em mim.
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De político do “avesso”,
a gente já tem calombo...
pois, quando ele dá tropeço,
é o povo que leva o tombo!!!
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Deste-me um beijo no rosto,
tal qual verso de ousadia…
e o problema meu é o gosto
de completar a poesia!
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Em cada dia, a humildade
nos ensina uma lição…
É um degrau da humanidade
na escala da evolução!…
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E o velhinho gritou: “Opa!...”
Depois de tanta procura...
no prato de sua sopa,
encontrou a dentadura.
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Lamenta a tecnologia...
e, por saber, não se acalma,
que jamais construiria
um homem de corpo e alma!
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Louvo "Os Timbiras" na história,
por ser um poema fecundo:
São quatro cantos de glória
nos quatro cantos do mundo!…
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Na despedida, o teu lenço
deixou o meu com “revolta”!
Nem viu, num adeus intenso...
que o meu...acenava: Volta!!!
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Na homenagem ao dentista,
com singelos versos, friso:
Mais do que ser um artista,
é um poeta do sorriso!
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Nossos olhares ousados,
já perceberam que são
dois desejos conjugados
num “ jogo de sedução”!…
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O amargor da despedida
de alguém que amamos demais,
é ter o sabor na vida
do “gosto de nunca mais”!…
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O "bebum" vai ao velório
e abraça a "booooa” comadre,
dando um pesar vexatório:
"Me solta, que eu sou o Padre!!!”
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O bem oculto a dispor,
seja a quem for, sem vaidade,
é a essência pura do amor,
vestida de caridade!
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O chão do quarto molhado...
A sogra pagou o mico
após seu grito abafado:
" Meu Deus! Errei o penico"!!!
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O destino escreve a escolha
do amor de nós dois assim:
Páginas da mesma folha...
Tu... de costas para mim!…
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O silêncio traz a paz
do universo e se engrandece,
com amor que o homem faz
do silêncio sua prece! 
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O teatro é fantasia,
mas, às vezes, como tal,
ninguém o diferencia
da nossa vida real...
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O vento faz serenata
e o mar se põe a cantar
versos, em ondas de prata,
de uma poesia... ao luar…
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Partiste... E a nossa amizade
no infinito se enternece...
Tu me mandas a saudade,
eu te mando a minha prece!…
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Político que faz "rolo",
bem ou mal ele se arranja,
pois no meio do seu "bolo",
tem recheio de "laranja"!!!
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Pra aquela visita chata,
o que me deixa mais louco,
é ouvir a frase insensata:
"Já vai? Fica mais um pouco"!...
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Pra que a filha não se “perca”,
meu vizinho fica alerta...
De que vale “fazer cerca”
pra quem tem porteira aberta?!
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Quem tem amor verdadeiro  
que brota no coração,
vivifica o seu canteiro
com as flores do perdão!
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Sobre a parreira, o luar
no sereno te retrata…
E os teus olhos a brilhar:
“Duas uvas”… cor de prata…  
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Ter “gandula bonitinha”,
rebolando, só piora...
O jogo quase não tinha:
- por tantas bolas pra fora! ...
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Teu abraço me agasalha
com carinho tão profundo...
sinto em volta uma muralha,
separando-nos do mundo!…
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Teu “jogo de amor” peralta,
por ciúme, nos devora:
- tu cobraste a minha falta,
batendo o “pênalti” fora! …
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Três luas, na madrugada, 
me fazem um sonhador: 
Uma no céu, prateada... 
e as do olhar de meu amor!
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Um amor que já floresce,
escondido, não se assume.
É uma flor que nem parece...
Mas que exala seu perfume!
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Um casal tão agitado
no sofá de namorico,
parecia ter tomado
um banho de pó-de-mico!...
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Vive a "página da vida"
nem que seja a "solavanco"!...
Pior é quem na "partida",
carimba a página: "Em branco"!

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Roberto Tchepelentyky
ROBERTO TCHEPELENTYKY é um dos nomes da trova contemporânea na capital paulista. Nasceu na cidade de São Paulo/SP, onde reside atualmente. Na esfera profissional, divide sua rotina entre as artes e a ciência médica, atuando como médico Clínico Geral na região de Santo Amaro, em São Paulo. Essa dupla jornada — a precisão do diagnóstico e a sensibilidade do verso — reflete-se na profundidade de suas composições.
Roberto descobriu o universo da trova em 2003, através do magnífico trovador Izo Goldman. Desde então, tornou-se um dos poetas mais ativos do movimento. Concorrente assíduo e multipremiado em Jogos Florais e concursos nacionais e regionais. A sua produção poética está vastamente documentada em antologias oficiais, coletâneas de Jogos Florais por todo o Brasil e em publicações especializadas do gênero da trova, tanto impressas quanto em importantes portais trovadorescos. 
A relevância de Roberto Tchepelentyky para a literatura nacional reside no seu papel de guardião e modernizador da Trova. Com humor refinado, lirismo e capacidade de síntese poética, Roberto não apenas enriquece o patrimônio literário paulistano com suas vitórias em concursos, mas também atua ativamente nos bastidores da trova. Ele ajuda a democratizar o acesso à poesia, provando que a literatura clássica e rimada continua vibrante, acessível e essencial no século XXI.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Jerson Brito (Semeando Trovas)

 

