Na família dos advérbios, sim e não são irmãos antagônicos. Um afirma, o outro nega. Ambos carregam a força da decisão — quando ditos com inteireza.
O problema começa quando surge o talvez a lhe pôr tempo indesejado na sopa.
Esse elemento inconveniente quebra a impositividade de ambos, dilui a certeza e enfraquece a essência do antagonismo.
Sim e não, quando pensados ou ditos sem firmeza, deixam de cumprir o que prometem. Tornam-se frouxos, indecisos, sem cheiro nem sabor. Não convencem. E, pior, pela insipidez, não movem.
Assim, suas certezas escorregam para o campo da possibilidade. Um disparate. Alimentado ainda por seus parentes menos frequentes, mas sempre à espreita: o quiçá, o acaso, o porventura. Todos conspiram para fortalecer a dúvida.
Há remédio? Em tese, sim. Chama-se persistência — acompanhada de perseverança, tenacidade, obstinação e firmeza, cada qual no seu devido uso. São elas que sustentam o enfrentamento dos obstáculos e permitem seguir adiante ou parar, mas com consciência.
Esses elementos exigem paciência, adaptação e, às vezes, mudança de estratégia. Não para agradar ao talvez, mas para superá-lo.
Ainda assim, muitos de nós acabamos vivendo nesse intervalo morno, presos à indecisão e sussurrando desgostos por não saber lutar.
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Renato Benvindo Frata nasceu em Bauru/SP, radicou-se em Paranavaí/PR. Formado em Ciências Contábeis e Direito. Professor da rede pública, aposentado do magistério. Atua ainda, na área de Direito. Fundador da Academia de Letras e Artes de Paranavaí, em 2007, tendo sido seu primeiro presidente. Acadêmico da Confraria Brasileira de Letras. Seus trabalhos literários são editados pelo Diário do Noroeste, de Paranavaí e pelos blogs: Taturana e Cafécomkibe, além de compartilhá-los pela rede social. Possui diversos livros publicados, a maioria direcionada ao público infantil.
Fontes:
Texto enviado pelo autor.
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