A melhor alternativa

para alcançar a vitória
é tornar a tentativa
atitude obrigatória!
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Aquela vila afastada,
nas brenhas do interior,
parece pobre... Que nada!
É manancial de amor…
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A riqueza genuína
da tapera ou da mansão
vem do amor que predomina,
não se mede com cifrão.
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Da minha infância tranquila
recordo, os olhos marejo.   
Mil vezes aquela vila
do que concreto e azulejo!
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Digo com sinceridade:
É melhor pro coração,
o amargor duma verdade,
do que o mel d’uma ilusão
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Ela é charmosa e pequena,
concisa, porém, completa.
Eis a trova, expressão plena
da mensagem do poeta.
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Esperança assim defino:
rio que corre veloz,
banhando nosso destino
sem chegar à sua foz.
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Existe um tênue limite
entre paixão e loucura;
para as duas, acredite
não é fácil ter a cura.
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Faltou bronze ao escultor
que, sem outra solução,
resolveu, na praça, expor
a estátua do herói anão!…
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- Fui bronze! Missão cumprida!
Disse o sujeito aos parentes,
sem mencionar que a corrida
só tinha três concorrentes.
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Já tentei tirar de mim
a semente dessa flor,
que espalhou no meu jardim
o perfume do amor.
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Libertado das ruínas
de um amor sem solidez,
ao abrir outras cortinas,
meu coração se refez.
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Na crise, eu me fortaleço,
não perco os sonhos de vista;
toda queda é o recomeço
para quem crê na conquista!
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Na luta, quando entendido
o recado de um tropeço,
qualquer espinho vencido
escreve um fim... e um começo!
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Não maldiga o desafio
se a jornada é longa e dura;
a glória é fruto macio,
carregado de doçura.
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No baú da experiência,
guarde dor e alegria.
As lições dessa vivência
são úteis no dia-a-dia.
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Nossa paixão dissemina,
nos sonhos, a insanidade
quando surge, clandestina,
disfarçada de saudade.
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No teu sussurro extravasas
um sopro avassalador
que mantém vivas as brasas
da fogueira deste amor.
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O fracasso e a vitória
fazem parte do existir.
É normal na trajetória,
de vez em quando cair.
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Olhando estas mãos feridas,
lamento, orgulhoso, as falhas
e não as chances perdidas
no decorrer das batalhas!
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O vivente caminheiro,
se palmilha senda escura,
na esperança tem luzeiro
que no coração fulgura.
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Qual cometa incandescente,
a paixão passa e se vai,
deixa no peito da gente
uma dor que nunca sai.
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Quem se empenha na leitura
nada perde e tem certeza
de que, para a mente escura
livro aberto é luz acesa.
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Se de rancor está cheio
nosso coração doente,
estão vazias, eu creio,
a nossa alma, a nossa mente.
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Sentindo o golpe certeiro
da paixão que me extasia
louvo teu sorriso, arqueiro
de notável pontaria.
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Se o fracasso tem dois lados,
vale muito a decisão;
chorar os planos frustrados
ou bendizer a lição.
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Se põe fogo em nossa cama,
amor, esse teu perfume
é a mesma essência que inflama
o facho do meu ciúme!
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Será crescente a desgraça
da fome e grande o lamento
enquanto existir quem faça
da ganância um alimento.
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Sobre opiniões e crenças,
a sensatez nos diria
que o respeito às diferenças
tece teias de harmonia.
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Somos almas garimpeiras
nessa vida de perigos
onde, em lavras rotineiras,
valem ouro os bons amigos.
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Tentei enxugar meu pranto
na fronha do travesseiro.
Péssima ideia, porquanto
chorei mais, senti teu cheiro…
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Um amor especial
trouxe a flecha do cupido,
a saudade, esse punhal,
fez meu coração partido.
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Um cenário me devasta:   
a garrafa de champanhe,
duas taças, vela gasta
e ninguém que me acompanhe.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
Jerson Brito (1973)
  JERSON LIMA DE BRITO é um dos principais expoentes contemporâneos da poesia clássica, do soneto e da trova na Região Norte do Brasil, amplamente reconhecido por sua maestria técnica e dedicação à preservação das formas poéticas tradicionais. Nasceu em Porto Velho, no estado de Rondônia, em 1973. Sempre residiu em sua cidade natal, filho de José Brito e Maria Ducevalda. Graduou-se em Administração e em Direito pela Fundação Universidade Federal de Rondônia. Atua desde 1996 como servidor público federal, exercendo o cargo de Técnico Federal de Controle Externo na Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (TCU), em Rondônia.
Teve o primeiro contato com a poesia métrica na infância por meio dos folhetos de cordel que seu pai comprava. Consolidou-se na fase adulta como um exímio sonetista, trovador e cordelista, dedicando-se rigorosamente à rima, à métrica e ao lirismo clássico. É uma liderança ativa no movimento da trova nacional, atuando como Delegado da UBT na capital rondoniense. É um autor muito ativo na plataforma literária [Recanto das Letras], onde compartilha milhares de composições. Membro fundador da Academia Brasileira de Sonetistas Clássicos (ABSC), integrante ativo do Fórum do Soneto. Acumula dezenas de premiações de destaque em certames de Sonetos e Trovas pelo Brasil. Embora o autor concentre grande parte de seu acervo em coletâneas nacionais da trova, antologias poéticas e portfólios digitais de longo alcance, ele possui mais de 2.000 textos publicados na web focados na difusão da trova e do cordel.
A relevância de Jerson Lima de Brito reside em descentralizar a poesia clássica, provando que a tradição do soneto rígido e da trova rimada pulsa com força fora do eixo literário do Sudeste. Como delegado da trova e membro da ABSC, ele atua diretamente na formação de novos leitores e escritores na Amazônia Ocidental. Ele resgata a herança cultural do cordel nordestino trazida por seus antepassados e a funde com a identidade rondoniense, mantendo viva a riqueza da poesia metrificada na literatura contemporânea do Brasil.
Fontes:
Messias da Rocha (org.). Múltiplas palavras vol. III. Juiz de Fora/MG: Ed. dos Autores, 2022.
Livro enviado por Lucília Trindade Decarli